O “Primeiro de Abril” é, antes de tudo, um grande erro de tradução quando chamado de “dia da mentira”. Conhecido nos Estados Unidos como “April Fools”, lá e em diversos outros países de outras línguas este não é lembrado como um dia de mentir, mas sim de pregar peças, sacanear.
Segundo conta a história, o dia primeiro de Abril marcava o fim das festas de passagem de ano no calendário Juliano – junto à chegada da primavera na França. Foi aí que o rei Carlos IX determinou a mudança para o calendário Gregoriano, mudando o dia da passagem de ano para como conhecemos e comemoramos hoje. Em meio a essa mudança, se aproveitando dos mais desinformados, havia os que enviavam convites falsos a festas de passagem de ano no dia um de Abril. E assim surgiu a tradição do “Dia dos Tolos”.
Verdadeira ou mentirosa, ou ainda mais profundo que isso: real ou ficcional, essa versão da história nos parece passível de acreditar porque acima de tudo é convincente, relevante e principalmente condizente com os valores que a tradição do “Dia dos Tolos” quer transmitir. E assim também funciona com as histórias que as marcas querem contar.

Se a marca de roupas Hollister foi de fato fundada em 1922 por um aventureiro americano que se opunha a vida quadrada de seu pai ou se a primeira loja só passou a existir no ano 2000, 78 anos de ficção pouco importa se eles foram imaginados da mesma forma que o imaginário do consumidor funciona em relação aos produtos da marca.
Para os mais desconfiados que insistem em achar que histórias inventadas são mentiras bem como o “Primeiro de Abril” é o dia da mentira, a neurociência rebate e comprova que nosso cérebro é sim programado para inventar informações que não existem “realmente” conforme se faz necessário.

E que a tradução agora correta de “April Fools” para “Dia dos Tolos” nos sirva como metáfora pra entender que uma história ficcional de uma marca só é mentira quando é contada como se fosse dia primeiro de Abril, ou seja, fazendo o consumidor de tolo.



Se você já conhece o termo Storytelling ou se ainda quer entender como as marcas podem contar boas histórias, vai encontrar agora, um novo canal de discussão e informação sobre Transmidia e Storytelling. É o Storytellers On Air, um bate papo semanal com alguns convidados transmitidos ao vivo por Hangouts no Youtube.

Toda semana os participantes vão poder conversar sobre alguns conceitos que já foram apresentados neste blog, como os fundamentos ou como fazer storytelling.  Além de discutirem sobre obras do cinema, literatura e da TV.  No primeiro Hangout, no último dia 28, falamos sobre Game Of Thrones e rolou bastante spoilers,  análises de personagens e da sua narrativa. 



Os primeiros encontros por vídeo foram produzidos por Fernando Palácios, pioneiro do Storytelling no Brasil, que além de ser professor e ministrar diversos cursos e workshops voltados ao Storytelling, é fundador do primeiro escritório brasileiro dedicado aos Storytelling, a Storytellers Brand 'n' Fiction.
Como podem ver na vinheta acima, os hangouts acontecem toda Quinta a partir das 21h30 e vocês poderão participar de duas maneiras:
1 Assistindo por streaming direto do Youtube, por um link disponibilizado pelo twitter.com/storytell aonde você poderá interagir com perguntas e recados por bate papo. 
2 Participando do Hangout com uma câmera e microfone, mas para isso precisará curtir a página +Storytellers  no G Plus e estar online alguns minutos antes para a gravação.  
Vamos relembrar as informações:

Storytellers On Air

Data: Toda Quinta-Feira
Horário: 21h30
Local: Página da Storytellers no Google Plus e Youtube
G+ https://plus.google.com/b/112622540688821613645/112622540688821613645/posts
Site www.storytellers.com.br
Twitter twitter.com/storytell

Hoje é domingo de páscoa e como eu não posso oferecer chocolate para os leitores storytellers desse blog, decidi postar uma pequena seleção de easter eggs interessantes. Mas antes de qualquer coisa, o que é um "easter egg" mesmo?

Easter é aquele detalhe escondido em um narrativa, seja ela game, video, livro ou revista que o diretor ou o roteirista colocam lá só pros fãs enlouquecerem procurando essas pequenas coisas e depois se vangloriando aos amigos por terem sido os únicos a encontrá-las.

Vamos começar essa seleção com um recente easter egg de um experiente storyteller famoso por, de alguma maneira, conectar a maior parte das suas histórias através desses easter eggs.


O mestre Tarantino deixou muita gente curiosa com o seu segredinho em Django Livre, alguns fãs chegaram a acreditar que não tinha nenhum elemento ligando a história aos filmes anteriores, mas essa semana ele admitiu que o segredo estava lá, mas bem escondido em um personagem "pequeno" como ele mesmo diz. Captain Koon é um personagem interpretado por Chritopher Walken no filme Pulp Fiction e aparece modestamente em um dos papéis de procurados dos nossos queridos caçadores de recompensa em Django.

O próximo easter egg é famoso, mas curioso e também vem de alguém que nós estamos mais do que acostumados. A pixar revelou um easter egg no filme Up através da convocação judicial do adorável velhinho Carl. O número do documento é, na verdade, o código postal e San Carlos, California, a cidade da qual Bradford Lewis, produtor de Ratatouille e diretor de Carros 2, costumava ser prefeito.


E para finalizar vamos ao ovo de páscoa do senhor Dan Brown que guardou alguns de seus mistérios para os fãs antes mesmo de estourar na mídia com o Código da Vince. Na verdade em seu livro Ponto de Impacto, na contra capa era possível encontrar os números  "1-V-116-44-11-89-44-46-L-51-130-19-118-L-32-118-116-130-28-116-32-44-133-U-130." que quando substituídos (pelo menos é o que dizem) pela primeira letra dos capítulos correspondentes aos números a sequencia seria algo como "T V C I R H I O L F E N D L A D C E S C A I W U E" que ao ser organizado de uma maneira muito maluca forma a frase "The da Vince Code Will Surface" livremente traduzido "O Código Da Vince irá se revelar". 




Feliz Páscoa à todos!


O mundo mudou e as pessoas hoje em dia tem pouco tempo para o que não lhes acrescenta nada na vida. Vivemos na época da informação e por mais clichê que seja,não deixa de ser verdade e precisamos nos adaptar. A geração “Millenium” ou geração Y é ansiosa e empreendedora. Gasta horas do dia em busca de informação e novidades e é treinada para ter ideias que ajudem aos outros de alguma maneira. Busca oportunidades nas dificuldades, criando cada vez mais, produtos mais simples, estéticos e utilitários. É uma geração que discute o crowd e os movimentos sociais a partir de likes e shares, uma geração que vive on e off line, tudo ao mesmo tempo. Sempre cheia de sonhos cada vez mais ousados.



Com tantas telas em mãos não adianta mais tentarmos atacar o consumidor comprando espaços e forçando repetições nas mídias de massa, hoje, nossas estratégias devem ser mais cuidadosas e os investimentos devem ser feitos nas mídias certas para atingir as pessoas certas, afinal, quando entra o intervalo comercial eles não apenas mudam de canal, mas dão uma olhada no facebook no notebook enquanto respondem um whatsapp e quem sabe até twittam alguma coisa do tablet. A atenção se tornou o item mais desejado da comunicação e só há um jeito de se ganhar atenção: Seja interessante. 

No meu primeiro curso de storytelling eu fiquei encantado com a tecnologia de contar história para marcas pelo simples motivo de aquelas campanhas não se pareciam em nada com o intervalo comercial. Na verdade, se a coisa for bem feita, eu nem ligo pro fato de aquilo está me vendendo um produto, serviço ou ideia, eu assisto porque acho bonito, legal, interessante e quem sabe, se o produto for bom, fico até feliz por ter me divertido tanto com alguma coisa e ainda descobrir algo que vai mudar a minha vida de alguma maneira, mesmo que simples. Para mim é isso que o storytelling faz. Usamos histórias para criar conteúdo e informação que possa facilmente ser confundida com entretenimento, ou melhor, que seja, no final das contas, uma obra de entretenimento que também apresenta ao consumidor um produto e quem sabe, de bom humor e feliz, leve-o a comprar o que quer que seja que eu estou vendendo.


O storytelling me permite acreditar na possibilidade de criar campanhas publicitárias tão úteis ao consumidor quanto ao anunciante, transmitindo através da narrativa os valores e os princípios da marca, além das qualidades do produto, informando ao consumidor o que ele realmente quer saber sem que ele termine de ver a minha propaganda com a sensação de que gastou á toa aqueles minutos ou segundos da sua vida. O objetivo final é que o storytelling além de gerar vendas ao anunciante, seja parte de uma estratégia ainda maior de branding e fixação de marca e quem sabe se torne um produto cultural fazendo com que mesmo quem não se interesse imediatamente pelo produto anunciado sinta vontade de partilhar a experiência com os amigos, indicar o produto para alguém que vá se beneficiar mais do que ele mesmo com tal aquisição ou apenas reconhecer a marca como referência de mercado por ter lhe causado uma experiência maior do que uma lista de qualidades e frases motivacionais. 




O Simca Chambord possuía uma carroceria das mais luxuosas, com acessórios totalmente inúteis no Brasil. Suas linhas eram vistosas e os materiais usados no acabamento também.  Mas o carro tinha muitos defeitos; deles, o mais aborrecido era uma embreagem que patinava constantemente. Outros possuidores queixavam-se também de problemas na parte elétrica e, mais tarde, verificou-se que seus motores gastavam muito óleo. Assim, os primeiros Simcas foram apelidados de “Belo Antonio”, por causa de um filme exibido na época, cujo protagonista principal, Marcelo Mastroiani, era um homem bonito, requisitado por todas as mulheres, mas que na hora “agá “não funcionava”. Entre 1960 e 1961 a empresa ensaiou pedidos de falência. Só não aconteceu porque um herói entrou em cena...



Enquanto isso, na indústria do entretenimento uma revolução estava prestes a acontecer. No dia 3 de janeiro de 1962, foi ao ar o episódio piloto do primeiro seriado nacional. Era a história de um Vigilante Rodoviário e seu inseparável companheiro, o cachorro Lobo. Havia no ar um clima de apreensão, ninguém sabia se aquilo vingaria ou não. A audiência na época demorava dias para ser medida e só veio uma semana depois, anunciando: 33 pontos de audiência! No segundo episódio a audiência subiu para 55 pontos e não parou de subir, até que obteve 92% de audiência em São Paulo. Era oficial: o primeiro herói nacional era também o primeiro fenômeno nacional da TV brasileira.

No início do seriado, o Vigilante patrulhava as estradas com a moto Harley Davidson, sempre com o Lobo a tiracolo, sem problemas. Até o dia em que o cachorro queimou a pata no escapamento da moto e a partir de então ficou arisco. Não queria mais subir no veículo e teve que ser substituído por um boneco nas cenas... uma situação que não poderia durar muito. Aí que as histórias se cruzam.


O cão teria que sair da moto e entrar num carro. A produção não tinha dinheiro para isso, então negociou com a montadora que tinha mais automóveis em seu páteo. Mas ainda tinha um problema: com a fama do veículo, ninguém acreditaria que ele serviria para caçar bandidos. A solução foi no melhor estilo de Storyplacement: a estreia do Simca Chambord no seriado foi com o episódio O INVENTO, em que a trama começava com o fato de estar havendo muitos roubos de carros e, diante disso, o nosso Herói solicitou para que a Simca desenvolvesse um supermotor para a polícia. Eis que um engenheiro da Simca que era chantageado por bandidos que queriam os projetos do supermotor. No fim, o Vigilante Rodoviário salvou o dia. Duas vezes. Afinal, a Simca era só alegria: a série alavancou as vendas. A Simca teve que aumentar a produção para dar conta da demanda, as vendas cresceram e atingiram o ápice em 1964, o mesmo ano em que o seriado acabou. Com o fim do seriado as vendas diminuíram, mas deixaram a Simca numa boa posição para ser vendida.


Fontes: http://antigoshortolandia.jimdo.com/hist%C3%B3rias-antigomobilismo/
http://almanaque.folha.uol.com.br/quizes/vigilante.shtml