O IT Forum já começou para muitos CIOs, eles chegaram nesta manhã à Praia do Forte e foram recepcionados pelos personagens construídos para a narrativa transmidia do evento.
Após fazer check-in no hotel, receber os kits com a agenda do evento e de acompanhantes, todos os CIOs receberam um item muito especial: o primeiro Card que compõe o deck oficial da gamificação do IT Forum 2017. Ao longo dos 4 dias de eventos, eles terão a oportunidade de completar um deck especial, um conjunto de cards de Storytelling e de objetivos específicos nas reuniões ou visitas de negócios.
Além deste Card, o conjunto oficial do IT Forum apresenta todos os patrocinadores do evento como um elemento importante do gameplay e do storytelling. Acompanhe essa jornada em nossa Fanpage
O time da Storytellers já está na Bahia tecendo os últimos preparativos para a nova edição do IT Forum, que é o maior evento de TI da América Latina. Ano passado iniciamos uma jornada épica, uma narrativa fantástica distribuída pelos eventos IT Forum e IT Forum + respectivamente em Abril e Agosto sob a forma de um Alternate Reality Game - relembre clicando aqui
Em 2017 a saga continua: Os personagens se modificaram respondendo a competição de ligas que os CIOs promoveram e a mecânica da gamificação recebeu uma atualização, transformando-se em um Trading Card Game (jogo de colecionar cartas), que absorveu de forma excepcional as narrativas de patrocinadores e os objetivos do evento, ganhando elegância no game design. Foram mais de 25 mil cards impressos dispostos em qualidade diferentes que vão dos comuns aos raros e lendários que serão conquistados no percurso de 4 dias de reuniões de negócios com as maiores empresas do setor.
Uma
semana atrás me chamaram para ver o filme da Bela e a Fera versão 2017 da
Disney. Confesso que não estava muito animada, afinal, já tinha visto o trailer
e as novas cenas pareciam uma cópia idêntica da versão animada de 1991.
“Onde foi parar a criatividade que a Disney
mostrou em repaginar a história da Bela Adormecida com o filme Malévola?”
Pensei, ao ver o trailer.
Mesmo
com as expectativas baixas, concordei em assistir o filme - pelo menos os
detalhes e a riqueza da produção me manteriam entretida. Mas o que aconteceu
naquela sala de cinema foi inesperado.
Aos
poucos durante a sessão, o filme foi me surpreendendo, até me levar às lágrimas
no final. As adaptações e upgrades
sutis da nova versão fizeram uma grande diferença na emoção sentida pelos
expectadores. Vamos analisar agora quais foram esses ajustes de roteiro e os
recursos técnicos usados de forma inteligente nesse filme.
ATENÇÃO!
O que vem a seguir contém SPOILERS!
* Coerência e risco aumentado. A primeira
incoerência que notei no desenho original da Bela e a Fera, era que nenhum
morador da vila parecia saber que há pouco tempo no passado havia um rei e um
castelo nas redondezas. Aprendemos em Storytelling que a relevância de um
personagem se dá a partir das reações dos outros personagens ligados a ele. Se
um Rei ou o sumiço dele não é notado, ele perde a relevância.
Na
nova versão ficou explicado que os moradores da vila não se lembravam do
castelo devido ao encantamento da feiticeira. Esse fato aumenta a tensão final
quando os aldeões invadem e tentam destruir o castelo. Descobrimos aí que o
marido de Mrs. Potts é um dos aldeões e que se os membros do castelo não
voltarem a ser humanos, ele a terá esquecido para sempre.
* Timebomb otimizado. Uma das ferramentas
muito utilizada nas narrativas é o TIMEBOMB. Serve para criar um senso de
urgência nos personagens. Estipula um prazo para que algo aconteça e o
personagem tem que correr contra o tempo para que essa bomba não exploda. A
Disney usa muito isso. Na Pequena Sereia, Ariel tem 3 dias para conquistar o
príncipe, caso contrário, ela vira propriedade da bruxa do mar. A Bela
Adormecida espetará o dedo na roca aos 16 anos. Cinderela tem até meia noite
para ficar no baile. Moana tem um prazo limitado para salvar sua ilha antes que
ela seja destruída. No caso da Bela e a Fera, a rosa representa o timebomb. A
Fera tem até o cair da última pétala da rosa dada pela feiticeira para fazer
com que Bela se apaixone por ele e quebre o feitiço. Caso contrário, ele virará
Fera para sempre.
Na
versão atual, esse timebomb foi otimizado. A cada cair de pétala, os membros castelo ficam cada vez mais “objetificados” e
menos humanos. Eles sentem as mudanças e sofrem com elas
cada vez que seu fim se aproxima. Isso aumenta a responsabilidade da Fera
(príncipe) sobre seus atos. Caso ele não consiga amar e ser amado, não só ele permanece com essa aparência para sempre, mas também seus criados
– as únicas pessoas que se importam com ele – viram mobília e perdem sua
essência humana. Em outras palavras, morrem.
* Sacrifício que transparece índole. Com
o timebomb otimizado, o sacrifício da Fera também ganha mais valor e
automaticamente percebemos que ele aprendeu a lição e merece um final feliz.
Mesmo
com a grande risco nas mãos de virar uma Fera para sempre e viver solitário no
castelo, com a responsabilidade de ter transformado seus amigos em objetos,
vemos que ele finalmente aprendeu a amar, pois coloca as necessidades de Bela
acima das suas quando a deixa partir para salvar seu pai.
* Profundidade do personagem gera empatia.
Durante a animação, o príncipe é mostrado apenas como um ser arrogante que se recusa a dar abrigo a uma velha, o que nos faz perguntar se ele merece mesmo
voltar a ser humano. Na nova versão, o príncipe ganha mais profundidade. É
explicado que ele era um menino doce e gentil que, ao perder a mãe, teve que
ser criado por seu monstruoso pai que acabou com sua inocência.Essa adição, além de dar mais dimensão ao
personagem, também faz com que criemos mais empatia e torçamos para que ele se
livre do feitiço.
Bela
também ganhou mais profundidade. Além de auxiliar seu pai em suas invenções, na nova versão, ela também se mostra como uma inventora – quando cria uma versão rústica da
máquina de lavar roupas. Além disso, Bela também é apaixonada por leitura e no
começo do filme, tenta ensinar uma menina a ler, o que gera revolta da
população da vila, que boicota suas iniciativas. Bela também ganha mais força e
mais qualidade de heroína quando se defende dos objetos falantes e quando
planeja sua fuga do castelo.
* A resposta para um questionamento otimiza a
moral. Se você algum dia se perguntou “Mas se o príncipe foi arrogante, por
que todos no castelo tinham que virar objetos falantes?”. Sua pergunta
finalmente ganhou uma resposta coerente a alinhada com a moral da história. Em
determinado momento do filme, Mrs. Potts conta para Bela o motivo do
encantamento ter prejudicado a todos. Ela diz que quando a mãe do príncipe
morreu e ele foi influenciado pelo pai, os criados não fizeram nada para
reverter a situação. Foram então coniventes com aquele tipo de educação. Isso
otimiza a moral, já que mostra que o problema não é apenas fazer o mal a
alguém, mas também não agir quando alguém o faz. Ensina que temos o poder da
mudança e somos responsáveis direta ou indiretamente pelas coisas que nos
acontecem.
* Interesse com fundamentação psicológica. Se
você assistiu a animação de 1991 já adulto, provavelmente deve ter pensado que
a paixão da Bela pela Fera não aconteceria no mundo real. Apesar da Fera ter
salvado Bela dos lobos e os dois terem tido momentos juntos, aquilo ainda não
era suficiente para gerar um convencimento nos olhares mais céticos. A nova
versão vem com uma relação um pouco mais aprimorada. Logo no começo vemos que a
grande paixão de Bela é a leitura e como ela se sente diferente, praticamente
uma alienígena, vivendo numa vila de pessoas atrasadas que não aceitam mudanças
e mal sabem ler. Quando o príncipe
(Fera) mostra que sabe trechos de Shakespeare e possui livros em sua biblioteca
até em Grego, Bela percebe que existe um lugar ao qual ela pode pertencer, e
que a Fera está no mesmo nível intelectual que ela. Ela encontra aquilo que estava
procurando desde o começo: uma vida maior do que a vida de uma vila no
interior.
No
desenho, Bela ensina a Fera a ler. Isso coloca o ex-príncipe em uma situação
inferior. Na versão atual, o ex-príncipe não só é letrado como também culto e
possui um olhar crítico sobre as obras de literatura, o que o torna muito mais
interessante. Psicologicamente faz mais sentido, pois Bela além de admirá-lo,
percebe que ele tem algo que ela almeja.
Outro
fator que liga os dois é o fato de ambos terem perdido a mãe quando pequenos.
Com o livro mágico da Fera, Bela consegue viajar até sua antiga casa em Paris e
descobrir o que realmente aconteceu com sua mãe.
Sendo
assim, os dois compartilham mais sofrimentos e afinidades do que na versão anterior.
Percebemos
então como um roteiro bem pensado e técnicas bem aplicadas podem mudar as
percepções sobre uma história e mexer com a emoção do público.
Se
você notou mais alguma coisa sobre esse ou outros filmes adaptados, comente
aqui em baixo.
Vinte e cinco anos atrás a Índia começou a realizar um congresso de profissionais de Recursos Humanos e desde então o evento cresceu a ponto de hoje ser o maior encontro do setor no mundo.
Hoje o congresso reúne mais de mil e quatrocentos líderes de Recursos Humanos advindos de cento e trinta e três países.
Para a ocasião especial dr comemoração dos 25 anos do evento, os organizadoras decidiram lançar o World Story Telling Congress. “Este foi o primeiro ano que introduzimos esse elemento, em resposta à demanda por parte dos líderes de RH, que sentiram que precisavam desenvolver mais a fundo as habilidades de Storyteller” explicou Michael Mcdonald, presidente do congresso.
O congresso contará com a fala de um brasileiro. Fernando Palacios é o fundador da Storytellers Entretenimento Estratégico, primeiro escritório latinoamericano dedicado ao tema do Storytelling, e vai apresentar aos líderes de todo o mundo a visão brasileira sobre o assunto. “Temos um contato muito próximo com todos os grandes nomes do tema no mundo todo e sabemos que nossos cases têm sido estudado em diversos países, em especial pela inovação” explicou.
A sessão do brasileiro acontecerá no dia 16 de fevereiro às 17h no horário da Índia. “Vou mostrar um pouco de como os líderes brasileiros já se beneficiaram com as técnicas de Storytelling e de como a cultura brasileira ajuda na compreensão e difusão do tema. Nossas novelas já deram mais audiência do que a final em que o Brasil se consagrou campeão mundial pela terceira vez. Já houve países que interromperam uma guerra civil para assistir aos últimos capítulos de Escrava Isaura em paz. já que somos o país do futebol, mas a nação do folhetim.” finalizou o empresário, professor e autor do Guia Completo do Storytelling.
Você deve ter lido ou assistido algumas vezes caras como Myamoto ou Kojima falando sobre o seu desinteresse catedrático com o Storytelling de suas produções. Kojima já chegou a afirmar que não está interessado em contar uma história.
Isso pode parecer um paradoxo, afinal ele é considerado um dos maiores storytellers de games do mundo, apesar de uma análise mais minuciosa em seus jogos revelar que ele não tenta controlar em nenhum momento a progressão e o drama das narrativas.
E no final das contas, contar uma história é sobre isso: controlar o drama e a emoção que a audiência vai absorver. As técnicas de roteiro são, exatamente, para isso e é onde o Storytelling se torna relevante dentro da indústria de jogos AAA.
O livro Beyond Game Design, Nine Steps toward creating better videogames trás uma citação interessante: "Game designers não podem projetar emoções. Eles criam regras para desencadear situações que impulsioam elas."
E sem uma fundamentação lúdica que conectasse com o imaginário, os jogos complexos seria abstratos demais. Ironicamente (ou não) a função do mito dentro de um jogo acaba sendo a mesma em nossas vidas, dar sentido para passar por coisas mais trabalhosas, penosas e aumentar a satisfação da recompensa.
Já storytellers de meios tradicionais podem sugerir emoções bem definidas, fazendo a audiência amar, odiar ou sentir pena de personagens em cenas específicas - como nosso amado/odiado G. R. Martin
Mas existe um outro forte motivo para a indústria AAA investir em grandes narrativas para seus jogos, um motivo mais comercial que vamos discutir no próximo artigo ;)
Se você gosta de viajar, muito provavelmente passou por isso. Você volta de uma viagem marcante por algum motivo e, na hora de contar para os outros sobre sua experiência, percebe que ninguém realmente compreendeu o que aquela experiência significou.
Você conheceu lugares únicos, encantou-se com pessoas maravilhosas, viveu aventuras que jamais, nunca imaginou, talvez até conheceu o amor da sua vida, mas, bem, a verdade é que seus amigos e parentes escutam suas histórias e claramente não se empolgam muito.
Eu, que felizmente tive a oportunidade de viajar muito, até inventei uma expressão para esse sentimento. É a “depressão pós-viagem”, que acomete principalmente aqueles que passam um tempo longo em outro país. Quem já morou fora sabe que absolutamente tudo na sua rotina ganha outra perspectiva: uma reles ida à farmácia em um lugar muito diferente do seu “habitat natural” torna-se mais interessante. O que dizer, então, de quando vivenciamos experiências realmente expressivas, que moldam uma parte da nossa existência para sempre?
É claro que há outros fatores envolvidos nessa sensação de deslocamento. Voltar à rotina normal após um período excitante cobra seu preço. Mas acredito que o sentimento piora quando tentamos compartilhar com os outros sentimentos profundos sobre nossa experiência e notamos que não estamos conseguindo fazê-lo.
Foi meu caso em 2007, quando retornei de uma viagem à Israel e à Europa. Em Israel, passei quase quatro meses trabalhando como voluntário em um kibbutz (espécie de comunidade autossuficiente tipicamente israelense). Queria experimentar algo diferente do que a maioria dos brasileiros faz no exterior, e consegui: de jovem de classe média e apartamento em São Paulo, lá estava eu no meio do deserto do Neguev vacinando galinhas, limpando a louça de 300 pessoas e trabalhando numa fábrica de adesivos, entre outras funções peculiares as quais me submeti (por vontade própria, que fique bem claro).
Apesar da importância dessa experiência para a minha vida, sempre tive dúvidas se fui hábil suficiente para narrá-la. E, agora que ela completou dez anos, me peguei com a seguinte questão: será que o Storytelling não se aplica até para deixar um relato de viagem mais interessante?
A resposta é sim. Não estou sugerindo avaliarmos metodicamente nossas experiências ao voltarmos de uma grande viagem, colocando-as no papel como se fôssemos criar uma campanha publicitária ou uma obra de ficção. Mas acho que ao menos refletir sobre alguns dos fundamentos do Storytelling, contrapondo-os ao modo como você conta sobre sua viagem aos outros, é no mínimo um exercício interessante, que pode ajudar a dar ao seu relato a grandeza que você sente que ele merece ter.
Vou usar minha estada no kibbutz como exemplo. Uma das coisas que aprendemos em Storytelling é a “colmeia narrativa” de uma história. É nela que estão definidas as funções narrativas de cada personagem. E, acredite, ela se aplica a toda as histórias: seja em “Nemo”, seja naquele filme ou livro mais hermético, é possível identificar a colmeia. Claro que, dependendo da complexidade da história narrada, as funções às vezes são menos claras e se confundem. Mas a estrutura está lá.
Como seria, então, a “colmeia narrativa” da minha viagem à Israel? Curiosamente, quando parei e pensei em todas as pessoas com quem me relacionei no kibbutz, elas se encaixavam incrivelmente bem em certas funções narrativas.
Claro que o conceito da colmeia é só um dos muitos do Storytelling, mas desenhá-la pode ser um bom começo para que os outros - no caso, sua audiência - também achem seu relato interessante. Por questões de privacidade, não vou mencionar os nomes dos personagens da minha "jornada" pessoal. Mas veja como ficou, e escolha uma de suas viagens para fazer um exercício semelhante.
Protagonista: eu, claro. Afinal, é a minha história, e tudo o que eu contar vai se relacionar, de um modo ou de outro, à minha vida lá.
Coadjuvante: a voluntária americana. Foi minha namorada (ou “caso”, ou “affair”) durante boa parte do meu tempo no kibbutz e “personagem” central em vários dos meus momentos mais importantes e, digamos, “reviravoltas” na “trama”. Não tem como contar minha história sem falar dela.
Aliado do protagonista: meu “roommate” sul-coreano. Com seu jeito tranquilo e reservado, esteve ao meu lado nas horas mais difíceis, mesmo se apenas com pequenos gestos ou conselhos.
Mentor: o voluntário irlandês. O mais velho dos voluntários, tinha sempre frases profundas e opiniões contundentes. Podia ser duro às vezes, mas foi muito importante no meu momento mais complicado. Nunca esquecerei sua frase na noite em que algo muito ruim aconteceu: “Daniel, a vida está te dando uma grande lição hoje”.
Contagonista: o voluntário equatoriano. O contagonista é aquele que busca os mesmos objetivos do protagonista, mas por caminhos diferentes. No caso dele, também chegou ao kibbutz achando que a rotina seria de festas malucas e diversão todos os dias. A realidade, porém, não era exatamente essa. Mas, enquanto eu usei os poucos anos a mais de experiência para me adaptar, ele demorou um pouco mais para entender que não estava em uma balada.
Portal de mundos: como o próprio nome sugere, é através dele que personagens passam de uma realidade à outra dentro de uma narrativa. No caso da minha história, era um portão esburacado nos fundos do kibbutz. Era por ele que voluntários como eu, quando cheios da comida do kibbutz, saímos para caminhar até um posto de gasolina na beira da estrada e comer algo diferente, nem que fosse um sanduíche. Como muita gente fazia isso, inclusive depois que fechavam o portão, trataram de abrir um buraco do tamanho de uma pessoa na cerca. Por alguma estranha razão, porém, um voluntário da Venezuela entrou em pânico ao não conseguir achá-lo uma noite e, apesar de estar a alguns passos do kibbutz, pegou um ônibus na estrada para voltar. O portal de mundos também tem isso: nem todos os personagens conseguem vê-lo ou acessá-lo.
Expressão do mal: o cara da fábrica de adesivos. Desnecessário dizer que eu nunca tinha trabalhado numa fábrica antes e que, apesar do meu trabalho consistir em algo tão simples e repetitivo quanto colocar rolos de adesivos numa caixa, eu não cumpri direito com minha função. Engana-se, porém, quem acha que meu chefe na fábrica levou minha falta de experiência, e o fato de eu ser um voluntário, em consideração. Escutei dele: “gente como você, é melhor ficar no quarto”. Tudo bem, ele já estava bravo pelo meu pequeno atraso aquela manhã, mas convenhamos: isso não é jeito de tratar quem atravessa o mundo para trabalhar para a sua comunidade.
Conheça mais do curso de Fernando Palacios e Martha Terenzzo, especialistas e autores do Guia completo do Storytelling. O curso pioneiro do tema no Brasil que já está passando da 18° Edição.
Minha jornada começou 4 anos atrás. Estava enfrentando um dilema profissional bem dramático, desses que você fica pensando se fez a faculdade certa. Por quê?
Exatamente por não saber como trazer para o mundo a ludicidade que eu sempre acreditei, até cheguei a fazer alguns cursos sobre estratégias de games para a comunicação, mas nada havia sido tão incisivo na minha vida quanto um convite do Fernando Palacios. Estava lá com meu universo para RPG, tomando um café empolgado e me deparei com duras críticas que me fizeram pensar, dali para frente ganhei alguns poderes:
Descobri a estrutura das histórias e como são utilizadas;
Encontrei o segredo dos arquétipos de Jung;
Me aprofundei na humanidade é em seus conflitos dramáticos;
Percebi que o mundo inteiro é baseado no espírito do jogo;
Aprendi a controlar meus poderes narrativos;
Descobri como o romance pode impulsionar as experiências dos games e conectar emoções intensas;
Expandi minha visão sobre o poder do mito e fui além do Campbell é dos contos de fadas;
Entendi que as histórias são sempre sobre seres humanos e quanto mais incríveis forem os que puder chamar de amigos, mais fantásticas serão as aventuras da sua vida.
Agora vou completar 3 anos trabalhando ao lado do Fernando e Martha, uma história fantástica que não cabe em um post (tem vários aqui e aqui neste blog). E se você quiser iniciar uma jornada rumo ao storytelling também, existe uma oportunidade perfeita: INOVAÇÃO EM STORYTELLING ESPM o curso pioneiro do tema no Brasil está completando 18 edições! Faça parte dessa história - Bit.ly/StorytellingESPM
O curso é oferecido pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em São Paulo-SP, e comandado pelos especialistas Fernando Palacios e Martha Terenzzo .O transmídia é cada vez mais importante para a produção e divulgação de conteúdo. A quantidade de tecnologias disponíveis para o acesso torna essa técnica indispensável. Ainda mais com o avanço da sociedade da informação.
Através das diversas plataformas, ou meios, a mensagem pode chegar com maior qualidade ao público e garantir o alcance necessário.No entanto, a forma como essas mensagens são transmitidas é essencial. A quantidade de meios aumenta também a dispersão e o desafio torna-se conseguir prender a atenção das pessoas.
Para isso, o storytelling traz o que é necessário. O treinamento nesse campo se une às diversas tecnologias na ampliação do público e na criação de maior familiaridade com o tema. Por exemplo, uma campanha pode ser melhor compreendida por alguém acostumado com as redes sociais tanto no acesso via celular, quanto no acesso via computador. As diversas plataformas de redes sociais como SnapChat, Twitter e Facebook, podem, cada uma à sua maneira, chegar ao público final com qualidades específicas garantindo a eficiência da ação.
Os especialistas acabaram de lançar o primeiro “ Guia Completo de Storytelling” no Brasil, Em dez capítulos, os especialistas mostram conceitos, técnicas e cases dostorytelling. Também é apresentada base teórica distribuída em temas que mostram como os exemplos se aplicam ao dia a dia e às marcas. Os profissionais lembram que, embora as pessoas estejam acostumadas a contar e ouvir histórias, sendo atividade diária, não existe fontes sólidas sobre o assunto no Brasil.
O curso é direcionado para empreendedores interessados em inovação para seus negócios, publicitários e comunicadores em busca de aperfeiçoamento em suas habilidades, executivos que pretendem se tornar mais atrativos em suas apresentações, acadêmicos e escritores que queiram se aprofundar e inovar, além de pessoas que queiram ampliar sua capacidade comunicativa.
“As edições de janeiro sempre contam com alunos de diversos estados e backgrounds. As férias permitem esse planejamento. O networking para os participantes se torna muito rico e muitos projetos nasceram junto com os cursos”, explica o professor Palacios.
O investimento de R$ 1.499,00 dá acesso às quase 20 horas de carga horária do curso. As aulas acontecem entre os dias 30 de janeiro e 4 de fevereiro de 2017, de segunda à sexta-feira, das 19h30 às 22h30 e aos sábados das 9h às 13h. As inscrições para o curso podem ser feitas até o dia 29 de janeiro clicando aqui.
Sobre Fernando Palacios
É pioneiro do Storytelling no Brasil e professor ESPM no Centro de Inovação e Criatividade, onde ministrou o primeiro curso universitário sobre Storytelling e Transmídia. Desde 2010 já treinou mais de dez mil alunos em universidades, cursos in-company e em outros países como Londres, Holanda, Portugal e Perú. Alia os estudos com a prática e já realizou dezenas de cases que se tornaram referências para o setor. Em 2013 foi premiado com o Widbook Top Authors.
Em 2015 representa a ESPM nos temas de Storytelling e Transmídia para treinar centenas de CMOs e CIOs nos congressos IT Mídia e IT Forum. No primeiro semestre de 2016 habitou por meses a cidade de Ouro Preto para transformar suas histórias num grande romance para jovens adultos. Lançou o Guia Completo do Storytelling, o livro mais profundo e detalhado sobre o assunto em língua
Sobre Martha Terenzzo
Já esteve à frente da diretoria de marketing e inovação de multinacionais como Cargill, Reckitt Benckiser, Sadia, Parmalat e Ajinomoto. É capaz de estabelecer pontes entre o mundo das histórias com o universo corporativo e traduzir a indústria do entretenimento para a linguagem empresarial.
Martha ensina sobre o comportamento de quem consome as narrativas e como otimizar os resultados, o que na prática representa qual é a história que a audiência precisa e quer ouvir. Diretora da Inova 360 e Storytellers, mestre em Comunicação, Consumo e Juventude. Lançou o Guia Completo do Storytelling, o livro mais profundo e detalhado sobre o assunto em língua
Aviso: Boa parte do texto foi construído a partir do "Guia Completo do Storytelling", de Fernando Palacios & Martha Terenzzo. Aos interessados, recomenda-se a leitura.
“Há histórias que são narradas muitas vezes. Algumas são contadas às crianças. São relatos que descortinam a história da tribo, o que é bom para comer, o que não é. Contos para criar cautela.
Há histórias contadas exclusivamente para mulheres, em uma linguagem particular, a qual jamais é ensinada às crianças do sexo masculino e os homens mais velhos são sábios demais para aprender. Tais relatos nunca são narrados aos homens.
Há histórias contadas apenas entre os homens, na cabana, sob a escuridão da noite. Histórias grosseiras, como a do lagarto que perdeu seu membro viril ou a do trapaceiro Malabayo, que vendeu fezes de macaco para o Rei Leão, dizendo-lhe se tratar da alma da lua.
Há histórias contadas entre todos os membros da tribo, durante os festivais ou nos banquetes: a da rocha que saltava, a de como surgiu fogo e milhares de outras.
Histórias escabrosas e histórias magníficas que são narradas e ouvidas muitas e muitas vezes.”
Esse é o começo de “Contos na Areia”, da série de quadrinhos Sandman, de Neil Gaiman. Na história, um jovem caminha com seu avô por um deserto, logo após ser circuncidado. Ele está prestes a ouvir a história que o tornará verdadeiramente um homem para sua tribo. Apesar de fictícia, a trama criada por Neil Gaiman não deixa de ter muitas semelhanças com a realidade., não apenas levando em consideração culturas exóticas e povos primitivos para nossa sociedade, mas também pensando em um reflexo comportamental que, mais do que atual, parece hereditário à natureza humana. Desde antes de poder escrever, o homem já contava histórias. Mas por quê? Por que continuamos desde a pré-história a contar histórias? A resposta é muito simples: para passarmos conhecimento e ensinarmos lições.
Segundo o romancista inglês E. M. Forster: “as histórias são imensamente antigas, elas remetem os tempos neolíticos, talvez paleolíticos (...) A audiência primitiva era inquieta, amontoada ao redor da fogueira, cansada com a luta contra o mamute ou o rinoceronte lanoso, e só continuava acordada com o suspense: o que aconteceria em seguida?”
Na teoria do Paradigma Indiciário, defendida pelo historiador italiano pioneiro no estudo da micro-história, Carlo Ginzburg, vemos que o ser humano começou a contar histórias a partir de indícios: toda vez que um ancestral via uma pegada no chão, significava que algum animal tinha passado por ali. Os ancestrais passavam esse tipo de comentário de um para o outro. Alguém contava o que descobriu, como fez pra conseguir caçar um alce ou para escapar com vida de um encontro com um leão.
Para muitos outros teóricos, a arte de contar histórias surgiu como forma de o ser humano não depender mais da evolução biológica. Quando alguém inventou a roda, por melhor que fosse a ideia, ela poderia desaparecer junto com seu inventor. Então, para que a próxima geração não tivesse que inventar a roda novamente, o inventor contava uma história sobre seu processo de criação. Assim as próximas gerações poderiam partir dessa invenção e criar a carroça.
Um bom exemplo de lição que chegou à atualidade graças a uma boa história é a cerveja. Uma história que foi encontrada na Epopéia, uma transcrição das lendas orais sumérias em tábuas de argila que datam da época do final da era glacial. Sua estrutura é composta por uma grande história que engloba histórias menores. Em uma dessas histórias, encontram-se dois irmãos disputando o afeto do pai. Cada um prepara um presente de aniversário. Enquanto um viaja o mundo atrás de grandes tesouros para encher um baú, o outro começa a arar a terra. Toda vez que o primeiro irmão retorna de viagem com um novo tesouro, o segundo está em uma etapa de produção: plantar, regar, colher, misturar, deixar fermentar... Quando chega o grande dia, o pai olha os dois presentes: um baú cheio de tesouros e uma caneca de uma bebida dourada, borbulhante que ele acha curiosa e não resiste em provar. O pai dá um gole e se sente bem, em seguida toma o restante da caneca em um só gole, fica alegre e se esquece do presente do outro filho. De acordo com o autor Tom Standage no livro História do Mundo em 6 copos “o símbolo da escrita cuneiforme para a cerveja quase não é reconhecível como formato de jarro. Mas pode ser visto, por exemplo, em tabuletas que narram a história de Enki, (...) no momento em que ele prepara uma festa para seu pai. Deve-se admitir que a descrição do processo da cerveja é algo obscuro. Mas os passos são reconhecíveis, o que significa que a receita mais antiga do mundo é a da cerveja.”
Com a passagem do tempo e as transformações sócio-culturais da humanidade, o “contar histórias” mudou, já que as lições a serem passadas e ensinadas também mudaram, juntamente com os meios de comunicação. Não precisamos mais contar histórias para saber como produzir a roda ou para continuar a produzir cerveja. E não nos reunimos mais ao redor da fogueira para contar nada que seja vital à nossa sobrevivência ou uma nova descoberta que precisa ser passada adiante. Nas duas últimas décadas do século 20, a automação da alta tecnologia impulsionou ainda mais o surgimento de novas formas de diálogo, especialmente no universo digital. A evolução midiática nos trouxe abundância e facilidade ao acesso a informação. Entretanto, essa abundância de informação e a enorme diversidade de formas de conversação nos meios de comunicação nos leva à escassez de algo muito precioso: atenção.
Em 1971, o economista americano e ganhador do Prêmio Nobel da Economia Herbert Simon observou que a quantidade de informação produzida pode continuar crescendo, mas a quantidade de atenção humana é limitada. Segundo ele “uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção e a necessidade de alocar a atenção eficientemente entre uma superabundância de fontes de informação que pode consumi-la.” Assim sendo, o rápido crescimento do volume de informação com que lidamos no dia a dia gera a escassez de nossa atenção. E, na medida em que a maioria dos países mais ricos migra da economia da informação para serviços, o tempo e a atenção tornam-se tão valiosos quanto dinheiro.
A missão de cativar atenção está cada vez mais difícil. Para que uma pessoa preste atenção em algum tipo de comunicação, é preciso que ela tenha satisfação nos níveis de necessidades cognitivas, avaliativas e afetivas. E a resposta sobre como conseguir isso pode ser encontrada na neurociência.
Para o Dr. John Medina, em seu livro Brain Rules (em inglês), existem três tipos de estímulos que geram atenção:
•Ameaça de morte: nossa necessidade de sobrevivência;
•Sexo: conteúdo sexual remete à nossa necessidade de reprodução para preservação da espécie;
•Emoções e necessidades: tudo aquilo que nos faz humanos.
Graças ao processo evolucionista ao qual passamos, temos tendência em prestar atenção à narrativas e informações ligadas a esses três estímulos, geralmente presentes em boas histórias. A oxitocina é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na neuroipófise posterior que tem função de promover apego e empatia entre pessoas e produzir parte do prazer do orgasmo. Ela também é produzida quando acreditamos em algo, quando estamos confiantes, quando demonstramos algum tipo de generosidade e ainda quando motivamos a cooperação entre os pares. Sendo assim, o “contar histórias” continua relevante desde a pré-história para conquistar a atenção cada vez mais escassa da sociedade atual muitas vezes por meio de empatia. Ou seja, por causa de um processo evolutivo que começou lá atrás, quando nem possuíamos a Escrita, hoje continuamos dependentes do “contar histórias”. Se antes precisávamos passar lições para que não se perdessem com o tempo, hoje temos acesso tão fácil à informação que nossa necessidade mudou. Ainda precisamos passar lições, mas nossa demanda maior é pela atenção que o “contar histórias” consegue atrair. A informação não mais se perde. Fica guardada em universos digitais. O que se perde é a atenção. Ou melhor, o que não se consegue atingir.
Com esse pensamento, e a crescente valorização do commodity que se tornou a atenção do público, o “contar histórias” é uma ferramenta cada vez mais visada no mercado. As lições que histórias ensinavam, passaram de relatos de caça e invenções, a pontos de vista político e socioculturais até finalmente ensinarem consumidores como marcas e produtos se encaixam em seus estilos de vida.
Muitas vezes “contadores de histórias” da atualidades dizem que sua arte é basicamente a mesma dos tempos mais primitivos, quando homens e mulheres se juntavam ao redor de fogueiras para ouvir histórias que tanto entretinham quanto explicavam, dando ordem e razão a um universo que parecia fortuito e incompreensível. E em teoria não deixam de estar certos. Sua missão continua sendo a de ensinar lições e cativar atenção. O “contar histórias” de hoje é tão importante quanto de antigamente, mas passou por adaptações às novas lições e necessidades do homem. O “contar histórias” virou “Storytelling”, escrito assim mesmo, com “S” maiúsculo. Uma ferramenta que pode ajudar indivíduos e empresas a sobreviverem na sociedade e no mercado, ao invés de na selva como antigamente. Como antigos líderes tribais, storytellers podem ensinar valiosas lições para quem escutar suas histórias. Podem ensinar lições sobre diferentes culturas, pontos de vista políticos, tendências econômicas e comportamentos sociais, por exemplo. Mas também podem ensinar coisas ligadas ao consumo de produtos e serviços para determinados consumidores, a organização de empresas para seus funcionários e passar conceitos para sua audiência. Vamos sempre contar histórias, mas nossa fogueira mudou. Entender isso é o primeiro passo para entender qual a importância de “Storytelling” no mundo de hoje. E a importância de “Storytelling” é uma boa lição para se aprender.