Esse post foi originalmente escrito para o grupo de Inovação em Storytelling e Transmídia no Facebook, onde sou um dos moderadores. Ele fez bastante sucesso por lá, então achei que também deve interessar por aqui.

FINALMENTE chegou o dia! Estava guardando esse Easter Egg (conceito aqui: www.storytellers.com.br/2013/03/storytelling-e-ovos-de-pascoa.html) para uma ocasião especial: o dia que alguém acertasse a pergunta da minha apresentação...

Depois de mais de mil alunos das mais diversas idades e profissões, em diversos estados e países, pela primeira vez alguém acertou do que trata a história do Aladdin da Disney.

Para celebrar esse acontecimento histórico, vou contar o Easter Egg reservado para esse momento: pois é, o mercador do começo da história é ninguém menos do que o próprio gênio que, ao final da história, depois de ter sido liberto, passou a viajar o mundo para perpetuar a história do seu libertador.

Coloquei uma imagem para ajudar na identificação. Vamos às evidências: o gênio é um shapeshifter, ou seja, ela pode assumir qualquer forma... se ele vira desde uma abelha até uma ovelha, por que não poderia virar um humano?

Além disso, o gênio e o mercador são os únicos personagens da história que possuem somente 4 dedos, a barbicha em forma de gancho e vestem o cinturão vermelho.

Se isso não for suficiente para provar o ponto, eles também são os únicos personagens "entertainers", dotados de um ar cômico, e somente eles falam diretamente com a audiência.

Se ainda precisar de mais evidências, então assista novamente o filme e repare que no final, depois de liberto, o gênio toma a lâmpada das mãos do Aladdin, continua com seus poderes, e finalmente se despede e vai embora.




De tempos em tempos surge uma notícia de um livro que vai virar filme, de um filme que vai virar livro, de uma série que vai virar filme ou até de um canal do Youtube, como o “Porta dos Fundos”, que recentemente anunciou que vai para as telonas. A verdade é que quando se trata de uma boa história ela permite ser contada das mais diversas maneiras.
A novidade da vez é o filme “Faroeste Caboclo”. Com direção de René Sampaio, como sugere o título, ele conta a história de João de Santo Cristo, escrita e eternizada na voz de Renato Russo nos anos 90 e reconhecida como o “épico brasileiro”.
A história dispensa apresentação. A partir de cerca de 9 minutos de música, o grande desafio do filme em termos de storytelling sem dúvida foi transformar estes minutos de “telling” da música em mais de uma hora de filme na história contada nos cinemas sem desafinar.
Aos olhos dos fãs da Legião Urbana que têm os 168 versos na ponta da língua, a produção é ao mesmo tempo uma ousadia e um desejo de longa data que só saberemos o resultado a partir do dia 30 de maio. Mas no que se refere a storytelling, eis um exemplo bastante didático e também diferente do que estamos acostumados da distinção entre o “story” (o universo de João de Santo Cristo) e o “telling” (a música de Renato e agora o filme de René).





Merlin lutou contra todo um oceano cheio de ameaças para encontrar seu filho. Nemo foi levado de sua casa para dentro de um aquário em um consultório de dentista. Nós já nos divertimos e nos emocionamos com a história de separação e reencontro desses dois peixinhos, mas enquanto assistíamos a essa jornada, nos sentindo tão perdidos e ameaçados, por tubarões e florestas de água-viva, quanto o nosso herói Merlin, alguma outra coisa aconteceu. Alguma coisa iluminou essa história e de alguma maneira preencheu o vazio azul do fundo do mar com um tom de diversão. Sim, meus amigos, eu estou falando na peixinha mais querida das telonas, Dory.


Essa semana a Pixar anunciou o filme Procurando Dory, uma animação inteiramente dedicada as aventuras e conflitos de um personagem que roubou a cena e a atenção por muitos momentos no já conhecido Procurando Nemo. A minha primeira pergunta ao ver essa notícia foi: porque a Dory? 

Bom, nós falamos algumas vezes aqui no blog sobre o processo de criar um personagem, eu acho até que já mencionei a importância de um protagonista para nos emprestar seus olhos e nos levar para o seu mundo como ele mesmo o vê, o que eu acho que ainda não comentei é que às vezes, um personagem pede para seguir o seu próprio caminho. 

Nós, então, não temos muita opção a não ser ceder o instinto storyteller e seguir em mais uma aventura, às vezes, só para ver no que vai dar. A Dory demorou para cair na boca do povo, aliás, se você pensar bem pode acabar se lembrando de que "P. Sherman, 42, Wallaby Way, Sydney" e "Just keep swimming" ficaram muito mais famosas do que qualquer frase professada por Merlin ou Nemo. A falta de memória também ajudou a humanizar o personagem, afinal, quem nunca saiu de casa sem as chaves, ou esqueceu a carteira na mesa do restaurante? A verdade é que todos sabemos a agonia do esquecimento, por melhor que sejam nossas memórias. 

Mas a Dory não é a primeira a ganhar o seu espaço no sol depois de aparecer como companheira na aventura de outros personagens, eu nem vou falar de Star Wars, afinal é difícil contar quantos personagens da saga conseguiram ganhar suas próprias narrativas. A Pixar e a Disney não desperdiçam bons personagens, de Aladin nós ganhamos os filmes do Jafar, os queridos Timão e Pumba já viraram série de desenho animado. Enfim, é bom sabermos que a história que não contamos em nossas narrativas podem se tornar boa oportunidades de expandir um universo e aumentar ainda mais a sua visibilidade. 





O “Primeiro de Abril” é, antes de tudo, um grande erro de tradução quando chamado de “dia da mentira”. Conhecido nos Estados Unidos como “April Fools”, lá e em diversos outros países de outras línguas este não é lembrado como um dia de mentir, mas sim de pregar peças, sacanear.
Segundo conta a história, o dia primeiro de Abril marcava o fim das festas de passagem de ano no calendário Juliano – junto à chegada da primavera na França. Foi aí que o rei Carlos IX determinou a mudança para o calendário Gregoriano, mudando o dia da passagem de ano para como conhecemos e comemoramos hoje. Em meio a essa mudança, se aproveitando dos mais desinformados, havia os que enviavam convites falsos a festas de passagem de ano no dia um de Abril. E assim surgiu a tradição do “Dia dos Tolos”.
Verdadeira ou mentirosa, ou ainda mais profundo que isso: real ou ficcional, essa versão da história nos parece passível de acreditar porque acima de tudo é convincente, relevante e principalmente condizente com os valores que a tradição do “Dia dos Tolos” quer transmitir. E assim também funciona com as histórias que as marcas querem contar.

Se a marca de roupas Hollister foi de fato fundada em 1922 por um aventureiro americano que se opunha a vida quadrada de seu pai ou se a primeira loja só passou a existir no ano 2000, 78 anos de ficção pouco importa se eles foram imaginados da mesma forma que o imaginário do consumidor funciona em relação aos produtos da marca.
Para os mais desconfiados que insistem em achar que histórias inventadas são mentiras bem como o “Primeiro de Abril” é o dia da mentira, a neurociência rebate e comprova que nosso cérebro é sim programado para inventar informações que não existem “realmente” conforme se faz necessário.

E que a tradução agora correta de “April Fools” para “Dia dos Tolos” nos sirva como metáfora pra entender que uma história ficcional de uma marca só é mentira quando é contada como se fosse dia primeiro de Abril, ou seja, fazendo o consumidor de tolo.



Se você já conhece o termo Storytelling ou se ainda quer entender como as marcas podem contar boas histórias, vai encontrar agora, um novo canal de discussão e informação sobre Transmidia e Storytelling. É o Storytellers On Air, um bate papo semanal com alguns convidados transmitidos ao vivo por Hangouts no Youtube.

Toda semana os participantes vão poder conversar sobre alguns conceitos que já foram apresentados neste blog, como os fundamentos ou como fazer storytelling.  Além de discutirem sobre obras do cinema, literatura e da TV.  No primeiro Hangout, no último dia 28, falamos sobre Game Of Thrones e rolou bastante spoilers,  análises de personagens e da sua narrativa. 



Os primeiros encontros por vídeo foram produzidos por Fernando Palácios, pioneiro do Storytelling no Brasil, que além de ser professor e ministrar diversos cursos e workshops voltados ao Storytelling, é fundador do primeiro escritório brasileiro dedicado aos Storytelling, a Storytellers Brand 'n' Fiction.
Como podem ver na vinheta acima, os hangouts acontecem toda Quinta a partir das 21h30 e vocês poderão participar de duas maneiras:
1 Assistindo por streaming direto do Youtube, por um link disponibilizado pelo twitter.com/storytell aonde você poderá interagir com perguntas e recados por bate papo. 
2 Participando do Hangout com uma câmera e microfone, mas para isso precisará curtir a página +Storytellers  no G Plus e estar online alguns minutos antes para a gravação.  
Vamos relembrar as informações:

Storytellers On Air

Data: Toda Quinta-Feira
Horário: 21h30
Local: Página da Storytellers no Google Plus e Youtube
G+ https://plus.google.com/b/112622540688821613645/112622540688821613645/posts
Site www.storytellers.com.br
Twitter twitter.com/storytell