Árvore branca de rosto vermelho, a metáfora da memória contra o esquecimento na saga de Westeros em Game of Thrones

A saga de Game of Thrones é, no fundo, uma história sobre memória contra esquecimento. Quatro vezes o mundo de Westeros quase morreu porque alguém no topo esqueceu o aviso da vez anterior. E memória contra esquecimento é o nome técnico do motivo pelo qual a nossa espécie inventou contar histórias: o storytelling é a tecnologia humana mais antiga contra o apagamento.

Uma criança pergunta ao avô por que a árvore do quintal tem um rosto chorando seiva vermelha. O avô não responde na hora. Ele diz: senta, que isso é uma história de doze mil anos, e quando eu acabar você vai entender que a árvore não está chorando. Está lembrando.

Você acha que veio ouvir a saga de Game of Thrones.

Você veio descobrir por que os seres humanos contam histórias.

São a mesma coisa. Vou provar.

O Arquetipo do Heroi nao existe: por que confundir arquetipo com funcao narrativa esta destruindo posicionamentos de marca

Arquétipo do Herói é uma expressão equivocada que confunde dois conceitos distintos: arquétipo (padrão universal de personalidade) e herói (papel narrativo, função dentro de uma história). Herói não é arquétipo, é função. Qualquer arquétipo pode ocupar esse papel: o Competidor, o Provocador, o Pacificador. Confundir os dois está destruindo posicionamentos de marca no mundo inteiro.

“O Herói sempre foi um arquétipo essencial para qualquer marca que busca conquistar seu mercado.”

Mentira.

Te enganaram. E eu também já caí nessa.

A gente cresce ouvindo que o Herói é um arquétipo, um dos mais poderosos, inclusive. Ele aparece em filmes, livros e até nos discursos de marketing, como se fosse um molde universal para líderes, empreendedores e marcas.

Mas tem um vacilo aí que está destruindo posicionamentos de marca no mundo inteiro.

Folhetim Algoritmico: a gramatica serial brasileira aplicada a marca pessoal premium do Virtuoso Invisivel em 2026

Folhetim Algoritmico é a aplicação da gramática serial brasileira (capítulo, gancho, arco e personagem) à comunicação digital da marca pessoal premium, operada por CRM, automação e IA. Em vez de um folhetim para milhões na mesma hora, milhares de folhetins paralelos, cada espectador no seu ritmo, cada capítulo calibrado pelo comportamento. É o modelo que a Autoria aplica ao Virtuoso Invisível.

Antes de virar tese de comunicação, o folhetim foi história de família. Meu avô, Alfredo Palacios, foi um dos arquitetos pragmáticos da indústria audiovisual brasileira no século XX. Começou na Rádio América de São Paulo nos anos 40, escrevendo radionovelas no mesmo panteão de pioneiros que incluiu Oduvaldo Vianna, Dias Gomes, Mário Lago, Janete Clair e Ivani Ribeiro. Foi a forja onde aprendeu a gramática do melodrama serial brasileiro: capítulo curto, gancho diário, personagem recorrente, plateia que volta no mesmo horário pelo mesmo motivo.

A operação que define a trajetória dele veio depois. Em 1959, com Ary Fernandes, cofundou O Vigilante Rodoviário, o primeiro seriado brasileiro gravado em película 35mm. Os dois compraram a câmera Arriflex da massa falida da Maristela, estúdio paulista onde meu avô tinha sido produtor ao longo dos anos 50, chegou a gerenciar produções dirigidas por Alberto Cavalcanti e Carlos Hugo Christensen. Venderam o piloto para a Nestlé como patrocinador master. A série estreou na TV Tupi em 1962, e parte do Brasil passou a parar em volta do aparelho de TV para descobrir o próximo episódio do Inspetor Carlos.

 

O que é storytelling corporativo: executivo transformando 1248 slides em peça de teatro, Método Palacios, Story vs Telling, Tripé Narrativo, Fernando Palacios Storytellers Brasil

Storytelling corporativo é uma tecnologia de comunicação estratégica que transforma ruído em sinal: dados soltos, slides genéricos e relatórios que ninguém lê (ruído) são reorganizados em estruturas causais que o cérebro humano reconhece, processa e retém (sinal). A definição operacional foi desenvolvida por Fernando Palacios, fundador da Storytellers, a primeira empresa de storytelling corporativo do Brasil, ao longo de vinte anos de projetos com Nike, Pfizer, Itaú, Yamaha, IBM e Coca-Cola. No Método Palacios, storytelling corporativo não se confunde com publicidade narrativa nem com "contar historinhas": é o reposicionamento de como organizações narram suas identidades, valores e impacto através de narrativas que transformam a percepção dos stakeholders. Marketing convencional persuade. Storytelling corporativo transforma significado.

Em 1902, um mágico francês chamado Georges Méliès gastou seis meses para fazer um filme de catorze minutos.

Ele construiu um foguete de papelão. Pintou estrelas no cenário. Colocou um selenita fantasiado de crustáceo. E mandou um grupo de cientistas de cartola para a Lua numa bala de canhão.

Uma Viagem Para a Lua foi o primeiro filme de ficção científica da história. Primeiro com efeitos especiais. Primeira narrativa com múltiplos atos no cinema.

Cento e vinte anos depois, o personagem de Méliès aparece num filme de Scorsese. O diretor mais premiado da Hollywood contemporânea dedicou Hugo Cabret a recuperar esse mágico da obscuridade. Clipes musicais referenciam a imagem do foguete na lua. Estudantes de cinema ainda assistem ao filme original inteiro em sala de aula.

Catorze minutos. Cento e vinte anos de reverberação.



Toda empresa produz conteúdo. Todo dia.

Textos, posts, vídeos, embalagens, apresentações, emails. A maior parte desse conteúdo não supera os trinta segundos de atenção ou a página dupla de uma revista. São gotas informativas: precisas, objetivas, e esquecidas com a mesma velocidade com que são exibidas.

Isso não é necessariamente vacilo. Alguns conteúdos existem para funcionar no presente e não precisam de mais do que isso. Uma notificação bem escrita cumpre seu papel em três segundos.

O conflito começa quando uma marca investe em algo com ambição de permanência e entrega algo com prazo de validade de terça-feira.



O que separou Méliès da produção descartável de sua época não foi o orçamento. Não foi a tecnologia, que era rudimentar por qualquer padrão. Foi uma decisão narrativa: contar uma história com começo, meio e fim, com personagens que queriam algo, com um universo que seguia suas próprias regras.

Esse é o princípio que ainda funciona hoje.

Quando a plateia se encontra dentro de uma história, quando ela reconhece o desejo do personagem como seu, quando ela sente a tensão do conflito antes da resolução, algo diferente acontece. O conteúdo não é apenas consumido. É guardado.

Não existe algoritmo que produza esse efeito. Existe estrutura narrativa.


A pergunta que toda empresa com algo a dizer precisa responder antes de criar qualquer conteúdo é simples, mas exige honestidade brutal:

Estamos fazendo algo para esta semana ou para esta geração?

As duas respostas são legítimas. O vacilo é confundir uma com a outra.

Abraços do Palacios.

Storytelling para formatos curtos no TikTok: a arena da narrativa contemporânea

A elite mundial dos contadores de história em 2026 não está em livraria, não está em palco TED, não está em festival literário. Está em vídeos verticais de quinze segundos, gravados em cozinha, com luz duvidosa e ângulo torto. Conquistando dezenas de milhões de views por mês.

Quem ainda não percebeu, escreveu o próximo livro pra estante errada.

Eu não falo isso de fora. Tenho post fixado no meu perfil do TikTok com mais de 800 mil views, depois de pausa programada de quase um ano em todas as redes pra reformatar a operação. Já viralizei em cada plataforma que entrei, do Facebook em diante. Conheço o terreno por dentro. Não estou comentando o jogo, estou no jogo, com retomada programada pra segundo semestre.

A fala vem dessa cadeira.

 

Storytelling na Copa 2026: a novela Irmãos Coragem que venceu a audiência da final Brasil x Itália em 1970, protagonista versus espetáculo, história vence evento, Fernando Palacios Storytellers

Storytelling na Copa do Mundo é a diferença entre comprar o espetáculo e construir a história. Em 1970, a final mais icônica da história do futebol, Brasil 4 x 1 Itália, perdeu a maior audiência do ano para "Irmãos Coragem", uma novela de garimpo com personagens fictícios. O fenômeno comprova o princípio central do Método Palacios: o cérebro humano não se conecta com eventos, conecta-se com protagonistas. Para marcas que investem na Copa 2026, o maior Mundial da história, a distinção técnica é direta: publicidade é estar presente no evento; storytelling é ser o motivo pelo qual alguém se lembra do evento.

 

Depois do top of mind vem o top of AI: como ser o nome que o ChatGPT recomenda quando perguntam quem é o melhor

Top of AI é o novo top of mind: em 2026, quando alguém precisa resolver um problema sério, a primeira pergunta não é mais "quem eu conheço?" mas "ChatGPT, quem é o melhor em [isso]?". Quem não estiver posicionado para a IA está fora da nova rede de indicação. A guerra narrativa virou guerra de citação, e se ganha com presença narrativa estruturada, não com volume.

O século XX inventou uma guerra: ocupar a cabeça do consumidor antes do concorrente. Top of mind era o prêmio. Quem virava primeiro nome da categoria vencia.

A guerra mudou de endereço.

Em 2026, quando alguém precisa resolver um problema sério, a primeira pergunta não é mais “quem eu conheço?”. É “ChatGPT, quem é o melhor em [isso]?”. E o nome que o agente cuspir vai ser o nome considerado.

Palestras de storytelling com Fernando Palacios: 5 portas de entrada para 20 anos de método no palco

Palestras de storytelling com Fernando Palacios cobrem cinco portas de entrada: visão panorâmica do método (20 Anos em 2 Horas), dados que persuadem (Data with Data), speakers técnicos que precisam de palco (Talk de Midas), times comerciais que vendem com narrativa (Tell to Sell), e autoria na era da IA (Autor.IA). Cada uma resolve um briefing diferente, todas operam sobre o mesmo motor: os 8 Passos do Palacios, refinados em 20 anos, 30 mil profissionais e 10 países.

Em 2006, quando fundei a Storytellers, ninguém no Brasil sabia o que era storytelling. Em 2026, todo mundo diz que faz.

Nesses 20 anos, dei palestra para 30 mil profissionais em 10 países. Para CFO indiano em Nova Délhi. Para presidente em convenção fechada na Faria Lima. Para sala cheia de cientistas com slide repleto de molécula. Para vendedor de motocicleta usando arco aristotélico no test ride.

E percebi uma coisa: existe um conjunto de cinco perguntas que se repete em quase todo briefing. Este texto é a resposta para cada uma, em forma de palestra.

7 tendencias de marketing e storytelling para 2027: AIEO, vibe authoring, slow content, lacuna bibliografica e o virtuoso desaparecido

As tendências de storytelling para 2027 apontam para sete movimentos: storytelling vira interface de agentes IA, AIEO substitui SEO, slow content vira moeda cara, vibe authoring nasce como categoria, a janela do expert sobre a mediana se abre, lacuna bibliográfica vira problema de reputação, e universos autorais imprecíveis voltam a valer mais que campanhas. A Autoria by Storytellers nasceu olhando para cada uma delas.

Existe uma frase que estamos repetindo nos bastidores da Autoria by Storytellers desde o fim de 2025: a Autoria não foi construída para 2026. Foi construída para 2027.

Em 2006, a Storytellers estreou no Brasil como a primeira boutique de storytelling do país, atendendo grandes protagonistas corporativos com universos narrativos completos. Vinte anos depois, em 2026, o mercado finalmente alcançou aquele argumento. Empresa que não conta história não vende. Marca que não tem enredo é genérica.

Mas o jogo virou de novo. E desta vez o protagonista mudou de cara. Em 2027, o foco principal sai da marca corporativa e passa para o expert. Para a pessoa real, com vinte ou trinta anos de prática, que domina o offline e está desaparecida no digital.

Panorama do storytelling no Brasil em 2026: vinte anos da Storytellers, IA, slow content e a volta da profundidade

O storytelling no Brasil em 2026 evoluiu de técnica da moda para competência essencial. Profundidade voltou a valer (slow content), IA virou amplificador no bastidor (não substituto), B2B descobriu narrativa estratégica, e formatos como transmídia, yapping e newsletter longa definem quem conquista plateia. Este panorama é a fotografia do agora, com olhar de quem está dentro da sala há 20 anos.

Em 2006, quando a Storytellers estreou no Brasil como a primeira empresa de storytelling do país, a frase mais comum em reunião com diretor de marketing era: “isso aí é mais uma moda gringa, vai passar”. Vinte anos depois, em 2026, ninguém mais diz isso.

A Storytellers by Fernando Palacios completa duas décadas neste ano, e o marco coincide com o momento em que o mercado finalmente alcançou aquela tese de 2006: storytelling não é “contar histórias para marcas”. É o sistema de entrega da mensagem executiva. É infraestrutura narrativa. É o que separa marca que conecta de marca que vira ruído.

Como pioneiros que viram o filme inteiro, com cases construídos para Itaú, Nike, Swarovski, Yamaha, Pfizer, Mini Schin e tantos outros protagonistas ao longo de duas décadas, sentamos para escrever este panorama do que está acontecendo em 2026 no Brasil. Não é tendência futurista. É fotografia do agora, com olhar de quem ainda está dentro da sala.

IA e Storytelling como antídoto do viés da média: executiva de M&A confrontando a tese genérica da IA com conhecimento proprietário

IA e Storytelling como antídoto do viés da média é a tese de que inteligência artificial generativa entrega o consenso estatístico sobre qualquer tema, e storytelling é o instrumento que transforma o gap entre esse consenso e o conhecimento proprietário do expert em narrativa que ninguém mais consegue escrever.

Coloquei o briefing de uma diretora de M&A na IA mais avançada disponível hoje. Opus 4.7. Ela devolveu uma tese de investimento impecável.

Estrutura cristalina. Riscos mapeados. Sinergias projetadas. Plano que qualquer banco de investimento aplaudiria.

Era exatamente o problema.

A diretora leu o documento, levantou os olhos e disse uma frase que vou guardar pelo resto da carreira: “Está tudo certo. E justamente por isso, está tudo errado.”

Aprender a contar histórias: perfil autoral revelado pelo Método Palacios em 8 passos

Aprender a contar histórias começa por entender que você já sabe. Cada pessoa carrega um perfil autoral próprio, uma forma única de pensar, de cortar o real, de escolher o que merece ser contado. O que falta não é talento. É método para revelar o que já está aí. Os 8 Passos do Palacios organizam essa revelação.

Todo mundo tem uma história que ninguém ainda escutou direito. A sua, inclusive.

O storytelling não é técnica de marketing. É a forma mais antiga que o ser humano inventou para fazer o que importa atravessar o tempo. Antes de existir contrato, planilha, slide ou pitch, existia alguém ao redor do fogo dizendo “deixa eu te contar uma coisa”.

Esse mecanismo continua aceso. Mudou o cenário, não a engrenagem.

Por que apresentações corporativas são chatas: executivo entediado em reunião de board enquanto slides passam ao fundo

Apresentações corporativas são chatas porque atacam o sintoma errado. A indústria de treinamento vende oratória, design de slides e gestão de tempo. Mas o conflito real está no roteiro: a ordem em que a plateia é conduzida, as perguntas mudas que ela faz a cada minuto e o ponto entre o terceiro e o quinto minuto em que a decisão já foi tomada.

Reunião de board. Três meses de trabalho. Cento e vinte slides corporativos prontos. Cinco minutos depois do início, alguém checa o WhatsApp embaixo da mesa. Aos dez, dois executivos estão respondendo e-mail. Aos quinze, o decisor olha o relógio e pensa em sair. A decisão que valia milhões já foi tomada antes do final da apresentação. E ela não foi favorável.

Isso acontece todo dia, em toda corporação. E o estranho é o seguinte: o conteúdo era bom. Os dados estavam corretos. A pessoa no palco era competente. Então o que deu errado?

 

Como o storytelling chegou ao Brasil: Fernando Palacios e a trajetória de 24 anos desde o relatório da WGSN até o retiro autoral com IA

O storytelling corporativo no Brasil começou em 2002, quando dois relatórios de caça-tendência usaram a palavra pela primeira vez, e um publicitário de 30 anos foi até a fonte. Em 2006 fundou a primeira empresa do país dedicada ao tema. Esta é a história de como o Brasil já contava melhor que o mundo, só não sabia que contava.

Em 2002, duas empresas de caça-tendência começaram a usar uma palavra estranha nos seus relatórios: storytelling.

Uma era a WGSN, inglesa, especializada em moda e comportamento. A outra era a Iconoculture, americana, que traduzia o zeitgeist em sinais de consumo. Eu tinha 30 e poucos anos, trabalhava com publicidade e eventos, e assinava os dois relatórios porque o meu trabalho era prever o que ia virar conversa em 2005.

Só que nesse caso, o relatório não dizia quando. Dizia que era o futuro.

Fui atrás.

 

Existe um momento exato em que a professora erra.

Não quando explica 2+2=4 de forma abstrata. Todo mundo sabe que abstração é difícil para criança. Esse vacilo já foi corrigido faz tempo.

O vacilo é o próximo passo.


A professora percebe que abstração não funciona. Decide contextualizar. Então diz: "Pedrinho tinha 2 maçãs e ganhou mais 2. Ficou com 4."

Melhorou. A equação deixou de ser um símbolo e virou uma cena. Isso já é um princípio de storytelling.

Mas o problema persiste.

A criança não sabe quem é Pedrinho. Não sabe se ele gosta de maçã. Não sabe para que servem essas maçãs na vida dele. Sem motivação, Pedrinho é um extra em uma cena que não tem conflito. E sem conflito, não há razão para prestar atenção.

Agora tente com a Magali.

"A Magali já tem 2 maçãs. Ela precisa de mais 2 para matar a fome."

Tudo muda.

A criança conhece a Magali. Sabe que ela tem fome. Sabe que aquelas 4 maçãs têm um papel na trama. O problema matemático virou um conflito com um personagem que tem desejos específicos. E a partir do momento que a plateia está na torcida, presta atenção em qualquer detalhe, porque qualquer coisa pode fazer a diferença para o sucesso.

Esse é o princípio fundamental do storytelling na educação: um personagem com motivação específica ensina mais do que qualquer abstração. Porque o aprendizado segue o mesmo caminho da atenção.


Mas aqui está o detalhe que muda a compreensão do método inteiro.

A história não é sobre as maçãs.

Poderia ser o Cebolinha juntando quatro gravetos para um plano infalível. O objeto matemático seria o mesmo. O que muda é que a história é sobre o Cebolinha, não sobre os gravetos.

As maçãs são pano de fundo. A Magali é a história.

Isso não é truque pedagógico. É a estrutura fundamental de como histórias funcionam: elas são sempre sobre pessoas, nunca sobre assuntos. O assunto entra como contexto. A pessoa é o que sustenta a atenção.

Uma história com uma pessoa é infinitamente mais forte do que uma história de algo que aconteceu com milhões de pessoas.


Esse princípio tem 40 mil anos.

Quando os primeiros caçadores se sentavam ao redor da fogueira para ensinar as técnicas de caça para as gerações mais jovens, não entregavam manuais de procedimentos. Contavam histórias de caçadas específicas, com conflitos reais, personagens reais, decisões de vida ou morte.

A técnica estava dentro da história. A motivação vinha do personagem.

As cavernas modernas são as empresas. E elas estão descobrindo o mesmo princípio: treinamento que funciona não é o que explica o conteúdo. É o que coloca o colaborador dentro de um conflito onde o conteúdo é a ferramenta para resolver.


Isso responde uma pergunta que aparece com frequência: "Storytelling substitui o processo formal de treinamento?"

Não. Reveste ele.

Todo o conteúdo precisa existir primeiro. O storytelling não gera conhecimento do nada. O que ele faz é criar um contexto mais interessante para transmitir o que já foi desenvolvido. O resultado é que o aluno entra em modo de torcida, e na torcida não existe desatenção voluntária.


A lição se aplica em qualquer ponto de contato.

Pense em um call center que recebe reclamação de barulho na madrugada. O atendente que diz "pedimos desculpas" encerra a conversa com a insatisfação intacta.

O atendente que conta a história que está por trás do barulho, as questões de segurança que estão sendo resolvidas, os cenários que estão sendo evitados e os motivos pelos quais o horário não pode ser alterado, muda o nível de convencimento completamente.

Não porque enganou o consumidor. Porque contextualiz a informação dentro de um conflito onde o consumidor entende que existe um personagem (a empresa) com motivações específicas. A empatia substitui a indignação.

É a Magali com fome. Mas dessa vez o produto que está em jogo não é maçã.


A fogueira das cavernas e o call center de hoje têm a mesma espinha.

A mensagem que entra num contexto narrativo é absorvida de forma diferente da mensagem que é entregue como dado isolado. Não porque storytelling é bonito ou porque histórias são agradáveis.

Porque o cérebro humano foi literalmente formatado para armazenar conflito, personagem e resolução, e tratar informação solta como ruído.

Pedrinho ou Magali.

O conteúdo é o mesmo. O resultado, não.


Fernando Palacios é fundador da Storytellers, a primeira empresa de storytelling do Brasil, há 20 anos transformando a forma como profissionais ensinam, convencem e motivam. Se você quer dominar o método, os cursos da Storytellers são o próximo passo.

Durante semanas, pessoas reais usaram horas reais tentando ajudar um personagem que não existia.

A Nokia havia lançado um vídeo. Um rapaz olhando para a câmera, explicando com detalhes que havia conhecido uma garota numa balada, que haviam trocado contato, que o papel com o número desaparecera até a manhã seguinte. Ele descrevia o rosto dela. A altura. A roupa. Pedia ajuda para encontrá-la.

A maioria do público acreditou. Escreveram para o rapaz. Criaram fanpages para identificar a moça. Comunidades inteiras se mobilizaram para resolver o caso como se fosse real.

No terceiro vídeo, a revelação: era publicidade. Um outro rapaz, presente na mesma balada, havia fotografado a cena com um celular Nokia de alta resolução. Com zoom, deu para ler o número no papel. O produto anunciado: câmera com muitos megapixels.

A campanha era tecnicamente elegante. A história, narrativamente sólida. O engajamento, real.

Só que uma parte significativa do público se sentiu usada. Com razão.

Não porque a Nokia contou uma história. Mas porque ela não avisou que era história.


Existe uma distinção que precisa ser dita com clareza, antes que a confusão se instale.

Ficção não é mentira.

Quando você entra numa sala de cinema, faz um pacto. Sabe que vai assistir a algo inventado. Sabe que os personagens não existem. E mesmo assim chora, ri, prende a respiração. O pacto funciona exatamente porque é voluntário. A ficção tem poder sobre nós porque escolhemos nos deixar afetar por ela.

Quando uma marca usa a realidade como disfarce sem avisar, ela não está fazendo storytelling. Está retirando da plateia a possibilidade de fazer o pacto. O engajamento que vem daí não é conquista narrativa. É captura por engano.

Seria muito mais honesto a Nokia ter anunciado: "Uma mini-novela em três capítulos." Se a história fosse boa, o público teria se engajado do mesmo jeito.


O Diletto inventou um avô italiano que nunca existiu. Os Sucos do Bem criaram um fazendeiro que nunca pisou num campo. Ambos apresentaram ficção como fato. O Conar investigou. A reputação saiu arranhada.

Isso não é storytelling. É fraude com embalagem narrativa.

A confusão começa quando se trata os dois casos como se fossem a mesma coisa que marcas que contam histórias reais com criatividade, ou que criam ficções declaradas como ficção.

A Intel se uniu à Toshiba para criar uma história sobre um homem que acorda todos os dias em um corpo diferente. Às vezes jovem e bonito, às vezes uma senhora cansada. A metáfora de um processador que roda em máquinas completamente diferentes virou algo mais: uma geração de jovens disse que a história os ajudou a se sentirem compreendidos num mundo em que a identidade é fluida.

Era mentira? Sim. Mas todo mundo sabia que era ficção. Essa é a diferença entre técnica e armadilha.

A Chipotle criou um espantalho que se rebelava contra a crueldade da indústria de fast-food. Depois, uma websérie com vacas sendo alimentadas com petróleo. Ficção declarada. Reflexão real. Ninguém se sentiu enganado porque a ficção fez o que boa ficção sempre fez: propôs uma verdade emocional usando uma mentira assumida.

A lista dos cem filmes mais assistidos da história do cinema é inteirinha feita de histórias inventadas. A plateia não se importa com ficção. Se importa com traição.


Há um segundo equívoco que vale nomear.

Contar que um produto tem origem específica, que foi feito de uma certa forma, que carrega uma certa história real, não é a mesma coisa que inventar uma ficção e apresentá-la como fato. A água Fiji vem das Ilhas Fiji. O vinho de uma denominação de origem específica foi produzido naquela região. Um chef que conta de onde vem o ingrediente não está inventando nada.

Tratar as duas situações como equivalentes não é crítica. É preguiça analítica.

O storytelling que vale a pena defender é aquele que, mesmo quando ficcional, honra o pacto com a plateia. O que merece crítica é o storytelling que usa a confiança da plateia como matéria-prima para entregar uma revelação que ela não autorizou.


O storytelling pune. Não porque não gosta de ficção.

Porque a plateia tem boa memória. E não perdoa quem a tratou como idiota.

Abraços do Palacios.

Existe uma diferença entre conhecer o nome de uma coisa e entender como ela funciona.

Storytelling virou moda. Todo mundo usa a palavra. Poucos dominam o conceito. E menos ainda sabem aplicar.

Esses 10 posts foram escritos ao longo dos anos exatamente para resolver esse conflito. Não são introduções suaves. São entradas diretas nos aspectos que mais geram confusão, resistência e vacilos na prática.

Se você vai ler um, leia o 8. Se vai ler dois, adicione o 3. Se vai ler todos, a ordem abaixo faz sentido.


1. O primeiro estudo acadêmico de storytelling no Brasil

Por anos, o primeiro trabalho acadêmico relacionando storytelling e comunicação corporativa defendido na USP ficou fora do alcance de quem precisava dele. Esse post corrige essa falha. [Ler →]


2. Tipos de storytelling: da caverna à transmídia

Storytelling não é uma ferramenta de marketing. É a forma que a humanidade usa para transmitir qualquer coisa relevante, desde as primeiras pinturas rupestres. Leonardo da Vinci escrevia seus quadros antes de pintá-los. Isso já é roteiro. Esse post mapeia o território. [Ler →]


3. Storytelling não existe sem autenticidade

Adotar storytelling pode beneficiar uma empresa. Pode também destruí-la, se a comunicação não estiver alinhada com o que a metodologia exige. Os erros mais comuns não são de técnica. São de posicionamento. Ler →


4. Storytelling ou stellytoring?

Há uma versão falsa do storytelling que circula por aí com o mesmo nome que a original. Parece, soa igual e até tenta funcionar da mesma forma. Mas não é. Esse post ensina a distinguir as duas. Ler →


5. Para desbloquear a escrita

A síndrome da página em branco não é falta de ideia. É excesso de barreira. Esse post não dá a resposta fácil. Dá o que funciona. Ler →


6. Por onde começar a ser storyteller

O ato de narrar é o centro de todas as formas artísticas e um processo de aprendizado que dura a vida toda. Voltei um século no tempo: cinema mal existia. Hoje existe transmídia. Se há tanta transformação, por onde começar? Esse post responde. Ler →


7. High-Concept: o conceito que Hollywood exige antes de qualquer roteiro

Nenhum estúdio de Hollywood avalia um roteiro sem High-Concept. Quando o storytelling entrou nas agências e empresas, o High-Concept entrou junto, como co-piloto indispensável. O que é, como funciona e por que você precisa de um. Ler →


8. Story vs. Telling: a distinção que muda tudo

Story é história. Telling é narrativa. Parecem sinônimos. Não são. Entender a diferença entre os dois é a virada que separa quem usa o nome do conceito de quem usa o método. O post mais fundamental desta lista. Ler →


9. A fórmula do storytelling

Você está sozinho no elevador. A velocidade diminui. A porta se abre. Do lado de fora, um zumbi aguardava esse momento. O que acontece a seguir tem tudo a ver com storytelling e nada a ver com zumbis. Ler →


10. Os sete erros do storytelling corporativo

A professora Jennifer Aaker mapeou os sete pontos que separam uma história para amigos de uma história para consumidores. Não são os mesmos. E confundir os dois é o vacilo mais comum de quem começa. Ler →


Dez leituras. Uma direção.

Quando terminar, você vai olhar diferente para qualquer comunicação que cruzar seu caminho.


Fernando Palacios é fundador da Storytellers, a primeira empresa de storytelling do Brasil. Há 20 anos transforma a forma como profissionais entendem e contam histórias. Conheça os cursos da Storytellers.