Gosto de fazer analogias malucas (ou nem tanto) com filmes e seriados distintos e algumas vezes encontro coisas que me fazem em novas formas de contar histórias com fórmulas antigas. Pois andei observando algumas características bem interessantes no primeiro filme da série Velozes e Furiosos e vou mostrar algumas similaridades que vão surpreender vocês.

Dominic Toretto (Vin Diesel) é um líder que notavelmente se preocupa com o grupo, apesar de participar de corridas ilegais ele tem um certo senso de justiça e de família, tentando manter todos ao seu redor seguros. Além disso como um bom líder sabe dividir as tarefas, acreditar e estimular o potencial de cada um que trabalha com ele.

Isso é o bastante para manter semelhança com a maioria dos líderes de filmes Hollywoodianos só que tem uma particularidade a mais, o seu carro é vermelho - acalme-se, ainda tem mais antes de tomarem decisões precipitadas. Vamos passar para outro personagem.

Jesse, o cérebro de Dominic, o nerd que conhece bastante de tecnologia e tem algumas dificuldades para se relacionar socialmente como a gagueira. Te lembram alguém? Sim porém o carro dele é branco, mas com uma chama de cor que não poderia faltar... azul. Aliás quem assume o carro azul mesmo é Vince o amigo de infância de Domenic - é talvez as cores não sejam determinantes, mas vejam bem os personagens mantém padrões próximos.

O próximo é Letty a namorada de Dominic... o par romântico, deixa ver: sim, o carro dela é rosa.
Por fim o personagem principal, Brian O'Conner... ele começa como um homem que precisa se infiltrar no grupo de “criminosos” para prende-los. Praticamente começa como inimigo de todos eles, mas após certo tempo ele percebe que isso não tem fundamento e acaba se tornando parte daquela galera. Exatamente como o nosso amigo Tommy Oliver. Este começou sua saga como um dos maiores inimigos dos Rangers, porém acabou se tornando um líder depois. O que mais os dois têm em comum?

Vejam só, enquanto são inimigos eles utilizam a cor verde como determinante (no carro ou na roupa) e depois quando mudam de lado passam a utilizar o prata/branco.

Sério. Isso realmente me faz pensar que o grupo de Domenic é necessariamente igual aos Mighty Morphin Power Rangers na estrutura das equipes dos super Sentai. Quer mais? Então relembrem que a trama principal do filme gira em torno de roubos de mercadorias, dvds oriundos do Japão, aliás os asiáticos são considerados corredores velozes e com máquinas potentes o filme todo.

Claro que a gente nunca saberá até que ponto tudo isso não passa de coincidência. Particularmente acredito que seja uma questão de intertextualidade, mas se esses seriados de grupos japoneses incentivaram a criação de vários outros, porque não servir de base para filmes de ação americanos, não é? 



Mantenha a fantasia. Não a roupa de pirata, rainha ou soldado. A fantasia que você carrega na imaginação. Hoje você é um rei que circulará pela cidade inteira, em meio aos súditos. Um mendigo que em vez de dinheiro deseja recolher moedas de alegria. Uma bruxa que usa o sorriso atroz para espantar a tristeza. Um vampiro eleito síndico do prédio. A única regra é ser o que não se costuma ser.  

Quando o gênio da lâmpada surgir, peça três desejos, quatro, cinco. Pouco importa se há possibilidade de serem realizados. Procure por alguém com uma bola de cristal, pergunte pelo futuro, pelo que as estrelas estavam querendo dizer ao se alinharem com a galáxia mais distante.   

Viaje. Viaje sem dar um passo. Você verá com quantos anéis se faz um planeta. Com quantas nuvens se faz um céu. Com quantos bêbados se faz um sóbrio e com quantos loucos se faz uma pessoa sã. Coloque a coroa de papel e finja que o jornal aberto é um tapete mágico para você sobrevoar os oceanos.

As notícias vão chegar por meio de uma garrafa atirada nas águas, ou uma grande mentira será soprada aos quatro ventos. Ouça, anote. Comece pela fantasia, descontinue pela realidade, vire a segunda à direita e pronto. Nada pronto. Pare, respire e se inspire.

É Carnaval. Era. Pode ser um bloco. Poderia. Na quarta-feira-de-cinzas, vi um storyteller, afastado da multidão, com um cartaz pendurado no pescoço por um barbante, onde se lia: “mantenha a fantasia”.   

Este texto foi originalmente publicado em meu blog pessoal, mas hoje eu decidi dividir essa experiência com o storytellers por aqui também. Espero que gostem. 




Há dois mundos coexistentes em e em algum momento você deverá cruzar para o outro lado. 
Quando eu comecei a escrever o mundo era mais simples e as palavras eram desenhos no caderno de caligrafia. Depois disso tudo se complicou um pouco, mas era um complicado bom, um complicado legal tipo se apaixonar pela menina mais gata da escola e viver suas próprias aventuras de filme da sessão da tarde pra conseguir, nem que seja, um beijo na testa. Nesse momento da vida a escrita era normal, ainda não era arte só por que eu ainda não sabia muito bem o que era arte. Mas numa noite qualquer de verão na cidade da garoa eu descobri o que era arte enquanto escrevia sobre meu coração quebrado por que e menina mais gata da escola tava beijando o loirinho que jogava futebol e ouvia axé. Quando vira arte tudo se complica, ou não, afinal não existe certo nem errado na arte, só existe o talvez e o talvez vira poema, parágrafo, diálogo, o talvez não existe por que não é certo, não tem forma e se não tem forma, vale tudo. O talvez é o que abre a porta para o outro o mundo. 
No outro mundo tudo é diferente e não existe mais nem a possibilidade do simples, aliás, não existem muitas possibilidades nesse outro mundo, tudo por aqui é uma certeza ou uma necessidade. Mas o interessante é o que acontece no meio do caminho entre a certeza e a arte. Esse é o momento em que todo mundo reconhece alguma semelhança entre o que a gente faz e uma coisa que eles chamam de talento. É show de elogios. Os amigos se emocionam com suas homenagens em forma de poesias e prosas no natal e no ano novo. Os professores começam e te dar dicas e ideias sobre jornalismo, redação e inconscientemente as coisas mudam de novo e o que você escreve, a sua arte, deixa de ser o foco para que todo mundo veja o artista. Ferrou meu amigo! Todo mundo acha que você tem talento né? Você passou a vida toda escrevendo e ouvindo gente te elogiar, se emocionar e incentivar, mas você não foi o único, na sua família talvez tenha sido, às vezes até no seu bairro, mas não foi o único na sua escola, nem na sua cidade e ai, quando você chega lá, naquela faculdade de jornalismo, publicidade ou até letras, você percebe que o seu texto, honesto e de coração, não é só arte, o seu texto é produto, seja você jornalista, escritor de ficção, roteirista ou tradutor, no fim das contas você vende texto e não arte. Arte não tem forma, texto sim. Arte é o que você cria, o que você faz, texto é o que você entrega e o que os outros vão ver. 
Sua namorada adorou a mensagem de aniversário que você escreveu para ela, mas ela adorou por que é sua namorada, tá fácil de emocionar. Teu amigo adorava as sacadas que você tinha na escola, te deu a maior força quando você decidiu escrever stand-up, mas nem todo mundo vai entender a sua piada sobre a professora de física, nem todo mundo vai conhecer a professora de física. Aquele parágrafo de uma linha no meio texto pode ser ignorado na sua rede social, mas teu chefe não vai gostar dele. Enfim, a parte mais difícil já foi, você já aprendeu a fazer arte, agora você tem que aprender a escrever, mas não se preocupe, assim como na vida o melhor não está nem no começo, nem no final da viagem, a melhor parte é a jornada.  



No livro “O Caminho de Swann”*, do escritor francês Marcel Proust, o narrador começa a se lembrar com mais clareza de sua infância, na pequena cidade de Combray, a partir de um episódio singular: o consumo dos famosos madeleines – pequenos biscoitinhos tradicionais da França.

Durante muito tempo, o narrador não tivera a chance de voltar a experimentar a iguaria, que, ao ser saboreada novamente, entre goles de chá, trouxe lembranças há tanto adormecidas. Mas Proust não se contenta em resumir a experiência em um parágrafo curto.

Na edição da obra que tenho em mãos, gasta boas três páginas relatando como os madaleines foram capazes de promover uma admirável e longa viagem pela memória. Mais do que isso, os biscoitinhos são um ponto-chave, servindo de pretexto para o desenrolar dos fatos. 
  
Vale destacar um trecho:
“E de súbito a lembrança me apareceu. (...) E logo que reconheci o gosto do pedaço de madeleine mergulhado no chá que me dava minha tia (...), logo a velha casa cinzenta que dava para a rua, onde estava o quarto dela, veio como um cenário de teatro se colar ao pequeno pavilhão, construído pela família nos fundos (...); e com a casa, a cidade (...)”.

Para Proust, foram os madeleines. E para você, caro storyteller? O sabor da macarronada que a vovó preparava? Uma fotografia descolorida? O perfume da ex-namorada? Jornais em um velho sebo? O tique-taque do antigo relógio do pai? Pare para pensar, revisite o passado. Se possível, como incentivo à inspiração, repita experiências que não tem vivido há um bom tempo. Elas ainda podem levar a um grande passeio pelo tempo, ajudando a render uma ótima história.       

*“O Caminho de Swann” é o primeiro livro da série “Em busca do tempo perdido”. 




As histórias são o toque de mágica capaz de transformar o rotineiro em algo fantástico, fabuloso e quem sabe até épico.

Tecnicamente falando, tudo pode vir a ser Storytelling. Mesmo assim, durante o Curso de Inovação em Storytelling, os professores insistem que é preciso escolher bem para onde apontar a varinha storyteller.

Storytelling não substitui um trabalho de marketing ou de comunicação ou de branding ou de publicidade. Ao invés disso, Storytelling reveste.

Por outro lado, quem vive de contar histórias vê em todo lugar uma boa oportunidade para criar. Até por isso o Storyteller Certificate é como é. Aliás ele ficou assim porque uma aluna do curso, inspirada, confeccionou espontaneamente usando uma das técnicas apresentadas.

Então, para quem ainda não tem esse diploma especial de poderes mágicos, a próxima chance será em abril.
http://www.espm.br/inovacao/curso.asp?cursoID=62





O bom contador de histórias sabe que por melhor que seja a narrativa, uma hora ela tem que chegar ao fim. Depois de uma semana acelerada, o Curso Intensivo de Inovação em Storytelling, carinhosamente apelidada de #plotESPM nas redes sociais, chegou ao fim de sua oitava edição.

Acabamos de tabular as avaliações e novamente o curso superou muito as expectativas - que como muitos disseram, já era alta! O que é fantástico considerando uma turma tão variada, composta por publicitários, engenheiros, advogados, jornalistas, rpgistas, contadores de histórias, escritores, empresários, executivos e até anjos. Ganhamos os céus!

De maneira geral, as críticas foram direcionadas ao volume de conteúdo transmitido em apenas uma semana e à ausência de atividades mais prática. Pois é, essas são mesmo características de um curso intensivo. 

Até por isso a partir desse ano teremos outros módulos mais práticos para exercitar diretamente.
O primeiro será a utilização do Storytelling em apresentações corporativas. Um workshop em que todos os alunos irão sair do curso com suas apresentações estruturadas em formato de história!







Uma aula de como fabricar um bestseller, os 50 Tons de Cinza renderam uma série de posts em janeiro:

- O que é essa mania de 50 Tons de Cinza - uma introdução para quem nem mesmo folheou o livro.

- As 5 técnicas dos 50 Tons - as técnicas de storytelling que fizeram dessa saga, um fenômeno mundial.

- As 5 marcas dos 50 Tons - quais empresas que pegaram carona e lucraram com a história.

- Uma tradução precipitada - sobre as diferenças entre as versões linguísticas da obra.

- Os tons por trás das páginas - um estudo de todo o movimento dos bastidores e da propaganda:




Por último, na semana passada os 50 Tons de Cinza foram o tema do Primeiro Hangout Brasileiro de Inovação em Storytelling. Até por isso, essa primeira edição foi carinhosamente chamado de 50 Tons de Storytelling. Para quem quiser ver o que rolou, abaixo um vídeo com os melhores momentos editado por Pedro Kastelic.




Depois de toda essa diversão, resolvemos tornar a iniciativa mensal.

O próximo já tem data e tema: dia 25 de fevereiro e a escolha do tema vai para........ os filmes do Oscar!

Clique aqui e venha celebrar com a gente.



Mônica chegou a tempo de ajudar Tia Aldete a carregar o carrinho da feira para o lado de dentro. Com um sorriso no rosto a dizia o quão linda Mônica estava depois de tantos anos. A moça, também sorrindo, perdeu a concentração no discurso de Tia Aldete e percebeu, do outro lado da rua, um jovem de cabelos longos, sem nenhum corte e roupas rasgadas, arrumando o que parecia ser um fogão improvisado.

 O rapaz avistou Mônica, curiosa, do outro lado da rua, agarrou sua panela e foi até a moça. Mônica o atendeu na porta. Ele pediu-lhe educadamente para que enchesse a panela de água para que ele pudesse fazer uma sopa para aquecê-lo naquela manhã fria. Mônica foi até a cozinha e voltou com a panela cheia de água. O rapaz voltou para o seu canto na praça em frente a casa, acendeu a pequena fogueira entre os tijolos, buscou um pedra lisa do tamanho do seu punho de dentro de sua mochila. Ao ver essa cena Mônica foi até o rapaz do outro lado da rua perguntar o que é que ele estava fazendo.

- Uma sopa de pedras - respondeu o garoto como se fosse a coisa mais normal do mundo. - aprendi a receita com a minha avó quando perdemos nossa casa e fomos morar nas ruas. Essa pedra é mágica e faz a melhor sopa do mundo. -  Mônica não sabia o que dizer ou como reagir, apenas olhou para a panela com a pedra em água fervendo. - É claro que ficaria muito melhor se eu tivesse uma cebola. Minha avó costumava me deixar cortar a cebola para a sopa, primeiro tira a casca, depois divide a cebola em quatro e joga com as pedras na água.

 A moça, tocada pela maneira carinhosa com a qual o garoto falava de sua avó, tomou seu rumo para dentro da casa de Tia Aldete, correu até a cozinha e pegou uma cebola em uma das sacolas de feira. Voltou até o garoto e ainda sem dizer nem mesmo uma palavra esticou a mão revelando uma cebola.

Mônica ainda não entendia como é que alguém seria capaz de comer aquilo, água, cebola e pedras e ainda sair por ai dizendo que era a melhor sopa do mundo. O garoto pegou uma colher de sopa de sua mochila, retirou da panela um pouco da água e experimentou sua sopa. - Falta alguma coisa - concluía o garoto - Faz tanto tempo que eu não faço uma dessas que eu me esqueci. Minha avó costumava pegar umas cenouras em um restaurante perto da praça onde dormíamos.

 Mais uma vez Mônica entrou na casa de sua tia, assaltou mais uma de suas sacolas de feira e voltou com uma cenoura em mãos para entregar ao jovem cozinheiro. E assim foi, cada vez que ele contava uma parte de sua história com sua avó e se lembrava de um ingrediente da receita, Mônica se levantava e buscava seus legumes e verduras. Quase uma hora depois a panela estava cheia de cenoura, cebola, batata, feijão e espinafre. O garoto retirou de sua mala uma caneca de plástico e virou o conteúdo da penela. A sopa estava pronta. - Quer experimentar? - perguntou o garoto estendendo a caneca na direção de sua bem feitora. Mônica não resistiu ao convite, a receita que o garoto descrevera em sua história parecia deliciosa. Ao provar a sopa Mônica ficou impressionada com o sabor, aquela era realmente uma ótima sopa.

- Só tome cuidado para não comer minha pedra mágica, tá bom moça? - Disse o garoto sorridente enquanto comia sua sopa.

 Minha avó costumava me contar essa história quando eu era pequeno e eu sempre fui fascinado pela maneira como esse garoto convenceu a moça e lhe dar todos os ingredientes que ele precisava para a sua sopa. Hoje quando penso nesse conto eu percebo que a minha avó estava me ensinando o poder da curiosidade. Histórias são sempre sobre ter mais perguntas do que respostas.


A saga dos 50 Tons de Cinza é um bestseller... e não digo isso só como fenômeno editorial - que já se estima ter ultrapassado US$ 1 bilhão em vendas em todo o planeta - mas também como bestseller de outros produtos para outras marcas.

Olhando para o poder de influência do storytelling e seus personagens, o livro atua como uma espécie de "caroneiro do sucesso". Já que o livro se passa em lugares existentes e inclui marcas reais, fica fácil para um fã se aproximar do seu desejo imaginário...

A seguir, os 5 maiores beneficiados dos livros da autora britânica. Os dados foram pesquisados por Pedro Kastelic.

Produtos Eróticos - 30% aumento na venda de bondagens e 10% aumento na venda de cordas
Mais do que uma marca ou produto, o primeiro grande beneficiado foi a indústria do erotismo. Se o sexo vende, com um pouco de estímulo ele enriquece. Uma ideia aqui, outra brincadeira ali e se fosse possível somar tudo ligado a sexo que foi movimentado no mundo inteiro por conta do livro, superaria em 50 vezes o valor do resgate do sequestro de um CEO.

Rede de hotéis Heathman - novo pacote de hospedagem "Charlie Tango" no valor de US$ 2700
Não apenas muito mais gente se hospedou no hotel em que se situa parte da história, como ainda queriam refazer os mesmos passos dos personagens. Sem perder tempo, a rede que aparece no livro criou um roteiro com direito a passeio de helicóptero... e muita gente deixou sua imaginação voar alto.

Audi - recorde histórico de vendas em abril 2012 e 28% de aumento nas vendas em julho
Um mês após o livro atingir o topo da lista dos mais vendidos do jornal NY Times, o principal "presente" que o CEO mais famoso da literatura deu para sua amada passou a ser uma espécie de desejo de consumo... e as vendas só subiram depois disso e olha que muito pouca coisa acontece dentro do veículo.

Apple - difícil de medir, já que também aparece em mais de 900 outras histórias
Ainda assim, uma coisa é certa: para quem sonha com Christian Grey, tem um iMac faz parte do pacote...

Blackberry - esse nem o livro conseguiu salvar
Se por um lado uma boa história pode ser grande o suficiente para que marcas concorrentes coexistam, por outro, nem mesmo 50 Tons de Cinza conseguiu levantar as vendas do Blackberry, que vinham caindo e continuaram no mesmo ritmo... e isso que um capítulo-chave do segundo livro gira em torno do aparelho. No caso, a protagonista não usou o smarthphone e se deu mal. Parece que a mesma resistência continuou no mundo real.

Ou seja, uma história proeminente não ganha sozinha. Quem vier com ela, enriquece junto. Afinal, todo o mundo que gostou da trama, vai querer vivenciar um pouco daquilo que seus heróis fizeram. Não é por acaso o aumento de 23% das vendas nas gravatas Cinza-Grey. Não basta ser CEO, tem que ser Grey.

Se você quer aproveitar pra falar mais de bestsellers, sejam marcas ou livros, aproveite o curso Inovação em Storytelling - do Branded Content à Transmídia na ESPM-SP.



"Quando você começa uma carreira artística você não a menor ideia do que está fazendo. Isso é ótimo! As pessoas que sabem o que estão fazendo, sabem as regras, o que é possível e impossível. Você não sabe e nem deveria saber. As pessoas que criaram as regras no mundo das artes não ultrapassaram os limites entre o possível e o impossível. Mas você pode!"

Assisti a este vídeo no início da semana e esse pensamento ficou na minha cabeça, me incomodando ao ponto de que quase tudo o que tentei escrever caia nessa discussão entre o que é possível e o que não é. Afinal, se há um ano atrás você me perguntasse se eu achava possível estar onde estou, finalmente podendo dizer que vivo de escrita eu seria cético, pessimista até. Mas aqui estou eu, crescendo aos poucos e fazendo o que eu gosto.

Às vezes, depois de uma reunião de trabalho da qual eu chego em casa com pilhas de folhas em branco a serem preenchidas, eu sinto como se eu estivesse realmente fazendo o impossível, possível. É a realização de um sonho, mas não é disso que eu estou falando. Estou falando de um poder da minha profissão: o poder de fazer a imaginação se tornar real o bastante para que outras pessoas se sintam naquele mesmo lugar, naquela situação e o melhor de tudo, sentindo aquela mesma sensação que você, ou o seu personagem está sentindo.

Eu já escrevi sobre como a minha vida mudou por causa de um curso que fiz na espm em 2012, mas hoje me dei conta que faz um ano que isso aconteceu e que 2012 se foi deixando um gostinho de quero mais, um saudosismo gostoso daqueles que nos faz sentir satisfeitos com nossas vidas e decisões. 2012 foi um ano em que eu aprendi muito e me tornei um escritor melhor, mas acima de tudo eu me tornei uma pessoa melhor. Hoje eu percebo que grande parte dessa realização tem relação com este curso que eu fiz, então eu decidi sequestrar esse espaço para agradecer ao Fernando Palacios, Martha Terenzzo e Bruno Scartozzoni pela transformação que suas histórias causaram na minha história pessoal. Obrigado meus queridos mestres, obrigado mesmo.




Há um tempo eu escrevi aqui sobre jogos de interpretação de personagens... os famosos RPG. Como havia comentado eles são ótimos laboratórios para narradores experimentarem histórias com seus grupos. Aliás nesse tipo de game os narradores são os que tem o maior trabalho: Além de descreverem com detalhes as cenas e interpretar os personagens "não jogadores" eles devem construir o que eu chamo de teoria padrão do universo fantástico - como as coisas funcionam dentro daquele mundo, para que isso justifique a existência dos elementos que vão nortear a construção dos personagens de seus jogadores.

Porém isso proporciona uma narração que de certo modo é unilateral, já que os outros jogadores interagem com o roteiro criado pelo mestre e nem sempre influenciam no desenvolvimento da história. 

Agora, existe um tipo de RPG, que está se tornando tendência entre os roleplayers, por serem mais casuais, eliminando o extenso trabalho de uma só pessoa para narrar, distribuindo essa função a todos os jogadores de uma mesa. Estes são os Story games ou jogos de narrativas compartilhadas.

... essa é a hora que a gente fica quase maluco tentando descobrir como é possível participar de um jogo aonde todo mundo tem o poder de moldar o universo e sua história. Mas calma, que eu explico melhor. 

O termo narrativa compartilhada descreve melhor como o jogo funciona (apesar de eu achar Story games mais apropriado), pois os acontecimentos e o desenvolvimento da história são contados por todos, em momentos distintos e segundo um sistema de regras pré estabelecidas. Então vamos entender alguns elementos desse tipo de jogo.

Um conceito ou tema principal

Antes de tudo existe um tema: Zumbis, Luta, Sci-fi ou terror. Esse tema será a base da história contada por todos, ele também poderá definir algumas regras, assim como deixará bem claro a proposição dos jogadores que participarem da mesa, como matar zumbis, conquistar recursos ou derrotar organização. Enfim, o tema será a força impulsora da narrativa.

Ok, até aí tudo igual ao RPG tradicional. Certo, vamos para o próximo elemento do jogo, a Estrutura Narrativa.

Todos já sabem o que fazer, contar uma história baseada em tal conceito, mas para que ela não fique desordenada ou cada um vá para um lado ela precisa de uma estrutura sólida. Nos Story Games essa estrutura narrativa é orientada segundo o conceito da aventura e pode ser baseada em arquétipos (a garota insolente dos filmes de terror, o militar carrancudo, etc) ou em seções do roteiro (nascimento, auge e declínio).



Ao contrário de outros jogos, você nem sempre vai ter o controle de um só personagem e sim de uma entidade que pode ser uma organização ou grupo - como uma tripulação de um navio. Mesmo assim, o controle dessa entidade pode passar para a mão dos outros narradores em suas rodadas, para que eles possam usufruir da maneira que for interessante para seguir em frente com a história.

Entendi, meu personagem nem sempre é importante, o que eu devo me preocupar é em dar sequência para a história da maneira mais interessante que eu puder!

Isso mesmo. Claro, que em alguns sistemas você pode valorizar um pouco mais seu personagem, mas na maioria deles não será possível evoluí-lo como em um RPG tradicional. Suas características principais, pré-definidas no começo do jogo, funcionam como um tipo de ferramenta que vai facilitar e direcionar a sua narrativa em seu turno/rodada. Elas serão a chave para enfrentar o terceiro elemento principal de um Story game, o conflito... aliás, os!



Vamos lá, você tem um tema, que te deu uma direção na história. Tem também uma estrutura definida e características que podem ser utilizadas para facilitar as coisas, mas como nem tudo é um mar de rosas toda história te levará a alguns conflitos. Eles são definidos de modo que sempre apareçam para incendiar a narração e fazer com que as coisas aconteçam. Em alguns sistemas, como o The Shotgun Diaries, é inevitável que depois de um tempo real de jogo você encontre zumbis tentando acabar com seu grupo.

O que vai definir como eles aparecem e como você deve lidar com eles é a mecânica ou sistema de cada jogo, mas eles estão lá e vão fazer com que seu grupo de narradores tenham que lidar com eles de maneiras bem criativas. Nem sempre todos serão obrigados a enfrentar tais conflitos, o grupo toma a decisão de quem vai narrar aquela situação difícil.

Poxa, parece legal tudo isso...
... sim e é! Agora o que acham de deixar as coisas mais divertidas em termos de jogo? Tudo bem, vocês pediram.


É que o poder de continuar a história pode ser tirado de você. Certos games exigem testes relacionados as características das entidades ou personagens da sua narrativa. Quando não conseguir sucesso ou algo de ruim pode lhe acontecer ou (em alguns casos) um juiz do jogo, que representará a força conflitante poderá narrar o que lhe aconteceu e isso nem sempre vai facilitar sua vida no jogo.
 
E se alguém quiser narrar na vez do outro, pra que ele não leve a história pra um lado que o grupo não vá gostar? 
Certo, para isso existem as disputas dentro de alguns sistemas. Você pode iniciar uma para tomar a vez de narrar do companheiro. Mas espero que a sorte esteja do seu lado ou será você quem sofrerá penalidades para continuar a aventura.

Pra muita gente isso pode estar parecendo complexo, mas na verdade são tipos de jogos bem casuais, que não demoram nem 5 minutos para serem preparados e nem exigem muito conhecimento dos participantes. Ao contrário dos RPGs tradicionais que chegam a ocupar horas apenas para desenvolver fichas e backgrounds dos jogadores.


Vamos tentar resumir os conceitos dos Story Games em tópicos:
  • Story Games são jogos aonde todos participam narrando partes da história;
  • Você estará narrando a história de um personagem ou algum grupo de personagens; 
  • Eles seguem um roteiro inspirado no tema que foi proposto;
  • Esse tema também guiará as regras do jogo, cada sistema é feito para um jogo diferente; 
  • A maioria das regras são simples e exigem testes apenas para definir quem continua narrando a história;
  • Alguns elementos podem ser inseridos para tornar as coisas mais difíceis ou não; 
  • Sempre haverá no mínimo, um conflito para você enfrentar;
  • Como em filmes, a história sempre chega ao final e o que acontece depois dela vai depender dos narradores. 

Quem se interessar e quiser experimentar é fácil, afinal podem ser jogados por grupos de 3 pessoas e algumas versões grátis estão disponíveis pelos próprios desenvolvedores em seus sites. Vou indicar dois que gostei bastante o The Shotgun Diaries sobre zumbis e o Cosa Nostra que é baseado em famílias de mafiosos.

The Shotgun Diaries - redboxeditora.com.br/shotgundiaries/



Ele criticou, intensa e publicamente, todas as adaptações de suas obras para o cinema. Para defender a sua opinião o Sr. britânico Alan Moore diz que todas as suas histórias foram pensadas para os quadrinhos e que todo o seu processo criativo tinha o "produto final" em mente, fazendo com que ao mudar a mídia, muda-se a maneira de contar a história e, portanto, dificilmente uma de suas cuidadosamente planejadas histórias em quadrinho se tornariam bons filmes.

Pois bem, se o problema era planejar a história para a mídia e aproveitar o máximo da combinação entre um e outro, Mr. Moore decidiu entrar de cabeça na linguagem cinematográfica e escreveu um roteiro, ou melhor, DOIS roteiros de curta-metragem. Deixo com vocês um vídeo e uma pergunta:

Até que ponto a mídia em que é construída a narrativa é capaz de alterar uma história?






Não estou aqui para falar de red herring ou de deep point of view, deixo essa missão para o Fernando Palacios no hangout do nosso grupo no dia 22 às 20.00 horas na webcam mais próxima de você. Hoje eu quero falar de tradução e da sua importância na literatura e no storytelling. 

O título original "50 shades of Grey" é um título carregado de significados na língua inglesa e muito bem trabalhado do ponto de vista publicitário. Uma ótima e complexa brincadeira linguística capaz de chamar a atenção do mais desatento leitor. Mas infelizmente o que me parece é que o título foi traduzido sem que ninguém tivesse lido o livro para fazê-lo. 

Visto que a palavra "shade", além de sua tradução literal como "tons" também expressa de maneira ampla as nuances e facetas (ou personalidades) de uma pessoa ou situação, gerando até o termo "shady" usado como adjetivo para se referir a pessoas misteriosas e diferentes, obscuras e de certa maneira causadoras de desconforto naqueles ao seu redor. 


A palavra Grey usada como sobrenome do personagem principal, também pode ser traduzida como cinza, ou seja, a cor que fica entre o branco e o preto, entre o bem e o mal. Já vimos em Senhor dos Anéis a transformação de Gandalf em sua forma imperfeita conhecida como "Gandalf the Grey" ou "Gandalf o Cinzento" para o mago branco, a representação do bem e da justiça. 

Em certo momento na narrativa de 50 tons de cinza o protagonista Christian Grey se apresenta ao usar a frase "I am the 50 shades of Grey" fazendo uma clara referência as suas características pessoais, ou seja, sua personalidade, ou personalidades, que se tornam ao longo da história um dos pontos principais do livro. Essa frase, que pode ser traduzida como "eu sou as 50 faces de Grey", é de extrema importância para que o leitor se relacione com o personagem e entenda um drama pessoal desse protagonista, além de explicar nesse momento o título do livro e dar ao leitor a sensação de que ele estava desde a capa envolvido com uma grande e complexa trama de cunho psicológico. Porém esse efeito se perdeu quando o título do livro foi traduzido para "50 tons de cinza" acabando com a relação entre o título e o protogonista e tornando toda a narrativa mais superficial e, na minha opinião, deixando tudo um tanto menos interessante. 

O red herring ainda está no livro, assim como as técnicas usadas no telling. Uma tradução dificilmente altera a ordem em que as coisas foram apresentadas ou o processo criativo. Os personagens são os mesmos, assim como o processo criativo do autor se manteve. No fundo, no fundo, estamos falando da mesma história, mas de um texto completamente diferente. Até que ponto a tradução pode ajudar ou arruinar uma boa história? 






- Se vocês encontrassem o gênio da lampada e tivessem direito a apenas um pedido, qual seria? Quantos de vocês pediriam para contar bem uma boa história?

Poucos levantaram as mãos, um jornalista, uma jovem blogueira e eu, um professor de inglês com crise de identidade. Os outros alunos provavelmente pediriam dinheiro, felicidade, ou coisas que fazem mais sentido do que a habilidade de ser um bom contador de histórias. Mas saibam do seguinte, contar bem uma história é o meu sonho de vida desde que nasci, um daqueles sonhos que se perdem quando temos que arrumar empregos e pensar em uma carreira. 

O homem, responsável pela primeira pergunta, continua sua aula, explicando que saber contar bem uma boa história pode ser o caminho ideal para conseguir realizar todos os outros desejos. Mas não estamos convencidos, nem mesmo nós que respondemos desejar tal habilidade acima de tudo somos capazes de entender tal afirmação. 

- Para quem ainda não se convenceu do poder das histórias eu vou usar um clássico literário como argumento. Quem aqui já leu 1001 noites? - e novamente apenas algumas pessoas levantaram suas mãos, mas eu não fui uma delas dessa vez. O professor continua e nos conta a história de 1001 noites e de como Sherazard salva não apenas a sua vida mas a de muitas outras jovens de seu reinado contando uma história ao rei. 

Eu ainda não estava 100% convencido, mas me peguei mais interessado no assunto do que eu mesmo imaginava possível. O curso não nos prometia o storytelling como um super-poder, nem mesmo nos prometia grandes mudanças de vida, mas no meu caso deveriam. A semana passou e cada dia mais eu me interessava por tudo aquilo, cada dia mais eu queria aprender sobre o assunto, mas ainda assim, todo o meu interesse girava em torno daquele sonho adolescente, sem grandes conexões com a realidade. 

Eu me reapaixonei pela arte, me apaixonei pela publicidade e me vi caminhando cada vez mais confiante na direção de marcas e produtos que precisavam de palavras, histórias e paixão. Aquele professor que me perguntou quem de nós pediria ao gênio da lampada para contar bem uma boa história, não sabia, assim como eu, que aqueles poucos dias iriam mudar minha vida. Dali em diante ele virou meu mentor, meu chefe e ouso dizer meu amigo. Hoje eu trabalho na storytellers, criando histórias para marcas, realizando projetos de comunicação repletos de significados e toda vez que penso em dar um exemplo de como uma história pode engajar as pessoas eu penso em como aquela primeira história, sobre a jovem Sherazade, me fez engajar tudo o que tinha em uma nova carreira. 

Para mais informações sobre o curso de storytelling entre no link: http://storieswelike.blogspot.com/2013/01/curso-de-ferias.html



Faz uma semana que eu me engajei em uma experiência parecida com o que as pessoas chamam de férias,  mas no meu caso dediquei esse tempo para, além de relaxar,  assistir alguns filmes clássicos e melhorar o meu repertório.

Já postamos, aqui no storieswelike, algumas vezes sobre a importância de conhecer o universo da sua narrativa detalhadamente, mas dessa vez eu vou deixar a lição com um dos melhores storytellers do cinema, na minha humilde opinião.





A grande realidade é que o tema de sexo VENDE, e VENDE muito! Aliás, embora muitos digam algo diferente, essa não é a primeira vez que a sexualidade é tratada do ponto de vista da mulher.
Você tem o livro 100 Escovadas Antes de Ir Dormir que balançou o cenário literário italiano com os relatos sexuais de Melissa Panarello, que começou suas experiências com 15 anos de idade.
No Brasil tivemos há pouco tempo atrás O Doce Veneno do Escorpião, onde uma garota de programa, Bruna Surfistinha, vendeu diversos exemplares e até teve sua obra transformada em filme, contando fatos de sua vida sexual desde antes de se tornar prostituta até quando já era uma acompanhante de sucesso.
E agora vemos 50 Tons de Cinza voltando com o tema sexual, quebrando tabus e conquistando legiões de fãs. É uma história de amor? Sim, é. É uma pornografia leve? Sim, o livro também pode ser visto dessa forma. 
Mas qual é a grande realidade do que é de fato 50 Tons de Cinza? 50 Tons de Cinza nada mais é do que uma história, de amor ou sexo dependendo do seu ponto de vista, bem contada!
Se uma mulher conta de suas experiências sexuais ou de seus relacionamentos amorosos com as amigas, ela consegue cativá-las. Mas será que ela conseguiria vender diversos exemplares de livros?
Mas já que uma autora conseguiu cativar milhões de fãs, será que uma marca conseguiria fazer a mesma coisa com o assunto?
Em questão de histórias, tudo depende de como contá-las. E é aí que entra o storytelling.
Pense nisso. Pense nas suas fantasias, ou até mesmo nas suas experiências reias. Será que você conseguiria transformar esses pensamentos em um bestseller?

Enquanto pensa na resposta, dê uma olhada nas 5 técnicas de storytelling da saga de 50 tons: bit.ly/50TONS
E se o assunto te interesse, participe do I HANGOUT DE STORYTELLING no dia 20/01 às 20h bit.ly/HANGOUT


Storytelling tem 3 regras imperativas, imutáveis e inegociáveis e a regra número dois é:

TODA NARRATIVA É SOBRE UMA PESSOA

Assim, uma boa narrativa jamais será sobre uma marca ou um produto. Porque produtos e marcas são conceitos inanimados e abstratos.

Mas aí quem for mais sagaz vai questionar algo como "mas o Wall-E não é uma pessoa" e não é mesmo. Mas no caso, apesar de ser um robô, ele tem um ponto de vista humanizado. Ele vê e sente como se fosse uma pessoa.

Aí quem for realmente perspicaz vai dizer algo do tipo "então uma marca ou um produto não pode ser humanizado como o Wall-E?"

A resposta é simples: claro que sim! Não é nada fácil, mas é possível. Veja aí o caso da Leica:




Pois é, talvez seja melhor reescrever aquela Regra #2...

TODA NARRATIVA É SOBRE SENTIMENTOS HUMANOS


Sombra e água fresca, ler um livro ouvindo o mar lamber a areia... ahhh, nada como aproveitar as férias.

Só tem um outro jeito tão bom de aproveitar o merecido descanso: investindo naquilo que ninguém jamais poderá tirar de você... o conhecimento.

Pode ser que essa seja a sua chance de sair da sua cidade e fazer um curso de ponta.

Pode ser que você tenha evitado o trânsito pra sair de São Paulo e agora quer fazer algo de útil.

Pode ser que você mal tenha tido tempo de parar e queria ver e fazer algo diferente para espairecer.

Seja qual for o seu caso, fica aqui a sugestão de um curso de férias fantástico: Inovação em Storytelling.

Em apenas uma semana você vai ter uma visão geral de ponta-a-ponta do storytelling, com diferentes aplicações: da apresentação pessoal ao branded content aplicado num plano transmídia.

Mais informações aqui: cursoStorytelling e aqui: storyESPM



Você já se pegou pensando no Cinquenta Tons de Cinza. Mesmo que não tenha lido. Não é?

Esse post pode parecer um pouco antigo e muito modista, mas o fato é que apesar de tanto já ter sido dito sobre a saga, o post trata de um assunto inédito.

Pelo bem do storytelling eu venci o preconceito e fui ver o que, afinal, havia por trás de todo o buzz. Como era de se esperar, ele não se tornou um sucesso de vendas por acaso. 

Por maior que seja a crítica à autora e seus leitores, ELJames aplica com maestria uma série de técnicas avançadas de storytelling. Técnicas que poucas marcas são capazes de dominar.

 


AS 5 TÉCNICAS DE STORYTELLING DOS 50 TONS DE CINZA


1. UM NOVO GÊNERO?
Tem gente que diz que criou um novo gênero de literatura. É uma afirmação difícil de se fazer, mas uma coisa é certa: com certeza gerou uma nova audiência. Assim como outros bestsellers mundiais como Harry Potter, Código da Vinci e Saga Crepúsculo, os 50 Tons criaram uma espécie de código que foi seguido por dezenas de outros autores e publicações. 
Como fez isso? Uma dica está nas capas.


2. O ASSUNTO É SEXO!
Tem gente que arrisca chamar de pornografia literária. Mas isso não seria um novo gênero, seria? Afinal, esse tema já tem sido explorado há anos, com destaque para o excelente Story of O. Ao ler o livro você percebe que o sexo, na verdade, nada mais é do que um truque de storytelling chamado red herring. É quando você pensa que e uma coisa, mas no fundo é outra. "Enquanto todos olham pra esquerda, ela corre pela direita."

3. TUDO É UMA QUESTÃO DE PONTO DE VISTA...

Literalmente falando. Boa parte do sucesso do livro é a facilidade da leitura e muito dessa simplicidade veio com o emprego da técnica chamada de deep point of view.

4.... DE PRELIMINARES,

Você acha que é um livro sobre sexo, você lê a história com os olhos da personagem... mas absolutamente nenhum tipo de contato físico acontece antes do sétimo capítulo. Enquanto o jornalista faz o lead e conta tudo o que há de importante no primeiro parágrafo da notícia e os publicitários tentam condensar tudo em uma frase ou 30 segundos de ação, a autor consegue te prender por metade do livro sem que nada de importante aconteça.



5. OU DE UM CONTO DE FADAS.
No fim da história, essa é uma sobre um príncipe encantado. Um príncipe encantado moderno. Um príncipe encantado com quem as meninas dos dias de hoje podem sonhar. 

A construção do príncipe é genial: ele é o máximo, mas não é perfeito; ele é aspiracional, mas como o próprio livro mostra, não é inalcançável. 

Tanto que a crítica masculina diz que o livro mais parece o manual de "50 Passos Para Se Tornar uma Maria Gravata". Sendo que "maria gravata" seria a mulher que se interessa por CEOs... 

AS 5 TÉCNICAS OCULTAS QUE NINGUÉM PERCEBEU

Mas espere.
Isso é apenas a superfície.
Depois de dissecar a obra com os olhos de um storyteller estratégico, descobri mais 5 técnicas que transformaram um fanfiction em um império de US$ 1,3 bilhão.

6. O PODER DO ESPELHO EMOCIONAL
Ana Steele não é apenas uma personagem.
Ela é um espelho.

E.L. James criou uma protagonista propositalmente "vazia" - sem características marcantes, sem hobbies específicos, sem opiniões fortes.

Por quê?
Para que cada leitora pudesse se projetar nela.
Aplicação para marcas: Pare de criar personas ultra-específicas. Às vezes, o segredo é criar um arquétipo amplo o suficiente para que seu público se veja refletido.

7. A ECONOMIA DA ESCASSEZ NARRATIVA
Christian Grey é bilionário.
Mas você sabe como ele ficou rico? Não.

Você sabe o que sua empresa faz exatamente? Vagamente.

A técnica: Informação seletiva cria mistério. Mistério gera obsessão.
E.L. James revela apenas o suficiente para manter a fantasia, nunca o bastante para quebrar o encanto.
Como negócios podem usar isso: Nem tudo precisa ser explicado. Apple nunca revela como faz seus produtos. O mistério é parte do valor.

8. O LOOP DE DOPAMINA LITERÁRIO
Cada capítulo termina com um cliffhanger.
Cada cena promete algo que será entregue... mais tarde.

O mecanismo: Antecipação → Tensão → Alívio parcial → Nova antecipação

É o mesmo princípio dos apps viciantes.

Dos jogos que não conseguimos largar.

Como aplicar: Suas apresentações, seus conteúdos, suas campanhas - todos devem ter ganchos que criam antecipação para o próximo passo.

9. A SUBVERSÃO DO PODER
Aqui está a genialidade: em uma história sobre dominação masculina, quem realmente tem o poder?
Ana.

Ela que estabelece os limites. Ela que dita o ritmo. Ela que transforma o dominador.

A lição estratégica: O poder real está em quem define as regras do jogo, não em quem parece estar no comando.

Para líderes: Às vezes, liderar é deixar que outros pensem que estão liderando.

10. O FENÔMENO DA VALIDAÇÃO SOCIAL RECURSIVA
O livro não ficou famoso pela qualidade literária.
Ficou famoso por ser famoso.
O ciclo viral:

Mulheres leem porque outras mulheres estão lendo
Falam sobre isso porque todas estão falando
Compram porque se tornou um símbolo de pertencimento

É o mesmo mecanismo que criou:

O fenômeno das Stanley Cups
A febre dos NFTs
O sucesso do Clubhouse

Para sua marca: Não venda o produto. Venda o pertencimento ao movimento.

O EFEITO GREY: Quando Storytelling Vira Economia

Muitas mulheres estão presenteando seus namorados com o livro, como forma de incentivo à criatividade nos momentos íntimos.
Será que o baby boom dos bebês nascidos em 2013 serão chamados de Grey Generation?
Aliás, mais do que uma audiência, a obra formou todo um mercado:

Camisetas
Esmaltes
Sapatos
Canecas
Dezenas de outros apetrechos

Pois é, o poder do storytelling...
A Lição Final para Marcas Inteligentes
50 Tons de Cinza não é sobre sexo.
É sobre transformação.
Não é sobre dominação.
É sobre descoberta.
Não é literatura.
É uma máquina de storytelling estratégico.

3 Perguntas que toda marca deveria fazer:

Qual é o seu "red herring"? O que parece ser sua história, mas esconde algo maior?

Onde está sua tensão narrativa? O que faz seu público voltar sempre?

Quem é seu Christian Grey? Qual elemento aspiracional, mas alcançável, você oferece?

O Desafio Final
Você pode desprezar 50 Tons de Cinza.
Pode criticar a prosa.
Pode questionar o conteúdo...

Mas não pode ignorar os resultados.
150 milhões de cópias vendidas.
US$ 1,3 bilhão em bilheteria.
Um fenômeno cultural global.
Tudo através do poder do storytelling estratégico.

A pergunta que fica:
Se E.L. James conseguiu transformar um fanfiction em um império...
O que você poderia fazer com as técnicas certas?

Pronto para aplicar storytelling estratégico de verdade no seu negócio?
Desde 2007, transformo narrativas corporativas em resultados extraordinários.

Fernando Palacios é pioneiro do storytelling no Brasil e único brasileiro reconhecido com o prêmio World's Best Storyteller. Já aplicou técnicas avançadas de narrativa para Nike, Itaú, Pfizer e centenas de outras marcas.


Contar boas histórias em mundos fantásticos aonde seus amigos são transformados em guerreiros, bárbaros e monstros terríveis assolando vilas apenas por diversão... é, parece intrigante!
Essa premissa parece um grande desafio ao narrador, quando se fala de Storytelling, entretanto como todos sabemos e lemos (neste blog por exemplo) contar histórias não é uma coisa nova e imergir um grupo de pessoas dentro do seu roteiro interativo também não.

Na década de 70 dois jovens ( Gary Gygax e Dave Arneson ) fãs da literatura de Tolkien resolveram misturar algumas mecânicas de jogos de tabuleiro como War, com o universo fabuloso do Senhor dos Anéis. Eles pensaram em reunir alguns amigos em torno de uma mesa, aonde cada um deles pudesse interpretar heróis e tomar decisões difíceis para enfrentar os perigos do mundo medieval. Com dados esses garotos simulavam golpes de espadas ou machados se cruzando em meio a batalhas de vida ou morte... outros ficavam mais afastados, com seus chapéus de mágicos, cantando mantras para invocar poderes místicos e ajudar seus aliados a enfrentar aquela fera com rosnado mortal, congelando a alma e a esperança contida nos olhos de cada aventureiro - sim, acho que me empolguei na descrição. 

Alguns de vocês já devem ter percebido que estou falando de RPG ou Role Playing Game. Esse jogo de interpretar "papéis" ficou muito famoso na década de 80 e 90, criando posteriormente o gênero de RPGs eletrônicos e os MMORPGs (online e massivos como o World of Wacraft, um jogo de roubar vidas hehe). Esses players são verdadeiros "mestres" em contar histórias envolventes... sim mestres como são chamados os principais jogadores. Um mestre é responsável por criar o roteiro, ambientar o mundo, planejar as ações emocionantes e descrever cenas de combates. Além do mais divertido que é pensar e interpretar todas as outras figuras que podem aparecer na vida dos seus jogadores. (os chamados NPCs). Cada reunião do grupo ou sessão de RPG é um tipo de episódio de seriado, com uma aventura que pode se estender gigantescamente para o que chamamos de campanha - com temporadas e tudo.


Quando comecei a ouvir as primeiras menções ao termo Storytelling no meio publicitário, estava ainda cursando a faculdade e tudo ficou bem confuso para mim, um RPGista há mais de 15 anos. Isso porque Storytelling é exatamente o nome de um sistema de jogo de rpg que havia se tornado muito popular, primeiro sobre o nome de Storyteller em 89. Inclusive, nesse sistema o mestre ainda é chamado de Storyteller e para terem ideia da importância desse jogo seu cenário principal, "Vampiro a máscara" é uma das grandes influências da cultura pop para filmes e outras obras sobre os seres das trevas - ok, esqueçam a saga crepúsculo.

Então percebi, que um simples jogo começou a se tornar uma oportunidade para muita gente, quando descobriram como contar histórias e se divertir era um ponto chave para se conectar emocionalmente com seu público. A revista superinteressante mostrou recentemente, uma entrevista com Maurício (aqui) , que Fundou sua empresa com Mark Warshaw, um dos responsáveis pelas estratégias por trás do conteúdo 360º da série Heroes.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção na fala dele foi o fato de que ter jogado RPG na adolescência se tornou um grande diferencial em sua carreira vitoriosa. Uma carreira que começou quando ele tinha só 15 anos. Nessa época, Maurício criou um kit de ensino baseado em RPG. Ele ia a escolas e feiras vender o jogo Autorias e assim começou sua primeira empresa.
O autor do artigo para a revista, Fred Di Giacomo não deixou de citar sua experiência com o game:

Eu joguei RPG na adolescência. Muito. Pelo menos dos 10 aos 17 anos. Mais ainda, eu li dezenas de livros de RPG que basicamente te ensinavam como criar uma boa história (e se sua história fosse ruim, seus amigos desistiam do jogo, iam assistir TV e nunca mais voltavam), como desenvolver um personagem (quais suas características principais, suas motivações, seus pontos fortes e fracos) e também te familiarizavam com “mecânicas de jogo”. As mecânicas de cada RPG (GURPs, AD & D, Desafio dos Bandeirantes, etc) eram a física daquele universo. As regras da vida.

Claro, que a evolução tecnológica também influenciou os narradores de RPG. Hoje podemos utilizar várias técnicas para manter cativo o nosso grupo e aumentar a experiência que temos com o jogo. Algumas vezes eu gosto de planejar ações como um tipo de ARG. Enviar emails com contas de personagens criados por mim... criar alguns grupos secretos de organizações misteriosas no Orkut e isso deixava todos sedentos pelo próximo encontro.

Vocês devem estar pensando "Ora, um cara com o poder total sobre um grupo, o mundo que ele vive e todas as coisas que o envolvem pode ser frustrante". Sim, mas apesar de ser chamado de Mestre ou narrador esta figura tem um único papel, criar experiências divertidas. Assim como em uma estratégia de Transmidia Storytelling, acredito que você deva buscar um equilíbrio entre os estímulos e respostas das pessoas que estão imersas na sua história ou a experiência pode não sair como o planejado e será bem mais difícil convencer as mesmas pessoas a jogar novamente.

Contar histórias é realmente uma arte, não importa se é em um jogo ou nas telas do cinema, você deve saber manter seu público atraído pelo que está sendo contado. O RPG é uma excelente oficina para Storytellers, afinal é uma ótima chance para conhecer mundos diferentes e testar o quanto seu machado anda afiado.

Quem quiser saber mais desse universo de jogo será muito bem vindo na nossa taberna, que chamo de Blog (aqui). Ao entrar fechem as portas para evitar os Trolls e fiquem a vontade para me seguir no twitter @O_RPGista - minha percepção apurada logo avisará que tem gente nova por lá.


Fonte das imagens: Devianart