“Não vemos a aura, mas podemos senti-la. O imaginário, para mim, é essa aura, é da ordem da aura: uma atmosfera. Algo que envolve e ultrapassa a obra” (MAFFESOLI, 1995, p. 75). 


Definir o imaginário não é uma tarefa simples, habitar ele com ideias e símbolos é mais complexo ainda.  Não é qualquer história que se conecta nesse nível de consciência com uma pessoa, tem que ser uma narrativa recheada do story e com o telling bem ajustado.

Um dos elementos que você deve compreender na hora de criar o story da sua narrativa são os arquétipos.  Para Jung, o Inconsciente é formado pela camada pessoal,  aonde estão experiências reprimidas e ignoradas de cada indivíduo; e o Inconsciente coletivo, que é povoada por instintos e imagens primordiais divididas e herdadas por toda a humanidade.

E através dessas imagens primordiais a psique cria fantasia todos os dias, ela serve como um tipo de organizador ou mediador dos nosso conflitos. Alguns estudiosos como Gilbert Durand defendem: "o imaginário constitui o conector obrigatório pelo qual forma-se qualquer expressão humana.”

É possível inspirar essa imaginação com sua marca, fazer com que ela resida na ponte entre real e ficional na mente humana e tornar elas parte de experiências emocionantes da vida de qualquer pessoa. Esse é o poder do Storytelling, com S Capitular.

Agora em janeiro você terá uma oportunidade de embarcar no mundo das narrativas de marca através do curso Inovação em Storytelling na ESPM - SP. Acesse, conheça e se inscreva aqui -  www.espm.br/storytelling



Um sorridente “Acho que sim”, para os simpáticos. Um entusiasmado “Acho que sim, mas espero que não cause estrago que nem ontem, aliás, você chegou a ver o jornal?”, para os falantes. Um cortante “Não”, para os impacientes.

Mesmo que nos últimos tempos a resposta correta dessa pergunta tenha ganhado tanta importância para o futuro cantareiro de São Paulo, ela geralmente não importa muito. Na verdade, a pergunta “Será que vai chover?” e suas irmãs “Que calor, hein?” e “Tá frio lá fora?” têm um objetivo bem mais cotidiano: apenas puxar papo. Os elevadores, os táxis e as salas de espera já foram cenários de inúmeras tentativas meteorológicas de acabar com aquele silêncio terrível que assola os desconhecidos.

Mas porque esse silêncio é tão terrível? Calma, não precisamos entrar em depressão existencial para responder essa pergunta. Na verdade, não precisamos respondê-la (pelo menos não aqui). Aqui, basta entender que esse comportamento curioso que atinge as senhorinhas que encontram seus síndicos nos elevadores de seus prédios também pode afetar a comunicação de maior escala, e, por que não, o Storytelling.

Hoje, muito se fala sobre a comunicação 360 e 365, ou seja, conversar com o cliente por meio das várias plataformas com quais ele tem contato (360), durante os vários momentos do seu cotidiano (365). Isso é difícil. Mas não é impossível. O que é impossível (ou quase) é ser capaz de gerar conteúdos relevantes em tantas conversas, ou seja, ser capaz de contar boas histórias o tempo inteiro.

Às vezes, nessas conversas 360 e 365, podemos mandar um “Será que vai chover?”, apenas na tentativa desesperada de impedir que o silêncio constrangedor impere. E então, a relevância é comprometida, e apenas recebemos uma resposta automática (ou não) daqueles com quem falamos. Mesmo que isso não pareça ser um problema para aquelas senhorinhas do elevador, pode ser um problema para marcas que querem manter um bom relacionamento com o consumidor.

Por isso, é importante entender que a urgência de falar o tempo todo talvez não signifique literalmente falar o tempo todo, mas saber incluir os silêncios assustadores entre as conversas. Da mesma forma, talvez não precisemos contar frenéticas histórias atrás de histórias, mas saber contar as histórias certas, respeitando suas pausas e ausências. “Será que vai chover?” pode ser um gesto de simpatia, mas falar só sobre isso todos os dias é mais chato que conversa de elevador.


Era 7 de janeiro de 2015 quando dois terroristas invadiram a redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo e mataram 12 funcionários – entre eles 4 cartunistas. Em resposta, cartunistas de todo o mundo pegaram em seus lápis e expressaram seu luto, sua indignação, sua revolta. Por que a reação ao humor é a violência, quando deveria ser o riso?


A resposta para essa questão também está no Storytelling. Isso porque, quando falamos em história, não falamos apenas na arte da escrita, mas também de muitas outras ciências – entre elas a psicologia. É dela, mais precisamente de Jung, que se baseiam os doze arquétipos que trabalhamos na construção de personagens e de marcas. Entre os doze, um em especial tem se destacado nos últimos tempos e no atentado ao Charlie Hebdo: o Coringa.

O Coringa é o bobo da corte, o “trickster”, o arquétipo do humor e do bom humor. É o que diverte a todos, trata dos mais pesados assuntos com a maior leveza possível. O arquétipo do Coringa está, da capa à última página, em Charlie Hebdo. Mas porque justamente o Coringa está na mira constante de uma arma?

Desde o bobo da corte, o súdito responsável por entreter o rei, ele vive com a corda no pescoço. Afinal, o arlequim deveria ser ousado o suficiente para trazer o riso, mas comedido o bastante para não ofender sua majestade. Em um mundo onde o politicamente é cada vez mais correto, o Coringa e o humor sofrem as suas consequências.

Duas palavras definem o humor do Coringa: verdade e dor. Não se iluda com as piadas do arquétipo do trickster, elas só fazem rir porque carregam em si uma grande verdade. Em sua primeira edição após o atentado terrorista, Charlie Hebdo saltou de uma tiragem de 60 mil unidades para 5 milhões. Ao mesmo tempo em que o bom humor anda na mira do moralismo, todos queriam ver qual seria a piada do coringa Charlie Hebdo quando a verdade e a dor está dentro de sua própria redação. E essa é outra característica do Coringa, fazer piada de si mesmo.

Sátira da primeira edição do Charlie Hebdo após o atentado, costureiros de Bangladesh aproveitam
a comoção mundial para produzir camisetas com as inscrições "Je suis Charlie".





by MikeAzevedo


Pode parecer muito abstrato falar de limites ou fronteiras da fantasia, porém elas existem e muito mais do que dar coesão a narrativa é neste espaço que o seu leitor ou consumidor deve habitar e desenvolver raízes.

 Longe de tentar impor diretrizes aos autores, estamos falando de consolidar o mundo, em que uma narrativa fantástica transporta pessoas para terem suas próprias experiências.  Vamos evocar algumas definições de autores que dedicaram grande parte dos seus estudos a elas:


Storyworld 



O termo cunhado por David Herman se relaciona com o "Universo da história" ou toda a realidade que o autor construiu em torno da narrativa.  Longe de um simples fornecimento de descrição para o background ou uma ornamentação para a ação principal da história, referências espaciais ajudam a construir domínios narrativos.

Estes domínios se propagam pela história, e se perpetuam na mente dos fãs. É o que faz as pessoas sentirem vontade de sentar no "trono de ferro" em uma exposição ou de beber a cerveja Duff e ter um breve contato com aquele mundo fantástico representado na TV ou Cinema.

Mundo Sintético 


Esta definição é de Castronova, direcionada para o cyberespaço e ambientes simulados por games, porém podemos perceber que a cerne do mundo sintético é a mesma que delimita uma narrativa:

"Um mundo semelhante ao nosso,  capaz de hospedar um enorme grupo formado por seres humanos, para os seres humanos, e que é mantido e gravada por um computador." - Podemos expandir essa definição para a TV, Tablet e por quê não, um livro!

O mais interessante do conceito de um mundo sintético é que ele foca em manter humanos dentro do seu domínio.  E que não apenas se restringe em mantê-los, mas em criar uma gama de características do mundo real que dão forma a funções sociais.  E, tudo isso baseado em uma história fantástica.




Círculo Mágico 


Talvez esse seja o termo mais conhecidos desses três, trazido a nosso conhecimento por Huizinga no livro Homo Ludens.

“o círculo mágico de um jogo é onde o jogo acontece. Jogar um jogo significa entrar em um círculo mágico, ou talvez em criar um quando o jogo começa. O círculo mágico de um jogo pode ter um componente físico, como o tabuleiro(…). Mas muitos jogos não têm limites físicos (…). O jogo simplesmente começa quando um ou mais jogadores decide jogar“. Aí encontramos o limite do círculo mágico, ou seja, desde que os jogadores queiram jogar, um jogo pode durar o tempo que eles quiserem, no espaço que eles desejarem.

Vale ressaltar que para Huizinga o jogo é muito mais do que uma atividade lúdica com intenção de se divertir, mas uma atividade primordial quase que essencial para o ser humano.

Dentro desses parâmetros podemos estar em contato ou criar um círculo mágico quando decidimos nos envolver com uma história, seja pela literatura, cinema ou jogo. É onde o mundo real sai e entra o fantástico.

Os três conceitos trazem coisas em comuns, eles lembram que para os limites da narrativa e da fantasia ganharem notoriedade, eles precisam definir regras e serem apresentadas de forma intuitiva pelo contato com o mundo.  Também convergem na ideia de que as fronteiras entre realidade e mundo de fantasia desaparece em vários momentos, produzindo um tráfego de coisas e sentimentos entre os dois mundos. Mas criar esses domínios da narrativa é algo que a gente não consegue passar em um só post.

Quer uma dica? Que tal aproveitar o mês de Janeiro e descobrir o Storytelling? Se inscrevam no curso INOVAÇÃO EM STORYTELLING NA ESPM-SP -  www.espm.br/storytelling


Ontem foi um dia triste,

e não apenas pelas mortes de pessoas inocentes, o que seria motivo suficiente para isso. Ontem, cada profissional que trabalha com opinião, com a transmissão de informação, foi ferido.

Nós da Storytellers defendemos o direito de todos contarem as histórias que quiserem, sejam elas sobre profetas, marcianos ou mesmo sobre as ironias da vida real.

Nous sommes Charlie. 


INOVAÇÃO EM STORYTELLING NA ESPM-SP
Como ir do Branded Content à Transmídia para inovar na habilidade de contar histórias?

DO QUE ESTAMOS FALANDO?
Contar histórias não é algo novo. Fazemos isso desde os primórdios e ao longo desse período, pela experiência, aprendemos: as boas histórias agradam, entretêm e tornam-se inesquecíveis. 

Quer que um fato seja lembrado? O grande guru do marketing Philip Kotler garante que para isso você precisa repetir esse fato muitas vezes. Mas existe um truque: embale-o numa história. Você terá 20 vezes mais chance de ter sucesso. Palavra do grande psicólogo norte-americano Jerome Bruner.

MUITO BEM, MAS POR QUE FAZER O CURSO?
Ora, porque vai aprender a contar histórias com quem entende disso: a indústria do entretenimento, que vive de criar e contar histórias. A literatura, o cinema, os seriados, os games... o produto de toda essa gente são boas histórias.

Com tanta informação no mundo em que vivemos, quem precisa ser mais atraente e eficaz ao transmitir uma ideia, fazer uma apresentação, vender um produto ou serviço? Eu, você, a startup, a multinacional e seus executivos, as ONGs, as B2Bs... Todos saem do curso sabendo como contar histórias profissionais inclusive para a vida pessoal.

Se ainda precisa de mais motivos, lá vai: esse curso da ESPM foi o primeiro a ser ministrado no Brasil e chamou a atenção do mundo inteiro e já foi apresentado em diversas universidades internacionais como a PUC do Perú e a UBI de Portugal. 

O mais legal é que a cada edição os professores atualizam pelo menos 30% do conteúdo. Isso quer dizer que todo o ano o curso está inteiramente remodelado com os exemplos mais atuais e os métodos mais avançados.


COMO VAI SER?

O curso é dividido em seis dias, sendo que o último é uma OFICINA!

A jornada é mais ou menos assim: Era uma vez uma história, que graças a um storythinker virou um importante ativo de uma marca. Num belo dia, esse universo foi recortado em intrigantes narrativas. Essas narrativas foram dispostas de forma transmídia. E dessa maneiras os consumidores viveram felizes para sempre.

Dia 1. COMO O STORYTELLING PODE MUDAR SUA VIDA
- Você sabe o que prende a atenção das pessoas? 
Dia 2. ENDOTELLING - O STORYTELLING DENTRO DAS EMPRESAS
-  Qual a diferença entre contar uma simples historinha e Storytelling?
Dia 3COMO O STORYTELLING PODE DAR VIDA À SUA MARCA
Qual o arquétipo da sua marca?
Dia 4TRANSMÍDIA: COMO TRANSFORMAR EM ATIVO O UNIVERSO POR TRÁS DA HISTÓRIA 
- como pegar uma história e disseminar em diversas plataformas?
Dia 5COMO PROGREDIR DO STORY AO TELLING
Você sabe a diferença entre história e narrativa? 
Sábado. WORKSHOP: O STORYTELLING NA PRÁTICA
- Chegou a hora de colocar a mão na massa e mostrar o que aprendeu. Vamos transformar páginas em branco em conteúdo que vale ouro ao dar vida a uma história fabulosa.
QUEM SÃO OS PROFESSORES?
FERNANDO PALACIOS
Também é o editor responsável pela Redação Storytellers, primeiro blog sobre o assunto. Em seu projeto autoral narra de forma transmidiática sua busca pelas maravilhas da humanidade, enquanto escreve uma obra de ficção a partir de um aparelho celular. É o ganhador do prêmio Widbook Top Authors, sendo eleito entre os 5 melhores entre 120.000 autores de todo o mundo.
MARTHA TERENZZO
Coordenou projetos de grande porte em empresas como: Cargill, Sadia, Parmalat, Bombril, União, Reckitt & Benckiser, Melhoramentos de Papéis, Seara e Ajinomoto. Estabeleceu processos e metodologias específicas de marketing com visão na gestão de negócios e inovação.
Implementou áreas de inovação, marketing de alta performance nas empresas, arquitetura de marcas, gerenciamento de portfólio, lançando mais de 400 itens de consumo e novos serviços com sucesso.

QUANDO, COMO E ONDE?
AULAS A partir de 26 de janeiro, das 19:30 às 22h30.
WORKSHOP na manhã do sábado.
ESPM-SP, Rua Álvaro Alvim, 123. Vila Mariana. 
Próximo ao metrô Ana Rosa.

Ficou alguma dúvida?
Estamos aqui: contarei@storytellers.com.br


PRÓXIMO PASSO?
Basta fazer sua inscrição aqui: www.espm.br/storytelling

Passados os 365 dias de 2014, quantos deles realmente valeram a pena – de fato dariam uma boa história?

Muitos responderão aniversários, feriados, datas comemorativas, mas não conseguirão fugir do previsível – do rol de histórias que já foram contadas. Quantos foram os dias em que não se daria nada a princípio, as segundas-feiras bravas, os monótonos domingos, mas que surpreenderam e que caberiam num filme, num livro ou numa série?

Isso porque qualquer um comemora aniversários, páscoas e natais. Mas que dia imprevisível torna você e a sua história única em meio a todos que também viveram os 365 dias de 2014?

Trazendo a reflexão para o mundo corporativo, as questões são as mesmas quando pensamos em histórias para empresas. Que histórias tornam a sua marca diferente de todas as concorrentes? E de nada adianta 10, 50, 100 anos de história se não houver um filtro para o que houve de melhor nesse tempo. Assim como não lembraremos de 2014 por cada uma das coisas que aconteceu em seus 365 dias, aquilo que aconteceu em cada um dos 100 anos de uma empresa é desinteressante.


Quando trabalhamos com Storytelling de verdade, um dos passos é transformar históricos em histórias. E para isso usamos o que chamamos de topografia de interesse. Se todo o histórico de uma marca se transformasse em um relevo, qual trecho alcançaria o topo do Everest?

De forma literal, imagine que um dia você conheça o ponto mais alto do monte Everest. Você esqueceria desse momento? São essas as histórias que valem a pena ser contadas, que dão ao Storytelling o S capitular.





Artigo publicado inicialmente no portal Administradores.
Sempre que se tenta restringir algo abstrato a um conjunto de palavras, acaba-se entrando na situação de uma noite fria com um cobertor curto: ou o pé vai ficar descoberto, ou os ombros, ou o conceito vai ter que ser encolhido para caber.
Há diversas definições sobre storytelling, o que, inclusive, é um problema que acaba confundindo o mercado brasileiro. storytelling é um termo em inglês que traz duas informações fundamentais: Story – que é a construção mental feita de memórias e imaginações que cada pessoa tem sobre uma determinada história – e o Telling – que é uma versão da história expressa por um narrador.  Uma só Story pode gerar um grande número de Tellings. O Conde Drácula foi um só, mas muitos autores deram versões diferentes.
Por isso, para algumas pessoas, storytelling pode ser apenas contar uma historinha qualquer. Mas é possível ir muito além.  Vale lembrar que a prática de contar histórias é pré-histórica, o que significa que antes mesmo de poderem ser registradas, as histórias já eram transmitidas oralmente. Inventamos o storytelling para não termos que reinventar a roda a cada geração.
Com o passar do tempo, essa prática de contar histórias foi se tornando cada vez mais complexa e até por isso tão difícil definir. Um humorista que conta uma piada está contando uma história tanto quanto um romancista que escreve uma saga com sete livros. Além disso, algumas pessoas vão levar em conta o aspecto emocional que uma narrativa pode promover, afinal, quem nunca foi ao cinema e saiu com um nó na garganta?
Outros autores vão considerar mais o poder de argumentar sem ter que racionalizar, já que você só conta uma história e deixa que a audiência decida por conta própria o que fazer com essa informação que foi transmitida.
Quem assiste aos seriados modernos como Dexter, Dr. House, Homeland, Game of Thrones, House of Cards, Breaking Bad e tantos outros, sabe que é difícil decidir se o protagonista é “bonzinho ou malvado”, se ele está certo ou errado. Essas decisões os roteiristas e diretores deixam para a audiência responder.

Storytelling como disciplina empregada pelas organizações e seus prestadores de serviço é algo mais recente, surgiu inicialmente nos relatórios de tendência internacionais como Iconoculture, WGSN e Trendwatching em meados de 2005.
Até por isso complica ainda mais sua classificação.

Muitos autores consideram o storytelling como uma ferramenta para marcas e negócios. Há os que focam no storytelling como o registro de relatos de histórias de um determinado público. Existem estudiosos especializados em narrativas como forma de aperfeiçoar a comunicação. Finalmente, muita empresa vai dizer que “fez um storytelling”  porque isso ajuda na hora de divulgar. Soa como algo “in”.  Esse processo começa nas agências, que conseguem aprovar o projeto com o cliente com mais facilidade ao dizer que “isso aqui não é um projeto qualquer, é um projeto de storytelling”.
Esse é o problema de aplicar storytelling como um instrumento ou ferramenta: a empresa irá compreender apenas uma parte de um composto de técnicas. Storytelling vai muito além da utilização do léxico, do uso de um personagem, de expressão através a linguagem de quadrinhos ou de transmitir uma mensagem com começo, meio e fim ou mesmo de fazer um videozinho emotivo. Pensar storytelling como uma ferramenta pontual é como comprar um aparelho celular, mas não contratar uma operadora.

Até por isso prefiro a definição de que storytelling não é apenas contar histórias. O Storytelling - escrito assim, com S capitular - é uma metodologia que implica saber contar uma história fabulosa, de forma fantástica, com um propósito messiânico.  O que quero dizer com isso é que não basta contar de qualquer jeito uma história aleatória que não leve a nada.

Para ser prático, aplico sempre dois critérios, um para a audiência e outro para o executivo. Para a audiência pergunto: se você tivesse pago para ler/ouvir/ver essa história, você recomendaria aos amigos ou pediria o dinheiro de volta? Para o executivo pergunto: essa história traduz o diferencial do seu produto e o valor da sua marca? Se o executivo não responder sim duas vezes e a audiência não recomendar, não considero que seja Storytelling com S capitular.

Com esse critério, podemos dizer que o Storytelling ainda engatinha. São poucos os cases que realmente conseguem passar por esse filtro.


Existe uma variedade enorme de gêneros e sub-gêneros de escrita, seja para cinema, games ou literatura. E dentro deles ainda é possível notar uma infinidade de estilos, cada escritor pode ter o seu com sua personalidade. 

Quem está começando costuma se inspirar em alguém (e claro, isso também serve para os nomes famosos que tiveram suas próprias referências no começo da carreira).   Você já pensou sobre, qual tipo de autor você é? Do tipo Tarantino ou do tipo Anne Rice?

Vamos dar uma mãozinha nesse processo de descoberta.  Curta a nossa fanpage e faça nosso teste para descobrir qual é o seu perfil. Acessem pelo link -  bit.ly/StoryTeste

Aos 12 anos, o garoto já tinha passado pela maioria das mudanças do final da infância. Mas uma delas se recusava a ir embora junto de seus sapatos e roupas que já não serviam mais em seu corpo: ele não queria deixar de acreditar no Papai Noel. 



A história do bom velhinho que todo ano distribui presentes para os bons meninos e meninas pelo mundo era uma mentira para todos os outros garotos, mas não para ele, a quem a história era a alegoria perfeita para aquilo que pregavam os valores do Natal.

Afinal, a história de Santa Claus era uma mentira, como acreditavam os amigos, ou ficção?

O garoto mal sabia, mas a fronteira entre o final da mentira e o começo da ficção continuaria na sua vida por muito tempo e se revelaria uma verdadeira Faixa de Gaza. Como um Storyteller, 2014 fora um ano repleto de discussões sobre o assunto, e sua opinião continuara a mesma desde a infância: ele nunca deixara de acreditar no Papai Noel.

Enquanto alguns acreditam na vilania do Storytelling, após os casos de Do Bem e Diletto, ele continuou a acreditar, desde sua monografia, que esse era um percurso natural na evolução das histórias que constroem marcas. Ao contrário de condenar, ele continuou a crer que deveríamos estudar e entender esse novo fenômeno.

Aonde olhar e o que estudar nesse novo fenômeno para o Storytelling?

A resposta para esta questão, mais uma vez, estaria lá na sua infância, nos dias 25 de muitos dezembros, onde ele nunca deixou de acreditar no bom velhinho. Isso porque a história do Papai Noel se revela um verdadeiro case de Storytelling. O personagem, como conhecemos hoje, foi inventada pela Coca-Cola em 1931 para uma campanha publicitária e, desde então, tornou-se o símbolo do Natal por todo o mundo.

Se a história do Papai Noel é uma mentira deslavada ou uma ficção genial, essa é uma resposta que nem o garoto, nem os colegas da sua infância podem responder. Mas a magia, a ludicidade e o espírito natalino que se expressam ainda depois de anos na figura do Papai Noel, essa sim é a reflexão que devemos pensar a partir desse novo fenômeno.




Hoje não é um dia qualquer, é dia em que na rua todo o mundo se deseja boas festas. Dia 24 de dezembro é a véspera de um dos aniversários mais importantes da História. Falando em aniversário, todo o mundo conhece a cena. Todos ao redor da mesa, que ao centro tem um bolo e alguém acende as velas. As luzes abandonam o ambiente para dar lugar às palmas e ao canto em coro. Ao final o aniversariante apaga o fogo com um sopro. O ritual é idêntico em boa parte do planeta. Mas será que o aniversariante não está sendo enganado?

No dia 30 de maio completei 33 anos. Alguns dizem que é "a idade de Cristo". Acontece que no Vietnã me ensinaram que fui enganado. Não sobre a idade de Cristo, mas sobre os 33 anos. Ao conversar com os moradores da Bahia de Halong, eles garantiram que os ocidentais todos são ludibriados sobre suas idades. Fiquei curioso e perguntei mais a respeito.

A Bahia de Halong é composta por milhares de ilhas e assim que se descobrem grávidas, as mães são abandonadas em uma delas com suprimentos. Assim como cantamos parabéns, para eles isso faz parte de um importante ritual. A mãe e seu filho que ainda não nasceu precisam sobreviver por meses para provar que são fortes e merecedores da experiência da vida. Por isso, a data do aniversário não está ligada ao momento em que o bebê saiu da barriga e, sim, quando foi concebido. Nove meses antes. Se pensar assim, meu aniversário deveria ser 30 de setembro. Passei 33 anos comemorando errado.

A mesma coisa vale para empresas. Quando será que devemos celebrar a fundação da Storytellers? Quando surgiu a ideia? Quando deixou de ser ideia e foi registrada em cartório? Quando surgiu o primeiro cliente? Pois é, a história de origem é sempre complicada.

No caso da Storytellers poderia ter sido na origem do primeiro insight, que aconteceu em 2005 ou na formatação da ideia de forma mais estruturada, que se deu através de uma apresentação de Power Point para amigos e parceiros. Isso foi em meados de 2006 e o arquivo em si se perdeu, então a data não pode ser especificada. Olha aí a importância dos registros históricos.


Ao buscar as primeiras datas, encontramos o registro do domínio do site. Nesse caso, hoje, dia 24 de dezembro, essa alfaiataria de histórias completa oito anos de jornada. Até por isso estou escrevendo esse post hoje.


Mas o fato é que nem sempre alguma coisa nasce no momento em que é registrado. Sobretudo uma empresa.  Os especialistas insistem que "a ideia não vale nada, o que vale é a execução".  Então na prática a empresa só teria vida a partir do momento em que passou a realizar os primeiros projetos. A primeira apresentação da Storytellers para empresas foi feita no dia 21 de março de 2007. Nesse caso, teria agora 7 anos e 3/4 de vida.


A primeira proposta oficial para um cliente foi feito em parceria com a agência Lew Lara no primeiro dia do mês de junho de 2007. Nesse caso, 7 anos e meio de vida.


Esse projeto foi muito elogiado: transformar slides de PPT de uma convenção em um espetáculo teatral, mas não havia tempo hábil para realizar. O primeiro projeto que de fato foi aprovado e realizado foram as Aventuras no Livro de Mini-Schin, em parceria com a agência Id/TBWA. Esse aconteceu no dia 4 de setembro de 2007 e a Storytellers estaria com 7 anos e 1/4 de vida. O resultado desse primeiro projeto pode ser visto aqui.


Também podemos considerar quando a metodologia exclusiva e proprietária foi foi constituída, o que aconteceu junto com o primeiro trabalho acadêmico de Storytelling no Brasil, defendido junto à Universidade de São Paulo, no dia 21 de novembro de 2011. Nesse caso, sete anos e um mês.


Tudo isso para dizer que é difícil escolher quando cantar os parabéns. Aliás, o dia de hoje é uma prova disso. Em nenhum lugar da bíblia está escrito que Jesus nasceu dia 25 de dezembro. Não havia registros na época. Mesmo que tivesse, a data estaria errada, já que o calendário gregoriano foi atualizado de lá para cá. Acredita-se que a data de 25 de dezembro foi escolhida para coincidir com a celebração do solstício de inverno dos romanos, facilitando a assimilação do cristianismo para os antigos pagãos. Ou seja, mais importante do que saber o dia exato para bater palmas é ter o ímpeto de comemorar!

Mesmo que a data não seja essa, não custa nada desejar: Parabéns e Boas Festas!




Quem já escreve, seja para cinema, literatura ou HQ uma hora ou outra se depara com esta pergunta: Como eu escrevo ou qual formato de roteiro que devo usar para um jogo?

by michalivan


Bem, para trazer a luz sobre este assunto busquei referências na IGDA - International Game Developers Association, através da autora Wendy Despain: 

Conformidade não é comum nesta indústria. Eu vi essa percepção colocar escritores de outras disciplinas em ataques de pânico prolongados. Escritores estão acostumados a receberem um conjunto estruturas e a liberdade para preencher essa estrutura e decorá-lo da maneira que quiserem . Com jogos não é assim que funciona . Na verdade, às vezes, é exatamente o oposto. Você recebe uma atribuição onde não se importa com o formato , mas que sua narrativa precisa ter uma princesa , um encanador, e um monte de cogumelos. (Professional techniques for video game writing)


Isso acima quer dizer que cada escritor vai criar o seu formato de acordo com o projeto. E, sim... eles podem ser bem diferentes.  Claro que esse tipo de resposta pode ser frustrante então não vamos ficar por aqui. 

Apesar de não ter um padrão e de "talvez" ser inviável se apegar em algum padrão, devido as inúmeras variáveis relacionadas a um projeto de game, ainda sim é possível considerar algumas formas de escrever um roteiro interativo. 


Sai Word entra Excel


Pois é, estamos falando de planilhas.  Diferente do cinema e da TV, muitas vezes um roteiro de game não é feito para ser lido - sei o quanto paradoxo é dizer isso, mas é verdade.  A história do jogo e seu arco deve ser compreendida no game ou story treatment. 

A planilha serve para inserir no banco de dados ou no sistema de jogo os diálogos de maneira mais eficiente para que se possam identificar com rapidez.  Percebam que alguns gêneros de jogos como MMORPG, podem ter roteiros de diálogos que passam das 10 mil linhas. 

Dentro dessa planilha algumas anotações podem ser inseridas para quem está produzindo o jogo, como os eventos que podem disparar um diálogo: conquista de um item ou nível, por exemplo.




Um fator extremamente importante é que novos formatos de games são inventados a cada momento, e não apenas os formatos, mas os avanços tecnológicos acabam impactando tremendamente na narrativa.

Nem sempre você vai utilizar essa planilha de diálogo para escrever um jogo. E quando pensamos em um Branded Game ou Advergame, muitas vezes seu desenvolvimento acaba sendo mais simples, por isso é interessante ter o feeling para identificar qual ferramenta, técnica ou forma de narrativa vai aplicar a cada projeto. 

Quer desenvolver uma narrativa potente e imersiva para alguma ação da sua empresa? Entre em contato com a gente por este link - www.storytellers.com.br/p/contato_19.html



E se eu te disser que ninguém fala a verdade? Você acreditaria?

Seja do ponto de vista filosófico ou linguístico, a comunicação humana é toda baseada no pensamento abstrato, o que significa que nós falamos das nossas impressões sobre a realidade e não sobre a realidade em si.

Freud já dizia que nossas memórias não são tão fiéis quanto pensamos e que cada vez que recontamos nossas histórias estamos reescrevendo nossas lembranças.

A neurociência prova que muitas das nossas memórias são afetivas, ou seja, estão vinculadas a emoções, ou seja, elas podem corresponder mais a sentimentos do que a fatos.

Então toda vez que você ouvir uma história ou mesmo contar uma lembre-se que tanto o seu cérebro quanto o do seu interlocutor não são confiáveis!

;)

By timbayo


"Eu quero escrever um game, sobre um ditador baseado em uma personalidade real. Como fazer isso de forma subjetiva?

Ora, as ferramentas que precisa são as figuras de linguagem: Metáforas, alegorias e outras que são empregadas nos textos como a farsa, desde a idade média." 



Esse diálogo acima foi inspirado em uma discussão que presenciei (e participei) essa semana em um grupo de desenvolvedores de games no FB.  É um hábito frequente de developers e game designers se pautarem em conhecimentos específicos de games para falar de Storytelling.

Com toda certeza o gameplay ou mecânica é essencial, aliás existem jogos feitos sem histórias - talvez com uma ficção mínima, sugestiva apenas.  - , então vamos desconsiderar estes dois conhecimentos nesse momento, sobrepondo a discussão da sua necessidade e focar na narrativa.

Independente do meio em que uma história aconteça, Storytelling é storytelling. Uma comédia é uma comédia e uma jornada heroica ainda é o monomito.  Pra escrever bem, uma boa narrativa primordialmente depende das ferramentas certas de imersão narrativa.  Os diálogos por exemplo, oriundos da dramaturgia, são essenciais para fazer um personagem se identificar com aquele jogo e com sua saga.  Mas ninguém vai aprender a escrever belos diálogos apenas consumindo jogos e sim, estudando obras de nomes como Quentin Tarantino.

No caso representado no diálogo acima a resposta foram simples figuras de linguagens, ferramentas próprias da nossa língua portuguesa, o que nos leva a perceber que não basta apenas dominar a gramática para escrever bem. Existe muito mais em uma história do que se pode imaginar.  O fato de você estar escrevendo seja para uma HQ, Cinema ou Game não exclui a necessidade de entender as bases do romance, da narrativa épica ou da morfologia dos contos de fadas.  Até porque se tiver uma conversa com grandes autores perceberão que eles te darão aulas sobre isso.

Quer mesmo saber quais são as ferramentas da imersão narrativa ou storytelling? Estude sobre a escrita. Quer mais uma ajuda? Fique atento aos cursos da Storytellers aqui





Não! Nenhuma palavra é por acaso. Isso eu te garanto. Do cinema hollywoodiano ao mais amador dos poemas, eu posso garantir que, experiente ou não, nenhum escritor, seja ele um adolescente apaixonado ou um redator publicitário, coloca palavras em vão no papel.

Aliás, escrever em si já é um ato consciente, não nascemos sabendo idiomas, regras gramaticais e muito menos os significados sutis das palavras, portanto, nem que seja a consciência da “força que nos domina” ao escrever, estamos sempre conscientes de alguma forma.

Há quem diga que o que está no papel é ficção, por isso cunhamos o “baseado em fatos reais” e não o “essa é uma história real”. Se estamos conscientes é porque temos alguma, nem que seja pouca, experiência de vida. E dizem os especialistas, filósofos, sociólogos e até alguns pensadores de boteco que são essas experiências que criam, no fim das contas, as lentes pelas quais enxergamos o mundo.
Hitchcock já dizia que a “história é a vida sem as partes chatas” e para quem assistiu Storytelling, o filme,  a mensagem é clara: não importa quão baseada em fatos reais seja a sua história, ela será, sempre que posta no papel, uma ficção.

Esse é, no fim das contas, o trabalho de muitos de nós, a descoberta das palavras, a brincadeira despretensiosa com a linha de equilíbrio entre a realidade e a ficção. A válvula de escape do que está preso dentro de nós. A nossa profissão é a constante busca pelo poder de transformar uma sala de cinema em uma máquina de viagens intercorporais. Um livro é uma porta para o outro lado da janela, o lado de dentro dos olhos de outra pessoa.

Assusta-me o espanto das pessoas quanto a descoberta da ficção na publicidade. Não consigo entender como é que podemos esperar realidade em anúncios que tem por objetivo maior alterá-la e torna-la palatável. Não estamos falando de mentiras, estamos falando de um ato natural de mostrar o melhor que podemos sobre os nossos produtos e marcas, apenas isso. É como uma conquista qualquer, ninguém sai por ai demonstrando todos os seus defeitos no primeiro encontro.  

Há entre o acordo de suspensão da realidade e uma redação publicitária, muito mais do que a nossa vã filosofia é capaz de imaginar. “Abrir a felicidade” é tão ficção quanto a história do avô que veio da França com sua receita de sorvetes na qual um dos principais ingredientes é a neve. Usar neve para fazer sorvetes não é absurdo o bastante para que entendamos que a história é uma ficção? Ou quando abrimos uma lata de Coca, saem dela raios da cor do arco-íris recheados de felicidade?


Não! Nenhuma palavra é por acaso. Ainda mais quando escritas por mais de 4 mãos e 2 cabeças. Ainda mais quando admitimos que entidades corporativas não humanas, símbolos artificiais com significados cuidadosamente criados através da utilização de ciências que vão desde etimologia e semiótica até a física das cores e química das tintas, todas resumidas como “branding”. Não entendo, enquanto sento na frente do meu computador de onde é que veio a expectativa de que o sorvete de neve era real. Realmente, não entendo. Houve, é claro, um erro na criação da história. Algo que a tenha a feito parecer um pouco mais absurda, ou seja, ficcional, talvez fosse a solução. Talvez se na histórias houvessem monstros e elfos o mercado não estaria tão inconformado. O que nos leva ao ponto mais curioso de toda a discussão entorno da ética do storytelling: vivemos em um tempo no qual para ser verdadeiro, talvez precisemos ser fantásticos. 


Nos últimos dias do ano o Storytelling tem sido alvo de denúncias, debates e, inevitavelmente, bastante senso-comum. Os recentes escândalos envolvendo as histórias que contam os sucos Do Bem e a Diletto acenderam a questão: quais são os limites da ficção na publicidade – mais do que isso – no branding, na construção de marcas?


Durante mais de um ano, quando Diletto ainda não ocupava as páginas policiais dos principais portais, me propus a estudar o tema sem atirar pedras ou moralizar o assunto. O resultado, para quem quiser ler, está aqui.

De uns dias para cá, o novo jargão entre publicitários e entusiastas das marcas tem sido algo como “marcas não devem contar histórias, marcas devem fazer histórias”. O que faz, sim, muito sentido. Mas para se fazer histórias, primeiro, é preciso saber contá-las. Já sabemos contar histórias?

Fato é que, ultimamente, como espectadores ou como consumidores, temos buscado cada vez mais aquilo que nos é, ou ao menos nos parece, mais real e autêntico. Ao mesmo tempo em que queremos que as frutas dos sucos Do Bem sejam mesmo produzidas pelo senhor Francesco, no interior de São Paulo, não toleramos mais usos e abusos no Photoshop nas capas de revistas e lotamos salas de cinema para ver cinebiografias autorizadas de grandes estrelas.

Qual é a realidade que estamos buscando?

Entre os principais cotados para o Oscar do ano que vem, até agora, temos 3 cinebiografias (A Teoria de Tudo, O Jogo da Imitação e Invencível) e o favorito Boyhood, filme que, para contar a passagem da infância para a fase adulta, esperou por 12 anos para que os atores e atrizes envelhecessem naturalmente.


Em “Simulacros e Simulações”, um livro pra lá de cabeludo que usei em meu estudo sobre Storytelling e Ficção na construção da Diletto, o autor Jean Baudrillard defende que a realidade, puramente, já não existe há tempos. O que buscamos são simulacros de realidade – imagens em FullHD que, tão bem imitam a realidade, acabam se confundindo e por vezes sendo mais reais que elas.

Assim como na antiga fábula, onde era bem vista a formiga, que produzia, e condenada a cigarra que só fazia consumir – a realidade nos parece o polo positivo e a ficção o polo negativo. O nobel da literatura, Mário Vargas Llosa, defende que a ficção é mais verdadeira que a realidade, quando pode moldar uma história para contar uma verdade que a realidade jamais seria capaz por si só.

Quando o assunto é publicidade e construção de marcas, me parece, mais do que nunca o consumidor prefere a realidade e nada menos que ela. Uma coisa não muda: seja realidade, seja ficção, histórias não se contam sozinhas. Das telas do cinema aos comerciais de tevê, para uma história ser legítima e autêntica sempre serão precisos Storytellers de verdade.



Esse post foi publicado originalmente pelo portal AdNews.

"Conte a verdade, mas faça com que ela seja fascinante". A frase é do lendário David Ogilvy e poderia resumir o conceito de storytelling, se de fato esse termo já existisse na época. Nesta semana ganhou destaque uma discussão importante sobre o uso da ferramenta pelas marcas para gerar engajamento com os seus consumidores. 

O assunto entrou na pauta do trade após o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) resolver avaliar denúncias envolvendo a comunicação das empresas Diletto (sorvetes) e Do Bem (sucos) e possíveis "mentiras" em suas histórias.

A primeira delas diz que a marca foi criada por um imigrante italiano, Vittorio Scabin, que veio ao Brasil após fugir da segunda guerra mundial. Acontece que tal personagem nunca existiu, como desmitificou uma matéria da revista Exame. No segundo caso, a Do Bem diz que suas laranjas são fresquinhas, cultivadas e colhidas na fazenda de um senhor chamado Francesco. Acontece que grande parte das frutas é fornecida pela Brasil Citrus.

Tais gargalos podem comprometer a credibilidade do Storytelling? O impacto maior será no consumidor, que vai desconfiar cada vez mais das histórias "espetaculares" das marcas? Ou no anunciante, principalmente aqueles que já olham para a ferramenta com alguma desconfiança? O Adnews convocou três especialistas no assunto para debater a questão:

Fernando Palacios, professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction
O consumidor talvez fique mais ligado e até mais calejado com esse tipo de ação. Das próximas vezes talvez até pesquisa no Google mais sobre o assunto. Pelo menos a parcela que se sentiu muito ofendida ao saber da verdade. Muita gente nem ligou e até defendeu dizendo para tomarmos o cuidado de não levarmos a comunicação para um caminho cada vez mais enfadonho, já que entre alguém berrando que agora está mais barato e uma história simpática, o segundo caminho é mais agradável ao próprio consumidor. É só uma questão de como conduzir o processo, de não induzir o consumidor ao erro.

Claro que o assunto vai repercutir nas empresas. Os profissionais que já estão ressabiados com o termo tendem a apontar o dedo e dizer 'viu só?' 
Só que vale lembrar que Storytelling não é apenas uma ferramenta. Estamos falando de um conceito que abrange grande parte das atividades humanas. Vamos ao cinema para assistir a histórias, quando estamos no bar com os amigos contamos histórias, assim como as conversas do café. O tempo todo estamos cercados por narrativas e é impossível fugir disso.

Sábio é o executivo que aprende com os erros dos concorrentes. Ele pode perceber que não é esse tipo de Storytelling que deve ser feito, ou pelo menos não desse jeito. Mas uma coisa é inegável: algo de muito certo essas empresas fizeram, ou não teriam feito tanto sucesso em tão pouco tempo. Nem estaríamos todos debatendo sobre elas.


Nesse caso, a lição é simples e eu já ensinei mais de mil alunos sobre isso: se não aconteceu de fato diga que é uma ficção e ponto. E se aconteceu no mundo real não diga que é verdade, mas que é baseado em fatos reais. Toda história tem muitos lados.



Para finalizar, vale ressaltar que esse tipo de acontecimento sempre é bom para o mercado, pois o ajuda a amadurecer. Se Do Bem e Diletto tivessem buscado uma consultoria de Storytelling, elas não estariam nessa situação. Cada vez vai ficar mais difícil contar histórias corporativas baseadas apenas em intuição. Que venha e profissionalização e que ela traga grandes histórias.

Para ler a matéria completa acesse o post no AdNews.
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by Vandad-Farhady

Uma das formas mais clássicas do romance literário é o que a gente chama de Quest Romance, aquele em que o herói passa por uma jornada em busca de algo que possa mudar ou salvar sua vida.

Segundo o professor Jay Clayton de Vanderbilt, especialista em ficção pós moderna.: "Quest é a estrutura arquetípica da narrativa romance. (a mais famosa quest romance pode ser a busca pelo Santo Graal). "

Os leitores mais astuciosos perceberam que essa estrutura arquetípica é a própria jornada do herói e que essa estrutura vai de encontro com o paradigma de Syd Field - vamos observar mais de perto.





Syd Field quando apresentou seu paradigma ele defendeu que o segundo ato deveria ser até o dobro do primeiro ou do terceiro. Visualmente podemos observar isso na estrutura da jornada heroica de Campbell e percebemos os limites de cada estágio.

Primeiro Ato - A apresentação. Aonde a situação e necessidade dramática do protagonista é demonstrada.

A história começa no Mundo Comum, mundo normal do herói antes da história começar. Na hora de escrever é interessante lançar mão da ideia das 10 páginas de roteiro. As páginas iniciais que deve apresentar os elementos básicos para agarrar a audiência. Apresentar o mundo comum é importante nesse momento, porque é quando você deixa claro o que o seu protagonista está abrindo mão.

O Chamado da Aventura - Um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura.
Reticência do Herói ou Recusa do Chamado - O herói recusa ou demora a aceitar o desafio ou aventura, geralmente porque tem medo.
Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural - O herói encontra um mentor que o faz aceitar o chamado e o informa e treina para sua aventura.
Cruzamento do Primeiro Portal - O herói abandona o mundo comum para entrar no mundo especial ou mágico.


Segundo Ato - A confrontação. Aonde o protagonista vai atrás de sua necessidade dramática e vai passar por provações tentaram impedi-lo de alcança-la. 

O segundo ato já acontece fora do Mundo Comum, exatamente no mundo especial da história, aonde ele encontrará com o fantástico. 

Provações, aliados e inimigos ou A Barriga da Baleia - O herói enfrenta testes, encontra aliados e enfrenta inimigos, de forma que aprende as regras do mundo especial.
Aproximação - O herói tem êxitos durante as provações
Provação difícil ou traumática - A maior crise da aventura, de vida ou morte.
Recompensa - O herói enfrentou a morte, se sobrepõe ao seu medo e agora ganha uma recompensa (o elixir).

Terceiro Ato - O relaxamento. A tensão dramática acaba e a história segue para seu desfecho. 


Um ponto interessante neste ato é que o confronto final não é o fim do texto. Ainda existe um retorno para a casa, a volta para o mundo comum.

O Caminho de Volta - O herói deve voltar para o mundo comum.
Ressurreição do Herói - Outro teste no qual o herói enfrenta a morte, e deve usar tudo que foi aprendido.
Regresso com o Elixir - O herói volta para casa com o "elixir", e o usa para ajudar todos no mundo comum.


Por fim, uma das características do Quest Romance e que funciona muito bem para a literatura é que ele tem caráter episódico, ou seja, o final de uma história sempre vai criar a sensação do início de uma nova jornada.  


Em um determinado momento da história da humanidade um grande ponto de virada ressignificou a forma com que os produtos eram vendidos. Mais ou menos a partir da Revolução Industrial, as marcas deixaram de ser só ícones de origem, da produção, para gerarem valor de consumo.

Daí em diante muitas marcas apareceram, dando opções ao consumidor e um novo desafio para as marcas: se diferenciar.

Só que simplesmente dizer “a minha marca é inovadora”, ou “a minha marca tem tradição” não bastava. Era preciso de algo a mais que endossasse essas qualidades: uma boa história.

Steve Jobs apostou nos primeiros computadores portáteis, inventou o mouse, redefiniu como se pensam os celulares e, acima de tudo, foi polêmico e criou desafetos por pensar sempre à frente. Coco Chanel redefiniu a forma com que as mulheres poderiam se vestir.

Mas e quando a marca não tem uma história para contar?


Recentemente temos visto dois casos polêmicos do uso do storytelling para gerar valor às marcas. Os gelatos Diletto e os sucos Do Bem foram alvo de denúncia por utilizarem histórias “mentirosas” em seu branding.

A Diletto diz ter começado a fabricar sorvetes em 1922 com o avô dos sócios-fundadores. Só que o Sr. Vittorio nunca existiu e muito menos fabricou gelatos. A Do Bem diz que sua matéria-prima vem de pequenos produtores, enquanto tem os mesmos grandes fornecedores das outras marcas de suco.

O dueto entre Storytelling e Branding tem tudo para ser um sucesso no ponto em que os valores da marca contam com o endosso de uma história por trás e, para empresas novas e menores, como as startups, por exemplo, custam muito menos do que uma grande campanha publicitária.

Como podemos criar grandes histórias por trás de marcas sem infringir os limites éticos da ficção? Mais do que nunca, essa é mais uma prova de que Storytelling é muito mais do que contar histórias, é saber contá-las no contexto entre marcas e consumidores, na realidade entre produção e recepção.