Ao começar um curso eu gosto de perguntar “quem aqui pediria ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história?”. Raramente alguém levanta a mão. Das mais de duas mil pessoas que treinei, não passam de 30 as que pediriam tal poder. O curioso é que ao questionar aqueles que não levantaram a mão as respostas sempre giram em torno de dois motivos.
Grande parte das pessoas preferiria pedir a fortuna do Tio Patinhas. Tudo bem, é um desejo bastante justo. Mas, no entanto, e se no dia seguinte o governo confiscar esse dinheiro? Por outro lado, com o poder de contar uma boa história, a escritora J.K.Rowling conseguiu sagrar-se a mulher mais rica do Reino Unido e caso o governo confisque a fortuna, basta que ela conte a história dos pais ou dos filhos de Harry Potter que estará bilionária novamente.
O ato de contar história nos acompanha desde os tempos mais remotos. Antes de inventar a escrita, antes mesmo de criar as pinturas rupestres, nossos ancestrais já se sentavam ao redor de fogueiras para longas sessões narrativas. Graças a isso que, geração após geração, fomos capazes de acumular conhecimento e aperfeiçoar a nossa condição. Quem trabalha com comunicação sabe disso. Ainda assim, também essas pessoas não pediriam ao gênio esse poder ancestral. Só que nesse caso a justificativa é outra.
Quem trabalha com comunicação e, em especial publicidade, julga que já sabe contar histórias e afirma que pratica storytelling todos os dias no ofício. Engana-se quem acredita que a publicidade sempre fez storytelling, da mesma forma que se engana quem acha que quem escreve emails é um escritor. Storytelling vai muito além de redigir textos e roteiros. Digo isso de experiência própria.  Para afirmar que a publicidade sempre contou histórias é preciso recorrer a um anúncio de 1987. Fica a impressão de que já faz 25 anos que os publicitários estão perdendo a chance de contar boas histórias.
Já trabalhei como redator e sempre ‘soube’ que por ter feito dezenas de roteiros eu dominava a arte da narrativa. Só quando fui escrever a primeira peça teatral que entendi (por) que storytelling é outra coisa.
Não quero dizer que a publicidade brasileira não faz uso da narrativa. Ela o faz na mesma medida em que as pessoas pediriam ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história. É raro, mas acontece. E seria muito melhor se acontecesse mais.
As pessoas não querem mais ser tratadas como target de consumidores. As pessoas – eu que escrevo, você que lê – querem usar o tempo da melhor forma possível. Sempre que possível, evito anúncios. Mas se eu tiver que pagar, pago feliz pelo ingresso do cinema. Também não me importo em pagar para ter acesso a livros, games e revistas em quadrinhos. Esses são os lugares onde estão as boas histórias e é aí que devemos recorrer para aprender como manter acesa a chama milenar do poder de contar bem boas histórias. O segredo é que não é dom, tampouco inspiração. Para fazer um bom storytelling qualquer comunicador pode contar com técnicas narrativas para parar de depender do acaso.

Esse texto foi originalmente publicado no portal Ideia de Marketing.



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Em outro post falamos sobre algumas estratégias de storytelling que levaram livro World War Z a se tornar um sucesso de vendas nos EUA e a conquistar ninguém menos que Brad Pitt.

O Brad Pitt não só gosta de atuar, como também adora ler. World War Z foi uma dessas leituras arrebatadoras. O galã não se aguentou, adquiriu os direitos do livro e iniciou uma produtora chamada Plan B. O leitor mais apressado deve estar se perguntando "Ora, mas isso é relevante para esse post?" É sim, e eu já vou chegar lá.

Via de regra, quando um roteirista consagrado se lança como diretor ou um ator estelar se lança como produtor, é porque eles querem maior domínio do processo. Tenho a sensação de que o Sr. Pitt teve uma visão sobre essa história e quis fazer do seu jeito e em duas coisas ele acertou.

A primeira foi na inserção comercial. O filme tem poucas marcas e de realmente relevante, apenas uma. Existe um product placement óbvio da Pepsi, mas que não é tão óbvio assim. Logo depois do clímax do filme, no momento de recompensa dos justos, o herói comemora com um refrigerante. Mas ele não deixa o logo caprichosamente voltado para a tela. Pelo contrário, ele esconde. Mas em seguida, como um último ato do herói, ele usa mais refrigerantes para atrair a atenção dos zumbis e de relance é possível ver muitos logotipos da Pepsi. Assim, não ficou nem forçado e nem de graça. Ah, só nisso já valeu como faculdade para os novelistas brasileiros.

A grande sacada do astro de Hollywood foi a adaptação. Ele fez o que todo planejador de transmídia devia se forçar a entender. O filme não é uma adaptação do livro e nem teria como ser. O livro explora muito bem os recursos da literatura, tornando impossível o transporde para o cinema. Para que o filme pudesse ser um sucesso, seria preciso mostrar um outro aspecto ou recorte da história. Foi exatamente aí que Brad Pitt acertou com louvor. O livro e o filme não possuem quase nada em comum e isso acabou dando um ar transmidiático perfeito.

Claro que nem tudo são flores. Se colocar livro e filme lado a lado, vão haver dezenas de furos. Ainda assim, o livro permite uma certa elasticidade na história, já que é contato por múltiplos narradores, todos traumatizados. Muito possível conceber que eles tenham se esquecido, equivocado e até mentido.

A única falha vital de Brad Pitt, foi no nome do filme. Certamente tinha que ser diferente do livro. Talvez algo como World War A to Z. Mas, enfim, para quem estuda storytelling e transmídia, vale a sessão e a leitura.

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Não tem mais ninguém com você no elevador social, então você aproveita o espelho para ajeitar alguns fios mais rebeldes. A velocidade diminui de modo que você faz uma última pose e logo em seguida fica de frente para a porta. A porta se abre e você quase cai para trás enquanto pisca os olhos para tentar desfazer a imagem que diante de si. Do lado de fora um zumbi aguardava por esse momento e agora ele acaba de erguer os braços e dar o primeiro passo em sua direção...

"As leis da escrita são tão imutáveis quanto às da matemática, da física e da aviação" certa vez escreveu Ernest Hemingway numa carta para o colega Maxwell Perkins. As leis da escrita às quais ele se refere, compõem metade de uma fórmula maior. A fórmula do storytelling.

O artigo começou com uma pequena situação envolvendo o mito dos mortos-vivos, um tema que está em torno da franquia 'The Walking Dead' e com o filme 'Guerra Mundial Z'. Retomando a narrativa, sim, pode ser que o mundo tenha sido atingido novamente por um apocalipse zumbi e você esteja descobrindo em primeira mão. Mas também pode não ser nada disso, pode ser apenas uma pessoa brincando com uma fantasia de carnaval. Ora, se fizer sentido, tudo é possível.

Tudo o que "pode ser que isso, ou pode ser que aquilo" está no campo daquilo que consideramos como story. Story é tudo aquilo que é imaginário. Já o telling é a busca por uma forma de expressar isso. O telling é o exercício de tirar da cabeça e transportar para o papel.

Foi então que eu defini uma regra para meus trabalhos. Para que o estiver no seu papel possa agora invadir outras cabeças e brincar com a imaginação e, quem sabe até, com o coração dos outros, existe uma máxima que pode ser inclusive apresentada numa equação matemática: Story > Telling.

A tradução dessa fórmula é simples. Ela significa que não importa se você estiver fazendo uma apresentação corporativa, um anúncio para uma multinacional ou um romance para vender nas livrarias; sua obra será ruim por definição se aquilo que estiver na sua cabeça estiver inteiramente expresso nos seus slides, nos seus 30 segundos ou na somatória das suas páginas.

Quando falamos do pensamento de storytelling, o segredo não está somente em como contar a história, mas principalmente no que deixar de contar. Afinal, como você quer que as pessoas pensem na sua história se você não deixou espaço pra que elas pudessem imaginar?

Ainda cabe um adendo para que essa fórmula funcione. Como ensinou Ernest Hemingway no livro 'Paris é uma Festa' "A história era sobre o retorno da guerra, mas em nenhum momento a guerra foi sequer mencionada (...) Esta parte foi omitida de acordo com a minha nova teoria de que você pode omitir qualquer coisa se você sobre aquilo que você está omitindo e que a parte omitida iria fortalecer a história e que faria as pessoas sentirem algo maior do que elas poderiam compreender."

Não é por acaso que o gênio da literatura afirmou que sua contagem diária de palavras girava em torno de 400 a 600, num dia inspirado. Com mais de 300 ele ainda se sentia bem.

Argumentou que alguém que critique essa quantidade não entende nada sobre escrever bem e nem sobre a felicidade que alguém tem ao despejar 422 palavras dispostas tão bem quanto você imaginava. Só mesmo o exagero no story e a diligência no telling para que seu texto ganhe vida.



A fórmula do storytelling é simples, mas não é fácil... o artigo foi escrito originalmente para o portal Nós da Comunicação.


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O Simca Chambord possuía uma carroceria das mais luxuosas, com acessórios totalmente inúteis no Brasil. Suas linhas eram vistosas e os materiais usados no acabamento também.  Mas o carro tinha muitos defeitos; deles, o mais aborrecido era uma embreagem que patinava constantemente. Outros possuidores queixavam-se também de problemas na parte elétrica e, mais tarde, verificou-se que seus motores gastavam muito óleo. Assim, os primeiros Simcas foram apelidados de “Belo Antonio”, por causa de um filme exibido na época, cujo protagonista principal, Marcelo Mastroiani, era um homem bonito, requisitado por todas as mulheres, mas que na hora “agá “não funcionava”. Entre 1960 e 1961 a empresa ensaiou pedidos de falência. Só não aconteceu porque um herói entrou em cena...
Enquanto isso, na indústria do entretenimento uma revolução estava prestes a acontecer. No dia 3 de janeiro de 1962, foi ao ar o episódio piloto do primeiro seriado nacional. Era a história de um Vigilante Rodoviário e seu inseparável companheiro, o cachorro Lobo. Havia no ar um clima de apreensão, ninguém sabia se aquilo vingaria ou não. A audiência na época demorava dias para ser medida e só veio uma semana depois, anunciando: 33 pontos de audiência! No segundo episódio a audiência subiu para 55 pontos e não parou de subir, até que obteve 92% de audiência em São Paulo. Era oficial: o primeiro herói nacional era também o primeiro fenômeno nacional da TV brasileira.

No início do seriado, o Vigilante patrulhava as estradas com a moto Harley Davidson, sempre com o Lobo a tiracolo, sem problemas. Até o dia em que o cachorro queimou a pata no escapamento da moto e a partir de então ficou arisco. Não queria mais subir no veículo e teve que ser substituído por um boneco nas cenas... uma situação que não poderia durar muito. Aí que as histórias se cruzam.


O cão teria que sair da moto e entrar num carro. A produção não tinha dinheiro para isso, então negociou com a montadora que tinha mais automóveis em seu páteo. Mas ainda tinha um problema: com a fama do veículo, ninguém acreditaria que ele serviria para caçar bandidos. A solução foi no melhor estilo de Storyplacement: a estreia do Simca Chambord no seriado foi com o episódio O INVENTO, em que a trama começava com o fato de estar havendo muitos roubos de carros e, diante disso, o nosso Herói solicitou para que a Simca desenvolvesse um supermotor para a polícia. Eis que um engenheiro da Simca que era chantageado por bandidos que queriam os projetos do supermotor. No fim, o Vigilante Rodoviário salvou o dia. Duas vezes. Afinal, a Simca era só alegria: a série alavancou as vendas. A Simca teve que aumentar a produção para dar conta da demanda, as vendas cresceram e atingiram o ápice em 1964, o mesmo ano em que o seriado acabou. Com o fim do seriado as vendas diminuíram, mas deixaram a Simca numa boa posição para ser vendida.




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Ninguém viu a principal técnica de Storytelling das Aventuras de Pi. Literalmente. Ela não pode ser vista nem pelos olhos de quem apreciou o filme na maior das telas de cinema. Nem os óculos do Google seriam capazes de revelar esse segredo bem oculto.

Pois é, apesar de todo aplauso para os elementos estéticos e visuais, desde os efeitos especiais alucinógenos até a fotografia hipnótica. Ainda que a direção atenciosa seja digna de Oscar. Mesmo com toda a estética capaz de traduzir imaginação, a principal técnica de Storytelling do filme é invisível aos olhos.

A técnica tigre de Pi está presente desde o livro, mas também não pode ser vista nas palavras. Aliás, é o contrário disso. Assim como um ninja ou uma mensagem escrita em entrelinhas, a técnica em questão não quer ser vista e vai fazer de tudo para se camuflar. É isso que confere seu poder.

Assim que a Storytellers vai revelar dentro de algumas linhas que técnica é essa. Mas não sem antes alertar que o post só deve continuar sendo lido por aqueles que viram o filme e/ou leram o livro, sob pena de estragar a experiência de uma grande história.

A técnica tigre de Aventuras de Pi é chamada de diegese. Ainda falando tecnicamente, é tudo aquilo que não extrapola os limites da quarta parede. São todas as coisas que nascem dentro do próprio universo da história.

Começando pelo próprio autor. Yann Martel. Ele existe no mundo real, mas ele também está presente na ficção. O motivo é simples: ele diz que é mais barato viver na Índia do que no Canadá enquanto ganha tempo para escrever um romance.

Depois vem a questão do barco com os animais, incluindo nosso amigo, o tigre Richard Parker. Um tigre com nome e sobrenome, que para alguns é uma metáfora, mas que faz sentido no universo da história... afinal, tanto o menino quanto o tigre compartilhavam o navio que naufragou pelo mesmo motivo: o Zoológico fechou.

Uma técnica fundamental para quem quer inserir marcas e produtos numa narrativa. Uma forma simples e eficiente para melhorar numa numa escala geométrica o chamado product placement, também conhecido como merchandising de novela. Se não fizer sentido para a história, então, qual o sentido?


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E aí o camarada acha que só de contar uma história já está tudo resolvido. Ledo engano, old sport. As pessoas precisam saber que a história existe... e mais, precisam querer se aventurar por esse novo mundo, conhecer esses novos personagens e, claro, isso tudo exige o mais escasso dos recursos, a atenção.

O que fazer para chamar a atenção para a sua história? Simples: uma segunda história, old sport.

Existem milhares de exemplos de como a história por trás da história era tão boa e fascinante quando a história em si... desde Alice no País das Maravilhas, passando por Bruxas de Blair, Harry Potter, Lost... mas para efeito desse post, escolhi um exemplo muito inteligente: o jogo do Great Gatsby.

A versão original da história, um livro de romance, é considerado como uma das obras-primas da literatura estadunidense. O que causou uma certa comoção nos fãs de Fitzgerald foi a aparente descoberta de um cartucho antigo em uma garagem com a adaptação da narrativa para a versão NES.

Conforme relata o site http://greatgatsbygame.com/about.html, o cartucho veio também com capa e manual de instruções. Como assim eu nunca tinha ouvido falar desse jogo antes, old sport?

Rapidamente a notícia se espalhou e a blogosfera ficou toda animada. Não só o game foi descoberto, como emulado para ser jogado online. Milhões de pessoas de todo o mundo foram lá só para testar.

Acontece que essa história não passa de um boato. A verdade é que a Nintendo nunca fez uma adaptação da obra de Fitzgerald. Um grupo de 10 amigos sem ter muito mais o que fazer, foi lá e fez o game... mas para fazer o esforço valer a pena e mais gente jogar, fizeram também a o manual e a história toda por trás. E assim, depois de todo o sucesso, confessaram o boato.

Aí entram as questões da moral e da ética e do bom-senso... e, no meu julgamento, eu achei o boato ótimo, pois se não fosse por ele, o game jamais teria entrado no meu radar. Mesmo não sendo um original da Nintendo, aposto que essa versão ficou mais fiel ao romance do que o filme O Grande Gatsby. De um jeito ou de outro, se você ainda não leu o original, vá lá agora, old sport!


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Os roteiristas de Hollywood sabem muito bem. Nem adianta levar um roteiro para avaliação dos estúdios se não tiver high-concept.

Na medida em que o storytelling entra na vida das agências e corporações, o high-concept entra junto como se fosse um passageiro VIP. Melhor ainda, como se fosse o indispensável co-piloto de uma aeronave.

O tal do high-concept é a ideia capaz de gerar uma narrativa interessante. É a ideia para uma boa história.

Quando você, autor, for perseguir high-concepts, não vai aceitar nada menos do que a mais alta qualidade, estou certo? Ah, orgulho! Pois bem, o high-concepts mais poderosos são aqueles dotados de uma ideia original e ainda assim simples o suficiente para serem compreendidos em uma só frase.

Alguns exemplos para ilustrar:
- É a história de uma criança e seus brinquedos... pelo ponto de vista dos brinquedos.
- A história do serial killer que só caça serial killer.
- A história de que, na verdade, essa nossa realidade se passa dentro dos computadores.


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Inegável e inquestionável: todos contamos histórias. Temos feito isso mesmo antes que elas pudessem ser registradas. Mas quando eu falo em se tornar Storyteller, assim, em inglês e com S em caixa alta, quero  me referir ao contador de histórias profissional. Estou falando de quem tira sua renda de seus enredos. Pessoas que 'vivem para' e 'sobrevivem de' contar histórias.

É aí que entra técnica, talento e sensibilidade. Não basta fazer rimas para ser um poeta. Não basta ser alfabetizado para ser escritor. Aliás, saber escrever bem um texto técnico, científico ou publicitário não ajuda (e às vezes atrapalha) a escrever um narrativo. Da mesma forma, não basta contar histórias para ser um Storyteller. Tem muita gente que começa a contar uma história e logo causa o efeito oposto do esperado: ao invés de entreter, entedia.

Entreter é um dos fatores primordiais da narrativa. Se não for para entreter, melhor ser direto ao ponto como faz o jornalismo contemporâneo. Mas não fica por aí. A atenção é, sim, o oxigênio das histórias. Mas as histórias respiram por um motivo. E esse motivo, que reside na raiz tanto da literatura como da dramaturgia, foi o que manteve viva a tradição de contar histórias por tanto tempo: contar verdades que de outra forma seriam amargas demais para engolir.


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Não posso dizer que tenho todo o conhecimento de storytelling. Na verdade, nenhum autor pode. Aliás, os grandes autores dizem que 'você jamais pode dominar a arte de contar histórias, no melhor cenário você pode aprender a contar aquela história em que está trabalhando.' 

O ato de narrar histórias é o centro de todas as formas artísticas e um processo de aprendizado que dura a vida toda. E mesmo sendo uma das atividades mais antigas da Humanidade ainda é um assunto em constante evolução. Volte um século no tempo e nem cinema existia. E hoje existe essa coisa com o estranho nome de transmídia. Se há tanta informação e transformação, por onde começar? 

O primeiro passo é garimpar o próprio histórico de vida atrás das grandes descobertas e experiências transformadoras.  É preciso extrair do histórico as boas histórias.  

Para se tornar um storyteller profissional é preciso transformar essas histórias em projetos. Ou seja, obter renda dos enredos. Não é fácil. Mas também não é impossível.

Tudo parte do sonho. De querer algo distante. Como uma fruta num galho mais alto que o braço alcança. Mas de querer tanto aquela fruta que se disponha a trepar na árvore, sabendo que o galho pode quebrar e cair. Ou de vencer a preguiça e ir buscar uma escada. Ou ainda de construir uma escada. É como dizem em outras terras ‘where there’s a will, there’s a way’.

Sonhos temos todos. São como sentimentos. Alguns deixam mais trancados, mas não é por isso que deixam de existir. Nada que uma busca interna não encontre. #google-se

Com esse sonho em mente o próximo passo é ao papel passá-lo. Mas isso fica para o próximo post. Até lá, tenha bons sonhos!

‎"A gente tem que sonhar, se não as coisas não acontecem" ~Oscar Niemeyer
  

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Isso já tem se tornado um certo padrão. Muitas pessoas me procuram dizendo que estão com um problema danado na hora começar a escrever um texto: elas simplesmente não conseguem começar. É uma síndrome que parece afetar cada vez mais pessoas. Ou vai ver que sempre afetou todo o mundo e eu, como cada vez sou mais visto como escritor, estou sendo mais assediado pela questão. Seja como for, a resposta fácil seria: 'não pense nisso, busque inspiração, vá dar uma volta pelo parque, leia um livro e lave a louça.' Às vezes isso até resolve. Às vezes.

A coisa mais importante para vencer esse momento é imaginar que você está numa praia prestes a embarcar num bote e sair navegando por mares até então somente sonhados. Você está no momento de passar a rebentação, de vencer resistências naturais e inevitáveis do início do percurso.

Eu só conheço um jeito de transpor as ondas da resistência, e é justamente escrevendo. Escrevendo apesar de tudo.

Fazer outra coisa só vai te distanciar aquilo que você deveria estar fazendo, escrevendo. Escrevendo já sabendo que todas aquelas palavras que estão sendo digitadas em breve serão deletadas. Escrevendo mesmo achando que a sua história não valha nada. Escrevendo até mesmo seus pensamentos negativos sobre a sua escrita. Escrevendo até que do meio de tudo aquilo que você considera esterco vire adubo. Uma hora algo floresce.

A verdade é que quase todas as palavras escritas ficarão no escuro da lixeira, sem jamais ver a luz do dia. Mesmo os romancistas mais consagrados, com 30 anos de profissão e prêmios mundiais de literatura, trabalham em média dez horas para produzir uma página publicável. E é óbvio que eles não escrevem devagar. O ponto é que de tudo o que escrevem apenas uma página se salva. É um ofício de garimpo, esse do autor. O autor passa as horas minerando a própria mente até que encontre uma frase ou ideia preciosa.

Existe um conto do Richard MacKenna em que ele diz que precisou escrever 100 páginas de texto para só então começar a escrever a primeira página do seu primeiro livro. Escrever é isso mesmo. É explorar seu mundo imaginário com palavras. É uma expedição sem a menor garantia de sucesso. Até por isso o grande talento de um autor não é a habilidade de criar ou de contar uma boa história, mas essa espécie de perseverança inexplicável.
A disposição para acordar todos os dias pronto para travar mais um duelo contra a página em branco. Talvez por isso Gertrude Stein tenha escrito 'to write is to write is to write is to write.'

Então faça como ela e escreva. Escreva tendo em mente os escritores que datilografavam suas histórias em máquinas Olivetti e que enchiam os cestos de lixo com bolas de papel. Escreva pensando que você ainda não deve pensar na qualidade. Escreva sabendo que uma hora você vai ter que voltar, reler e editar tudo. Escreva, mas escreva sem o editor do seu lado. Dê férias para ele, ou ele te trava. Escreva com a criatividade infantil e descompromissada. Agora é hora de brincar com a criança interior e deixar para mais tarde o editor. Escreva como Hemingway 'write drunk, edit sober.'

Lembre-se: toda vez que você se deparar com um bloqueio criativo, eis mais um motivo para você encarar o papel ou o computador e escrever. Escrever nem que seja por escrever. Escrever até cansar de se irritar por estar escrevendo tanta bobagem. Escrever até a câimbra afligir os dedos e chamar isso de aquecimento. Escrever até o editor em você concluir que a única explicação para você ignorar seus berros seja que seus ouvidos já não funcionam. Escrever sabendo que sua única arma é escrever.








O conceito tem ganhado relevância entre os executivos das diferentes áreas. Entenda o que é e como está mudando a dinâmica corporativa.

De alguns anos para cá engajar clientes tornou-se um dos maiores gargalhos para as empresas, isto aplica tanto para clientes internos como externos, lembrando que os dois devem se manter encantados com relação a sua marca. Baita desafio, não acha? Caso pense o contrário é porque sua marca é uma das queridinhas do mercado, ou ainda não entendeu a importância de ser destaque no mercado ou não sabe como concorrer nesse mundo cada vez mais rápido e com quantidades gigantescas de dados. Se for o último, este artigo é para você.

O que é Gamificação?

Entende-se por gamification ou gamificação o uso de técnicas de jogos para tornar algo um produto (site, aplicativo, comunidade online) mais interativo, engajador e claro cativante para os usuários. Para atingir esse objetivo, a gamificação usa 10 mecânicas de jogo básicas que garantirão o engajamento do jogador, nem todas as vezes precisa usar todos os princípios, só é preciso pegar alguns e saber mistura-los. Alguns desse principios estão associados a competitividade, colaboração, conquista e claro o elemento surpresa.

Gamificação e negócios

No primeiro momento não faz muito sentido inserir esse tipo de práticas na estratégia da empresa, pois só é um jogo. Pois saiba que o jogo é um espaços de interação que mais gera engajamento nos indivíduos, uma vez que os usuário vão participando do espaço sem perceber o impacto dessa atividade, ou seja, eles não percebem como sua marca de uma forma e outra está entrando na cabeça deles, uma vez que está se gerando uma nova experiência emocional que mais para diante será a responsável por criar um vínculo afetivo com a marca.
Além de toda essa questão experiencial, os jogos tem sido utilizados como uma das formas mais engajadoras para educar, as escolas são o exemplo mais claro. Então, por que não trazer essa abordagem para o mundo dos negócios? Talvez para um treinamento de equipe ou outros espaços de educação corporativa.

Por que falar de Gamificação e Storytelling?

Não é segredo que a maioria dos jogos precisa contar uma história para manter o jogador encantado. Contudo, um dos maiores desafios é conseguir implementar de forma bem-sucedida essas práticas de gamificação, uma vez que o modelo de pensamento atual não consegue associar facilmente os jogos como agentes de transformação e pode se tornar um movimento arriscado para a maioria das empresas.

Diante dessa dificuldade, o storytelling surge como um parceiro para facilitar o entendimento do conceito de gamificação, os benefícios e como ela pode revolucionar a dinâmica de qualquer empresa. Além disso, os jogos precisam de maior concentração de estar 100% presente no momento, bem diferente do cinema e os livros que permitem realizar outras atividades em paralelo.  Isto é essencial para engajar ao público-alvo de qualquer estratégia, independente se ela for pensada para vender o mesmo para aprimorar os skills da sua equipe.

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Acho que vale aprender com o que temos de mais industrial em confecção de histórias: as novelas. Um autor de novelas concebe 18 mil páginas de história. Ele organiza núcleos com dezenas de personagens que vivem um entrelaçar de tramas. Uma exigência técnica para poucos. O autor e sua equipe de escritores e pesquisadores investem até nove meses de suas vidas numa dedicação exclusiva à história... e sem tirar os  olhos da audiência.

A interferência da audiência
A parte mais árdua da novela é a necessidade de ser escrita durante as gravações. A reação da audiência pode exigir a alteração de toda a história. Personagens que morrem prematuramente. Situações previstas deixam de acontecer. O autor de novela portanto tem os mesmos desafios de um autor-gestor, só que numa escala muito maior, já que sua história atinge uma média diária de 5 milhões de pessoas... cada vez mais difíceis de agradar. 

O segredo nos autores de novela
Além da dedicação de alguém fanático pelo que faz, os autores contam com uma arma secreta. O termo técnico é escaleta, que vem literalmente de esqueleto. É o resumo dos acontecimentos de cada cena de um capítulo. Vale ressaltar que esqueleto não é corpo. Escaleta não é história. E o que prende uma porcentagem dos brasileiros diante da TV todos os dias é a história. Se uma marca quer cativar seus consumidores, precisa fazer o mesmo.

A história e suas tramas
As tramas são cabides para pendurar a história. É o plot da moça que esconde um envelope MacGuffin de dois perseguidores. A história narra quem é a moça e por que o envelope é importante. Histórias são feitas de jaquetas de couro, lábios que se tocam, fotos antigas. É o encadeamento de coisas com significado. Plot é o composto lógico de ideias, sem emoção. O problema de grande parte das narrativas de marca é que elas não se desenvolvem além do plot.

Posso ter deixado a impressão de que quem manda nas histórias não é o autor, mas audiência que a consome. Não para o autor experiente. O mago que domina seus feitiços nunca perde a rédea de sua audiência.

O bom exemplo de Lost
O seriado Lost deu muitas aulas de como manobrar a opinião da audiência. A primeira foi logo nos primeiros episódios ao apresentarem o badboy da turma. A audiência refutou o personagem Sawyer. Milhares de cartas e emails de fãs foram enviados à produtora. Ninguém se importava com ele. Melhor que fosse morto por algum animal da ilha. Os autores, muito astutos, mostraram um acontecimento marcante do passado do personagem: quando criança viu o pai assassinar a mãe e depois se suicidar. Lágrimas nos olhos. Pronto. Bastou uma cena e o personagem caiu nas graças da audiência. Eis o poder do feiticeiro experiente.


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Quem nunca ouviu alguém falar algo como "se tudo der errado, vou vender coco na praia“, ou melhor, quem nunca disse algo como "cansei dessa vida, quero abrir uma pousada na Bahia"? É quase que um arquétipo de "aposentadoria perfeita".

Essa é a história do Titus, que um dia cansou de ser acordado no meio da madrugada com as ligações do seu chefe e resolveu investir num sonho: vender água de coco na praia. Decidido, resgatou suas economias e foi para o litoral montar uma barraquinha. Chegou lá abafando, seguro de que tinha tomado a melhor decisão de sua vida.

Ao chegar na praia em que planejava se estabelecer, viu que não estava exatamente num mar de rosas... Já havia uma série de outras barracas, todas com fornecedores amarrados e clientela fiel.

O nosso amigo sonhador tem alguma chance de se dar bem se for adiante em perseguir seu sonho? Sim. Ele pode não ter sido primeiro, mas também não será o último a vender água de coco natural e geladinha. Para aumentar as suas chances de sucesso (ou pelo menos sustento), ele vai precisar resolver todos os problemas - de preferência dentro da lei (até ocorreu o insight de que ele poderia contratar um jagunço pra "limpar" a concorrência, mas o conceito de máfia está um pouco fora de moda. Outro insight foi de burlar impostos, mas logo concluiu que se até a Daslu foi pega...).

Eis um problema simples: como fazer a barraquinha se destacar das demais? Possibilidades existem como grãos de areia:
espalhar panfletos no pedágio ou anunciar na rádio e em outdoors;
oferecer outros produtos além do coco (milho verde, guloseimas etc.) ou até agregar serviços como mesinhas com ombrelones para clientes além de um tapetinho que leve até o mar;
ludicalizar e distribuir jogos de tabuleiro para todos os clientes;
apelar para o preço mais baixo ou fazer uma promoção compre 3 cocos e pague 2;
pode criar um concurso para os filhos dos clientes concorrerem a uma viagem à Disney;
pintar de verde-limão com roxo e abrir à noite como uma espécie de balada;
pode criar um tubarão de pelúcia e dar de brinde para os clientes;
pode patrocinar o réveillon e o carnaval...

Enfim, cada solução promete resultados ímpares no curto, médio e longo prazos. Via de regra, quando uma empresa passa um briefing para uma agência é porque ela tem um problema, quase sempre tático (aumentar vendas de um determinado produto, reconquistar a confiança de um determinado target após uma crise, alterar a percepção de uma marca devido a um reposicionamento de um concorrente, desovar estoques, fazer com que as pessoas tomem conhecimento sobre um assunto etc.), mas também pode ser estrutural (não tem equipe interna, não detém know-how etc.).

No mundo real raramente uma empresa tem apenas um problema. É meio que o oposto disso, na verdade: empresas são fábricas especializadas em gerar centenas de novos problemas todos os dias. Normalmente o controle dos problemas - quais são mais ou menos relevantes e prioritários - é feito pelo pessoal de marketing da própria empresa.

É comum que o departamento de marketing determine um "problema da vez" que, após escolhido, seja repassado a alguma agência fornecedora para que esta encontre uma solução. E é aí que entra em cena o planejamento.

O trabalho do planejamento é analisar o maior número de possibilidades, levando em conta as informações referentes à concorrência, à macroeconomia, aos nichos de clientes e tudo mais que possa influenciar nas soluções sob o ponto de vista estratégico-financeiro e, em alguns casos, até jurídico. E depois de considerar todo o contexto, ele irá sugerir o melhor caminho estratégico para solucionar o problema.

A estratégia normalmente é composto por uma série de táticas, normalmente dispostas em um projeto (também chamado de "plano" e quase sempre feito em power point). Em boa parte das agência, o próximo passo é enviar o plano para a criação aprofundar as idéias e criar as peças. Mas existe ainda um outro tipo de planner, o criativo, que vai um passo além e borda esse conjunto de táticas num tecido maior: o conceito. E o conceito, muitas vezes, pode ser um primeiro passo para o storytelling.

Para finalizar, é bom ressaltar que existem dezenas de especializações de planejadores e, como ocorre com toda profissão, existem profissionais bons e ruins. Um bom planejamento consegue trabalhar mais de um problema por vez, ou pelo menos gerar benefícios em mais de uma frente (por exemplo: conquistar novos clientes e, em decorrência deles, aumentar as vendas).

Então, para persistir no seu sonho contrate um bom planejamento... Vai terminar vendendo coco como água.


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Esse tal de storytelling
Você passou horas numa maratona de Dexter, Doutor House ou Mad Men. Dez episódios se passaram e você continua dizendo 'só mais esse'. E ainda bateu a irritação de pensar que a próxima temporada só no ano que vem. Se você olhar de fora, o efeito da história sobre você até parece bruxaria.

A magia das histórias está na peculiaridade. Ninguém se interessaria por uma aventura de um herói genérico numa missão qualquer. O herói tem que ter RG e personalidade. Se o personagem não for mais interessante do que pessoas reais, por que perder tempo com ele?

E outra: é bom que ele esteja numa missão muito importante. Do tipo que vai decidir o destino do mundo.

O poder dos detalhes
O específico é o que nos enlaça. Mas por não tratar de coisas 'quaisquer', toda história vem amarrada com um risco: o que só a audiência viu.

Cada detalhe conta muito mais do que se imagina. O autor vai todo animado apresentar seu herói. Aí vem a audiência e acha que o mocinho está mais para o bobo da corte. Se é perigoso para o autor, imagina para executivos que buscam glorificar suas marcas.

Storytrends
Storytelling como 'ferramenta corporativa' é uma tendência que vem ganhando força a cada dia. É natural num mundo com tanta informação de pouco significado. Contar uma história para dizer alguma coisa, faz essa mensagem subir um degrau. Fica mais apetitoso para a mente que acompanha a narrativa.

Mas como nada é de graça, ao ficar mais envolvente e interessante, a mensagem passa a concorrer com a Cia das Letras, com a Globo e até com a Pixar. Por subir um degrau, ela passa a concorrer contra histórias. E aí só as melhores se perpetuam. Uma sobrevivência Darwinista.

Técnica do artista
A importância da técnica artística fica evidente na concorrência pela melhor história. Sem o verniz do escritor, poucas histórias têm chance de sobreviver. Por isso que existem ghost writers. Para quem tem bons conteúdos mas não domina a técnica. Mas ainda mais importante é o talento autoral. Em descrever situações intensas, sem jamais deixar de ser sincero nas emoções. É a emoção o combustível das histórias. Para expressar emoção só tem um jeito: sentindo. Se o autor não sente nada, nada passa. A atenção vaga. O canal muda. A página fecha.

Para que o feitiço não volte contra o feiticeiro o melhor é evocar um mago experiente. O Mestre dos Magos, se possível. Quando investir em storytelling, investigue o storyteller. Desconfie do 'consultor', 'palestrante' ou 'professor' que se diz 'especialista em storytelling', mas nunca escreveu uma história. #ficadica



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