Adaptações para o cinema, videogame, animação ou série costumam ser muito criticadas e meu saudoso professor de Teoria Literária, Ivo Lucchesi, certa aula me disse que uma adaptação só é melhor do que o livro se o livro for muito ruim.

Essa aversão à versão é justa já que muitas das adaptações ocorriam de forma tímida tornando-se uma pálida versão do original. Isso se deve ao fato de que a tradução das obras literárias e quadrinhísticas (os formatos de mídia escrita) para o audiovisual visa angariar um grande público em contrapartida do restrito, porém cativo, da mídia impressa.

A Transmídia, que já era utilizada antes mesmo de ter sido concebida por Henry Jenkins agora é criada em profusão. O presente artigo pretende mostrar as diversas versões do personagem Coringa, das HQs de Batman, da DC Comics, para as telonas e exemplos de animações e games, além de revelar a eminência parda responsável por sua criação, um personagem de Victor Hugo.

Este artigo é em memória de Denny O'Neil, criador do vilão Ra's al Ghul, que originou a consagrada trilogia de Christopher Nolan, falecido dia 11 de junho deste ano.


Joaquin Phoenix levou o Oscar por seu pavoroso Coringa ( por pavoroso, me refiro tanto ao filme quanto ao personagem que intitula a trama) e quando digo "pavoroso", estou elogiando. Dentre os muitos coringas que estrelaram na tela, tivemos um hiato de 22 anos entre o pândego e inocente bozo maléfico de Cesar Romero (da série televisiva sessentista recheada de onomatopeias) até o icônico gângster gótico de Tim Burton, vestido pelo não menos icônico Jack Nicholson. Curiosamente, 22 era o número atribuído à carta do Louco, no Tarô.

Outro hiato e eis que surge o assustador Coringa de Heath Ledger e, pouco depois, a mais criticada versão, vivida por Jared Leto; e mais duas (de Roger Stoneburner e Cameron Monaghan), que passaram praticamente despercebidas, salvo pelos que assistiram as séries Mulher Gato e Gotham. O fato é que Ledger não chegou a curtir os louros da vitória em vida, já que demorou para se despir do Exu brabo que encarnou, além de sua versão do Coringa ter sido rapidamente “substituída” pela atuação cristalina de Phoenix. 

Seja como for, frequentemente nos deparamos nas redes sociais com memes comparando as várias versões do palhaço do crime nas telas, rendendo críticas e homenagens às mesmas. Não venho por meio deste artigo defender ou rebaixar esta ou aquela versão, mas expor as muitas versões do personagem no cinema e elucidar os momentos e fases nas HQs que serviram de base para cada uma.


Cesar Romero - Batman (1966)

Em 1966 Adam West desponta como o Batman nada fitness que faltava pouco dar mesada ao Robin bambino vivido por Burt Ward. A série foi ao ar pela American Broadcasting Company (ABC) - que hoje emplaca nomes como Grey’s Anatomy, The Good Doctor e How to Get Away With Muder - e chegou ao Brasil pela TV Paulista, na época, canal 5, ainda em preto e branco, que mais tarde foi comprado pela Rede Globo, que passou a exibir a série em horário nobre até ser repetida à exaustão no SBT, como as séries Chaves e Chapolin, tendo animado a infância da década de 1980. Cesar Romero fez um Coringa caricato que tinha tudo a ver com o personagem e com o clima da série.

Filho de uma cantora cubana e neto do lendário José Martí*, sua família decaiu economicamente após a crise de 1929 e logo em seguida, Romero ingressou na carreira de ator, já interpretando gangsters italianos. Contracenou com Carmen Miranda em Aconteceu em Havana (1941) e até com Frank Sinatra em Onze Homens e um Segredo (2001), mas seu papel como Coringa foi o que realmente alavancou sua carreira, que nunca chegou ao estrelato, sempre em papéis coadjuvantes. A série do “Soc, Tum, Pow” voltou à ativa na televisão brasileira em canais inexpressivos, mas só veio à tona mesmo no início dos anos 2000, com uma paródia youtúbica a la Tela Class. “Santa Feira da Fruta, Batman!” 


*José Juan Marti Pérez. Político, jornalista e poeta cubano


Jack Nicholson - Batman (1989)

Com o passar dos anos o personagem amadureceu a duras penas no inconsciente coletivo dos leitores. Cortesia de Danny O'Neil (falecido recentemente, no dia 11 de junho) que, junto a Neal Adams, devolveu o homem morcego às suas origens obscuras. A tão aclamada trilogia de Christopher Nolan onde Ra's al Ghul aparece como mentor e responsável pela parte essencial do treinamento de Bruce Wayne para posteriormente se tornar um inimigo  não teria existido já que o mesmo fora criado por ambos. Danny O'Neil mergulhou fundo na psiquê do personagem e trouxe a sombra à tona... ou devolveu Batman a ela. Com essa fase e a abordagem posterior de Frank Miller, ninguém melhor do que Tim Burton (com sua estética trevosa e ao mesmo tempo fofinha) e Jack Nicholson (com sua conhecida careta emblemática presente em O Iluminado) para fazê-lo.

A despeito das duas risíveis continuações (de Joel Schumacher), o universo de Tim Burton funcionou muito bem até o segundo filme, com talvez o melhor Pinguim já concebido e uma Mulher-Gato de fazer inveja à Madonna no clipe Erotica, que só seria lançado quatro meses depois do filme. Ambos passaram por extenso e intenso trabalho de maquiagem, mas o personagem de Danny DeVito era um Quasímodo gângster e tinha de ter toda a sua fisionomia alterada enquanto as caras e bocas de Jack Nicholson eram mais que suficiente para dar vida ao Coringa. A simples menção pelo cirurgião plástico de que os nervos faciais haviam sido totalmente seccionados era o bastante para que acreditássemos mais tarde ao ver o seu sorriso.

Como era de praxe dos antigos filmes de quadrinhos, a versão para as telonas era sempre um paliativo e a história original era modificada para se adaptar a um longa metragem. O Coringa morre no final e foi o responsável pela morte dos pais de Bruce Wayne. Heath Ledger deveria ter dado ouvidos a seu antecessor, já que todo ator que encarna o palhaço já dançou com o demônio sob a luz do luar... 


Roger Stoneburner (Quem?) - Aves de Rapina (2002) 

Muito antes do filme, houve uma série das Aves de Rapina pela The Warner Bros Television (TWB), onde o Coringa, durante um  flashback, atira em Barbara Gordon, reproduzindo o canônico episódio retratado em Batman: A Piada Mortal (1988). Embora o desconhecido Roger Stoneburner esteja caracterizado de uma forma cômica (no mau sentido para o personagem), sua participação na trama foi tão pálida que seu nome nem apareceu como parte do elenco. O Coringa foi creditado a 


Mark Hamill (Ele?!) - Batman: The Animated Series (1992)

O primeiro Luke Skywalker de Guerra nas Estrelas, que emprestou sua voz ao personagem durante a série e para o desenho animado Batman: The Animated Series (1992), além da série de games Batman: Arkham.

Heath Ledger - Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) 

Ledger realmente entrou no personagem! Ou talvez tenha sido ao contrário e o personagem tenha se recusado a sair, como cogitei no sexto parágrafo. A caracterização da boca é um show à parte e voltou a entrar em cena na HQ Coringa (2008), de Brian Azzarello.

O motivo pelo qual a boca foi cortada nunca é revelado ao longo do filme, assim como o motivo pelo qual não tem impressões digitais, suscitando a ideia de que teria caído no ácido, como conta a história original do personagem e é mostrado no Batman de Tim Burton. O sorriso psicótico é conhecido no estudo da linguagem corporal como a contração da AU13 (Unidade de Ação 13), o músculo Angulis Oris, tão bem representado por Jack Nicholson e dramatizado na cicatriz de Ledger.
Se o Coringa de Phoenix nos dá pena e nos desperta empatia pelo personagem, o de Ledger dá medo e… nojo! Seu terno sujo, sua maquiagem mal feita e seu cabelo desgrenhado nos passam muito mais a impressão de abandono que justifica sua fala: “Eu sou só um agente do caos…” Muito mais que um flagelo social, o Coringa de Ledger é uma entidade… a própria Sombra da psiquê humana encarnada. 

Cameron Monaghan - Gotham (2014 a 2019) 
Em Gotham, o proto-Coringa passa por uma verdadeira metamorfose ao longo da trama tal como um personagem nipônico evolui. Trabalhando o arquétipo dos gêmeos, a série apresenta os irmãos Jerome e Jeremiah Valeska.

Não vou me alongar acerca de ambos portanto vamos nos ater ao primeiro. Seu aspecto deriva da HQ A Morte da Família (2016), onde o Coringa se submete voluntariamente a uma cirurgia estética. Cortesia do Mestre das Bonecas (que, a meu ver, foi descaradamente chupinhado e num próximo artigo vou mostrar de qual personagem). O sorriso cortado fica por conta do filme estrelado por Ledger. 


Jared Leto - Esquadrão Suicida (2016)

Chegamos ao tão criticado Coringa de Jared Leto. E vou dizer a vocês que não vou criticá-lo. “O quê?” - você se pergunta aí em sua tela. Isso mesmo! Sou bastante chato e crítico, mas Leto não mandou mal. “O QUÊ?!” Sim, ele não mandou mal não.

Embora Leto estivesse parecendo uma mistura de Marilyn Manson com MC Guimê, o Coringa de Esquadrão Suicida é criticado por ter sido uma versão infiel ao personagem, quando na verdade é um blend do Coringa de Batman: Descanse em Paz (2013), HQ de Grant Morrison, com as risadas presentes em Batman: A Piada Mortal (1988) tatuadas em seu corpo. Os dentes blindados foram só pra dar o estilo gangsta.


Joaquin Phoenix - Coringa (2019) 

Depois do assustador e asqueroso Coringa de Heath Ledger, todo mundo se perguntava quem seria o próximo ou quando haveria um tão bom assim. Onze anos após o fatídico personagem ter bombado (literalmente) as telonas, Joaquin Phoenix é escalado para protagonizar um filme… do vilão!

Quando assisti o trailer, pensei: "Ou vai ser muito bom, ou vai ser uma m...!", e o filme realmente dividiu o público e a crítica, principalmente os fãs de quadrinhos e do personagem. Não que eu duvidasse da atuação de Phoenix, mas tanto a caracterização me parecia duvidosa quanto a cena das pessoas mascaradas; uma clara alusão a V de Vingança.

O Coringa como palhaço de rua em De Volta à Sanidade

O que ninguém parece ter percebido é que a evolução do personagem e toda a sua ambientação lembram a HQ De Volta à Sanidade (1995), da antiga publicação Um Conto de Batman. O trocadilho presente no nome original (Going Sane) se perde na versão brasileira e a trajetória do personagem de Phoenix dramatiza exatamente o trocadilho: go insane... A cena da entrevista no final do filme está presente na HQ O Cavaleiro das Trevas. 


O Homem que Ri (1869/1928)

Um certo personagem de Victor Hugo foi a eminência parda por trás do personagem, principalmente para as versões de Ledger, Monaghan e Phoenix. Lançado em 1869, O Homem que Ri (L'Homme Qui Rit) não fez muito sucesso, mas se tornou um longa metragem em 1928 pelas mãos do cineasta alemão Paul Leni. Houve até uma HQ com este título.


Conrad Veidt

A história? O pai de do menino Gwynplaine traiu o Rei James II, da Inglaterra, e foi condenado à dama de ferro (instrumento de tortura que, entre outras coisas, batizou a banda Iron Maiden e serviu de alcunha nada lisonjeira a Margareth Thatcher). Para o menino, foi encomendada uma pequena “cirurgia” que o deixaria “sorrindo” pra sempre. Para ganhar a vida, ele, uma menina por quem mais tarde se apaixonou e um velho que os adotou fazem pequenos espetáculos mambembes.
O corte na boca é o detalhe presente no Coringa de Ledger. O proto Coringa da série Gotham tanto possui o corte na boca como cresceu em um circo, mas o Coringa de Phoenix é o cerne da questão lavantada em O Homem que Ri. Em um determinado momento do romance, Gwynplaine exclama para um lorde: "Eu sou um símbolo. Ah, vocês todo-poderosos, abram os olhos. Eu represento a todos. Eu encarno a humanidade (...)". Ambos, tanto Gwynplaine quanto o Coringa de Phoenix, são representações do lumpen. O Quasímodo, de O Corcunda de Notre Dame (também de Victor Hugo), o Povo de Rua, da umbanda, o Zé Ninguém, de Wilhelm Reich... e talvez até Legião, da Bíblia.
Claudio Siqueira- formado em Jornalismo pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), autor da primeira monografia sobre Storytelling & Transmídia da Cidade Maravilhosa, cheia de embustes mil.



Na educação de forma mais ampla, a prática de contar histórias é uma das mais antigas. Desde as épocas em que a humanidade vivia em cavernas, os caçadores ensinavam as técnicas de caça para as novas gerações ao redor das fogueiras. "As cavernas modernas são as empresas, e elas também estão percebendo que contar histórias é vantajoso para treinar e motivar", afirma Fernando Palacios, fundador Storytellers Brand ´N´ Fiction. Ele explica que uma história é como uma esponja, capaz de absorver qualquer tipo de conhecimento. "Nos dias de hoje já sabemos que se aprende muito mais sobre negócios assistindo a seriados como House of Cards, Game of Thrones ou Breaking Bad do que recorrendo a livros técnicos." Em entrevista exclusiva ao portal Callcenter.inf.br, Palacios fala sobre as vantagens de usar o Storytelling, como colocar em prática e os desafios.

Qual o principal diferencial dos Storytellers?
As histórias são contadas por meio de enredos, palavra que remete a rede. As narrativas são assuntos distintos que se entrelaçam formando uma série de tramas. Então, ao invés de lidar com um assunto por vez, um enredo consegue lidar com uma série de temáticas simultaneamente. Quando refletimos sobre o Aladdin da Disney, podemos concluir que é uma história da força do amor, mas também de disputa de classes, e também do valor da amizade, sem deixar de ser uma discussão entre o que é certo e errado na sociedade... e assim por diante. A audiência pode não se dar conta, mas ela está diante de todos esses temas. Com isso é possível treinar e motivar ao mesmo tempo, por exemplo. Ou instruir e vender.

Como as empresas podem utilizar o Storytelling para treinar os colaboradores?
Dando exemplos para contextualizar a informação que está sendo ensinada. Quando uma professora primária diz que 2+2=4, ela pode acabar complicando a vida da criança, já que abstrair tende a ser mais difícil do que visualizar. Então, para facilitar, ela diz que Pedrinho tinha 2 maçãs e ganhou duas e assim ficou com 4 maçãs. OK, já facilitou. Pelo menos agora está menos abstrato. Isso não deixa de ser um princípio de storytelling. O problema é que a criança não sabe quem é Pedrinho e qual a vantagem de duas maçãs a mais na vida dele. Agora, se a história for da Magali que já tem 2 maçãs e só precisa de mais duas para matar a fome, então fica mais fácil de acompanhar e até torcer. E a partir do momento que o aluno está na torcida, ela presta muito mais atenção aos detalhes, já que qualquer coisa pode fazer a diferença para o sucesso. Ou seja, na educação, as histórias podem ser utilizadas como um contexto mais interessante para transmitir a informação.

E para motivar?
Existe um detalhe fundamental: a história não é sobre o assunto que está sendo ensinado. No exemplo anterior, a história não é sobre as maçãs, mas sobre a Magali. As maçãs não passam de um pano de fundo para que os alunos acompanhem a Magali em mais uma aventura. Poderia ser o Cebolinha juntando quatro gravetos para preparar um plano infalível. Isso gera uma humanização na comunicação e facilita com que as pessoas possam criar uma identificação com o que está acontecendo. Dessa empatia surge a motivação.

Quais os principais desafios para sua adoção?
Não é possível "substituir" o processo formal por storytelling. Esse contexto é algo que deve ser feito "a mais". Depois de fazer todo o conteúdo é que é possível revestir com uma história. Isso implica num investimento maior de tempo e energia. O desafio é saber selecionar quais mensagens são mais importantes e realmente merecem ser transformados em história.

Como esse uso do Storytelling pode auxiliar as empresas de call center?
Tanto no treinamento, como na própria abordagem. Boas histórias podem ajudar tanto no call center reativo quanto no pró-ativo. Vamos pensar em um call center que recebe reclamações de consumidores. Vamos supor que a reclamação seja barulho sendo feito na rua durante a madrugada. Se além de pedir desculpas pelo ocorrido o atendente souber contar a história que está motivando o problema, as questões de segurança que estão sendo trabalhadas, os cenários que estão sendo evitados e os motivos por que o horário não pode ser transferido, o consumidor vai ficar mais convencido de que o barulho é inevitável e que a empresa não é culpada

Esse post foi originalmente postado no Portal Callcenter.


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O mercado internacional reconhece o impacto e a efetividade dos trabalhos de product placement. Fosse diferente, a maioria das superproduções não teriam a introdução das marcas durante as cenas. Para alguns especialistas, o Brasil parece ainda engatinhar no tema, apesar de já ter algumas iniciativas interessantes. Uma delas, criada pela J.Walter Thompson, chamou a atenção de parte do público do Twitter.

No penúltimo capítulo da novela Império, exibida pela Rede Globo, o vilão José Pedro (Caio Blat) bebeu uma Coca-Cola momentos antes de sequestrar a própria irmã (Leandra Leal). "Estou ansioso. Fiquei até com a boca seca. Adeus, bastarda", disse o personagem, ao lado de Maurílio (Carmo Dalla Vechia). Na sequência, durante o sequestro, Maurílio segura a lata vazia na mão e questiona o que fazer com o objeto, que agora tem impressões digitais.

Ao tentar jogar a embalagem no lixo, entretanto, o personagem erra o alvo, e o item cai na rua. A última cena parece deixar evidente a importância que a lata da Coca deve ganhar no desfecho do último capítulo da trama. Entretanto, parte do público do Twitter não entendeu a ação como um encaixe bem contextualizado. Uma enxurrada de críticas sobre a introdução do produto nas cenas ganhou a rede social. A maior delas: a associação do vilão com o produto.

Para Fernando Palacios e Fundador da Storytellers Brand´n´Fiction, a questão é também a própria cultura do brasileiro com relação à polarização entre mocinhos e vilões. "A estratégia foi ousada. Enquanto os Estados Unidos investem cada vez mais em seus vilões, o Brasil ainda tem esse apego dicotômico ao herói bonzinho e ao vilão malvado", acredita.
Para Palacios, talvez o fator mais grave esteja em outro ponto. "Colocar uma Coca-Cola na mão do vilão no penúltimo episódio certamente daria o que falar. Talvez o escorregão esteja no fato de que a Coca-Cola se posicione como a marca ‘Embaixadora da Alegria’ e essa associação com a vilania acaba ficando estranha", explica.

Ainda assim, Palacios lembrou que a mesma Coca-Cola já se arriscou em cenas de placement com o contexto parecido. "No seriado Breaking Bad, a Coca-Cola também apareceu em contextos de vilania, tanto quando o protagonista Walter White compra o lava-rápido para lavar seu dinheiro, como na cena icônica do episódio ‘Say my name’ em que ele diz que sua droga é a melhor e que se ele morrer seria como acabar a Coca-Cola do mundo", finalizou.

Post publicado originalmente no portal Adnews



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"Conte a verdade, mas faça com que ela seja fascinante". A frase é do lendário David Ogilvy e poderia resumir o conceito de storytelling, se de fato esse termo já existisse na época.

O assunto entrou na pauta do trade após o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) resolver avaliar denúncias envolvendo a comunicação das empresas Diletto (sorvetes) e Do Bem (sucos) e possíveis "mentiras" em suas histórias.

A primeira delas diz que a marca foi criada por um imigrante italiano, Vittorio Scabin, que veio ao Brasil após fugir da segunda guerra mundial. Acontece que tal personagem nunca existiu, como desmitificou uma matéria da revista Exame. No segundo caso, a Do Bem diz que suas laranjas são fresquinhas, cultivadas e colhidas na fazenda de um senhor chamado Francesco. Acontece que grande parte das frutas é fornecida pela Brasil Citrus.

Tais gargalos podem comprometer a credibilidade do Storytelling? O impacto maior será no consumidor, que vai desconfiar cada vez mais das histórias "espetaculares" das marcas? Ou no anunciante, principalmente aqueles que já olham para a ferramenta com alguma desconfiança? O Adnews convocou três especialistas no assunto para debater a questão:

Fernando Palacios, fundador da Storytellers Brand´n´Fiction

O consumidor talvez fique mais ligado e até mais calejado com esse tipo de ação. Das próximas vezes talvez até pesquisa no Google mais sobre o assunto. Pelo menos a parcela que se sentiu muito ofendida ao saber da verdade. Muita gente nem ligou e até defendeu dizendo para tomarmos o cuidado de não levarmos a comunicação para um caminho cada vez mais enfadonho, já que entre alguém berrando que agora está mais barato e uma história simpática, o segundo caminho é mais agradável ao próprio consumidor. É só uma questão de como conduzir o processo, de não induzir o consumidor ao erro.
Claro que o assunto vai repercutir nas empresas. Os profissionais que já estão ressabiados com o termo tendem a apontar o dedo e dizer 'viu só?' Só que vale lembrar que Storytelling não é apenas uma ferramenta. Estamos falando de um conceito que abrange grande parte das atividades humanas. Vamos ao cinema para assistir a histórias, quando estamos no bar com os amigos contamos histórias, assim como as conversas do café. O tempo todo estamos cercados por narrativas e é impossível fugir disso.
Sábio é o executivo que aprende com os erros dos concorrentes. Ele pode perceber que não é esse tipo de Storytelling que deve ser feito, ou pelo menos não desse jeito. Mas uma coisa é inegável: algo de muito certo essas empresas fizeram, ou não teriam feito tanto sucesso em tão pouco tempo. Nem estaríamos todos debatendo sobre elas.
Nesse caso, a lição é simples e eu já ensinei mais de mil alunos sobre isso: se não aconteceu de fato diga que é uma ficção e ponto. E se aconteceu no mundo real não diga que é verdade, mas que é baseado em fatos reais. Toda história tem muitos lados.
Para finalizar, vale ressaltar que esse tipo de acontecimento sempre é bom para o mercado, pois o ajuda a amadurecer. Se Do Bem e Diletto tivessem buscado uma consultoria de Storytelling, elas não estariam nessa situação. Cada vez vai ficar mais difícil contar histórias corporativas baseadas apenas em intuição. Que venha e profissionalização e que ela traga grandes histórias.

Esse post foi publicado originalmente pelo portal AdNews.
Para ler a matéria completa acesse o post no AdNews.



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Sempre falamos da influência do Storytelling no consumo, mas hoje vamos ver um outro ângulo desse impacto.

As grandes histórias, aquelas que entram para o tecido cultural da sociedade, possuem um poder incomparável: gerar um código próprio de comunicação. As pessoas se apropriam do universo simbólico e passam a usá-lo. Um anúncio demonstra o processo de forma genial.


Às vezes isso pode significar mais vendas de um produto, mas em alguns casos específicos o uso é muito mais revolucionário. Um dos casos mais emblemáticos é o V de Vingança.


Alguém desavisado pode até achar que ele está sorrindo. 

O caso mais recente está ligado à saga Jogos Vorazes. O que começou como uma história distópica quase boba, acabou tomando proporções grandiosas. O primeiro efeito foi inaugurar uma nova era de distopias como Divergente e Maze Runner.

A história de Jogos Vorazes é a seguinte: depois de um apocalise nuclear, o mundo viveu um caos até que um grupo conseguisse se organizar em uma nação chamada Panem. Com pouco pão para os pobres e muito circo para a elite, houve uma rebelião. O símbolo dos rebeldes é aquele da foto no começo do texto: o braço erguido com três dedos unidos. A rebelião foi abafada e como medida disciplinar, os estados rebeldes devem entregar dois jovens anualmente. Eles são chamados de tributos, porque é como se fossem lançados ao vulcão: serão colocados em um coliseu moderno onde duas dúzias de jovens irão lutar até a morte. O sucesso de vendas foi espantoso.

Parte do fenômeno editorial pode ser explicado por aquilo que alguns autores chamam de "conjuntuta" e outros mais poéticos colocam como "espírito da época".

Apesar de se passar em um futuro distante, Jogos Vorazes conversa perfeitamente com o contexto social em que vivemos. Panem é composto por uma rica capital cercada por doze distritos pobres. É só visualizar Brasília e suas cidades-satélites. Por essas e por outras, é fácil de traçar o paralelo com a realidade.

Não é por acaso que os manifestantes na Tailândia estão usando o mesmo gesto contra o regime militar que recentemente derrubou o rei.



Nada mais providencial do que esse movimento justamente agora, que o terceiro filme da saga chega aos cinemas. A tela inspira a revolução e os gestos divulgam o filme como se fosse uma invejável ação de marketing de guerrilha.

Não é por menos que a primeira coisa que os ditadores fazem é aplicar a marca registrada das épocas de trevas: queimar os livros. Mas nem as grandes fogueiras dos soldados de Hitler ou dos bombeiros de Fahrenheit 451 são capazes de acabar com as histórias.


como ensina o mascarado de V de Vingança, as ideias e as histórias são à prova de balas. 


Esse post tem muitas influências de Mauro Palacios, CEO da Twist. 

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Contar histórias é uma aptidão inata do ser humano, desde que começamos a passar adiante nossas experiências em caçadas e a buscar explicações para o que nos acontecia. Seja no boca a boca ou pintando pessoas e animais em paredes de cavernas, criar narrativas faz parte de nossa natureza enquanto indivíduos. Com a evolução da comunicação e dos relacionamentos, tornou-se necessário aprimorar tal habilidade. Dentro do universo corporativo, essa prática tem o nome de storytelling. Os enredos, personagens e conflitos presentes em nossos cotidianos ganham força com uma narrativa apropriada e pensada com antecedência.

As nuances e a influência direta do ambiente corporativo sobre a vida das pessoas proporcionam conteúdo inesgotável de acontecimentos e vivências dignas de “causos”. “Dentro do público interno e através das próprias experiências na corporação, os líderes conseguem inspirar e fazer com que as pessoas não repitam erros, analisar o que deu certo ou mesmo ajudar os analistas a tornar tangíveis os projetos atuais”, afirma o professor Fernando Palacios.


Trecho da matéria publicada na Revista da Administração. 
Para ter acesso ao conteúdo completo, acesse aqui

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Entre inúmeras cenas polêmicas, a série de TV Game of Thrones, produzida pela HBO, tem muito para ensinar às empresas sobre estratégias de marca. Para Fernando Palacios, fundador da Storytellers Brand’n’Fiction e palestrante, fala sobre a série inspirada na saga As crônicas de gelo e fogo, de George Martin, é um exemplo de narrativa para engajar o público.

“Sua capacidade de fidelizar o público é impressionante. Isso acontece porque há uma boa história por trás. George Martin criou 13 mil anos de história e sabe exatamente o que é importante contar. Assim que tem que ser uma boa história: tem que ter uma parte escondida, que você não vê”, diz.

Para ele, outra obra que tem ensinamentos para as empresas é o romance O velho e o mar, de Ernest Hemingway. Ele conta que muitos críticos questionaram o reconhecimento do livro com o Prêmio Novel de Literatura de 1954 por ter pouco mais de 120 páginas. “Hemingway rebateu as críticas, dizendo que ganhou justamente por ser uma história curta. Ele pensou no que aconteceu com cada morador da vila, mas selecionou e publicou apenas as melhores partes da história. É um exemplo de boa narrativa para chamar atenção ao que se quer relatar”, explica.

Com uma história bem contada, qualquer empresa pode ir longe, segundo Palacios. O storytelling, estratégia de marketing que consiste em contar histórias da companhia de uma maneira mais palpável e lúdica, vem apresentando resultados positivos às empresas que a incorporam em suas ações. Além de maior engajamento do público, transformação de stakeholders em embaixadores, expansão do mercado, a estratégia contribui para a diferenciação da marca e o estabelecimento de conexão emocional com clientes.

Storytelling no setor público

O storytelling também vem sendo utilizado pelo setor público. Há um tempo a Prefeitura do Rio de Janeiro chamou a atenção de vários internautas em sua página do Facebook com um pedido de casamento para a Prefeitura de Curitiba. A brincadeira institucional nas redes sociais virou uma campanha para doação de sangue nas duas capitais.

“Esse é um bom case de storytelling no setor público. As páginas das prefeituras nas redes sociais têm uma voz própria, que não é corporativa, política nem institucional. É uma voz pessoal, que permitiu uma aproximação e interação maior com os cidadãos que queriam atingir”, conta Palacios.

Vale inventar história?

De acordo com Palacios, vale inventar uma história sim, desde que esteja claro para o público que se trata de uma ficção. “As pessoas podem gostar de uma mentira bem contada, desde que elas saibam que é uma mentira. Existe uma ética no storytelling”, afirma.

Palacios destaca o caso da marca de sorvetes Diletto, fundada por Leandro Scabin, que diz ter se inspirado em seu suposto avô, Vittorio Scabin, sorveteiro italiano da região do Vêneto, para abrir a empresa. A história real, que é contada nas embalagens e no site da companhia, foi revelada na semana passada pela revista Exame, que publicou um artigo contando que o tal Vittorio nunca existiu nem produziu sorvetes: é apenas uma estratégia de marketing.

“É um problema apresentar a ficção como verdade, sem explicar que aquela história não é real”, diz. “Mais cedo ou mais tarde, alguém vai descobrir e pode pegar mal para a marca.”

Post publicado primeiramente no portal da AmCham



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Sua história? Conte com a gente! Esse é o nosso slogan.

Muita gente acha que Storytelling é só contar uma historinha, um causo e pronto, "acabou de fazerm um storytelling". Mas  existe um outro mundo muito além desse, o mundo em que Storytelling é escrito assim, com letra maiúscula.

Storytelling desse outro mundo injeta função nas histórias, exatamente como pretendiam os nossos ancestrais ao redor das fogueiras.

No primeiro momento, os Storytellers trabalham histórias para marcas. Essas histórias podem ser reais e aí vamos fazer um trabalho de resgate das memórias. Essas histórias podem ser ficcionais e aí vamos criar uma mitologia para a marca.

Assim que a história está consolidada, passamos a trabalhar as narrativas. De nada adianta ter uma  história épica, se ela não for contada da melhor maneira. O ponto é que cada formato narrativo tem uma peculiaridade. Então o que funciona num romance literário nem sempre se traduz em um curta metragem. Por isso que na etapa das narrativas é comum pensarmos o conceito de Transmídia, permitindo criar uma experiência imersiva e inesquecível para os consumidores.

De forma resumida, criamos e contamos histórias. Mas ainda existe uma outra possibilidade, que é de ajudar outras pessoas a contarem suas próprias histórias.

Em poucas palavras, posso afirmar que resgatamos e criamos histórias de marca, para contá-las da forma mais fabulosa e no formato mais adequado, e também ajudamos executivos a fazer o mesmo.

Caso você tenha contado alguma história e não deu muito certo, a culpa não é do Storytelling, mas do storytelling. Tente de novo e dessa vez lembre do slogan dos Storytellers.



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Transmídia é uma forma muito contemporânea de se contar uma história: ao invés de seguir por uma só linha, a narrativa pode ganhar novos horizontes. No caso da franquia Planeta dos Macacos, o transmídia começou logo com o primeiro filme: ao invés do remake do seriado, o filme foi mostrar a origem de como o nosso planeta foi tomado pelos símios. Assim, o filme ajuda a complementar a história do seriado na mente dos indivíduos que já conheciam a história.

Entre o primeiro e o segundo filme, passam-se dez anos. O estúdio Twentieth Century Fox uniu forças com a Vice para criar conteúdos complementares que acontecem no hiato entre os filmes e que ajudam a aprofundar os dilemas de todos os sobreviventes à gripe símia.

1 ano depois, o silêncio no meio da crise:




10 anos depois, a loucura testemunhada por uma arma:

Além dessa imersão no universo ficcional, existe ainda um documentário que se passa no nosso mundo atual. Considerando que o filme trata de um futuro distópico - aquele em que tudo vai de mal a pior - é eficaz a estratégia de provar que o cenário apresentado no filme está mais próximo do que imaginamos.

O que existe de especial nesse case é o fato de que apesar de não usarem muitas frentes narrativas, as peças são todas muito bem construídas: tanto em termos de produção, quanto de enredo. Cada uma adiciona uma camada a mais no universo ficcional. Para quem está atento, é um prato cheio, com toda a vantagem da estratégia transmídia: mesmo que você não tenha visto nenhum dos filmes, você pode ver os curtametragens.


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A saga dos 50 Tons de Cinza é um bestseller... e não digo isso só como fenômeno editorial - que já se estima ter ultrapassado US$ 1 bilhão em vendas em todo o planeta - mas também como bestseller de outros produtos para outras marcas.

Olhando para o poder de influência do storytelling e seus personagens, o livro atua como uma espécie de "caroneiro do sucesso". Já que o livro se passa em lugares existentes e inclui marcas reais, fica fácil para um fã se aproximar do seu desejo imaginário...

A seguir, os 5 maiores beneficiados dos livros da autora britânica. Os dados foram pesquisados por Pedro Kastelic.

Produtos Eróticos - 30% aumento na venda de bondagens e 10% aumento na venda de cordas
Mais do que uma marca ou produto, o primeiro grande beneficiado foi a indústria do erotismo. Se o sexo vende, com um pouco de estímulo ele enriquece. Uma ideia aqui, outra brincadeira ali e se fosse possível somar tudo ligado a sexo que foi movimentado no mundo inteiro por conta do livro, superaria em 50 vezes o valor do resgate do sequestro de um CEO.

Rede de hotéis Heathman - novo pacote de hospedagem "Charlie Tango" no valor de US$ 2700
Não apenas muito mais gente se hospedou no hotel em que se situa parte da história, como ainda queriam refazer os mesmos passos dos personagens. Sem perder tempo, a rede que aparece no livro criou um roteiro com direito a passeio de helicóptero... e muita gente deixou sua imaginação voar alto.

Audi recorde histórico de vendas em abril 2012 e 28% de aumento nas vendas em julho
Um mês após o livro atingir o topo da lista dos mais vendidos do jornal NY Times, o principal "presente" que o CEO mais famoso da literatura deu para sua amada passou a ser uma espécie de desejo de consumo... e as vendas só subiram depois disso e olha que muito pouca coisa acontece dentro do veículo.

Apple - difícil de medir, já que também aparece em mais de 900 outras histórias
Ainda assim, uma coisa é certa: para quem sonha com Christian Grey, tem um iMac faz parte do pacote...

Blackberry - esse nem o livro conseguiu salvar
Se por um lado uma boa história pode ser grande o suficiente para que marcas concorrentes coexistam, por outro, nem mesmo 50 Tons de Cinza conseguiu levantar as vendas do Blackberry, que vinham caindo e continuaram no mesmo ritmo... e isso que um capítulo-chave do segundo livro gira em torno do aparelho. No caso, a protagonista não usou o smarthphone e se deu mal. Parece que a mesma resistência continuou no mundo real.

Ou seja, uma história proeminente não ganha sozinha. Quem vier com ela, enriquece junto. Afinal, todo o mundo que gostou da trama, vai querer vivenciar um pouco daquilo que seus heróis fizeram. Não é por acaso o aumento de 23% das vendas nas gravatas Cinza-Grey. Não basta ser CEO, tem que ser Grey.



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