Há um tempo a Rede Globo vem testando inúmeras formas de aprimorar suas novelas e mini séries. Verdades secretas foi o último grande sucesso e convenhamos que foi mais um dos méritos da direção, da produção e da escolha dos temas que chocou parte da população brasileira em seu plot. - leia o melhor e o pior da novela na coluna do Maurício Stycer

Mas outras tentativas não foram tão bem sucedidas assim, Babilônia e Além do Horizonte foram encurtadas pelo fracasso de audiência. A segunda, tentou se aproximar do plot de seriados, envolvendo um mistério em uma ilha (tipo Lost). 

Pois é, foi o canal do bispo Macedo que fez um tremendo barulho com sua recente produção: Os Dez Mandamentos.  Com uma produção pequena e efeitos especiais questionáveis , ela vem abocanhando cada vez mais audiência e gerando mais buzz nas redes sociais. Mostrando que uma boa história faz a diferença. 

Aliás, qual é essa diferença? 


Se perguntarem a algum roteirista da Globo sobre o tema de sua novela ele provavelmente diria algo como "é um recorte da vida", como me foi lembrado pelo Fernando Palacios em uma conversa recente.  Mas vejam bem o quanto isso realmente significa algo.  Na maioria das vezes tentar imitar a vida não é uma estratégia convincente, vide os blockbusters de Holywood para comprovarem que as pessoas gostam de histórias fantásticas. (Por várias razões psicológicas que comentamos em posts aqui na redação)   

Talvez o problema não seja tentar criar um realismo na história, mas colocar isso como a essência da sua história de modo que ela não seja mais nada além disso.  É aí que entra o trunfo de Os Dez Mandamentos... um mito. 

Sabemos que um mito é um conjunto de narrativas épicas. Quando levamos isso pra uma novela podemos construir núcleos aonde os acontecimentos englobam algo bem maior e coeso.  Nesta novela, são as 10 pragas que carregam várias histórias e acontecimentos simultâneos com um fundo dramático.   Sabemos que esse é um dos episódios mais fantásticos da bíblia. Tanto que conseguimos assistir várias representações ao longo dos anos e mesmo conhecendo o final, gostamos de descobrir as "entrelinhas" ou perspectivas diferentes dentro da saga de Moisés.  

É tanto potencial narrativo que a Record conseguiu estender os episódios principais das pragas, as vezes transformando em mais de um.  Investir em um mito parece ter dado muito certo para a emissora, agora o próximo desafio pode ser construir um... será possível? Bem, G. R. Martin provou que sim. Mas essa já é outra história :) 





Warcraft é uma série de jogos de estratégia criada pela empresa Blizzard que mais tarde veio a se tornar o Massive Multiplayer Online Role Playing Game (MMORPG) mais bem-sucedido do mundo por vários anos.

Mas a empresa não parou por aí, além de contar sua história nos games, o universo de Warcraft também dispõe de dezenas de livros e histórias em quadrinhos. Recentemente foi anunciado com um trailer, que foi capaz de roubar a atenção de STAR WARS, um filme baseado neste universo.


A verdade é que Blizzard sempre primou pela coesão de seus universos fantásticos, buscando estar envolvida em todas as histórias levando o título Warcraft, seja em qual mídia fosse. A exemplo da Marvel, a empresa zela pela qualidade dos conteúdos que levam a sua marca, e conhece bem de perto o seu público, que cativou desde a década de 90.

Expandir universos é sempre rico e lucrativo, desde que você se consiga manter o controle das muitas mentes criativas envolvidas no processo.



Cristal Festival é um tradicional evento que premia as melhores ideias de profissionais da comunicação, publicidade e criação do mundo todo.  O seu DNA é revelar algumas das tendências e suas melhores práticas, reunindo em  Courchevel na França, um time jurados e palestrantes extremamente competentes.

Neste ano, a Storytellers  Brand' Fiction estará no evento através da Martha Terenzzo, que foi confirmada como parte do juri de Brand Entertainment e Content. O evento acontecerá no próximo mês.

Sobre Martha Terenzzo


Muitas Marthas compõem a profissional com mais de 25 anos de carreira em marketing e inovação. A primeira delas, inclusive, foi responsável pelo lançamento de cases de sucesso como Pizza Sadia, Hot Pocket, Miss Daisy e Vono, por onde passou. Outra importante Martha é a líder, responsável por coordenar grandes projetos em empresas como Cargill, Sadia, Parmalat, Bombril, União, Reckitt & Benckiser, Melhoramentos, Seara e Ajinomoto. A sábia e experiente Martha de hoje é mentoring e ensina um pouco de cada Martha de sua jornada a alunos em MBA e pós-graduação da ESPM, Insper e Sebrae – além de coordenar projetos de inovação em sua empresa, a Inova 360°.

Acompanhe Martha diretamente pelo Twitter - twitter.com/marthaterenzzo9



Sobre o Cristal Festival 



E não é que eu tinha encontrado o final para o meu livro?! Lá estava eu, com a inglesa por quem eu tinha me apaixonado, deixando Ibiza em uma balsa a caminho de Barcelona.

Eu tinha passado por muita coisa. Muita mesmo. Fui de Roma a Jerusalém só pegando carona, quase morri congelado nas montanhas da Toscana, morei em uma comunidade anarquista em um castelo abandonado, fui preso pulando trens, solto e quase preso de novo logo em seguida, caí de um penhasco na Capadócia, passei a noite com contrabandistas de ouro no sul da Turquia, lutei por dinheiro em Chipre, fui para a farra duas horas de distância do ISIS, e cheguei na cidade mais sagrada do mundo bem quando eu queria chegar: no meio de três Páscoas (Católica, Judaica e Grega Ortodoxa).


Eu vi o Fogo Sagrado que desce dos céus no domingo de Páscoa (Grega Ortodoxa) na Igreja do Santo Sepulcro. E o que o Fogo me disse? Que o vento sopra... ou seja, nada.

Minha história não poderia acabar ali. Então eu pedi um favor para Deus. Que Ele me deixasse pecar um pouco.
E depois de dois meses de peregrinação, parti rumo a Ibiza, com um desvio intencional na Dinamarca.

Vamos fazer uma pausa. Eu sempre fui um pouco frustrado por meus pais ou minhas avós nunca lerem os meus textos publicados aqui ou em outros lugares. Mas, nessa continuação, acho que até vou ficar um pouco feliz por isso...

O caminho até Ibiza não foi tão pesado. Tirando um porre pesado na República Tcheca, outro na Dinamarca e uma putaria em Hamburgo com duas alemãs, nada que valha a pena ser detalhado.
Mas em Ibiza a coisa mudou. Na primeira noite eu peguei carona com um australiano e nós quase fizemos uma orgia no hotel com três inglesas. Fomos expulsos e a polícia foi chamada quando estávamos no elevador.

Depois de um começo conturbado trabalhando em uma boate stripper de noite e fazendo entrevistas durante o dia, consegui um dos melhores empregos da ilha. E aí virei um rockstar no sentido que as mulheres vinham fácil e as drogas vinham barato. Todo mundo me conhecia e todo mundo queria ser meu amigo. Eu transava com uma menina diferente por semana e ia para todas as festas sem pagar nada. Tinha uma certa fama e prestígio, ambas permeadas por uma mediocridade tingida de dourado.

Minha vida virou uma mistura de Lost com O Lobo de Wall Street. Como se o personagem do Leonardo DiCaprio tivesse sido escolhido pela ilha para estar no Oceanic 815. Já dava outro livro, não é?!

Mas ainda assim eu não tinha um final. Quero dizer, que tipo de história deturbada termina com “... e eu comi o monte de gostosas e usei droga pra caralho. O Fim.”?!  Faltava uma lição de moral, um pódio de chegada e um beijo de namorada. E ele veio bem a tempo.

A temporada acabou antes de acabar em si. A ilha esvaziou. Meus melhores amigos foram embora. E aquela vida de sexo, drogas e música eletrônica não estava mais me satisfazendo. Eu já tinha reduzido o ritmo depois de ter tomado uma facada durante uma briga por causa de uma noite de amor na praia (história engraçada, mas um pouco longa para eu contar aqui). E resolvi parar de vez depois que meu amigo Homeless Mike foi internado no hospício de Ibiza. Mas o final “e foi ai que eu resolvi parar com a putaria e as drogas” ainda não me soava bom. Muito... simplista... ou chato mesmo... Faltava alguma coisa.

Foi na noite que eu virei sem teto de novo que começou o final da minha história. Carlos Calhorda, o zelador do meu prédio, trocou minha fechadura porque meu aluguel tinha vencido. Eu estava na rua sem dinheiro e sem documentos, como um indigente. Mas eu vi uma luz no fim do túnel. Do túnel, não! Do meu corredor. Minha vizinha estava em casa, e ela tinha passado as duas últimas noites comigo. Achei que estava na hora de ela retribuir a hospitalidade.

– I am homeless – eu disse, comunicando minha situação depois que ela abriu a porta.

Ela resolveu me receber. Mas não só isso. Ao invés de ficarmos na casa dela e perdermos uma noite em Ibiza, nós resolvemos ir para a festa de encerramento da Flower Power, na Pacha. Umas das melhores nights do mundo!



É estranho o que faz algumas pessoas se apaixonarem. No dia anterior eu tinha transado com uma amiga de manhã e com aquela minha vizinha a noite (sim, eu sou um lixo, pode me julgar). Logo, eu posso concluir que exatamente uma noite antes eu não estava muito apaixonado. Entretanto, em 24 horas as coisas mudaram. Eu não sei se foi o fato de ela me acolher. Não sei se foi por nós ficarmos até às sete da manhã juntos dançando músicas dos anos 70. Ou se foi por nós virmos o nascer do sol de cima do castelo de Ibiza, ouvindo sertanejo universitário agarradinhos. Acho que me apaixonei pela história daquela noite. E Vanilla, a minha vizinha, era a parte central da história.

Nas últimas semanas em Ibiza, nós passamos por mais algumas coisas juntos. Coisas bem normais, como quando ela quase foi estuprada por um cara esquisito que andava com uma cobra no pescoço (não é zueira) ou quando eu descobri que ela tinha sangue real e era prima distante da rainha. Coisas bem normais que acontecem no dia a dia de qualquer pessoa. E tivemos também nossos altos e baixos. Mas no final, estávamos indo embora da ilha juntos.

O sol se punha quando nós embarcamos. Mas já estava escuro quando a balsa zarpou rumo a Barcelona. Na nossa frente não se via nada. Para trás, víamos luzes cada vez mais distantes. No último andar do navio, nós tínhamos só a companhia um do outro, enquanto terminávamos juntos aquela etapa das nossas vidas.


Um final lindo, não? Digno de filme. Vai ser o final do meu livro, isso já decidi. Ou melhor, iria...

O escritor do meu destino é um tipo de George Martin. Ele me faz ter medo de virar a página do dia seguinte. Mas como qualquer fã de Game of Thrones eu não posso parar de seguir adiante.

Depois de Barcelona, eu vim para Londres, atrás da menina por quem eu estava apaixonado. Eu liguei para ela, como ela tinha me pedido para fazer. A gente saiu, se divertiu, ela me apresentou para os pais e eu até dormi uma noite na casa dela. Ela estava com viagem marcada para a Tailândia, foi embora, mas antes me pediu para eu esperar, que nós ficaríamos juntos quando ela voltasse.


Se você chegou nesse ponto da história, deve pensar que já sabe o que aconteceu. Que eu fui cachorro e não consegui me segurar de novo. Mas como qualquer personagem de várias facetas, eu jamais seria tão simples assim. Quando dou para ser cachorro, sou o mais vira lata possível. Mas quando me apaixono... sou fiel, entrego café da manhã na cama, faço cafuné e todo o resto. Então eu estava esperando. Passando fome, frio, solidão, mas esperando. E depois de sete dias sem me mandar mensagem, minha inglesa de sangue real terminou comigo no momento que mais precisava de carinho e atenção.

Pode rir. Eu me fodi. E dessa vez foi ao quadrado. Se você já tomou um pé na bunda, sabe como é a situação. Agora forme uma equação elevando isso ao fato de você estar em um país estrangeiro triste, sem amigos, e com pouco dinheiro. Pois é... estou pagando por todos os meus pecados.
Então o final do meu livro mudou. Mas mudou para uma coisa que faz muito mais sentido com a minha história.

Sabe, muitas vezes fiquei decepcionado com os finais de diferentes histórias. Já usei o exemplo do Lost aqui, então vou variar, embora encaixasse perfeitamente no que eu queria dizer. Vou pegar a última trilogia do Batman e levantar a bola dizendo: que merda é aquela com o Bruce Wayne e a Mulher Gato no final? Não tem nada a ver com a história e os personagens construídos ao longo da trama. Aquele cara fodido e perturbado vai sair de casalzinho pelo mundo com uma ladra também psicologicamente instável?! Sério mesmo? Teriam tantos outros finais mais condizentes com a história que eu fiquei decepcionado...

Quando eu vim a caminho da Inglaterra, achei que finalmente minha história tinha terminado. Que meu final seria criando responsabilidade na cidade que mais move dinheiro no mundo e tendo um relacionamento sério que me serviria de apoio e ancora para minha nova vida. Era tudo nítido. A inglesa conhecia diversos Head Hunters e publicitários pela cidade, iria me ajudar, nós iriamos ficar juntos e o Alfred iria nos ver em um café em Firenze.


Pera aí... cadê o maluco que fugiu da rotina em São Paulo para uma vida de aventura? Que estava de saco cheio de tudo que era normal? Que viveu três meses sem dinheiro? Que criou gosto pela vida cigana? Porra, é mais fácil o Batman virar normal do que eu!
Por isso o final do meu livro mudou. Daquele lá que você leu alguns parágrafos acima, mudou para alguma coisa assim:

“O sol se punha quando nós embarcamos. Mas já estava escuro quando a balsa zarpou rumo a Barcelona. Na nossa frente não se via nada. Para trás, víamos luzes cada vez mais distantes. No último andar do navio, nós tínhamos só a companhia um do outro, enquanto terminávamos juntos aquela etapa das nossas vidas. Lá estava eu, abraçado com a inglesa que um mês depois partiria meu coração e me abandonaria na hora que eu mais precisasse. Mas naquele momento eu não sabia daquilo. E naquele momento a vida era muito mais simples e doce. O final da minha história é como o final de toda a história de aventureiro: apenas o começo de uma nova aventura.”

Muito mais contundente, não?  Então, pegue minha vida e minha estrada como exemplos quando estiver construindo seu final. Não force a barra. Não mude a natureza dos personagens para as coisas se encaixarem. Tente acabar com um gostinho de quero mais. Você não precisa fugir do clichê para fazer algo inesperado. E deixe o público de consciência tranquila quando a história acabar, sem achar que tem alguma coisa errada ou estranha. É isso. 

O Fim!


PS: Caso você ficou interessado na minha história e queira saber mais, não se preocupe, tem um livro vindo aí.

PS2: Caso você seja um editor ou coisa do gênero, sinta-se livre para entrar em contato.


O tema é novo, mas com o crescimento da ‘Skip Ad Generation’, tornou-se obrigatório. Não somos nós que estamos falando, é a prestigiosa publicação Forbes quem afirma a inescapabilidade do tema Branded Content.

Diversos estudos comprovam que atuar através da publicação de conteúdo é a melhor estratégia para uma empresa.

Empreendedores já aprenderam que o sucesso dos seus conteúdos é quem traz o sucesso de suas start-ups.

Para escapar da crise do jornalismo, os maiores veículos mundiais recorrem ao Branded Content.

Contudo, o mercado brasileiro ainda não está preparado para planejar e produzir Branded Content.

Na verdade, ao que parece, ninguém está preparado…

Veja aqui 3 erros que quase toda empresa comete, quando se trata de Branded Content.

Por isso é tão importante estudar o assunto a fundo enquanto ele ainda floresce. Os primeiros irão moldar o setor. Pensando em preparar o Brasil para essa tendência, os Storytellers junto com a CoolHowLab vão levar o tema pela primeira vez para fora de São Paulo.

Depois dessa, só em meados de 2016. Aproveite!






Desde a última  terça-feira (03),  já estava disponível no site da Rede Globo o capítulo Zero de Totalmente Demais, novela das 7 que substitui "I Love Paraisópolis" .  Parecia uma grande inovação, quer dizer pelo menos aqui no Brasil lançar um prólogo em outro meio - o que seria genial de se ver.

Mas por algum motivo, o que a Globo chamou de capítulo Zero não era sequer um capítulo, era uma propaganda.  Vou reproduzir abaixo o trecho do jornalista e crítico Maurício Stycer:

O tal “capitulo zero” durou seis minutos e exibiu três sequências, apresentando os quatro personagens principais da novela – Arthur (Fabio Assunção), Carolina (Juliana Paes), Eliza (Marina Ruy Barbosa) e Jonatas (Felipe Simas).

As cenas não serão exibidas na novela, que estreia na próxima segunda-feira (09). Por este motivo, a emissora classificou de “capítulo zero” e não de “chamada” o clipe de seis minutos. Mas, na prática, a suposta inovação foi apenas uma colagem de cenas — não se trata de novela, mas de publicidade mesmo.

O que os produtores, cineastas e novelistas brasileiros precisam saber sobre transmídia é que sem conteúdo ela se quebra. E depois o esforço para engajar o mesmo internauta se torna imenso, não vale a pena.





Estamos de volta com mais um episódio da série Cliffhanger, dessa vez com outro mega nome brasileiro, Kapel Furman.

Kapel Furman é conhecido por fazer parte do reality show Cinelab, do Canal Universal. Cineasta e diretor de efeitos especiais, especialista em armas, coordenação de ações, maquiagem de efeitos, e animador, atua na área há mais de 10 anos, fazendo parte de uma nova geração premiada e reconhecida internacionalmente por um intenso trabalho de modernização estética do cinema nacional.

Como você usa este artifício de roteiro em suas obras?


Pra mim o  cliffhanger funciona como uma descarga elétrica em um longa ou curta metragem, quando estamos naquele momento entre os arcos da história onde tudo está calmo, e até chato, o cliffhanger serve para, de súbito, acordar o espectador e prender sua atenção de volta. Acho importante ter momentos de tédio em uma história, isso valoriza as cenas de impacto quando necessário, e o cliffhanger, no meu caso, serve para isso, surpreender o espectador com um impacto, deixando-o com aquele sensação do que vai acontecer depois disso, mesmo quando o filme acaba. No seriado ele funciona para segurar a atenção ate depois do intervalo comercial, em um filme funciona para surpreender o espectador em um momento em que ele acho que tudo está calmo.


O que diferencia um bom cliffhanger de uma tentativa fraca de criar um gancho na narrativa?

Acho que é a surpresa, criar algo novo que não seja clichê ou conveniente. Só funciona se surpreender ou chocar o espectador, se seguir as fórmulas tradicionais, até cria o gancho, mas cria com menos intensidade ou mesmo emoção, algo como aquele close seguido de um "tummmmm" que vemos sempre em todos os reality shows, e consequentemente cria a mesma sensação insossa no espectador. Um bom gancho ou cliffhanger seria aquele que surpreende, ofende, questiona o espectador, que faz com que ele queira assistir o que vem depois, mesmo que seja para xingar o diretor, que cria um aftertaste.


Semana que vem tem mais, acompanhem por aqui e em breve começaremos uma série sobre HQs! Não deixem de comentar abaixo o que vocês acharam e como gostam de utilizar os Cliffhangers.




Da Série Desvendando o Storytelling #Post 5 (último Post)
Para ver o # Post 4: O QUE PODERIA SER Storytelling, MAS AINDA É storytelling
Para ver o # Post 3: O QUE TODO MUNDO DIZ SER STORYTELLING
Para ver o # Post 2: O QUE TENTA ENGANAR NO STORYTELLING
Para ver o # Post 1: O QUE NÃO É STORYTELLING
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A Surpresa
"Finalmente." - Pensou Lívia. Finalmente ela poderia viver em paz, sem chorar quase todas as noites  ao pensar em seu amado com outra. Assim que ele fosse dela, todas as lembranças sombrias antes dele ficariam para trás. Fazia agora seis anos desde o fatídico dia. Naquela época, ela era apenas uma jovem moça que nunca havia deixado sua cidade no interior. Vivia tranquilamente e pagava suas contas não muito altas com seu salário de gerente. Havia trabalhado para o seu Tônio desde que era adolescente e havia conquistado o cargo com merecimento. Namorava Hélio e todos os meses recebia dele trufas de morango e maracujá, junto a uma carta que trazia em verso os mais belos dizeres. Tudo ia conforme o planejado. Até que um dia, ao abrir a carta de Flávio, ela não encontrou juras de amor, mas sim um bilhete de despedida. Flávio a havia abandonado após três anos de namoro e nem tivera a coragem de lhe dizer adeus pessoalmente. Lívia precisava sair dali. Não conseguia viver em um lugar onde tudo lhe lembrava dor. Ela pegou sua mala rosa, ainda nova por nunca ter sido antes usada, e partiu para a cidade grande. Ela agora estava sozinha, mas era exatamente onde queria estar. 

Lívia não contava com as dificuldades em arranjar um emprego, conseguindo apenas trabalhar como dançarina em um dos clubes de São Paulo.  Mas não era isso o que ela havia planejado. Sabia que podia mais, mas ninguém parecia interessar-se por uma garota caipira. Exceto por Carlos. A primeira vez que ele a olhou, Lívia não sentiu julgamento da maneira como costumava sentir, mas sim compaixão. Os dois se aproximaram e começaram uma amizade doce. Foi apenas no dia em que essa amizade evoluiu para um romance que Carlos lhe revelou ser casado. Era tarde demais, Lívia já estava envolvida e optou por aceitar ser sua amante. Mas seu sofrimento continuava e o pouco de Carlos que tinha já não era mais suficiente. Ela tinha duas opções: ou desistia de seu amor por Carlos e tinha seu coração dilacerado mais uma vez, ou continuava a sofrer calada, aproveitando o pouco de amor que Carlos lhe dispunha. A decisão veio em um momento de raiva e loucura, algo que ela nunca havia considerado antes: Ela precisava contar a Amélia a verdade. Amélia era esposa de Carlos e nunca havia desconfiado de nada. Lívia podia ver a decepção em seus olhos quando bateu a sua porta. Mas tudo tinha valido a pena e agora Carlos seria só dela. Lívia havia pedido que lhe desse o presente de casamento que ele daria a esposa e quando viu aquela caixinha rosa, já sabendo o que tinha dentro, riu de felicidade. Agora ele seria inteiramente dela. Mas Carlos agia de um modo estranho. Enquanto Lívia sorria, ele permanecia sério e suor escorria de sua testa. 

Quando menos esperava, Carlos mostrou o que estava carregando por trás de suas costas. Era um machado. Lívia ficou completamente sem reação ao perceber que quem ela mais amava estava prestes a cometer uma grande atrocidade. Seus olhos começaram a arder e ela falou com a voz mais firme que conseguiu encontrar dentro de si. "Me perdoe, Carlos, pois eu também o perdôo." As palavras pareceram tocar Carlos, que largou a arma e se retirou, deixando Lívia com o presente que antes tanto queria. Agora nada daquilo fazia mais sentido. Ela percebeu havia tentado possuir Carlos do mesmo modo que havia desejado possuir aquele vestido de seda e o colar de pedras azul turquesa. Lívia nunca mais tentaria ser dona de ninguém e não deixaria mais ninguém ser seu dono. Agora, ela pertencia a si mesma.
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Chegamos ao último Post da série exemplificando o que é o Storytelling, restritos pelo espaço disponível. A partir dessa história conseguimos identificar do que uma narrativa precisa para ser considerada Storytelling. Então vamos a isso:

1) Storytelling é sobre alguém.
A história deve importar para uma pessoa ou para qualquer outra coisa que possua verdade humana. Pode ser um robô ou um peixe, mas ambos precisam ter os sentimentos, aflições e desejos humanos. No caso da nossa história, esse alguém é Lívia.

2) Esse alguém tem um desejo
Apresentamos em nossa história o desejo de nossa personagem de forma sutil. Ela estava feliz com sua vida no interior e orgulhosa de si mesma. Tinha um amor e pretendia continuar com ele por toda a vida. No Storytelling, o personagem precisa querer algo em todos os momentos.

3) Esse personagem deve ser multi lateral
Um personagem multi lateral significa um personagem que tem várias perspectivas de personalidade. Por exemplo, se analisássemos a história sob a perspectiva de Amélia, poderíamos cair no erro de julgar Lívia como uma pessoa sem caráter. Ao invés disso, colocamos o ponto de vista de Lívia para mostrar como ela também possui conflitos e desejos com os quais podemos nos relacionar.

4) Esse personagem precisa sofrer uma mudança em sua vida
Se nada acontece na história, Lívia continua com seu namorado e todos vivem felizes para sempre. Precisamos, então, de um evento que impulsione a transformação de Lívia. No caso, foi o término de seu relacionamento de forma brutal.

5) Esse personagem precisa enfrentar conflitos
Vemos aqui que ao reagir ao incidente do término de namoro, Lívia começa a arcar com dificuldades que impulsionam a história pra frente.

6) A maneira como o personagem lida com seus conflitos e as escolhas que ele faz dizem tudo sobre ele
Muitas vezes lemos que é preciso definir o signo, a cor dos olhos, dos cabelos, as roupas utilizadas pelo personagem.. Sim, tudo isso é importante, mas não essencial. O que diz mais sobre a personalidade de um personagem, é quando ele é colocado em uma encruzilhada e deve tomar uma decisão.

7) Depois de enfrentar os obstáculos o personagem deve fazer uma escolha
Colocamos Lívia em uma encruzilhada. Ela está amando um homem casado e não suporta a dor que isso está lhe trazendo. Pressionada por seus próprios sentimentos, ela decide, num ato de loucura, contar tudo à esposa de Carlos.

8) O personagem enfrenta as consequências da sua escolha
Nenhuma escolha deve ser fácil. Deve estar claro o que está sendo colocado em jogo. No caso de Lívia, ela poderia perder Carlos para sempre, como realmente aconteceu. Acrescentamos um agente agravante, colocando, também, a vida de Lívia em risco. 

9) O personagem sofre um insight
Experiências negativas não vem de graça para o personagem. Tudo é feito para que ele aprenda algo. No caso de Lívia, ao ver o que tinha causado a si mesma, ao ver o presente (a posse) que ela tinha conquistado com tudo aquilo, ela percebeu algo sobre como vinha agindo até então.

10) O personagem sofre uma transformação
Com o Storytelling, devemos ser capazes de ver claramente a diferença do personagem que começou a história do personagem que terminou a história. A jornada deve, de alguma maneira, mudar algo na forma do personagem perceber e viver sua vida. Esse personagem utilizará seu conhecimento servindo de exemplo para as pessoas ao seu redor. (A transformação pode ser tanto positiva quanto negativa, caso a história retrate uma corrupção do personagem)

Muito cuidado, pois esses elementos e muitos outros que utilizamos para compor histórias não funcionam separadamente. Tudo deve agir em uníssono consolidado o universo ficcional criado. Aliás, você percebeu que a história "A Surpresa" foi composta pelas informações dadas nos posts anteriores.?Será que poderíamos chamar isso de transmídia? A resposta é NÃO. ISSO NÃO É TRANSMÍDIA. Aguarde o próximo POST explicando o porquê!

QUER APRENDER SOBRE STORYTELLING MAIS A FUNDO E COMO APLICÁ-LO? ÚLTIMOS DIAS PARA INSCRIÇÕES NO CURSO DO RIO DE JANEIRO:






Sabemos que o Halloween é muito mais do que um dia para se caracterizar e dar sustos. O Brasil apenas recentemente tem trazido um pouco mais dessa cultura que se mostra extremamente presente em outros países. O ritual que teve origem no Reino Unido como dia de homenagem ao "Rei dos Mortos" acabou se transportando para outros países e ganhando novos significados e tradições. Hoje, o Halloween é o maior feriado não cristão nos Estados Unidos. Vamos ver como as marcas estão utilizando do universo e atmosfera criados em torno do Halloween dentro e fora do Brasil.

99 Taxis
A 99 fez uma promoção em que quem ao solicitar um taxi 99 desse de cara com um taxista caracterizado, não pagava a corrida e ainda desfrutava de uma experiência de Halloween.




Hotel Urbano
O Hotel Urbano selecionou temas variados de Halloween em suas campanhas, todas com o tema: A fuga da Rotinolândia". No email a baixo o tema era: "A louça da pia te assombra?"



Burger King
O Burguer King lançou durante o Halloween, a edição limitada do lanche: Halloween Whopper.



M&M's
A M&M's criou um jogo interativo chamado: "Dark Movie Challenge" em que os participantes deveriam procurar por referências de filme de terror nas imagens e os personagens de M&M eram parte do contexto.



Target
Outro game interativo foi criado pela Target no Instagram. A página postava no feed dos usuários sobre o "Halloween Hills", uma vizinhança que mostrava receitas e feitiços. Cada imagem tinha a tag de Trick(Travessuras) ou Treats(Gostosuras). Gostosuras levava o usuário a uma página do Instagram que ensinava a fazer bolinhos de halloween, por exemplo, e Travessuras levava a um tutorial de como fazer uma lâmpada assustadora, por exemplo. Foram mais de 300 conteúdos e 28 milhões de menções nas mídias sociais. 



Tesco
A rede de supermercados Tesco decidiu assustar seus clientes com pegadinhas criativas de Halloween em seu ponto de venda.



LG
A LG para provar sua qualidade de imagem, decidiu colocar telas no chão de um elevador que simulavam as placas de ferro caindo, deixando todos com o coração na mão.




Simples ou complexos, os conteúdos gerados pelas marcas mostram como é possível inovar em cada ocasião e transformar um universo já criado, como o Halloween, em experiências inesquecíveis. 



Essa é uma daquelas datas que todo Storyteller adora, antigamente as pessoas se reuniam em torno de fogueiras para elevarem seus espíritos e se conectarem com os espíritos que assombram suas famílias.  Bem, está certo que acender uma fogueira nos dias de hoje pode causar um transtorno para quem mora em apartamentos, mas preparei uma lista para ajudar você com um ritual moderno, regado a base de refrigerantes, cervejas e pizza: Assistir filmes de terror no Haloween.

Muita gente já falou de filmes clássicos em listas por ai, então vou focar em alguns títulos mais recentes. Vamos lá!


Carrie - A Estranha (2013)

Um bom remake que atualizou a narrativa do clássico inspirado na obra de Stephen King. Carrie retrata um grande desastre ocorrido na cidade americana de Chamberlain, destaque para a Chloë Grace Moretz que faz a protagonista.





Livrai-nos do mal 

Pra quem gosta de histórias sobre possessão e forças demoníacas, este sucesso de bilheteria trás alguns ingredientes que vão garantir sua diversão, quero dizer... seus sustos.  O filme tenta fugir do clichê desse subgênero e leva as forças malignas para os centros urbanos.





Ouija - O Jogo dos Espíritos

Do produtor Michael Bay (transformers), um dos primeiros filmes da Hasbro, Ouija recebeu muitas críticas e teve grandes problemas, que levou a equipe a refilmar muitas partes.  Mesmo assim ainda foi um sucesso de bilheteria.  Dá pra entender o por que: a história fala de um tabuleiro que habita o imaginário do mundo todo, uma ferramenta de comunicação com os mortos.  Para nossa alegria, isso nunca dá certo para os personagens. Buwahahahaha






A Entidade

Você muda com sua família para uma casa bem antiga, encontra rolos de fitas em um porão antigo, eles revelam imagens estranhas de pessoas mortas e símbolos que podem ser de rituais macabros, o que faz?  No mínimo levaria as fitas para queimar em uma encruzilhada e benzeria a casa inteira, pra depois jogar sal nas janelas no melhor estilo dos irmãos Winchester.  É, não seria uma boa história, por sorte de quem está assistindo o protagonista de Sinister (A Entidade) faz tudo ao contrário e o resultado você pode ver hoje a noite - preferencialmente, acompanhado!





Lost Time 

Nenhuma lista de terror estará boa o suficiente para mim, que escrevo Scifi, sem uma boa história de abdução.  Uma mulher com Câncer terminal é curada após uma abdução, porém sua irmã desaparece.  Dá pra imaginar no que isso resultou, em uma busca misteriosa que vai jogar nossa protagonista em uma trama no estilo X-Files!





E vocês, tem algum filme especial que gostariam de assistir na noite de hoje? Podem comentar, mas lembrem-se: as bruxas estarão livres para se divertirem. ;)




É de arrepiar. Dá medo. Suor na palma das mãos. Tremedeira. Nem morto você estará seguro. A pedidos dos Storytellers hoje, separei uma lista de livros imbatíveis que me deram medo, arrepio e muito pesadelo. Todos são super clássicos e para quem gosta do gênero eles inspiraram muito do universo ficcional e fantasia que está por aí. Preparado para arrepiar ?


1 - ­DRÁCULA ­BRAM STOKER

Escrito em 1897 pelo irlandês Bram Stoker, esse é o original, o verdadeiro vampiro de  todos os tempos. Até hoje lembro do protagonista Jonathan Harker, que fica hospedado  no castelo do sedutor Conde Drácula, e passa por muitos perrengues mas é mais do que isso. O clima é tenso e Harker vai descrevendo tudo num diário e gente....sim dá medo de dormir...pois até em pesadelo o Conde Drácula aparece para apavorar o protagonista. 
O resto é spoiler ....
A narrativa é muito boa, dinâmica e num clima de mistério, medo, ansiedade ele vai  conduzindo o leitor a fazer parte daquele Castelo sombrio e de tudo que está vivendo.
Tem hora que eu achava que estava no Castelo também...no mínimo envolvente.


2­ - THE COMPLETE STORIES AND POEMS­EDGAR ALLAN POE

Preparado para sentir nojo, aflição e medo ? Pois é, Poe é um clássico e faz até hoje muito marmanjo não dormir. Esse livro tem 18 contos, o que mais me deu medo foi a Queda da Casa de Usher escrito em 1839.Você já deve ter visto esse plot antes, uma menina doente morre e é enterrada, o irmão e um amigo descobrem mais tarde que foi um erro.Até hoje não tenho coragem de reler ele, pois sufoca e aflige. Os demais contos também são muito horríveis. No bom sentido e clima de Dia das Bruxas.





3 - ­A HORA DAS BRUXAS­ANNE RICE


E falando nas Bruxas, temos aqui um saga de buxas,bruxos e ocultismo. O livro lançado em 1994, é sobre a saga da família Mayfair que em quatro séculos vive entre feitiçaria e forças ocultas ,que cresceu e prosperou dedicando­se à magia negra.

O gênero horror e erotismo é surpreendente e entre os Mayfair, convive­se pacificamente com o incesto, os assassinatos e com um espírito meio divindade celta, meio demônio, chamado Lasher. O romance se passa em Nova Orleans e São Francisco e depois segue por Haiti e até França de Luis XIV. Confesso que quando li estava em New Orleans­cidade que já tem muito vodu e cemitério para visitar,além de um lado místico forte e tinha voltado de San Francisco, quando ela não era nada tecnológica e sim mais pós hippie. De lá para cá essas cidades nunca mais foram as mesmas para mim.

O bruxo­divindade­demônio Lasher não é um personagem fácil de entender, ainda que muito, muito interessante.Só lendo até o final para saber o que acontece com essa família amaldiçoada. E leia da mesma autora O VAMPIRO LESTAT.


4­ -O REI DE AMARELO­ROBERT W.CHAMBERS


Já ouviu falar do livro maldito ? Essa obra­prima de Robert W. Chambers, é uma coletânea de contos de terror fantástico publicada originalmente em 1895 e considerada um marco do gênero horror. Influenciou diversas gerações de escritores como H. P.  Lovecraft , Neil Gaiman, Stephen King e, mais recentemente, o produtor e roteirista Nic Pizzolatto, criador da série True Detective, exibida pela HBO, cujo mistério central faz referência ao obscuro Rei de Amarelo.

A maldição: todos que leem suas páginas são morbidamente afetados por elas. Os efeitos são pavorosos e só mentes muito doentias podem conceber. O título da coletânea faz alusão a um livro dentro do livro — uma peça teatral fictícia — e seu personagem central, uma figura sobrenatural cuja existência extrapola as páginas. A peça “O Rei de Amarelo” é mencionada em quatro dos contos. O texto, em dois atos, leva o leitor à loucura, condenando sua alma à perdição. Um risco que alguns aceitam se submeter. Bom como estou viva e não fui a loucura lendo o livro ? Boa pergunta...quem disse que não ?


5­ - O CHAMADO DE CTHULHU­ H.P.LOVECRAFT

O conto de horror do escritor norte­americano H. P. Lovecraft, narra a investigação sobre um ser extraterrestre­adoro! e dos "antigos" que na mitologia "lovecraftiana" seriam criaturas cósmicas, vindas à Terra antes desta abrigar a vida.  Cthulhu é um deus que aparece como um ídolo de argila quase indescritível, possuindo um culto milenar dedicado a trazê­lo de volta ­ um retorno que desencadearia o fim da Humanidade. Macabro.







6 - ­FRANKENSTEIN OU O PROMETEU MODERNO DE MARY SHELLEY

“Vi­com os olhos fechados,mas visão mental aguçada­vi o pálido cultor de artes  profanas ajoelhado à coisa que criara. Vi o horripilante fantasma de um homem estirado que, em seguida,por força de um poderoso motor,mostrava sinais de vida e movimento desajeitado, a meio caminho de viver”. Trecho do livro de Mary Shelley ao conceber o plot de sua obra.

Essa é uma das primeiras ficções cientificas que temos. Uma obra de uma jovem chamada Mary Shelley, filha de escritores famosos de esquerda e com uma vida bastante trágica. O livro é lançado em 1818 quando Mary tinha apenas 18 anos. Nada fácil e mais surpreendente uma mulher na época escrever algo tão radical. O romance é uma mistura de gótico e só para você leitor saber, o nome Frankenstein não é da criatura, e sim do criador. Obcecado pela origem da vida, Victor Frankenstein
saqueia cemitérios em busca de materiais para construir um novo ser através de um choque elétrico. Nem tudo dá certo...e falar do resto é spoiler. 

Para aqueles que gostam e se apavoram com zumbies e psicopatas, informo que poderia listar outros livros no gênero terror como World Z e Um estranho no Ninho, mas confesso que não gosto e nem me apavoram zumbis e psicopatas. Esses últimos vejo praticamente todos os dias nas ruas da cidade, instituições públicas e governamentais. Já não me assustam mais. Quanto aos zumbis acho que eles já estão entre nós e de verdade nem me incomodam Poderia também discorrer sobre as assombrosas e arrepiantes mazelas públicas com nossa Educação, Saúde e Segurança­talvez o maior horror de verdade que temos hoje­ mas preferi listar o tom de ficção (afinal tudo que estamos vivendo acima é verdade) para que possam ter um bom entretenimento no Dia das Bruxas. Por isso, que tal pegar um livro agora e embarcar numa instigante leitura de horror ?

Este artigo foi escrito por: Martha Terenzzo.  Storyteller, curiosa, é professora de Cultura pop e Contexto  Criativo,Inovação,na Espm mas trabalha também. Ama Ray Bradbury e Isaac Asimov.




Da Série Desvendando o Storytelling: # Post 4
Para ver o # Post 5 O QUE É STORYTELLING
Para ver o # Post 3: O QUE TODO MUNDO DIZ SER STORYTELLING
Para ver o # Post 2: O QUE TENTA ENGANAR NO STORYTELLING
Para ver o # Post 1: O QUE NÃO É STORYTELLING
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A Decisão


Amélia estava rindo a aproximadamente cinco minutos, desde que Carlos havia lhe mostrado o presente. Mas o riso que levava lágrimas a brotar de seus olhos não era de alegria. Era indignação, raiva, nervosismo. Ela sempre tivera problemas em lidar com suas emoções. Parecia que seu corpo não entendia qual era a coisa certa a se fazer em cada ocasião. Em todos os cinco anos de casados, Carlos sempre havia lhe dado presentes caros. Agora, ela suspeitava que eram o modo encontrado por ele para se redimir de tudo o que fazia de errado sem que ela soubesse. Há seis anos atrás, eles eram dois jovens apaixonados. Carlos a havia incentivado a fazer coisas que ela nem sabia que seria capaz. Ele a ajudou a largar a faculdade, desafiando seus pais e os obstáculos foram enormes. Acabaria ficando sem dinheiro e sem lugar para morar naquela época, se não fosse por ele, sempre pronto para ajudá-la. Agora, ela se lembrava daquela garota assustada de anos atrás, mas ela lhe parecia distante, quase como um personagem em um livro.  Quanto ao garoto apaixonado, ainda era visível no rosto do homem que lhe encarava com olhos de súplica. A decisão parecia simples, perdoá-lo e salvar seu casamento, ou mandá-lo embora, recuperando seu orgulho próprio. Mas nada que machuca o coração é simples. Seria muito difícil esquecer a dor que estava sentindo e aceitá-lo, sabendo que poderia novamente traí-la, quebrando seu coração novamente em pedaços.  
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Muito bem. Agora temos uma história melhor estruturada. Temos um personagem principal, Amélia, que passa por dificuldades, obstáculos e consegue o que quer, até chegar em outro problema: uma traição. O conflito força Amélia a fazer uma escolha. Mas isso é Storytelling? Ainda não. Começamos a ter um resquício de Storytelling, mas ainda estamos longe disso. Seria o que chamamos de storytelling, com "s" minúsculo. Esse é feito de qualquer jeito, colocando apenas elementos da narrativa de uma forma equivocada. Por exemplo: No texto "A Decisão" apresentamos trechos de uma jornada, mas ainda estão expressos de modo confuso e destoante.

Mas o que falta?

Se fossemos estruturar isso como Storytelling, teríamos que separar o que foi colocado em dois momentos.

O primeiro seria sobre a jornada de Amélia de auto descobrimento, quando ela teve que abandonar o que a família acreditava ser bom e passar a escolher por si própria. O incidente que levou Amélia a uma mudança poderia ser Carlos, que impulsiona Amélia a sair de sua "zona de conforto". Teríamos que mostrar a transformação clara de "Amélia sem auto-confiança, sendo manipulada pelas opiniões de outros" e ao final "Amélia confiante, segura de si, fazendo escolhas por conta própria". Ao meio da jornada teríamos que fazer Amélia merecedora da auto-confiança para que sua transformação fosse crível. Para isso, ela teria que passar por grandes obstáculos e complicações ainda piores.

O segundo momento da história seria sobre o casamento de Amélia e Carlos.  Teríamos que definir o que fez Amélia chegar no momento em que deve fazer a escolha de perdoá-lo ou não. No que implica essa escolha? O que acontece com Amélia se ela o perdoa? E o que acontece se não perdoa. O que ela tem a perder precisamente? E por que o que ela perde é importante para ela. Qual a transformação que essa escolha gera?

São diversas perguntas a serem respondidas. Então vamos a 5 casos que não responderam perguntas como essas:

1)  O filme "Eu, Frankenstein" - Conflitos e escolhas fracas
Sabemos que re-leituras de histórias já contadas estão na moda e, com certeza, essas novas interpretações vendem. Mas não adianta ter um personagem conhecido e deixar o público  decepcionado. Esse é o caso do filme "Eu, Frankenstein". O filme fala sobre o conflito de Frankenstein, o único ser que não possui alma no mundo todo. A transformação é clara: No começo do filme, Frankenstein não tem alma; ao final, ele ganha uma alma. Mas ainda assim, a narrativa é fraca. Os personagens não parecem ter vida fora do momento em que estão na tela. A estrutura é seguida, mas as decisões feitas tornam-se sem sentido já que as alternativas carecem elaboração. Por exemplo, a mocinha, em determinado momento deve decidir entre ressuscitar seu colega de trabalho, que renascerá sem alma e será habitado por um demônio (isso também levará à destruição o mundo), ou simplesmente deixar seu colega morto sem que o mundo seja destruído e que ele seja habitado por um demônio. Estranhamente ela escolhe a primeira opção, desvalorizando o poder de discernimento da audiência. No caso, as proporções e as cargas das escolhas foram feitas de maneira equivocada.

Perguntas não respondidas: O que tem-se a perder com as escolhas e o que isso representa para esses personagens?


2) Comédias românticas que se perdem no clichê
Storytelling não é só estruturar de modo que o filme cumpra o "check list" de tudo o que tem que acontecer, é também inovar e dar voz artística ao como tudo vai acontecer. Sabemos que toda comédia romântica deve, sem exceção ter uma cena de "garoto encontra garota". É um fato que tal cena deve existir. Mas se o autor coloca em seu roteiro "Garota derruba papéis e garoto corre para ajudá-la", ele estará reproduzindo o que milhares de filmes já fizeram. Não basta a cena ter funcionado em outros filmes, ela precisa funcionar para essa história. Se depois de percorrer diversas alternativas sobre como a cena "garoto encontra garota" deve ser, o autor chegar a conclusão de que derrubar os papéis é o que se encaixa melhor no contexto dos personagens, daí sim, essa será uma cena que fará sentido para a audiência.

Perguntas não respondidas: Qual a relevância da escolha dessas cenas para os personagens?


3) Filmes Biografia e só
Vamos comparar dois filmes sobre o mesmo tema, só que construídos de maneira diferente. O filme "Chico Xavier" e o filme "Bezerra de Menezes - diário de um espírito". Os dois narram a trajetória de figuras do espiritismo. Independentemente do teor dos filmes, em questão de narrativa, um acerta e o outro erra. No filme sobre Chico Xavier, o autor de forma muito inteligente intercala a narrativa da vida de Chico com a história de uma família que ele influenciou. Mas por que isso foi tão inteligente? A vida inteira de uma pessoa é um âmbito muito grande para uma jornada. Devemos trabalhar sempre, no Storytelling, com recortes significativos. Além disso, tem-se a transformação necessária do personagem. Chico começa como uma criança boa e gentil e termina como um homem bom e gentil. Ele tem algumas questões e conflitos também trabalhados sobre a vida difícil que levou, porém, com um recorte tão extenso, esses conflitos não tem a chance de serem aprofundados. Já a família começa com um problema bem claro: são incapazes de perdoar o suposto assassino de seu filho. Ao final do filme, acabam salvando o menino da prisão.
Agora analisando a segunda biografia de Bezerra de Menezes. Temos no filme apenas uma narração de fatos. "E então isso aconteceu. Depois isso, e assim por diante". Uma biografia formada por narração de eventos, apesar de poder ser transformada em filme, não é Storytelling.

Perguntas não respondidas: Qual a transformação feita? O que exatamente foi superado?


4) Games com dissonância
Em alguns jogos que são permeados por uma narrativa, muitas vezes há uma dissonância entre o personagem da história contada na interação do Game e o personagem quando se transforma em jogador. Por exemplo, quando a história conta que o personagem em questão é um super herói que passou por diversos testes e superou desafios, espera-se que o jogo apresente tarefas a altura do personagem apresentado. Mas quando esse super herói cheio de poderes tem dificuldade até para abrir uma porta sozinho, acontece uma falha de narrativa. Não adianta fazer o Storytelling para animação do jogo, quando não é isso que o jogador está vivendo. Um dos jogos em que acontece isso é o Mortal Kombat vs DC Universe.


5) Percy Jackson - Adaptações mal sucedidas
Transformar um best seller em filme, nem sempre é certeza de sucesso. É preciso entender as diferenças entre um livro escrito e o filme de longa metragem que será apresentado na tela. Ao mesmo tempo deve-se ter em mente que alterar o formato não significa mudar a essência da história. Ocultar informações importantes pode fazer com que a narrativa tão aclamada pelos leitores, torne-se motivo de revolta. Nos filmes de Percy Jackson, os roteiristas e produtores ignoraram erros graves em relação à narrativa, que rendeu o cancelamento da filmagem do terceiro filme da série. No primeiro filme, um personagem importante que batia de frente com Percy(personagem principal) foi retirado, tirando também da trama um dos conflitos de Percy. Além disso o filme foi tratado de forma superficial, seguindo uma estrutura, mas sem capturar a essência do livro. No segundo filme, a história também ficou incompleta, já que muitas informações utilizadas na história eram continuações do que  deveria ter sido apresentado no primeiro filme. Para consertar, outras alterações foram feitas, bagunçando ainda mais os dados da história e revelando peças chaves em momentos não propícios para a trama.

Perguntas não respondidas: Como as circunstâncias apresentadas afetam na vida dos personagens? Como são relevantes? Como os eventos da série se interligam? Como estabelecem relação de causa e efeito?

Mais uma vez fica clara a minuciosidade necessária ao se pensar em Storytelling. Mesmo seguindo estruturas e receitas que já deram certo, podemos errar se não nos atentarmos para os mínimos detalhes e não trabalharmos bem com o universo que desejamos criar.

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Da Série Desvendando o Storytelling #Post 3

Para ver o #Post 5: O QUE É STORYTELLING
Para ver o #Post 4: O QUE PODERIA SER Storytelling MAS AINDA É storytelling.
Para ver o #Post 2: O QUE TENTA ENGANAR NO STORYTELLING
Para ver o #Post 1: O QUE NÃO É STORYTELLING
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A Aprovação


Quando Carlos lhe mostrou o presente, Laura nem sabia o que dizer. Era perfeito. Ele havia acertado em cheio. Aquele homem era com certeza merecedor de sua irmã. O vestido preto de seda tinha o caimento ideal para o corpo de Amélia, de modo que Laura podia imaginá-lo, ajustando-se à silhueta longilínea da irmã. O colar de pedras azul turquesa davam o toque final.  Amélia ficaria extremamente elegante, como sempre. Laura se lembrava como se fosse ontem o dia em que a irmã apresentou Carlos para a família, e agora, depois de 5 anos casados, ele ainda a mimava como se fossem dois jovens apaixonados.
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Normalmente, quando perguntamos a alguém: "O que é Storytelling?", ouvimos ideias genéricas , baseadas em um senso comum. Talvez constituam até elementos que uma narrativa deve ter, porém, se trabalhadas de maneira rasa e individual tornam-se qualquer outra coisa que não uma narrativa, raríssimas vezes se atentando ao menos a como essa história deve ser contada. No texto "A Aprovação", escrevemos o que seria um fragmento de uma história. Esse trecho poderia ser um parágrafo de um capítulo de um livro, um relato, mas é apenas uma pequena porção do que a narrativa deve englobar. Abaixo, elegemos 10 itens que costumam ser confundidos com Storytelling:

1. Storytelling é algo com começo meio e fim

Colocar começo meio e fim em uma história pode ser o início do raciocínio para criar uma estrutura de atos, porém não é o suficiente para dar a história como completa. O autor deve saber o que deve estar presente no começo, o que impulsiona para o meio, como o meio será elaborado e como se dará a conclusão de seus pensamentos ao final. A ideia de começo, meio e fim é com certeza um ponto de partida interessante para o autor, não podendo ser seu ponto de chegada. Tendo a visão clara dessa estrutura, o autor consegue brincar com os elementos da história, mudando-os da ordem convencional, sem que fique confuso para a audiência. 

2. Storytelling é algo com diálogos

Mas do que valem diálogos sem nenhuma ação? Em qualquer estrutura narrativa, seja ela um romance, um roteiro de filme, série, ou qualquer outro; as ações dos personagens dizem mais do que suas palavras. Se coloco, por exemplo, um dos meus personagens tendo uma reação de raiva, quebrando objetos ao receber uma notícia, isso reflete mais sobre sua personalidade do que se colocasse ele conversando com um amigo, contando sobre a sua raiva. Mais do que ações, as escolhas de cada personagem definem quem ele é. Se colocamos alguém em uma encruzilhada em que um caminho deve ser escolhido, entendemos o modo como essa pessoa vê o mundo.

3. Storytelling é algo com conflito

Mas todo conflito precisa de uma conclusão. Seguindo a linha de que escolhas definem um personagem, se tenho um protagonista em que o conflito não é resolvido de nenhuma forma, tenho um protagonista que está em cima do muro. Sendo assim, sua história não tem como se desenvolver. O personagem vira apenas um ser reativo a tudo o que ocorre a sua volta. E a vitimização de um personagem não é Storytelling.

4. Storytelling é algo em que se tem que fazer uma escolha

Uma escolha não vale de nada se o personagem não tem um preço a pagar. Supondo-se que o autor seguiu como esperado, colocou um conflito, uma escolha e concluiu seu pensamento. De que vale tudo isso, se o conflito era fraco, a escolha fácil, e a conclusão superficial? Muitas vezes isso ocorre quando o preço a se pagar pelo que está sendo feito não é alto o suficiente. Assim como na vida, cada escolha carrega uma responsabilidade. Deve estar muito explícito para a audiência o que o personagem perde ao tomar uma decisão e como isso pode ser drástico em sua vida.

5. Storytelling é algo que segue a estrutura (modelo dos três atos, quatro atos, cinco atos, jornada do herói...)

De nada vale uma estrutura, se você tem personagens rasos. Quando criamos todos os personagem, devemos também imaginar como seria a história contada sob cada uma de suas perspectivas. Se não formos capazes de entender a trajetória, os conflitos, dúvidas e motivações de cada um de nossos personagens, perdemos força em nossa história. Acabamos, então, caindo no clichê do vilão que só queria dominar o mundo, da garota popular e metida do colégio que era apenas fútil e nada mais. O filme "Malévola" é um ótimo exemplo de um twist de percepção. Uma das mais temidas vilãs da Disney foi colocada como heroína e veja como ficou muito mais rica a história.

6. Storytelling é quando fazemos o personagem achar que não tem mais solução para seus problemas, e bem no final, mostramos uma saída.

Tudo bem, mas que tipo de saída? Esse pensamento gera a típica história em que o roteirista, na ânsia de colocar tantos obstáculos para o seu protagonista. só consegue resolver sua trama com um passe de mágica. É o helicóptero que surge sem explicação; é o time da S.W.A.T. que entra no último minuto, sendo que nunca antes havia sido mencionado; é o objeto que se transforma em portal, também sem nenhuma explicação plausível. Enfim, todos esses itens podem existir com tanto que façam sentido para a história e já tenham sido apresentados antes. Se surgem como um ato de desespero, podem deixar qualquer um duvidando de sua veracidade e não entendendo a história. 

7. Storytelling é quando o personagem tem uma mudança de comportamento ou de atitude.

O personagem deve sim ter uma mudança de atitude ou de percepção. Em algumas histórias, isso ocorre durante vários momentos durante a trama, mas ninguém simplesmente muda de atitude sem nenhum estímulo. Deve sempre haver algum impulso para que o personagem passe a pensar diferentemente do modo como estava pensando. Histórias em que o detetive depois de muito tentar solucionar o crime, simplesmente acorda um dia sabendo quem é o assassino, não colam. Insights devem seguir uma lógica. Um ótimo exemplo é da série "Homeland". Em um dos episódios, a detetive tem um insight de que um ex-soldado americano está mandando códigos para os terroristas. Essa percepção acontece apenas após ela observar um músico tocando seu instrumento e mexendo seus dedos de maneira semelhante a que o soldado fazia perante as câmeras. 

8. Storytelling é quando o personagem passa por uma jornada

Sim. Mas não adianta passar pela jornada, sem aprender nada. Na jornada do personagem, ele recebe um estímulo que vai incentivá-lo a mudar algo dentro de si. Se o personagem passa por todos os conflitos e complicações, voltando a ser o que era, de nada vale sua trajetória. Sabemos que em Sitcom's a graça está em ver os personagens sofrendo com os mesmos erros, intrínsecos às suas personalidades. No entanto, embora os personagens de séries de comédia cometam os mesmos erros, em algum aspecto eles acabam evoluindo, mesmo que muito mais lentamente do que em um filme de drama, por exemplo.

9. Storytelling é quando o personagem busca e consegue um Elixir

Um Elixir não compartilhado, é um elixir sem propósito. O elixir é o que o herói/protagonista consegue após percorrer toda sua jornada, antes de voltar ao seu cotidiano. Pode ser físico ou simbólico e representa o que foi aprendido pelo herói. Se o personagem guarda esse conhecimento para si, seu elixir perde o valor. Ele deve praticar o que foi aprendido e compartilhar com o mundo. Por exemplo, na comédia romântica "Alguém tem que Ceder", Érica deve aprender a se abrir para o mundo para que consiga amar. Sua mudança de atitude é refletida em todos a sua volta, quando ela dá conselhos a sua filha ensinando que o amor vale a pena, ou quando permite que alguém mais jovem se torne seu namorado.

10. Storytelling é ficção. Você pode inventar o que quiser, colocar alienígenas, super-heróis. Tudo pode.

Sim, com tanto que siga as regras estabelecidas pelo autor. Você já viu alguém falar "até parece" assistindo a um filme do Homem Aranha? Provavelmente não. Isso acontece pois o autor delimitou qual era o universo criado e quais as regras a serem seguidas nesse universo. No filme, Peter Parker é picado por uma aranha geneticamente modificada, adquirindo assim o poder de se lançar entre os prédios com sua teia. Aceitamos isso, pois o autor é fiel as delimitações colocadas para a criação. Monstros radioativos são aceitos nessa narrativa como algo normal. Agora, se colocarmos um humano , pilotando um carro que cai de um penhasco a 120km/hora e nada acontece ao carro nem ao motorista, daí passamos a infringir leis da física que se aplicam a esse universo criado. Funciona para filmes de ação? Claro. Para vários, mas sabemos que o propósito desses filmes não é a construção de uma boa narrativa.

Entendemos com esse tópicos que o problema central não é O QUE é Storytelling, mas COMO fazê-lo, COMO estruturá-lo e COMO criar uma narrativa forte e atrativa.

Para aprender a fazer Storytelling de verdade, dê uma olhada nos nossos cursos. O próximo será dia 7 de Novembro, no Rio de Janeiro.