RPGistas são narradores natos, de fato compreendem os elementos e sabem controlar o ritmo de uma narrativa interativa, como diria Daniel Erickson, o Creative Director da Warner Bross Games.  Considero este jogo como a forma mais eficaz da união entre Storytelling e Game. Porém existe uma diferença imensa entre um narrador (de RPG) e um Storyteller, escritor realmente.

Há dois anos, eu era apenas um Roleplayer que fez uma jornada com nomes como Fernando Palacios e Martha Terenzzo, pelo caminho do Storytelling e este post é sobre isso... Aliás essa é uma história de dois posts, você pode escolher como ler os dois. O outro está lá no RPG Vale e se chama "O que um Storyteller pode aprender com o RPG"


Narrativas para RPG geralmente são despretensiosas e orientadas para um pequeno grupo


Eu conto essa história para todo mundo, quando em um curso na ESPM - esse de Inovação em Storytelling. - , o Fernando me convidou para um café e perguntou de alguma história minha. Comecei a narrar um projeto de mundo ficcional que eu tinha escrito para minhas aventuras. 

"Cara isso está uma verdadeira bagunça!" Foi o que me disse após ouvir os detalhes e me deu dicas de como controlar isso. Sabe, até aquele momento eu escrevia tão despretensiosamente que sequer considerava a ideia de eu me tornar um escritor.  Cheguei a anunciar no RPG Vale, meu blog, que isso nunca aconteceria - que ingenuidade a minha. 

Após alguns outros cursos, café e projetos juntos passei a enxergar em encontros de RPG e em outras aventuras de narradores o que existia na minha: era orientada para o grupo, pequeno e não para se tornar algo maior.  Eu era um Pantser, sentava e escrevia sem parar, sem saber o que aconteceria no final.  Tenho que ressaltar que isso não é errado, mas quando se é um escritor iniciante significa não ter técnica alguma. 


O segredo de uma história é aquilo que você não conta


Acredite, quando se trata de criar universos de fantasia, RPGistas são imbatíveis... criam um em cada café da manhã. E, eu tinha vários na mente, mas como comente anteriormente, não sabia como conta-los.  Durante um dos cursos que fiz com a Storytellers, essa citação acima me causou uma epifania. 

"Como assim, eu criei um mega cenário futurístico e distópico com referências rebuscadas e um vilão com conflito digno de um blockbuster, eu preciso mostrar tudo..."  Não, não precisa. 




Metade da história acontece no papel, a outra, deve acontecer na mente do leitor. É como é uma boa história, cria curiosidade e instiga a continuar a aventura.  Tive um resultado maravilhoso quando percebi isso, mas vou seguir com outro tópico antes de descreve-lo. 


Afie sua caixa de ferramentas do Storytelling  


Desconheço um Nerd que não tenha ouvido sobre o monomito ou como é conhecido no meio pop "A jornada do herói".  E o que eu faço com esse conhecimento agora?  Afinal eu sempre conheci a jornada, mas minhas histórias continuavam bagunçadas. 

Nessa hora eu já estava acompanhando mais de perto e escrevendo mais aqui na redação Storytellers.  Percebi que precisava de mais ferramentas e estas são técnicas de escrita para cinema, hq, TV, literatura e tudo mais que pudesse absorver.  Para aprimorar o Story passei a estudar mais afinco as mitologias e suas estruturas arquetipicas.  Campbell não foi o único, conhecer outros autores como Gilbert Durand, me abriu os olhos. 

Ah sobre aquele resultado que comentei acima: Com as dicas e aulas que tive com o Fernando, abandonei meu texto e comecei um outro. (qualquer dia conto o porque abandonei),  baseado na estrutura da narrativa de Caim e Abel, fiz escaleta e revisei inúmeras vezes até ir cortando as gorduras e foi meu primeiro destaque como autor.  O conto "A cor de seus olhos" representou o Brasil em uma antologia mundial de Ficção científica - e hoje você pode ler diretamente no Wattpad neste link

Daí em diante a coisa ficou séria.  Neste mês estamos desenvolvendo um dos maiores projetos com Roleplay e Storytelling que alguém poderá contar, mas é assunto para outro post, em outra hora.  

Mas nossa conversa ainda continua, afinal toda história pode ser contada por vários pontos de vistas e o próximo é o post "O que um Storyteller pode aprender com o RPG" lá no RPG Vale.  Clica aqui ;) 




Autor está no município para conhecer histórias e lendas da região que vão compor a trama em torno de um assassinato. Com apoio do Sebrae, o professor Fernando R. R. Palacios pretende incentivar seus leitores a visitarem os cenários de fundo de sua história.


Quando se fala em História do Brasil mais de um capítulo é destinado a contar os fatos que ocorreram no Estado de Minas Gerais. Seja pela Inconfidência Mineira, a obra arquitetônica de Aleijadinho ou lendário Chico Rei. Agora, as ruas da histórica Ouro Preto, uma das principais cidades mineiras, vai servir de cenário para um livro de ficção.

“Será uma espécie de Código da Vinci que se passa pelas ruelas de paralelepípedos da cidade”, afirma o autor do livro intitulado O Ouro Preto, Fernando R. R. Palacios, da Storytellers. Segundo ele, a ideia base do livro é o mistério entorno de um crime. “Na obra, o personagem vem para Ouro Preto em busca de um tesouro e morre assassinado”, revela o autor.

De acordo com o professor, o objetivo do projeto não é um livro histórico sobre Ouro Preto, ou um simples guia turístico da cidade.  “O Ouro Preto será um livro de entretenimento de cultura pop que acontece em meio a história e com informações da cidade.”  

O projeto surgiu quando o professor foi convidado a ministrar um treinamento de Storytelling para a equipe do Sebrae-MG. Os alunos comentaram que a metodologia tinha muito a ver com a cidade de Ouro Preto, que tem como slogan 'onde todo dia é histórico'. Diante disso, o Sebrae-MG solicitou um projeto para a Storytellers, que propos algo inédito no Brasil. Projetos que aliam Storytelling e Place Branding são comuns na Europa e nos Estados Unidos, mas é a primeira vez que está sendo feito para um destino turístico nacional. O projeto prevê ainda uma marca-destino da cidade para disseminar o livro e seu local de origem. O Ouro Preto será o outdoor da marca pelo Brasil.



“Este projeto tem o objetivo de dar o devido valor histórico, cultural e turístico  um dos territórios que leva o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Ouro Preto é um dos maiores e melhores livros de história deste País”, afirma Maria de Fátima Magalhaes Tropia, assessora do Sebrae-MG.

Palacios está na cidade para conhecer a fundo suas histórias, lendas, costumes e modo de vida do povo de Ouro Preto. “Estou ouvindo muitas histórias, com diferentes versões para estimular ainda mais o meu imaginário e resultar num livro muito interessante. ”

O autor do livro faz um convite ao povo de Ouro Preto. “Se você conhece algum fato histórico, lenda, personagens ou estórias antigas, até com fantasmas, nos procure, quero conhecer tudo da cidade”.

Durante os 40 dias que ficará na cidade, Palacios reafirmou a importância de Tiradentes na história da cidade e como o personagem é marcante na vida dos moradores. A morte trágica do inconfidente mineiro fará parte da trama do livro. “Tiradentes foi enforcado, esquartejado, partes de seu corpo foram espalhados pela cidade e sua cabeça ficou exposta em praça pública. Quero o mesmo para o personagem do livro, mas com um assassino. ”

O lançamento do livro O Ouro Preto está previsto para o mês de dezembro. Até lá, você pode conferir o que Fernando R. R. Palacios está fazendo na cidade por meio de sua página de turismo https://www.facebook.com/proximamaravilha.


Foto: Fernando R. R. Palacios
Originalmente postado em  www.ouropreto.com.br



Foi em um luta de boxe entre Muhammad Ali e Chuck Wepner que a história de Rocky Balboa nasceu. Wepner conseguiu um feito nunca antes realizado: ele nocauteou Ali, o então campeão. E, mesmo não vencendo a luta, Chuck Wepner entrou para a história do boxe mundial graças a esse nocaute.


Inspirado por essa luta, um ator descrente em sua carreira em Hollywood passou os três dias seguintes em sua quitinete 3X4m na companhia de seu cachorro escrevendo uma história. Esse ator era Sylvester Stallone, e a sua criação foi a primeira versão para o que iria se tornar posteriormente o roteiro final de “Rocky – Um Lutador”.

Enquanto a história original escrita por Stallone era um tanto quanto sombria, a versão de Rocky que chegou às telas tinha por base o psicológico de alguns personagens que marcaram o cinema da década de 40, intitulado como filmes "Noir". Personagens descrentes da sociedade, ambíguos, alienados, formam a galeria final de alguns principais e secundários da franquia, o que acaba por dar uma caracterização muito mais realista ao filme, tirando um pouco da mágica e do sonho que tanto envolve o cinema Hollywoodiano. Junto a estes personagens, há uma crítica à sociedade americana do espetáculo, que se torna fantoche ou marionete diante a uma mídia inescrupulosa e completamente voltada para o entretenimento. Claro que o roteiro não deixa de incutir disfarçadamente o "sonho americano" do pobre desconhecido que se torna visível da noite para o dia, não sem batalhar pelo seu lugar ao sol, porém o que vale muito mais no processo é a forma como se vive, como se percorre esse caminho do que o objetivo final.


O resultado do filme foi um só: um enorme sucesso. A produção de pouco mais de um milhão de dólares conseguiu faturar 117 milhões de dólares, teve nove indicações ao Oscar (Melhor Roteiro Original – Sylvester Stallone - , Melhor Ator – Sylvester Stallone -, Melhor Atriz – Talia Shire -, Melhor Ator Coadjuvante – Burt Young e Burgess Meredith -, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som), faturou três delas (Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Edição) e deu o pontapé inicial para a franquia.

As três versões seguintes de Rocky são divertidas e envolventes. Abandonam alguns dos elementos de seriedade e sucesso do primeiro filme, porém conseguem agradar ao público. “Rocky IV” seria o final perfeito para a série, exaltando o ego de Stallone e passando sua mensagem. Infelizmente o bom senso nem sempre se aplica em Hollywood, e surgiu “Rocky V”.

Não só pelo simples fato de “Rocky V” não precisar existir que o filme é uma merda. É na verdade por destruir todo o sucesso de seus predecessores. Enquanto nas quatro primeiras versões da série o personagem trilha um caminho contínuo de desafios e conquistas, nessa versão ele volta à estaca zero. É triste. Mas o pior é o fato de que Rocky Balboa não pode mais subir nos ringues, o que é a cereja no topo do bolo para essa grande cagada em forma de película.

Não satisfeitos em cuspirem na cara de um dos personagens fictícios mais célebres da história do cinema, eis que produzem “Rocky VI”. Por quê? Simplesmente porque o Stallone estava afins. Se Rocky V já é triste, Rocky VI quase me fez chorar. O cara perdeu tudo, a mulher morreu, o filho virou um merda... Tirando alguns minutos de um diálogo inspirador, eu posso dizer que joguei duas horas da minha vida fora.


Ao final de “Rocky VI” eu estava cabisbaixo. Achei que tinham fodido uma das melhores franquias da história do cinema. Enquanto os quatro primeiros “Rocky”s são excelentes filmes motivacionais, que realmente inspiram, os dois últimos são depressivos e te põe mais para baixo do que quando sua mãe e sua namorada se juntam para ter dar um esporro. Era realmente triste ver Rocky Balboa acabar daquele jeito.

Acho que nos últimos dois filmes Sylvester Stallone tinha brigado feio com seu amigo fictício. Talvez até saíram na porrada e deixaram de se falar. Um relacionamento desgastado com o tempo, cujo o resultado foi o que vimos nas telas. Mas acho que Stallone e Balboa se encontraram após algum tempo em um bar para conversar e tentar resolver as coisas.

Acho que um falou para o outro e disse: “Ei, vamos tentar de novo?! Vamos fazer como nos velhos tempos?”. E um dos dois respondeu: “Sim, vamos tentar de novo. Mas os tempos mudaram e nós também.” E juntos os dois começaram a tomar cerveja e discutir a relação.

Era óbvio que Rocky estava velho demais para lutar. Que a tecnologia e o gosto musical da nova geração mudaram radicalmente. Que o próprio boxe mudou como esporte e indústria. E que a motivação do “underdog” de antigamente também tinha mudado para outra coisa. E conversando sobre todas essas coisas Stallone e Balboa fizeram nascer Creed.


Creed ainda é uma história de Rocky, mesmo que Rocky não seja o personagem principal. É a continuação digna dos quatro primeiros filmes da franquia. Aliás, não só isso, é a modernização da franquia em si.

A começar pela motivação do personagem. Ele tem dinheiro, uma boa carreira e uma boa vida. Basicamente os elementos do “american dream”. Mas não é isso com o que sonha. Exatamente como os membros da Geração Y, Adonis Creed, o personagem principal, não se satisfaz apenas com essas coisas. Por isso joga tudo para o alto e vai perseguir seu sonho de se tornar lutador. E isso faz uma nova geração de fãs criarem uma ligação emocional com o filme.

Adonis é um personagem forte, ambíguo e realista, extremamente bem construído. Mas não é só ele que está assim no filme. Rocky está mudado. Deixa de ser aquela figura mítica, desce do Olimpo e se torna humano, deixando o papel de herói para trás e se tornando mentor, apesar de ter sua própria batalha para lutar.


Com os novos personagens, uma trilha sonora atualizada e jogos de câmera dinâmicos, “Creed – Nascido para Lutar” é “Rocky – Um Lutador” para uma nova geração de fãs. A fórmula é igual e funciona, apenas modernizando os elementos. É como se Sylvester Stallone e Rocky Balboa tivessem trocado uma ideia, resolvido suas diferenças e voltado ao início da amizade onde as coisas eram muito mais coerentes e divertidas.



Nem a luz da lua, nem os fogos da destruição causada pela guerra eram fortes o suficiente para iluminar a floresta.  Os soldados do batalhão de ferro, o mais incisivo na defesa do estado,  estavam dispersos.  Sua missão era instalar bombas na estação férrea de Jaguariaíva, mas alguma dinamite explodiu antes, revelando sua posição ao inimigo. 

Metralhadoras começaram a despejar balas para todos os lados. Entre feridos e assustados estava Vicente Anchiano ou simplesmente Vince. O nome estava escrito atrás da fotografia.  Aquele, sem dúvida não era o seu lugar, nunca havia sonhado em se alistar, mas decidiu fazer pelo irmão que sofreu um grave acidente. 

Após a confusão o soldado correu para se esconder e foi parar sozinho no meio da mata.  Ele olhava para as estrelas, uma cadente passou bem perto, teve a impressão até de que caiu ali atrás em algum lugar.  Parou ofegante e ficou observando os inimigos que estavam perto.  

...

A gente já falou aqui na redação sobre como um autor precisa criar um senso de realismo em sua fantasia. Esse é um trabalho de hércules, não é fácil costurar personagens e situações fantásticas de forma coesa... isso significa construir os limites do seu storyworld e conhecê-los muito bem.

Agora: e se precisasse misturar realidade com sua ficção? 

Para encontrar essa resposta eu me propus a escrever um romance de Dark Fantasy, uma fantasia assustadora com um background importante: A Revolução Constitucionalista ou revolução de 32!  Foram alguns meses de estudo, catalogando fatos históricos extraídos de pesquisas, livros e documentários.  Tudo para saber o que eu poderia aproveitar na hora de transpor para um novo mundo. 




O livro será lançado pelo Bookstart, uma plataforma de crowdfunding nacional. Se você quer saber se minha fórmula de misturar realidade com ficção, deu certo ou quer saber como a história dos soldados termina e o que aconteceu com o personagem Vince, apoie o financiamento pelo site - https://bookstart.com.br/pt/Alastair