Vamos continuar explicando a luz da psicologia por que os valentões fazem tanto sucesso. Na primeira parte que você pode ler aqui, explicamos por que um dos ingredientes de um bom valentão é uma pitada de perversão. Agora entenda o que a obsessão tem a ver com isso:
PARTE 2:
Além da fixação do objeto de desejo, como vimos no artigo anterior, a perversão está conectada a ausência de culpa mesmo diante dos atos mais macabros, o que tira o seu carisma. Então em geral os anti-heróis como eu e você são neuróticos. Mais especificamente neuróticos obsessivos onde há uma idéia de fixação do objeto de desejo, assim como na perversão.
Porém, eles têm em sua personalidade conceitos de moral e ética, ao contrário dos perversos e a transgressão destes conceitos pesa em sua consciência, o que torna o personagem mais cativante.
Um neurótico obsessivo irá ter objetivos claros e transgredir regras para alcança-los, o que o torna forte. Mas haverá momentos de vacilo em que ele irá refletir sobre seus atos e arcar com as consequências. O perverso não tem esse momento de reflexão porque é um sociopata, ou seja, incapaz de viver em sociedade.
É por isso que personagens como o serial-killer Dexter, apesar de serem “diagnosticados" como perversos em suas histórias são na verdade neuróticos obsessivos, pois em algum momento refletem sobre seus atos. Enquanto outros como o doutor Hannibal Lecter geralmente são vistos como vilões ou personagens secundários, porque não existe possibilidade deles hesitarem em suas ações pois são sociopatas.
Descobrimos até aqui que ser um valentão é diferente de ser o perverso, apesar de ambos compartilharem traços de personalidade. Mas será que é possível ser um valentão durante todo o tempo? Descubra na última parte do artigo!

Fique ligado no site!



A série Breaking Bad acabou e seu criador, Vince Gilligan, já anunciou uma possível nova série dentro do mesmo universo. “Better Call Saul” conta as peripécias de um dos personagens de Breaking Bad, o advogado Saul Goodman. Mais um “spin off”, como definimos na semana passada, este não é o único que caberia na série de Walter White. Quantos podemos enumerar?


  1. A começar pelo próprio protagonista, a história de White antes de se tornar Heisenberg, quando ainda era um promissor estudante de cristais e fundou, junto de Elliott e Gretchen, a Gray Matter Technologies renderia uma história e tanto.
  2. Gus Fring e seu misterioso passado sulamericano é mais um personagem que mereceria uma série só para a sua história até o comando da “Pollos Hermanos”.
  3. Mike Ehrmantraut, o braço direito de Gus, é outro que seria capaz de render uma série entre sua exímia habilidade na organização do crime e sua paixão por sua neta, como avô.
  4. Ainda que preso em uma cadeira de rodas e sem voz, Hector Salamanca é um dos personagens mais intrigantes da série, e caberia desenvolver a sua história muito além de seu sino.
  5. Do outro lado da lei, o agente Hank Schrader se mostrou incorruptível e, junto de seu parceiro Gomez, poderia dar frutos a mais uma série de investigação policial de que tanto o americano gosta.
  6. O que dizer, então, da história de Walter Jr e Skyler, após a perda do patriarca, no aniversário de Junior, quando o casal Schwartz faz uma misteriosa doação de 10 milhões de dólares de presente ao filho de Walter White?
  7. E Jesse Pinkman, teria largado o crime após sair vivo de Breaking Bad, ou se consagrado como, agora, o único a produzir a “Blue Sky” com seu nível de pureza?
Isso sem falar em Lydia, Todd, Jack, e outros personagens tão profundos que também seriam dignos de suas próprias séries. Se Breaking Bad é considerada uma das melhores séries já produzidas, um dos segredos da pureza de 99,1% que só Walter White conseguia alcançar, é a complexidade de todos os personagens envolvidos na trama.

Consumir narrativas e estudá-las é um dos passos mais importantes na vida de um storyteller, o repertório é a sua principal ferramenta nos momentos em que a 'inspiração' te deixa na mão. Por isso decidi listar aqui três séries com personagens que valem a pena estudar. 

White Collar 

A série trata sobre as aventuras de uma dupla inusitada formada por um agente do FBI responsável pela investigação de casos de colarinho branco e um falsificador cheio de estilos que parece nunca ficar sem troques na manga. Ambos os personagens merecem a nossa atenção, mas Neil Caffrei, o falsificador é um caso a parte. Um personagem complexo e constante e bastante condizente com o que imaginamos ser o resultado de alguém com a sua história de vida. Ou seja, um personagem crível com uma história bem definida e bem apresentada para justificar a maior parte de suas ações. 

Californication 

Hank Moody, um escritor americano em decadência faz justiça ao seu nome (Moody pode ser traduzido como um adjetivo para pessoas mal-humoradas) e está sempre em busca da felicidade. O personagem é 100% humano, cheio defeitos, falhas de caráter e sonhos. A série, recheada com uma porção bem servida de referência literárias a Charler Bokowiski, é voltada para os dramas e 'aventuras' de um grupo de personagens 100% humanos, sem super-poderes, ou habilidades especiais os personagens se aproximam do telespectador de maneira invejável. 

Life 

Apesar de seu final repentino na segunda temporada, a série vale a pena. Contando a história do Detetive Crews, um policial que passou 12 anos preso por um crime que não cometou e foi inocentado recebendo um acordo milionário do estado e voltando para a polícia para fazer o que mais gosta de fazer: investigar crimes. Com uma boa dose de comédia a série é na verdade um drama sobre como Crews irá recuperar sua vida após 12 anos preso. Um personagem construído nos detalhes, Crews é um exemplo de como dar credibilidade para o protagonista da narrativa.  


Ontem à noite terminei de ler o 5º volume da série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. A única coisa que consigo pensar hoje é na história da série e no que vai acontecer no próximo livro.


George Martin faz isso com seus leitores. Ele conquista suas mentes. Não é à toa o tamanho do seu sucesso: mais de 15 milhões de cópias vendidas pelo mundo e uma das séries de TV mais aclamadas dos últimos tempos.

O autor diz que o segredo de tanto sucesso é simples: ele faz com que seus leitores sintam medo ao virarem as páginas, nunca sabendo o que pode acontecer, exatamente como na vida real. Como assim?, você pode estar se perguntando. Bem, a trama que George Martin criou é extremamente complexa e não dá para se ter certeza do que vai acontecer em nenhum momento. Seus personagens possuem múltiplas facetas e os rumos da história são tão imprevisíveis que muitas figuras principais da trama morreram logo no primeiro livro.


É daí que podemos extrair uma grande e importante lição: a audiência quer mais emoção! Quer o imprevisível! O público está cansado de coisas óbvias. E isso não vale só para literatura e televisão. Vale para tudo!

Quer um exemplo? Então dê uma olhada no briefing de segurança da Air New Zeland. Não é porque o assunto é chato que a comunicação precisa ser chata também.



Quer outro exemplo? Que tal as apresentações em PPT, Prezi e Keynote da Monkey Business, uma empresa com vários cases de sucesso, especializada em apresentações profissionais. A Monkey oferece uma contraproposta às apresentações previsíveis costumeiras, adicionando elementos diferenciados dentro das apresentações de seus clientes. Nesse caso, não é porque o formato é tido como maçante que o conteúdo e a forma de passá-lo também precisam ser.


Então, se seu público pede por emoção, dê emoção a ele. Seja no formato, seja no conteúdo, seja na trama, tente fazer algo original e diferente. Não se apegue ao previsível. Se for para se apegar a alguma coisa, faça como George R. R. Martin: se apegue ao imprevisível.

Quando a série “How I Met Your Mother”, ou “HIMYM” para os íntimos, estreiou escancarando a sua proposta desde seu título, seus fãs não imaginavam esperar 184 episódios para, finalmente, conhecer essa tal mãe. Como se não bastassem esses mais de 4000 minutos, o cocriador da série Carter Bays prometeu ainda mais: “How I Met Your Dad”, uma nova série sob o ponto de vista feminino.
O nome desse artifício é “Spin Off”, e já falamos disso por aqui em algumas postagens. Spin Off é, basicamente, quando uma nova série nasce a partir de outra pré-existente. Prometido em séries como Breaking Bad e Modern Family, o modelo está em alta entre as séries americanas.
Mas o que faz do spin off em “How I Met Your Dad” diferente? Novamente, a resposta está no título. Enquanto a série de Ted Mosby trabalha o seu ponto de vista para contar a história de como ele conheceu a mãe de seus filhos, “HIMYD” inverterá esse ponto de vista para a versão de uma mãe. O desafio se amplia ainda mais por, ao contrário do que pode parecer, a nova série ser sobre uma outra mãe de uma outra família.
Ainda que spin offs possam se aproveitar de universos ficcionais prontos de suas “séries mães”, nada de personagens como Ted, Barney e Cia em How I Met Your Dad. A série, que deverá estreiar em maio de 2014, começará do zero. O que não significa, para os mais atentos, não procurar por semelhanças e referências à serie em sua história.
How I Met Your Mother conquistou fãs durante suas 9 temporadas com uma proposta simples: a história de como um casal se conheceu. Através do consagrado modelo de sitcom, a série obteve sucesso até hoje, em sua última temporada, liderando a audiência do canal CBS. A questão que fica é: isso tudo será suficiente para o sucesso de How I Met Your Dad?



As vezes eles apenas têm gênio difícil, como mau humorado Doutor House, o escritor Hank Moody, ou o detetive Sherlock Holmes. Podem ser mal encarados como os personagens dos filmes de ação de Stallone, Van Damme (e cia.) ou até valentes cowboys como Clint Eastwood. Mas uma coisa é inegável: os valentões fazem sucesso! Mas por que esses personagens são tão bem-sucedidos?
Na primeira parte desta série de artigos explicaremos a luz da psicologia porque a “perversão” é uma das chaves para entender os valentões:
PARTE 1 - A PERVERSÃO
Para Freud existem três formas de funcionamento da mente: Neurose, Psicose e Perversão. Para o pai da psicanálise tudo depende da forma como gerenciamos nosso desejo. 
Nós, as pessoas ditas “normais”, somos neuróticos. Ou seja não sabemos direito pra onde o seu desejo aponta. Por isso nunca estaremos satisfeitos plenamente. Esse é o maior motivo pelo qual as pessoas procuram terapia: não saber o que realmente queremos.
Já o perverso tem o desejo definido. Ele sabe exatamente o que quer e como quer e só se satisfaz daquela forma específica. Um serial killer muitas vezes é um perverso. Por ter seus desejos bem definidos eles têm seu próprio sistema moral, e se consideram acima da lei e de qualquer opinião que não seja a sua própria.
No entanto, por mais que você entenda que a perversão é uma doença psíquica, todos querem saber que os satisfaz e acabam invejando a perversão.

Muitos desses personagens “badass” apresentam características dessa patologia psíquica. Porém, em sua maiorias os valentões não são perversos, mas sim obsessivos, e esta é uma forma de neurose. Quer saber por quê? Confira na próxima parte desse artigo!

Eu acho fascinante ver a relação que as pessoas criam com personagens fictícios. Essa semana o assunto foi a morte de Brian Griffin o cachorro intelectualizado do desenho Norte Americano Family Guy (Uma família da Pesada em português). Pois é, meus amigos, o animal de estimação da família de um desenho animado morre e a internet vai a loucura, abaixo assinados surgem pedindo pela ressuscitação do personagem. Nesses tempos modernos em que vivemos como produtores e consumidores de informação, tudo ao mesmo tempo, às vezes a ficção atinge a realidade.

O site #savebrian foi criado para coletar assinaturas e convencer os roteiristas do desenho animado a darem mais uma chance para o cachorrinho que, aparentemente, é um dos personagens favoritos do público cativo da série. Mas o que mais me impressionada nisso tudo é que em mais uma semana de existência o site já coletou 700 mil assinaturas ao redor mundo, muito mais do que algumas campanhas de abaixo assinado para salvar a floresta amazônica ou tartarugas em extinção são capazes de conseguir. Além dessas assinaturas o episódio da morte de Brian ganhou um espaço em todas as revistas e blogs sobre narrativas e séries do mundo. Até mesmo o site da TMZ, revista especializada em noticiar fofocas e novidades nas vidas de celebridades hollywoodianas, reservou um espaço em site para noticiar a fim trágico do cachorro.

O que me leva à seguinte pergunta: e se a morte do Brian fosse uma ação publicitária?  

 Estou para conhecer um publicitário que não sonha com um engajamento capaz de colher 700 assinaturas digitais e conquistar mídia espontânea por todo o mundo em só uma semana. Então, não seria demais se a morte do Brian fosse uma ação publicitária, digamos, para um instituto de cuidados com os animais? Ou quem sabe até se esse episódio fosse financiado pelo governo norte americano para conscientizar as pessoas sobre o uso de coleiras? Não seria genial se a morte do personagem fosse, no fim das contas, apenas uma forma de recuperar audiência para a própria série?

As possibilidades são infinitas, mas o importante mesmo, na minha opinião, é percebermos que uma narrativa é uma mídia que vai além do “mostre meu produto por 15 segundos”, se soubermos usar bem a narrativa ela pode gerar consequências inimagináveis. Podemos usar o poder narrativo de produtos culturais a favor de nossas mensagens, sejam elas comerciais, sociais ou apenas de entretenimento. E o melhor de tudo? Se A morte Brian Griffin não fosse em vão, ou seja, isso tudo fosse mesmo uma ação para salvar cães de atropelamento pelo mundo, talvez o público não se revoltasse contra os produtores, mas sim, os elogiassem pela sua ação nobre. 

Durante essa última semana, muito se falou sobre esse tal de Lulu. Para quem ainda não conhece, o Lulu é um aplicativo exclusivo para o público feminino que permite às mulheres fazerem resenhas (de cunho sexual) anônimas de seus amigos, ex-namorados, parceiros ou afins. Além de dar uma nota para o cara em questão, o Lulu possibilita que as mulheres preencham o perfil dele com hashtags positivas ou negativas, como: #SemMedoDeSerFofo, #TaradoDoJeitoCerto, #NuncaPassaANoite, #LindoTesãoBonitoeGostosão, #PiorMassagemDoMundo, #CurteRomeroBritto, #TrêsPernas, #FilhinhoDaMamãe, #LábiosdeMel, #MaisBaratoQueUmPãoNaChapa, #PrefereoVideogame, #Bebezão, #DáSono, #ArrotaePeida e etc.


Alguns homens ficaram apavorados. Alguns ficaram entusiasmados. E outros nem ligaram (eu me incluo nesse último grupo). Meu amigo que faz mais sucesso com as mulheres foi destruído no Lulu. Um outro amigo que não faz tanto sucesso assim foi extremamente bem avaliado. No final das contas, a mulherada se divertiu às custas dos homens, tanto pelo lado bom quanto pelo lado ruim.

As feministas mais fascistas ressaltaram que o Lulu veio como vingança por anos de objetificação das mulheres por parte dos homens. Ou seja, para elas, os homens devem pagar o preço agora (acho engraçado como essas feministas querem ter os mesmo direitos dos homens em comportamentos tão babacas como esse, ao invés de se mostrarem superiores e agir diferente). Alguns homens mais sensíveis chegaram até a processar o aplicativo, de tão insultados que se sentiram. E, eis então que agora está para surgir a versão masculina do negócio.

Daqui a uma semana vai ser lançado o Tubby, uma resposta masculina ao Lulu. Agora é a vez das meninas ficarem desesperadas por duas razões específicas: 1- as máscaras de muitas meninas que pagavam de santinhas vão cair; 2- vai ser muito mais pesado, com hashtags, segundo boatos, como #EngoleTudo, #ComiDePrimeira, #AdoraDáD4 e etc.


Se esses dois aplicativos farão sucesso ou serão rapidamente esquecidos eu não sei dizer. O que sei dizer é que eles mostram uma coisa muito clara dos dias de hoje: a forma mecânica dos relacionamentos afetivos da nossa geração.

Tanto homens quanto mulheres estão virando objetos. São apenas bocas a serem beijadas e corpos a serem usados. Esses aplicativos só mostram isso de uma forma nua e crua. E daí surgem problemas. Não digo isso de um ponto de vista conservador ou coisa do tipo. Digo a partir de um ponto de vista analítico. Quando pessoas usam outras e aceitam serem usadas como objetos não só perdem parte de sua humanidade como também se expõe a diversos problemas que não precisariam existir em suas vidas. Primeiramente pela questão das DSTs, que muita gente transmite sem nem saber que tem. Depois pela questão psicológica, que vai desde fragilidade e depressão até transtornos compulsivos e obsessivos. E agora surge também a questão cibernética, não só com aplicativos, mas com exposição de intimidade e humilhação em redes sociais (como no tão falado e recente caso Fran).

Escrevi um livro fantástico infato-juvenil na tentativa de criar um exemplo para a geração que está vindo aí mudar esse quadro. Mas como acho que ele pode demorar um pouco ainda para ser publicado, quero deixar meu apelo aqui.

Como Storyteller crio histórias para marcas e produtos. Mas gosto de ir além disso. Gosto de criar histórias escritas fora do papel. Ou ajudar na criação delas. Gosto de criar histórias para serem vividas.

Infelizmente eu não posso pegar todos os usuários dos aplicativos que falei e criar uma história para inspirar cada um deles. Mas o que eu posso fazer é aconselhar os leitores desse blog a apoiarem e ajudarem histórias de amor como antigamente.

Não é uma coisa difícil. Pensando como storytellers, como criar histórias de amor?

 - Primeiramente, temos que encontrar os dois personagens principais dessa história e temos que conhecê-los. E, lembre-se, ninguém é perfeito. Exatamente por isso que ambos os seus personagens precisam ter falhas!


 - Depois, temos que pensar nos elementos da história. Como os personagens se conheceram, como se apaixonaram, como se relacionaram e etc. Isso é o que dirá e fará a história ser um romance ou apenas mais um caso mecânico qualquer. Se os elementos da história não forem especiais, críveis ou cativantes, apague tudo e comece do zero.


 - Por último, obviamente, vem o final da história. Ele pode ser feliz, triste, cômico, irônico, trágico ou simples. Mas independentemente de como a história acaba, o importante é que ela existiu.


Então, pense nesses passos acima. A partir deles você pode fazer inúmeras coisas. Pode escrever uma história de amor. Pode inspirar uma história de amor. Pode ajudar uma história de amor. Pode participar de uma história de amor. E, quem sabe, pode viver uma história de amor.


Experimente uma dessas oportunidades. Garanto que vai ser bem melhor do que correr para o celular e ficar cada vez mais robotizado com aplicativos de relacionamentos.




Recentemente fui entrevistado pelo Tiago Bosco da Revista Wide sobre como o storytelling pode ajudar a promover marcas. Abaixo segue um trecho da entrevista:


WIDE Você criou o Storytellers, um pioneiro escritório de Innovative Storytelling. Em que consiste este projeto? E quais tipos de clientes vocês atendem?
FERNANDO PALACIOS Innovative Storytelling é uma tecnologia de comunicação e marketing que nasceu no Brasil, já foi exportada para outros países e que, basicamente, parte da premissa de que não basta apenas contar uma historinha. Essa metodologia divide storytelling em duas etapas: Story e Telling. Cada qual funciona como uma engrenagem composta por dezenas de técnicas. Por exemplo, temos 25 etapas para criar um personagem. Só assim ele vai deixar de ser uma mera mascote e vai passar a ser um verdadeiro branded hero, capaz de protagonizar narrativas marcantes.
"A grande euforia das empresas com relação ao storytelling está na busca por metodologias que sejam aplicáveis para marcas e replicáveis em níveis industriais"

Atendemos quatro perfis de clientes. Nas consultorias de branding vamos entender o posicionamento proposto e assim concretizar a personificação da marca. Para isso, desenvolvemos a partir da persona de marketing a construção de um herói para a marca. Em um desses casos, transformamos 1.248 slides de pesquisa de marca em uma peça de teatro de uma hora. Assim foi possível fazer com que mais de 200 executivos da alta gestão fossem capazes de entender cada detalhe e cada nuance dos posicionamentos.

Clientes podem ser agências de publicidade, para as quais fornecemos um rico material com dezenas de possibilidades de histórias que podem virar anúncios. Clientes podem ser assessorias de imprensa, para as quais vamos buscar no histórico da marca os fatos mais noticiáveis e, a partir dele, desenhamos as estratégias transmidiáticas para narrar essa história por meio de múltiplas plataformas. Finalmente, os clientes podem ser as próprias empresas, para as quais vamos desenvolver um projeto contínuo de captação e composição de Story, além do design de novos Tellings. Essa estratégia tem sido fantástica para alinhar todos os esforços dos fornecedores ao redor da marca.

No fim das contas, nosso intuito é fazer com que as histórias de empresas e suas marcas sejam tão bem contadas quanto às narrativas da indústria cultural. Aliás, o objetivo é que as histórias comerciais passem a ser um produto de entretenimento com valor cultural. Assim, todo o mundo ganha - agências ganham prêmios, consumidores ganham bons conteúdos e empresas ganham pessoas mais atentas às suas ofertas.

WIDE Como você define o conceito de Storytelling?

WIDE E de que maneiras as marcas podem se beneficiar por meio do storytelling?

WIDE Em sua opinião, por que storytelling se tornou uma tendência no mundo corporativo e como e empresas e agências podem se beneficiar disso?

WIDE Poderia citar um exemplo mundial e outro local de storytelling?

Entre na página e confira todas as respostas. ;)



Eu sou do tipo de cara que é capaz de assistir uma (ou duas) temporadas de uma vez. Sou fascinado pela mecânica complexa da construção de séries, pelo trabalho envolvido em manter uma narrativa viva e interessante por um longo período e por isso, ouvindo as sábias palavras de J.J. Abrams eu tenho mania de desconstruir essas narrativas, separar todas as peças e ver se consigo reconstruí-la sem deixar sobrar nenhum parafuso do lado de fora. 


SEJA CONSISTENTE

Crie um universo, um personagem, ou até mesmo um plot capaz de segurar a história, algo que outra pessoa seria capaz de escrever caso você não consiga terminar o trabalho sozinho. O primeiro motivo que faz disso algo tão importante é que se você conseguir criar personagens fortes e narrativas envolventes o suficiente o espectador irá continuar a história na cabeça dele, criar suas próprias teorias, desenvolver os seus próprios projetos para os personagens e assim ficar cada vez mais curioso para saber o que você, autor, irá fazer com "os planos dele". Isso aumenta o engajamento do espectador na sua história. 

Outro motivo importante para isso, falando especificamente de séries é que muito provavelmente não será você quem irá escrever toda a série. Homeland, por exemplo, já teve 11 roteiristas diferentes e todos eles dependiam dos personagens e da história para fazer a coisa funcionar. Se a sua história é fraca, entregá-la na mão de outra pessoa pode ser um desastre, o novo ponto de vista pode atingir aquela rachadura que você estava tentando esconder, mas se a sua história é boa, um novo ponto de vista só vai te ajudar a manter o espectador atento e curioso. 

O que nos leva ao segundo ponto desse post:

SEJA IMPREVISÍVEL 

Sabe aquele plano que o espectador criou para os seus personagens e para o futuro da sua narrativa? Aquele que eu falei ali em cima que é o resultado de uma boa narrativa? Então, tenha certeza de não seguir esses planos. Se o espectador espera que o personagem pule, faça-o voar, ou ficar sentado, ou sei lá, mude de núcleo e conte outra história enquanto o espectador fica na dúvida se ele estava certo ou não. 

Surpresas são a chave da atenção, é através da surpresa que você irá conquistar a fidelidade do espectador, mas tenha cuidado, não exagere, não destrua o personagem, não force a narrativa. Não importa qual seja a ação, ela tem que ser consistente, você não pode simplesmente, de um episódio pro outro, ou de um capítulo pro outro, transformar a sua moça nerd e delicada em uma ninja super habilidosa. Surpreenda sem exageros. 

NÃO ESCREVERÁS EM VÃO

Esse conselho, na verdade, eu não aprendi com a série, mas Homeland é, pelo menos as duas primeiras temporadas (ainda não assisti a terceira) o melhor exemplo disso que eu já vi em uma série até hoje. Mas afinal, do que estamos falando? 

Certifique-se de que nada do que é apresentado ao espectador seja em vão, ou seja, como diz Cyd Field (o cara de quem eu "roubei" essa ideia) "tudo na sua narrativa deve fazer uma de duas coisas: revelar o personagem, ou mover a narrativa adiante". Toda e qualque cena, interação ou até mesmo fala deve servir ou para apróximar o espectador de um personagem ou para avançar a narrativa. Tudo é ação, tudo é importante, tudo é movimento. É esse movimento que irá manter o seu espectador na ponta do sofá com as mãos cobrindo o rosto, é esse movimento que garante a atenção completa do espectador. 

É esse movimento que irá garantir que os passos acima funcionem de maneira eficaz, dê ao seu espectador tempo para imaginar o próximo passo, mas não deixe-o com tempo para desvendar o resto da história. 



Há um tempo estou para escrever sobre este MMORPG, também conhecido como LoTRO o jogo transmídia do universo do Senhor dos Anéis leva os players de volta a Terra Média para aventuras fantásticas e a gente do blog a discussões intermináveis - perdi a contagem de quantas vezes discuti com o Fernando Palácios os aspectos desse game realmente intrigante.  Se quiser desbravar como os mistérios da narrativa do game acompanhe agora o post!
Lord of The Rings online é um jogo no estilo MMORPG, desenvolvido pela Turbine, e lançado em 24 de Abril de 2007 (na época chamado de Térra Média Online). O jogo narra acontecimentos que acontecem durante os acontecimentos de "O Senhor dos Anéis".  Isso significa exatamente que ele não é uma adaptação, você não vai acompanhar a exata história de Frodo e da Sociedade do Anel. Na verdade aí entra uma ótima estratégia de transmídia: a produtora contratou escritores especialistas na obra de Tolkien para costurar a trama entre a história principal. 
Algumas das várias perguntas que pensamos quando assistimos os filmes ou lemos os livros podem ser entendidas durante o game. O que Radagast o castanho realmente estava fazendo que não pode se juntar a Gandalf na batalha direta contra Sauron? Pois é, no game você descobre isso e passa um bom tempo ajudando ele em suas quests.

O player se torna um tipo de suporte para a saga da Sociedade do Anel, resolvendo problemas para abrir caminhos e aliviar a barra dos bravos heróis e pra que tudo isso funcione de maneira progressiva, as missões foram dispostas nas Quests Épicas divididas em 15 livros.  Realmente a falta de Tolkien escrevendo esse caminho entre sua história original faz uma grande diferença, mas dá pra aproveitar muita coisa e se divertir bastante.


Já no primeiro livro "Shadows of Angmar" você começa a encontrar humanos leais ao inimigo e ajudar Aragorn a impedir que suas forças aumentem. Essas missões somada ao todo da obra de Tolkien torna seu conhecimento sobre a Terra Média uma experiência sem igual.  Toda sua visão é enriquecida com os fatores sociais do tipo conflitos dos povos da Terra Média e quem está por trás da corrupção de cada lugar e cada personagem.

A noção geográfica do mundo também vem a tona, mas isso é uma característica natural de jogos como este. Após um tempo desbravando o mapa é provável que você desenvolva um senso de localização, mas nessa hora a transmídia volta a fazer toda a diferença. Um simples rio que você estaria atravessando a cavalo se torna aquele rio em que Arwen invocou a correnteza em forma de cavalos para levar os cavaleiros Nazgûl para longe e então você percebe que está andando perto das terras antigas dos Elfos. Tudo o que você conheceu antes passa a fazer sentido e a tornar sua experiência com o game melhor.
Ou quando você está em uma instância fora da Quest Épica defendendo uma Torre de vigília contra um Nazgûl e vem a memória que é exatamente a mesma torre aonde Frodo foi ferido pela espada de um dos cavaleiros negros no primeiro filme. 
Só que não adianta ter uma bela história dando suporte para tudo se você não consegue conta-la e criar a emoção e nesse ponto também gosto da Narrativa incorporada de Lotro. (já falamos desse tipo de narrativa por aqui). A remediação da cenas, ambientes e personagens dentro deste game é um caso a parte. Ela intensifica realmente nossas memórias a cerca da obra de Tolkien e agrega esse sentido a experiência do game.  Quando lemos ou assistimos o caminho que Aragorn faz até Rivendel podemos perceber suas dificuldades, não é uma subida fácil é bastante hostil e em certo trecho da conversa com Sam podemos perceber que era um lugar tomado por Ogros e eu convido vocês a experimentarem este mesmo caminho no LoTRO para perceberem que a sensação deve ser a mesma que Aragorn tem viajando a cavalo - aliás se gosta de desbravar o mapa em games de RPG se prepare, pois as viagens em LoTRO podem ser bastantes longas.


Mas não há nada mais dramático neste game do estar sozinho entrando em uma instância cheia de Uruk Hai, marcados de mão branca conversando com algum Nazgûl e quando você se aproxima as bordas da tela ficam claras como se estivessem queimando, mas no fundo você sabe que é porque está sendo observado pelo senhor das trevas Sauron.  Acredito mesmo que a sensação que alguns dos heróis na história original sentia era essa mesma que podemos sentir quando isso ocorre no game.

Existe um problema com a ordem cronológica dos acontecimentos, entre a morte dos anões em Moria (por exemplo) e a chegada da Sociedade do Anel nessas minas. Mas particularmente eu acredito que a não existência de um ritmo progressivo e controlado dentro de jogos de MMORPG ajudam a compensar (um pouco) esse conflito. Afinal você pode passar horas em uma cidade e sentir que isso é alguns meses antes de voltar para a Quest Épica.  Mas LoTRO ainda está longe de ter a narrativa perfeita para os jogos, porém ainda consegue conquistar bastante gente. Esse gênero de jogos no geral está passando por uma certa crise de narrativa e estão tentando se adaptar ou mudar sua forma de contar histórias... e nós acompanhando por aqui.

Quem curtiu e quiser jogar basta acessar http://www.lotro.com/en



Esse post é uma pequena homenagem tardia ao aniversário de 50 anos da série Dr. Who, mas como ainda estou na primeira temporada e ainda não tempo de analisar tudo com cuidado, vou falar especificamente da versão para o cinema. O filme chamado Daleks' Invasion Earth: 2150 A.D. foi lançado em 1966 e nos possibilitou um dos mais inusitos product placements na ficção científica.

O caso é que Doctor Who acaba em um futuro excentrico londrino, onde a água, nem comida, e o mundo foi dominado pelos Daleks, vilões mortíferos que matam praticamente tudo o que vive. Nesse cenário futurístico e tecnológico o filme ficou conhecido pelo exagero da exposição da marca Sugar Puff de cerais. Isso mesmo, não foi a iserção de um carro como na série e filme A Super Máquina, não foi nem uma marca de relógios para garantir que o nosso viajante não perca em suas aventuras temporais, não, meus caros, foram vários e vários cartazes de Sugar Puff distribuidos pelo cenário de uma londres em ruínas. 

Não preciso nem dizer que para tanta inserção  Quaker Oats, na época responsável pela fabricação do cereal, financiou a produção do filme, né? Mas tal financiamento não foi só para que a marca pudesse ganhar o seu tempo na tela, o acordo também incluia uma ação de tie-in que vinha nas caixas temáticas do cereal, o ganhador da promoção levaria um boneco de um Dalek, raça de alienígenas vilã no filme. E para finalizar a Sugar Puff conseguiu o direito de usar a imagem dos personagens do filme em seu comercial e outros materiais promocionais da marca. 




Olá, sou Tiago Cabral, o “novato”do site. Sou psicólogo e (pretenso) escritor. Vim parar aqui a convite do nobre Fernando Palácios pra conversar um pouco com vocês sobre Storytelling e sua relação com a psicologia! O que essas duas práticas teriam em comum? 

Antes disso muita gente sempre se pergunta "o que raios é Storytelling"? Com uma pesquisa no Google qualquer um descobre que é um daqueles termos de publicidade. No entanto, ele é algo que faz parte da natureza humana: é a arte de contar histórias.

A simplicidade do termo nos faz subestimá-lo por alguns instantes. Mas não se engane pela simplicidade da definição, afinal você pode definir a medicina como "a arte de curar pessoas", e mesmo assim a  prática não vai ser algo simples. Ao estudar o assunto me descobri um “storyteller” sem saber. Muitos dos livros recomendados eu já havia lido e usava muitas das técnicas que citavam em meus textos.

“Storytelling? Isso é desculpa pra vender workshop” eu mesmo já disse. Até que num livro li que "saber apreciar uma música tocada num piano não te torna um pianista”.  Ou seja, ser capaz de apreciar um bom livro não significa que você possui as ferramentas pra escrever!

"Mas o que isso tem a ver com psicologia social?"

Como eu disse eu sou psicólogo. Atendo a crianças e adolescentes e suas famílias e as vezes é necessário “ensinar” as pessoas a lidar com determinadas situações. E o método mais prático que encontrei de fazer isso é contando histórias!


E eu só sei disso porque eu aprendi com o storytelling que a maioria dos mitos tem por objetivo passar conceitos de moral. As histórias ajudam a definir quem somos, e também influenciam diretamente na nossa comunicação. Seja na psicologia ou em qualquer outra prática social.

O ano era 2000. Em um voo com destino a Dallas, no Texas, estavam os dois fundadores da Netflix, Reed Hastings e Marc Randolph, e o diretor financeiro, Barry McCarthy. O objetivo da viagem era encontrar John Antioco, diretor da Blockbuster, e negociar a venda da Netflix para a rede de locadoras por 50 milhões de dólares.
“Hastings queria propor uma parceria para Antioco, onde a Netflix divulgaria o nome da Blockbuster na internet e, em troca, a divulgação da Netflix nas lojas físicas. Saímos do escritório dele sob risos, eles achavam que estávamos em um nicho muito pequeno.” – diz McCarthy.
Hoje, quase 13 anos depois, a Blockbuster fecha as portas e a Netflix já vale cerca de 20 bilhões de dólares. Levando em conta que o produto de ambas é, de certa forma, o mesmo, o que mudou de lá para cá?

A resposta para a pergunta é quase óbvia: a Blockbuster não soube se renovar enquanto a Netflix nasceu na inovação. E quando falamos em inovação da Netflix, não é apenas sobre streaming de filmes e séries, mas sobre comunicação e criação de conteúdo de marca que garantiram a ela sair na frente de outras concorrentes dentro do próprio streaming. O que dizer de House of Cards?
Muito além de tão só novas mídias, mas de conteúdo, a publicidade é uma área que vem precisando se renovar – e inovar. Enquanto os dinossauros da propaganda ainda riem em seus escritórios, tudo parece estar bem. Mas não tarda e seu prazo de validade acaba chegando. Afinal, ainda que em 2000 a internet já fosse uma realidade, quem apostaria todas as suas fichas que, um dia, a gigante Blockbuster fosse ruir em seu império? 

Aprendi com o Fernando Palacios que storytelling é uma tecnologia da comunicação. Mas para entender o que isso significa precisamos conhecer o significado de tecnologia. Uma das definições de tecnologia que eu mais gosto é que tecnologia é a soma de técnica + ciência. Portanto, o storyteller é, ao mesmo tempo, o mecânico e o engenheiro das narrativas. É o responsável por transformar o briefing em uma história e uma narrativa é um anúncio publicitário.

Somos escritores com clientes, escrevemos para transmitir uma mensagem pré-determinada, para promover uma marca, um produto, um sentimento ou, até mesmo, uma sensação. Começamos no briefing, como qualquer outro publicitário, conhecendo melhor o nosso cliente, a sua história, os seus desejos e, é claro, os seus objetivos, já que esses serão os objetivos da nossa narrativa. Pensamos em problemas e objetivos de marketing e de comunicação, pensamos no consumidor, nas histórias que eles contam e consomem. Por isso é importante conhecer séries, filmes e livros que fazem sucesso. Depois disso nos tornamos projetistas, desenhando universos, criando personagens, pensando em situações que se encaixem no briefing, histórias que resolvam nossos problemas e alcancem nossos objetivos.

Voltando ao pensamento de engenharia, antes de se desenhar um prédio é preciso aprender as leis da física, assim como antes de escrever uma história é preciso conhecer o que é uma boa narrativa. Como construir uma estrutura sólida que aguente todas as camadas e andares do que iremos construir, onde colocar as colunas estruturais que não devem ser alteradas, como dividir o espaço para caber tudo o que precisamos acomodar, como criar algo que resista a interferência exterior, seja da chuva ou de um leitor desatento. Cada detalhe de uma história deve estar baseado no conhecimento científico, desde a semiótica até a narratologia.

As técnicas vem depois, como colocar os fios elétricos nos lugares certos, onde posicionar as lâmpadas, as portas e as janelas. Como apertar os parafusos o bastante para que não soltem e sem exagerar para que não espanem. Depois da ciência vem a técnica, o cuidado com os detalhes, a especialidade de cada um. No caso do storyteller, precisamos ter muitas especialidades para garantir a qualidade de nossas narrativas desde a sua base até o seu acabamento.

O ano é 2110, e o Corinthians, graças a um longo processo de internacionalização, é o maior time do mundo. Mas, no ano em que completa 200 anos, o saudosismo torna ao coração alvinegro e resulta em louca invenção: um dispositivo capaz de voltar a qualquer período da história.
Essa é a premissa do filme “Nova Era: Corinthians”, previsto para 2015. Após alguns documentários sobre momentos marcantes do clube, este será o primeiro filme ficcional sobre um clube de futebol brasileiro – e logo de ficção científica.

De alguns anos para cá, não é novidade a ninguém que os clubes tenham inovado em vender a sua marca a seu “fiel” consumidor. Os departamentos de marketing cresceram, com direito a todos os Ps: Produto, Preço, Praça, Promoção e Paixão.
E não é preciso ser corinthiano para saber: se não foi o primeiro, o Corinthians hoje é o clube que melhor trabalha a sua marca dentro e fora das quatro linhas. Tanto é que, além dos 5 Ps citados, o time inova mais uma vez e traz o P de Plot para reforçar o seu time a partir de uma lógica básica: Se conseguimos lotar estádios, podemos lotar as salas de cinema também.
A grande questão, desta vez, é que se trata de uma história ficcional, ainda que, é claro, com pitadas de muitas histórias verdadeiras do clube. É comprar a pipoca e esperar pra ver o resultado dessa história dentre os mais de 30 milhões de espectadores em potencial. 


As empresas já perceberam que as pessoas estão consumindo informação de uma forma transmidia e muitas delas estão buscando desenvolver histórias que possam envolver seu público com o maior engajamento possível através do Transmídia Storytelling. Claro que pra isso você precisa de pessoas que possam entender bem cada um desses meios e é com essa premissa que a ESPM lançou um curso inédito.
Com o nome "As mídias do transmídia – como contar 4 atos em 4 formatos"  o curso - idealizado pelo Fernando Palácios - conta com 5 professores que vão ensinar como otimizar suas histórias e conectar cada uma delas em uma estratégia transmidia. Vejam as informações oficiais: 

Esse não é um curso sobre como criar e compor histórias. Esse é um curso para quem já tem suas histórias e quer saber como otimizar a forma de narrar histórias diante de diversas mídias e telas disputando a atenção de targets cada vez mais fragmentados. 

Seja uma apresentação de power point, seja um projeto milionário de branded content, saber explorar a potencialidade de cada mídia exige expertise técnico. Uma história contada por meio de um livro de romance pode ter reações completamente diferentes da adaptação para as telas do cinema.
Na ponta disso tudo está o conceito de transmídia, que é o pensamento de como orquestrar uma só história em diferentes narrativas que se espalham por diversos formatos. A indústria do entretenimento vem usando cada vez mais esse recurso. Chegou a hora das empresas e seus fornecedores desvendarem de uma vez por todas essa disciplina. Num mercado tão dinâmico surge a necessidade de se tornar um poliglota narrativo, ou seja, de entender e saber falar as diversas linguagens de uma história.


Conheça os professores do curso


FERNANDO PALACIOS
Um dos pioneiros de advertelling e branded content no Brasil. Inovou com muitos "primeiros": realizou o primeiro estudo acadêmico sobre storytelling e publicidade na América Latina, é co-fundador do primeiro escritório de Storytelling do País, implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e, finalmente, ministrou na ESPM-SP o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling. Desde então ministra palestras e cursos no Brasil e internacionalmente.
Atualmente é professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction. Desenvolveu dezenas de projetos de Storytelling que moldaram o setor, entre eles, O Mistério das Cidades Perdidas (Game Interativo Online, 2 milhões de usuários e finalista do Festival de Cannes, para Mini-Schin); As Filhas de Dodô (Transmídia com 2 peças teatrais, 1 filme, 2 talkshow, contos de apoio, para J.Macêdo); Virada Cinegastronômica (experimental e experiencial, 3 edições, evento proprietário); Os Donos da Noite (livro, para Absolut); Coletânea de Contos Corporativos (livro, para M.Dias Branco); Minha Aventura no Escuro (projeto de storytelling completo, para Animados Zôo).
Para experimentar inovações de conteúdos, desenvolve um projeto autoral onde narra a busca de um personagem pela Próxima Maravilha da Humanidade e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook. Esse projeto está produzindo uma obra de literatura, publicada aos poucos, através da plataforma digital Widbook e o primeiro capítulo já pode ser lido em www.widbook.com/a-nova-maravilha

THIAGO FOGAÇA
Thiago Fogaça é roteirista e professor de roteiro, formado na FAAP e na New York Film Academy com um Master of Fine Arts in Screenwriting. Tem experiência de leitura e análise de roteiros nas produtoras Broken Lizard (Beerfest e Supertroopers) e The Gotham Group (Spiderwick Chronicles e Coraline). Ensinou roteiro no Centro Universitário Senac, no Museu da Imagem e do Som MIS e na Escola Meliés de Cinema e Animação.
Atualmente faz coaching de Storytelling e Roteiro em produtoras de cinema e agências de publicidade, ensina na AIC (Academia Internacional de Cinema), na FAAP, no Colégio Oswald de Andrade e dá palestras no interior do Estado de São Paulo sobre Roteiro e Storytelling, no projeto Pontos MIS, além de escrever e revisar longas profissionalmente.

EDU MAGALHÃES
Eduardo Magalhães é Desenhista por natureza e pela formação em Design Gráfico pela Escola Carlos de Campos do Centro de Educação Tecnológica Paula Souza. Há mais de 10 anos atua como Diretor de Arte e Criação em agências de Live Marketing como Banco de Eventos, Grupo TV1, Super Produções e Samba.
Para complementar o mundo das imagens, Edu estudou as palavras. Cursou Letras na USP e faz questão de ler tudo o que cai na sua mão.
Foi professor de criação de um dos primeiros cursos sobre Live Marketing no Brasil, na Lemon School.
Colecionador, especialista e pesquisador de Histórias em Quadrinhos prepara-se para produzir sua primeira História em Quadrinhos autoral a ser publicada de maneira independente em 2015.

ALE SANTOS
Alexandre Santos é formado em Publicidade e Propaganda e pós-graduando em Marketing e Design Digital.
No twitter é conhecido por milhares de seguidores como O RPGista, fundador e editor do blog RPG Vale, eleito dentre os Top 3 no prêmio Top Blogs 2010, 2011 e 2012 na categoria blogs profissionais de games.
Redator e RPGista, sempre direcionou seus estudos para a comunicação no mundo dos games, sendo, inclusive, seu projeto de conclusão de curso um Advergame para propagação de cultura, história e educação ambiental no Vale do Paraíba. Lançou diversos contos e conquistou o respeito como mestre de RPG com suas dicas sobre criação de universos e roteiro para role playing game.
Recentemente participou como juiz da edição brasileira do Tomorrow Project, concurso de Ficção Científica promovido pela Intel, e também como autor convidado para a coletânea de contos oficiais do projeto. Atua como redator do jogo Living Card Battle Arena: Selene - The Fantasy e colabora com os blogs do Clube de Criação do Vale do Paraíba e com o Stories We Like. Atualmente elabora uma pesquisa acadêmica sobre organizações sociais em mundos sintéticos de MMORPG.

THIAGO IACOCCA
Thiago Iacocca é jornalista formado pela Puc-SP (2002), escritor e roteirista. Trabalha com criação e produção de conteúdo e eventos culturais. É autor dos livros Furta-cor (romance) e Meu avô italiano (infantil). Em 2008 criou a revista independente BETA, que dirigiu até o seu fechamento, em 2011 - iniciativa única no Brasil que deu voz a todos os envolvidos no processo de produção audiovisual nacional e internacional.
Trabalhou como editor de texto nas redações de jornalismo das emissoras Band e Record e atualmente está à frente do Estúdio Blu, produtora de conteúdo e incubadora de projetos culturais, colabora com revistas (Tpm, Audi Magazine, Personnalité), escreve storytelling para marcas e desenvolve pesquisas e roteiro para documentários, destacando-se uma série sobre educação que será dirigido por Luiz Bolognesi para a Buriti Filmes, enquanto finaliza seu segundo romance.

O curso tem como um de seus objetivos ensinar como otimizar o Storytelling ao selecionar o formato que melhor comporta cada parte da mensagem a ser transmitida. Para se inscrever basta acessar o link a seguir - http://www.espm.br/inovacao/curso.asp?cursoID=116



Eu não sei se sou só eu, mas ultimamente vejo que muitas histórias de sucesso na televisão têm três elementos básicos: sexo, violência (excessiva) e um mood meio dark.

Como assim?, você deve estar se perguntando. Pare e pense um pouquinho. Vou dar alguns exemplos de algumas séries de diferentes canais e temáticas para você refletir: Game of Thrones, Spartacus, Da Vinci’s Demons, The Walking Dead, Roma, The Tudors, Os Bórgias, Skins, Sex and the City, Smallville (nunca antes o Superman transou tanto), por aí vai...


             O que eu quero com isso não é falar mal de nenhuma dessas séries. Muito pelo contrário, inclusive porque gosto delas. O meu ponto é o interesse da audiência. O público parece pedir cada vez mais por ousadia nesses três pilares. A sociedade demanda sexo, violência e um ar sombrio para se entreter.

Lógico que isso não é geral. Existem exceções a esse formato muito boas por sinal. Mas, independentemente de qualquer coisa, esses três pilares acabam aparecendo uma hora ou outra para chamar a atenção da audiência. Até nas novelas da Globo a coisa está assim!

A partir daí proponho uma reflexão: será que são as histórias das séries que estão conduzindo o comportamento e a demanda do público, ou o é público que está conduzindo os enredos e as construções das histórias das séries? Estamos vivendo em uma sociedade voltada para sexualidade, violência e temas sombrios ou a ficção se limita a apelos da audiência?

Para ajudar nessa reflexão, vou pegar histórias infantis tradicionais e dizer como elas seriam se fossem criadas hoje para uma série televisiva. Você pode pensar nelas como readaptações ou ideias criadas da demanda da audiência, se preferir. Bom, vamos lá:



A Branca de Neve – Essa história é quase sem graça de servir como um exemplo já que os dois últimos filmes baseados nela deixam claro meu ponto de vista anterior, mas vou usá-la mesmo assim. A história da Branca de Neve fugir por causa da madrasta e etc... seria mantida. O que mudaria, na minha opinião, seria a relação dela com os anões, especialmente porque os anões em si seriam diferentes. Eles não seriam velhinhos ou engraçadinhos como no conto original ou na história da Disney. Eles seriam anões guerreiros, como os do Hobbit. E, assim sendo, a Branca de Neve se relacionaria amorosamente com algum deles. Aliás, não só com um, com dois anões de personalidades antagônicas, gerando uma disputa entre os anões. E, no final, um deles morreria enquanto o outro se tornaria seu príncipe encantado.




Chapéuzinho Vermelho – Outra história que ganhou milhares de readaptações. Mas se a história fosse criada para uma série de TV atual, eu teria uma outra ideia de como as coisas iriam funcionar. Chapéuzinho Vermelho seria uma caçadora de lobisomens sexy e feroz, e seu Lobo Mal seria um lobisomem com quem ela já tivesse transado. Eles teriam uma relação de amor, ódio e muito sexo, regada a combates na floresta e inimigos em comum.




A Pequena Sereia – Para uma série de TV, acredito que Ariel não iria se apaixonar por um príncipe em um navio, e sim por um pirata estilo Jack Sparow (bêbado, engraçado e mentiroso). Ela também não iria abdicar de sua vida de sereia por ele, mas ganharia poderes para ir à superfície como uma humana. Juntos, os dois viveriam aventuras no mar lutando contra monstros, enfrentando perigos e transando algumas vezes. Porém a temática central da série giraria em torno de Ariel tentando conquistar o amor de seu pirata, que também se sente atraído por ela, mas não sabe se consegue abdicar de sua vida boêmia.




A Bela e a Fera – Bela ainda seria aquela garota geek e estudiosa, enquanto Fera ainda seria uma criatura amedrontadora. O que iria acontecer de diferente é que justamente esse lado de Fera iria atrair Bela, como Risoletta e Aristóbulo em Saramandaia. A garota tímida e culta iria se soltar e revelar suas fantasias para a fera peluda. Após os dois primeiros episódios, Fera poderia voltar a se tornar humano, porém tendo o poder de se transformar em monstro assim que desejasse. Se você acha que isso nunca daria certo, pense na Saga Crepúsculo.






                              
Agora, pegue esses exemplos e pense:

1- Eu veria essas séries?
2- Eu conheço alguém que veria essas séries?
3- Eu acho que algumas dessas séries poderiam ser produzidas?
4- Eu acho que algumas dessas séries poderiam ser um sucesso de audiência?

Fica aberta a discussão.


Não é novidade a ninguém que o mercado editorial no Brasil é um tanto devagar em comparação ao resto do mundo. Em terras tupiniquins, bastam cerca de 15 mil exemplares vendidos para um livro figurar entre os mais vendidos. O que, em um território de mais de 200 milhões de habitantes, convenhamos, não é nem 0,01% de livros por habitante.
Agora, imagine anunciar um livro todos os dias para mais de 6 milhões de consumidores interessados na história? Esse é o caso de “Amor de Nicole”, o livro que o personagem e escritor Thales escreveu para sua falecida esposa Nicole, na novela “Amor à Vida”, da Rede Globo.

Na trama, o escritor tem problemas com a publicação do livro, e então decide publicá-lo por conta própria. Entretanto, esse problema não seria um problema se a Globo (que por sinal já possui uma editora) realmente publicasse e vendesse o livro para os seus espectadores, que somam mais de 35 pontos no Ibope.
Um exemplo disso é “Castle”. A série do canal ABC, que conta a história de um escritor que acompanha as investigações de um departamento policial e as escreve em livros, já rendeu mais de 10 livros “assinados” pelo protagonista, Richard Castle.
Se por um lado a venda de livros não é um forte no Brasil, as telenovelas fazem parte da cultura do brasileiro. Ainda que os 6 milhões de espectadores não comprassem a publicação, “Amor de Nicole” certamente teria potencial para entrar entre os best-sellers do país em pouco tempo. Por que não publicar e transmidiatizar a novela?