Esse post é uma pequena homenagem tardia ao aniversário de 50 anos da série Dr. Who, mas como ainda estou na primeira temporada e ainda não tempo de analisar tudo com cuidado, vou falar especificamente da versão para o cinema. O filme chamado Daleks' Invasion Earth: 2150 A.D. foi lançado em 1966 e nos possibilitou um dos mais inusitos product placements na ficção científica.

O caso é que Doctor Who acaba em um futuro excentrico londrino, onde a água, nem comida, e o mundo foi dominado pelos Daleks, vilões mortíferos que matam praticamente tudo o que vive. Nesse cenário futurístico e tecnológico o filme ficou conhecido pelo exagero da exposição da marca Sugar Puff de cerais. Isso mesmo, não foi a iserção de um carro como na série e filme A Super Máquina, não foi nem uma marca de relógios para garantir que o nosso viajante não perca em suas aventuras temporais, não, meus caros, foram vários e vários cartazes de Sugar Puff distribuidos pelo cenário de uma londres em ruínas. 

Não preciso nem dizer que para tanta inserção  Quaker Oats, na época responsável pela fabricação do cereal, financiou a produção do filme, né? Mas tal financiamento não foi só para que a marca pudesse ganhar o seu tempo na tela, o acordo também incluia uma ação de tie-in que vinha nas caixas temáticas do cereal, o ganhador da promoção levaria um boneco de um Dalek, raça de alienígenas vilã no filme. E para finalizar a Sugar Puff conseguiu o direito de usar a imagem dos personagens do filme em seu comercial e outros materiais promocionais da marca. 




Olá, sou Tiago Cabral, o “novato”do site. Sou psicólogo e (pretenso) escritor. Vim parar aqui a convite do nobre Fernando Palácios pra conversar um pouco com vocês sobre Storytelling e sua relação com a psicologia! O que essas duas práticas teriam em comum? 

Antes disso muita gente sempre se pergunta "o que raios é Storytelling"? Com uma pesquisa no Google qualquer um descobre que é um daqueles termos de publicidade. No entanto, ele é algo que faz parte da natureza humana: é a arte de contar histórias.

A simplicidade do termo nos faz subestimá-lo por alguns instantes. Mas não se engane pela simplicidade da definição, afinal você pode definir a medicina como "a arte de curar pessoas", e mesmo assim a  prática não vai ser algo simples. Ao estudar o assunto me descobri um “storyteller” sem saber. Muitos dos livros recomendados eu já havia lido e usava muitas das técnicas que citavam em meus textos.

“Storytelling? Isso é desculpa pra vender workshop” eu mesmo já disse. Até que num livro li que "saber apreciar uma música tocada num piano não te torna um pianista”.  Ou seja, ser capaz de apreciar um bom livro não significa que você possui as ferramentas pra escrever!

"Mas o que isso tem a ver com psicologia social?"

Como eu disse eu sou psicólogo. Atendo a crianças e adolescentes e suas famílias e as vezes é necessário “ensinar” as pessoas a lidar com determinadas situações. E o método mais prático que encontrei de fazer isso é contando histórias!


E eu só sei disso porque eu aprendi com o storytelling que a maioria dos mitos tem por objetivo passar conceitos de moral. As histórias ajudam a definir quem somos, e também influenciam diretamente na nossa comunicação. Seja na psicologia ou em qualquer outra prática social.

O ano era 2000. Em um voo com destino a Dallas, no Texas, estavam os dois fundadores da Netflix, Reed Hastings e Marc Randolph, e o diretor financeiro, Barry McCarthy. O objetivo da viagem era encontrar John Antioco, diretor da Blockbuster, e negociar a venda da Netflix para a rede de locadoras por 50 milhões de dólares.
“Hastings queria propor uma parceria para Antioco, onde a Netflix divulgaria o nome da Blockbuster na internet e, em troca, a divulgação da Netflix nas lojas físicas. Saímos do escritório dele sob risos, eles achavam que estávamos em um nicho muito pequeno.” – diz McCarthy.
Hoje, quase 13 anos depois, a Blockbuster fecha as portas e a Netflix já vale cerca de 20 bilhões de dólares. Levando em conta que o produto de ambas é, de certa forma, o mesmo, o que mudou de lá para cá?

A resposta para a pergunta é quase óbvia: a Blockbuster não soube se renovar enquanto a Netflix nasceu na inovação. E quando falamos em inovação da Netflix, não é apenas sobre streaming de filmes e séries, mas sobre comunicação e criação de conteúdo de marca que garantiram a ela sair na frente de outras concorrentes dentro do próprio streaming. O que dizer de House of Cards?
Muito além de tão só novas mídias, mas de conteúdo, a publicidade é uma área que vem precisando se renovar – e inovar. Enquanto os dinossauros da propaganda ainda riem em seus escritórios, tudo parece estar bem. Mas não tarda e seu prazo de validade acaba chegando. Afinal, ainda que em 2000 a internet já fosse uma realidade, quem apostaria todas as suas fichas que, um dia, a gigante Blockbuster fosse ruir em seu império? 

Aprendi com o Fernando Palacios que storytelling é uma tecnologia da comunicação. Mas para entender o que isso significa precisamos conhecer o significado de tecnologia. Uma das definições de tecnologia que eu mais gosto é que tecnologia é a soma de técnica + ciência. Portanto, o storyteller é, ao mesmo tempo, o mecânico e o engenheiro das narrativas. É o responsável por transformar o briefing em uma história e uma narrativa é um anúncio publicitário.

Somos escritores com clientes, escrevemos para transmitir uma mensagem pré-determinada, para promover uma marca, um produto, um sentimento ou, até mesmo, uma sensação. Começamos no briefing, como qualquer outro publicitário, conhecendo melhor o nosso cliente, a sua história, os seus desejos e, é claro, os seus objetivos, já que esses serão os objetivos da nossa narrativa. Pensamos em problemas e objetivos de marketing e de comunicação, pensamos no consumidor, nas histórias que eles contam e consomem. Por isso é importante conhecer séries, filmes e livros que fazem sucesso. Depois disso nos tornamos projetistas, desenhando universos, criando personagens, pensando em situações que se encaixem no briefing, histórias que resolvam nossos problemas e alcancem nossos objetivos.

Voltando ao pensamento de engenharia, antes de se desenhar um prédio é preciso aprender as leis da física, assim como antes de escrever uma história é preciso conhecer o que é uma boa narrativa. Como construir uma estrutura sólida que aguente todas as camadas e andares do que iremos construir, onde colocar as colunas estruturais que não devem ser alteradas, como dividir o espaço para caber tudo o que precisamos acomodar, como criar algo que resista a interferência exterior, seja da chuva ou de um leitor desatento. Cada detalhe de uma história deve estar baseado no conhecimento científico, desde a semiótica até a narratologia.

As técnicas vem depois, como colocar os fios elétricos nos lugares certos, onde posicionar as lâmpadas, as portas e as janelas. Como apertar os parafusos o bastante para que não soltem e sem exagerar para que não espanem. Depois da ciência vem a técnica, o cuidado com os detalhes, a especialidade de cada um. No caso do storyteller, precisamos ter muitas especialidades para garantir a qualidade de nossas narrativas desde a sua base até o seu acabamento.

O ano é 2110, e o Corinthians, graças a um longo processo de internacionalização, é o maior time do mundo. Mas, no ano em que completa 200 anos, o saudosismo torna ao coração alvinegro e resulta em louca invenção: um dispositivo capaz de voltar a qualquer período da história.
Essa é a premissa do filme “Nova Era: Corinthians”, previsto para 2015. Após alguns documentários sobre momentos marcantes do clube, este será o primeiro filme ficcional sobre um clube de futebol brasileiro – e logo de ficção científica.

De alguns anos para cá, não é novidade a ninguém que os clubes tenham inovado em vender a sua marca a seu “fiel” consumidor. Os departamentos de marketing cresceram, com direito a todos os Ps: Produto, Preço, Praça, Promoção e Paixão.
E não é preciso ser corinthiano para saber: se não foi o primeiro, o Corinthians hoje é o clube que melhor trabalha a sua marca dentro e fora das quatro linhas. Tanto é que, além dos 5 Ps citados, o time inova mais uma vez e traz o P de Plot para reforçar o seu time a partir de uma lógica básica: Se conseguimos lotar estádios, podemos lotar as salas de cinema também.
A grande questão, desta vez, é que se trata de uma história ficcional, ainda que, é claro, com pitadas de muitas histórias verdadeiras do clube. É comprar a pipoca e esperar pra ver o resultado dessa história dentre os mais de 30 milhões de espectadores em potencial. 


As empresas já perceberam que as pessoas estão consumindo informação de uma forma transmidia e muitas delas estão buscando desenvolver histórias que possam envolver seu público com o maior engajamento possível através do Transmídia Storytelling. Claro que pra isso você precisa de pessoas que possam entender bem cada um desses meios e é com essa premissa que a ESPM lançou um curso inédito.
Com o nome "As mídias do transmídia – como contar 4 atos em 4 formatos"  o curso - idealizado pelo Fernando Palácios - conta com 5 professores que vão ensinar como otimizar suas histórias e conectar cada uma delas em uma estratégia transmidia. Vejam as informações oficiais: 

Esse não é um curso sobre como criar e compor histórias. Esse é um curso para quem já tem suas histórias e quer saber como otimizar a forma de narrar histórias diante de diversas mídias e telas disputando a atenção de targets cada vez mais fragmentados. 

Seja uma apresentação de power point, seja um projeto milionário de branded content, saber explorar a potencialidade de cada mídia exige expertise técnico. Uma história contada por meio de um livro de romance pode ter reações completamente diferentes da adaptação para as telas do cinema.
Na ponta disso tudo está o conceito de transmídia, que é o pensamento de como orquestrar uma só história em diferentes narrativas que se espalham por diversos formatos. A indústria do entretenimento vem usando cada vez mais esse recurso. Chegou a hora das empresas e seus fornecedores desvendarem de uma vez por todas essa disciplina. Num mercado tão dinâmico surge a necessidade de se tornar um poliglota narrativo, ou seja, de entender e saber falar as diversas linguagens de uma história.


Conheça os professores do curso


FERNANDO PALACIOS
Um dos pioneiros de advertelling e branded content no Brasil. Inovou com muitos "primeiros": realizou o primeiro estudo acadêmico sobre storytelling e publicidade na América Latina, é co-fundador do primeiro escritório de Storytelling do País, implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e, finalmente, ministrou na ESPM-SP o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling. Desde então ministra palestras e cursos no Brasil e internacionalmente.
Atualmente é professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction. Desenvolveu dezenas de projetos de Storytelling que moldaram o setor, entre eles, O Mistério das Cidades Perdidas (Game Interativo Online, 2 milhões de usuários e finalista do Festival de Cannes, para Mini-Schin); As Filhas de Dodô (Transmídia com 2 peças teatrais, 1 filme, 2 talkshow, contos de apoio, para J.Macêdo); Virada Cinegastronômica (experimental e experiencial, 3 edições, evento proprietário); Os Donos da Noite (livro, para Absolut); Coletânea de Contos Corporativos (livro, para M.Dias Branco); Minha Aventura no Escuro (projeto de storytelling completo, para Animados Zôo).
Para experimentar inovações de conteúdos, desenvolve um projeto autoral onde narra a busca de um personagem pela Próxima Maravilha da Humanidade e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook. Esse projeto está produzindo uma obra de literatura, publicada aos poucos, através da plataforma digital Widbook e o primeiro capítulo já pode ser lido em www.widbook.com/a-nova-maravilha

THIAGO FOGAÇA
Thiago Fogaça é roteirista e professor de roteiro, formado na FAAP e na New York Film Academy com um Master of Fine Arts in Screenwriting. Tem experiência de leitura e análise de roteiros nas produtoras Broken Lizard (Beerfest e Supertroopers) e The Gotham Group (Spiderwick Chronicles e Coraline). Ensinou roteiro no Centro Universitário Senac, no Museu da Imagem e do Som MIS e na Escola Meliés de Cinema e Animação.
Atualmente faz coaching de Storytelling e Roteiro em produtoras de cinema e agências de publicidade, ensina na AIC (Academia Internacional de Cinema), na FAAP, no Colégio Oswald de Andrade e dá palestras no interior do Estado de São Paulo sobre Roteiro e Storytelling, no projeto Pontos MIS, além de escrever e revisar longas profissionalmente.

EDU MAGALHÃES
Eduardo Magalhães é Desenhista por natureza e pela formação em Design Gráfico pela Escola Carlos de Campos do Centro de Educação Tecnológica Paula Souza. Há mais de 10 anos atua como Diretor de Arte e Criação em agências de Live Marketing como Banco de Eventos, Grupo TV1, Super Produções e Samba.
Para complementar o mundo das imagens, Edu estudou as palavras. Cursou Letras na USP e faz questão de ler tudo o que cai na sua mão.
Foi professor de criação de um dos primeiros cursos sobre Live Marketing no Brasil, na Lemon School.
Colecionador, especialista e pesquisador de Histórias em Quadrinhos prepara-se para produzir sua primeira História em Quadrinhos autoral a ser publicada de maneira independente em 2015.

ALE SANTOS
Alexandre Santos é formado em Publicidade e Propaganda e pós-graduando em Marketing e Design Digital.
No twitter é conhecido por milhares de seguidores como O RPGista, fundador e editor do blog RPG Vale, eleito dentre os Top 3 no prêmio Top Blogs 2010, 2011 e 2012 na categoria blogs profissionais de games.
Redator e RPGista, sempre direcionou seus estudos para a comunicação no mundo dos games, sendo, inclusive, seu projeto de conclusão de curso um Advergame para propagação de cultura, história e educação ambiental no Vale do Paraíba. Lançou diversos contos e conquistou o respeito como mestre de RPG com suas dicas sobre criação de universos e roteiro para role playing game.
Recentemente participou como juiz da edição brasileira do Tomorrow Project, concurso de Ficção Científica promovido pela Intel, e também como autor convidado para a coletânea de contos oficiais do projeto. Atua como redator do jogo Living Card Battle Arena: Selene - The Fantasy e colabora com os blogs do Clube de Criação do Vale do Paraíba e com o Stories We Like. Atualmente elabora uma pesquisa acadêmica sobre organizações sociais em mundos sintéticos de MMORPG.

THIAGO IACOCCA
Thiago Iacocca é jornalista formado pela Puc-SP (2002), escritor e roteirista. Trabalha com criação e produção de conteúdo e eventos culturais. É autor dos livros Furta-cor (romance) e Meu avô italiano (infantil). Em 2008 criou a revista independente BETA, que dirigiu até o seu fechamento, em 2011 - iniciativa única no Brasil que deu voz a todos os envolvidos no processo de produção audiovisual nacional e internacional.
Trabalhou como editor de texto nas redações de jornalismo das emissoras Band e Record e atualmente está à frente do Estúdio Blu, produtora de conteúdo e incubadora de projetos culturais, colabora com revistas (Tpm, Audi Magazine, Personnalité), escreve storytelling para marcas e desenvolve pesquisas e roteiro para documentários, destacando-se uma série sobre educação que será dirigido por Luiz Bolognesi para a Buriti Filmes, enquanto finaliza seu segundo romance.

O curso tem como um de seus objetivos ensinar como otimizar o Storytelling ao selecionar o formato que melhor comporta cada parte da mensagem a ser transmitida. Para se inscrever basta acessar o link a seguir - http://www.espm.br/inovacao/curso.asp?cursoID=116



Eu não sei se sou só eu, mas ultimamente vejo que muitas histórias de sucesso na televisão têm três elementos básicos: sexo, violência (excessiva) e um mood meio dark.

Como assim?, você deve estar se perguntando. Pare e pense um pouquinho. Vou dar alguns exemplos de algumas séries de diferentes canais e temáticas para você refletir: Game of Thrones, Spartacus, Da Vinci’s Demons, The Walking Dead, Roma, The Tudors, Os Bórgias, Skins, Sex and the City, Smallville (nunca antes o Superman transou tanto), por aí vai...


             O que eu quero com isso não é falar mal de nenhuma dessas séries. Muito pelo contrário, inclusive porque gosto delas. O meu ponto é o interesse da audiência. O público parece pedir cada vez mais por ousadia nesses três pilares. A sociedade demanda sexo, violência e um ar sombrio para se entreter.

Lógico que isso não é geral. Existem exceções a esse formato muito boas por sinal. Mas, independentemente de qualquer coisa, esses três pilares acabam aparecendo uma hora ou outra para chamar a atenção da audiência. Até nas novelas da Globo a coisa está assim!

A partir daí proponho uma reflexão: será que são as histórias das séries que estão conduzindo o comportamento e a demanda do público, ou o é público que está conduzindo os enredos e as construções das histórias das séries? Estamos vivendo em uma sociedade voltada para sexualidade, violência e temas sombrios ou a ficção se limita a apelos da audiência?

Para ajudar nessa reflexão, vou pegar histórias infantis tradicionais e dizer como elas seriam se fossem criadas hoje para uma série televisiva. Você pode pensar nelas como readaptações ou ideias criadas da demanda da audiência, se preferir. Bom, vamos lá:



A Branca de Neve – Essa história é quase sem graça de servir como um exemplo já que os dois últimos filmes baseados nela deixam claro meu ponto de vista anterior, mas vou usá-la mesmo assim. A história da Branca de Neve fugir por causa da madrasta e etc... seria mantida. O que mudaria, na minha opinião, seria a relação dela com os anões, especialmente porque os anões em si seriam diferentes. Eles não seriam velhinhos ou engraçadinhos como no conto original ou na história da Disney. Eles seriam anões guerreiros, como os do Hobbit. E, assim sendo, a Branca de Neve se relacionaria amorosamente com algum deles. Aliás, não só com um, com dois anões de personalidades antagônicas, gerando uma disputa entre os anões. E, no final, um deles morreria enquanto o outro se tornaria seu príncipe encantado.




Chapéuzinho Vermelho – Outra história que ganhou milhares de readaptações. Mas se a história fosse criada para uma série de TV atual, eu teria uma outra ideia de como as coisas iriam funcionar. Chapéuzinho Vermelho seria uma caçadora de lobisomens sexy e feroz, e seu Lobo Mal seria um lobisomem com quem ela já tivesse transado. Eles teriam uma relação de amor, ódio e muito sexo, regada a combates na floresta e inimigos em comum.




A Pequena Sereia – Para uma série de TV, acredito que Ariel não iria se apaixonar por um príncipe em um navio, e sim por um pirata estilo Jack Sparow (bêbado, engraçado e mentiroso). Ela também não iria abdicar de sua vida de sereia por ele, mas ganharia poderes para ir à superfície como uma humana. Juntos, os dois viveriam aventuras no mar lutando contra monstros, enfrentando perigos e transando algumas vezes. Porém a temática central da série giraria em torno de Ariel tentando conquistar o amor de seu pirata, que também se sente atraído por ela, mas não sabe se consegue abdicar de sua vida boêmia.




A Bela e a Fera – Bela ainda seria aquela garota geek e estudiosa, enquanto Fera ainda seria uma criatura amedrontadora. O que iria acontecer de diferente é que justamente esse lado de Fera iria atrair Bela, como Risoletta e Aristóbulo em Saramandaia. A garota tímida e culta iria se soltar e revelar suas fantasias para a fera peluda. Após os dois primeiros episódios, Fera poderia voltar a se tornar humano, porém tendo o poder de se transformar em monstro assim que desejasse. Se você acha que isso nunca daria certo, pense na Saga Crepúsculo.






                              
Agora, pegue esses exemplos e pense:

1- Eu veria essas séries?
2- Eu conheço alguém que veria essas séries?
3- Eu acho que algumas dessas séries poderiam ser produzidas?
4- Eu acho que algumas dessas séries poderiam ser um sucesso de audiência?

Fica aberta a discussão.


Não é novidade a ninguém que o mercado editorial no Brasil é um tanto devagar em comparação ao resto do mundo. Em terras tupiniquins, bastam cerca de 15 mil exemplares vendidos para um livro figurar entre os mais vendidos. O que, em um território de mais de 200 milhões de habitantes, convenhamos, não é nem 0,01% de livros por habitante.
Agora, imagine anunciar um livro todos os dias para mais de 6 milhões de consumidores interessados na história? Esse é o caso de “Amor de Nicole”, o livro que o personagem e escritor Thales escreveu para sua falecida esposa Nicole, na novela “Amor à Vida”, da Rede Globo.

Na trama, o escritor tem problemas com a publicação do livro, e então decide publicá-lo por conta própria. Entretanto, esse problema não seria um problema se a Globo (que por sinal já possui uma editora) realmente publicasse e vendesse o livro para os seus espectadores, que somam mais de 35 pontos no Ibope.
Um exemplo disso é “Castle”. A série do canal ABC, que conta a história de um escritor que acompanha as investigações de um departamento policial e as escreve em livros, já rendeu mais de 10 livros “assinados” pelo protagonista, Richard Castle.
Se por um lado a venda de livros não é um forte no Brasil, as telenovelas fazem parte da cultura do brasileiro. Ainda que os 6 milhões de espectadores não comprassem a publicação, “Amor de Nicole” certamente teria potencial para entrar entre os best-sellers do país em pouco tempo. Por que não publicar e transmidiatizar a novela?




Fernando Palacios, um dos pioneiros de advertelling e branded content do País e co-fundador do Storytellers (primeiro escritório de storytelling do Brasil), foi convidado pela Fundação Arquivo e Memória de Santos para palestrar no VIII Seminário Regional de Memória, Arquivo, Biblioteca e Museu do Litoral Paulista e Vale do Ribeira.

Palacios irá apresentar a metodologia proprietária da “Topologia de Interesse”, que ajuda na identificação das melhores memórias. Segundo o professor, “o storytelling tem duas fontes de trabalho: imaginação e memória. E nessa segunda opção, o storyteller atua como uma espécie de arqueólogo de marcas. Ele explora todo o histórico da corporação em profundidade, até encontrar preciosidades, em informações, que podem gerar lucros incalculáveis”.

Cases de Julio Okubo, cujo resgate desvendou que foram eles que trouxeram a pérola para o Brasil, e de M. Dias Branco – cujo histórico de cada marca foi transformado em contos narrativos, que poderiam facilmente gerar uma antologia vendida nas melhores livrarias do Brasil – serão exibidos ao público em sua apresentação no próximo dia 7 de novembro, às 10h.

O VIII Seminário Regional de Memória, Arquivo, Biblioteca e Museu do Litoral Paulista e Vale do Ribeira ocorrerá nos dias 07 e 08 de novembro na sede da organizadora do evento, Fundação Arquivo e Memória de Santos, localizada na Rua Amador Bueno, 22, no Centro Histórico. 

Vamos falar um pouco sobre tendências.

Segundo Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, o período de tempo para a publicidade na internet ser maior do que na televisão será de 5 a 7 anos. Pesquisas recentes apontam que 75% dos profissionais de marketing nos EUA consideram a publicidade de um vídeo na web mais eficiente do que a clássica, na televisão. Na Inglaterra e em alguns outros países a internet já é o primeiro meio em termos de anunciantes. Assim sendo, vemos uma migração midiática tanto em termos de público como em termos de anunciantes para o universo digital. Isso é uma tendência que não deve ser ignorada.

O case Intel/Toshiba "Beauty Inside", vencedor de três Grand Prix de Cannes em 2013, é um ótimo exemplo a ser seguido sobre como se aproveitar da comunicação com o público via internet. “Beauty Inside” é uma web-série sobre um homem que acorda todos os dias em um corpo diferente e que relata sua rotina através de um computador Intel. A história é contada em filmes de 4 a 6 minutos no Youtube e seus atores foram escalados por audições pelo Facebook. Seu sucesso fica nítido diante de 300% de aumento em vendas, 70 milhões de exibições globais, 97% de aprovação no Youtube e 26 milhões de interações na web.






“Beauty Inside” traz também em pauta outra tendência. Segundo o Stylesight, um dos maiores institutos de pesquisa e análise comportamental mundial, em 2015 teremos uma macro-tendência chamada “Memória”. Essa tendência aponta uma natureza de conexão pessoal diferente. Conforme a tecnologia avança e domina espaços emocionais, histórias nossas heranças que farão de nós humanos. São elas que continuarão presentes, sendo recontadas de novo e de novo e de novo. Livros serão substituídos por tablets. A televisão pela internet. Os jornais e as revistas por blogs. E as histórias do passado serão recontadas no futuro de maneiras diferentes. 

Unindo essas duas tendências, que ironicamente são complementares, temos um caminho claro a ser trilhado: o de contar histórias no universo digital.