Sempre falamos da influência do Storytelling no consumo, mas hoje vamos ver um outro ângulo desse impacto.

As grandes histórias, aquelas que entram para o tecido cultural da sociedade, possuem um poder incomparável: gerar um código próprio de comunicação. 

As pessoas se apropriam do universo simbólico e passam a usá-lo. Um anúncio demonstra o processo de forma genial.



Às vezes isso pode significar mais vendas de um produto, mas em alguns casos específicos o uso é muito mais revolucionário. Um dos casos mais emblemáticos é o V de Vingança.

Alguém desavisado pode até achar que ele está sorrindo. 

O caso mais recente está ligado à saga Jogos Vorazes. O que começou como uma história distópica quase boba, acabou tomando proporções grandiosas. O primeiro efeito foi inaugurar uma nova era de distopias como Divergente e Maze Runner.

A história de Jogos Vorazes é a seguinte: depois de um apocalise nuclear, o mundo viveu um caos até que um grupo conseguisse se organizar em uma nação chamada Panem. Com pouco pão para os pobres e muito circo para a elite, houve uma rebelião. O símbolo dos rebeldes é aquele da foto no começo do texto: o braço erguido com três dedos unidos. A rebelião foi abafada e como medida disciplinar, os estados rebeldes devem entregar dois jovens anualmente. Eles são chamados de tributos, porque é como se fossem lançados ao vulcão: serão colocados em um coliseu moderno onde duas dúzias de jovens irão lutar até a morte. O sucesso de vendas foi espantoso.

Parte do fenômeno editorial pode ser explicado por aquilo que alguns autores chamam de "conjuntuta" e outros mais poéticos colocam como "espírito da época".

Apesar de se passar em um futuro distante, Jogos Vorazes conversa perfeitamente com o contexto social em que vivemos. Panem é composto por uma rica capital cercada por doze distritos pobres. É só visualizar Brasília e suas cidades-satélites. Por essas e por outras, é fácil de traçar o paralelo com a realidade.

Não é por acaso que os manifestantes na Tailândia estão usando o mesmo gesto contra o regime militar que recentemente derrubou o rei.


Nada mais providencial do que esse movimento justamente agora, que o terceiro filme da saga chega aos cinemas. A tela inspira a revolução e os gestos divulgam o filme como se fosse uma invejável ação de marketing de guerrilha.

Não é por menos que a primeira coisa que os ditadores fazem é aplicar a marca registrada das épocas de trevas: queimar os livros. Mas nem as grandes fogueiras dos soldados de Hitler ou dos bombeiros de Fahrenheit 451 são capazes de acabar com as histórias.

como ensina o mascarado de V de Vingança, as ideias e as histórias são à prova de balas. 

O código secreto das grandes narrativas

O fenômeno vai muito além de Jogos Vorazes e V de Vingança. Estamos falando de algo mais profundo: quando uma história transcende o entretenimento e vira tecnologia de transformação social.

E aqui está o insight que a maioria perde: as corporações que entendem esse mecanismo não vendem produtos. Vendem movimentos.

Por que três dedos erguidos viraram resistência global?

Não é coincidência que o gesto de Jogos Vorazes tenha sido adotado em:
Protestos na Tailândia (2014-2020)
Manifestações em Myanmar (2021)
Movimentos estudantis na China (2022)
Protestos no Irã (2023)

O segredo está em três elementos:

  1. Simplicidade executável - Qualquer um pode fazer
  2. Significado carregado - Representa resistência, solidariedade, esperança
  3. Origem narrativa - Vem de uma história que todos conhecem

O mapa histórico: quando ficção vira realidade

1984 de Orwell: A profecia autorrealizável
"Big Brother está te observando" não era apenas uma frase do livro.
Virou o alerta global sobre vigilância.
Hoje, quando denunciamos câmeras excessivas ou invasão de privacidade, usamos "orwelliano" como adjetivo. A narrativa criou a linguagem para criticar a própria realidade que previu. É um meme analógico. Viral antes da internet.

Star Wars: Rebeldes vs. Império
Por que manifestantes em Hong Kong tocavam a marcha imperial quando a polícia chegava?
Porque Star Wars forneceu o vocabulário simbólico universal para opressão vs. resistência.
Não precisam explicar. Todos entendem quem é o Império.

Harry Potter: A geração que cresceu resistindo
"Dumbledore's Army" virou modelo para grupos de ativismo juvenil.
"Não devemos temer o nome das coisas" virou lema contra censura.
A cicatriz em forma de raio? Símbolo de sobrevivência e resistência.
Uma geração inteira aprendeu a questionar autoridade através de uma história sobre bruxos.

O mecanismo psicológico: por que funciona?

1. Identificação sem exposição
Usar um símbolo de ficção é mais seguro que criar um novo.
"Não é política, é só uma referência pop."
Até que todo mundo entenda que é, sim, política.

2. Comunidade instantânea
Ver alguém fazendo o gesto cria conexão imediata.
Você não está sozinho. Você faz parte de algo maior.
É tribalismo narrativo em ação.

3. Narrativa compartilhada
Todos conhecem a história. Sabem como termina.
Os rebeldes vencem.
Isso não é detalhe. É programação mental coletiva.

Quando marcas entenderam o código

Nike: Just Do It
Não é um slogan. É uma filosofia de vida.
Criou uma tribo global de pessoas que "simplesmente fazem".
Atletas? Não. Qualquer um enfrentando um desafio.
Vendas em 1988: US$ 800 milhões
Vendas em 1998: US$ 9,2 bilhões
Coincidência? Não quando você vende coragem, não tênis.

Apple: Think Different
"Pelos loucos. Pelos desajustados. Pelos rebeldes."
Jobs não vendia computadores. Vendia revolução criativa.
Cada Mac comprado era um voto contra o status quo.
Resultado: A empresa mais valiosa do mundo não vende produtos. Vende identidade rebelde.

Red Bull: Te dá asas
Começou como bebida energética.
Virou sinônimo de superar limites.
Patrocina apenas esportes radicais. Por quê?
Porque vende a narrativa de transcender o impossível.

O erro fatal: tentar forçar símbolos
Pepsi e Kendall Jenner (2017)
Tentaram se apropriar de símbolos de protesto.
Uma modelo rica resolvendo tensões raciais com refrigerante.
Resultado: Retirada do ar em 24 horas. Pedido de desculpas público.

Por que falhou?
Símbolos narrativos não podem ser fabricados.
Devem emergir organicamente de histórias autênticas.
Autenticidade não se compra. Se conquista.

Como criar narrativas que geram símbolos (sem parecer forçado)

1. Comece com verdade, não com marketing
Patagonia: "Não compre esta jaqueta"
Parece contrassenso? É honest storytelling.
A narrativa: consumo consciente acima do lucro.
O símbolo: Usar Patagonia = ativismo ambiental

2. Deixe a comunidade se apropriar
Harley-Davidson nunca disse "seja rebelde".
Mas criou uma narrativa de liberdade na estrada.
Os clientes criaram os símbolos: tatuagens, patches, rituais.
A marca apenas forneceu a mitologia base.

3. Consistência obsessiva
Star Wars mantém a mesma narrativa há 45 anos.
Bem vs. mal. Escolha vs. destino. Esperança vs. tirania.
Símbolos precisam de tempo para maturar no inconsciente coletivo.
O futuro dos símbolos narrativos

A lição suprema para líderes e marcas
Você não controla os símbolos que cria.
Mas pode plantar as sementes narrativas certas.
J.K. Rowling não previu que Harry Potter viraria manual de resistência.
Suzanne Collins não imaginou manifestantes usando o gesto de Katniss.
Mas ambas criaram narrativas profundas o suficiente para transcender suas páginas.

Como aplicar isso no mundo corporativo

Para líderes:
Sua visão corporativa precisa de uma narrativa, não apenas de números.
Pergunte-se:

Qual história estamos contando?
Que símbolos emergem naturalmente dela?
Como nossa comunidade pode se apropriar disso?

Para marcas:
Pare de tentar criar "viral". Crie mitologia.
Foque em:

Narrativas que ressoam com verdades universais
Símbolos simples mas carregados de significado
Histórias que empoderam, não apenas vendem

Para movimentos:
A melhor resistência é uma boa história.

Lembre-se:
Ditaduras temem narrativas mais que armas
Símbolos viajam mais rápido que manifestos
Histórias sobrevivem quando pessoas não

O paradoxo final
As melhores narrativas corporativas não parecem corporativas.
Parecem movimentos. Causas. Revoluções silenciosas.
Porque no fundo, toda grande marca é uma história de transformação.
Todo grande líder é um contador de histórias.
E toda grande mudança começou com alguém dizendo: "E se...?"
A revolução narrativa já começou

Enquanto você lê isso:
Alguém está usando um símbolo de ficção para protestar
Uma marca está virando movimento sem querer
Uma história está mudando como pessoas veem o mundo
Uma agência, a  Storytellers, está ajudando líderes e marcas a construir histórias que não apenas vendem, mas transformam.

Descubra o poder simbólico da sua narrativa e como sua história corporativa pode gerar movimento. Afinal, as melhores revoluções começam com as melhores histórias.

Fernando Palacios estuda há 15 anos como narrativas comerciais se tornam fenômenos culturais. Este artigo é parte da série "O Poder Oculto do Storytelling". Esse post tem muitas influências de Mauro Palacios, CEO da Twist



Jogos não são filmes. A sua proposição é outra e a experiência que tentam transmitir também.  Mesmo assim alguns ainda pretendem se aproximar da intensidade do drama existente no cinema.  O drama é um outro possível mundo real, na tela da TV vemos ele acontecer sem nos envolver, apenas sentindo a empatia pelos personagens.

Entre os gêneros de games o que mai se aproxima disso, sem dúvida é o FPS: Firts Person Shooter. É o que diz Lucien Soulban Lead Writer, Ubisoft Montreal (FC 3: Blood Dragon, Far Cry 3, Deus Ex: Human Revolution, Rainbow 6: Vegas, Dawn of War) em um dos livros da IGDA

Todos os jogos permitem controlar e manipular o ambiente em diferentes graus, mas quase nenhum outro gênero de jogos de vídeo você cai mais perto da ação do que um FPS. FPS é mais do que colocar o jogador dentro da cabeça do protagonista... Sua adrenalina é adrenalina do personagem, seu coração dispara como o do personagem. E, às vezes , até mesmo o inverso é verdadeiro .


Isso porque na maioria dos casos você está em meio a uma guerra, balas voando por todos os lados - você pode ouvi-las recocheteando ou raspando sua orelha.  Explosões surgem e em meio a tudo você tem uma missão.  Escrever para um FPS necessita relevar todos os aspectos que envolvem o gênero, nele o meio é a mensagem - como uma narrativa integrada. 

Lucien ainda afirma que "Gêneros tem certas regras a serem seguidas , e o sucesso da história não é somente o quão bem você entender essas regras, mas o quão bem você pode jogar com elas." 

Pra quem ainda não tem ideia de tudo isso, basta assistir algum gameplay. Vou indicar um bem bacana. Apreciem!


O storyteller deve sempre estar consumindo histórias e exercitando sua arte para se aprimorar cada vez mais.

Um excelente exercício é identificar estruturas narrativas dentro das histórias ao consumí-las. Recentemente o Netflix disponibilizou no catálogo brasileiro o curta "Toy Story of Terror" uma pequena história sobre os brinquedos mais amados da Disney que passam por uma situação aterrorizante durante uma viagem na companhia de sua nova dona.

Além de apresentar estruturas básicas da narrativa clássica em pouco mais de 20min, o que torna mais fácil do espectador identificá-las, temos um personagem que fica pontuando a todo momento algumas ferramentas-chave do cinema de terror.

Uma ótima oportunidade para se exercitar e consumir entretenimento de qualidade ao mesmo tempo! o/



“O que é ser um Storyteller?” – Essa é uma das poucas questões capazes de me fazer parar no meu ofício diário de costurar histórias. Como uma legítima questão existencial para mim, é uma questão difícil de responder, assim, de pronto.


É claro que existe uma série de respostas prontas para questões como essa. Mas as medidas prontas nunca vestiram muito bem um Storyteller acostumado a cortar e costurar as tramas, como eu. Isso porque o Storytelling, esse que se escreve com o S capitular, está muito mais para a alta-costura do que para uma produção têxtil industrial.





Quando falamos de estrutura de narrativas a primeira e mais famosa que vem a nossa  mente é sem dúvida a Jornada do herói do norte-americano Joseph Campbell.  Apesar de funcionar bem conectando os conflitos do personagem ao leitor ela não é a única que existe.

Em 1928 o teórico russo Vladimir Propp, publicou "A Morfologia dos Contos de Fadas", na qual estabelecia os elementos narrativos básicos que ele havia identificado nos contos folclóricos russos.

Basicamente, Propp identificou 7 classes de personagens ("agentes"), 6 estágios de evolução da narrativa e 31 funções narrativas das situações dramáticas.

 As classes de personagens arquetípicas e podem ser a base para construção desses contos. Também podemos fazer um paralelo entre eles e algumas figuras importantes da jornada descrita por Campbell como o mentor. Veja as 7 classes de “agentes”:

Os personagem são divididos segundo sua esfera de ação:
1ª Esfera – O Agressor – o que faz mal;
2ª Esfera – O Doador – o que dá o objeto mágico ao herói;
3ª Esfera – O Auxiliar – que ajuda o herói no seu percurso;
4ª Esfera – A Princesa e o Pai – não tem de ser obrigatoriamente o Rei;
5ª Esfera – O Mandador – aquele que manda;
6ª Esfera – O Herói;
7ª Esfera – O Falso Herói.

Já as 31 funções narrativas das situações dramáticas podem ser vistas nesta tabela (em inglês) abaixo:




Pra saber mais, sugiro que procurem a obra original conhecida no Brasil como "A morfologia do conto maravilhoso" - mas aviso que não é uma edição tão fácil assim de encontrar nas livrarias.

Vasillisa and the Baba Yaga by Biffno



Abaixo trecho da matéria publicada na Revista da Administração. 

Contar histórias é uma aptidão inata do ser humano, desde que começamos a passar adiante nossas experiências em caçadas e a buscar explicações para o que nos acontecia. Seja no boca a boca ou pintando pessoas e animais em paredes de cavernas, criar narrativas faz parte de nossa natureza enquanto indivíduos. Com a evolução da comunicação e dos relacionamentos, tornou-se necessário aprimorar tal habilidade. Dentro do universo corporativo, essa prática tem o nome de storytelling. Os enredos, personagens e conflitos presentes em nossos cotidianos ganham força com uma narrativa apropriada e pensada com antecedência.

As nuances e a influência direta do ambiente corporativo sobre a vida das pessoas proporcionam conteúdo inesgotável de acontecimentos e vivências dignas de “causos”. “Dentro do público interno e através das próprias experiências na corporação, os líderes conseguem inspirar e fazer com que as pessoas não repitam erros, analisar o que deu certo ou mesmo ajudar os analistas a tornar tangíveis os projetos atuais”, afirma o professor da ESPM Fernando Palacios.

Para ter acesso ao conteúdo completo, acesse aqui







Desvendando o Storytelling
Como utilizar a habilidade de contar histórias para inovar?

O que é?

Contar histórias não é algo novo. Fazemos isso desde as eras mais remotas e ao longo desse período, pela experiência, aprendemos: histórias agradam, entretêm e tornam-se inesquecíveis (as boas, claro). 

Quer que um fato seja lembrado? Embale-o numa história. Você terá 20 vezes mais chance de ter sucesso. Palavra do grande psicólogo norte-americano Jerome Bruner.

Ok, e por que eu deveria fazer o curso? Porque você vai aprender a contar história com quem entende disso: a indústria que vive de contá-las. E nesse marzão de informação que vivemos, quem precisa ser mais atraente e eficaz ao transmitir uma ideia, fazer uma apresentação, vender um produto ou serviço? Eu, você, a startup, a grande empresa e qualquer outra pessoa ou instituição que você quiser inserir aqui __________.

Se você precisa de mais algum motivo, lá vai: esse curso, com esse formato, já foi apresentado em universidades internacionais como a PUC do Peru e a Universidade da Beira Interior em Portugal, e nas maiores empresas e agências de publicidade do Brasil.

Como vai ser?
O curso é dividido em 7 módulos + LAB:

1. Storytelling, a grande inovação: De onde veio, por que surgiu, o que é e como usar Storytelling. Por que se tornou uma tendência no mundo corporativo e como empresas e agências podem se beneficiar disso.

2. Storytelling em apresentações: como transformar um .ppt em uma performance inesquecível.

3. Storytelling corporativo: a evolução possível do storytelling dentro das organizações e como tem ajudado os executivos a otimizarem seus principais atributos: liderança, engajamento e viralização. 

4. Storytelling e Branding: como as marcas podem ganhar personalidade a ponto de se tornarem verdadeiros personagens.

5. O Story do Storytelling: como compor uma história realista capaz de englobar tudo aquilo que se quer e que se precisa dizer.

6. O Telling do Storytelling: como contar a sua história da forma mais intrigante possível e fazer com que seja adotada por uma cultura.

7. Transmídia Branded Content: como planejar a distribuição da história em diferentes veículos de forma orquestrada e harmônica.

LAB: hora de colocar a mão na massa e mostrar que aprendeu.

Quem é o mentor?

Fernando Palacios é um dos pioneiros de advertelling e branded content no Brasil. Co-fundador do primeiro escritório de Storytelling no Brasil. Inovou implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling na ESPM. É formado na USP, onde defendeu o primeiro estudo acadêmico sobre o tema Storytelling. Desde então ministra palestras e cursos no Brasil e internacionalmente. Atualmente é professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction. Como um laboratório de conteúdos, seu projeto pessoal narra a busca de um personagem pela Próxima Maravilha da Humanidade e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook.

Carga horária?
7 horas

Quando?
29 de Novembro. Das 10h às 18h30.

Quanto vou investir?
Até dia 14/11 – R$380
A partir do dia 15/11 – R$430

E a forma de pagamento?
Transferência bancária, boleto ou cartão de crédito.

Ficou alguma dúvida?
Estamos aqui: cursos@coolhow.com.br

Fechou, quero fazer. Qual é o próximo passo?
Vamos lá. Basta fazer sua inscrição aqui:http://www.coolhow.com.br/cursos/storytelling/


"O diálogo é a arena do Drama." - Newton Cannito 

Falar de diálogos é falar de drama. No cinema é através dele que a narrativa corre e vai revelando as ações e reações que envolvem os personagens.  Muitas vezes temos apenas um ponto de vista: o de espectador. 

Dentro desse ponto de vista o que escutamos pode estar carregado de paixão, ódio, ironia ou qualquer outro sentimento que vai fazer nos apegarmos a trama.  Mas vamos falar agora de narrativas interativas, as presentes em jogos.  Dentro delas é possível desconsiderar totalmente o papo com aqueles personagens não jogadores (NPCs)  e passar uma vida, talvez duas, se aventurando em busca de conquistas, ranks e coisas mais voltadas para o gameplay. 

Então quando você está uns níveis acima, resolve por acaso interagir com aquele cara que estava a frente do castelo desde que iniciou sua jornada e ele solta uma resposta como: Olá jovem, vejo que está muito mais forte do que a primeira vez que te encontrei... logo será um grande guerreiro.

Pronto! Sua experiência foi amplificada (mesmo que minimamente), porque o jogo criou com isso a sensação de quem alguém acompanha sua evolução e te valoriza por isso.
Esses diálogos, quando bem feitos, ajudam a dar consistência ao seu game world e poderão transferir para os jogadores a sua mesa a sensação de que estão realmente construindo um herói. Isso pode acontecer da forma mais simples possível como aquele guarda da torre que nunca falou uma palavra e sempre te olhou com desprezo depois que você retorna como paladino da cidade te dá uma saudação esperançosa.  As dicas pra criar diálogos proveitosos são simples:

  • Faça com que a reputação e a história dos personagens tenha influência em como os NPCs tratam ele ;
  • Modifique os diálogos dos mesmos NPCs a medida que o personagem evoluir ou não (quando retorna pra sua cidade após uma ou duas aventuras quem sabe aquele garoto franzino não seja considerado um pouco agora, mas só um pouco afinal ainda não se tornou um herói);
  • Sempre que puder planeje mais de uma resposta para a mesma situação e apresente-as de acordo com as ações do jogador; 
  • Escreva realmente os diálogos (pode parecer chato ou que ninguém vai ler, mas são importantes)
  • Conheça seus NPCs, eles tem história também e origens... apenas conhecendo a sua personalidade seus diálogos ganharão veracidade. 
A série Dragon Age é um belo exemplo de bons diálogos. É possível acompanhar papos engraçados ou tensos com os seus companheiros de viagens. 

Há algum tempo preparei aqui uma série de postagens sobre telenovela. Entre críticas, elogios e análises, uma máxima permaneceu por todos os capítulos da minha série: Gostemos ou não, o formato de história que é a cara do Brasil ainda é a telenovela. Assim como no futebol – onde não será um sete-a-um que tirará a essência criativa do nosso futebol da rua e dos pés descalços – é inviável pensar que a novela vai deixar de ser a cara do Brasil.

“A novela para o público brasileiro tem a mesma importância que Hollywood tem para o público americano.” – Euclydes Marinho


A tevê chegou ao Brasil em 1950. Não demorou muito, no ano seguinte, a primeira novela estreiava nas telinhas brasileiras: “A sua vida me pertence”, de Walter Foster. Se naquela época a novela era encenada ao vivo, de lá para cá muita coisa mudou no principal gênero da teledramaturgia brasileira, mas a sua essência inspirada nos folhetins de jornais e nas rádionovelas perdura até hoje.
Mas onde o mundo corporativo e publicitário entra nisso?

“O teatro é a arte, principalmente, do ator, o cinema é do diretor e a televisão do patrocinador.” – Paulo Autran

Fazer uma telenovela é, sem dúvidas, um grande desafio. Se produzir um longa-metragem de 90 minutos por ano, à la Woody Allen, já é trabalho árduo, que dirá então produzir um capítulo de 45 a 60 minutos por dia, à la novela das nove. Em meio a tudo isso é que entra quem sustenta todo esse modelo: os patrocinadores.

Quando o assunto é inserção de marcas em novelas a gente logo pensa no “merchã” da Globo. É o protagonista que pausa o desenvolvimento da sua história para tirar um extrato no Itaú. É a personagem que dá a dica do novo creme da Dove para a amiga. Cenas que, se cortadas do roteiro, pouco fazem diferença para a história.

É verdade que, de uns tempos para cá, tanto pelo lado da emissora quanto pelo lado dos anunciantes, esforços tem sido feitos para inserir melhor as marcas nas tramas. É o caso de brilhantes inserções como a do Sr. Bauducco em Jóia Rara, ou a de Lupo em Avenida Brasil.

Entretanto, se o Brasil é de fato a referência no gênero de telenovela, “a arte do patrocinador”, para o mundo; muito ainda falta para que suas inserções também sejam referência Brasil afora. E isso passa, com certeza, pela abertura dos diretores e autores de novela e pela audácia dos anunciantes que patrocinam. Esse é o caminho para que o merchandising evolua para o legítimo storytelling na telenovela brasileira.


*O conteúdo desse post agradece a dois cursos: a palestra do Fernando Sahb no curso de Inovação em Branded Content da ESPM; e ao curso de Memória Televisiva e História da Telenovela Brasileira, ministrado pelo professor Julio Cesar Fernandes, no MIS.


Post publicado primeiramente no portal da AmCham
Entre inúmeras cenas polêmicas, a série de TV Game of Thrones, produzida pela HBO, tem muito para ensinar às empresas sobre estratégias de marca. Para Fernando Palacios, diretor da Storytellers Brand’n’Fiction e palestrante no comitê estratégico de Marketing da Amcham, em 29/10, a série inspirada na saga As crônicas de gelo e fogo, de George Martin, é um exemplo de narrativa para engajar o público.
“Sua capacidade de fidelizar o público é impressionante. Isso acontece porque há uma boa história por trás. George Martin criou 13 mil anos de história e sabe exatamente o que é importante contar. Assim que tem que ser uma boa história: tem que ter uma parte escondida, que você não vê”, diz.
Para ele, outra obra que tem ensinamentos para as empresas é o romance O velho e o mar, de Ernest Hemingway. Ele conta que muitos críticos questionaram o reconhecimento do livro com o Prêmio Novel de Literatura de 1954 por ter pouco mais de 120 páginas. “Hemingway rebateu as críticas, dizendo que ganhou justamente por ser uma história curta. Ele pensou no que aconteceu com cada morador da vila, mas selecionou e publicou apenas as melhores partes da história. É um exemplo de boa narrativa para chamar atenção ao que se quer relatar”, explica.
Com uma história bem contada, qualquer empresa pode ir longe, segundo Palacios. O storytelling, estratégia de marketing que consiste em contar histórias da companhia de uma maneira mais palpável e lúdica, vem apresentando resultados positivos às empresas que a incorporam em suas ações. Além de maior engajamento do público, transformação de stakeholders em embaixadores, expansão do mercado, a estratégia contribui para a diferenciação da marca e o estabelecimento de conexão emocional com clientes.
Storytelling no setor público
storytelling também vem sendo utilizado pelo setor público. Em setembro, a Prefeitura do Rio de Janeiro chamou a atenção de vários internautas em sua página do Facebook com um pedido de casamento para a Prefeitura de Curitiba. A brincadeira institucional nas redes sociais virou uma campanha para doação de sangue nas duas capitais.
“Esse é um bom case de storytelling no setor público. As páginas das prefeituras nas redes sociais têm uma voz própria, que não é corporativa, política nem institucional. É uma voz pessoal, que permitiu uma aproximação e interação maior com os cidadãos que queriam atingir”, conta Palacios.
Vale inventar história?
De acordo com Palacios, vale inventar uma história sim, desde que esteja claro para o público que se trata de uma ficção. “As pessoas podem gostar de uma mentira bem contada, desde que elas saibam que é uma mentira. Existe uma ética no storytelling”, afirma.
Palacios destaca o caso da marca de sorvetes Diletto, fundada por Leandro Scabin, que diz ter se inspirado em seu suposto avô, Vittorio Scabin, sorveteiro italiano da região do Vêneto, para abrir a empresa. A história real, que é contada nas embalagens e no site da companhia, foi revelada na semana passada pela revista Exame, que publicou um artigo contando que o tal Vittorio nunca existiu nem produziu sorvetes: é apenas uma estratégia de marketing.
“É um problema apresentar a ficção como verdade, sem explicar que aquela história não é real”, diz. “Mais cedo ou mais tarde, alguém vai descobrir e pode pegar mal para a marca.”


Uma das características principais da transmídia storytelling é a possibilidade de hospedar fãs em seus mundos de histórias. - e, acredito que deva ser um ideal bem interessante para uma marca.

Porém, não é só criar qualquer conteúdo para que pessoas sejam convertidas em fãs. É preciso de profundidade, principalmente no storyworld. A descrição do que é um fã, por Henry Jenkys pode ajudar a compreender a complexividade disso:

Fãs são pessoas inspiradas por histórias que circulam através da mídia de massa, que pegam elementos dessas histórias e os usam como material bruto para sua própria expressão criativa, e que se aproximam devido à sua devoção a esses materiais culturais ricos. Não chamo de "faça você mesmo" e sim de "façamos nós mesmos", por causa da natureza profundamente colaborativa dessas formas de produção cultural. 


Isso nos remete a ideia de que dentro da variedade de pessoas que consomem conteúdo é possível identificar aqueles que apenas curtem, se divertem, mas não se envolvem totalmente e aqueles que se dedicam a entender e reproduzir histórias a partir daquele storyworld, os fãs. 

Os fãs de histórias estão em fóruns, tentando descobrir os mistérios ou imaginando o final de um livro. Ou escrevendo suas versões "melhoradas", assim como estão fazendo gameplays para seus canais do youtube.  Então voltamos ao ponto em que escrevi: É preciso de profundidade, principalmente no storyworld.

Isso quer dizer que você precisa investir no Story. E também na economia divertida.  Já é redundante para nós dizer que histórias são capazes de agrupar pessoas há milênios, mas pensem bem: porque uma pessoa se torna fã de um time ou de uma marca? Com certeza ou é por conta da sua história  ou pela história que ela conta. 


Essa publicação apareceu primeiro no Mundo do Marketing e foi adaptada aqui na redação dos Storytellers.
Depois ter de termos visto uma corrida eleitoral acalorada, com azul de um lado e vermelho de outro, ambos excludentes, com cada um tendo toda a razão e não deixando nenhuma para o outro lado, de certa forma, a mesma coisa aconteceu na matéria publicada pela revista Exame intitulada no impresso como “Marketing ou Mentira” e “Toda empresa quer ter uma boa história. Algumas são mentira” no site.
O tema central da matéria é a crítica à "pseudo-história", quando uma marca inventa uma história. Ela cita os casos como os sorvetes Diletto e os sucos Do Bem. Essas marcas inventaram um avô e um fazendeiro, respectivamente. Como sempre digo nos cursos: o Storytelling pune. A questão da ética é fundamental ao se contar uma história e a mentira, que tem pernas curtas, vai acabar aparecendo mais cedo ou mais tarde. Por isso, a regra é simples: se o que você estiver contando for verdade, diga que é baseado em fatos reais e se for mentira, diga logo que é uma ficção. As pessoas não se importam com ficção, a lista dos 100 filmes mais assistidos prova isso. As pessoas só não querem ser enganadas.
Não há dúvidas de que o Marketing às vezes exagera em suas histórias, só que da mesma forma como algumas marcas foram longe demais com a invenção de histórias, a matéria também foi longe demais na crítica ao embaralhar os conceitos de pseudo-história (quando uma marca inventa uma ficção e diz que é real) com DOC (denominação de origem controlada).
Ao criticar a água Fiji que de fato vem das Ilhas Fiji e faz um trabalho fantástico com as comunidades locais, a matéria automaticamente critica todo o mundo que se preocupa com a qualidade dos ingredientes: qualquer vinícola; os produtores orgânicos; boa parte das marcas de luxo; as tecelagens mais especiais; os chefs de cozinha... é como se qualquer produto fosse igual, de forma indiscriminada. Não é bem assim.
O grande problema da matéria da Exame acaba sendo a falta de um contraponto. Existem inúmeros bons exemplos de quando uma marca conta uma boa história e a matéria falhou ao não citar nenhum.
A Intel uniu-se à Toshiba para criar uma mentira deslavada: um homem que acorda todos os dias em um corpo diferente. Às vezes ele é jovem e bonito, noutras acorda com o aspecto de uma senhora cansada. Essa metáfora é genial por ajudar a entender um dos dilemas de um processador, que cada vez está em um computador diferente, mas vai ainda mais além quando dialoga com o espírito do momento. Uma geração de jovens no mundo inteiro sente dificuldades de identidade num mundo tão globalizado e disseram que essa história ajudou com que eles se sentissem mais compreendidos.
A mesma coisa vale para a marca Chipotle que inventou a história de um espantalho que se sentia mal ao ver o processo cruel com que os animais eram tratados pelas marcas de fast-food e resolveu se rebelar e fazer algo mais natural. A mesma marca também mentiu ao criar uma websérie em que vacas eram alimentadas com petróleo e podiam chegar a explodir. Duas mentiras que ajudaram a propor uma reflexão importante sobre o que consumimos.
Ao olharmos todas as marcas no microscópio do puritanismo, nenhuma das 5000 maiores empresas do mundo vai escapar ilesa. A matéria cita algumas marcas que inventaram alguma história, mas existem muitas outras como o Coca-Cola que reinventou o Papai Noel e que falou que as frutas do suco infantil Del Valle Kapo são provenientes de um vale mágico.
Além disso, também podemos falar das marcas que se passam por uma nacionalidade diferente daquela que prometem, como é o caso da estadunidense Häagen-Dazs que inventou uma palavra eslava ou da rede Outback que não tem nem origem e nem cardápio australiano. Mas existem outros problemas como esconder parte da história que de fato aconteceu. Diversas marcas que apoiaram o nazismo durante a Segunda Guerra não colocam nada disso na sua timeline corporativa, assim como empresas que nasceram de roubo de patente contam uma versão editada no seu vídeo institucional.
Esse formato lançador de pedras é bom para inflamar, mas ruim para instruir. Esse tipo de argumentação é que acaba dificultando uma compreensão mais aprofundada sobre temas. Gera-se muita opinião e pouco conhecimento. Assim ficamos reféns de ter que apostar todas as fichas em uma única cor e nos esquecemos de que existe toda a variação de tonalidades. 




Lovecraft foi um dos autores que revolucionou o gênero do Terror americano, porque ele adicionou com seu estilo elementos de ficção e fantasia a estas histórias que antes ficavam longe destes temas.  O mais surpreendente é que ele fez tudo isso sem escrever um livro, pois é nenhum!

Ele escrevia contos, dos quais o mais famoso é "O Chamado de Cthulhu", que inspirou gerações futuras e podemos ver referências em jogos como Silent Hill, Doom, diretores como Guilhermo Del Toro e escritores como Neil Gaiman



Pra celebrar esta data misteriosa do dia 31 de Outubro, nada melhor que acompanhar um documentário que vai levar você para uma viagem na história e na mente deste autor (que eu, particularmente sou bastante fã).



 Joana Rativa é gerente de Marketing da décima maior multinacional brasileira. Ela é do tipo que gosta do que faz e está atualizada de todas as novidades no mercado. Mas tem algo que a irrita profundamente.

Vira e mexe Joana ouve sobre esse tal de Storytelling. Desde quando trabalhava em uma das maiores agências de publicidade do país, a palavrinha inglesa de difícil pronúncia aparece em sites e briefings. Joana já tinha escrito dezenas de roteiros para filmes publicitários. Ela sabia contar uma história, o que podia haver de especial nisso? Só podia ser um conceito recauchutado. Mesmo assim uma pulga vivia atrás de sua orelha.

Sempre que ela pesquisava mais sobre o assunto, só encontrava informações desencontradas. Até que em novembro de 2013 ela ficou sabendo que Fernando Palacios estava de visita à cidade maravilhosa para desvendar o Storytelling. O problema é que o curso seria no sábado, dia do sagrado descanso. Com isso ficou aflita. Joana sabia que jamais iria se perdoar se investisse dinheiro suado e tempo de sábado caso o curso não ensinasse nada de novo. Por outro lado, a oportunidade era especial, já que pela primeira vez poderia ouvir a explicação direto do pioneiro do assunto no Brasil sem ter que sair de sua cidade. Resolveu se inscrever. A aflição se converteu em ansiedade.

Só que não contava que o fatídico dia traria uma chacoalhada nos seus conceitos. Ela que sempre escreveu e aprovou filmes publicitários nunca havia aprofundado suas histórias. Ela sequer sabia o sobrenome dos personagens de seus anúncios. O professor insistiu nesse ponto, na importância de criar histórias com raízes profundas. Mas será que precisava disso mesmo para fazer uma história de trinta segundos? Agora Joana tinha que decidir se aceitava que durante esse tempo todo ela teve a chance de contar boas histórias e nunca aproveitou, ou se defendia dizendo que no marketing e na publicidade a história é diferente. Eis que Joana resolveu mergulhar de vez no assunto e tentar fazer diferente o que vinha fazendo há anos em sua carreira.

Hoje Joana já contou várias histórias e até mesmo transformou o que seria uma apresentação de slides em um verdadeiro espetáculo teatral. Agora Joana quer mais e pediu para que Palacios retornasse à cidade com um programa mais completo. Ele aceitou. Na próxima edição o curso terá 65% mais tempo e vai contar com a prática de exercícios.

Joana Rativa é uma personagem ficcional e ainda assim a história é verdadeira. Inclusive o curso mais completo já está agendado para os dias 31 de outubro e 1º de novembro. Mais informações podem ser desvendadas pelo link http://www.eventick.com.br/storytelling-rj.html

Eleições passadas, amizades reatadas e ânimos acalmados a vida vai voltando ao normal. Mas que lição de storytelling podemos levar das eleições?

Se ficou um clichê no pleito de 2014 é que o país está dividido. De um lado, os azuis, os gerondinos, os tucanos, os coxinhas, os reacionários. De outro, os vermelhos, os jacobinos, os petistas, os petralhas. A direita se personificava em Aécio, a esquerda em Dilma.

Nos debates, nas redes sociais e na rua o clima entre os dois lados era tenso. Ataques, ofensas e violência geravam a dúvida comum nos clássicos do futebol: seriam eles inimigos ou rivais?



No storytelling, basicamente, existem duas formas de confrontar personagens: o antagonismo e o contagonismo.

O antagonismo é o mais conhecido deles. É o clássico vilão do protagonista, aquele que busca em sua jornada exatamente o oposto do herói – e por isso haverá de travar uma disputa homérica contra ele. O objetivo do antagonista bate de frente com o objetivo do protagonista.

Já o contagonista não é aquele que busca o oposto do protagonista – mas disputa com ele o mesmo objetivo, o mesmo elixir. O contagonista é o personagem que está em paralelo ao protagonista, na mesma estrada, buscando cruzar a linha de chegada antes de seu rival. O objetivo do contagonista é o mesmo objetivo do protagonista.

Quando o resultado das eleições saiu e a presidenta foi confirmada em Brasília por mais quatro anos, tanto o discurso de Aécio quanto o de Dilma prezavam por uma mesma prioridade: o país precisa se unir para continuar avançando.

Se é utópico e perigoso pensar na opinião unânime de um povo, porque todo debate deve ser saudável e não há um caminho certo contra outro errado, o Storytelling nos ensina que o conflito PSDB versus PT há de ficar na rivalidade (no contagonismo) porque o objetivo de lá ou de cá é um só: um país melhor.


Sua história? Conte com a gente! Esse é o nosso slogan.

Muita gente acha que Storytelling é só contar uma historinha, um causo e pronto, "acabou de fazerm umstorytelling". Mas  existe um outro mundo muito além desse, o mundo em que Storytelling é escrito assim, com letra maiúscula.

Storytelling desse outro mundo injeta função nas histórias, exatamente como pretendiam os nossos ancestrais ao redor das fogueiras.

No primeiro momento, os Storytellers trabalham histórias para marcas. Essas histórias podem ser reais e aí vamos fazer um trabalho de resgate das memórias. Essas histórias podem ser ficcionais e aí vamos criar uma mitologia para a marca.

Assim que a história está consolidada, passamos a trabalhar as narrativas. De nada adianta ter uma  história épica, se ela não for contada da melhor maneira. O ponto é que cada formato narrativo tem uma peculiaridade. Então o que funciona num romance literário nem sempre se traduz em um curtametragem. Por isso que na etapa das narrativas é comum pensarmos o conceito de Transmídia, permitindo criar uma experiência imersiva e inesquecível para os consumidores.

De forma resumida, criamos e contamos histórias. Mas ainda existe uma outra possibilidade, que é de ajudar outras pessoas a contarem suas próprias histórias.

Em poucas palavras, posso afirmar que resgatamos e criamos histórias de marca, para contá-las da forma mais fabulosa e no formato mais adequado, e também ajudamos executivos a fazer o mesmo.

Caso você tenha contado alguma história e não deu muito certo, a culpa não é do Storytelling, mas do storytelling. Tente de novo e dessa vez lembre do slogan dos Storytellers.



Antes de qualquer coisa, longe de mim iniciar uma terceira guerra mundial me posicionando entre DC ou Marvel.  :P

Há um tempo a gente já sabe que a Marvel se tornou referência em filmes de heróis em Holywood, exatamente porque ela consegue expandir o poder comercial de suas obras enganchando todas no seu universo - que abrange também as HQs, séries animadas, games e etc. 

Agora a DC está tendo alguns problemas com isso.  A começar por seus reboots frequentes que tentam dar mais coesão ao seu multiverso. Aliás nesse caso o termo multiverso é extremamente aplicável. Explico, ao contrário da sua concorrente, a DC foi criada comprando direitos de personagens que ocasionalmente viviam em mundos distintos. Unifica-los e manter o sentido de cada herói no cinema é algo que a empresa ainda não conseguiu definitivamente.

Nas HQs alguns reboots aconteceram para reconstruir as sagas, apagar alguns mundos com versões que se tornaram desinteressantes para a empresa ou o público.  O mais famoso reboot foi feito na série "Crise nas infinitas terras" e o mais recente ganhou a alcunha de "Novos 52".  



Na TV tudo parecia caminhar para a construção mais sólida de um universo que pudesse hospedar tudo. Primeiro com o Seriado Arrow (indo para a terceira temporada)  de onde surgiu o spin-off do herói Flash e várias outras possibilidades como o "Esquadrão Suicida" as "Aves de Rapina" e etc.

Porém, alguns indícios podem sugerir uma nova reorganização do plano da DC.  Esperava-se que os heróis da TV fossem para os cinemas na hora da formação da liga da justiça (e eu particularmente espero que a liga seja formada na TV em um episódio especial que unificaria todas as séries), mas de antemão o ator que faz Barry Allen (o Flash) não será o mesmo no cinema.  




Ao mesmo tempo a nova série "Gotham" narra fatos que antecedem o próprio arco de Arrow, possibilitando a reconstrução de algumas narrativas de personagens que Batman e Arqueiro Verde tem em comum. Isso seria apenas uma hipótese distante, não fosse a última notícia sobre os arcos originais.

"Rich Johnson disse que a DC mandou um memorando pros seus artistas, pedindo que eles todos CONCLUAM SEUS ARCOS de histórias até o início do ano que vem, para que não fique nada pendente para o início da nova saga da editora (que especulam que se chamará Blood Moon).
Johnson chama a atenção pro fato de que da última vez que isso foi requisitado pras equipes criativas da DC foi lançada a saga Ponto de Ignição que culminou posteriormente com os Novos 52. " - do site MDM


Se essa alteração no cânon dos heróis da DC se consolidar, isso significaria que eles precisariam recomeçar todo o planejamento de filmes, produtos licenciados, programas de TV e etc etc.  Começar do zero seria correr para o lado oposto da Marvel que já tem uma década de universo cinematográfico bem sucedido.  Ou, o mais provável... que eles já estejam compreendendo esse reboot da HQ com as possibilidades construídas a partir da TV.  Talvez estejamos presenciando um movimento único aonde produções em outras mídias estejam influenciando e sendo compreendidas no "sagrado Cânon criado nas HQs" - relevando o fato da empresa já ter divulgado o calendário de filmes até 2020,  esta ideia se torna mais forte.  





Quando transmídia storytelling começou a surgir nas conversas entre produtores de entretenimento ou no mercado de comunicação, era comum pensar em uma história que começa em um filme e pode ter até um "gamezinho" para dar "suporte" a narrativa. 

Na frase acima estão dois erros básicos de quem costuma subestimar uma narrativa interativa: chamar de gamezinho uma indústria que superou Holywood e considerar este meio (ou qualquer outro) como suporte de um planejamento transmídia.  Essa representação de Robert Pratten mostra como as narrativas devem funcionar.


Mas como diz sabiamente Fernando Palácios a transmídia deve surgir da necessidade de expansão criada pela própria narrativa, ou seja a narrativa deve crescer ao ponto de transbordar para outros meios.

É o que tem acontecido por exemplo com os games MMORPGs. World of Warcraft tem tanto conteúdo e tanta coisa para se explorar que não cabe mais dentro da tela do PC e acabou virando romances literários, HQs e webséries. 



A experiência de quem joga (como eu) é intensa quando entra em contato com um conteúdo narrativo mais denso, tendo em vista de que um jogo pode se pautar mais no gameplay com conquistas e desafios do que nas interações com a história. 

Acompanhem a nova websérie "Lords of War" aqui no youtube - https://www.youtube.com/playlist?list=PLY0KbDiiFYeP8hkPrVS3y0Ua45EJlWRBw

A princesa virou uma rebelde. A bruxa uma gostosa. Os animais falantes e objetos animados se tornaram aplicativos. Essas são algumas mudanças na realidade dos Contos de Fada modernos. A liberdade sexual e os avanços tecnológicos mudaram completamente os arquétipos que tínhamos na infância.

Muitos de nossos comportamentos e percepções atuais foram moldados quando éramos crianças por histórias. Se a Bela não tivesse ficado com a Fera, agiríamos diferente. Se o sapatinho de cristal não entrasse no pé da Cinderela, pensaríamos diferente. Porém, atualmente, os signos da nossa infância estão mudando cada vez mais. Não digo isso pensando nas crianças da atualidade ou em nossos pensamentos infantis como adultos. Digo que o príncipe e a princesa mudaram na nossa própria visão. E digo que os vilões e todo o resto dos personagens também mudaram.

A liberdade sexual nos trouxe uma nova realidade. Afinal, um príncipe seria um tanto quanto tedioso se fosse ruim de cama, não?! E o mesmo pode se dizer da princesa. Aquela visão do casal perfeito e apaixonado está sendo moldada em um casal repleto de falhas, mas que se encaixa, como peças de quebra cabeça. O príncipe pode ser um cafajeste tentando se comportar. A princesa pode ser uma prostituta tentando mudar de vida.


Por outro lado, o vilão não é mais necessariamente um malvadão. Ele pode ser um coxinha. Simples assim. Ou uma bruxa má que nada mais é do que uma ex-namorada. O vilão pura e simplesmente mal deixou de existir. O que existe hoje é alguém no meio do caminho de algum objetivo. Especialmente porque o certo e errado estão cada vez mais difíceis de serem definidos (vide eleições, dois candidatos de merda, mas ambos defendidos ferrenhamente por seus eleitores).

A liberdade sexual em si já seria uma grande coisa sozinha. Porém veio acompanhada de tecnologia.
Sério, Tinder e Snapchat... putaria no alcance do seu bolso, literalmente. Você está na academia e seu celular vibra com um fantasminha. Ao clicar na tela é a foto de uma garota de biquíni mostrando os resultados da academia. Ou surge um foguinho na tela e você recebeu a mensagem de uma gata que quer te conhecer. Nos livros e filmes da nossa infância, animais e objetos falantes viriam nos dar notícias sobre alguma princesa, ou algum plano malvado de alguma bruxa. Hoje em dia os aplicativos fazem esse trabalho. A magia se tornou real. Menos pura e inocente... porém extremamente real.

Fico imaginando as histórias que os irmãos Grimm, Hans Andersen e Perrault escreveriam atualmente. Aliás, nem preciso ir tão longe. Posso pensa também em Walt Disney e Will Eisner. Mas infelizmente eles não podem mais fazer isso... entretanto, nós podemos.
Cabe agora aos Storytellers da realidade levarem em conta esses dois grandes elementos que citei aqui para criarem suas histórias. Contos de Fadas  existem e estão por todos os lados. Basta observar e escrevê-los!