Acho que esse é um assunto não muito usual no mercado de comunicação.  Para muitas agências, narrativas são narrativas... ou seja, elas acabam não se preocupando em entender qual o tipo, função e impacto que a história tem quando é propagada pelas redes sociais.

Hoje venho trazer um tipo bem conhecido do toolkit de Storytelling Interativo, para tentarmos entender de onde ela veio e quais suas principais características: A narrativa emergente (NE)


Quando uma campanha ou ação de comunicação tem uma Narrativa Emergente?


Nada melhor do que começar com os exemplos práticos. Sabe quando a sua empresa convida os seus consumidores a "contarem suas histórias, juntos" ? Assim como fez marcas como Nextel, Petrobrás e etc, esse tipo de conteúdo gerado (UGC - user generated content) constrói uma narrativa emergente, exatamente porque ela vai emergir em algum momento dos seus consumidores. 

Apesar de ser uma prática que se popularizou nos últimos anos, ela existe há décadas atrás, na indústria de Games.   O que uma narrativa emergente precisa para acontecer é basicamente um ambiente sociável, um contexto forte e gatilhos narrativos.  


Alguns games conseguem criar emergência sem a socialização. Um exemplo clássico disso é o modo "carreira" de jogos de futebol.  Nele você pode viver a ascensão e a queda do estrelato como um jogador, começando por times desconhecidos e passando por grandes clubes. Tudo depende das suas escolhas, dos contratos e principalmente do seu desempenho em campo.  Abaixo, temos um gameplay que dá uma visão geral nisso para nós.





Contexto Vs Intenção


Em jogos como este de futebol, o contexto criado é básico e, na verdade ele não é criado pelo jogo em si. Ser um jogador de futebol de sucesso é uma intenção forte criada culturalmente na sociedade brasileira, aliada a ludicidade dos games gera outra intenção no player que é a de se divertir. 

Quando a sua narrativa não é pautada em uma intenção cultural, você vai precisar trabalhar mais no contexto.  Ou melhor, no Story.  Aqui podemos ver como exemplos os MMOs - Massively multiplayer online games.  Do qual ainda existe uma intenção secundária de socialização, mas a história central envolve as pessoas de uma forma intensa, gerando uma imersão narrativa. 





No video acima encontramos o novo investimento da Blizzard, Heroes of The Storm, um MMO/MOBA que carrega as décadas de histórias criadas em várias franquias.


Mas como essas mecânicas podem funcionar em campanhas publicitárias? 


Primeiro, umas questões que podemos levantar: se existem milhares de pessoas interessadas em se envolver e criar suas próprias histórias em jogos, por que as empresas precisam investir quantias exuberantes em mídia, apenas para atrair a atenção e fazer com que uma parcela do target se envolva?   

E, até quem ponto a narrativa gerada desse conteúdo se consolida na cultura da empresa e dos consumidores? 

Tudo depende da ficção aplicada. O envolvimento inicial é notório e esperado pela novidade originada da ação.  Talvez a campanha mais lembrada nesse quesito é a da Nextel. Percebemos que o contexto é criado com os videos iniciais, exibidos na TV.








No primeiro vídeo o ator Fábio Assunção convida os clientes a contarem suas histórias, podemos chamar isso de um gatilho narrativo (bem direto, aliás).  E pra contextualizar, vários outros atores contaram a sua... é uma forma de ensinar como eles gostariam de receber seus videos.

No site naofoiparaoar.com.br (hoje inativo) existiam vários outros gatilhos, em sua maioria, sociais. Para estimular o compartilhamento.  A desabilitação do site já é um indício e característica que se difere dos jogos e, volto a dizer, depende da ficção aplicada. 


Podem perceber que alguns jogos de narrativa emergente proliferam conteúdo, geram fãs.  Lembram da denominação de fãs criada poe H. jenkis?

"Fãs são pessoas inspiradas por histórias que circulam através da mídia de massa, que pegam elementos dessas histórias e os usam como material bruto para sua própria expressão criativa, e que se aproximam devido à sua devoção a esses materiais culturais ricos. Não chamo de "faça você mesmo" e sim de "façamos nós mesmos", por causa da natureza profundamente colaborativa dessas formas de produção cultural. "






Jenkis afirma com isso: quando uma história é boa, os fãs tomam conta dela e continuam a narra-la.  Gerando fanfics como no caso de Star Wars e H. Potter ou inspirando bandas musicais como The Lord of The Rings. Apesar de ainda hospedar um site (vc.nextel.com.br) a participação ainda é condicionada pelas regras iniciais, como se ainda estivesse no primeiro capítulo de um livro... enquanto um fanfic expande o mundo inicial.


Narrativas emergentes tem um ponto negativo que ainda não foi compreendido pelas marcas


A menos que seja a proposta da ação, uma narrativa emergente faz com que os envolvidos tenham tantas experiências distintas que fica difícil dizer que se eles receberam a mensagem central.  Assim como acontece nos jogos, os clientes podem simplesmente desconsiderar toda mensagem central e começarem a criar aleatoriamente, por isso esse tipo de jogo é considerado com menor imersão de Storytelling. 

Para funcionarem as produtoras trabalham uma série de outras formas de conteúdos envolvendo todos no seu storyworld. No caso das marcas é ideal que a sua consultoria domine todas as formas de contar histórias e saiba identificar quando uma delas pode se propagar na mente dos seus consumidores. Ou ela vai passar batido quando a verba pra mídia se for. 


Existem inúmeros gatilhos narrativos e muitas formas de construir uma ficção de marca, verdadeiramente envolvente.  Com base nos valores e das expectativas do público que pretende atingir.  Não tem problema dar poder para as pessoas contarem a história da sua empresa, elas também podem contar as histórias delas juntos com a sua marca, mas pra que essas histórias não morram e a narrativa emergente alcance o seu potencial, as empresas precisam de um suporte muito sério, de quem entende todo o processo. 





A imagem que ilustra este post é de uma ação que a Axe fez aqui no Brasil, belíssima ação, diga-se de passagem.

"Quatro artistas da nova geração do cinema, da arte e da música apresentam a sua visão de um dos maiores protagonistas da literatura mundial de todos os tempos.  Uma releitura contemporânea de Romeo, trazendo consigo os novos jeitos de amar e se relacionar, inseguranças e expectativas do novo homem brasileiro."


Gostei muito da versão criada por Rafael Grampá, que tem toda uma estética e um espírito de narrativas das HQs. Uma versão de  um homem que cansou da sua vida sem emoção e vai atrás da mulher que deseja, superando estigmas de família.  

Aliás, o contexto da história nos mostra o que o Fernando Palacios sempre fala em seus cursos "o segredo de uma história é o que você não conta!"  Entre diálogos de Romeo com o pai da garota, naquele tipo de clube de atiradores de facas, escapa ideia de que eles já tiveram um passado ali




Todavia, me chama a atenção o fato da marca lançar mão de quatro nomes de peso para construir sua narrativa. Claro que eles acabam endossando de alguma forma e isso conta para a apropriação.  Mas fica um pensamento que podemos utilizar em várias esferas da comunicação: Os Storytellers estão distantes das agências ou estão dentro delas? 

Isso é extremamente pertinente quando levamos em conta que para uma história ter seus efeitos notados no branding da marca, o storyteller precisa ter conhecimentos empresariais.  Uma boa história pode ser construída por um bom roteirista, mas e uma boa marca?  - talvez isso não venha ao caso da Axe que já tem uma marca interessante.

Reflita com a gente sobre esse assunto, deixando aqui nos comentários a sua opinião. Até lá, assista esta história fantástica. 




O processo criativo é individual e muitos autores defendem seu aspecto caótico.  Apesar disso ele pode ser direcionado... inspirado.  Boa parte da inspiração para as cenas que Quentin Tarantino cria em seus filmes , por exemplo, é proveniente das músicas que ouve.  E ele não ouve pouca música, o diretor dispõe de um quarto só para guardar as centenas de CDs e discos de vinil que ele coleciona desde a sua adolescência.

Mas nem todo mundo tem um quarto cheio de referências musicais clássicas de várias épocas.  É aí que um bom serviço de música digital pode ajudar na hora de criar sua história. Neste post vou dar algumas dicas que eu pratico usando o Spotify. 


A biblioteca do Spotify tem músicas para todos os gostos e isso é ótimo quando estamos embarcando em um mundo não habitual: E se quiser escrever cenas de um Pub Europeu que apresenta uma banda celta? Ou se você é autor de terror e quer sentir a "vibe" da cultura sertaneja para um curta metragem?  Pra isso vai a primeira dica:




Crie uma Playlist para cada projeto


Qual é o gênero da sua narrativa? Bem, comece por aí.  No Spotify é possível encontrar dezenas de trilhas sonoras de filmes e games.  Eu vou escutando cada uma, procurando nas músicas a porta para aquele sentimento que tento evocar no texto.  Nem todas cabem, as que dão certo entram para a playlist. 

Por vezes seu projeto vai gerar mais de uma playlist. Já aconteceu de usar determinadas músicas para inspirar minhas cenas de ação e outras para trazer emoção aos diálogos em momentos cruciais.  Abuse disso!  Por que não escolher uma trilha sonora para seu personagem? 


Se você não tiver ideia alguma de onde começar, o spotify tem uma ferramenta poderosa, que dispõe de playlist prontas e ranks de músicas mais ouvidas. 




Sério, a imersão em um mundo diferente, pode ser uma barreira enorme para escritores iniciantes. Você precisa saber aonde esta pisando e aliando imagens com músicas você poderá se transportar para dentro da ação. 

Em um dos meus  novos contos, (ainda não publicado) até a escaleta, tudo parecia estar perfeitamente definido.  Eu sabia que iria começar a cena narrando em terceira pessoa a situação do protagonista - uma forma que escolhi de apresentar seu novo conflito já que ele era conhecido da história passada.  Sentei na frente do notebook com todas minhas anotações, passei um tempo olhando as ilustrações que havia pesquisado sobre o storyworld, coloquei o fone de ouvido, fechei os olhos e fiquei uns minutos absorvendo tudo.  

Minha frequência cardíaca pareceu se acelerar e quando minha retina tocou a luz novamente, o que nasceu do encontro dos meus dedos com o teclado foi uma cena em primeira pessoa, explicando toda a emoção que o personagem sentia naquele momento. 


Quando a sua publicação estiver finalizada vai ser interessante compartilhar com seus leitores a trilha sonora que ajudou a construir sua história.   Mas isso é assunto pra um outro post  este que nosso amigo Tiago Cabral já disponibilizou aqui 


Tem alguma dica para compartilhar? Deixe aqui nos comentários. E para conhecer o spotify acesse spotify.com






A season finale da Quinta temporada de Game of Thrones só veio a confirmar o que imaginávamos: a série se tornou um fenômeno cultural, um mito moderno aonde acompanhamos a tragédia da família Stark esperando ansiosamente por um lampejo de justiça entre a batalha pelo trono de ferro.

"Crônicas de Gelo e Fogo"  elevou seu autor, G. R. R. Matin, ao patamar de um dos melhores storytellers modernos. Com um olhar mais técnico sobre a prática da escrita podemos perceber que ele é um grande plotter... um arquiteto da narrativa.  Tudo milimétricamente projetado para despertar ou inibir emoções sobre determinadas situações e personagens. 


Ter o controle da experiência de sua audiência é tudo o que as grandes marcas desejam. Todavia escrever para marcas exige um conhecimento além do romance e da ficção. Estamos falando de um conhecimento que envolve coisas como branding.

A partir do dia 22 de junho, os professores que trouxeram o Storytelling ao Brasil vão explicar por que esse termo tem sido tão usado por empresas e publicitários, para o bem e para o mal. Os alunos vão entender onde acertaram e erraram as marcas que prometerem sucos bondosos e sorvetes italianos. Ao longo da semana, o autor e professor Fernando Palacios fica encarregado de ensinar como as técnicas utilizadas por escritores, roteiristas, quadrinistas, dramaturgos e gamers podem ser aplicadas na hora de se contar uma história.



Enquanto isso, a empresária e professora Martha Terenzzo explica como essas técnicas podem ser apropriadas para melhorar a comunicação corporativa em diversas vertentes: branded content, product placement, mídias sociais que engajam, eventos temáticos, apresentações emotivas e inesquecíveis e até construção de marcas que ganhem vida e aplausos.

Este curso é por um lado direcionado para diretores de comunicação e marketing, gestores de marcas, profissionais responsáveis por recursos humanos e treinamentos, produtores culturais, publicitários, executivos, empresários, jornalistas e todos aqueles que queiram contar melhores histórias. Por outro, o curso também beneficia escritores, roteiristas, cineastas, bloggers, instagramers, youtubers e todos aqueles que já contam histórias e buscam formas de potencializar e até monetizar seus conteúdos.


No sábado o curso é encerrado com um workshop especial, em que os alunos serão monitorados pelos professores para experimentarem o processo autoral: partindo de um briefing para criar histórias fabulosas com potencial de narrativa transmídia.

As inscrições do curso estão abertas até o dia 21 de junho e devem ser realizadas no site -http://www.espm.br/storytelling