Mais ou menos consonante à época em que o ser humano passou a dominar o fogo, não por acaso, ele passou também a dominar e contar histórias. A evolução nas formas de se contar uma boa história foram, gradativamente, só aumentando essa grande fogueira. Entretanto, desde que o Google tabula os registros de busca em sua página, a procura pelo termo “storytelling” fomenta o quanto o tema vem esquentando e gerando interesse por nós, homo fictus da era da internet.
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Enquanto, numa rápida busca que você mesmo pode fazer no Google Trends, o termo registra altos índices de busca no mundo todo, a relevância de sua busca no Brasil só apresentou valores mais significativos em meados de 2008. Na prática, isso resulta, em vez ou outra, um “quase storytelling” em uma campanha de uma grande agência de publicidade aqui, ou em um uso pouco criterioso do termo ali. Enquanto na teoria, posso dizer por experiência própria, ainda temos poucos (ainda que bons) professores conscientes sobre o tema até nas melhores universidades do país.

Os dados expostos aqui não pretendem chegar a um caráter conclusivo, mas servem como um rico panorama de qual altura nos encontramos (ao menos no Google) nessa história, ou nessas histórias. Mais que isso, e em época de premiação em Cannes, tem importância reflexiva principalmente a nós comunicadores. Se por um lado o Brasil só começou a falar em peso sobre storytelling há 5 anos, por outro, fará 2 anos que o Festival de Cannes tem uma categoria especial dedicada a “branded content”.


Na última semana aconteceu o festival de publicidade Cannes Lions, na França. Além do mais importante para os profissionais de agências, ele ajuda a consolidar ou revelar tendências criativas, com novas formas de se comunicar.  Dessa vez os trabalhos que venceram a categoria Cyber (a mais digital do evento) tem total relação com um termo bem conhecido entre os leitores deste blog: O Storytelling.

Além de ser uma forte evidência de que a mensagem realmente sobrepõe o canal, o Grand Prix de Cyber em 2013 também torna visível que a barreira entre propaganda e entretenimento está cada vez menor, em alguns casos (como este) ela nem existe mais.
Estamos falando da Pereira O'Dell, agência do Grupo ABC comandada por Paulo Jorge Pereira, PJ. Que desenvolveu a campanha "A beleza interior", criada para a Intel e para a Toshiba.
A websérie de seis episódios de até 10 minutos, exibidos no YouTube e no Facebook, conta a história de Alex, um sujeito que sofre de uma síndrome na qual seu corpo acorda diariamente de um jeito diferente.

Como o Fernando Palácios costuma dizer, "histórias falam sobre realidades humanas" e esse é sem dúvida um dos pontos de destaque deste projeto, conforme podemos observar o trecho da entrevista do PJ no site da Proxxima: 
“Não criamos Alex para ser uma metáfora do ser humano incompreendido. Foi apenas uma história de alguém que tinha um rosto diferente a cada dia. Mas percebemos que essa característica casava com um sentimento mais profundo: o de amar quando ninguém te entende”
Além de faturar o prêmio máximo da propaganda a série venceu o prestigioso Emmy, o Oscar da TV americana, na categoria "novas abordagens, série ou programa original".  Esse case é um dos melhores exemplos atuais do branded content com storytelling e logo cada vez mais produções desse gênero irão concorrer com outras como Defiance - um dos cases atuais de transmídia storytelling que comentei aqui.

Vejam o vídeo:

Há cerca de 64 anos, em 1949, George Orwell lançava a primeira edição de sua obra de ficção chamada “1984”. Para o antigo Reino Unido dos anos 40, tratar a história repleta de vigilância e ficção científica como, de fato, ficcional é completamente compreensível. Entretanto, anos depois, mais exatamente uma semana atrás com a revelação do monitoramento do governo estado-unidense a registros de ligações dos cidadãos americanos, nada é mais real para 2013 do que “1984”.
São notícias como essa que, com todo o aparente ensejo real do jornalismo, mais uma vez não nos deixa mentir: dentro de toda grande ficção há sempre uma verdade maior ainda. Tecnologias mudam, dogmas são quebrados e consequentemente lá se vai o que antes nos parecia real. Mas há uma característica de toda boa história que permanece e transcende as décadas: a verdade humana.
Assim, a realidade é que existe em nós algo que nem os subordinados de Barack Obama conseguiram desvendar em suas espionagens, e que parece resistir e ciclicamente voltar à tona em fatos como esse. Algo que em 2013, 64 anos depois de 1984, apresenta um aumento de 6888% nas vendas do livro em um só dia, sem dúvida nos cativa atemporalmente. 

Hoje, antes de escrever esse texto, acordei, tomei um banho, comi alguma coisa e escovei meus dentes em seguida. De fato, como você deve estar pensando, isso não interessa a ninguém, quase nem até a mim mesmo. Isso é porque, como todos já sabemos, é condição sine quanon a uma história tratar de fatos extraordinários. 
Não é a primeira vez que você ouve, ou que eu escrevo isso. Simples relatos de fatos corriqueiros a qualquer um de nós não são dignos de uma boa história. Mas quando vamos em busca de alguns exemplos, percebemos que essa “regra” não é tão assim “via de regra” para a construção de uma bela trama. 
Porque, se por um lado acontecimentos fantásticos como uma garota que cai em uma toca de coelho e vai parar em um lugar mágico, ou um cientista milionário que cria uma super armadura que o mantém vivo são histórias muito boas, por outro, as dezenas de exemplos de filmes, livros ou séries que contam não mais que o cotidiano de forma singular, tocam quem as consome ainda mais.
Quer exemplo melhor do que os filmes de Woody Allen que tratam das mesmas questões desde o primeiro em 1965, ou as crônicas de Luis Fernando Veríssimo ou Antonio Prata que sempre retratam o que nos é mais cotidiano?
A questão é que quanto mais trivial um fato é, como é a nossa própria respiração para nós mesmos, maior é o desafio do autor em dar a ela um significado, um viés diferente que faça quem lê ou assiste parar pra pensar a cada inspiração. 

Escrever é a arte de brincar com significados a partir de seus significantes simbólicos. Para Peirce símbolos são representações com alta flutuação de significado, ou seja, com maior espaço para diferentes interpretações. A maior parte dos significados em nossas mentes são fruto de nossa experiência de vida o que quer dizer que quando eu escrevo a palavra "bola" cada um de vocês irá pensar em algo diferente, próximo, mas diferente. Alguns irão pensar em bola de futebol, daquelas clássicas com alguns gominhos pretos e outros brancos, outros irão imaginar bolas de tênis, vôlei, e por ai vai. O importante mesmo é entender que todas as palavras, enquanto formas para um conteúdo específico oferecem uma flutuação de sentido que permite várias interpretações.

A arte é a expressão humana, através de alguma linguagem, com o objetivo puro de observação e reflexão e para atingir esse objetivo é preciso que trabalhemos forma e conteúdo, que pode ser entendido superficialmente, como story e telling. Sendo que o primeiro, Story, é o conteúdo e o segundo, telling é a forma. O que eu quero dizer aqui é que há diversas maneiras de se contar uma história, desde a mais simples narrativa oral, até a mais complexa produção transmídia, a mesma história pode ser contada de diversas maneiras e cada uma dessas maneiras tem suas características específicas quanto ao tópico do parágrafo anterior. 

É simples, a descrição de um personagem em um livro permite mais variações de sua face do que o desenho desse mesmo personagem nos quadrinhos, por exemplo. O que significa que a interpretação desse mesmo personagem será diferente para quem leu o livro e para quem leu os quadrinhos. Podemos verificar esse problema semiótico quando assistimos um filme da Marvel, por exemplo, e saímos da sala do cinema com a impressão de que o personagem apresentado não condizia com o personagem que conhecíamos anteriormente pelos quadrinhos, afinal, além de termos uma interpretação diferente dos quadrinhos do que tinha o roteirista e o diretor do filme, a nossa interpretação do próprios filme é diferente da interpretação de seus criadores. 

Toda essa ciência que apresentei é na verdade um cenário no qual está inserido todo comunicador, desde o artística plástico que lida com a flutuação de sentido de suas obras até o redator publicitário que usa palavras para dar significado e sentido para o consumo de diversos produtos e serviços. Nós estamos, na verdade, no ramo de criar significados, trabalhar o que as marcas representam através das mensagens que elas apresentam. Ao contar uma história, a união de vários símbolos com várias possíveis interpretações, nós  somos os responsáveis por definir os vários níveis de interpretação que iremos permitir ao público. Tal desafio, de controlar a interpretação do atento, apenas é intensificado quando lhes oferecemos uma campanha transmídia em que através de várias plataformas iremos oferecer diferentes experiências sobre a mesma história, é preciso, então pensar cuidadosamente na relação entre a representação imagética e verbal da narrativa em que estamos trabalhando. 


No fim da década de 60, Abraham Maslow criou junto a sua teoria um esquema que é conhecido (e por vezes criticado) como “Pirâmide de Maslow”. Neste, ele estipulou uma divisão das necessidades humanas desde as mais básicas até a auto-realização. Rapidamente situando, na base da pirâmide estariam as necessidades fisiológicas, seguidas pelas necessidades de segurança, de relacionamentos sociais, de auto-estima, até chegar, ao topo, na realização pessoal.

Mas antes que você perca a paciência e “mude de canal”, vou depressa ao ponto: o que isso tem a ver com storytelling?
Semana passada fui ao cinema. Diferente do Gaspar, não assisti Homem de Ferro III e nem vi a curiosa vitrine da Kipling, mas em meio ao filme que assistia, passei por uma incômoda mas clássica situação que quem costuma ir ao cinema, uma hora ou outra, acaba passando: fiquei com vontade de ir ao banheiro no meio do filme.
É na analogia que proponho que entra o storytelling na pirâmide de Maslow. Segundo o psicólogo, que afirma que as necessidades mais básicas devem ser satisfeitas para que as do topo também possam ser, a minha reação natural seria sair no meio da sessão e correr ao banheiro mais próximo. Mas não foi isso que, não só eu - mas acredito que a maioria das pessoas fariam, fiz. Fiquei e vi o filme até os créditos.
Não quero aqui julgar a atualidade da tal pirâmide de Maslow – sempre muito utilizada quando tratamos de Marketing, mas sim propor com essa relação que, talvez, a necessidade de uma boa história possa ser tão importante, ou mais que isso, tão vital quanto as nossas necessidades mais básicas como se alimentar ou ir ao banheiro.
Como disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano e já citamos diversas vezes aqui, ou melhor, como “um passarinho” disse a ele: será que somos feitos de átomos ou de histórias?

Ainda não é possível oferecer ao mercado uma definição 100% confiável de que tipo de campanha é, ou não, storytelling. Na verdade, a tecnologia ainda está em discussão e desenvolvimento, bons trabalhos de storytelling já proporcionaram bons resultados, outros, talvez não tão bons, se tornaram um "tiro no pé" como costumamos dizer popularmente.

Hoje, finalmente tive a oportunidade de ir assistir ao filme o Homem de Ferro III, mas não, esse post não é sobre o filme, falo disso mais pra frente na semana. Enquanto esperava pelo horário do cinema eu e minha namorada fizemos o que todo casal paulistano faz antes de entrar no cinema: andamos pelo shopping olhando para as vitrines. Mas havia uma loja especial em que a minha namorada queria entrar, então lá fomos nós para a loja da Kipling no Pátio Paulista. 

Entramos e vimos o que tínhamos que ver, saímos e continuamos com nosso passeio, curiosamente a loja da Kipling ao lado da escada rolante que leva ao cinema, para a minha sorte no caminho de ida ao filme eu reparei em algo que não havia me chamado a atenção anteriormente. A vitrine, cheia de bolsas penduradas guardava um surpresa, que começava com "Era uma vez..." não resisti, subi a escada rolante de um lado e imediatamente desci do outro. Será que a Kipling estaria usando storytelling para um campanha de varejo, assim, tão low profile que nenhum link da internet havia me avisado disso antes? 

Tirei foto dos dois displays que apresentam uma modesta história, ou pelo menos o início de uma história.



Independente, de ser ou não Storytelling (eu já tenho minhas opiniões formadas, mas vou guardá-las para depois!) eu gostei da campanha, achei o jeito das mochilas servirem de "ilustração" para a história uma boa sacada e fiquei curioso para saber se essa ação é parte de alguma coisa maior e mais complexa, ou se é apenas uma ação isolada. Outra curiosidade que ficou foi a opinião dos leitores sobre essa ação, então é só clicar aqui para participar da discussão, o resultado será divulgado em um post no próximo domingo e a sua opinião será levada em consideração. 


Somos todos heróis de nossas próprias histórias, e como Campbell prova em seu estudo dos mitos clássico, há um momento, no meio do grande conflito, em que todo herói deve encontrar um sábio, ou seja, alguma espécie de mestre que lhe mostre o caminho a ser seguido para que o herói seja capaz de alcançar a transformação.

Eu sequestrei o post de hoje para falar um pouco da minha jornada e desejar feliz aniversário ao nosso mais experiente Storyteller, o homem que tornou possível a maior parte das minhas conquistas no último ano. Eu estava desempregado e um tento perdido, procurando por algum tipo de luz que me mostrasse como eu poderia me reinventar, os modelos antigos de vida que eu havia preparado não cabiam mais e era mais do que hora de iniciar uma nova jornada. Na sala de aula, encontrei três mestres, mas um deles me ofereceu sua mão e seu apoio, um deles abriu caminho para que eu pudesse, apesar dos desafios me transformar no que eu sempre quis ser.

Contar histórias é um oficio que nos ensina muito sobre nós mesmo, nos mostra do que somos capazes e ajuda a olharmos para nossas vidas de maneira mais prática, mas no fim das contas, nada disso seria possível se eu não fosse guiado por alguém, que em algum momento acreditou mais em mim do que eu mesmo. Alguém que me mostrou que o trabalho duro só vale a pena se for nos levar para a felicidade, e não apenas ao dinheiro, alguém que com a sua jornada me inspirou a investir meu tempo, meus estudos e meu trabalho em algo no qual eu realmente acreditava.

Hoje, um ano e pouco depois desse de conhecer esse mestre, amigo e parceiro, eu estou aqui preparando o meu primeiro curso de storytelling, trabalhando em uma campanha na qual eu realmente acredito e construindo um empresa que representa tudo o que eu quero mudar no mundo. Então, hoje, o post é sobre um personagem, um herói capaz de tornar a minha jornada possível.

Parabéns Fernando Palacios, não apenas pelo seu aniversário, mas também por passá-lo fazendo o que gosta, por ter conquistado o direito de viajar, de tornar o seu sonho realidade e com esse exemplo, ser uma inspiração, para pessoas que como eu, pelo simples fato de te conhecerem, saberem que nossos sonhos também são possíveis. Então, parabéns pelo exemplo, pela pessoa que é e obrigado pelo ensinamentos e oportunidades.



Defiance é um seriado de ficção científica produzido originalmente pelo canal SyFy que estreou recentemente causando uma enxurrada de notícias em sites de entretenimento e de comunicação. Isso porque os produtores ousaram em criar um dos primeiros produtos de transmidia nativa dos últimos anos.
Transmídia nativa é aquela aonde a expansão do storytelling, através de múltiplas plataformas de mídias é planejada  previamente. 
 Para a indústria do entretenimento, uma narrativa expandida é o melhor que eles podem conseguir. Falar com seu público por vários anos e de várias formas.  Então é muito natural que iniciativas como esta comecem a aparecer em larga escala... aliás a Comcast, que é a maior companhia de TV a cabo, pretende investir além de Defiance 1 Bilhão de Dólares em 6 seriados de com Transmidia Storytelling nativa.  Só Defiance levou 5 anos de planejamento  e 100 milhões de Dólares apenas na fase de desenvolvimento das estratégias. Isso será um prato cheio para que muitas pessoas comecem a olhar para esses assuntos com maior frequência.

O enredo do seriado se passa em torno de uma guerra que se originou com a chegada de várias raças alienígenas que são conhecidas (todas) pelo nome de Votans.  Mesmo com toda sua tecnologia de Terraformação capaz de transformar a biodiversidade da Terra e alterar completamente a geografia do planeta eles, ao buscarem refúgio, não conseguiram perceber que já existia uma raça habitando por aqui. -outh!


Neste cenário, surge um ex-militar humano, Nolan, que caça as naves destruídas que ainda caem do espaço com sua filha adotiva, a votan Irisa. Até que eles se deparam com uma cidade construída sobre a antiga St. Louis. Ela é um tipo de colônia aonde as raças aliens e humanos podem viver em relativa paz. Os conflitos, previsivelmente fazem com que Nolan se torne o guardião do lugar, atualmente é chamado Defiance.

O ponto alto deste projeto é, como anunciado em vários lugares, ter nascido com um MMO (Massive Multiplayer Online) - um jogo online com servidores que suportam milhares de players ao mesmo tempo. A ideia é, que as decisões massivas dentro do game influenciem no desenvolvimento da série.  E existe uma coisa bem interessante que integra o projeto: Algumas keys que liberam equipamentos especiais para os jogadores são espalhadas por emails, social media e (espero) contidas nos episódios transmitidos pelo SyFy.


Mas então se tudo isso está sendo desenvolvido e com tanto investimento em transmídia storytelling o que pode dar errado? 

Pois é, o que poderia? Mas uma busca rápida no Google vai ajudar a perceber uma coisa que em 5 anos os produtores deixaram de lado. Eu acompanhei desde o início as notícias sobre Defiance e desde sempre o motivo principal por ele ter tanto destaque foi a transmídia e não a história.  O esforço na forma foi extravagante, mas no conteúdo nem tanto. Quando assisti o piloto senti como se estivesse mastigando uma embalagem bonita, porém vazia.
Esse é um caminho perigoso para quem pretende produzir transmidia storytelling.  A história sempre deve ser o principal, se ela for realmente boa, naturalmente transbordará para outros meios. 
Até o sexto episódio muita gente tem reclamado que a trama está lenta, não desenvolve e não é suficientemente interessante para engajar. Eu sou fã de ficção e realmente já vi coisas muito melhores.




E o Game... vai? 

Olha, a indústria de MMOs vem sofrendo com um grande dilema, qual modelo de rentabilização adotar. Free to play ou Pay to Play? Alguns grandes projetos como Star Wars Old Republic sofreram terríveis baixas após o período de teste em que começaram a pagar. Por fim tiveram que alterar suas estratégias e começarem a trabalhar com DLC (pacotes para download) pagos, que ofereciam conteúdo exclusivo e assim ganhar grana no servidor gratuito.

Então quando entro no site para tentar acompanhar Defiance também pelo jogo, não existe nem uma versão de teste. Nada do tipo jogue a primeira fase de introdução ao mundo de Defiance. Está tudo pago, assim como Ebooks e HQs, os produtores da série não estão esperando o engajamento, estão investindo agressivamente na rentabilização.  Não estou dizendo que ninguém vai entrar acompanhar a transmídia por esses meios, mas convenhamos que irá reduzir bruscamente as possibilidades de novas pessoas entrando no seu universo.  Eu mesmo não pagarei por algo que não "senti firmeza" com o seriado.
O fato do game ser TPS ( Third-person shooter ou jogo de tiro em primeira pessoa) não ajuda muito na hora de convergir o roteiro da Série.  Mesmo no piloto, se você é um jogador mais experiente, pode ter a sensação de que a maioria das cenas de conflito são como introdução as fases de um jogo de tiro:  "O cara para na floresta apenas com uma arma e alguns monstros super velozes correndo por trás das árvores... Start!"



Eu até me arrisco em dizer que o problema da lentidão no ritmo da trama é porque a todo momento eles tentam usar a série para apresentar ou explicar algo importante da mecânica do jogo.  Porém a imersão que acontece em um jogo de tiro,  na maioria dos casos não é totalmente baseada na narrativa, o que força a série a deixar de lado alguns pontos que podem ser importantes para aprofundar o storytelling, para aprofundar em outra coisa derivada do game.  O que estou dizendo é que tentaram chegar em um meio termo nos roteiros Game/TV para fazer com que as duas coisas andassem juntas e isso pode ter limitado muito alguns pontos da narrativa.

Já no piloto mesmo uma das sete raças tenta invadir a cidade, que perdeu seu campo de força (e nunca pensou em ter um sistema de segurança em caso de emergência) e então todos os moradores, praticamente todos, se armam para enfrenta-los. Aquilo não foi crível, em um MMO você está se ferrando pros NPCs ao teu lado, não se importa com quem eles sejam, mas em uma série todos eles tem nomes, vidas e isso não explicaria a maestria em acertar todos os tiros.

A verdade é que agora os esforços em torno da série, correm na direção de justificar tudo o que foi feito. Talvez seja possível dar um jeito em tudo, já confirmaram uma segunda temporada na TV e vão querer fazer dinheiro e dizer, isso aconteceu, alcançamos um número nunca alcançado. Se vão chegar lá,  isso é outra história.


Quando nos referimos ao uso do storytelling como “a última esperança” para captar a atenção do consumidor, ainda que nossos exemplos sejam predominantemente mercadológicos, não podemos nos esquecer de que a falta de atenção não é característica do ser humano só enquanto consumidor, mas enquanto indivíduo inserido na pós-modernidade.
Por assim dizer, temos que o storytelling surge como caminho não só para a comunicação publicitária, mas para a comunicação em geral – o que inclui outro grupo de graduados em comunicação: os jornalistas. Para explicar aqui, brevemente, como o storytelling poderá (e deverá) ir parar nas capas dos jornais, proponho um paralelo com a história da propaganda.
Há muitos e muitos anos atrás, num lugar não muito distante, a publicidade se limitava a anúncios que transmitiam as qualidades de um produto. Eternizados pela voz imperativa do “Compre!” e “Experimente!”, os chamados anúncios “hard sell” dominavam a propaganda e a cabeça de seus criadores com uma fórmula pronta.
Entretanto, com o passar do tempo, o inchaço comunicacional, dentre outros motivos, começou a diminuir a eficácia com que estes anúncios funcionavam, obrigando assim os publicitários a repensar a forma com que anunciariam seus produtos. Nascia aí o que é conhecido como “soft sell”.
Para o jornalismo a história não é diferente nos dias de hoje. As múltiplas telas e as redes aumentam gradativamente a dispersão dos espectadores até na hora das principais manchetes do dia. Por um lado uns buscam cada vez mais o sensacionalismo, a “Bomba!” que, se não pode ser chamada de “sell”, não é mais que o imperativo “hard tell”. Por outro, um caminho, que por conveniência aqui podemos chamar de “soft tell”, é o storytelling como forma de comunicar cada dia mais efetivamente a notícia (story) através da narrativa (telling).

O “soft tell” para o jornalismo, ou seja, o storytelling aplicado às páginas de jornais não é de todo novidade. Que diga o “new journalism” nos anos 60. Mas só quando mais fórmulas forem quebradas é que teremos mais narrativas eternizadas e leitores atentos ao noticiário.