*O que é Storytelling e quais seus usos*

Acho que essa foi a pergunta que mais respondi em entrevistas até hoje. Depois de uma década respondendo, talvez já dê pra listar 1001 usos do Storytelling.

Ninguém passa um único dia sem contar e consumir histórias. Mesmo alguém isolado numa caverna vai contar histórias, nem que seja pra si mesmo. Muitas vezes a gente nem se dá conta, mas o Storytelling está ali presente na situação. Um encontro num café vai ter troca de histórias. Num encontro com vinho e velas. No almoço em família. Muitas vezes com desconhecidos, que talvez pelas histórias decidam ficar amigos. A gente vive e mal percebe que até as músicas da trilha sonora do dia nos cantaram histórias. 

No meio de tanta história, uma coisa é certa: toda história é um dado rumo à um alvo. Um artista quer passar uma mensagem, expressar um sentimento, explicar algo da alma humana. Ele então faz filmes e livros e peças e música e games e quadros e o que mais for necessário para compor suas narrativas. 

Líderes contam histórias que inspiram de equipes a povos. Com Storytelling certeiro, conseguem apontador todos para a mesma direção e com o mesmo ritmo. 

Educadores contam histórias para ensinar pupilos de forma clara, prática e intrigante. Uma boa aula não precisa de projetor. Com boas histórias até um luau vira sala de aula. 

Publicitários contam histórias condensadas. Quando o Storytelling é certeiro, conseguem popularizar e valorizar marcas e assim vender mais: para mais pessoas, mais vezes, com mais retorno.  

*Livro Storytelling*

Os usos do Storytelling podem servir a qualquer tipo de profissional. Um advogado pode contar histórias para defender seu cliente, da mesma forma que um médico pode sensibilizar seu paciente para a importância de um tratamento. Um conselheiro financeiro pode narrar melhor a história por trás de seus números. Empreendedores conseguem explicar melhor e mais rápido as histórias de suas startups.


Essa abrangência foi ressaltada no Guia Completo do Storytelling, um livro novo no setor e que busca mostrar que Storytelling abraça o marketing e a comunicação e vai além. 


Desde quando Storytelling vem sendo usado pelas marcas?

Desde os primórdios as marcas já contavam histórias que tornavam seus produtos mais interessantes. 

O sapateiro do império romano contava que: tinha a matéria-prima do couro mais bem selecionada fazendo um produto final superior, ou usava técnicas aprendidas com os antepassados que foram afinadas ao longo de gerações e garantiam um produto inigualável, ou ainda que tinham seus produtos usados e aprovados pelos membros mais exigentes da elite.

A criação de ficções envolvendo marcas tem um caso icônico no Brasil, com publicação inicial em 1924. Uma história de Monteiro Lobato, para os Laboratórios Fontoura. Outros cases foram surgindo pelo mundo. Mas processo criativo era feito de forma espontânea e intuitiva.


*O que as empresas perceberam com relação ao Storytelling*

Do controle remoto ao adblock. Quando a audiência passou a escolher o que assistir e onde dedicar sua atenção, as empresas perceberam a necessidade crescente por conteúdos cada vez mais interessantes. Foi aí que as empresas perceberam teriam que recorrer a Storytelling.

A internet entregou o poder nas mão da audiência e se o conteúdo for tedioso, será pulado. A questão é que isso não vale só pra empresas. As interações no mundo real concorrem com os conteúdos do digital. Na palma da mão, sempre tem uma mensagem pra enviar ou um vídeo pra assistir. Storytelling certeiro é capaz de passar a mensagem e ao mesmo tempo entreter.


*Formas de aplicar Storytelling*

Foi em 2009 que as empresas passaram a buscar métodos e processos para contar melhores versões de suas histórias. De lá pra cá, Storytelling passou a ser usado até para preparar roteiro de reuniões. O vídeo abaixo traz vários exemplos de aplicações de Storytelling. 


Aplicações e exemplos de Storytelling corporativo… 


*De onde surgiu, qual é a origem do Storytelling?*

Storytelling é uma das atividades mais antigas da Humanidade… remete ao tempo das homens das cavernas que sentavam ao redor de fogueiras ancestrais e contavam histórias uns para os outros.


Essa cultura de contar histórias está enraizada no ser-humano. Nos dias de hoje, Hollywood depende tanto quanto de Storytelling quanto uma tribo perdida na Amazônia. 


Storytelling é algo que a humanidade faz com primor há mais de dois mil anos. O grego Aristóteles e o hindu Bharata escreveram manuais de Storytelling para o teatro. 


Esse conhecimento foi se aprimorando ao longo dos milênios. Storytelling tem a ver com aprender a escolher melhor suas histórias e a encantar mais a fundo suas audiências. 


*Significado de Storytelling*

A tradução simples do termo significa  contar histórias. Uma atividade que participa de nossas vidas, todos os dias. 

Contamos histórias na mesa de café da manhã, no bebedouro durante o intervalo do trabalho, no café, nas reuniões, acompanhando uma cerveja nos encontros com amigos. Mas não temos uma educação narrativa. A maior parte das pessoas têm dificuldade de contar a própria história numa palestra ou entrevista de emprego. 

A definição de Storytelling por Fernando Palacios é “storytelling é o simples ato de contar histórias, já Storytelling - escrito assim, com letra maiúscula -  é a habilidade de saber encontrar ou criar histórias fabulosas, com propósitos épicos e contá-las de forma fantástica.”


*Quando começou o Storytelling no Brasil?*

Os povos que aqui habitam contam histórias desde muito antes de chegarem europeus. Desde então foram muitos cruzamentos e influências. Nosso samba tem enredo. Nossas marcas contam histórias há quase um século. Monteiro Lobato escreveu histórias para vender um remédio. Deu tão certo que se tornou campanha de saúde e erradicou a doença.


O tema Storytelling como a busca de uma metodologia foi trazido ao Brasil em 2007, com o primeiro trabalho acadêmico que relaciona histórias com mundo corporativo. No ano seguinte aparecem os primeiros cases de Storytelling.



Além de São Paulo, o Storytelling é bastante conhecido no Brasil?

O Brasil tem uma cultura muito aberta às histórias. Um século atrás, éramos muito bons com folhetins. Depois vieram as radionovelas, que evoluiu para um formato tipicamente brasileiro: a telenovela. Sem falar no repente ou no samba-enredo. Somos um país contador de histórias. Então nosso povo é muito receptivo ao Storytelling. Sempre fomos muito bem recebidos nos 17 estados em que demos palestras ou cursos.

Uma curiosidade: o primeiro estado a investir em Storytelling foi Ceará. Primeiro com J.Macêdo e depois com M.Dias Branco. Minas Gerais também já fez incursões muito inovadoras. E sempre que levo um curso para alguma nova cidade, o sucesso de público é garantido. 


*Qual o objetivo do Storytelling*

Toda narrativa implica na existência de uma audiência. Nesse sentido, ninguém conta uma história por acaso. Os ancestrais ensinavam técnicas de caça e sobrevivência com suas histórias.  Eles não sabiam escrever, mas não queriam perder conhecimentos de vida ou morte. De geração em geração essas histórias foram sendo contadas.



*Como criar histórias com objetivo de fidelizar* 

A melhor palavra não é fidelizar, mas gerar fãs. Pense em adolescentes vestidos de personagens do Harry Potter. A grande questão é que esse não é um objetivo em si, mas talvez o principal resultado para comprovar se o Storytelling funcionou, se foi certeiro. 


*Importância do Storytelling*

A principal importância do Storytelling é a capacidade de tornar qual assunto, por mais sério que seja, em algo interessante. 

Em tempos de redes sociais, e-commerce, omnichannel e abundância de ofertas, as marcas que não conseguirem se diferenciar serão sufocadas na guerra de preço.

Do lado da audiência, ninguém quer dedicar 5 segundos sequer para ver um anúncio no YouTube. Dessa forma, as marcas precisam produzir seus conteúdos dentro do interesse do consumidor.  

Primeiro instigar, depois influenciar. Quando torcemos que um herói desvende o caso, concentramos nossa atenção em todos os seus movimentos. Tudo o que ele faz serve como exemplo e inspiração. 

Se no momento de tensão ele abrir uma lata de refrigerante e isso ajudar a dar um insight, vamos sentir vontade de fazer a mesma coisa. Se ele vestir uma marca de roupas, vamos nos imaginar usando as mesmas peças. Tudo o que um protagonista inspirador faz serve como sugestão para a audiência.



*Na prática, Storytelling é…*

Essa é uma questão que parece simples, mas existem diferentes práticas de Storytelling. Selecionamos quatro vertentes. 

Na prática da educação, Storytelling Didático é quando professores recorrem contar histórias para deixar suas aulas mais envolventes. Storytelling nasceu justamente para transmitir conhecimentos, há milhares de anos, ao redor de fogueiras.

Na prática dos negócios, Business Storytelling é o que tem relação com o ambiente dos negócios. Nesse continente, o maior país vive em função de contar as histórias de empresas ou marcas. Na capital desse país estão dezenas de produtoras que buscam tornar a publicidade mais dinâmica e interessante. 

No cotidiano empresarial as apresentações corporativas contam muito com Storytelling. Apresentadores e palestrantes podem recorrer a narrativas para tornar reuniões e encontros mais interessantes e memoráveis para audiências.

No mercado do entretenimento, Creative Storytelling é o poder das narrativas nas mãos de quem vive de contar histórias. Storytelling na literatura, no cinema, nos quadrinhos, nos games, na dramaturgia e até nas artes plásticas. Toda forma de expressão artística recorre às técnicas narrativas.

Independente do tipo de storytelling ou Storytelling, alguns princípios são os mesmos. O mais importante é o fato de que histórias não são sobre produtos ou empresas, mas sobre pessoas. Ao invés de contar a história de uma empresa, Storytelling busca a história dos fundadores. Ao invés de focar em uma marca e seus produtos, Storytelling procura retratar a vida de um consumidor.



*Benefícios do Storytelling*

É só analisar o que fazem os seriados entre um episódio ou outro. Ou então como fazem os escritores ao roubar preciosas horas de sono. Ou ainda como fazem os estúdios de cinema: contar uma história tão bem contada, narrada de forma intensa e inteligente, que prenda a atenção desde a primeira cena até o ponto final. 


Storytelling é a melhor forma de se passar uma mensagem publicitária, capaz de influenciar a audiência a consumir, e ao mesmo tempo entreter. Em outras palavras, todos nós somos a audiência e só vamos assistir o conteúdo que quisermos assistir. Não somos mais obrigados a ver anúncios; os anunciantes que estão obrigados a nos intrigar com uma boa narrativa. 


Estudos de construção de marcas mostram que é preciso meses e até anos para gerar o vínculo emocional entre pessoas e marcas. Filmes e seriados comprovam que bastam algumas horas para nos apegarmos a personagens, como se fossem nossos melhores amigos. 


*Como aprender Storytelling*

Não é restrito aos que nasceram com um dom. Mesmo quem não se considera uma pessoa criativa pode desenvolver a habilidade de contar histórias. 


Quando você começa a aprender Storytelling percebe as vantagens logo de cara. Mas também percebe que ainda vai ter muito o que aprender. Mesmo depois de já ter dedicado quase quinze anos a contar histórias, de ter lido mais de duzentos livros sobre roteiro, de ter ministrado mais de duzentos cursos e palestras, fico cada vez mais ciente que quando o assunto é contar histórias, existe um oceano inexplorado.


Existem muitas fontes para aprender sobre o assunto. Os livros foram fontes fundamentais para mim. O Guia Completo do Storytelling chegou a ter 50 páginas só de bibliografia. Mas a forma mais otimizada são treinamentos. 


*Treinamento de Storytelling*

No sentido de curso de Storytelling, existem muitos tanto online como presencial. A Storytellers é especializada em treinamentos In-company, tendo treinado mais de 100 equipes em grandes empresas. 


*Treinamento com Storytelling*

No sentido de Storytelling aplicado à criação e condução de aulas, a Storytellers desenvolveu uma série de metodologias que facilitam a vida de quem aprende e também de quem ensina. 


*Como funciona Storytelling*

Storytelling vem sendo estudado há milênios. Mais de dois mil anos atrás, técnicas de Storytelling já vinham sendo publicadas por hindus e gregos. 


Storytelling significa que o produto final é uma narrativa: um bom filme, ou livro de ficção, game, história em quadrinhos, videoclipe musical ou na menor das hipóteses uma história contada de forma oral durante uma apresentação ou palestra.


*Por onde começar um Storytelling*

Seja um seriado ou um livro, slides ou script de atendimento, o Storytelling sempre vai começar com um texto. Nem que seja um roteiro.


*Storytelling como fazer*

O "how-to" do Storytelling depende da aplicação. Ainda assim, existem algumas práticas gerais, padrões que costumam se repetir com frequência. 


*Roteiro de Storytelling*

Tudo começa na escolha de uma história certeira. Isso é feito a partir da mensagem que se deseja transmitir. Existem várias formas de determinar essa mensagem, para exemplificar podemos partir de um processo de solução de problemas. 


Em seguida é preciso ter um personagem com quem a audiência deve se importar. Isso não quer dizer que a personagem tenha que ser boazinha… 


Também não quer dizer que tenha que viver obrigatoriamente uma grande aventura épica. Só quer dizer que a jornada dessa personagem tem que ser dotada de verdade. 


*Estrutura de Storytelling*

Desde os primórdios a espécie humana aprendeu a contar as histórias para ensinar as novas gerações a superar problemas como caçadas fracassadas ou intoxicação alimentar causada por certos frutos. Um esquema para simplificar o processo é:

Alguém com um problema > 
Percebe que sua situação ficou ainda pior >
Chega a um beco sem saída >  
Moral da história: máscara triste ou feliz? 


Essa é um resumo atômico da estrutura de 4 Atos. Já é um bom começo. Uma estrutura de Storytelling um pouco mais avançada é a Jornada do Herói. Com ela dá para montar o esqueleto. 


Quanto mais longa for a obra narrativa, mais complexa será a estrutura. 


*Passo a Passo do Storytelling*

Algumas dicas de Storytelling na hora de pensar seu Storytelling. 

Além do personagem principal, é preciso encontrar ou criar personagens que possam ilustrar a história.

No mínimo serão necessários quatro personagens para desenvolver a estrutura dramática:

Herói / Mentor / Vilão / Vítima
A vítima é alguém na situação de vulnerabilidade e que precisa da ajuda do herói. O herói é aquele que vai lutar por uma transformação, mas que para isso precisa aprender algo importante. O mentor é aquele que vai ensinar a lição. O vilão é quem vai causar a necessidade de mudança, normalmente ameaçando a vítima.

Essa estrutura funciona tanto para histórias heróicas, quanto para comédias românticas ou até mesmo para histórias de startups de sucesso. Afinal, quando alguém empreende é porque encontrou uma oportunidade de mercado, que tem a ver resolver a necessidade de algum tipo de consumidor que é vítima de um sistema imperfeito.


A segunda coisa é desenrolar a trama do enredo ao formato final. Será um vídeo curto a ser exibido nos elevadores? Ou talvez um treinamento robusto para antigos e futuros colaboradores? Será visto de uma vez só por todos no auditório, ou cada um por si em seus smartphones? Com isso é possível encontrar a melhor linguagem e ritmo para o que chamamos de “telling do Storytelling”.


Esses são os passos fundamentais, mas é só olhar para as categorias de uma premiação como o Oscar para entender a quantidade de variáveis que existe no cinema. Cinema é só parte de um guarda-chuva maior chamado Storytelling. A mesma história pode ser contada e recontada de infinitas formas diferentes. É só assistir à Bela Adormecida e seguir de Malévola. Para aprimorar esse processo, artistas se valem de técnicas.


*Técnicas de Storytelling*

Uma história é profissional quando aplica uma série de técnicas narrativas e conta com centenas de boas ideias em sua concepção. Por isso que sempre sugiro aos meus alunos e clientes que contratem um profissional - escritor ou roteirista - para lidar com a parte técnica. Mesmo histórias reais dependem de ser bem contadas para encantar.

Um grande autor brasileiro chamado Affonso Romano de Sant'ana certa vez comentou que Jorge Amado se inspirou numa matéria de jornal para criar uma de suas melhores histórias. "O jornal embrulhou peixe na feira e o livro de Jorge Amado foi traduzido para mais de 70 línguas. O que existe no texto do escritor que difere na forma de escrever das pessoas comuns?" A conclusão é que "nem toda vida daria uma história. Ou daria, se ouvida e escrita por um escritor."

O fato é que bons autores dedicam anos mergulhados em estudar técnicas narrativas e analisar as histórias de outros escritores. Essa dedicação permite ao profissional saber encontrar a história certa a ser contada. Além disso, escritores são mestres da palavra e sabem quando uma frase está ruim. E basta uma frase no lugar errado para que quem estiver atento fique com preguiça e abandone a narrativa.


*Uma boa história é essencial para marcas atraírem consumidores?*

Desde os primórdios as marcas já usam recursos de Storytelling. O sapateiro do império romano contava a história de por que o seu produto era superior ao da concorrência: tinha a matéria-prima do couro mais bem selecionada fazendo um produto final superior, ou usava técnicas aprendidas com os antepassados que foram afinadas ao longo de gerações e garantiam um produto inigualável, ou ainda que tinham seus produtos usados e aprovados pelos membros mais exigentes da elite. Nesse sentido, o próprio conceito de marca anda lado-a-lado com o de Storytelling.

A melhor forma de fidelizar um consumidor é fazer com que o consumidor viva uma história. Nesse sentido, o produto ou serviço deve ser concebido com esse intuito. Ações de Live Marketing podem ser estratégicas nesse momento. Mas ao invés de fazer um simples coquetel, a marca deve realizar um espetáculo teatral ou até mesmo um ARG - Alternate Reality Game - em que a audiência vive uma história e até mesmo define seus caminhos.


*O Storytelling pode fazer o cliente comprar mais de determinada marca?*

Para entender como as histórias funcionam, é sempre bom usar uma como exemplo. Que tal o detetive mais famoso de todos os tempos? Vamos lá: Sempre que o Sherlock Holmes está trabalhando em um caso, ficamos na ponta da cadeira torcendo para que ele desvende o mistério.

Enquanto isso acontece, prestamos atenção em todos os seus movimentos. Acompanhamos cada ação que ele faz. Costuma ter um momento em que ele fica um pouco perdido, sem saber o que fazer. Talvez ele toque seu violino para se inspirar. Talvez ele ande pelas ruas de Londres. Talvez nessa hora ele decida tomar um leite de caixinha e ao ver algo na embalagem ajude ele acabe tendo um insight poderoso.

Pois bem. Nessa hora ficamos felizes com o leite e é capaz de ficarmos com vontade de tomar leite. Capaz inclusive de lembrarmos dessa cena quando estivermos no supermercado e nos depararmos com a mesma embalagem. Da mesma forma, quando o James Bond usa uma marca de relógio ou de roupa, vamos nos imaginar usando as mesmas peças. Há um estudo sobre o crescimento da vodca nos Estados Unidos após os filmes do 007. A conclusão do estudo: tudo o que um bom personagem consome serve como forte sugestão de consumo para a audiência.


*Vale qualquer história?*

Vale ficção, não vale mentira.


*Exemplos de Storytelling*

Os maiores cases de Storytelling se confundem como case artístico e empresarial. São histórias que encantaram e emocionaram e marcaram e ainda ajudaram nos resultados das marcas patrocinadoras. Há muitos exemplos, cases e causos que ajudam a ilustrar como o Storytelling faz a diferença na hora de atrair clientes e consumidores.

Começamos com os grandes exemplos mundiais, que servem de modelo a ser seguido: Bonequinha de Luxo como forma de popularizar a joalheria Tiffany’s, 
Se Meu Fusca Falasse como forma de humanizar o carro e estabelecer vínculos emocionais com a audiência, Náufrago como forma de demonstrar que mesmo que um avião da FedEx caia a sua encomenda vai chegar ao destino, Piratas do Caribe que nasceu para divulgar uma atração de parque de diversões, a Lego foi quem produziu o exemplo mais relevante dos últimos tempos: um filme publicitário com mais de uma hora de duração, com direito a participação do Batman. O mais importante: ao invés de pular depois de 5 segundos, a audiência esteve disposta a pagar pelo ingresso da sessão. 

Um grande exemplo brasileiro é o livro Jeca Tatuzinho escrito por Monteiro Lobato na década de 1920 e que é considerada como a melhor e mais efetiva peça publicitária brasileira. Conta a jornada de um homem preguiçoso, que ao tomar o remédio dos Laboratórios Fontoura se torna apto a embarcar em uma jornada dos trapos à riqueza e termina como grande fazendeiro.

A melhor forma de encantar é fazer com que o consumidor viva uma história. Nesse sentido, Ações de Live Marketing podem ser estratégicas nesse momento. Mas ao invés de fazer um simples coquetel, a marca deve realizar um espetáculo teatral ou até mesmo um ARG - Alternate Reality Game - em que a audiência vive uma história e até mesmo define seus caminhos.

Um case mais recente e muito interessante é o do IT Fórum. Trata-se de um encontro de executivos com a indústria de tecnologia que existe há mais de duas décadas. Foram 8 meses de desenvolvimento de Storytelling e a mudança foi visível:
Em 2015 essa era a cara do evento:
Em 2016 ficou assim: 

Além da questão estética, a história também permitiu a implementação de um game que tornou a experiência muito mais engajante. Na prática, apesar de ser um evento B2B, após a experiência em 2016, no ano seguinte, com a continuação da história e do game, o evento atraiu um número recorde tanto de CIOs quanto de patrocinadores.


* Qualquer tipo de empresa pode usar essa técnica ou é algo mais restrito às grandes empresas? *

Qualquer tipo de empresa e até de marca pode contar boas histórias. Desde secretarias de turismo, até pequenos estabelecimentos. Claro que para cada tipo de empreendimento, teremos um tipo diferente de história. 

Uma loja de artigos esportivos vai contar histórias de superação que incentivem seus consumidores a se tornarem atletas vencedores. Padarias vão precisar de outro tipo de história, mais ligadas à tradição das receitas e à origem dos ingredientes.

Uma pequena empresa pode contar a história do fundador e uma startup pode contar a origem da ideia. Sempre é possível contar histórias. Mesmo dentro de salas de reuniões narrando slides.


Como um pequeno empresário pode iniciar um planejamento para fazer uso do Storytelling no seu negócio.

A primeira coisa é identificar qual o objetivo daquela história. Ela deve ser contada para quem e com qual expectativa? É uma história para clientes se sentirem mais à vontade no estabelecimento? Talvez a ideia seja de revestir a padaria com um tema que a diferencie da concorrência. Mas também pode ser uma história para ressaltar os ingredientes especiais de uma nova receita e assim poder valorizar o produto e aumentar as margens de faturamento. Ou talvez resgatar os valores de tradição da padaria, que foi uma das primeiras fundadas no bairro? Quem sabe até uma história fantástica no cardápio para entreter o cliente enquanto o pão está sendo preparado na chapa... 


*Storytelling business*

Existem muitas possibilidades de como aplicar Storytelling no mundo dos negócios para fazer aquilo que se chama de Storytelling Empresarial. Desde ações de comunicação interna até conteúdos para clientes e consumidores. 

As histórias contadas para dentro da empresa são chamadas de “Endotelling”, e existem várias possibilidades nesse sentido, por exemplo:


-Storytelling liderança 
Desde preparação de um discurso até o desenvolvimento de uma comunicação mais próxima com a equipe. 
De forma geral, a proposta é alinhar conhecimento e inspirar colaboradores a seguirem uma meta comum. Dois exemplos para ilustrar: um vídeo contando a história do fundador da companhia para que todos entendam como tudo começou e qual era o sonho original; um vídeo sobre o reposicionamento de algumas marcas, para que todos entendam a diferença de postura esperada dali para frente. Essas são duas possibilidades entre dezenas.


-Storytelling em apresentações e reuniões 
Toda plateia aplaude uma história de impacto, que prende a atenção do começo ao fim. Por incrível que pareça, até uma apresentação de resultados financeiros trimestrais pode ter essa característica. Uma técnica muito valiosa nesse contexto é chamada de Os Oito Passos do Palacios.


As histórias contadas para fora da empresa são “Exotelling”, e existem várias possibilidades nesse sentido, por exemplo:


-Storytelling em vendas
Desde o segredo dos mercadores, até o roteiro camaleão que se adapta aos diferentes clientes.
Uma coisa é certa, Storytelling em vendas não trata de ‘achar a narrativa comercial’ mas de mapear as vinte histórias de valor. Depois ainda sempre é possível inovar na forma de contar as histórias. Pode ser um vídeo para clientes se sentirem mais à vontade no estabelecimento. Talvez a ideia seja de revestir o ponto de vendas com um tema que a diferencie da concorrência. Mas também pode ser uma história para ressaltar o que há de especial no produto e assim poder valorizar o produto e aumentar as margens de faturamento. Ou talvez resgatar os valores de tradição da companhia. Quem sabe até uma história fantástica para treinar a equipe comercial para entreter o cliente enquanto executa o procedimento de vendas…


-Storytelling Branding
Desde a criação de personagens mais profundos e compreensíveis que personas, até a construção do universo simbólico da marca. Afinal, marca é algo abstrato. As ferramentas de Storytelling resolvem a abstração das marcas ao representá-las através de personagens. Se você assistiu ao filme Náufrago, torceu pelo Chuck Noland (que representa FedEx) e chorou quando ele perdeu seu aliado - a bola de vôlei Wilson. Para algumas marcas o Storytelling já virou algo maior do que o produto inicial. Lego, por exemplo, lucrou mais com a bilheteria do seu filme do que com a venda de peças plásticas.


-Storytelling no Atendimento
Desde a formulação de modelos de respostas até a construção da personalidade para uma inteligência artificial.


-Storytelling no Marketing
Desde o desenvolvimento de campanhas transmidiáticas até se tornar detentora de suas próprias franquias autorais. Algumas empresas como Red Bull e Lego já começaram a fazer isso. Resultados de marketing possíveis de atingir usando o storytelling: fazer com que as pessoas paguem pra ver o anúncio e depois ainda comprem o produto. Afinal, histórias influenciam comportamentos e consumo. Toda vez que o cineasta Woody Allen faz um filme com um cenário marcante, do tipo que leva o nome da cidade no título,  ele ajuda a aumentar o turismo. Além disso, é um formato de comunicação que permite uma estratégia self-liquidate.


-Storytelling Publicidade
Desde anúncios fictícios criativos, até narrativas reais como a da Despedida da Kombi. Um anúncio pode contar uma história, mas também pode falar da promoção do peito de frango na “quarta-feira maluca”.  De forma geral, Storytelling é a forma mais sólida de fazer uma ponte entre posicionamento de marca (branding) e suas entregas (publicidade, relações públicas…). Para isso, a ideia é personificar a marca e a partir daí construir uma história consistente para essa personagem. 


As narrativas em campanhas publicitárias de antigamente se diferem das atuais. A primeira grande diferença não está na narrativa em si, mas no contexto da audiência. Antes as pessoas sentavam ao redor da TV e dentre uma dúzia de canais, escolhiam um para ficarem sintonizados por horas. Atualmente existem dezenas de canais abertos, centenas de fechados e milhares de opções quando levamos em conta a internet. 


A experiência mudou. Cada um tem sua tela e, por vezes, duas telas são assistidas simultaneamente. Isso obriga que a narrativa seja mais dinâmica. Se o filme publicitário não fisgar a audiência em cinco segundos, ele será pulado. Isso não quer dizer que boas narrativas como Primeiro Sutiã não seriam assistidos. Curiosamente, grandes exemplos da publicidade de antigamente possui características de dinamismo que serviriam para os dias de hoje. 


-Storytelling em Eventos de Lançamento
Desde uma atração até a tematização completa da experiência. É possível transformar centenas de slides num espetáculo teatral. Já fizemos isso algumas vezes. As Filhas do Dodô é um case brasileiro estudado internacionalmente. É a história de uma apresentação de slides que virou um espetáculo teatral. Ao acompanhar um dia especial na vida de quatro irmãs, toda a empresa entendeu o novo posicionamento estratégico das marcas. Esse case está detalhado no livro Comunicação com Empregados. São 15 páginas narrando passo a passo do processo. 


Storytelling Digital
Desde o uso de mascotes forma de deixar a comunicação comercial mais íntima, interessante e sedutora até a produção de webséries e outras narrativas-vitrines.


-Storytelling RH
Nova iniciativa da Storytellers, focada em desenvolver talentos e habilidades. Conheça nosso podcast sobre o tema.


*Outros tipos de Storytelling:*

-Storytelling pessoal
De saída melhora escrita e oratória para ajudar em momentos de contar a história profissional numa entrevista ou no perfil do LinkedIn.


Com o tempo ajuda a rever a própria jornada e reenquadrar a história de vida. Muitos passam a incluir relatos pessoais em entrevistas e palestras, indo da vulnerabilidade ao empoderamento. 


-Storytelling jornalismo
Desde técnicas de engajamento da audiência, até o plano multimídia de uma reportagem transmídia. 


-Storytelling educação
Desde a roteirização do programa ao conteúdo, até simulações didáticas como metodologia ativa. Veja um post mais completo sobre o tema.

-Storytelling nas redes sociais
Produtores de conteúdo e Influencer de redes com vídeos como YouTube, Instagram e Tiktok podem 



As dificuldades de se utilizar o Storytelling no Brasil

Não só no Brasil, mas no mundo todo, Storytelling tem um complicador: não é uma substituição, é uma nova camada. Isso quer dizer que a empresa tem que fazer tudo o que sempre fez para poder depois chegar na história. 



Por exemplo, se uma empresa quiser deixar uma reunião mais dinâmica e ao invés de slides apresentar a mensagem em forma teatral, ela não tem como deixar de organizar os dados, tal qual fosse apresentar os slides. Depois disso, tem todo um processo de dramatização que demanda tempo e energia. Poucas empresas têm recursos adicionais para isso.
Não por acaso, grande parte dos projetos começaram pequenos e aos poucos foram crescendo.


A principal dica para quem quer investir no Storytelling para seu negócio

A palavra é justamente essa, investir. É fácil considerar que um novo forno seja um investimento, já que é um bem durável. Mas depois de instalado, o forno deprecia até um ponto que precisa ser trocado. 


Com comunicação é a mesma coisa. É preciso 'instalar' a arquitetura, a comunicação, as histórias... que precisarão ser atualizadas depois de algum tempo. Se o forno é fundamental para produzir o pão, a comunicação é indispensável para atrair a clientela. 


Storytelling pode ser feito em um anúncio de 30 segundos, mas também pode ser feito num filme de 90 minutos ou mesmo num seriado de 7 temporadas. Mas todos eles começa com a sensanção de que algo importante - uma notícia, uma ideia, uma proposta, um anúncio oficial, um novo produto, uma carreira e até uma vida -  precisa ser bem contado.


Quando precisar de uma história certeira, conte com os Storytellers.

Storytellers: Consultoria de Storytelling Corporativo no Brasil | Fernando Palacios

Quem são e o que fazem os Storytellers: A Primeira Agência de Storytelling do Brasil

Que história é essa de Storytellers?

Storytellers: grupo de pessoas que dedicam a vida a contar histórias profissionais.

Grupo de Pessoas com Habilidades Diversas

Somos indivíduos com habilidades diversas, unidos pela paixão de produzir histórias certeiras. Nossa missão é clara e mensurável:

  • Para transformar slides num espetáculo teatral - Por uma atenção mais presente na plateia
  • Para desenvolver talentos - Por ver despontar novos autores
  • Para subir um game - Por mais engajamento nas atividades
  • Para criar personagens - Por mais empatia e compreensão

Como Dedicamos a Vida a Contar Histórias

Storytellers são animais de hábitos curiosos. Normalmente noturnos, costumam ficar madruga adentro ouvindo música, vendo seriados e fazendo arte. Às vezes criam cursos e na mesma noite ainda bolam um enredo.

Gostamos de desafios e de experimentos. Reinventamos evento como experiência narrativa. Transformamos slides em espetáculo teatral. Ensinamos ferramentas para a hora de falar em público que parecem truques de mágica.

"Storytellers vivem na busca da história certeira, aquela que revela todos os detalhes, mas só relata o indispensável." - Leonardo da Vinci escreveu: "a natureza é a maior artista, nela nada falta e nada sobra."

O Que São Histórias Profissionais?

Por definição, Storyteller é a pessoa capaz de modular o funcionamento de uma história. Da mesma forma como o mecânico conserta motores, um Storyteller consegue colocar narrativas em movimento, de forma que agarrem a atenção logo de cara.

Da mesma forma que um arquiteto é contratado para pensar em edifícios que atendam necessidades, um Storyteller pode ser contratado para pensar em histórias que atendam certas características.

Case Woody Allen: Storytelling como Modelo de Negócio

Woody Allen entendeu algo revolucionário: enquanto cineastas pensam apenas em realizar seus projetos, ele consegue fazer isso respondendo a projetos encomendados por marcas. Desde 2005, seus filmes são financiados por cidades onde ocorrem: Vicky, Cristina, Barcelona. Meia Noite em Paris. Para Roma com Amor. A marca patrocinadora aparece no título - exemplos perfeitos de 'place branding' através de storytelling.

Os Primeiros Storytellers Brasileiros

Começamos em 2007 e trouxemos o tema do Storytelling para a América Latina. Desde então, desenvolvemos dezenas de projetos que se tornaram cases internacionais:

🎮 Game com Milhões

Logo de cara fizemos game online com milhões de jogadores

🎭 1248 Slides → Teatro

Transformamos 1248 slides em espetáculo teatral, case estudado por 10 anos

📚 Guia Best-Seller

Publicamos o Guia Completo do Storytelling, referência no mercado

🏆 Prêmios Mundiais

Duas viagens à Índia para receber o prêmio World's Best Storyteller

Na última década criamos um universo de personagens para marcas. Roteirizamos cinema. Desenhamos quadrinhos e vídeos animados. Escrevemos livros. Criamos experiências imersivas transformando eventos.

Preparamos dezenas de milhares de pessoas a contarem a melhor versão de suas histórias em mais de uma centena de cursos. Viajamos palestrando por dez países.

Como Storytellers Podem Contribuir com Seu Negócio

Somos os primeiros a entender e praticar Storytelling no Brasil. Realizamos dezenas de cases de sucesso, estudados em diversos países. Treinamos dezenas de milhares de pessoas.

Workshops de Storytelling In-Company

Nossos treinamentos sempre aplicam ferramentas em projetos reais, acelerando os primeiros resultados:

Showtime!

Storytelling + apresentações executivas

A Date With Data

Storytelling + visualização de dados

Story$elling

Storytelling + vendas B2B

Jornada a Marte

Storytelling + startups e inovação

As Palavras Mágicas

Storytelling + escrita persuasiva

Multibranded Content

Storytelling + gestão de marcas

Lab de Presença Digital

Storytelling + redes sociais

Histórias de Grife

Storytelling + Marketing + Branding

Palestras de Storytelling

  • Keynote Speaker: Performances com base em storytelling inspiracional
  • Masterclass: Aula de Storytelling Aplicado com cases reais
  • Palestras Motivacionais: Narrativas que transformam equipes

Roteiros de Storytelling Sob Demanda

  • Abertura de eventos corporativos
  • Lançamento de produtos e marcas
  • Celebração da história da empresa
  • Conteúdos estratégicos da marca

Consultoria de Storytelling

Moral da História: Análises de cenários narrativos para tomada de decisão estratégica.

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Fernando Palacios

CEO & Head Storyteller

Passa os dias investindo em histórias. Amarrando enredos. Produzindo conteúdos. Passa as madrugadas estudando sobre sociedade, filosofia, antropologia, os robôs e a mente humana. World's Best Storyteller (2x).

Perguntas Frequentes sobre a Storytellers

Quanto custa contratar a Storytellers?

O investimento varia conforme o projeto. Workshops de um dia começam em R$ 15.000. Consultorias mensais partem de R$ 25.000. Palestras keynote iniciam em R$ 10.000. Solicite uma proposta personalizada via WhatsApp.

Quais empresas já foram clientes da Storytellers?

Atendemos grandes marcas nacionais e internacionais, desenvolvendo projetos que se tornaram cases estudados mundialmente. Nossa metodologia já foi aplicada em mais de 200 empresas de diversos segmentos.

Como funciona o processo de consultoria?

Começamos com um diagnóstico narrativo da empresa, identificamos gaps de comunicação, desenvolvemos a estratégia de storytelling personalizada e implementamos com acompanhamento. O processo típico dura de 3 a 6 meses.

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Fernando Palacios, especialista em narrativa transmídia e fundador da Storytellers Brand’n’Fiction participa desta matéria publicada originalmente pela Nextnow

Por: Bárbara Sacchitiello e Thaís Monteiro 
Ascensão de estudos de comportamento e análise de dados mostram que indústria audiovisual se orienta mais na própria demanda da audiência para produzir conteúdos.
O israelense Yuval Harari, autor do best-seller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, coloca a evolução cognitiva como uma das principais transformações que tornaram o ser humano dominante no planeta Terra. Mais do que pensar, ao articular ideias e se comunicar com seus semelhantes, o homem tem uma capacidade inexistente em outras espécies: acreditar em coisas que não existem. O ato de contar histórias, construir mitos e, a partir deles, conceber um universo ficcional em paralelo à realidade foi elemento essencial para a formação e a organização da sociedade e para a construção do mundo como o conhecemos. A humanidade evoluiu muito, mas nossa necessidade de histórias, para ouvir ou para contar, se mantém há milhares de anos.
O avanço tecnológico, comportamental e social permite que essas narrativas cresçam exponencialmente e, com elas, uma indústria pujante e altamente tecnológica. Algoritmos já trabalham, por exemplo, para entregar ao público o quê, supostamente, ele quer assistir. Algumas empresas têm investido na criação de narrativas interativas. Esse recurso, típico dos games, começou a ganhar relevância em conteúdo audiovisual entre no final de 2018, quando a Netflix lançou o filme Bandersnatch, derivado do universo Black Mirror, série que aborda a complexa relação entre seres humanos e tecnologia. Em abril deste ano, a plataforma disponibilizou o longa Você Radical, também interativo, e possui produções infantis com a mesma tecnologia.
Seguindo essa tendência, no primeiro semestre deste ano, o YouTube promoveu Ben Relles, antigo chefe de programação não-roteirizada do YouTube Originals, para comandar a área de inovação da plataforma, divisão que não existia até então. De acordo com a revista Variety, uma de suas funções será integrar ferramentas interativas para criar maneiras de o usuário interagir e participar do conteúdo.
A realidade brasileira não fica tão distante. Para a série Detetives do Prédio Azul, produzida pela Conspiração Filmes, o público pode escolher o final de alguns episódios por meio dos perfis das redes sociais do canal Gloob. “O espectador mudou de papel. Antes ele era meramente passivo. Hoje ele tem mais poder, acabou ditando uma nova estrutura, agora é um agente ativo, seja escolhendo o que assistir ou interagindo com o conteúdo”, afirma Renata Brandão, CEO da Conspiração.
Na perspectiva de Fernando Palacios, especialista em narrativa transmídia e fundador da Storytellers Brand’n’Fiction, a interatividade é uma resposta às empresas que buscam alto engajamento, o que justifica o sucesso da indústria dos games frente às do cinema e da música. Não por acaso a Netflix declarou, em um de seus relatórios corporativos deste ano, o game Fortnite como seu principal concorrente. Segundo a consultoria SuperData, o game pode ter chegado a US$ 2 bilhões em receita no final do ano passado. “Ao ‘criar o que quer ver’ ou ao menos ‘conduzir a narrativa para onde prefere’, a audiência se sente protagonista e fica muito mais engajada”, afirma Palacios.
O limitador do crescimento das narrativas interativas é o alto investimento. Segundo o especialista, o roteiro de um filme tem cerca de cem páginas, enquanto o de um game possui de duas a três mil páginas devido aos múltiplos caminhos que a história percorre, ao sabor da decisão do jogador. “A cada ramificação de interatividade, o investimento aumenta exponencialmente e nem todo mundo será capaz de bancar produções assim. No entanto, não há dúvidas de que as narrativas interativas devam crescer nos próximos anos”, prevê. Palacios também aposta no surgimento de startups de conteúdo numa corrida para achar uma combinação que denomina “autoridade artificial”, com estratégia de inteligência para criar roteiros interativos, engajadores e emocionantes.
Vida sem grades
Narrativas com múltiplos desdobramentos são reflexo da multiplicidade de opções à disposição dos consumidores em diversos segmentos. As próprias plataformas de streaming e seu modelo de negócio são consequência disso. “O timing das histórias mudou completamente. As tecnologias alteraram a lógica do consumo”, afirma João Daniel Tikhomiroff, fundador e sócio-diretor da Mixer Films. “Antes, recebíamos uma curadoria pronta e definida das opções que tínhamos para nos entreter. Hoje, ficamos livres para selecionar o que quisermos. Vejo a saída da grade televisiva para o consumo sob demanda como o marco dessa transformação. Literalmente, o consumidor se livrou das grades.”
As novas opções de distribuição de conteúdo audiovisual trouxeram outro conceito de liberdade de consumo de entretenimento. “Hoje temos 200 ou 300 opções para consumir conteúdos audiovisuais, seja novela, longa metragem, games, além dos microentretenimentos que também precisam ser considerados nesse novo contexto”, destaca Hugo Janeba, CEO e sócio-diretor da Mixer, citando formatos como GIFs e memes num conjunto de conteúdos à disposição para entreter o público. “Haverá, em algum momento, a limitação do quanto as pessoas irão gastar, tanto em termos de dinheiro como de atenção, para consumir essa grande quantidade de conteúdo. Para ganhar espaço nessas escolhas, o denominador comum do sucesso para qualquer veículo, plataforma ou produtor de conteúdo sempre será a qualidade.”
A demanda por plataformas de streaming ainda é alta, sobretudo num mercado com oportunidades de crescimento como o brasileiro. Mas começam a surgir dúvidas sobre a extensão desse potencial. Assim como ocorreu com a TV paga há quase 30 anos, que deu muito mais opções de canais do que a televisão aberta, as pessoas passaram a ter diversas assinaturas de serviços de streaming para suprir suas necessidades de lazer. Netflix, Globoplay, Prime Video, Play Plus, YouTube, Apple TV+ são apenas algumas das plataformas ligadas a grandes players que concorrem nesse mercado — sem contar marcas de nicho ou independentes. Será possível a coexistência de tantos players disputando a atenção do consumidor?
Eldes Matiuzzi, CEO da Telecine, acredita que o excesso de conteúdo causará a saturação em algum momento. Segundo ele, terá lugar mais privilegiado quem conseguir, mais do que entreter, entregar curadoria e serviço de valor agregado. “Há espaço no Brasil, em média, para três a quatro serviços de streaming na carteira do consumidor. O Netflix já tem seu lugar garantido e todos os entrantes querem estar lá”, diz. Eldes reforça a importância do uso de tecnologia para oferecer o conteúdo certo: “Quando eu entro em streaming de música, raramente procuro algo no browse. Eu vou pelas recomendações. E essa personalização só ocorre com muitos dados e algoritmos”.
O algoritmo pode ser um forte aliado dos produtores de conteúdo, se utilizado de forma inteligente, aponta Lucas Herdy, coordenador de operação digital da VIU Hub, da Globosat. Segundo ele, o uso de dados pode ajudar o criador a “identificar o que a plataforma quer, o que está alinhado com os seus objetivos, sua capacidade de produção e o que o público quer assistir. Quando isso tudo está alinhado, o canal só tende a crescer. Acrescento ainda que é essencial testar, testar e testar, sempre de olho nos dados”.
Sem fórmula
A evolução de ferramentas tecnológicas e o crescente investimento em pesquisa e análises de dados têm facilitado o trabalho de empresas de produção e distribuição de conteúdo, como a Endemol Shine. Esses recursos, porém, não são suficientes para prever variáveis de comportamento e consumo, segundo Juliana Algañaraz, CEO da operação no Brasil. “Hoje, praticamente todas as produções que vemos no mundo são baseadas em dados de consumo e de comportamento. Temos orientações para compreender que tipo de conteúdo as pessoas gostam e quais formatos tendem a ser mais aceitos. Mas o fator humano sempre será o ingrediente imprevisível dessa fórmula. Uma pessoa, hoje, pode assistir a um reality, por exemplo, e adorar aquele conteúdo. Mas se ela for exposta ao mesmo programa em outro momento, quando estiver com o humor diferente, a reação pode não ser a mesma. A tecnologia auxilia, mas nunca será possível encontrar uma fórmula certeira na produção do entretenimento”, afirma.
Para a executiva, é essencial explorar a multicanalidade no sentido de tentar satisfazer diferentes momentos de consumo. “Já há algum tempo assistir a um programa na TV ou a um filme de que se gosta muito não satisfaz mais. A demanda das pessoas por um conjunto de experiências conectadas ao conteúdo cresce bastante. A exibição de um episódio de Masterchef, por exemplo, é somente um dos pontos de contato que o espectador tem com aquele conteúdo. Para a experiência ser completa, ele precisa acompanhar os comentários na internet, ter a opção de adquirir os utensílios mostrados nas provas e estar, por todas as telas, conectado àquele universo”, diz Juliana.
De todo modo, análise de dados, pesquisas de consumo e maior entendimento da jornada do consumidor prometem tirar um pouco das incertezas do processo. A Globosat utiliza muitos estudos de comportamento. Um dos achados é que, nesse novo cenário, a companhia tem trabalhado para individualizar a experiência do conteúdo sem deixar de lado as ofertas de distribuição em massa. “A forma como as pessoas serão impactadas tanto pelo conteúdo de entretenimento como também pelas marcas e anunciantes será bem mais inteligente e contextualizada”, afirma Manuel Falcão, diretor de marketing da programadora. “Diversas pessoas consumirão o mesmo conteúdo, mas serão impactadas e estimuladas de maneira diferente. Mais para a frente, podemos chegar a um modelo em que uma audiência diversa assista ao mesmo conteúdo, mas com a opção de ter narradores e apresentadores diferentes, por exemplo.”
Apesar disso, Manuel não acredita — assim como Juliana da Endemol — que será possível produzir entretenimento de sucesso integralmente baseado em dados. “O dado será um indicador forte, mas nunca o protagonista. Hoje, ele tem um papel importante por ser uma nova tecnologia, mas em algum momento, vai se tornar commodity. Se não tivermos, necessariamente, um produto de qualidade, nada sobreviverá”, afirma.
Ambiente físico
General manager das operações da Viacom no Brasil, Mauricio Kotait acredita que o futuro do entretenimento também passa pela combinação da oferta de diferentes experiências de conteúdo, seja na TV linear, no digital ou no ambiente físico. “O entretenimento sempre foi calcado na emoção e na idolatria. Quando as pessoas gostam de um programa, uma música ou um artista, o consumo audiovisual de seu conteúdo não é suficiente. Elas querem vestir suas roupas, usar seus produtos e se sentir no mesmo ambiente no qual essas pessoas ou aquele conteúdo faz parte”, diz Kotait. Segundo ele, essa nova perspectiva tem alterado o modelo de operação da empresa internacionalmente. “Ao trabalhar essa estratégia no Brasil, descobrimos algo interessante que é ver uma nova geração, que já nasceu conectada, deixar o celular e aceitar sair de casa para vivenciar uma experiência física com nosso conteúdo, seja com Meus Prêmios Nick ou com o MTV Miaw”, descreve Kotait, citando dois dos diversos eventos realizados pela Viacom.
A estratégia segue a uma nova lógica de negócios que se impõe a toda produção de conteúdo: se pulverizar por diversas telas e lugares, ao alcance do consumidor em todos esses pontos de contato. “O conteúdo acaba sendo quase infinito, pois ele tem a possibilidade de ser espalhado em diferentes locais. O filme sai do cinema e vai para o canal de TV, para a plataforma de streaming e para a locadora virtual da operadora. O mesmo conteúdo pode dar origem a uma nova série na TV ou a uma linha de produtos licenciados. É necessário estar em qualquer espaço, seja virtual, como uma plataforma de streaming, ou físico, como um shopping”, diz Kotait.
Não por acaso, muitos conglomerados de mídia têm testado o fornecimento de conteúdo por vias alternativas. No Brasil, canais como Fox, HBO, Telecine e Premiere são alguns que já distribuem diretamente ao consumidor. Apesar disso, ainda mantém estratégias também  em televisão linear, em acordo  com operadoras.
Há quem teste modelos de distribuição de conteúdo de canais pagos, mas sem depender de operadoras, como a Guigo TV. A empresa oferece a assinatura de canais tradicionais de TV via internet, como Disney, ESPN, Band, Cultura, Bloomberg, BBC World News e Al Jazeera. “As pessoas querem preços mais acessíveis, mobilidade e pouca burocracia. O tamanho do mercado de pirataria no Brasil nos mostra que existe demanda pelo conteúdo, mas que é reprimida por causa do preço”, conta Renato Svirsky, fundador e CEO da Guigo TV. “A internet é o meio de comunicação da atualidade, seja para vídeo, música, telefonia, notícias. Decidimos implementar o projeto porque achávamos que era bom para o usuário e para os produtores de conteúdo. É uma situação de ganha-ganha.”
A médio e longo prazos, a conexão 5G também impactará a produção e distribuição de entretenimento em vários formatos. Além de aumentar a velocidade de conexão mobile e diminuir sua latência, a rede de quinta geração vai facilitar o acesso a vídeos em 4K e 8K, conteúdos de realidade virtual e aumentada e games multiplayer. Do ponto de vista de produção, a rede de quinta geração impactará os processos de players de entretenimento. Elementos como a pré-visualização em tempo-real do conteúdo filmado, transmitido via 5G e renderizado na nuvem, vão reduzir drasticamente o tempo de produção de animações, games e conteúdo em realidade aumentada, por exemplo. Os sets de filmagem, por sua vez, tendem a ser cada vez mais automatizados, com recursos como captação remota de imagens, captura volumétrica de objetos 3D e presets de iluminação, tudo conectado a sistemas digitais, câmeras-robôs e drones.
Algoritmo dançante
Ainda antes do audiovisual, o uso de algoritmos para direcionar o consumo já tinha demonstrado força na indústria musical. Em plataformas de streaming como Deezer, Spotify e Tidal, são utilizados para recomendar músicas e artistas aos usuários baseados em seu histórico de consumo. A questão hoje é a introdução dessa inteligência artificial na produção de música em si. Em 2016, o Laboratório de Pesquisa CSL, da Sony, noticiou a criação do que seria a primeira música composta e produzida por inteligência artificial. Daddy’s Car, um som pop que lembra canções dos Beatles, foi desenvolvido por meio do sistema Flow Machines e auxílio do músico francês Benoit Carré, que finalizou o material. Em janeiro de 2018, o Laboratório, junto com Universidade Pierre e Marie Curie, em Paris, lançou o álbum Hello World, primeiro disco criado com recursos de inteligência artificial com Benoit Carré como diretor artístico. Em março deste ano, o Warner Music Group assinou contrato com a Endel, empresa dona de um algoritmo capaz de criar músicas em tempo real segundo o humor do ouvinte e controlar a ansiedade. O contrato prevê a criação de 15 álbuns ainda este ano.
Para Rebeca de Moraes, head e fundadora da consultoria de tendências Trop.Soledad, esse tipo de produção ja é resultado da transformação total na forma como as pessoas consomem música. “A relação das pessoas com a música, hoje, passou a ser definida pelo humor do ouvinte”, .destaca. Fábio Santana, gerente de marketing de artistas na Deezer Brasil, diz que o uso de algoritmos para criar música já é realidade. “A ideia não é substituir produtores, mas tornar o processo mais acessível e alternativo. É difícil saber se essas tecnologias podem aprender música da mesma forma que um humano, mas já é uma opção viável para diversos músicos”, afirma, contextualizando que, para alguns artistas, a tecnologia minimiza questões como distância e tempo de produção.
Presente na edição deste ano da Rio Creative Conference (Rio2C), François Pachet, diretor de pesquisas tecnológicas do Spotify, anunciou que a plataforma está investindo em ferramentas capazes de compor músicas junto com humanos. O Spotify é parceiro do laboratório da Sony, que criou a música Daddy’s Car. “Quando eu era mais jovem, costumava ouvir a álbuns inteiros do início ao fim. Hoje, jovens pulam músicas o tempo todo e a média de permanência em cada música é de um a dez segundos e isso terá consequências inéditas na história da música”, falou Pachet durante a conferência.
“Esses elementos se tornarão mais comuns e naturais conforme vão se desenvolvendo e ficando mais baratos e eficientes. Já é uma realidade do presente e no futuro próximo veremos uma evolução. Diversos artistas já começaram e vão continuar a experimentar essas diversas opções”, prevê Santana, do Deezer. Na sua opinião, a tecnologia não restringe a criatividade e sim abre portas para os artistas serem mais criativos e usarem novas ferramentas para experimentar e criar sons nunca ouvidos antes. “Há artistas e produtores que têm sido extremamente bem-sucedidos adaptando essas tecnologias em seu trabalho, como Björk e Brian Eno”, exemplifica.
Para além da tecnologia, Rebeca acredita que diferentes gêneros musicais vão se misturar mais e artistas vão fortalecer parcerias. “As novas gerações se interessam muito menos por shows que as anteriores, pois para eles, sair de casa precisa ser um evento, algo muito diferente do que você vê na balada ou em casa. Por isso o sucesso dos festivais, que reservam uma diversidade de experiências, entre shows, atrações, bebidas, lounges, brindes etc”, afirma.
A evolução do conteúdo de entretenimento é, acima de tudo, um forte indicador de tendências sociais, diz Rebeca. “Esse mercado é hoje tanto receptor quanto emissor de comportamentos emergentes. Serviços de streaming mudaram profundamente nosso consumo de conteúdo, pautado basicamente no desejo do usuário. E quando se está em dia com o desejo do usuário, se está também em dia com o espírito do tempo, com as tendências”, diz.
*Colaborou Teresa Levin


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Storytelling: o case IT Forum

Essa entrevista foi publicada originalmente pela Revista EBS

Depois de quase 20 anos, um dos maiores congressos de tecnologia da América Latina, reformulou a sua grade e incluiu o Storytelling para motivar os participantes


Storytelling nada mais é que a arte de contar histórias, método que consegue promover um negócio gerando identificação. Através de inúmeros recursos, principalmente, o audiovisual, podemos persuadir os consumidores de uma maneira tão efetiva como nas propagandas diretas. Inegavelmente é um conceito bem antigo, já que o ser humano na Pré-História utilizava os desenhos nas cavernas para transmitir conhecimento. Hoje, a técnica já domina o universo das empresas de Marketing e Publicidade e segue agregando valores às marcas. Até por isso extrapolou o ambiente da comunicação, chegou ao setor de eventos e gerou ótimos resultados. Um dos exemplos mais recentes do êxito nessa junção de Storytelling/Eventos é o IT Forum que, recentemente, mudou toda sua programação e se tornou muito mais interativo. O IT Forum é um congresso organizado pela IT Mídia, empresa que há 20 anos conecta os líderes de tecnologia do país. O evento que é realizado durante cinco dias em um resort na Bahia reúne 180 CIOs (chief information officer) das maiores empresas brasileiras, e mais de 70 executivos de empresas fornecedoras de soluções de tecnologia dentre as 100 maiores empresas desse setor no Brasil. Os conteúdos e palestras presentes no evento tem como função gerar reflexões, instruir os CIOs e apresentar soluções para o dia a dia. O IT Forum é hoje o maior e mais importante evento de Tecnologia da Informação da América Latina, tem como objetivo principal a interação entre os participantes.
O problema é que com o crescimento do evento ao longo dos anos, a IT Midia foi perdendo a proximidade que tinha com seus clientes. Além disso, os concorrentes estavam investindo no intimismo. Foi quando em 2015, o sociólogo e escritor, Domenico de Masi, que foi Keynote Speaker da edição, fez uma reflexão: “Os eventos devem ser mais estéticos e cada item decorativo, cada cenário, precisa fazer sentido para as pessoas ali presentes”.

A inspiração no Tomorrowland

A missão era reformular o IT Forum, torná-lo mais moderno e gerar ainda mais interação. Os organizadores fizeram inúmeras reuniões para decidir os novos rumos, mas o insight de incluir o Storytelling surgiu depois que o CEO da IT Mídia, Adelson Sousa, participou do Tomorrowland, maior festival de música eletrônica do mundo, que cria um universo de fantasia para envolver o público. “O Tomorrowland é, sem dúvidas, um dos cases mais incríveis de Storytelling que conhecemos. O Adelson esteve presente e ali teve certeza que tinha achado um novo jeito de fazer eventos”, afirmam os organizadores do IT Forum.
A empolgação com o Tomorrowland não foi à toa, o festival nasceu de uma ideia entre dois sócios, que tinham um propósito de melhorar o mundo. Eles criaram um o evento onde as pessoas pudessem experimentar algo fora de seus cotidianos, onde elas pudessem ser espontâneas, serem elas mesmas. Pessoas diferentes, de lugares diferentes, mas unidas pela música, por uma história, pelo mesmo propósito.

IT Forum e o storytelling – um case de sucesso

Definido como seria o It Forum em 2016, faltava achar um profissional com expertise para ajudar a executar o projeto audacioso. Até que em um evento da IT Mídia, na Escola superior de Propaganda e Marketing (ESPM), houve uma palestra com um professor que falava sobre Transmedia e Storytelling. O profissional era o pioneiro em Storytelling e Branded Content no país e sócio-fundador do Storytellers, Fernando Palacios.
Logo depois de assumir o projeto Palacios participou de inúmeras reuniões com o CEO da IT Mídia para elaborar todo o conceito do IT Forum até a entrega da primeira edição do evento em sua nova configuração, em abril de 2016. A entrada do Storytelling no IT Forum fez com que os participantes imergissem em uma outra realidade. Ao chegar no local a pessoa recebia um livro que contava a história de um deus do tempo que havia sido aprisionado.
Uma ordem secreta controlava o tempo e havia uma disputa entre três grupos para saber qual a melhor maneira de usar o tempo. O primeiro era favorável para que houvesse uma desaceleração maior, pois segundo eles evoluímos muito rápido e a consequência foi a desordem e a poluição. Já o segundo, concordava que o tempo estava exatamente onde ele deveria estar, não era para ficarmos contemplando o passado e nem sonhando com futuro. O último grupo acreditava que o tempo estava passando muito devagar, pois ainda não tínhamos tecnologias como os carros voadores, logo os ponteiros do relógio deveriam correr.
Os profissionais de TI eram convidados a participar de um dos três times apresentados e o jogo começava. Durante todo o evento houveram várias ações como teatro no final de cada dia, os participantes também recebiam vídeos nos celulares. Era uma espécie de vídeo game com vários caminhos possíveis. No encerramento, que contou com a presença dos familiares dos jogadores, o tempo foi libertado pelo time vencedor.


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