Da Série: Desvendando o Storytelling #Post 2
Veja o #Post 5: O QUE É STORYTELLING
Veja o #Post 4: O QUE PODERIA SER Storytelling, MAS AINDA É storytelling
Veja o #Post 3: O QUE TODO MUNDO DIZ SER STORYTELLING
Veja o #Post 1: O QUE NÃO É STORYTELLING
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A Entrega



Lívia abriu a porta e viu aquela caixinha familiar que recebia todas as semanas. Era rosa, com uma fita prateada, suas cores preferidas. Pegou o pacote e o colocou na cozinha, já imaginando as trufas que estariam lá dentro, junto da carta de amor que ele sempre lhe escrevia. Nem ela tinha tanta criatividade para tantos poemas. Ela estava feliz. Eles pertenciam um ao outro e nada podia atrapalhar seu amor. Em um ano, se mudariam para o mesmo apartamento, e dali a seis meses, casamento. Satisfeita, Lívia abriu seu pacote, e, como esperava, lá estavam as trufas de maracujá e morango ao lado de sua carta perfumada. Ela suspirou apaixonada, beijando o papel com delicadeza. Abriu a caixa de chocolates, e então lhe surgiu a dúvida: Qual sabor comeria primeiro?


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O texto “A entrega” não é Storytelling, porém tem o poder de mexer com o imaginário das pessoas ao trazer um artifício familiar. Consiste na utilização de personas representadas desde os tempos da Comédia Dell’Arte:  Os enamorados. Por ser um tema que traduz o desejo de diversas pessoas, consegue ganhar popularidade, mesmo sem ter uma narrativa forte por trás. 

Veja quais artifícios são usados para disfarçar a ausência de história e como são usados hoje em dia.

1. Um casal de apaixonados


Pode ser utilizado como apelo funcional ao público, como em comerciais de produtos diversos. Um exemplo são os comerciais de chocolate, que fazem uma abordagem mais romântica. Normalmente nesses comerciais, não há nenhum conflito e tudo funciona perfeitamente, sem nenhum empecilho.


2. Animais ou bebês


Quem nunca passou um tempo considerável vendo vídeos no Facebook sobre animais ou bebês fazendo o que fazem de melhor: sendo fofos?  Apesar de também não apresentar uma narrativa, esses artifícios funcionam, já que cativam uma grande audiência.



3. Muita ação e efeitos especiais


Alguns filmes de ação parecem ter gastado todo orçamento com o After Effects e cenas de destruição, esquecendo-se da importância de um roteiro consistente. Os resultados são personagens sem conflitos, escolhas sem sentido e fatos que não encaixam.



4. Gênero Sick Lit Crianças doentes ou qualquer coisa que faça te sentir culpado, se não gostar.


Artifício tipicamente usado pelas ONG’s. Ele funciona por tentar evocar compaixão por parte das pessoas e fazê-las ajudar em uma boa causa. No entanto, acabam atraindo pela tragédia, e muitas vezes se tornando inconvenientes, ao invés de explorar a comunicação de modo rico, através das histórias. 


5. O artístico demais – É tão artístico que acaba não dizendo nada.




Pode ser artístico? Pode. Pode investir em direção de arte e cenografia, deve. Funciona? Claro, mas depende para o quê. Se o objetivo for criar uma estética e uma atmosfera que represente o produto, está perfeito.. Mas estaria enganado a audiência se dissesse ser Storytelling.


6. O desabafo do escritor



Além das cenas em que o personagem resume o que aconteceu nos capítulos anteriores, ou explica para o público como está se sentindo ou conta sobre seu plano maligno, temos também algumas falas de personagem que expressam a opinião do autor sobre determinado assunto. O uso desse artifício é completamente perceptível, pois as palavras ditas não cabem na boca e caem no monólogo. No Storytelling, o personagem é tão bem trabalhado que parece ter vida própria independente de seu autor, de modo que podemos retirar os nomes dos personagens de um roteiro e ainda conseguir identificar quem está falando qual fala.


7. Usar atores famosos de filmes ou novelas conhecidas


Utilizar atores famosos é um dos artifícios mais manjados no entretenimento. Afinal, se é um filme com o Bradley Cooper deve ser bom. No entanto em filmes ou séries que dependem somente da reputação dos atores, a narrativa pode deixar a desejar, apresentando enredo e conflitos fracos.


8. Adaptar histórias que já funcionaram para campanhas publicitárias.




Pegar carona em uma história que já funciona, é um artifício com grandes chances de dar certo. Isso ocorre, pois as referências e o sentimento buscado pela marca já foram colocados pela história. Apesar de funcionar, torna-se perigoso se a marca tentar se adequar à história sem que essa faça sentido para a sua comunicação. O ideal é que a história se adeque a marca, ou seja, que a empresa crie suas próprias narrativas.


9. Usar metáforas visuais


As metáforas visuais traduzem um conceito em imagem de modo prático simples, para que a mensagem seja entendida imediatamente. São um tipo de artifício efetivo, dependendo do propósito da comunicação. No entanto, torna-se fácil de cair no clichê. É bonito, pode ser forte, mas não é Storytelling, já que não tem nem um personagem central, mas sim uma pessoa que poderia ser qualquer um. Podendo ser qualquer um, acaba sendo ninguém. E sabemos que a audiência só se relaciona com alguém.


10. Recorrer a mascotes 


Mascotes podem ser utilizados, mas devem ter um propósito. Criar um mascote apenas pelo simples fato de ter um, ou de ter um apelo mais visual não é um motivo forte o suficiente. Normalmente os mascotes sem propósito levam o nome de “Super-Nome Da Marca No Diminutivo” e não agregam nenhum contexto ao produto.


Reconheceu esses artifícios usados pelas marcas e pelas indústrias de entretenimento?  Quer saber como não usá-los na sua marca e construir uma narrativa forte e consistente capaz de criar maior engajamento?

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Diversas empresas estão aproveitando o dia de hoje (21/10/2015), teoricamente o dia em que Marty McFly de “De Volta Para o Futuro 2” desembarca de sua máquina do tempo feita em 1985. As campanhas são em diversos formatos, vídeos, posts no Twitter, Facebook, entre outros. Algumas dão as boas vindas a Marty, outras brincam com os produtos e elementos do filme e outras reproduzem o que foi idealizado na história.



Dentre as marcas que utilizaram o contexto do filme para promover seus produtos e serviços estão Toyota, promovendo um novo modelo de carro, alinhado ao carro de ficção, Pepsi lançando o refrigerante do futuro, Ducoco, Submarino, Ministério do Turismo, Lojas Ramsons, Viber, Google Maps, Google Pay, Air France, Nescafé, BMW, Uber, Samsung, Netflix, Tabasco, Paramount, Gobo News, Burguer King, jornal USA Today.


Podemos ver que as marcas estão cada vez mais brincando com o universo ficcional das histórias. Mas o mais impressionante é observar como uma história pode adquirir um forte poder de referência quando bem contada. O filme de Volta para o Futuro Parte 2 foi lançado em 1989. Possui duração de uma hora e quarenta minutos e é apenas mais um filme dentre os milhares de outros filmes lançados na época. Ainda assim, 26 anos mais tarde, todos ainda lembram de referências mostradas dentro da narrativa, de seus personagens e o que eles estavam fazendo, quais eram seus propósitos e conflitos.

Esse engajamento conseguido através do Storytelling não é facilmente alcançado. Por esse motivo, muitas marcas consideram pegar carona em uma história já bem desenvolvida um meio mais fácil de promoção. No entanto, diferentemente das histórias, essas ações pontuais são passageiras, pois não fazem parte do universo criado, apenas estão anexadas a ele.


É por esse motivo que surge a segunda opção, a criação de conteúdo com uso de Storytelling por parte das empresas. Algumas marcas já conseguiram realizar essa tarefa com sucesso, como a Coca Cola, por exemplo que já possui todo um universo ficcional construído, que permeia seu conceito estratégico e fortalece o relacionamento com seus stakeholders.

Para utilizar o Storytelling é preciso entender como construir uma narrativa, quais elementos utilizar e entender o que faz sentido para sua audiência.  Tudo isso sem cair em armadilhas que podem transformar sua história em uma historinha e afastar seus consumidores ao invés de aproximá-los. 

Quer aprender fazer Storytelling com S maiúsculo? No nosso curso, além de apresentar a teoria da Storytellers, fazemos também exercícios práticos que dão forma a suas ideias.


Nosso próximo curso será dia 7 de Novembro, no Rio de Janeiro. Acesse:






Vencedor do  56º concurso literário 'Casa de las Américas' em 2015, com seu livro mais recente, Minha vida sem banho (2014).  Bernardo Ajzenberg é um dos maiores ficionistas da literatura brasileira na atualidade.  É autor de Variações Goldman (1998), A gaiola de Faraday (2002, prêmio de Ficção do Ano da Academia Brasileira de Letras), Homens com mulheres (2005, finalista do prêmio Jabuti) e Olhos secos (2009), entre outros livros.

Não tem como começar melhor a nossa série de entrevistas sobre como autores brasileiros usam os clufhangers,  um artifício de roteiro que iniciei a discussão semana passada, neste link. Vamos descobrir o seu ponto de vista sobre o assunto, acompanhem.

Como você utiliza um Cliffhanger? 

Procuro fazer um uso moderado e sutil desse recurso, espalhando pílulas de suspense ao longo de toda a narrativa. O importante é que, ao final, todas elas tenham sido amarradas, mesmo que não necessariamente solucionadas.


O que diferencia um bom cliffhanger de uma tentativa fraca de criar um gancho na narrativa?

Acredito que o mais importante é evitar a sensação de artificialidade ou de forçação de barra, como se diz. Seu uso deve soar natural, quase que obrigatório pelo fluxo da narrativa. Do contrário, corre o risco de soar como um "pega-leitor" barato, como acontece na maior parte dos romances ruins ou das novelas de TV de estilo mexicano.

Fiquem ligados que ainda esta semana um novo nome vai aparecer aqui na nossa série Cliffhanger.  Para quem quiser aprender sobre estes e outros artifícios de um bom storyteller, não percam o curso com Fernando Palacios no Rio de Janeiro!   








Da série: Desvendando o Storytelling #Post 1
Veja o #Post 2: O QUE TENTA ENGANAR NO STORYTELLING
Veja o #Post 3: O QUE TODO MUNDO DIZ SER STORYTELLING
Veja o #Post 4: O QUE PODERIA SER Storytelling, MAS AINDA É storytelling
Veja o #Post 5: O QUE É STORYTELLING
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                                                A Mala Rosa

A mala rosa havia observado o interior daquele armário antigo todos os dias, durante os treze anos de sua existência. Já sabia mais ou menos a que horas aquela mulher alta e esguia abriria a porta para procurar uma roupa adequada: oito da manhã e sete da noite. Terninho com calça cumprida, saia, blusas de seda, de fato tinha um bom gosto. A mala rosa nunca se importara com a incidência da forte luz amarelada todas as vezes que a porta se abria. Tampouco se preocupava com a escuridão do armário durante a maior parte do dia.
Em uma dessas aberturas de porta, lá foi a mala rosa arrancada de seu local com força e rapidez. Todas as roupas, artigos de banho e sapatos que a mulher lhe jogou,  guardou, sem pestanejar. Foi arrastada até o carro, onde novamente a trancaram no escuro. Chegou ao aeroporto, rolou pelo chão sujo até pegar carona na esteira rolante e sentou no avião, ao lado outras malas, com diferentes cores e tamanhos. Por fim, foi jogada em outra esteira, onde depois de rodar por volta de meia hora, voltou às mãos da mulher esguia.
Ao chegar na nova casa, a mala rosa foi colocada em outro armário, dessa vez um pouco mais moderno, porém muito mais sujo e por lá permaneceu até o fim de sua vida.
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Um texto bem escrito, metafórico, que soa poético, pode até ser considerado bonito ou artístico. Ao se deparar com esse de construção, alguns podem ficar horas se perguntando qual o sentido escondido que o genial autor procurou colocar em sua arte. Porém, apesar desse tipo de narrativa ser apreciado por muitos, ela não é considerada Storytelling.  

Em nosso texto sobre a mala rosa, colocamos um personagem principal que não poderia sê-lo. A mala não tem nenhum sentimento e se mostra completamente indiferente a tudo o que acontece a sua volta. Sendo assim, ela não possui uma personalidade, e sem a verdade humana, não temos uma história. Caso eu quisesse contar a vida de sua dona através da mala, eu teria, então, que demonstrar as emoções, desejos e conflitos dessa personagem de forma que o público possa com ela se identificar e tenha curiosidade para entender a sua história.

Saiba agora o que mais NÃO é Storytelling.

Storytelling...

1) Não é expressão de fatos consecutivos sem conexão entre si.
Por mais articulado que seja o autor ao contar uma história sem sentido, para ser considerada Storytelling, a narrativa deve ter uma trama que se conecta e é revelada ao longo da história, fazendo sentido para o público.

2) Não é uma apresentação de dados que você normalmente vê.
Apresentações de dados podem ser transformadas em Storytelling. Porém, poucas empresas fazem isso. O que mais se usa em apresentações de dados ou de projetos, é um dos grandes DON’Ts do Storytelling. Chamamos de Answer First, o ato de dar respostas a audiência antes que ela tenha começado a formular qualquer pergunta. É o famoso “Viemos apresentar um projeto sobre...”. No Storytelling é preciso envolver a audiência e dar subsídios para que ela formule perguntas, que serão respondidas ao longo da narrativa.

3) Não é um vídeo no Youtube mostrando o dia-a-dia do seu gato
Discovery Channel também não é Storytelling. Uma história deve ser sobre pessoas, ou animais ou coisas que carreguem a verdade humana. Perceba que é possível sim chorar com o robozinho da Pixar, mas somente se ele for tão humano quanto nós.

4) Não é bolacha de bar com “historinha”
Algumas marcas, querendo inovar utilizando o Storytelling, podem cair no erro de colocar “historinhas” superficiais em sua comunicação. O universo pensado para criar uma história de um parágrafo, precisa ser rico e profundo.

5) Não é “os 50 anos da empresa no mercado”
Não é qualquer fato, ou a sucessão deles que podem ser transformados em história. O Storytelling é apenas recorte de uma grande história. E deve ser a respeito de um momento importante, excepcional na vida de alguém.

6) Não é comercial de margarina
No Storytelling, é preciso ter conflito, escolhas, problemas, erros e consequências. Se todos estão felizes e sorridentes, temos um belo comercial, porém uma péssima história.

7) Não é uma mentira bem contada
Storytelling não deve mascarar a verdade ou tentar manipular a audiência. Deve seguir os preceitos de ética e estabelecer uma relação de confiança com o consumidor ou com o leitor.

8) Não é duplicação
Storytelling deve ter originalidade. O autor deve conseguir fazer uma escolha distinta de tema com uma forma única de moldar a narração.

9) Não é sobre estereótipos
Segundo Robert McKee, guru de Hollywood, uma história estereotípica sofre de pobreza tanto na forma quanto no conteúdo e confina-se em uma experiência sócio cultural limitada e generalista. Já uma história sobre arquétipos desenterra a experiência humana universal, e  então se encasula em uma expressão sociocultural única.

10) Não é para ser  incompreendido
Se o público não entende o que o autor quis dizer, isso não é Storytelling. Possivelmente houve um erro de trama ou modo de contar a história. Um bom Storyteller sabe exatamente o que quer passar e o sentimento que quer evocar quando conta uma história.

11) Não é para ser entediante
Sabe quando alguém conta uma piada muito bem e todo mundo dá risada, mas quando outra pessoa conta, é totalmente sem graça? O mesmo se aplica para o Storytelling. A forma de contar a história deve aguçar a curiosidade da audiência e surpreendê-la. Para isso, é preciso saber bem como usar o “telling”.

12) Não é sem propósito
Tanto o(s) personagem(ns) principal(is) quanto o autor devem saber exatamente o que querem. Já na primeira estrutura do teatro grego, cada personagem tinha um desejo e uma finalidade na história. Um personagem ou um autor sem propósito desencadeiam uma trama sem rumo e sem sentido.

13) Não pode ser óbvio
A audiência pode até saber onde o autor vai chegar em uma comédia romântica, por exemplo, mas se interessa por descobrir o desenrolar da trama. Se a audiência sabe como vão acontecer os fatos, dificilmente ela perderá muito do seu tempo com aquela história.

14) Não contém escolhas fáceis
O famoso personagem sortudo que consegue tudo o que precisa, na hora em que precisa, não funciona para histórias. Se o personagem não tem dificuldades; se as escolhas que ele deve fazer são óbvias e não geram nenhum conflito, a história perde sua força e seu poder de gerar mudanças.

15) Não começa e termina da mesma forma
Escolhas difíceis, conflitos e eventos incitantes servem apenas para incentivar que o personagem sofra uma mudança. No Storytelling, o personagem deve sempre terminar a história completamente transformado em relação a maneira como a começou. Uma narrativa em que o personagem não muda, não aprende nada e não precisa fazer nenhum sacrifício, é uma narrativa sem propósito.

Não há uma única receita para se fazer Storytelling. Há porém fôrmas a serem utilizadas que podem dar origem a diferentes bolos. Na Storytellers, seguimos um princípio e não uma regra. Aprendemos, analisamos, testamos e ensinamos modos de se contar histórias que funcionaram para nós e diversas pessoas e empresas.

Ficou curioso para saber como utilizar bem todas as dicas colocadas? Quer entender o que são e como usar arquétipos? Quer construir um universo ficcional? Entender como usar o Storytelling para a sua marca empresarial? E a pessoal? (Sim, você também é uma marca!)

Fique atento às datas dos nossos curso!
O próximo será no Rio de Janeiro, com Fernando Palacios. 7 de Novembro de 2015. 
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A gente já falou aqui na redação sobre a série How I Met Your Motrher, eu particularmente havia deixado passar essa série por um bom tempo, até que a equação "Feriado + Netflix" resultou em 2 temporadas completas...

Mas por que essa série nos prende tanto? Por quê? Ok confesso que alguns dos personagens são, digo: Legendários! Todavia existe um artifício de roteiro bastante utilizado ali e que sustentou todas as temporadas, o cliffhanger. - pendurar em um desfiladeiro, em tradução livre. 


Alfred Hitchcock explorava este elemento até a tensão ser insuportável, e HIMYM (como os fãs chamam a série) consegue misturar essa tensão, quem é a tão mãe, com um enredo repleto de humor e aventuras amorosas de Ted.  Se você quer conhecer mais sobre este recurso, fique ligado pois semana que vem no blog teremos um artigo especial sobre cliffhanger!




O simples ato de contar histórias faz parte das nossas vidas, todos os dias. Contamos histórias na mesa do café da manhã, no intervalo do trabalho, nas reuniões e acompanhando uma cerveja nos encontros com amigos. É algo que fazemos desde quando morávamos em cavernas e que evoluiu ao longo dos milênios.

Storytelling tem a ver com isso, em aprender a escolher melhor as histórias e a encantar mais a Paulo Fabrefundo as audiências. “Se storytelling é o simples ato de contar histórias, digo que Storytelling – escrito assim com letra maiúscula – é a habilidade de saber encontrar ou criar histórias fabulosas, com propósitos épicos e contá-las de forma fantástica”, explica Fernando Palacios, sócio-fundador da primeira empresa brasileira especializada em Storytelling.


É possível recorrer a uma metáfora e dizer que Storytelling é um mundo inteiro e, assim, dividir os assuntos em termos de continentes e países:


  • O primeiro continente diz respeito ao Storytelling na educação, afinal, professores também podem contar histórias para deixar suas aulas mais envolventes;
  • Um segundo continente desse mundo é o que tem relação com o ambiente dos negócios. Nele, o maior país vive em função de contar as histórias de empresas ou marcas. Na capital desse país estão dezenas de produtoras que buscam tornar a publicidade mais dinâmica e interessante;
  • O país vizinho tem a ver com as histórias ilustradas por slides e narradas durante apresentações corporativas. A capital desse país de apresentações trata de como usar narrativas para tornar palestras mais interessantes e memoráveis para audiências;
  • O continente mais desenvolvido fica no centro do Mapa Mundi e envolve Storytelling aplicado ao entretenimento. Ele é composto por diversos países: literatura, cinema, quadrinhos, games, dramaturgia e até artes plásticas;
  • Por último, outro grande continente tem relação com crenças e religiões, que contam suas histórias e mitos desde a fundação da civilização.


Storytelling nas empresas

A técnica pode ser aplicada para dentro ou para fora da empresa e costuma ter estratégias diferentes em cada um desses momentos. No interior da organização, o foco é o engajamento de colaboradores e o alinhamento de equipes. “Não é por acaso que os grandes líderes sempre são considerados ótimos contadores de histórias. As empresas estão começando a aprender a contar histórias de forma mais interessante e algumas já chegaram a trocar as apresentações de slides por espetáculos teatrais”, comenta Palacios.

Fora das empresas, o Storytelling ajuda a fazer com que as marcas deixem de ser abstratas e passem a ser representadas por alguém de carne e osso. “Pense na sua expectativa ao comprar um celular novo de última geração ou ao sentir o cheiro do carro novo. Essas emoções são muito mais reais e marcantes e o Storytelling permite essa humanização à marca. Quando Lego deixa de ser um brinquedo e se torna um filme, a marca atinge um novo patamar emocional”, explica.

Na publicidade, encontramos vários exemplos de Storytelling, como o comercial do “Primeiro Sutiã”, a saga do “Garoto Bombril”, o “Dove Real Beauty Sketches” e a propaganda internacional “Chipotle”. “Enquanto narrativa de marca a longo prazo e um ótimo case de Storytelling, fico encantando com a Coca-Cola após o posicionamento ‘The coke Side of Life’ e com a Nike desde o começo”, diz Palacios.


Case de sucesso

A campanha de divulgação dos Sucos Naturais Dona Elza, idealizada pela DLM Propaganda , de São José do Rio Preto (SP), para os recém-lançados produtos da Bebidas Poty, traduz de forma lúdica e leve os principais atributos do suco.




A agência lançou mão do recurso de animação com efeito de giz para reiterar a identidade dos sucos, que atende o crescente anseio dos consumidores por produtos não apenas de boa qualidade, mas que favorecem um estilo de vida mais saudável.

O vídeo acompanha a linguagem gráfica já desenvolvida para a embalagem que traz a figura estilizada da Dona Elza, a matriarca da família Poty e grande inspiradora da fabricação do produto. A história é contada nas embalagens. “A ideia em todas as peças que envolvem os sucos Dona Elza foi criar um Storytelling e passar uma mensagem de saudabilidade, aconchego e apego aos valores naturais”, explica o diretor da DLM, José Roberto De Lalibera.

Artigo originalmente publicado no Comuninter




Após toda discussão sobre como os meios digitais encurtam o caminho até o consumidor, as marcas estão se deparando com um cenário inédito e crescente: pessoas que pagam para não assistirem nenhum tipo de propaganda.  Isso, sem contar os famosos ad blocks que aparentemente estão tomando as beiradas dos pesadelos de muitas empresas de mídia

“No total, 28% das pessoas que navegam na internet nos EUA usam os bloqueadores de anúncio, de acordo com uma pesquisa feita com 1.621 pessoas no ano passado pela Adobe e PageFair, uma empresa que vende aos publishers a tecnologia para lutar com os bloqueadores.”


Sabe o que é engraçado? Vários CEOs e CIOs quebrando a cabeça para desenvolverem tecnologias que possam “dar a volta” por cima e fazerem os internautas entenderem que os anúncios sustentam a estrutura de publicação da empresa. Ora, sem o CPC parece que portais não estão sobrevivendo, mas e se houvesse uma alternativa que não compreendesse o canal de comunicação, mas a sua essência? 

Pois, vamos olhar para alguns nomes que parecem vilões desse cenário. Como o Netflix, que já fatura com os assinantes brasileiros mais do que algumas televisões convencionais (Band e RedeTV) ou o Spotify que tem sua base de assinantes crescendo frequentemente - este que também poderá ser um dos fatores responsáveis pela queda da pirataria no país.   




Ambos estão entregando puro conteúdo, diversificado e focado nos gostos dos seus assinantes. É isso que as pessoas procuram e o que uma plataforma tecnológica deve fazer é facilitar esse acesso, mas ela nunca vai suplantar a busca inerente por conteúdo das pessoas.  Quero dizer, elas não vão entender que a sua propaganda sustenta seu site, elas entenderão que o conteúdo é bacana o suficientemente para elas cadastrarem seus cartões de crédito e pagarem mensalmente por isso. 

E não há nada mais sofisticado do que investir em conteúdo, quando bem feito ele perdura por anos na mente do consumidor. Criando até uma base de fãs e tendo poder de os reunir em eventos próprios ou exposições.  De certo as marcas ainda não estão acertando o tom ou a mensagem, produzir conteúdo de marca exige um conhecimento amplo sobre entretenimento e marketing. 


Esta é a base do curso Inovação em Branded Content, na ESPM -SP que está chegando a quarta edição em 2015.  Ele abordará questões como a produção de conteúdos num mundo cada vez mais rápido e fragmentado, tendências de entretenimento, questões jurídicas e tudo isso com uma imersão em branding. 

Se inscrevam e descubram como a sua marca pode resolver os problemas dos ad blocks  - http://www2.espm.br/cursos/espm-sao-paulo/inovacao-em-branded-content





O review abaixo foi originalmente postado por Leon Malatesta em seu perfil do Facebook - se quiser ter algum artigo publicado pela nossa redação, entre em contato aqui.

Atendendo a pedidos de alguns amigos, vamos finalmente falar de Narcos, a serie do Netflix que deu muito o que falar, ou não… sob um ponto de vista um pouco mais amplo, já que ao viver na Colômbia ganho algumas percepções - talvez um pouco mais autênticas que a maioria dos expectadores.

Vale entender primeiramente que a serie aqui não tem o mesmo impacto que no resto do mundo, por algumas razões não tão obvias, mas importantes de serem descritas: 9 de cada 10 conteúdos produzidos na Colômbia, tem como temática direta ou indireta a cultura narco, o que transforma a serie aqui, em apenas mais uma entre centenas.





Isso não impediu o Netflix de fazer sua divulgação local e confesso que o impacto dos pontos de ônibus multimídia passando micro-trailers da serie, causaram em mim um impacto muito interessante, não somente pela qualidade, mas porque era demasiadamente louco ver um dos maiores algozes do país estampado e em movimento em telas de alta resolução por toda capital.

Seguramente, se ainda estivesse vivo, Pablo Escobar estaria sorrindo de ego inflado e ao mesmo tempo absolutamente puto com a escolha do ator que faz seu papel, o que seguramente colocaria Wagner Moura em sua lista negra, correndo risco de vida. (vou explicar melhor mais a frente…)
Pra falar da escolha do ator, primeiro temos que nos perguntar para que mercado a serie foi produzida, e claramente não foi para o mercado Colombiano.





Sendo bastante genérico, podemos dizer que Narcos é um produto para o mercado internacional, com maior foco para o americano, onde tirando os latinos, a ignorância impera e se o espanhol do Wagner é bom ou não, não importa em absolutamente nada, pois todos fizeram uso da legenda. Quanto ao Brasil, que sim, tem um numero expressivo de assinantes do canal, sejamos bastante sinceros…que bando de desocupados, fazendo critica vazia. 90% dos brasileiros que acredita falar espanhol, falam um portunhol mal e porcamente compreensivo, o que automaticamente desqualifica completamente seu ponto de vista, e os outros 10%, te asseguro não criticaram a qualidade do espanhol do ator, porque simplesmente não podem.

Wagner Moura, faz um excelente trabalho, cria um personagem absolutamente cheio de layers, complexo, contraditório e ao mesmo tempo poderoso e gerador de empatia, seu espanhol é perfeito, porém, não alcança dois aspectos muito importantes que quase nunca estiveram descritos nas criticas mal realizadas pelos desocupados de plantão. É perfeito demais, é a prova de uma entrega absoluta do ator em tentar reproduzir com destreza a língua, mas que peca, por um tempo demasiadamente preciso, uma pronuncia cheia de um redondo fonoaudiólogo - totalmente esperado para alguém que foi apresentado a língua a menos de um ano, mas que nem por isso, é merecedor de critica, ao contrario, o feito impressiona pelo tão pouco tempo e dentro de uma situação de stress e cobrança absolutos. Outro ponto se dá pelo regionalismo da fala. Aqui na Colombia isso é assunto muito serio, sua região de nascimento é tudo, é a sua identidade primordial, é o algo que determinará como você é e se comportará socialmente e assim como no Brasil, o sotaque é o primeiro apontador dessa sua herança.

Não preciso dizer que é impossível para um não Colombiano reproduzir as sutilezas de pronuncia que eu estou tentando descrever tecnicamente. Não dá pro Wagner, não da pra mim e muitas vezes nem pro colombiano que não é paisa, que não nasceu naquela região e acreditem, não é só de sotaque que eu estou falando, vai além e esse texto não acabaria nunca tentando explicar.


Claro que a partir daí, todos os colombianos que assistem a serie, caem de pau…até gostam, mas com razão criticam a escolha do ator…Quem aqui se lembra do Julio Iglesias tentando cantar em português com o Roberto Carlos? No fundo é a mesma coisa, ainda que o Wagner seja bem melhor…Por isso, não seja babaca e considere pra quem a serie foi feita antes de sair falando.



Sobre o conteúdo. Falar que existem imprecisões históricas é chover no molhado, incluso logo na abertura existe uma ressalva bem clara de que o objetivo não é fazer um documento histórico…lembra? Entretenimento! Mesmo assim a serie merece muitos elogios, porque resume muito bem um período bastante controverso da historia recente do país e para quem não tinha nenhum conhecimento real do assunto é um bom introdutório, coloca o expectador em uma perspectiva bem mais clara dos fatos…a grande maioria das pessoas só sabia dizer que Pablo Escobar foi o maior traficante de todos os tempos e depois da serie consegue ver que o buraco é um pouco mais em baixo, uns sete palmos pra ser preciso…Pablo, foi ainda pior do que a serie é capaz de expor na sua obrigação comercial, um assassino inescrupuloso, audaz e absolutamente malévolo, um Carlos Chacal da causa própria, um fenômeno permissivo e pernicioso, fruto de uma sociedade igualmente cheia de contradições, que historicamente carrega todos os atributos e ingredientes necessários para sua existência.

Não por menos e de forma genialmente provocativa a serie começa traçando um paralelo com o realismo magico e estabelece uma relação de causa e efeito patente no trabalho de Padilha, que faz isso com maestria num formato narrativo já consagrado e dinâmico, mostrando dois lados de uma moeda muito mais suja e pesada do que se imagina.


Ah! Pros esquerdistas chiitas de plantão, dizer que este diretor distorceu os fatos defendendo Pinochet eu digo…Puta como vocês são chatos.
Se você não assistiu, assista, vale a pena, a serie esta muito bem feita, não só pela direção geral, mas pela impressão dada por cada diretor de cena e de fotografia, pelo roteiro envolvente e muito rápido e uma produção impecável que consegue fugir de muitos dos estereótipos recorrentes do universo retratado.
Pra quem já assistiu, não perca a segunda temporada que com certeza será ainda melhor e mais dramática, com a entrada dos PEPES( Perseguidos por Pablo Escobar) no contexto, colocando ainda mais loucura e contradição, numa história que apesar de parecer novela, realmente aconteceu.