Muitas vezes nos deparamos com ideias e plots que parecem "mais do mesmo".  Quando estamos escrevendo sob encomenda isso é bem frequente, aliás.  Nessas horas surge o conflito de como se diferenciar em meio a tantos enredos similares.

Claro, o primeiro elemento para dar personalidade a um enredo são os seus personagens.  Assim como as pessoas que conhecemos, eles podem se parecer muito quando observamos a camada mais superficial, porém quando adentramos seu íntimo descobrimos um oceano de particularidades (ou pelo menos devemos encontrar isso, se o personagem for bem escrito).

BoJack Horseman é um ótimo exemplo desse tipo de personagem.  Ele é uma estrela de seriados da década de 90, que vive uma vida decadente e totalmente displicente.  Tem tudo para parecer com Charlie de Two and Half Man, inclusive pelo trauma com sua mãe que sempre o tratou de forma horrível.  As feridas abertas em sua personalidade assolam a vida de BoJack e atrapalham todo tipo de relacionamento que ele cria, seja como amizade ou mesmo um romance.


Ai entra outro ponto alto dessa produção da Netflix: o tom.  Tinha tudo para ser bobo, ou uma comédia que abusa da suspensão da realidade (já que o seu mundo é habitado por humanos e animais antropomorfos que se relacionam de todas as formas). Mas as cenas dramáticas chegam a ser extremamente afinadas e até criam uma comoção.  Imaginem, um homem cavalo embriagado discutindo a relação com sua ex-namorada humana que vive casada com um cachorro, o contagonista da história.  Sim e funciona de maneira elegante e divertida,  Bojack Horseman é um seriado que vale a pena se envolver.



Sinopse: O mais cômico e famoso cavalo da TV dos anos 90 está de volta... 20 anos mais tarde. BoJack Horseman, sucesso da popular sitcom "Horsin' Around," hoje é um artista em decadência que mora em Hollywood, reclama de tudo e gosta de suéteres coloridos. Estrelando Will Arnett, Amy Sedaris, Alison Brie e Aaron Paul.





Quem está começando no mundo da escrita uma hora ou outra terá seu romance finalizado. Quer dizer ou quase pronto pra publicação, se for este seu caso, antes de procurar uma publicação deixe sua obra um pouco de lado, deixe o tempo apurar seu senso de auto-crítica. Então faça uma boa revisão, antes de mandar para um editor.

Bem, está tudo certo agora? Vamos passar para o principal: a publicação. Existem várias formas de conseguir tirar sua história da cabeça para as prateleiras de sua estante.  Vou tentar enumerar os pontos fracos e altos de cada uma (e vocês podem completar com suas experiências nos comentários).

1 - Crowdfunding 

Fazer um crowdfunding é uma das possibilidades mais válidas.  Com ele você pode conseguir a quantia necessária para uma ótima publicação, inserir os custos de distribuição e finalização do livro como contratar um editor terceirizado, ilustradores ou capistas.  Pra quem isso funcione com efetividade o planejamento do seu "financiamento coletivo" e os objetivos dele devem estar bem esclarecidos, isso estará imediatamente ligado ao seu poder de atrair investidores. 

Sobre eles, os investidores, você precisará de uma comunidade engajada. Se for um blogueiro ou um professor de uma faculdade ou mesmo palestrante, será mais fácil. Mas se não for, se acalme, tem sites especializados que já tem sua própria comunidade em torno dos lançamentos, um deles é o Bookess - www.bookess.com


2 - Editoras tradicionais

Elas já tem toda sua estrutura de distribuição e comunicação & marketing. O que pode fazer seu livro ser lançado como bestseller ou receber destaques nas livrarias.  Mas não é tudo flores, editoras recebem kilos e mais kilos de emails com originais diariamente, então receber uma oportunidade de publicação por uma editora tradicional é raridade, a menos que o autor custeie tudo. Sim, você pode pagar pelos seus serviços e o valor pode variar de 4 a 28 mil reais dependendo do tamanho da editora -  quanto maior a editora, maiores as chances de seu livro alcançar o sucesso.  

Algumas editoras pequenas são, na verdade, gráficas. O que é bom pra quem não deseja ser um autor reconhecido e pretende apenas presentear seus parentes e amigos com uma obra. 


3 - Concursos literários 


Todo mês ouço falar de dezenas de concursos literários. São ótimas oportunidades para quem deseja começar uma carreira como escritor, sem contar o prestígio que vencer um concurso pode te conferir - vencendo alguns concursos certos, logo você atrai a atenção de editoras tradicionais. 
  
As chances de se destacar aumentam se você procura um concurso de gênero específico.  No Brasil concursos mais abertos (genéricos) tendem a não valorizarem Ficção e Fantasia em seu julgamento, nesses casos eu por exemplo só consegui um bom resultado em concurso temático.  Há concursos para poetas também, basta dar uma googlada que você encontra um neste mês. 


4 - kindle direct publishing


Algumas publicações podem ser feitas em ebook, nesse caso eu indico (altamente) o programa de auto publicação da Amazon, o KDP.  Nele os ganhos são relativamente interessantes.  Mas toda a estrutura de divulgação da sua obra fica por sua conta - apesar da Amazon oferecer participação em promoções, você deve investir por exemplo no Facebook Ads e montar uma fanpage para se promover.

Mesmo autores de editoras renomadas gostam de publicar seus contos e algumas outras obras na KDP que vem crescendo cada vez mais.  Pra quem não tem um designer de plantão o site oferece uma ferramenta de criação de capa, fica bem simples, mas funcional.  Acessem - kdp.amazon.com


5 - Coletâneas


É fácil encontrar pela web, editoras que vivem de coletâneas. Elas selecionam em um tipo de concurso o número de autores que desejam trabalhar para cada obra e eles compartilham os custos de edição da obra. Tem um pequeno contrato e você recebe um número X de livros impressos que pode vender com um pouco de lucro. 

Achando a editora e a coletânea certa você pode trilhar um ótimo caminho em sua jornada de escritor, algumas fazem lançamento em um coquetel com convidados.  Eu tenho boas experiências com a coletânea que estou participando e pretendo participar de outras. 


Mas e você? Já publicou por algum desses métodos que citei acima? Conta pra gente aqui nos comentários. 

Smiling at the World by chicho21net


Não gosto de falar de transmídia sem usar narrativas como sufixo, dentro dessa ótica a transmídia pode significar muita coisa - o que causa uma confusão imensa na cabeça de todo mundo. Mas a Transmidia Storytelling só pode significar uma "uma história distribuída em vários meios que funcionam como um quebra cabeça para ser montado pela audiência, ampliando a experiência que todos tem com aquele universo ficcional". 

Pra quem lê nossa redação, isso é redundante. Já falamos bastante de aspectos desse mundo ficcional aqui e aqui. Agora pretendo focar rapidamente em um aspecto deste mundo... a sua persistência. 

Claro, se você veio do mundo dos jogos estará familiarizado com este termo.  Ele foi cunhado por Richard Bartle : "um mundo que continua a existir e se desenvolver internamente, mesmo quando não há pessoas interagindo com ele"


Isso já deve te dar uma ideia das primeiras barreiras que muitas empresas se esbarram quando pensam em transmidia: Por que criar um mundo que "acontece" quando não tem ninguém dentro dele?  A resposta pode ser dada por empresas que desenvolvem MMOs, os jogos massivos online.  

Um mundo persistente é sintético, ele rompe a barreira da realidade porque ele (a seu modo) é tão real quanto.  Isso faz dele capaz de hospedar quaisquer questões humanas, tais como amor, solidariedade, intrigas e qualquer sentimento.  É esse ponto que a audiência deve alcançar para se tornar fã e produzir seus próprios conteúdos, dando continuidade para a história.  Isso conclui a pergunta do título, claro que precisamos de um mundo persistente para uma ação de transmidia storytelling. Porém existem graus de ficção e de persistência que devemos adequar a (entre muitas coisas) produção. 


Hero by 88grzes


Na semana passada escrevi aqui um artigo falando sobre uma das características principais de um MMORPG: a progressão dramática.  E terminamos com uma dúvida bastante cruel: como escrever uma história em que todos devem se sentir protagonistas?

Afinal em um jogo online e massivo, como RPGs, todos devem sentir-se em sua própria jornada.  Isso segundo o Game Designer Daniel Erickson, vai contra toda tradição do Storytelling tradicional ao longo das eras : "... é como escrever Bravehearth sem o Willian Wallace e DC sem Batman. "


Mas existe salvação, a primeira dela é baseada em criar escolhas. Sendo uma narrativa para jogo, naturalmente elas devem compreender mais de um objetivo, independente se é para um jogo analógico de tabuleiro ou um app mobile.  As escolhas farão o player sentir que tem um certo poder sobre sua vida. Nem todo mundo iria se associar com Frodo para derrotar Sauron, pense nisso na hora de escrever. 

Trabalhe bem os diálogos, nem vou me estender pois já falamos do seu impacto na jornada heroica neste post.  (vale a leitura).  E faça com que as escolhas erradas dos personagens tenham consequências sérias na narrativa. Se ele errou feio, algo de muito ruim deve acontecer.  E o mundo deve mudar com essa consequência, mesmo que o seu jogador não esteja lá. É o que chamamos de mundo persistente.  

Pronto pra mai um drop de narrativa de game? Semana que vem falo sobre esse mundo persistente para você. ;) 





Há décadas atrás, o imaginário coletivo era habitado por monstros que se tornaram clássicos da cultura pop. Vampiros, Lobisomens, Múmias e todo o tipo de aberração noturna eram capazes de atormentar os sonhos de qualquer cidadão de bem, quando a lua brilhava ou quando a noite parecia mais fria. - e mais fértil para o surgimento de assombrações.

Isso era refletido, claro, no cinema. Foi uma época de ouro para os estúdios da Universal e seus personagens como Drácula e Talbot (O Lobisomen). Porém, os avanços tecnológicos impactaram definitivamente esse cenário; As pessoas passaram a crer menos que cérebros poderiam viver em redomas... (triste). E Horror sofreu grandes transformações, chegou a fazer comédia, apelou para escatologia, sexo e tudo o que podia. 


Mesmo assim parecia que esse universo gótico não estava funcionando da mesma forma. Parecia, afinal, mesmo que a Universal não consiga mais reunir todos seus monstros (leia aqui o começo de uma nova tentativa) recentemente me deparei com uma série que foi bem capaz: Penny Dreadful. 

A série criada por John Logan e Sam Mendes (The Hollow Crown) é uma coprodução americana (Showtime) e britânica (Sky Atlantic) que foi exibida no Brasil em pela HBO e Netflix - o último, apenas dispõe da primeira temporada.  O nome tem história, significa algo como um centavo de horror ou um centavo horrível, derivado de um tipo de publicação barata no século XIX. 


[ A SEGUIR SPOILERS ]


A Série começa quando Sir Malcolm Murray , um explorador Inglês, procura desesperadamente por sua filha, após ser carregada por um demônio.  Ela conta com ajuda da amiga de sua filha (e causadora de todo seu infortúnio) Vanessa Ives e o pistoleiro  Ethan Chandler.  Durante os episódios ambos se deparam com dezenas de figuras clássicas da literatura de horror.  Dr Frankestein é um tipo de consultor para o time - que em vários momentos me lembra a Liga Extraordinária de Alan Moore




Ela não deixa de lado os elementos que acompanham o gênero por gerações: O sangue, o sexo e o terror psicológico ainda residem de maneira brilhante e pertinente.  Perto do final da primeira temporada existe uma sequência de dois episódios em que Vanessa desperta sua possessão, após uma noite com o Dorian Gray, que também sofre com seus próprios diabos.  Logan usou a primeira temporada para construir o que ele chama de família; "Agora temos todas as peças no tabuleiro e podemos começar a jogar." 

A fantasia é intensa nessa Londres Vitoriana, não se tenta explicar a origem das coisas... não, pelo menos nesse momento. Apenas sabe-se que nos cantos mais escuros as sombras de movimentam para subjulgar homens.  A terceira temporada logo estará chegando e eu preciso me atualizar da segunda para acompanhar.  É uma história que vale a pena acompanhar, porém deixe de lado a origem conhecida dessas figuras monstruosas (a Universal tem direito a todas, praticamente) e se abra para uma ressignificação, muito bem feita.