Qual é o prazer que todo publicitário conserva em assistir Mad Men? Por que químicos (Ou traficantes? Ou professores?) podem se interessar mais pela história de Breaking Bad? A verdade é que, se as histórias nos comovem, de modo geral, por contarem a nós um pouco mais sobre nós mesmos, exemplos como esses se encaixam nisso de forma literal.
O que dizer, então, do fanatismo de Barack Obama por House of Cards? Sim, a série de Francis e Claire Underwood, que retrata os dramas e jogadas políticas da capital americana Washington, dentre várias, está entre as preferidas do presidente dos Estados Unidos da América. E ele não pretende esconder isso de ninguém.



Para quem acompanha a série, até que ponto isso pode comprometer o presidente americano? Ele não parece estar preocupado com isso e, pelo contrário, já revelou a sua admiração pelo personagem de Kevin Spacey.

“Esse cara está conseguindo fazer muita coisa. Eu gostaria que as coisas fossem implacavelmente eficientes desse jeito”, afirmou Obama sobre seu companheiro de profissão Frank.


Indo ainda mais longe nessa relação Obama e House of Cards, em uma recente reunião, em dezembro, na Casa Branca, o CEO do Netflix, Reed Hastings teria convidado Obama para uma participação especial na próxima temporada da série. Quantos favores Frank Underwood conseguiria negociar com Barack Obama?

Nesse passeio entre realidade e ficção, Casa Branca e Netflix, histórias nos fazem rever dogmas, repensar conceitos, e quando menos notamos, o homem mais poderoso do mundo também está entre nós, e é fã declarado de um personagem que, no fundo, é um político assassino e inescrupuloso.


Para concluir, não precisamos nem ir muito longe, cruzar as Américas, para ter exemplos como esse. As melhores histórias mesmo são aquelas que derrubam fronteiras e diferentes culturas, e se encaixam em todas as sociedades. Você já viu a Revista Istoé da semana passada?





Storytelling: Conceitos, práticas e cases
Ferramenta utiliza técnicas narrativas e pode ser usada pelas empresas na busca por uma maior aproximação com seus públicos.

O termo Storytelling, traduzido como “narrar histórias”, não representa algo novo, já que o hábito de relatar fatos reais ou fictícios sempre existiu. O termo e sua aplicação, no entanto, destacam a importância da narrativa como forma de levar conhecimento e diversão às pessoas. Além disso, evidencia o quanto a técnica pode ser estratégica para que as empresas criem vínculos emocionais com os consumidores. O hábito de contar histórias faz parte da vida dos homens desde que começaram a se comunicar.

No início, as informações transmitidas eram focadas em passar ensinamentos e crenças aos mais jovens, mas ao longo dos séculos algumas narrativas ultrapassaram barreiras geográficas e culturais, persistindo até hoje. Caso, por exemplo, das que falam sobre os deuses da mitologia grega. As histórias criadas tornaram-se mais complexas conforme acompanharam o desenvolvimento humano e inúmeras técnicas foram sendo elaboradas para que os enredos fossem mais cativantes. A literatura e o cinema – bem como o teatro e até os videogames - se apropriaram delas e se transformaram em importantes fontes de informação e entretenimento das sociedades.  Sendo assim, podemos dizer que o storytelling não é algo novo, mas que o termo e sua aplicação trouxeram a consciência da importância de boas histórias como forma de transmitir sentimentos, expectativa e emoção para levar conhecimento e diversão às pessoas.

A palavra em inglês pode ser traduzida como a expressão “narrar histórias” e consiste em um método que utiliza palavras ou recursos para narrar acontecimentos ou fatos que sejam reais ou ficcionais. Seu uso pode servir para a aprendizagem, já que tem a capacidade de levar conteúdos de forma acessível e agradável a um grande público por meio de significados compartilhados que facilitem a disseminação.

Também é um recurso que pode dar sentido a um determinado contexto para que ele possa ser melhor assimilado, caso de técnicas de psicoterapia, ou para transmitir boas emoções em momentos de tensão. Em 1997/1998, por exemplo, o storytelling foi utilizado pelos pesquisadores Dennis Bromley, Marina Bers, Edith Ackermann, Justine Cassel e Beth Donegan para ajudar jovens pacientes cardíacos do Hospital Infantil de Boston a suportar os medos e problemas decorrentes da doença, da internação e dos procedimentos médicos. Eles utilizaram o kit em base web chamado SAGE para que fosse possível a criação de histórias que cativassem as crianças. Tal método serve ainda para passar elementos culturais, como regras e valores éticos, a um público por meio de um discurso que faça o receptor repensar suas crenças ao mesmo tempo que aproxima os interlocutores. Isso só é possível porque o que está sendo passado não são dados ou argumentos técnicos, que estimulam análises críticas, e sim a emoção, que permite uma visão menos cética e um posicionamento mais aberto ao que está sendo apresentado.

Por todos esses aspectos, Fernando Palacios, Professor dos cursos de Inovação em Storytelling da ESPM, afirma que “o storytelling é uma ferramenta primitiva, porém muito sofisticada de transmitir uma mensagem”. Ou seja, acaba sendo atemporal.


Storytelling no contexto das marcas
Por trazer conceitos muito conhecidos, o storytelling sempre fez parte da comunicação comercial e tem sido especialmente utilizado pela publicidade na construção da identidade das marcas e de uma conexão com o público. Um caso famoso é o do clássico comercial “O Primeiro Sutiã a Gente Nunca Esquece”, que Washington Olivetto fez para a marca Valisère em 1987. O sutiã foi apresentado como personagem principal e representou a chegada da maturidade da menina. O recurso, no entanto, nem sempre foi bem aplicado pelas organizações e são poucos os exemplos memoráveis.

Nos últimos anos, o método tem ganhado uma relevância nunca antes vista devido à maior importância dada ao vínculo emocional entre empresas e pessoas. Isso tem obrigado os profissionais de Marketing e Comunicação a entenderem melhor do que se trata e a buscarem formas mais eficazes de envolver o consumidor. Antes, havia um número limitado de estações de rádio, emissoras de televisão e jornais, mas hoje, além de as opções serem mais amplas, a Internet e outras tecnologias trouxeram novas formas de interação entre as organizações e o público.

Com isso, conquistar a atenção dos consumidores está cada vez mais difícil e as marcas precisam oferecer um conteúdo com o qual eles se identifiquem e simpatizem. Além disso, as pessoas conseguem saber tudo sobre os produtos e seus fabricantes com simples buscas online e, dessa forma, alteraram o equilíbrio do poder. As marcas são avaliadas não só pelos seus produtos, como pelo seu envolvimento com questões socioambientais, inovação e pelo grau de afinidade que são capazes de criar junto aos stakeholders.

Hoje a noção de que as marcas pertencem aos consumidores e não às corporações é mais forte. As pessoas naturalmente estabelecem vínculos emocionais com as empresas e exigem que haja uma relação de troca explícita. Por isso, estabelecer conexões emocionais duradouras é fundamental para que a fidelização seja possível. O storytelling aparece nesse contexto como um elemento capaz de ajudar a disseminar uma ideia, construir uma imagem para a marca e até alavancar vendas. E, ainda que a venda não seja uma consequência direta, boas histórias são capazes de dar um espaço maior às marcas em meio as abundantes informações disponíveis.

As narrativas são capazes de entreter e emocionar, promovendo interação e troca de mensagens e experiências entre os consumidores e as marcas. Segundo Seth Godin no livro “Todo Marqueteiro é Mentiroso!”, as pessoas não compram produtos, mas histórias que as cativam por corresponderem à visão que têm do mundo. As mercadorias trazem uma promessa sutil que não impede um raciocínio lógico, mas que apela para os sentidos fazendo com que o indivíduo acredite e até embeleze uma história, mesmo que seja uma fantasia, para que ela lhe proporcione algum tipo de satisfação. Ou seja, as pessoas naturalmente querem acreditar nas narrativas.

É devido a isso que grandes companhias como Coca-Cola, Nextel, Ford e Natura já investem no storytelling como forma de estarem no coração e mente das pessoas. A questão da lembrança é especialmente importante porque muitos psicólogos e neurocientistas afirmam, com base em pesquisas, que as narrativas ajudam informações passadas a serem melhor processadas pelo receptor. O psicólogo e professor de Harvard e Oxford Jerome Bruner constatou, por exemplo, que um fato tem 20 vezes mais chance de ser lembrado se estiver ancorado em uma história.


Storytelling transmídia
Além de uma história interessante e convergente, é necessário saber em qual plataforma ela estará presente. Muitas vezes, a melhor opção é escolher mais de uma para que o alcance seja maior, já que o perfil do público que consome um meio não necessariamente é igual ao que utiliza outro.

O storytelling transmídia consiste em transcender diversas mídias para contar uma mesma história, tendo cada uma sua participação no todo.  Em um cenário em que os consumidores se cercam de diferentes fontes de informação, às vezes até as utilizando simultaneamente, é importante que o conteúdo - formato e linguagem - seja adaptado e respeite às particularidades de cada mídia.

Via televisão, web ou dispositivo móvel, o storytelling transmídia serve para que o público não apenas compreenda o conteúdo, mas vivencie uma imersão na narrativa e se engaje independente do canal pelo qual se conecta. Uma inserção comercial de 30 segundos na televisão pode ter uma continuação na Internet e promover uma ligação entre YouTube, site e outros canais. O filme “Poderosas do Brasil”, da C&A, mostrava meninas que estavam começando a modelar através de dois ângulos diferentes. Na televisão, apresentava o glamour da passarela e o backstage, já na web, focava em explorar a história individual de cada uma. Ou seja, cada parte se complementava para mostrar uma única narrativa.

A mensagem deve ser a mesma em todos os canais para manter a conectividade e a coerência. Por isso, a marca precisa ter muita consciência sobre sua proposta para não provocar nenhuma contradição ou ruído na forma como se comunica. Caso consiga demonstrar algo relevante e agregar as plataformas em uma mesma ação, ela terá muito mais chances de que o conteúdo mantenha-se em evidência e que as pessoas interajam com ele, seja comentando ou compartilhando.

Para os profissionais envolvidos, monitorar e gerenciar a proporção que a ação tomou é outra questão a qual devem ficar atentos. Por mais que em um primeiro momento pensar em storytelling, especialmente transmídia, pareça algo exclusivo para as grandes companhias, essa é uma ferramenta que pode ser bem aproveitada também pela pequenas. As mídias sociais permitem que empresas de todos os tamanhos contem histórias sem gastar as gigantescas verbas  exigidas pelos veículos tradicionais, como televisão.

Entre as possibilidades está a de produzir um vídeo de baixo custo – porém bem feito – que se alastre pela força de seu enredo e não pelo quanto foi gasto para isso. A grande vantagem desses canais também é a maior proximidade com o público-alvo.

O Facebook e o Twitter, por exemplo, podem ser usados também para buscar uma interação com os consumidores e estimulá-los a compartilhar suas histórias. A criatividade e o uso das técnicas necessárias é o que basta para realizar um storytelling bem elaborado. Ideias simples podem se tornar grandes cases.

O Google, por exemplo, criou um dos comerciais de maior sucesso do Super Bowl – final da liga nacional de futebol Americano e principal evento esportivo dos Estados Unidos – de 2010 com o filme “Parisian Love”. O comercial mostrava a história de um amor que começava em uma viagem de estudos a Paris e se desenrolava mesmo com a distância, tudo mostrando uma narrativa que se desenvolvia apenas com as buscas feitas pelo Google. Apesar de ter sido uma das produções mais baratas e com menos ação e efeitos especiais do evento, foi uma das mais lembradas pelos telespectadores. É claro que o Google pôde mostrar sua criação no intervalo comercial mais disputado nos Estados Unidos, mas a simplicidade da ideia demonstra que as pequenas empresas não precisam de grandes investimentos para se conectar mais profundamente com o seu público. Elas têm, inclusive, a vantagem de ter consumidores mais íntimos, que melhor conhecem a trajetória da marca e que a empresa também mantém uma relação mais próxima.

Nesse caso, basta analisar como a história poderá ser contada da forma mais direta possível e investir nesse relacionamento, que é ainda mais fácil de ser conquistado do que no caso de grandes corporações.

Post publicado inicialmente pelo Mundo do Marketing / Estudos


Os diálogos são muito importantes em qualquer história. Mas como desenvolvemos esta dimensão da história de forma eficiente?

Boa parte da comunicação humana é baseada na fala. É através dela que nos comunicamos racionalmente aliada é claro a expressão corporal, que é uma forma inconsciente e, na maioria das vezes, irracional de comunicação.

É através do diálogo que você decide suas ações em relação a determinada situação envolvendo outra pessoa, que transmite seus pensamentos e até mesmo emoções. É por isso que o diálogo é uma grande ferramenta do storyteller. Ele transmite as ideias, os pensamentos dos personagens e ajuda a explicar e contar a história e até mesmo influencia a opinião do público sobre ela.

Como escrever bons diálogos?

Uma dica é consumir bastante material: cinema, livros, séries e etc.

Outra dica é: converse! Bons interlocutores geralmente são excelentes contadores de histórias. Você é tímido? Então seja mais observador: repare nas pessoas que são carismáticas, na forma como elas falam, seus trejeitos e particularidades. Afinal de contas a maioria das conversas é, de certa forma uma história.

Um diretor de cinema famoso por seus diálogos é Quentin Tarantino. Assista os filmes dele, preste atenção como em cenas de pouco mais de 5 min ele consegue apresentar seus personagens de uma forma profunda.

Quer ser um pouco mais técnico? Existem alguns livros sobre o assunto, dentre eles o "Diálogo - Cinema" dos brasileiros Julio Cabrera e Marcia Tiburi.

E mãos à obra!



Semana passada eu terminei um relacionamento de 1 ano e meio. No mesmo dia, vi 300: a Ascensão do Império. As duas coisas estão relacionadas? Óbvio que não. Mas, talvez, uma sirva metaforicamente para explicar a outra.



Pare tudo o que você estiver fazendo por um momento e preste atenção nesse post. Ele pode te ajudar muito caso você esteja em um relacionamento como o que eu estava, ou, pelo menos, te dar mais uma boa dica sobre Storytelling.

Relacionamentos amorosos muitas vezes podem ser vistos como histórias. Algumas dessas histórias são cômicas, outras trágicas. Algumas são lindas, outras desastrosas. E algumas são tão boas que precisam de continuação, já outras não.

O caso de 300: a Ascensão do Império é o perfeito exemplo de uma história que não precisava de continuação. Enquanto eu via o filme ao lado da minha futura ex-namorada, senti como se assistisse o Leônidas ser estuprado durante duas horas na minha frente, sem que eu pudesse fazer nada. Sério, na minha opinião, foi o pior filme que eu já vi, enquanto seu antecessor foi um dos melhores.

Isso tudo me lembrou o começo do meu relacionamento. Foi uma história linda, muito linda mesmo. Mas, infelizmente, não foi uma história destinada a ser de longa duração. O tempo e as diferenças foram definhando meu relacionamento aos poucos, e o que me mantinha junto da minha ex-namorada no final de tudo nada mais era do que o medo de tentar algo novo e a segurança de continuar com algo que já tinha dado certo uma vez.

Me pergunto se é isso o que muitos roteiristas e criativos sentem quando persistem em uma história que já deveria ter acabado. A ideia de persistir em um relacionamento fadado ao fracasso é tão relevante quanto à ideia de substituir os 300 de Leônidas por um bando de atenienses escrotos e babacas. Ou de continuar Two and a Half Men sem o Charlie.



Encerrar essas histórias teria sido muito mais digno do que o que fizeram com elas. A lembrança teria sido mais bonita. E revê-las de novo seria muito mais divertido. Foi com esse pensamento que eu terminei meu namoro. Pensando que não era justo arruinar uma história tão linda por medo de tentar uma coisa nova. E hoje, depois de um período de dor e sofrimento, estou bem. E melhor: estou feliz com a minha decisão.


Por isso, meu caro aspirante a Storyteller, deixo o meu conselho aqui para você: saiba quando e como terminar suas histórias, sejam elas dentro ou fora do mundo da imaginação. Você pode começar novas histórias muito mais bonitas. Ou simplesmente dar um fim digno para uma história antiga.


Como usar as técnicas dostorytelling para melhorar sua comunicação.
inicialmente publicada na Revista Você S/A - por Alice Sosnowski

As empresas e os profissio­nais mais antenados nas novidades estão redesco­brindo o poder da narrati­va, também chamada de storytelling. Essa forma de co­municação busca envolver o in­terlocutor ou a audiência e pode ser aplicada tanto para vender produtos e serviços quanto para engajar a plateia num projeto ou ideia. "A mensagem é mais facil­mente absorvida quando vem embalada em uma boa história", garantem Bruno Scartozzoni e Fernando Palacios, professores do curso de inovação em storytelling da ESPM de São Paulo. Uma história bem contada precisa ter personagem, conflito, transformação e sentimentos hu­manos. A técnica funciona para publicitários, profissionais de ven­das, que têm de motivar suas equipes, e marqueteiros. Abaixo, os itens de uma boa narrativa, o passo a passo do storytelling.

Arquétipo: Pode ser o herói, o rebelde, o mago ou o criador. O arquétipo, com suas virtudes e fraquezas, será usado como base para a construção do protagonista.

Transmídia: São di­versas histórias de uma mesma trama criadas para diferentes mídias, como TV, internet e até apresentação em Power Point. Os conteúdos não devem ser iguais.

Universo ficcional: São lugares, cenários, objetos e artefatos que dão consistência à história. É fundamental que a narrativa tenha um contexto.

Trama: O chamado plot, a estrutura narrativa com início, meio e fim, conflitos, resoluções e superações. A trama potencializa os atributos da marca.

Personagem: É o protagonista da histó­ria, que vai revelar os sentimentos humanos. "Marcas não contam histórias. Personagens contam", diz Fernando Palacios, da ESPM.

Highconcept: É o clímax da história­ a cena, o elemento catalisador que captura a atenção do público e revela a mensagem que você quer transmitir.


- Em meados dos anos 1990, o e-book era inventado.
- Em 1995, a Amazon começava a vender livros pela internet, e em 2000 Stephen King publicava seu primeiro livro digital – Riding Bullet.
- Mais de 2 milhões de livros são digitalizados no Brasil no ano de 2006.
- Em 2007, enfim, é lançado o primeiro Kindle, da Amazon.
Desde então, a discussão sobre “qual é o futuro do livro?” e “qual é a nova forma de narrar?” tem, constantemente, esquentado. Para os amantes das páginas impressas, a textura, o cheiro – e todo o ritual que compõe a leitura – são insubstituíveis. Para os simpatizantes dos arquivos .pdf, .epub & cia, a praticidade (seja “logística” ou financeira) de um e-book é latente.
Essa semana, a notícia de que a Marvel está começando a substituir papel por HQs digitais espantou os entusiastas dos quadrinhos que não se importam em perder prateleiras e mais prateleiras com suas coleções.
Nesses mesmos últimos dias, boatos sobre um aplicativo chamado “Spritz”, que promete revolucionar a forma e a velocidade com que se lê um livro, brilharam os olhos daqueles que sempre relutaram em ler Tolstói.
Imagine agora um aplicativo assim em um Google Glass.

A Marvel realmente abominará o papel? Spritz de fato revolucionará a leitura? Questões como essas vieram e se foram desde os meados dos anos 1990. “Do outro lado da história”, surge outra questão: O que muda para os contadores de histórias?
Em termos de produção de histórias, ou de storytelling, as novas formas de consumir uma história acabam por se limitar, justamente, à forma, ou ao telling. Por fim, seja em um livro impresso, leitor de e-book, novo aplicativo ou na plataforma que seu consumidor preferir, o segredo para uma boa história se mantem o mesmo durante todos os anos: os bons “storys” são sempre muito maiores que seus “tellings”.



10 anos depois da "Titanium", aprendemos a contar histórias?
Inicialmente publicada na Revista Exame, por Leonardo Araújo.

A publicidade possui alguns divisores de água em sua história. É o caso do "Just do It", da Nike, do "Think Small", da Volkswagen, por exemplo. Mas há um case que ainda precisa servir de inspiração para as marcas: “The Hire”, da BMW. O Adnews aproveita os dez anos da categoria Titanium do Festival de Cannes – criada para premiar a série de filmes da montadora – para relembrar esta campanha histórica e qual sua importância no mundo criativo.

Lançada em 2001 e produzida até 2002, a série tinha como objetivo rejuvenescer a marca. "Eles pensaram: 'vamos fazer uma coisa completamente diferente'. Geralmente, há 10% da verba para a criação e 90% para a divulgação. Eles inverteram", explica Fernando Palacios, professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction.

Exatamente, 90% da verba para a produção. O resultado? Nada de videozinhos feitos para a web. Eram superproduções dirigidas por nomes como John Woo (Missão Impossível 2, A Outra Face), Tony Scott (Top Gun, Chamas da Vingança), Ang Lee (Brokeback Mountain, As Aventuras de Pi), Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes), entre outros.

Então a BMW contratou grandes nomes para dirigir seus filmes publicitários e pronto? Não. A marca e a agência "brifaram" os diretores cuidadosamente, pois quando se trata de storytelling e branded & content, é preciso equilibrar. " O ideal é 50% de pensamento de marca e 50% de storytelling no sentido da qualidade da narrativa", explica Palacios.

No case da BMW, as histórias giravam em torno de um veículo da montadora, é claro, e toda a grandiosidade e espírito dos automóveis da marca. Tudo isso com astros de peso no elenco, como Madonna, Clive Owen (o motorista dos filmes), James Brown, Gary Oldman, etc.

A campanha faturou o GP de Cyber em Cannes 2002, bem como outros prêmios como o Clio e o Black Pencil. Além disso, como já foi dito, a série de oito curtas inspirou a criação do prêmio Titanium no Festival de Cannes.

Para ler a matéria original, visite o site: http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/10-anos-depois-da-titanium-aprendemos-a-contar-historias

Para aprender a contar histórias publicitárias, conheça o curso Storytelling em Publicidade da Oficina de Escrita Criativa, que começa amanhã! 


Você sabia que para psicanálise não importa se o que o paciente conta são fatos reais? 

Para Freud o psicanalista precisa entender a estrutura do inconsciente, não o seu conteúdo. E ele vai além, para o pai da psicanálise a grande maioria das nossas memórias é atravessada por uma energia muito forte: as emoções, e elas são capazes de turvar e até mesmo modificar completamente nossas impressões sobre as coisas. Ou seja, nossas memórias são ligadas às nossas emoções, não necessáriamente aos fatos!

Tá, mas o que isso tem a ver com Storytelling?

Nossa personalidade é formada em grande parte pela nossa memória, ou seja, pela nossa história pessoal. Através da psicanálise e de outros métodos psicológicos o sujeito pode rescrever sua própria história e através desse processo superar traumas e impasses pessoais... Ou seja, exercitar o storytelling em sua própria alma!




(Voz grave masculina, leve rouquidão, pausadamente anuncia em microfone)
- Quesito samba-enredo... Nota...
Os integrantes de cada escola de samba, em suas mesas, paralisam a espera do anúncio do locutor. Entre eles, 10, 15, 20, uma vida inteira de experiência em desfiles. Cada décimo de nota é crucial. Pode ser céu e inferno. Eles sabem da importância de um bom samba-enredo.
Fantasias, alas, carros alegóricos... Nada disso terá sentido sem uma música que os dê o ritmo. Nada disso será tão bonito sem um bom enredo, cantado em forma de samba, na ponta da língua de cada um dos que desfilam.
Pois o enredo de uma história, seja ela contada no cinema, no livro, no comercial de tevê ou na avenida, é a faísca de lógica e de razão que ascenderá à emoção. É a progressão dos fatos que se reconhecerá em cada um dos que assistem, lêem, consomem ou cantam.
Para os integrantes de cada escola de samba, em suas mesas, paralisados a espera do anúncio do locutor, é também para cada um dos que avaliam. Terá o samba-enredo convencido o jurado, assim como um enredo deve convencer um espectador, um leitor ou um consumidor?



O mito da publicidade contadora de histórias
Publicado inicialmente no Ideia de Marketing por Fernando Palacios

Ao começar um curso eu gosto de perguntar “quem aqui pediria ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história?”. Raramente alguém levanta a mão. Das mais de duas mil pessoas que treinei, não passam de 30 as que pediriam tal poder. O curioso é que ao questionar aqueles que não levantaram a mão as respostas sempre giram em torno de dois motivos.

Grande parte das pessoas preferiria pedir a fortuna do Tio Patinhas. Tudo bem, é um desejo bastante justo. Mas, no entanto, e se no dia seguinte o governo confiscar esse dinheiro? Por outro lado, com o poder de contar uma boa história, a escritora J.K.Rowling conseguiu sagrar-se a mulher mais rica do Reino Unido e caso o governo confisque a fortuna, basta que ela conte a história dos pais ou dos filhos de Harry Potter que estará bilionária novamente.

O ato de contar história nos acompanha desde os tempos mais remotos. Antes de inventar a escrita, antes mesmo de criar as pinturas rupestres, nossos ancestrais já se sentavam ao redor de fogueiras para longas sessões narrativas. Graças a isso que, geração após geração, fomos capazes de acumular conhecimento e aperfeiçoar a nossa condição. Quem trabalha com comunicação sabe disso. Ainda assim, também essas pessoas não pediriam ao gênio esse poder ancestral. Só que nesse caso a justificativa é outra.

Quem trabalha com comunicação e, em especial publicidade, julga que já sabe contar histórias e afirma que pratica storytelling todos os dias no ofício. Engana-se quem acredita que a publicidade sempre fez storytelling, da mesma forma que se engana quem acha que quem escreve emails é um escritor. Storytelling vai muito além de redigir textos e roteiros. Digo isso de experiência própria.  Para afirmar que a publicidade sempre contou histórias é preciso recorrer a um anúncio de 1987. Fica a impressão de que já faz 25 anos que os publicitários estão perdendo a chance de contar boas histórias.

Já trabalhei como redator e sempre ‘soube’ que por ter feito dezenas de roteiros eu dominava a arte da narrativa. Só quando fui escrever a primeira peça teatral que entendi (por) que storytelling é outra coisa.

Não quero dizer que a publicidade brasileira não faz uso da narrativa. Ela o faz na mesma medida em que as pessoas pediriam ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história. É raro, mas acontece. E seria muito melhor se acontecesse mais.

As pessoas não querem mais ser tratadas como target de consumidores. As pessoas – eu que escrevo, você que lê – querem usar o tempo da melhor forma possível. Sempre que possível, evito anúncios. Mas se eu tiver que pagar, pago feliz pelo ingresso do cinema. Também não me importo em pagar para ter acesso a livros, games e revistas em quadrinhos. Esses são os lugares onde estão as boas histórias e é aí que devemos recorrer para aprender como manter acesa a chama milenar do poder de contar bem boas histórias. O segredo é que não é dom, tampouco inspiração. Para fazer um bom storytelling qualquer comunicador pode contar com técnicas narrativas para parar de depender do acaso.

Isso é um pouco do que abordamos nos Cursos de Storytelling


Dentro de algumas horas mais uma premiação do Oscar acontece no antigo Kodak Theatre, em Hollywood. Quem gosta de cinema e gosta de pôr suas opiniões à prova, sabe que em 2014 o páreo não está fácil. Nos momentos mais esperados da noite, na hora do famoso “and the Oscar goes to”, nomes como Christian Bale, Leonardo di Caprio, Sandra Bullock e Meryl Streep estarão disputando pelos principais prêmios da noite. Em meio à tamanha lista de peso, surge uma questão: 
Há espaço para inocentes na premiação do Oscar?
Voltando no tempo entre as premiações da Academia, estamos no ano de 1995. Em meio a grandes indicações para melhor filme, como Pulp Fiction e Um Sonho de Liberdade, nomes de renome para melhor diretor, como Woody Allen e Quentin Tarantino, e monstros da atuação para melhor ator, como Morgan Freeman, Paul Newman e John Travolta; era outro o nome que se destacaria ao fim da noite.


Tom Hanks como Forrest Gump, no filme que leva o mesmo nome, é o perfeito arquétipo do inocente. Marcado pela pureza e por um otimismo quase que utópico, o inocente conquista (ao menos para o autor que vos fala) pela forma simples com que vê o mundo ao seu redor. Numa analogia a tão compartilhada Jornada do Herói de Campbell, podemos dizer que em filmes como “Forrest Gump” temos a verdadeira Jornada do Inocente.
Mas o que isso tem a ver com a premiação do Oscar em 2014?



Quase 20 anos depois de “Forrest Gump”, entre – mais uma vez – grandes nomes no páreo como Meryl Streep e Cate Blanchett para melhor atriz, Christian Bale e Di Caprio para melhor ator, Steve McQueen e Scorcese para diretor e superproduções como Gravidade para melhor filme; mais uma vez 2 personagens inocentes merecem atenção na premiação.
Judi Dench como Philomena no filme de mesmo nome e Bruce Dern como Woody Grant em “Nebraska” são dois ótimos representantes do arquétipo do inocente, bem como seus filmes retratam o que seria a verdadeira jornada de um personagem inocente. Com conceitos bastante semelhantes, ambos retratam idosos que decidem, ao fim da vida, ir atrás do que, de uma forma ou de outra, sempre sonharam em ter.
Ainda que “Nebraska” e “Philomena” possam não levar uma estatueta sequer na noite de hoje, e esse texto só sirva como prova dos palpites do autor que vos escreve: “Que belo inocente, esse Pedro! Apostando nos mais improváveis!”; a resposta para a pergunta do começo do texto, “há espaço para inocentes na premiação do Oscar?”, estará respondida com a mesma certeza desde 1995: Sim!


Aonde há pessoas há histórias. Elas são a ferramenta mais poderosa de transmissão de informação que a humanidade já desenvolveu. Se não fossem os mitos, talvez nossa sociedade não tivesse as bases que tem hoje.

Por muitas vezes as histórias são criadas para preencher lacunas que a mente humana é incapaz de solucionar racionalmente, então para suprir a angústia os mitos entram em jogo.

O ser humano é visto muitas vezes como incapaz de dar certas respostas sobre determinados acontecimentos. Apesar de todo o nosso conhecimento as vezes é impossível explicar certas atitudes de nossos semelhantes ou até mesmo eventos incalculáveis como tragédias e desastres naturais. O problema é que nós não fomos feitos para aceitar que certas perguntas ainda não possuem respostas conhecidas. É aí que o storytelling entra em ação, mesmo que de forma inconsciente, gerando novos mitos, e até mesmo universos fictícios complexos para consolar a angústia das perguntas sem resposta.

Basta haver uma questão nebulosa que logo um mito surge para tapar esse buraco, esta lacuna que causa angústia. Pode-se dizer que as teorias de conspiração são de certa forma "mitos modernos" gerados pela sociedade para cumprir esta função de dar explicação para o que parece ser apenas fruto do caos ou da coincidência. Mas o importante é que estas histórias sobre Aliens, Illuminati e outras são tão poderosas que conseguem se tornar a realidade de muitas e muitas pessoas. Afinal de contas, as vezes a ficção é mais sedutora que a realidade, e por isso é mais fácil acreditar que existe um "plano mestre" por trás de tudo do que pensar que estamos a mercê do caos.

Continuará sendo o Storytelling ou a publicidade inventará nv tendência?

Inicialmente publicado no Blue Bus, por Fernando Palacios.
Storytelling, uma palavrinha que já foi pronunciada dentro de todas as grandes agências. Era de se esperar que o termo desse indícios de saturaçao e, de fato, alguns diretores de criaçao já nem querem ouvir falar… será que estao certos?
Algumas apostas estao sendo feitas em outras palavras como big data ou neurociência. Mas falar de novas tecnologias sem considerar storytelling seria um erro, pelo menos na visao do Vice Presidente de planejamento estratégico da Draftfcb, John Kenny, no seu artigo mais recente, que traduzo livremente como ‘Os últimos estudos de comportamento econômico e neuromarketing indicam que nada é mais engajante, persuasivo e compartilhável do que uma singela história bem contada‘.
Opinioes à parte, quando olhamos para os cases premiados em Cannes é evidente que algumas das maiores agências brasileiras passaram a apostar suas cartas em Storytelling. Ao olhar as premiaçoes nos últimos anos de Almap BBDO e Africa (só para ficar na letra A), clientes que sempre tiveram campanhas mais voltadas para a sacada criativa, a partir de 2012 passaram a receber um tratamento narrativoNao por acaso, o desempenho brasileiro no Festival em 2013 tenha sido fabuloso. Épico. Histórico.
A criatividade brasileira conseguiu destaque mesmo fora do Brasil. A Pereira&O’Dell marcou presença no festival com um case de storytelling. Segundo relatou recentemente o próprio Pereira, o prêmio foi consequência de entender algo ainda mais importante do que um troféu – “O mercado internacional e o brasileiro têm procurado novas formas de pensar a propaganda, mais como conteúdo do que como interrupçao”.
Aí que entra o pensamento de enredo, já que numa trama é possível contar uma história enquanto se entrelaça a mensagem comercial do anúncio, sem que uma coisa atrapalhe a outra. Mas existe um problema técnico: pouca gente dominou esse mecanismo. Apesar de muita gente afirmar que “faz storytelling”, a prática do dia-a-dia mostra o contrário. Essa questao técnica explica por que, apesar de todo o desgaste do termo, os palestrantes doMost Contagious 2013 em Nova Iorque apontaram novamente o storytelling como grande “tendência” para 2014.
A revista afirma que o emprego das histórias de marca vem ganhando espaço no meio digital, em especial de forma nao-linear. Tecnicamente falando, a tendência nao é contar histórias. A tendência é industrializar o processo de ponta-a-ponta. Algumas agências, como a R/GA, lançaram em 2013 braços especializados em criaçao de conteúdo e storytelling.
O plano da agência é ir além do storytelling intuitivo e superficial para aprofundar estudos mais técnicos, inclusive com diferentes aplicaçoes que nao foram praticadas pela publicidade até o momento.
Nao basta contar bem uma história, é preciso replicar a técnica para todos os briefings, de preferência de forma transmidiática. Ou seja, fazer na comunicaçao de marca o que oWalking Dead vem fazendo no segmento do entretenimento e da cultura pop. Agora, o curioso é que apesar da publicidade ter ‘inventado’ o storytelling há alguns anos, quem está fomentando essa busca das grandes agências mundiais por um processo mais estruturado e replicável sao as grandes contas. O mercado no Brasil já sabe que boa parte das multinacionais está realizando alinhamentos mundiais envolvendo a diretriz de maior utilizaçao de storytelling. Aliás, nao só as agências estao sendo afetadas, como também as assessorias de comunicaçao.
Tudo indica que em 2014, goste ou nao da palavra, quem trabalha com marcas vai precisar fazer um esforço para entender outros aspectos que envolvem o conceito. Nao adianta mais dizer que já trabalha com storytelling. Mais do que isso, é preciso aprender a contar melhor suas histórias ;)
Falando nisso, o momento jabá: quem quiser aprender técnicas de storytelling aplicadas à propaganda, o melhor caminho é conhecer o curso de Storytelling em Publicidade da Oficina de Escrita Criativa.



Olhe ao seu redor. Procure algo que não lhe comunica nada. Se você está em um escritório, deve ter passado o olho por canetas, lápis, borrachas, lembretes… Se você está em casa, enfeites, quadros, roupas, chinelos… Seja lá o que tenha visto, e se ainda não olhou ao seu redor eu insisto que olhe, tudo lhe comunica alguma coisa.
A caneta, quando não é uma Bic, é uma caneta de alguma empresa, posto de combustível, loja. A mesma coisa para o lápis. O lembrete nem precisa ser da marca Post-It para chamá-lo de post-it. Os enfeites entregam suas viagens, os quadros têm a assinatura no canto inferior direito – igualzinhos a anúncios de revista. As roupas, por mais básicas, Hering, que sejam, comunicam. O seu chinelo, seja uma Havaianas branca e azul ou aquela cravejada de Svarowski, também não escapa.
Jesús Martin-Barbero define esse fenômeno como “espaços comunicacionais”. Segundo ele, não vivemos mais em apenas espaços ocupados (como cidades, metrópoles, bairros), mas em espaços que constantemente nos comunicam.
É em meio a essa vertigem de comunicação, de informação para todos os lados, que a sua marca, caro leitor, tem de se comunicar. Achar uma brecha, um lote, que não só a diferencie, mas que a coloque da melhor forma para o que o seu consumidor espera.
Dentre outros diversos motivos que não cabem em um só post, é que o storytelling ganha ares de protagonismo entre aqueles que trabalham comunicando. Quando o seu cliente, caro leitor, vê a caneta da sua empresa, o logotipo da sua marca, o comercial da sua campanha, no que ele pensa de diferente (e de melhor) da caneta, do logo ou do comercial do seu concorrente?

Artigo inicialmente publicado pelo Portal da Propaganda.

O Centro de Inovação e Criatividade da ESPM apresenta o inédito curso “Inovação em branded content”, ministrado pelos professores Fernando Palacios e Martha Terenzzo, a realizar-se entre os dias 17 e 21 de fevereiro, das 19h30 às 22h30, no campus da instituição (Rua Dr. Alvim, 123, Vila Mariana, São Paulo).




O curso tem quarto objetivos fundamentais, diretamente relacionados às marcas. São eles: abordar uma visão inovadora e moderna de comunicação para a estratégia das empresas, demonstrar como o branded content pode amplificar as marcas em diferentes públicos, apresentar uma visão geral sobre o tema para integrar o modelo à estratégica de comunicação e compreender o novo contexto da comunicação de marcas B2C e B2B.

“Vamos discutir diversos temas relacionados ao branded content e analisar para quais caminhos o conteúdo e o entretenimento tendem a ir e quais são os principais passos para usar o branded content com sucesso”, declara Martha Terenzzo. O curso irá explorar exemplos distintos da boa aplicação do branded content – de Cannes a Hollywood.

“Quais as diferenças entre branded content, branded entertainment, branded jornalism, product placement, merchandising, licenciamento, tie-in, etc. Tudo isso será abordado em sala aula, considerando a melhor forma de atuar em cada um deles”, acrescenta Fernando Palacios.

As inscrições estão abertas até 16 de fevereiro e devem ser realizadas a partir do site do CIC ESPM (Centro de Inovação e Criatividade da ESPM) – http://www.espm.br/inovacao/curso.asp?cursoID=115. O valor do investimento é de R$ 981,00 e pode ser parcelado em três vezes iguais de R$ 327,00. Mais informações pelo telefone (11) 5085-4600.

PROFESSORES FERNANDO PALACIOS
 Diretor da Storytellers Brand ’n’ Fiction. É um dos pioneiros do branded content no Brasil. Cofundador do primeiro escritório de storytelling do País. Inovou implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling na ESPM.
É formado na USP, pela qual defendeu o primeiro estudo acadêmico sobre o tema Storytelling.
Atualmente é professor de storytelling na ESPM e ministra palestras em grandes empresas no Brasil e internacionalmente. Seu projeto pessoal narra a busca de um personagem pela próxima “Maravilha da Humanidade” e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook.

MARTHA TERENZZO
 Profissional multifacetada, com experiência de mais de 25 anos na área de marketing e inovação. Desenvolve projetos de inovação e ministra aulas em MBA e pós-graduação da ESPM, Insper e Sebrae. É mentoring, colabora com diversos blogs e revistas e também é diretora da Inova 360º (empresa de inovação e negócios).
Coordenou marcas e projetos de grande porte em empresas como: Cargill, Sadia, Parmalat, Bombril, União, Reckitt & Benckiser, Melhoramentos de Papéis, Seara e Ajinomoto. Estabeleceu processos e metodologias específicas de marketing com visão na gestão de negócios e inovação.
Implementou áreas de inovação e marketing de alta performance nas empresas, arquitetura e gestão de marcas, gerenciamento de portfólio, lançando cases de sucesso como Pizza Sadia, Hot Pocket, Miss Daisy e Vono, entre outros.


Uma das coisas que mais me fascinou no storytelling quando fiz o meu primeiro curso há dois anos com o Fernando Palacios, a Martha Terenzzo e o Bruno Scartozzoni foi a inserção de marcas em histórias. Desde então venho me dedicando ao estudo dessa relação entre produtos culturais/artísticos e o mercado corporativo. Ano passado fui convidado para ministrar um curso sobre o assunto na Casa Mário de Andrade aqui em São Paulo e durante a preparação do curso eu percebi que uma das maiores curiosidades das pessoas era sobre a 'propaganda' que nem mostrava a marca.

Como é possível usar um produto cultural para fazer propaganda de uma marca, mas sem mostrar a marca?

Toda marca é representada e apresentada ao público por três tipos de signo. O símbolo, podemos dizer, é o seu nome, o ícone é o logo, e o indice... bom, vamos deixar o índice para outra discussão. A publicidade, assim como toda e qualquer forma de comunicação é, na verdade, uma enorme manipulação de signos para a formação de significado, ou seja, quando estamos falando com alguém e escolhemos a palavra 'correu' ao invés de 'andou' para contar uma história, estamos mudando o significando de tal história.

Esses dias o polêmico Porta dos Fundos soltou esse vídeo. Dá play e depois responde a seguinte pergunta: qual é a marca que eles estão promovendo?



Pois é, o vídeo pode facilmente ser veiculado no intervalo da novela das oito que todo mundo vai pensar a mesma coisa: "olha! A Tim fez um vídeo com o Porta dos Fundos" o que não deveria nos surpreender, afinal, não é de hoje que o Porchat faz a propaganda da Tim, certo? Mas você já parou para pensar porque é que o Fábio Porchat vestido de azul te faz pensar em uma operadora de telefonia celular?

Eu sim, e tudo começa com o Blue Man Group, que também fazem o papel de garotos propaganda da operadora. Um grupo de homens pintados de azul e tocando tambores não é o tipo de imagem que escapa facilmente da nossa memória, usá-los como garotos propaganda é inteligente e com um pouco de repetição aprendemos a associá-los com a marca. Tudo fica ainda melhor quando a cor principal da sua marca é azul. Ai você faz uma outra propaganda em rede nacional com um dos comediantes mais famosos do país pintado de azul e pronto, ele também está associado a marca. Agora, meus amigos, ficou fácil, é só pintar o cara de azul e filmar que todo mundo vai pensar em você. O Porchat pintado de azul virou um símbolo da Tim, assim como nome da marca em azul num fundo branco de um chip de celular.

O título e o tema do vídeo só deixam as coisas um pouquinho mais fáceis para o seu inconsciente absorver tudo. "Sinais" assim logo de primeira parece coisa de ficção cientifica, mas também lembra sinal de celular. O Vidente do vídeo trocou a clássica bola de cristal, normalmente usada como símbolo daqueles que se conectam com o sobrenatural, por um celular e o vídeo termina com o Porchat pedindo pro vidente usar o 3G para falar com o seu irmão. A Tim não apareceu em nenhum momento do vídeo, mas todo mundo pensou na marca.

Esse é só um dos jeitos que a publicidade encontrou de usar entretenimento e expressão cultural e artística para expor produtos e marcas, quer entender os outros? Quer aprender a fazer isso também? Amanhã começa o curso inédito do CIC-ESPM com a Martha Terenzzo e o Fernando Palácios no comando e a minha participação especial, além de muitos outros convidados mais que especiais. Nesse curso a gente vai falar disso tudo, muito melhor explicado e de mais um monte de coisa interessante sobre o presente e o futuro da comunicação.


Tradicionalmente o mundo das histórias tem uma relação complexa com os jogos. Isso porque quando os computadores começaram a permitir que jogos mais interessantes fossem desenvolvidos, os primeiros Game Designers não eram autores, eram programadores e caras de tecnologia - aliás essa é uma característica do mercado atual de desenvolvimento de jogos brasileiros.

Segundo Wendy Despain (International Game Developers Association) : A contratação de um " escritor " nestas grandes equipes de desenvolvimento é bastante nova . Até cerca de 2002 , game designers e programadores faziam o que hoje chamamos concepção narrativa e escrita de diálogo.
Isso levou a criação de um mercado orientado pelo gameplay, mais do que pela história. Aliás Despain ainda afirma que "...jogos ainda estão em processo de descobrir como contar uma boa história , sem se tornar um filme ou outra coisa que não um jogo".  Eu também já citei John Feil (aqui) dizendo que as histórias não pertencem ao mundo dos games.

Mas calma, isso não significa que não vamos contar uma boa história com um jogo, aliás vários games fazem isso, entretanto quando levamos o comprometimento que uma mensagem empresarial necessita a história pode ser mais essencial que o gameplay e pra entender isso vamos voltar um pouco aos estudos de Huizinga.
Para ele "...no jogo existe alguma coisa em jogo, que transcende as necessidades imediatas da vida e confere um sentido a ação".  Se correlacionarmos isso com o que dizem game designers podemos entender o que é essa "alguma coisa que confere sentido..." como o próprio Feil que conclui seu pensamento " Jogos exigem um certo nível de elevada foco e tempo de reação para derrotar os desafios... não há tempo para ler histórias. No entanto, as pessoas anseiam histórias , pois elas lhe concedem uma motivação para ações como correr e saltar pelo game."
Isso vem de encontro com outros estudiosos, que defendem que a história é o que dá o sentido a ação no jogo. O que faz valer a pena você passar por horas em quests repetitivas sem se frustrar.

Então podemos perceber duas possibilidades de interações:  Na primeira o jogador tem um divertimento, que pode ser extremo, mas é um entretenimento baseado em imersões estratégicas ou táticas, com a possibilidade de uma ficção mínima, ou seja, quase sem histórias (e em alguns casos sem histórias mesmo).


Porém este divertimento não tem um campo de ressonância tão potente quanto a imersão narrativa - o player jogador tem uma interação baseada na sua função e não no contexto do game. A imersão narrativa é a nossa segunda possibilidade, mas precisamos fazer um breve disclaimer pra inserir informações pertinentes sobre ela.
Huizinga defende que toda a sociedade foi construída no "espírito de jogo" e realmente ele está presente em tudo, mas sempre ao lado de uma mitologia, afinal são elas as únicas forças capazes de sustentar (inclusive) a existência da vida.  As histórias mantiveram pessoas unidas (durante o nascimento da sociedade), celebrando rituais em lugares sagrados do mesmo modo que mantém jovens em lan houses ou em suas casas montando guildas para acabar com um grande mal.  Isso é bem descrito na obra de Campbell, O Poder do Mito.

Para ele as mitologias são "Música que nós dançamos quando não somos capazes de reconhecer a melodia", que assim como nos games nos explica o porque somos permitidos fazer ações e confere sentido a ela.  Ações como o ato de se socializar ou não com as pessoas, matar certos animais ou retirar a própria vida.

Quando um jogador experimenta um mito dentro do jogo (através da imersão narrativa), vários dos elementos que encontra não ficam restrito a aquele ambiente.  A celebração por completar uma quest, alcançar uma vitória e experimentar um combate épico com um aliado inesperado não pode ser aprisionada no universo digital, ela transgride a barreira ou como diria o Castronova "O mundo sintético".  Essas sensações se tornam reais aqui no nosso mundo e as interações sociais criadas por guildas dentro e fora do universo de jogo é um indício desses elementos criados dentro do círculo mágico, mas que atravessa para a realidade de suas vidas.

Então quando o Gameplay deve ficar em segundo plano? 

De preferência nunca. Uma grande narrativa interativa compreende um grande gameplay. Mas a questão é que em alguns casos como na produção dos chamados Advergames, Args e qualquer ação de storytelling interativo com foco em mensagens publicitárias ou empresariais deve-se pensar em levar para a vida das pessoas a essência da sua marca.  Jogos baseados em gameplay puro podem ser muito eficientes para promoções esporádicas, aonde se mantém ranks dos seus clientes, mas um game com um storyworld bem elaborado pode criar uma verdadeira comunidade engajada.

Isso implica mesmo em um tempo maior de produção e se for de maneira bem executada o retorno também pode ser apreciado e longo prazo.  Praticamente as histórias definem culturas e o espírito do jogo ou o jogo em si pode ser a ferramenta para que essa cultura seja moldada. Em tempos aonde muitos empresários e diretores de marketing pensam em criar defensores fiéis das suas marcas, investir em uma boa história dentro de um bom jogo é mesmo algo a se relevar. 



Quer investir em storytelling a partir dos fundamentos que a marca já possui? Então conheça o case que a Storytellers construiu para Richester. O princípio é simples: transformar mascotes em verdadeiros heróis da marca. A seguir, trechos da matéria publicada no jornal Diário do Nordeste.

"A Richester, marca do grupo M. Dias Branco, intensificou suas estratégias de marketing com ações que passam pela renovação de produtos e adoção do branded content (conteúdo de entretenimento para aproximar-se do público) e da técnica de Storytelling, método relacionado a uma narrativa e que significa a capacidade de contar histórias. A ferramenta foi utilizada pela indústria para renovar o conceito dos personagens Animados Zoo, bem como sua forma de apresentá-los e a maneira de interagir com os consumidores. A técnica foi realizada em conjunto com a Storytellers Brand 'n' Fiction, empresa pioneira em advertelling no Brasil."

Para ler na íntegra, acesse: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/negocios/marca-investe-em-storytelling-1.809579

Para criar um case para a sua marca, entre em contato.

Para aprender a construir e contar histórias, conheça nossos cursos.





A comunicação não é mais a mesma. A internet alterou toda forma de engajar e entreter as pessoas.
O mercado da comunicação tem mudado rapidamente e isso pode ser notado até mesmo nos sinais mais periféricos. Um dos exemplos é o Festival Cannes Lions, a mais respeitada premiação mundial, que em sua última edição lançou a categoria Branded Content. Alguns chamam de conteúdo de marca, já que é ela quem financia e direciona a produção. Outros dizem que deveria ser nomeada como brandtainment, pois a função primordial de qualquer conteúdo nos dias de hoje é entreter.
Mas se o branded content feito pelas marcas é normalmente gerenciado através das agências de publicidade - e a publicidade acabou de começar a se aventurar pelas vias do conteúdo e do entretenimento - com quem o mundo empresarial pode aprender as melhores práticas e assim catalisar o processo?
A resposta é simples: com quem vive de fazer conteúdo. Estamos falando de uma indústria cultural que engloba desde o cinema e as séries até o mercado editorial, incluindo o jornalismo.
No entanto, mesmo esses mercados precisam se reinventar. O cinema de Hollywood está sendo acusado de autoplágio e, no Brasil, títulos de importantes revistas foram fechados. Nesse cenário, as mídias sociais se apresentam como uma grande incógnita para o futuro da produção profissional de conteúdos. As dúvidas são muitas:
- como fica a questão da produção de conteúdos num mundo cada vez mais rápido e fragmentado?
- como ficam as questões jurídicas, referentes às leis que regem os direitos autorais, num mundo pós-contemporâneo digital?
- quais são as tendências do entretenimento? Será que o branded content surgirá como a nova fronteira das marcas?
- se for esse o caminho, é melhor que a marca crie seu próprio conteúdo, incluindo personagens; ou seria melhor licenciar o conteúdo consagrado de terceiros?
Pensando nisso, a ESPM vai lançar um curso inédito para refletir sobre o que faz um conteúdo ser bom e quais são as técnicas que as marcas podem utilizar a seu favor.
Para saber mais sobre esse curso, acesse o link http://bit.ly/cursocontent e para saber mais sobre outros cursos, clique aqui.

Isso é um plot board. (Clique na imagem para ampliar).

Nada mais é do que uma ferramenta utilizada por escritores e roteiristas para elaborar um "esqueleto" 
de sua trama. Ele é bem útil pois é capaz de abarcar toda a história que se pretende contar num formato de fácil visualização que serve para orientar o escritor.

Este plot board foi feito por mim para ajudar na escrita do conto "SARLACK: O Grande Dragão Verde - Apêndice Natalino", que você pode conferir aqui.

O plot board nada mais é do que uma simples tabela onde:

  • Na horizontal você encontra uma linha do tempo que geralmente é dividida por personagens, como você pode ver na figura acima.
  • Na vertical você encontra as divisões do tempo, que servem para marcar capítulos ou cenas da sua história.

Esta ferramenta é utilizada por muitos escritores e ajuda muito na hora de fazer um resumo rápido do que você quer contar no seu conto, livro ou roteiro, além de ser muito fácil de consultar caso você se perca.

Dúvidas? Sugestões? Não entendeu algo? Discorda desse método? Comenta aí!

O dia é 13 de julho de 2014, são 16 horas. Otimista que sou, a televisão transmite a final da Copa do Mundo da FIFA, uma disputa épica entre Brasil e Argentina. 75 pontos de audiência, registra o IBOPE, batendo o recorde de 2002, do jogo entre Brasil e Turquia.
Manifestações à parte, o futebol mais uma vez configura o Brasil como nação no estádio que leva o nome daquele que cunhou este fato, Mário Filho, o Maracanã.
45 minutos depois, um dos momentos mais esperados para comunicadores como eu: o intervalo de jogo. 15 minutos, tempo para duas paradas comerciais divididas por alguns comentários do Galvão Bueno.
Adidas, Coca-Cola, Hyundai, Kia, Emirates, Sony, Visa, Budweiser, Castrol, Continental, Johnson & Johnson, McDonald’s, Oi, Moy Park, Yingli, Apex Brasil, Centauro, Garoto, Itaú, Liberty Seguros e Wise Up ajudaram a somar os quase 400 milhões de reais em cotas de patrocínio da FIFA e se dividem em intervalos de 30 segundos para conversar com cada um dos consumidores que formam os 75 pontos do IBOPE.
10 minutos de marcas, 5 minutos de Galvão. A que o consumidor prestará mais atenção?


















Tudo bem, o Super Bowl ainda arrecada três vezes mais do que a Copa do Mundo (esse ano foi mais de 1 bilhão de reais) e, no lugar de Galvão Bueno, tem Bruno Mars e Red Hot Chili Peppers no palco.
Mas, de forma geral, com uma ou outra mudança, as marcas lá presentes em seus intervalos comerciais são as mesmas daqui – ou têm a mesma estrutura para entreter o público com comerciais de qualidade.
O juiz olha para o relógio, já se passaram os minutos de acréscimo. Comerciais ou comentários do Galvão Bueno, qual destes iremos abrir mão para fazer mais pipoca ou ir ao banheiro?