Quem acompanha o portal sabe que ministro cursos de storytelling com foco em negócios desde 2010. Nesse tempo, já treinei mais de mil alunos na arte de contar histórias, inclusive em universidades fora do Brasil como a PUC do Peru e a Universidade da Beira Interior em Portugal. Agora é e primeira vez vou fazer um curso 100% voltado à prática. Um workshop ou oficina, se preferir o termo. A necessidade de um curso assim sempre foi expressa pelos alunos, mas estava difícil encontrar um formato funcional.

Foi então que surgiu a Oficina de Escrita Criativa. Lá os cursos sempre são para um número reduzido de alunos, com o máximo de 15 cadeiras. O método é "hands on", com todos sentados ao redor de uma grande bancada com seus papéis a canetas a postos. É um formato bastante prático, que proporciona bastante troca entre o professor e os alunos e também entre os próprios alunos.

O objetivo desse curso é humanizar uma marca, literalmente. A partir de uma metodologia desenvolvida no Brasil pela Storytellers, todas as características e aspectos da marca (do branding) vão pouco a pouco ganhando a forma de um personagem... um personagem tão interessante que pode protagonizar um filme. E não um filme qualquer, mas do tipo que as pessoas pagariam ingresso para assistir. Também poderia protagonizar um livro vendido nas melhores livrarias do país. Também poderia protagonizar um seriado. Poderia, inclusive, ser o herói de todos esses formatos juntos num grande projeto transmídia. 

Isso é fundamental para uma empresa porque as pessoas têm mais facilidade em se conectar com outras pessoas e não com coisas abstratas como marcas. Assim a comunicação de marca - desde um anúncio, até um projeto maior de branded content - consegue quebrar a barreira da sobrecarga de informação e chegar direto ao coração do target, depois de já ter sido assimilada pela mente.

O curso tem duração total de 21 horas, divididas em 7 encontros semanais. Sempre nas noites de terça, das 19h às 22h. Essa edição começa no dia 1 de outubro e termina em 11 de novembro. O investimento é de 3 parcelas de R$ 490 ou à vista com 10% de desconto.

As inscrições podem ser feitas diretamente pelo site: http://www.oficinadeescritacriativa.com.br/cursos.asp?curso=storytelling





"Quando Ally Rice, uma tenista de competições, machucou seriamente seus joelhos e teve que largar o esporte, ela também parou de praticar qualquer exercício. Não foi até o final da universidade que Ally, ao pedido e incentivo de amigos, reencontrou um caminho de volta para os exercícios e encontrou a sua alma"

Com um pouco de esforço e estudo o primeiro parágrafo desse texto pode ser tornar um bom filme, aliás, acho até que esse parágrafo daria uma boa sinopse para começar a trabalhar. Ainda mais interessante quando descobrimos que essa é uma história real e que para acompanhá-la tem muitas outras, como a de Ryan Foley, um ex-executivo de Wall Street que perdeu 60 quilos depois de encontrar a sua alma com as aulas da SoulCycle. 

A acadêmia SOULCYCLE vai além da aulas de spinning que estamos acostumados. Criada por duas mulheres em 2006 a ideia era oferecer um espaço de exercício completo, misturando spinning, musculação e até uma jornada de auto-descobrimento. Tudo isso, dizem eles, inspirados por uma setlist de dar inveja em qualquer DJ de balada. Mas ainda não chegamos no que eles consideram o seu maior diferencial: o storytelling. 

Isso mesmo, usar o storytelling como ferramenta de motivação para o exercício físico. Histórias de superação, vitória e esforço se tornam exemplos a serem seguidos e estimulam cada vez mais pessoas, dizem eles, a participarem de suas aulas e se descobrirem. Em uma plataforma simples, apoiada, é claro, por um trabalho extenso e bem desenvolvido de branding que vai desde a iluminação a luz de velas, até o aroma leve de lima dos vestiários, para combinar com o amarelo lima do logo e muitos outros detalhes. 

O blog da SOULCYCLE, de onde eu tirei aquela "sinopse" do primeiro parágrafo está repleto de histórias que, infelizmente, não atingem todo o seu potencial pois ao invés de narrativas, são simples relatos, mas que mesmo assim reservam o poder de emocionar e inspirar novos praticantes do esporte que tem feito seus clientes se tornarem advogados da marca e continuam pagando um média de 34 dólares por aula. 

O importante aqui é o exercício de compreender as possibilidades do storytelling, encontrar formar inovadores para usar a tecnologia, como por exemplo: storytelling como instrumento de incentivo esportivo. As limitações, como já dizia a minha avó, estão em nossas cabeças, o exercício de encontrar novas formas de utilizar a tecnologia é fundamental e irá sempre resultar em alguma forma de potencialização da sua estratégia de branding. 

A série Breaking Bad chegou ao seu fim ao ritmo de muita euforia por parte de quem acompanhou, e de muita cautela de quem, como eu, vive fugindo dos spoilers porque ainda não chegou ao episódio dezesseis da quinta temporada. Aliás, a começar por aí a série já mostra o que tem de mais especial na sua construção, ao ser pensada e filmada tão só para cinco temporadas.
Assim, continuando o post do Luis Gaspar na semana passada, sobre o que podemos aprender com Breaking Bad, eu ainda acrescentaria uma grande máxima das grandes histórias que volta-e-meia aparece por aqui: boas histórias são criadas nos detalhes. Dentre os diversos detalhes em sites e blogs sobre “curiosidades de Breaking Bad”, alguns aqui merecem destaque e colaboram para que a série tenha, por assim dizer, os "99,1% de pureza".

No quesito “personagens”, a boa construção deles na série é um mérito que tem sua explicação desde a seleção e a preparação de autores. Bryan Cranston, que faz o protagonista Walter White, foi treinado por um professor de química real para viver o seu papel. Além disso e mais impressionante que isso é o fato de que o filho de Walter na série, Walter Junior, é interpretado por um ator que também tem paralisia cerebral, R.J. Mitte. A preparação de Aaron Paul, para viver Jesse Pinkman na série, também foi intensa e regada a muita bebida em bares – tudo, é claro, para trabalhar o vício com total verossimilhança.

Em se tratando de roteiro, a série de Vince Gilligan também é um belo exemplo a ser seguido. O autor, que diz ter pensado na série depois que seu amigo, também roteirista, disse que se eles não conseguissem vender um filme para Hollywood comprariam uma van e fabricariam metanfetamina no deserto, não precisou ser tão drástico na vida real – mas soube adaptar perfeitamente para a ficção. Em seu roteiro não há espaços para improviso. Cada palavra é parte do texto, inclusive cada gíria como os clássicos “Yo!” ou “Bitch” de Jesse na série.
Tudo isso, sem dúvidas, não sai barato. Estima-se que cada episódio da consagrada série custou cerca de três milhões de dólares – muito mais do que Walter White almejava conseguir no início da série quando descobre que tem câncer e resolve deixar um dinheiro para que sua família possa viver.




Em outubro começo uma oficina nova e bem interessante, sobre a prática do storytelling na prática.  Isso quer dizer que a metodologia é composta pela dupla técnica e aplicação.

Não existe nenhum tipo de livro sobre o tema, afinal, é uma novidade essa história de juntar histórias com marcas; ficção com corporação. Se ainda muito se discute sobre a teoria, aqui já vamos partir para a ação.

UM CURSO PARA QUEM...

...É PUBLICITÁRIO e busca técnicas avançadas e inspiração para melhorar seus projetos e cases...

...É EXECUTIVO E EMPREENDEDOR e quer dar vida à sua marca...

...É ESCRITOR E ROTEIRISTA e está à procura de novas formas de financiar seus projetos, sem abrir mão do seu estilo autoral...

...E FINALMENTE PARA QUEM JÁ FOI MEU ALUNO e ficou com gostinho de quero mais ;)

São só 15 vagas, já que é no esquema de Creative Writing da fantástica Oficina de Escrita Criativa: todos sentados ao redor de uma grande mesa, com seus papéis, canetas e notebooks a postos! Uma ode aos artesãos de histórias.

Para saber quando e onde haverá cursos de storytelling, acesse: https://www.storytellers.com.br/p/sobre-nossos-cursos.html


Toda história, seja real ou ficcional tem dois lados, normalmente acompanhamos o ponto de vista de quem nos conta a história, no caso de uma narrativa podemos dizer que é essa a principal função de um protagonista. Nos apresentar o universo e os acontecimentos através do seu próprio ponto de vista, nos emprestar os seus olhos para vermos as coisas do mesmo jeito que ele vê.


A filosofia nos diz que o ponto de vista de uma pessoa é formado por sua experiência no mundo, a semiótica concorda ao explicar que o significado de algo vai além do que ele representa praticamente, significados são abstratos e dependem, também da sua experiência de vida. Por isso, para que uma narrativa seja crível, ou seja, verossímil, precisamos ter personagens bem desenvolvidos o suficiente para que o autor saiba qual é o ponto de vista do seu personagem, como ele irá reagir as situações que lhe impostas e qual será a sua opinião sobre os acontecimentos ao seu redor. 

De acordo com Syd Field há dua maneira de se construir uma narrativa, a primeira é ter uma ideia de acontecimento e a partir dai criar personagens que se encaixem nesse acontecimento e a segundo é criar um personagem e trabalhar nele o suficiente para ele mesmo lhe apresente uma história. Eu não sei dizer qual foi o método escolhido pelos produtores da Showtime, responsável pela série, o que eu posso afirmar é que eles com toda certeza sabem que o personagem é a alma da série. 

Como eu disse logo no começo, toda história tem os dois lados e nós estamos acostumados a conhecer apenas um deles, mas Homeland decidiu mudar essa história e nos apresentar dois pontos de vista partindo de um só personagem. Pois é, a grande crise do nosso protagonista é na verdade a metáfora na qual são baseados os acontecimentos da série. Para quem ainda não assistiu aqui vai uma pequena sinopse da série;

O Sargento Nicholas Brody foi dado como morto em combate enquanto cumpria seu dever na guerra do Iraque, porém, 8 anos depois, durante uma ação anti-terrorista, um grupo de soldados o resgata e ele volta para os Estados Unidos e para a sua família. Nesses 8 anos muita coisa aconteceu e todos estão mudados, mas ninguém mudou tanto quanto Brody, um soldado americano que aprendeu a ver a guerra anti-terrorista com os olhos dos próprios terroristas. 

Envolvido em um emocionante esquema Brody tem que aprender a lidar com suas novas e antigas crenças e é essa crise, entre ajudar a grande nação amaericana a se proteger dos terroristas ou defender a nação Árabe, vítima de preconceito e ataques um tanto desonestos que coloca Brody entre a facção terrorista mais desejada da CIA e a própria agência de inteligência americana. 

Além de apresentar bons persoangens com ótimos pontos de vista e profundo conhecimento de seu passado os roteristas da série fazem questão de não deixar um só acontecimento passar em vão, em ótimas cenas alternadas entre ação e drama pessoal, tudo o que acontece na série tem um significado, deixando o espectador sempre curioso, sempre nervoso e sempre querendo mais ação e mais drama. Um plot que está sempre te revelando novos segredos dos personagens ou criando novas situações que levam todos em direções diferentes é o segredo dessa série que ainda está em sua segunda temporada. Além disso o uso do velho lema proposto por Hemingway deixa a série ainda mais interessante. "Mostre, não conte" dizia o escritor norte americano no intuito de instruir escritores a criarem ações que revelem o que querem revelar ao invés de apenas relatar os acontecimentos.  


Todos que estiveram online nas últimas semanas leram em algum lugar que Breaking Bad entrou para o Guinnes como a série mais bem avaliada da história. Pois é, se você ainda não começou a assistir a famigerada série norte americana sobre um professor de química superqualificado que diante de um câncer terminal decide ganhar dinheiro fabricando metanfetamina e virar traficante de drogas, essa é a sua desculpa para chegar em casa e começar a diversão. 

Em primeiro lugar eu acho importante citarmos que o parâmetro para essa seleção de Breaking Bad pelo Guinnes Book foi o uso de um agregador de criticas virtuais sobre séries e filmes, chamado "Metacritic", onde a série ficou com 99% de aprovação e, por isso, ganhou a oportunidade de ser selecionado para o Guinnes Book que tem previsão de ser publicado em 2014. 

Agora vamos ao que interessa, o que podemos aprender com Breaking Bad? 

A primeira coisa que tem sido citada pelos blogueiros e especialistas no assunto é o uso de uma técnica narrativa conhecida como Chekhov's Gun, que consiste em introduzir elementos aparentemente desimportantes na narrativa que serão resgatados mais tarde e terão o seu valor revelado. Causando no espectador uma sensação de surpresa e certa admiração pela forma como as coisas acontecem. É possível também usar essa técnica para aproximar a narrativa da realidade do expectador, afinal, quem nunca comprou algo aparentemente inútil que depois de algum tempo se revelou importante? 

A segunda coisa que podemos aprender com a série é a importância dos personagens de apoio, aqueles que não contamos 100% da história mas que estão sempre ali do lado do protagonista para ajudá-lo, ou atrapalhá-lo, conforme for necessário para o bem da história. Quanto mais profundos e melhor desenvolvidos forem os seus personagens de apoio mais fácil será para o autor usá-los na narrativa quando o protagonista precisar de uma força extra para se mexer e gerar ação na sua história. 

Por fim, falando em ação, outro aspecto importante da série é o uso de uma regra do roteiro que eu conheci através do Syd Field (ainda não sei se a regra é dele ou se ele apenas a usa). "Tudo na sua história de fazer uma dessas duas coisas: apresentar o personagem ou criar ação". Uma narrativa, principalmente visual como em um filme ou em um roteiro não deve ter "gordura" ou "acontecimentos sem importância", tudo deve servir para apresentar melhor o seu protagonista e/ou os personagens de apoio ou deve fazer a narrativa se mover e evoluir, todo acontecimento deve mudar o destino da história, ou pelo menos alterá-lo temporariamente. 

Nós, da Storytellers, entendemos que em uma história, assim como na publicidade, toda mensagem tem o objetivo de gerar reação no espectador, seja essa reação a compra, o interesse, ou o engajamento, tudo deve fazer com que o consumidor, que costumamos chamar de atento, tenha um experiência com cada uma das ações de nossos personagens. 

O que dizer de Sherlock Holmes sem Watson, Don Quixote sem Sancho Pança ou até Batman sem Robin? Pouca coisa, quando não nada, o que de cara nos leva a concluir que tanto quanto histórias são sobre humanos, humanos precisam de bons companheiros em suas jornadas. E, ainda que histórias sejam sobre humanos, não é sempre sobre homo sapiens que falamos. 
Muitos são os exemplos de aliados “não-humanos”. Objetos em geral, pelúcias, carros, monstros e principalmente cães já fizeram o papel de melhor amigo do homem também na ficção. Este último, por vezes, teve a audácia de inverter os papéis e assumir “o fronte” da história. É o caso de Lessie, Beethoven e do mais recente Marley & Eu.

Para Christopher Vogler, em “A jornada do Escritor”, “Estes aliados próximos do herói podem ser responsáveis por momentos de alívio cômico, além de prestarem assistência. (...) Essas figuras podem cruzar facilmente as fronteiras que separam os Mentores dos Pícaros, às vezes ajudando o herói e atuando como sua consciência, às vezes comicamente se metendo em trapalhadas ou causando encrenca.”

A verdade é que a lendária relação entre o homem e o cão, que aqui e na ficção se encaixa na relação entre o protagonista e seu fiel-escudeiro, é historicamente uma parceria pronta para a construção de qualquer história. Um protagonista sem um aliado, bem como um homem sem seu cão, é como um clássico pirata sem um papagaio. Afinal, continuando o raciocínio do início, o que dizer de Chuck (sim, o protagonista de “O Náufrago”) sem Wilson, a bola?

Inserir marcas em uma narrativa não é um trabalho fácil, muito menos, criar narrativas diretamente para essas marcas, mas quando o resultado é bom, todo o trabalho vale a pena. Existem diversas maneiras de se inserir uma marca em uma história, o conhecido "merchandising" ou "merchan" não se limita apenas ao velho close de câmera no produto no meio de uma cena. Existe, inclusive, um jeito de inserir uma marca sem mostrar a marca, ou o seu logo, nem mesmo o nome é necessário. 


Esse tipo de inserção de marca foi chamado de Inserção Evocativa por Jean-Marc Lehu, autor de Branded Entertainment, um dos mais famosos especialistas no assundo. Para que uma inserção evocativa seja eficiente é preciso que a marca seja conhecida do público. Estamos falando por exemplo do produto representado na imagem ao lado. Eu não preciso dizer o seu nome, ou mostrar o seu logo, eu nem mesmo preciso descrever as suas características para que vocês reconheçam o ícone criado pela maior marca de refrigerentes do mundo. A maior exatamente por isso, afinal, não importa onde você esteja, que idioma eles falem, Coca-Cola será sempre Coca-Cola. 

Marcas bem trabalhadas podem ser apresentadas por todos os tipos de signos definidos pela semiótica: ícone, como a garrafa de coca, índice, como a roupa branquinha do comercial de OMO, e claro, símbolo, como a famosa maçã da Apple. Todos os valores de uma marca e todas as suas ações fazem parte do significado de duas representações signicas. Algumas marcas são tão bem trabalhadas que os seus signos podem ser usados para a ajudar uma narrativa, ao invés de limitá-la. 

Para simplificar vamos falar de uma marca específica, a Playstation, por exemplo, é uma bom exemplo de uma marca com forte significado. Para muitos ela representa inovação, tecnologia, juventude, lazer e diversão. O seu significado de diversão é tão poderoso que ficou impresso em todos os seu elementos, principalmente no design dos seus produtos. Não é necessário, para a maioria das pessoas pelo menos, que haja um logo da marca no console para diferenciá-la do X-Box. Enfim, é chegada a hora do vídeo, que na verdade é um clipe, mas poderia facilmente ser uma propaganda. Prestem atenção nas imagens, se quiserem, inclusive, podem assistir tudo no mudo, o que importa aqui é a história. 

                                

Se há um clichê entre grupos musicais, é o fim da banda. Entre bateristas que brigam com guitarristas, vocalistas que escolhem a carreira solo e grupos que mudam de nome, a bola da vez é o fim daquela que ficou conhecida por veicular tudo isso aos fãs no Brasil, a MTV.
Parte do corte de gastos da Abril, sua detentora em território nacional, a “Music Television” nasceu e deu à luz à popularização dos clipes musicais. Ainda que nos últimos dos seus 20 anos no Brasil a emissora tenha se dividido entre clipes, programas e realities sobre a cultura pop, é difícil pensar em clipes sem pensar em MTV, e mais difícil ainda pensar em MTV e não pensar em clipes.
É quando falamos deles, os videoclipes, que o storytelling entra no ritmo das músicas. Se no post da semana passada concluímos que “desde que bem adaptadas, letras de músicas são bem-vindas nas mais diversas formas”, o clipe é o que há de mais clássico nessas formas.
Desta forma, boas histórias podem potencializar ainda mais esse já bombástico nicho movido por milhões e milhões de visualizações no Youtube, ou simplesmente por obras de arte – como é o caso dos clipes de Spike Jonze e Michel Gondry. Mas mais que isso – e com menos cifras – é a possibilidade que uma boa história dá, conquistando atenção de fãs como os maiores popstars, a bandas de menor expressão a cativar e transmitir suas mensagens de forma relevante, seja no Youtube ou, quem sabe, na MTV.

As letras das músicas de Renato Russo, mais uma vez, vão sair do formato de versos e estrofes para ir aos roteiros. A composição escolhida dessa vez, dentre as várias com potencial narrativo do cantor, já é figurinha repetida quando o assunto é storytelling: Eduardo e Mônica.
A música que, pouco tempo atrás, foi tema de uma comovente campanha homônima para a Vivo, agora quer ser transformada em minissérie por Giuliano Manfrendini, filho de Renato. Além dessa, vale lembrar, recentemente o épico “Faroeste Caboclo” virou tema de longa metragem.
Seja através de um clipe, um filme ou uma minissérie, uma rápida busca pelos maiores hits de Renato e da Legião Urbana expõe uma série de músicas que, sem dúvida, dariam ótimas histórias além das que já são contadas no formato MP3. Só em minha pesquisa pelo CD “Mais do Mesmo”, de cara percebi em músicas como “Ainda é cedo”, “Pais e Filhos” e “Dezesseis” histórias prontas para o formato que vier. Isso, sem levar em conta músicas como “Geração Coca-Cola”, que inspiraria uma ficção e tanto.
Músicas como essas, grandes sucessos que contam histórias, não são exclusividade de Renato Russo e dariam muitas outras postagens. Quem sabe até, por que não, um show só para elas. Fato é que, desde que bem adaptadas, letras de músicas como essas são bem-vindas nas mais diversas formas e já contam com um prestígio inicial que pode ser interessante para quem busca audiência e atenção. 



Uma das coisas mais difíceis de se trabalhar de com publicidade, na minha humilde opinião, é que publicitários adoram conceitos, palavras e "coisas" novas. Sofremos de um tipo de obsessão por coisas que não sabemos definir e por isso, quando não encontramos respostas, as criamos.

Isso tem acontecido muito com o storytelling, uma série de conceitos e definições divergentes dividem o mundo, todas competindo por um espaço um pouco mais importante no mercado. Há quem diga que para ser storytelling precisa ter uma história real, outros que só a ficção serve, há quem defenda que storytelling é um nome bonito para algo velho, outros acreditam na maior inovação possível. Mas hoje, eu não vou falar de storytelling, pelo menos, não só disso. Hoje nós vamos falar de significados.

Entre no google, o oráculo mais respeitado do século, e pergunte, por exemplo, o que é "tie-in", ou melhor, termine de ler esse texto antes de ir pro google. A resposta que você irá receber sobre "tie-in" será linguística em um primeiro momento. A tradução da palavra tie-in irá levá-lo, eventualmente, ao significado de "união" ou "entrelace", o que também pode te levar ao significado de "autores tie-in" que são aqueles autores respondáveis por escrever "fan-finctions" licenciadas, ou seja, novas histórias para um universo já consagrado. Alguns outros publicitários, como eu aprendi na faculdade, dirão que "tie-in" é a inserção de uma marca em um filme, programa de telivisão ou qualquer outro produto cultural. Essa última definição também serve perfeitamente para explicar "product placement" que é "é a inserção de uma marca em um filme, programa de telivisão ou qualquer outro produto cultural." Assim continuamos nossas viagens, dando diversos nomes para as mesmas coisas criando um pesadelo semiótico para todos que tentam se especializar em alguma coisa.

Por fim, "tie-in" também pode significar a ação promocional realizada por uma marca a partir do "endosso" de um produto cultural. Como por exemplo os M&M's de star wars, ou os brinquedinhos do McLanche Feliz. Eu particularmente gosto dessa definição, pois é a única que não contradiz outros termos publicitários, pelo menos até agora, afinal, são tantos nomes e tantas respostas que a publicidade quase subverte as logicas de significados e significantes responsáveis pela comunicação humana. Devo dizer, com certo incômodo, que os significados dos "jargões" estão longe de serem tão bem definidos quanto os significados das marcas que nós criamos, curiosamente, usando esses mesmos jargões.

A cada edição do curso de inovação em Storytelling, na ESPM, chega uma altura em que o tema realidade versus ficção vem à tona. Há edições em que os alunos se exaltam mais, outras menos. Mas o que é indelével a todas elas é a total inconclusão com que o tema se encerra. “What’s real?”, como diria o personagem Morpheus a Neo, em Matrix.

Procurando responder a essa pergunta – ainda que a cada dia que passe eu encontre novas informações e menos respostas – é que venho pesquisando como se resolve a relação entre o real e o ficcional quando o assunto é storytelling para marcas e empresas. Em suma, qual é o limite em que a ficção passa a parecer mentira aos olhos do consumidor?
A princípio, a questão passa por duas grandes óticas, a da narrativa e a do consumo. Quando o assunto é narrativa, parece haver algum consenso de que no papel, as fronteiras de realidade e ficção se extinguem. Mais que isso, “espera-se que os autores não só tomem o mundo real por pano de fundo de sua história, como ainda intervenham constantemente para informar aos leitores os vários aspectos do mundo real que eles talvez desconheçam”, diria Umberto Eco.
Entretanto, quando a ficção toca o consumo, parece não querer ter um final feliz. Com a alegoria da formiga e da cigarra, Everardo Rocha alerta para a carga negativa que permeia o consumo durante a sua existência. “A cigarra canta, gasta, consome, e a formiga labora, poupa, produz.”. Na mesma toada, Jean Baudrillard em seu livro “Sociedade de Consumo”, afirma que a realidade não mais existe, mas tão só um imenso esforço em imitar minuciosamente a realidade, no que ele convém chamar “hiper-realidade”.
Por fim, e retomando o conceito do “P de Plot” do curso, a hipótese que levantei no início da minha ainda inacabada pesquisa é a de que a ficção no storytelling deve, de alguma maneira, estar em consonância com a realidade, com a “trama” da empresa, marca, produto ou serviço oferecido. Seja a comunicação (o “hiper”) lúdica, como a “Máquina da Felicidade” da Coca-Cola, ou verossímil, como a história da Diletto, ela deve respeita a “realidade” do que a marca oferece e de como ela é percebida pelos seus consumidores.

Como professor parte do meu trabalho era entender as tendências e o pensamento das novas gerações, manter-me informado sobre suas referências culturais, artísticas e linguísticas. Esse trabalho de estudo do ser humano, que eu julgo necessário para qualquer professor, é um enorme aprendizado pessoal, além de profissional. 

Nos últimos tempos a discussão sobre o uso das novas tecnologias tanto em sala de aula quanto na publicidade tem sido motivo de reflexão da minha parte. A geração "touch", que já nasceu nativa ao uso de equipamentos como smartphones, tablets e notebooks é capaz de ver o mundo de maneira completamente diferente da minha geração, que apesar de ter inserido a tecnologia em sua vida muito cedo, não tem a tecnologia como um aspecto nativo da sua função social. Somos, com poucas excessões, imigrantes do mundo tecnológico em que vivemos atualmente. 

Tenho pensado muito no que isso significa para o storytelling e para a narrativa, em como essas tecnologias irão afetar a maneira com as quais contamos histórias e até, se essas tecnologias seriam o suficiente para alterar os grandes paradigmas que determinam como deve ser uma boa história. Semana passada eu postei aqui sobre os "convites" para dentro do universo ficcional necessários para o sucesso de uma narrativa e mesmo sem ser capaz de produzir nenhum tipo de certeza sobre o assunto, acredito amplamente no transmídia, não apenas como uma tendência, mas como um aspecto cada vez mais necessário no processo de comunicação atual. Quanto mais pontos de entrada um história tiver, mais fácil será de conquistar olhos e ouvidos para tal história, mas o transmídia é apenas a forma e a alteração da forma não é nenhum tipo de grande descoberta. O surgimento da televisão em meados do século 20 também forçou uma mudança radical na forma de se contar histórias. 

A grande pergunta que tem me tomado a atenção é se a alteração da forma será responsável por uma alteração do conteúdo. Joseph Campbell cunhou a "fórmula" do monomito ao perceber que todos os mitos que estudara, ou a maioria deles, psosuia uma estrutura bastante parecida. Se pararmos para pensar, ainda hoje, seguimos esses passos da jornada do herói na maior parte de nossas narrativas. Mas em uma sociedade onde a atenção se torna cada vez mais escassa o consumidor, para se tornar atento, está cada vez mais exigente, não apenas em termos técnicos e tecnológicos, mas também em termos culturais e de conteúdo. Negando cada vez mais o "mais do mesmo" apresentado pela indústria de entretenimento e pedindo por algo novo, algo que lhes chame a atenção, não apenas em diversas formas, mas também por diversos motivos. Será que as histórias que criamos e contamos serão o suficiente para satisfazer a fome de informação de uma geração que recebe hoje uma quantidade de informação inimaginável há 10 ou 20 anos atrás? Será que a mudança de forma, será mais uma vez a grande catalizadora da necessidade de inovação que se mostra presente? Será que o conteúdo, apesar de sempre diferente, continuará o mesmo para as novas gerações? 

Essas são perguntas para as quais eu não consigo encontrar respostas, nem mesmo do tipo mais superficial, mas que considero de extrema importância para todos que se aventuram em qualquer tipo de mercado da informação, da educação ao entretenimento, entender quais são as histórias contadas por um povo pode ser a chave para conhecer os indivíduos que o formam. 


Recentemente pudemos acompanhar a estréia do filme Oz, Poderoso e mágico (Oz: The Great and Powerful). O novo filme do diretor Sam Raimi que apesar de receber bastantes críticas por valorizar mais as cenas do que a narrativa foi um filme agradável, com boas cenas e um desafio grande de não quebrar os direitos autorais da Warner - não podiam usar referências ao o longa de 1939 mesmo a obra original do livro estar em domínio público.

Mas não cabe a mim fazer críticas ao filme agora, a intenção desse post é revelar os segredos que fazem de Oscar Diggs o poderoso mágico de Oz e como podemos utiliza-los no storytelling.

Nada é impossível quando se acredita... 

Oscar Diggs é um grande personagem. Ele começa sua saga como um ilusionista, bem charlatão e egoísta. Ele sabe que engana as pessoas e tira proveito disso, mas quando se depara com os conflitos do mundo de Oz se encontra em uma encruzilhada: Como salva um mundo realmente mágico? Como vencer bruxas que podem voar, lançar bolas de fogo e transformar coisas simplesmente com o toque de sua varinha mágica.

Então ele percebe que existe uma forte magia na crença, todo o povo o vê como grande mágico e isso o torna realmente capaz de realizar coisas impossíveis, afinal a realidade é o que você percebe e toma para si como sendo real. Seu poder não está na varinha, como as bruxas, mas sim em trazer as pessoas para o seu mundo através de uma boa história e alguns truques de ilusionismo.
Podemos divagar aqui sobre o sentido do ilusionismo. Sua etimologia vem do verbo latino formado pelo prefixo in- e o verbo ludo, "eu brinco" ou a definição que mais gosto "em jogo".
Então Oscar, já após resolver seus conflitos internos e sobre a alcunha de Mágico de Oz consegue dar notoriedade a sua história, seguindo um roteiro com objetivos bem definidos para quebrar a cada etapa a noção de realidade do seu público (os habitantes de Oz).


Já que falamos de roteiro, cabe observar mais uma vez a relação dos poderes de Oz com a mágica. Porque ele só consegue um efeito fabuloso por dominar a técnica da ilusão.  O que implica que se você não controla magia assim como Oz, vai precisar dominar a técnica - mesmo que seja para depois desconstruí-la. Aliás magos ilusionistas são ótimos exemplos para entender isso. Já experimentaram o efeito de chegar em uma roda de amigos, pegar um baralho e fazer um truque? No máximo receberão um "ah legal".

Mas se quiser mesmo tirar suspiros, precisa chegar com uma história e faze-la progredir ao mesmo tempo que seu jogo de ilusão, criando uma tensão para despertar o interesse em saber o que irá acontecer (mesmo que já saibam o resultado final). Algumas horas precisa até desviar a atenção do seu público - ilusionistas tem um nome para isso, misdirection.

Assim vai ganhar olhares surpresos e amigos que desfrutaram de uma experiência única e divertida , quem sabe fará crianças e adultos acreditarem que é possível dar vida a pombos dentro de cartolas... pois como dissemos nada é impossível quando se acredita.  
O que torna o Mágico de Oz tão poderoso assim é mesmo o seu poder de moldar realidades e como puderam perceber, nem precisou voar em vassouras ou energizar suas mãos para lançar raios. 
Quer se tornar tão mágico assim? Então comece acreditando em sua história, depois faça os outros acreditar e ela ganhará vida.


Futebol e histórias tem tudo a ver. A começar pela tensão, tão presente em grandes jogos e tão necessária a grandes histórias. E não é por ser brasileiro, por torcer pelo time de maiores histórias do país ou por somente ser um grande aficionado no tema que digo isso. A ficção, se souber abordar bem o tema, é capaz de conquistar os espectadores tal qual um campeonato conquista as torcidas.
É o que a emissora colombiana Caracol TV vem fazendo. Em sua mais recente produção, “La Selección”, o canal vem exibindo uma espécie de novela que retrata os tempos de ouro da seleção da Colômbia, entre os anos de 1987 e 1994. Com os ídolos Asprilla, Valderrama, Higuita e Rincón como personagens, a série conta os maiores feitos da seleção, como o terceiro lugar na Copa América de 1987 e um histórico 5x0 para cima da Argentina.

Não só, mas também por isso, a série é um exemplo para as produções brasileiras, que recentemente tem crescido impulsionadas por estímulos do governo. Se na Colômbia, país que, segundo a própria sinopse da série “que ama futebol, mas, por muitos anos, se acostumou a participar das competições sem conquistar muitas vitórias” a série lidera o Ibope do país, uma produção semelhante no Brasil, que nada mais é que o país do futebol, teria bastante potencial para “ser campeã”.
É claro que, num país onde todo mundo é um pouco treinador de futebol, o sarrafo para a qualidade da produção ficaria lá em cima. Entretanto, com a inspiração em programas como o eterno “Canal 100” e alcançando um bom nível, quem sabe a também eterna briga “Novela ou Futebol” pelo controle remoto se resolva em um seriado só.




Contar uma história, seja na cabeceira de uma cama, ao redor de uma fogueira, em uma sala de cinema ou em uma tela de computador, é sempre uma experiência de imersão. Toda história deve ter, de alguma forma, um convite ao atento para que ele esqueça do seu universo por alguns minutos e venha conhecer o universo do personagem.

Game of Thrones, na minha humilde opinião, tem feito os melhores trabalhos em relação a esse convite de imersão. Antes do lançamento da última temporada eu acompanhei ações como a imagem da sombra do dragão no New York Times e os caminhões culinários especializados em receitas do Universo de George R. R. Martin, receitas as quais você pode encontrar no livro oficial de Receitas do universo. Enfim, mesmo entre as temporadas da série e as longas esperas pelo lançamento dos próximos livros, o fã de Westeros e seus cativantes personagens não ficam "orfãos" e não precisam de maneira alguma deixar o complexo universo ficcional.


Em sua mais recente ação a equipe de Game of Thrones preparou uma surpresa para o povo Britânico de uma pequena cidade de litoral que acordou com uma cabeça de dragão do tamanho de um ônibus exposta em sua praia. Além de ser uma bela escultura, a cabeça do dragão, sem conter nenhum tipo de placa ou aviso publicitário se tornou uma das mais famosas ações de divulgação da nova tempora da série. A mídia espontânea gerada pela ação correu o mundo e deu uma nova vida as discussões sobre o futuro da narrativa. Mas GoT não é o primeiro a fazer e eu honestamente espero que não seja o último. Outro George, há alguns anos, já criou um universo que conquistou gerações e gerações através de seus contantes convites aos atentos para fazer parte do seu universo. A famosa franquia Star Wars recentemente vendida à Disney junto da Lucasfilm já havia se tornado desenhos animados, livros, revistas em quadrinhos e muito mais. J. K. Rowling demorou um pouco, mas acabou percebendo a importância de se abrir portas para deixar o público entrar no seu universo e finalmente criou o Potter More. 


Na verdade, se pararmos para pensar, todas as grandes histórias de ficção dos últimos anos souberam convidar seu fãs para se aventurarem ao lado de seus personagens favoritos de uma forma ou de outra. A intereção entre os elementos narrativos e os elementos publicitários se torna cada vez mais indispensável para o sucesso das narrativas nesse novo momento tecnológico em que vivemos.

Ver o “making of” de algumas produções, quase como um exercício metalinguístico, ajuda a formar outra impressão da obra em questão. Digo isso porque, recentemente, lidei com duas “situações”, por assim dizer, bastante curiosas acerca do que se passa “por trás das câmeras” e que me aproximaram de alguma forma das obras.
A primeira delas é uma série de curiosidades que saiu no site da revista Super Interessante essa semana. Em “8 coisas que você não sabe sobre as obras infantis”, se destacam histórias incríveis como a de que o casal responsável pela criação do desenho “George, o curioso” teve de fugir da França devido a invasão nazista, em 1940, com o primeiro livro da história na cesta de uma bicicleta, ou então o fato que J.M. Barrie, autor de Peter Pan, ter doado os direitos autorais de sua obra para um hospital londrino, que recebe por isso até hoje.
Os mais entusiastas hitchcockianos já devem estar estragando meu suspense e pensando na mais recente produção sobre o diretor. “Hitchcock” (2012) conta os percalços da produção de uma das maiores obras do diretor, o filme “Psicose” (1960). Como se não bastassem os problemas de saúde e de relacionamento com sua esposa, "Hitch", como gostava de ser chamado, ainda teve de lidar com um baixo orçamento devido a rejeição das produtoras da época ao roteiro de seu filme.

Com apenas 800 mil dólares para produção e mais de 50 milhões das mesmas verdinhas de faturamento, Psicose é um exemplo para as recentes superproduções que se esforçam para mover bilheterias e cobrir os astronômicos gastos de produção. Mas mais do que isso, pelo menos para esse texto em questão, se uma história tem o poder de humanizar uma marca para o consumidor, a experiência de conhecer a “história por trás de uma história”, pode se dizer, tem o mesmo poder para quem produz ou estuda o storytelling.




Na semana passada eu encontrei um artigo no aerogrammestudios.com com uma compilação interessante de dicas para jovens escritores e, por que não, storytellers.

Li as 23 dicas e cheguei a uma conclusão: podemos resumi-las basicamente em três "regras". Aqui vão as minhas "regras" com base no artigo original.

A primeira, e uma das mais repetidas, regras é algo que de inicio pode parecer óbvio, o que não quer dizer que seja fácil. "Escreva" - dizem os autores citados no texto. Isso mesmo, apenas um verbo, no imperativo: escreva.

Escrever, assim como qualquer outra técnica, é uma arte de repetição e prática, todos os grandes autores dizem que a melhor coisa a ser feita é escrever pelo menos 10 minutos todos os dias (dizem 10 minutos mas querem dizer 1 hora). Essa dica me lembrou de uma entrevista do Jô Soares em seu programa na qual ele revela que quando está trabalhando em um livro ele se obriga a escrever ao menos uma página por dia daquele mesmo projeto, independentemente do quão cansado ou "sem inspiração" ele está.

O velho ditado "a prática leva a perfeição" não poderia estar mais correto em nenhuma outra área, escrever é o que irá te tornar escritor e escrever é o que fará a diferença entre um bom, ótimo ou excelente escritor. 

O segundo conselho também não passa de outro verbo em sua forma imperativa: leia.

Escrever é algo íntimo, resultado de uma série de reflexões pessoais. Ler é a melhor maneira de se descobrir do que se gosta ou não, de entender o que faz um texto ter ritmo ou não, de conhecer novos personagens e determinar o que faz deles bons ou não. Os clássicos serão sempre os melhores professores. Obras que sobreviveram ao crivo do tempo, das criticas e das mudanças sociais são, sem sombra de dúvidas, os melhores exemplos que podemos carregar em nosso repertório referencial. Mas não deixe de lado os livros mais recentes, ou até mesmo as revistas, blogues e jornais, toda leitura faz bem. 

A união desses dois conselhos resultam no exercício absoluto para todo escritor iniciante, como eu, pois ao escrever nos familiarizamos com as palavras e suas peculiaridades no ato da construção textual e ao ler nós analisamos os resultados possiveis para o uso de cada uma dessas peculiaridades.

O terceiro conselho geral, também bastante repetido é: esqueça todos os conselhos que te derem. 

Por incrível que pareça quase todos os escritores concordam com essa regra. Não é que você não deve ouvir os mais velhos, ou simplesmente ignorar os dois primeiros conselhos desse texto e não ler, nem escrever mais. Mas [e uma questão de não se prender aos modelos apresentados, entender que o já foi feito é uma possibilidade já realizada e que o que um escritor sempre busca é o que não foi feito. Dizer palavras já ditas causará pouco impacto, a escrita criativa é uma jornada em busca de palavras não ditas, de novos pontos de vista e novas regras de escrita. Charlie Parker, um famoso e talentoso saxofonista costumava dizer que primeiro você aprende o instrumento, depois você pratica, pratica e continua praticando, mas ai você sobe no palco, esquece tudo isso e só sopra. 

Você pode ver o artigo original aqui!

É a partir do que, nos últimos anos, é chamado de storytelling que contar uma boa história ganha as salas de reuniões, escritórios de empresas e escolas de negócios. Se uma boa narrativa é capaz de chamar a atenção, entreter e comover, por que ela também não pode vender? - Pensamos nós, do ramo.
Mais do que nós, é o que pensa também a escola de negócios de Stanford, na Califórnia, em um recente e bastante interessante texto publicado em seu site. Nele, a autora e professora Jennifer Aaker cria uma espécie de “jogo dos sete erros” do storytelling corporativo. Segundo ela, que se baseia bastante na literatura de Daniel Pink, existem sete pontos principais a se considerar quando contamos uma história para um grupo de consumidores ao em vez de um grupo de amigos.

Falando rapidamente sobre cada um, o primeiro deles é a ordem cronológica. O que vem antes e depois na hora de contar não é necessariamente o que de fato aconteceu, mas o que for aumentar ainda mais a tensão e a emoção da história.
A seguir vem o “telling”. Apesar de sua tradução, “contar”, e de sua inquestionável importância no termo propriamente dito, “storytelling”, uma das grandes premissas de uma narrativa é exatamente não contar, mas mostrar.
Prosseguindo temos o que na tradução literal seria “jargão”, mas que funciona melhor se assim entendermos por “termos técnicos”. Desta forma, a começar pela própria palavra “jargão”, é bom evitar aquilo que vai se perder em traduções e não fala com todos os públicos desejados.
Muito ligado a este está o próximo erro. Seja lá qual for o seu negócio ou o negócio do seu cliente, sempre haverá um ser humano como qualquer outro em cada ponta da relação. Histórias são sobre humanos!
Aí vem a autenticidade. Ainda que a autora afirme que as pessoas gostam de ouvir histórias reais, aqui eu ouso em complementar, evitando a pergunta de “O que é real?”, ou seja: mais do que reais e verdadeiras elas devem ser condizentes.
Em seguida, se acabei de evitar perguntar sobre o que é real por, em anos de estudos dos mais diversos filósofos, ninguém ter certeza, o seu protagonista muito menos. Dúvidas fazem parte, e parte muito grande de uma boa história.
Para terminar, antes que isso mais pareça o atendimento do Spoleto ou do Subway, Jennifer diz que devemos prestar atenção no potencial das histórias de todos ao redor da empresa. Em tempos de Big Data, um banco de histórias não parece uma má ideia.
Ainda que para storytelling não haja, e que bom, uma fórmula totalmente enlatada de como fazer sucesso, as orientações e os caminhos sempre tendem a seguir a linha do que, como dito no início, vai atrair, entreter e comover quem consome a história. 

Um homem dormia tranquilamente em sua cama, até que, de repente, uma vaca cai sobre ele e o mata. Muitos comentários foram feitos acerca da bizarra notícia que saiu nessa semana na BBC. Alguns, inevitavelmente, citaram a semelhança com o filme argentino “Um conto chinês” de 2011. Ao menos para mim, entretanto, o caminho foi inverso: somente depois de ler a curiosa notícia é que fiquei sabendo da existência do filme e que fui atrás para assisti-lo.
“Qual é o sentido dessa história?”, perguntaria o mau humorado Roberto enquanto recortaria a notícia para colar em seu caderno. A explicação da notícia é que o falecido vivia em uma região campestre e montanhosa onde, assim, seu teto se nivelava com o solo da montanha. Sem ter ideia disso, a vaca então teria pisado no teto, que cedeu e derrubou o bovino sobre a cama.
Tenha você visto essa notícia e se lembrado do filme ou, como eu, visto o filme só após a notícia, a triste história do chinês Jun no longa, que vai à Argentina para encontrar seu único tio vivo após a morte de sua noiva, nos alerta de forma curiosa para o, na verdade, “não-paradoxo” entre realidade e ficção.
Se um comentário bastante possível sobre a notícia seria “isso é coisa de cinema” ou “isso daria um filme”, ele já existiu 2 anos antes do acontecido. Em um paralelo com a teoria de Jean Baudrillard que, ao discutir a realidade, aponta que o ser humano tende a procurar a maior proximidade possível da realidade em todos os aspectos de sua vida quotidiana e que acaba criando uma, por assim dizer, “aparência de realidade” que ele opta por chamar hiper realismo – pode-se dizer que o acontecido seria uma espécie de hiper realismo reverso.
Assim, caberia chamarmos a notícia de “hiper ficção”, cunhada na clássica frase “a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida” de Oscar Wilde e levada até o extremo da morte com a notícia. Por fim, o que deixa toda essa confusa e difusa história (e postagem) ainda mais curiosa, para quem assistiu, é o fato do filme também se declarar como “baseado em fatos reais”.



Uma das memórias mais antigas que eu tenho é a imagem da minha avó na cozinha e o cheiro do pão saindo do forno. Um pouco mais tarde, lá pelos meus 11 ou 12 anos era a minha tia que morava com a gente e fazia a casa inteira cheirar a comida. Meu pai transformava qualquer lanche de domingo em um evento especial, fazendo seus lanches com o cuidado de quem pinta um quadro. Eu e a minha mãe até hoje temos nossas conversas mais longas e divertidas na cozinha, enquanto ela me ensina uma das receitas que aprendeu com a minha avó ou eu a ensino uma das receitas que aprendi pelo mundo. Adoro cozinhar, sempre gostei do cheiro, do som e, é claro, do sabor de uma comida bem feita. A maior parte dos meus momentos criativos, para ser sincero, não são na frente do computador, mas na frente do fogão, planejo enquanto cozinho e escrevo depois.

Mas o que isso tem a ver com storytelling?

Bom, contar uma história, além de ser uma ótima forma de transmitir conhecimento, também é a principal forma de se transmitir ou reviver uma memória. Há muitos estudos sobre o poder da memória, sobre a sinestesia que faz com que uma lembrança, talvez uma foto, permita que você sinta o cheiro e até o sabor daquele delicioso bolo do seu aniversário de 5 anos. Tudo está ligado e, naturalmente, quando lembramos dessas coisas as transformamos automaticamente em narrativas. Só depois de começar a trabalhar com storytelling que eu percebi, cozinhar não era a única coisa que a gente fazia na cozinha, nunca foi nem a mais importante. Na verdade, minha mãe e minha avó me contavam histórias de suas vidas e das vidas de seus pais e amigos, e no final da história, além de ganhar aquela sensação de conhecer melhor as pessoas que eu amava eu ainda ganhava um pão quentinho, ou um bolo, ou uma macarronada etc...

Aos 20 e poucos anos eu fui morar na Inglaterra, precisava trabalhar para pagar aluguel e tudo mais que gente grande tem que pagar, não tive dúvidas do que queria fazer: fui virar chefe de cozinha. Quando voltei pro Brasil a minha paixão pela cozinha só aumentou, não me tornei um super-chefe profissional nem nada, mas um amante irrecuperável da terapia que é cozinhar. Enfim, o storytelling apareceu na minha vida e todas essas memórias se tornaram pequenas narrativas que eu contava para todo mundo, cheio de orgulho de mim mesmo. Certo dia, a Martha Terenzzo, em uma reunião mencionou um pão que a sua mãe fazia para ela e para suas irmãs quando pequenas, o tal do pão de minuto. Eu me lembrei então que já havia feito esse pão de minuto em algum momento da minha vida e me ofereci para fazê-lo novamente. Semanas se passaram e o dia a dia não me deixava cumprir minha promessa, até um dia que eu finalmente decidi, que mesmo sem tempo, faria o bendito do pão.

Após alguns minutos retirei os pequenos pães do forno e coloquei em pote para manter o calor. Fui com pressa para a reunião, levando os pães, um copo de requeijão e um pote de doce de leite. Na reunião encontrei com a Martha e abri o pote, ela logo pegou um dos pães em sua mão e sentiu o calor interno dele escapando e forma de um fumaça fina, cheirosa e quente. Ao vê-la dar a primeira mordida eu sabia que aquele pão, nada muito complicado, trazia-lhe memórias fortes, lembranças que pela primeira vez em anos deixavam de ser narrativas contadas aos amigos e se tornavam experiências dividas com os amigos. Mas não era o pão que lhe causava toda aquela emoção, não era a massa nem o calor da massa, era a história por de trás de tudo isso. Uma história que ela já dividido conosco, uma história que de tão poderosa e bela, mudou para mim o sabor daquela simples receita.