Não sei se vocês já perceberam, mas de tempos em tempos os temas das séries e filmes se repetem. Grande parte da responsabilidade disso é do marketing, daqueles que estão buscando as tendências e tentando descobrir o que vai fazer, ou não, sucesso no futuro. É por esse mesmo motivo que temos visto muitas adaptações de livros e quadrinhos, ou até mesmo remakes de filmes antigos. Se o público já gostou do livro, é razoável admitir irão gostar do filme também. 
Com isso em mente eu acabei percebendo que o assunto do momento é a relação dos homens com as máquinas. Não é a primeira vez que vemos esse assunto em voga, nem será a última, mas se prestarmos atenção nos últimos lançamentos de séries e filmes veremos que o assunto está com toda a força.

Almost Human, produzida por J. J. Abrams trata de um futuro não tão distante (2048), onde a criminalidade avançou em níveis jamais antes vistos, então, para combater essa onda de crimes a força policial norte americana determinou que cada um de seu policiais humanos seria acompanhado de um policial robótico, inclusive o detetive John Kennex, um homem perseguido por culpa após perder toda a sua equipe em uma batida policial. Dorian, o robô designado como parceiro de Kennex, porém, não é um robô qualquer. No melhor estilo Eu, Robô, Dorian foi construído para ter sentimentos e se aproximar ao máximo de um ser um humano. 


Mas essa não é a única série que trata da relação entre homem e tecnologia que foi lançada nessa temporada. Intelligence trata do assunto de uma forma mais emocional ao contar a história de Gabriel Vaughn um agente especial norte americano que por causa de uma rara mutação genética foi escolhido para ser o primeiro soldado norte americano a ter um chip implantado em seu cérebro, tornando-o capaz de se conectar com toda a rede de informações e controlar máquinas com 'a força de pensamento'. A discussão sobre o desenvolvimento de super-soldados não é nenhuma novidade para o cinema norte americano. Já há algum tempo vemos surgir séries como Chuck e algumas ainda mais antigas como a Mulher Biônica da década de 70. 


No cinema, o primeiro indício de que o assunto pode realmente ganhar força foi o sucesso da série de filmes do Iron Man, baseado nos quadrinhos que marcaram a infância da última geração. Além disso, esse ano temos a estréia da mais nova versão de Robocop sob a direção do brasileiro José Padilha, e a indicação de Pacific Rim ao Oscar, uma adaptação dos mangás orientais que fez bastante sucesso ano passado. Tenho a impressão de que ainda veremos muitos robôs cativarem a atenção do público esse ano. 



Quando falamos de storytelling, um dos pecados capitais é o clichê. Como nesse texto eu não narro uma história,vou "errar" e começar esse texto com esse recurso: "ensinar também é aprender". Depois de mais de mil alunos e uma dúzia de edições do curso Inovação em Storytelling, uma coisa ficou clara diante das reações e das plateias: para onde aponta o mercado.

O intensivo deveria chamar "curso intenso". São 15 horas de pura descarga de informação. Uma avalanche de novidades que busca chacoalhar crenças de mercado e o primeiro grande choque acontece já na segunda aula. Invariavelmente, os alunos cercam os professores na saída e disparam perguntas. O teor é sempre o mesmo, dos elogios como "achei ótimo e diferente de tudo o que li a respeito" e das dúvidas típicas "e aquele anúncio X é storytelling?", sendo que o anúncio em questão costuma contar uma historinha no estilo Don Drapper e seu cowboy. Então só nos resta responder que "sim, é um exemplo de uma boa AÇÃO de storytelling". Até porque  tentar classificar se uma peça de comunicação "é ou não é storytelling" acaba saindo do foco.

Contamos histórias como forma de expressão desde quando morávamos em cavernas iluminadas somente pela luz das fogueiras. Desde então, quem domina o ato de narrar bem as histórias tem se destacado em todas as sociedades.

Não quero dizer que exista uma forma única de se contar histórias, mas com certeza existem formas melhores. Da mesma forma que existe formas melhores de se jogar futebol. Ou não seria possível eleger o melhor jogador do mundo. Ou não existiria o Oscar, a Palma e o Globo de Ouro.

Sim, é possível melhorar a performance das narrativas, ao mesmo modo dos atletas com seus resultados esportivos. Tudo começa com o treino. Quem lê e escreve todos os dias, vai contar histórias melhores. Além disso existem os fundamentos e as técnicas que podem ser aprendidas. Eis parte do curso.

Quando falamos de 'storytelling' nos dias de hoje, estamos quase sempre nos referindo a um processo que pode ser controlado. Não é o simples ato de contar uma história. É se lançar nessa narrativa com um propósito. Quando contextualizamos no ambiente de marcas, é possível listar 15 funções de uma história bem contada. É o que, no curso, chamamos de Plot Toolkit.

O interessante dessa história é que apesar de contarmos histórias há milênios, a maior parte dos estudos de como contar histórias é recente. Quando pensamentos em termos empresariais, podemos dizer que não passam de uma década. A moral da história é simples: o futuro da expressão corporativa está no storytelling. É só uma questão de tempo, treino e aprendizado.

Vou começar dizendo que esse post é resultado do meu último post. Na verdade ele surgiu para corrigir um erro do último post, onde eu afirmo que o Tolkien era um "plotter". Pois é, o homem criou um mundo inteiro, diversos idiomas, vários povos e pensou até na cartografia do universo ficcional sem, na verdade, parar e planejar o que estava fazendo. 
Ao ler algumas de suas cartas para o seu editor Milton Waldman é possível perceber que a maior parte do trabalho criativo de Tolkien tem inspiração em seus estudos linguísticos. Inclusive o próprio Tolkien diz, em alguns momentos, que na verdade não escreveu nada, apenas traduziu o livro vermelho de Westmarch, que na verdade foi inspirado em um livro Galês do século 15 onde encontram-se uma série de histórias e poemas traduzidos por Tolkien posteriormente. 

Em uma de suas cartas para o editor, Tolkien diz ter começado a criar seu universo ficcional quando ainda era criança, como uma brincadeira de criar povos e idiomas em sua cabeça. Ele diz que nunca mais parou de fazê-lo, até que finalmente decidiu colocar tudo isso no papel. Talvez sejam todos esses anos de planejamento mental que tenham deixado a história organizada e com tamanha magnitude. Mas, na biografia de Tolkien podemos encontrar um truque do autor para que sua escrita se tornasse mais próxima de um "plotter". Transformar erros em parte de sua história parecia se tornar cada vez mais um hábito conforme ele avançava sua narrativa. 

Como exemplo dessa técnica podemos citar a passagem em que Gollum, no primeiro livro, aposta o seu precioso anel no resultado de um jogo de charadas, porém ao reler tal passagem que era importante enfatizar a relação de Gollum com o anel e que, na verdade, o personagem jamais apostaria seu bem mais precioso. Por isso Tolkien introduziu no segundo livro uma passagem que explicando que a tal da aposta de Gollum era uma mentira contada por Frodo por causa da influência do anel no Hobbit. 

Para terminar, devo admitir que o Tolkien e toda sua obra ficaram muito mais interessantes quando descobri que tudo foi feito ao modo "pantser" de ser, sem grandes planejamentos, nem arquiteturas. Mas a maior lição que eu aprendi é que mesmo que não exista um plano, com muita técnica e muita reescrita qualquer coisa é possível. 

Dona Ana, minha avó, é uma das poucas pessoas que, em pleno Século XXI ainda usa máquinas fotográficas analógicas, aquelas com filme. 

Muitas pessoas da geração atual provavelmente nem chegaram a conhecer esta tecnologia. Mas o fato é que: o caminho do progresso tende a tornar obsoletas as tecnologias anteriores por maior que seja a carga emocional que elas carreguem consigo. Assim foi com a transição do Vinil para o CD, da fita VHS para o DVD e parece que a Paramout Pictures, empresa responsável por filmes como o recente “Lobo de Wall Street” e clássicos como o "Resgate do Soldado Ryan” e “Titanic", sem falar em outros como os "Vingadores" está prestes a aposentar a tecnologia.

A empresa anunciou recentemente que irá distribuir filmes apenas em formato digital aos cinemas, aposentando o bom e velho filme em 35mm ainda presente em muitos cinemas do Brasil.

A iniciativa deve ser seguida por várias empresas no futuro que devem abandonar o formato antigo dando lugar a praticidade e qualidade do novo. Então, esqueça aquele velho barulho do projetor do cinema, ou mesmo os cortes improvisados de filme e a textura que este formato trazia em tela, pois a revolução digital está diante de nós!

A última grande reinvenção da indústria pornô mundial conta, especialmente, com boas histórias.

Em um filme pornô, um cara qualquer encontra uma garota qualquer, em uma situação qualquer, e eles começam a transar loucamente. Roteiro? Falas? Trama? Nada disso precisa ser bem elaborado, contanto que as cenas de sexo sejam excitantes (e muitas vezes explícitas) o bastante. Essa é a concepção de boa parte da indústria pornô mundial, mas ultimamente as coisas estão mudando. O mundo quer histórias, e a pornografia não escapa dessa demanda.

Depois da segunda onda feminista, Candida Royalle, uma das mais respeitadas atrizes pornô da “época de ouro” da indústria, decidiu em 1984 encarar as câmeras pelo outro lado e fundou a Femme Productions, que procurou satisfazer um crescente público de senhoritas e senhoras emancipadas pelo movimento.

A Femme Productions inauguraria, no fim dos anos 1980, os alicerces da “erótica feminina”. A base desta, nas palavras de Candida, “eram histórias realistas encenadas por homens e mulheres com os quais o público pudesse se identificar”.

Logo, a Femme Productions emplacou com um hit. Mas um hit prematuro. Foi apenas nos anos 2000 que a revolução da indústria seguiria seus passos de fato.

A partir de 2004, produções com aprumo estético, histórias envolventes e sexo magnificamente bem filmado, começam a fazer sucesso e nomeiam um gênero próprio: o art-core.



“O gênero é uma parte crescente de um mercado independente e alternativo dentro dessa indústria. Aos poucos serão derrubadas as grandes companhias que insistirem em retratar o sexo como um ato despido de paixão, estéril, plástico e impossível de criar identificação” disse Erika Lust, uma das mais renomadas diretoras do art-core dos últimos tempos, em entrevista para a Playboy no começo do ano passado.

Pensando em tudo isso, surge outro aspecto do sucesso do gênero: pautar um pornô a partir da visão feminina torna o art-core perfeito para assistir a dois. Muitas mulheres que antes ficavam ressabiadas com filmes pornográficos hoje se assumem como fãs do estilo. Dúvida? Então pense no sucesso de 50 Tons de Cinza, e veja se não existem semelhanças com tudo colocado aqui. Aliás, o próprio 50 Tons de Cinza foi muito taxado de literatura pornô para mulheres!




Não é que o entregador de pizza e a moça sem troco vão deixar de existir, ou que o professor malandro e a aluna que vai repetir de ano se tornem coisa do passado. Isso não vai acontecer especialmente porque a indústria pornô é tão grande que há espaço para todo o tipo de produções. Entretanto, a tendência diz que haverá uma história maior por trás desses personagens de agora em diante.



Agora, se algo tão primitivo, animalesco e humano como a pornografia está com uma demanda crescente por boas histórias, por que com a sua marca seria diferente?


Ao longo dos anos a tecnologia vem providenciando experiências fantásticas no cinema e no mundo dos games, mesmo assim e exatamente por conta disso é possível questionar qual será o futuro do Storytelling interativo, principalmente este presente nos jogos como os da série Transformers, que ilustra este post. O jogo mantém inclusive o mesmo título dos filmes em uma tentativa aproveitar mais o sucesso da sua história.

Enquanto não desenvolvemos talentos de clarividência para descobrir isso, podemos fazer uma investigação que ajudará a termos uma ideia de qual caminho seguir. O que acham? Topam? Ok, vamos lá!

Para começar bem, vamos tentar definir o que seria o Storytelling Interativo.  Vocês já leram neste blog (aqui e aqui) que o Story e o Telling são coisas diferentes que se integram para contar bem uma história. E para entender o telling, precisamos conhecer bem o meio em que a narrativa vai acontecer.
Pois bem, quando falamos de interatividade dos jogos, sejam eles de tabuleiro, pen and paper, eletrônico e mesmo os jogos online estamos falando das mecânicas ou as regras de como o jogo acontece e como os jogadores interagem com ela.  Existem jogos sem histórias, mas não existem jogos sem mecânicas. Isso faz com que ela se torne uma característica realmente indispensável quando estivermos desenhando uma narrativa interativa.  
Daniel Erickson Creative Director da Warner Bross Games fala sobre essa característica que torna os games algo único: "Jogos são uma nova mídia com uma nova forma de arte e sua própria linguagem, ela não tem, realmente, o mesmo impacto que cinema ou livros."

Escrever para jogos ainda inclui variáveis como a Player Agency que basicamente é a capacidade que você concede ao jogador de moldar o mundo e ou o roteiro do seu jogo, através das decisões que ele toma ou não.


E as cutscenes ou cinematics? 

Então, nem sempre elas são storytelling interativo. Na verdade elas são intervenções cinematográficas com uma função específica que é transmitir informações importante e engajar o jogador novamente com a imersão narrativa do jogo.  Outra das funções das Cutscenes é unificar ou reforçar o ponto de vista adotado pela narrativa do jogo.  E elas devem ser usadas moderadamente e estratégicamente para marcar os estados do jogo ou, como Ahmad Saad diz “pode ser a história bugando o gameplay”.


E quais os desafios que o Storytelling Interativo pode enfrentar? 

Não só pode como já está enfrentando. Atualmente os jogos têm ganhado força e muito dinheiro com produções fantásticas, mas geralmente demoram anos para serem produzidas. Uma das dificuldades é no formato do roteiro: cada equipe desenvolve sua própria metodologia e script. Principalmente em jogos modulares, só os diálogos podem passar de 10 mil páginas facilmente (o que acontece frequentemente em jogos de MMO).

Além disso parece que é um consenso que os jogos ainda não encontraram uma forma ideal de contar uma história que alcance o nível de drama que o cinema faz.  Alguns nomes da indústria de games (inclusive) acabam sendo bem drásticos como John Feil que afirma de forma chocante “Você deve ter notado isso antes : a história não pertence aos jogos.”

Mas calma, isso não significa que não iremos desenvolver histórias para os jogos. Pelo contrário, é um dos indícios de que os games ainda precisam se encontrar para ampliar o seu poder de comercialização. Um gênero que vem sofrendo com isso são os MMORPGs, alguns títulos como Star Wars The Old Republic que tem como base toda mitologia e história de sucesso da saga Star Wars ainda não conseguiu emplacar.  Enquanto o maior título de todos o World of Warcraft vai expandir o seu universo para o Cinema (entenda aqui). 


Estão percebendo? Parece que essa convergência do cinema com os games está se tornando cada vez mais evidente. É exatamente esse o ponto que estou querendo chegar. Podemos sentir que a indústria do entretenimento está começando a produzir histórias que sejam tantos para os jogos, quando para os filmes. 

Lembram de Defiance? (vejam o case aqui) Apesar dele não ter emplacado como projeto transmídia é apenas a primeira tentativa da produtora que já prometeu outros no mesmo molde: jogo e seriado, ou jogo e filme em uma narrativa transmídia. Fundindo a realidade e a ficção e imergindo a audiência cada vez mais dentro do seu storyworld. Não podemos prever mesmo se esse será o futuro, mas sim, é um caminho que já está sendo percorrido. 

Clique aqui para acessar o site interativo

Quem lê, pesquisa ou estuda storytelling provavelmente viu, em um post ou em outro nessa semana, a “Tabela Periódica do Storytelling”. Um site todo interativo com a cara de uma tabela de elementos químicos que Walter White entenderia de cabo a rabo, mas, por sua vez, repleta de técnicas de escrita que Vince Gilligan deve conhecer muito bem.
Com dicas de técnicas que vão de estrutura, trama, personagens, arquétipos até a produção em si, o mais interessante dessa tabela é que, pasmem, ela não fala de storytelling em si, mas só de “telling”.
Como já postamos algumas vezesaqui, podemos dividir “story” e “telling” em dois campos diferentes, onde um é tudo que compõe o universo, uma vastidão de informações sobre tudo que envolve a história, e o outro é a forma com que a história é contada em si.
Esquemas como esse, que já existia há dois anos, mas que ganhou destaque nessa semana, são ótimos tanto para ensinar truques bacanas, quanto, principalmente, para lembrarmos de quão vasta é essa ciência/arte de contar histórias.

Há 85 anos atrás, “Popeye” aparecia pela primeira vez em uma tirinha. Não muito tempo depois, a tirinha – que originalmente tinha como protagonista Olívia Palito – passou a ser encabeçada pelo marinheiro Popeye. A história era simples, junto de Castor Palito, irmão de Olívia, Popeye saía em busca de algo que lhe daria uma força inigualável: as penas de uma galinha.
Se você está me perguntando “Cadê a espinafre que minha mãe me convencia a comer contando a história do Popeye?”, saiba que ela só foi aparecer como o grande artefato do herói-marinheiro mais de 3 anos depois, após acordo com uma fábrica de espinafre estado-unidense.
Usando uma narrativa para vender um produto, a espinafre, mal sabia ele, mas além de marinheiro, Popeye era também um storyteller. Isso tudo nos anos 1930. Se você está me perguntando, agora “Mas por que, então, se fala tanto de storytelling ligado a inovação nos dias de hoje?”, saiba que storytelling não é algo totalmente novo. Mas algumas de suas aplicações, estudos e técnicas, são.


Por fim, se storytelling não é, de fato, algo novo, e até o Popeye que já é vovô fazia em 1932, esse curso pode ser uma boa se você ainda não sabe muito bem do que se trata: http://espm.br/storytelling.


Mal o ano virou e as telinhas ligadas na Globo já anunciam: lá vem mais um BBB. Muitas intrigas, paixões e reviravoltas são garantidas pelas palavras de Pedro Bial, mais uma vez. Líderes, anjos, paredões - dentro da casa do Big Brother, nada de novo. Quem ganhará 1 milhão e meio de reais ao fim da história?
A grande novidade para a décima quarta edição do programa vem de muito longe da casa e da própria Rede Globo. Ao mesmo tempo em que hoje, depois da novela das nove, estreia o BBB; com quase os mesmos Bês estréia a série Breaking Bad na Record. 

Nada de mais uma edição de "A Fazenda", nem de mais do mesmo. A aposta da emissora concorrente para colocar o BBB 14 no paredão é a história de Walter White e Cia, tão postada por aqui e aclamada a melhor série dos últimos tempos pelo Guinness Book.
A série que fez tanto sucesso lá fora em rede nacional, e também aqui, através de streamings, torrents e Netflix, enfim chega a TV brasileira com a promessa de não haver corte algum em suas cenas. 
No fim das contas (e sem spoilers demais), as morais das histórias de BBB e BB até se assemelham em algum momento: as custas e as penas para ser um milionário.
E você, em que programa dará a sua espiadinha?


Douglas Adams 
Eu não lembro exatamente quando eu comecei a escrever, o que eu lembro de verdade são das folhas de caderno da escola que intercalavam contos pela metade, frases de efeito e poesias de adolescente com as matérias que eu copiava da lousa dos professores. Me lembro de como era (ainda é, na verdade) bom ficar  acordado de madrugada com a janela aberta como se a inspiração entrasse junto do vento fresco. Escrever era um exercício terapêutico entre eu e a inspiração e quando ela não vinha as folhas em branco eram preenchidas de extensas reclamações sobre como escrever era difícil. 


J. R. R. Tolkien
Dizem por ai que há dois 'tipos' de escritores (incluo redatores, jornalistas, roteiristas...): os Pantsers e os Plotters. Eu, em minha adolescência era um pantser, ou seja, aquele cara que senta na frente do computador, ou do caderno e começa a escrever, tudo vai para a folha do jeitinho que sai da cabeça. Você segue o seu texto até chegar em algum lugar e decidir que aquele era o final. Sem planejamento prévio, ou póstumo, um pantser escreve quase que pela "intuição". 

Hoje, cada vez mais me torno um plotter, ou seja, o tipo de cara que desenha a 'planta' da narrativa antes mesmo de ir colocar qualquer palavra no papel. Jornada do personagem, calendário da narrativa (com datas comemorativas selecionadas), às vezes até árvore genealógica, além é claro de mapas astrais simples e um breve histórico pessoal e profissional de cada um dos personagens. O plotter é o cara que escreve em desenhos, rabiscos, guardanapos, é o cara que demora uma semana por frase, um tipo meio obcecado de escritor. 

Antes que me julguem, não há nada de errado com nenhum dos dois, na verdade, cada um tem a sua vantagem e a sua desvantagem. O pantser por exemplo, pode ser mais autêntico, ter mais facilidade de encontrar um estilo, mas ao mesmo tempo corre sérios riscos de se perder na própria história e nunca encontrar o caminho para o fim. O plotter, em contrapartida, é o chato, o perfeccionista que pode demorar anos para começar a escrever uma história e décadas para terminá-la, mas ao mesmo tempo o plotter tem a vantagem de sempre saber pra onde a história está indo, mesmo que desvie no meio do caminho, ele já sabe por onde voltar. 

Você quer ver a diferença de dois trabalhos geniais, um de um dos maiores plotters conhecidos e o outro de um pantser que escreveu uma trilogia de 5 livros? Leia Senhor dos anéis e o Guia dos Mochileiros das Galáxias e compare o trabalho de Tolkien, tão plotter que criou idiomas e mapas para o seu mundo fictício, com o trabalho de Douglas Adams, tão pantser que precisou escrever mais dois livros para chegar no final do que deveria ser uma trilogia. Ambos são excelentes trabalhos, mas a diferença entre um e outro é fácil de ver, ou melhor ler. 



Agora que as férias acabaram e a realidade corporativa voltou, questões antigas ressurgem. Só que o espírito das férias ainda persiste e insiste que faça algo de diferente. Eis que surge um pensamento sobre aquela apresentação que você precisa começar a fazer agora. Como seria possível deixar menos chato? O espírito das férias tem esse poder de buscar a leveza...

Aí você vai, procura no Google "como fazer apresentações mais legais" ou quem sabe "exemplos de relatórios menos entediantes" ou ainda "capacitações divertidas" e acaba achando esse site.

A resposta imediata é que, sim, existe um outro mundo, muito mais recompensante e que inclusive já vem sendo explorado por muitas empresas. Normalmente diria que é através do "storytelling", mas isso pode gerar alguma confusão. Talvez o melhor termo seja algo na linha de "storied content". Para que a conversa não entre no campo da terminologia, o importante é entender que sua missão não se trata de contar uma historinha qualquer.

O que você quer, o que a audiência quer, o que o consumidor quer, enfim, o que todo o mundo quer, na verdade, é uma Senhora História, dessas que precisamos escrever com letra maiúscula. Pense nas histórias que você ouve comentarem nos corredores, no café, na mesa do jantar... é sério, puxe da memória antes de ir para o próximo parágrafo.

Relembrou? Pois é, alguma dessas histórias são pautadas por acontecimentos bobos ou triviais? Aposto meu décimo terceiro que não. Ninguém vai perder tempo contando uma história bobinha. Mesmo dentro do mundo corporativo, somos humanos e adoramos as BOAS histórias.

Aí que entramos na parte legal da conversa. Por mais comercial que uma história possa parecer, ela sempre vai trazer ensinamentos. Isso faz parte da natureza do que consideramos "interessante".

Para provar essa afirmação, formulei como algumas das melhores histórias de 2013 poderiam servir como base para grandes cursos corporativos.

Dizem que toda vida daria um livro... não sei. Mas garanto que todo bom livro, filme ou seriado daria um ótimo curso.

OBS: Para quem nunca leu ou viu os seriados citados, é melhor não clicar nos links... eles podem conter informações que estraguem as surpresas.

BRANDING COM BREAKING BAD -
O seriado mais bem avaliado pelo público também é uma graduação para quem quer aprender sobre como construir uma marca. Ele prova que as pessoas irão pagar mais por uma marca forte. Já até fizeram dicas de branding a partir disso:
http://www.dearmondcreative.com/5-things-breaking-bad-can-teach-us-about-branding/
http://www.brainsonfire.com/blog/2013/09/30/breaking-brand-5-brand-lessons-amcs-breaking-bad/

ADMINISTRAÇÃO COM HOUSE OF CARDS -

"A série House of Cards, exibida no canal online Netflix, tem mais lições sobre a luta pelo sucesso que muito livro de administração" é o que diz a Revista VOCÊ S/A.


ESTRATÉGIA DE NEGÓCIOS COM GAME OF THRONES -
Esse aqui seria um dos meus cursos preferidos. Ele poderia ensinar lições de negócios de uma forma generalizada ou ir mais a fundo e partir da experiência e do ponto de vista de personagens e mostrar o que aprender com cada um deles, como por exemplo, Ned Stark e a necessidade de se adaptar a uma promoção.

LIDERANÇA COM PODEROSO CHEFÃO -
OK, é verdade, essa história não é nova... mas é para provar que uma história muito boa não envelhece nunca e até hoje continua inspirando e ensinando gerações. Sei que sou suspeito para falar isso, mas essa quem disse foi a Época Negócios.

SOCIEDADE, CIÊNCIA E SOBREVIVÊNCIA COM THE WALKING DEAD -
Para finalizar, vou comprovar a tese. As boas histórias não só poderiam gerar cursos como, de fato, algumas já o fizeram. É o caso da Universidade da Califórnia que usou a história de Walking Dead para montar um curso online.

Uma possibilidade é aprender com as histórias. A outra é aprender como ensinar com histórias. Se quiser saber mais, participe dos cursos ou entre em contato.

Para dar as boas vindas ao ano que chegou vou seguir uma velha tradição e materializar as resoluções de ano novo de um escritor, ou seja, uma lista de hábitos que tem se mostrado úteis, mas que infelizmente não costumamos exercitar tão fielmente quanto deveríamos.

1. Tempo é dinheiro... ops... tempo é texto e texto é dinheiro.
Arte, em sua etimologia, significa técnica e isso, meus amigos, é a obra da repetição e da resiliência. Escrever todos os dias é a fórmula para  disciplina. Não escreva apenas por obrigação, tenha um projeto seu, algo sem objetivo de publicar, pelo menos não tão cedo, algo que que faça seus olhos brilharem e suas frustrações irem dormir um pouco, enfim, um "projeto dos sonhos" capaz de faze-lo querer escrever todos os dias.

2. ter (e respeitar) deadlines
Mesmo que a ideia não seja publicar algo de imediato defina uma deadline, tenha-a em mente e respeite-a, isso nos ajuda a superar a necessidade por inspiração, nos faz escrever quando precisamos escrever e nos ensina a usar a razão mais do que a emoção ou o 'felling'. 

3. Revise, revise e revise... 
A arte de verdade muitas vezes está na revisão. Há quem goste de deixar os textos na gaveta por dias, meses e até anos antes de revisá-los, há que diga que é melhor fazê-lo logo de cara, mas é importante saber que revisar é um momento íntimo onde visitamos nossas próprias ideias e dialogamos com elas, buscando novos argumentos e eliminando o que não deveria estar ali. 

Tudo o que eu disse nesse post já foi dito diversas vezes em outros posts, por mim e por outros storytellers desse mesmo blog, mas no fim das contas são os 'pequenos' hábitos que importam, então não custa nada repetir o que é importante. 

Um ótimo 2014 para todos, cheio de histórias, estórias e muitos finais felizes, tristes, ou cômicos, como desejarem, desde que sejam todos revisados e de preferência bem escritos. 




Graças ao conhecimento de storytelling acabei evitando de cair em diversos golpes pelo mundo. Ao refletir sobre os pontos da história que está sendo contada, o storyteller experiente vai saber fazer as perguntas certas, capazes de desmascarar a mentira.



O mesmo vale para boatos da internet. Assim como o consumo da folha de coca é permitido e até encorajado em alguns países, a maconha passou a ser legalizada em alguns estados Norte americanos. Um fato assim acaba gerando histórias, muitas delas inventadas.

Foi o caso de um texto que viralizou em questão de minutos. O autor afirma que 37 jovens morreram de overdose no dia seguinte à legalização. O interessante do caso é que o autor faz questão de deixar claro que é uma brincadeira e até por isso espalha pistas ao longo do texto para que não seja levado a sério. Dica: fãs de Lost e Breaking Bad desvendam sem ajuda do Google.

http://dailycurrant.com/2014/01/02/marijuana-overdoses-kill-37-in-colorado-on-first-day-of-legalization/

Agora, se por um lado não dá para acreditar em tudo o que se passa por jornalístico, por outro está sendo inacreditável a qualidade de storytelling que o jornal The New York Times está aplicando em suas matérias. Desde o premiado case Snowfall o veículo vem surpreendendo e encantando. A última foi a retrospectiva de 2013.

Final de ano é sempre a mesma coisa: muito trânsito, muita comida e, principalmente, muitas promessas para o ano seguinte. Se seu objetivo é emagrecer, uma dieta. Se você quer se casar, é bom que já tenha um parceiro(a) em vista. Mas e se sua meta é se tornar um escritor de histórias?
Se fizéssemos as contas, em mais de 50% das listas de resoluções de ano novo estaria algo como “escrever um livro”, ou “escrever uma grande história”. Mas, como nosso negócio não são as contas e sim os contos, aqui vão algumas dicas para se tornar um storyteller em 2014.

1) Saiba do que se trata: Storytelling (e escrever histórias, de uma forma geral) envolve ciência e técnica. Psicologia, Marketing, Semiótica, Semântica e Cia são só algumas palavras-chave de toda a teoria que colabora para uma boa história.
2) Aprenda com os melhores: Reza a lenda que Quentin, antes de ser “o Tarantino”, trabalhou em uma locadora e assistiu a todos os filmes da prateleira. Que tal começar a fazer o mesmo, começando com os livros da sua estante?
3) Escreva mais: Para escrever bem é preciso, primeiro, escrever. Imagine e organize cada detalhe, do botão de madrepérola do coadjuvante ao tom do esmalte da mocinha, e escreva. Contar uma boa história é como dar uma boa aula, quanto mais você sabe do assunto, melhor ela é.
4) Revise ainda mais: É famosa a frase do Hemingway sobre escrever bêbado e revisar sóbrio. Sem dúvidas, só para esta frase, ele deve ter feito algumas revisões.
Bem como a maioria das promessas para o ano que vem, não há grandes segredos na jornada para se tornar um storyteller. Se você já lê o blog ou faz nossos cursos, está no caminho certo. Ainda que, se você já está nesse caminho, sabe que aprender a contar realmente uma boa história não coube em uma promessa para 2013, nem caberá tão só em 2014. Por isso, mãos à obra!


Bom, o ano acabou e não poderíamos deixar de relembrar nossas melhores histórias. 
Selecionamos os 10 posts na Storytellers que mais deram o que falar.

O ano começou quente com AS 5 TÉCNICAS DOS 50 Tons de Cinza e a análise sobre a sua   TRADUÇÃO PRECIPITADA.

Depois percebemos que já não era sem tempo de o mercado discutir os FUNDAMENTOS DO STORYTELLING.

Para a discussão não ficar apenas conceitual, em seguida analisamos as 3 DICAS DE ESCRITA DE THE WALKING DEAD.

De tantos posts, cursos, estudos e projetos surgiu A FÓRMULA DO STORYTELLING.

Entra um novo integrante no time que decide ir muito além da sobrevivência ao refletir sobre O QUE STORYTELLING E PIRÂMIDE DE MASLOW TEM A VER?

No meio do ano não dá para deixar de falar do festival de publicidade mais importante do mundo, ainda mais quando o storytelling vence a categoria mais digital de Cannes.

Mas como nem tudo são flores no mundo da publicidade revestida com contos, fadas, mitos e histórias, também tivemos que olhar a fundo a PROBLEMÁTICA DO STORYTELLING.

No fim do ano valeu explorar um dos autores excepcionais, que conseguem a adoração popular sem perder o respaldo acadêmico e o respeito intelectual e assim aprendemos OS 5 PASSOS DE UMBERTO ECO PARA ESCREVER HISTÓRIAS.

Finalmente, já olhando para o futuro, formulamos que Comunicação Digital + Storytelling = Tendência.

Foi um ano fantástico. Fabuloso. Épico... e que venha 2014!


Este post é o resultado de uma entrevista para o SESI CULTURAL e foi inicialmente postado aqui.
Que dicas você daria para quem quer construir um bom roteiro de ficção?
Em primeiro lugar, é preciso conhecer muito bem a história que você quer contar. Conheça muito bem os personagens antes de começar a escrever o roteiro, tenha domínio dos detalhes da sua história. O ideal é você já saber o final antes de começar a escrever. O roteiro é uma ferramenta de meio de caminho, que fica entre o autor e o diretor. Então, a história tem que estar muito bem construída na cabeça do autor para que ele possa contá-la para o diretor ali.
Além disso, como se trata de uma ferramenta técnica, quanto mais clara o roteiro for, melhor. Não tem necessidade de se usar uma linguagem rebuscada, o mais eficaz é transmitir sua ideia da forma mais simples possível. Uma das qualidades dele é não ter muitas palavras. Pode ter muitos diálogos, mas não precisa entrar no detalhe na descrição. O foco do roteirista deve ser a ação do que está acontecendo.
Se você já tem o final em mente, fica mais fácil começar a desenvolver seu roteiro em etapas: começo, meio e fim são as gerais. Uma coisa que ajuda muito é começar de trás pra frente. Tem outras muitas técnicas sobre como desenvolver as outras etapas, como a Jornada do Herói, que é interpretada de um jeito numa comedia romântica e, de outro, num filme de terror. Então, é fundamental estudar o gênero que você quer fazer, assistir a muito filmes e séries daquele gênero para ter referências, até para não cair no clichê, pra evitar fazer aquilo que não gostou nas historias dos outros.
Outra coisa que pode ajudar muito é que você está falando de um assunto ligado à emoção. Se for um filme de terror, temos o elemento medo. Se for comédia, humor. Drama, tristeza. O fundamental é que seu roteiro seja capaz de transmitir essa emoção. Seu personagem tem que passar isso para que as pessoas também sintam. Quem for ler seu roteiro, tem que sentir isso. Então, o roteirista tem que sentir quando está escrevendo. Se estiver escrevendo uma comédia, naturalmente, dará risada enquanto cria. Essa questão da emoção é chave.
Por fim, conheça bem cenário e personagem. Saiba tudo sobre ele, não só o que será contado no roteiro, mas toda a sua história de vida. Assim, fica mais fácil de humanizá-lo e aproximá-lo das pessoas.
Existem alguns modelos de estrutura, certo? Quais você destacaria?
A mais básica é a estrutura de três atos: começo, meio e fim. Na prática, ela vira quatro atos, já que o meio é dividido. Aí, tem alguns autores que defendem umas coisas mais fixas. Por exemplo, que até a página 30, você precisa resolver a primeira etapa: apresentar o protagonista e o problema que ele tem que resolver; primeiro, mostra o personagem no mundo em que ele vive e como é a sua rotina. Depois, na metade do primeiro ato, você tira ele dessa rotina e o leva para outra etapa, outra realidade. Os segundo e terceiro atos são o meio. No final do segundo, tem o momento em que o protagonista acha que vai perder. É a hora mais terrível pra ele. Ele acha que não vai ser possível. No final do terceiro ato, ele junta todas as suas forças de novo, partindo para enfrentar o antagonista, o vilão. Em seguida, ele passa por um sacrifício, é o clímax, ele precisa pagar um preço, é um herói, vai sacrificar algo de que goste para cumprir seu objetivo. Enfrentado esse desafio, a segunda metade do quarto ato é ele voltando para o começo, volta para o mundo normal, mas não enxerga mais a sua realidade como antes. Ele traz o aprendizado que teve de volta para o mundo normal. De forma bem genérica, esta é a Jornada do Herói, um teoria elaborada por Joseph Campbell após fazer um estudo de várias mitologias. Em Hollywood, usa-se muito a Jornada do Herói.
Há outras estruturas que são bem mais difíceis, como a In Medias Res. Ela começa na metade da história e depois vai um pouco para trás e um pouco para frente, um pouco para trás, um pouco para frente. “Lost” um pouco assim. O filme “Amnésia” também.
É possível também fazer a Jornada do Herói de mais de um personagem. Comédias românticas geralmente são assim, você usa dois grandes personagens. “O casamento grego” faz muito isso.
O que um bom roteiro não pode deixar de ter?
A primeira coisa a entender é que a ideia tem que ser boa. Você tem que conseguir resumir sua história em três linhas e as pessoas gostarem. Mas, tendo uma boa história, você então precisa de um bom personagem, que dê um caráter único a ela. Terceiro elemento muito importante é o cenário. Mais uma vez, “Lost” é um exemplo. O roteiro precisa passar por uma produção e o cenário vai impactar bastante nisso. Se você diz que sua história vai se passar numa ilha, há um trabalho importante de produção aí. O roteirista sempre tem que pensar na forma mais simples e barata de concretizar a ideia, porque, quanto mais viável for o roteiro dele, mais provável ele se torna de se concretizar. Há historias fantásticas contadas em um só ambiente.


Um dos assuntos do momento na comunicação é a questão das multi-telas. Algumas pessoas chegam a advogar que a segunda tela, na verdade, é a televisão. Afinal, smartphones e tablets sempre à mão enquanto boa parte dos anúncios na telona falham em prender a atenção. Ainda que sejam apenas 30 segundos, não aguentamos essa espécie de “pedágio”.

Uma pergunta importante: por que não aguentamos assistir a um comercial de apenas 30 segundos, se mal conseguimos piscar durante mais de 90 minutos de uma película cinematográfica? Dica, a resposta não tem a ver com valores. Tecnicamente falando, 30 segundos de produção e veiculação de um anúncio no horário nobre chega a custar mais do que a produção dos mesmos 30 segundos de um filme feito em Hollywood. A resposta é outra: tudo muda com uma boa história por trás.

Uma história bem contada é capaz de conquistar mais que apenas consumidores, ela atrai também atentos. Sim, atentos. No cinema, desligamos os aparelhos celulares. Para ler um romance, seguramos o livro (ou o e-reader) com as duas mãos. O mesmo vale para o joystick dos videogames. Quando alguém consome uma história – seja leitor, plateia, ouvinte ou audiência – esse alguém está atento. De modo que o Storytelling é hoje o último reduto da atenção exclusiva e dedicada.

As histórias são naturais aos seres humanos desde o tempo pré-histórico, literalmente falando. Não tínhamos inventado a escrita, de modo que não podíamos registrar os pensamentos e descobertas, então inventamos as histórias. Se desde os tempos das cavernas as histórias fazem parte da natureza humana, é normal que cada dia mais ela venha a se tornar natural também às marcas.

Mas cuidado! Quando falamos em histórias de marcas não estamos falando sobre pontuar cada segundo do histórico do centenária da companhia. É preciso ter emoção. Assim como também não adianta coletar um monte de depoimentos e relatos de pessoas aleatórias. Pense que Storytelling não é narrar um jogo de futebol, mas mostrar os melhores momentos da final do campeonato no intervalo entre o término da prorrogação e a cobrança das penalidades.

Contar uma história contagiante depende da capacidade de saber buscar e encontrar os momentos mais marcantes e significativos. Mesmo uma marca com cinco anos de existência é capaz disso. Existe um ótimo exemplo brasileiro, que com alguns sorvetes e uma boa história já faturou mais de R$ 25 milhões e acaba de receber investimento de ninguém menos do que o homem mais rico do Brasil na atualidade. Essa marca é a Diletto, mas também pode ser a sua.

Artigo publicado inicialmente no Adnews, por Fernando Palacios e Pedro Kastelic.


Leia as partes anteriores desta série de artigos:

BADASS WAY OF LIFE
Descobrimos ao longo dos outros dois artigos que os badass têm um alguns ingredientes de perversão, mas que no fundo eles são bons neuróticos obsessivos como todos nós. Mas, será possível ser um valentão a vida toda?
A resposta é não. Se o personagem não vive num cenário extremo como um apocalipse zumbi ou uma guerra, ações impulsivas geralmente não são apoiadas pela sociedade. Na versão mais recente do Batman os filmes nos contam que Bruce Wayne vestiu a capa e o capuz por um período bem curto de tempo, logo um valentão da vida real teria boas histórias para contar par os seus netos (se chegasse a tal idade), mas não teria uma aventura todo dia. Por isso, os badass mais realistas têm suas histórias contadas em períodos bem curtos de tempo, como faz a série 24 Horas onde acompanhamos o agente Jack Bauer em um dia extremamente agitado, ou seja, uma excessão de sua rotina.
É importante ressaltar que precisa haver consequências para as ações do valentão. Ele tem que pagar o preço de se arriscar tanto. Na maioria dos filmes de ação, entre as explosões e tiroteios sobra pouco tempo para o desenvolvimento do personagem, mas o público sabe reconhecer um valentão pela forma como ele lida com as consequências de suas ações e quanto mais problemas ele tiver por conta de suas atitudes, mais carismático ele se torna.
Portanto nessa série de artigos aprendemos que um valentão parece um perverso porque sempre faz o que for preciso pra alcançar os seus objetivos, mas que sofre as consequências porque é um neurótico obsessivo e por isso tem uma consciência que pesa. Também vimos que não se pode ser um valentão o tempo todo, a não ser que você viva num mundo conturbado.


Muito se fala por este blog a fora sobre storytelling. Entre discursos mais ou menos corretos, em geral ouvimos que storytelling não é algo novo, mas que vem ganhando destaque na comunicação por, basicamente, comover e conquistar a atenção de consumidores cada vez mais “nem aí” para as marcas.
Mas se o storytelling não é algo novo, onde ele começa? O que é ou não storytelling? Como ele conquista consumidores? Em suma, que história é essa de contar histórias?
Foi atrás de respostas para perguntas como essas que, há pouco mais de um ano, comecei a estudar o storytelling e escrever meu TCC sobre construção de marcas a partir de histórias ficcionais. Sim! Adicionem às perguntas acima, outras duas: o storytelling pode sair de mídias (comunicação) e ir para a construção de marcas (identidade)? Como se dá a relação entre a realidade e a ficção no storytelling para marcas?
O resultado de uma longa jornada de pesquisas e estudos foi recompensador. Mas as conclusões, vou deixar para que vocês mesmos possam tirar, lendo meu estudo na íntegra com seus próprios olhos:

Ao começar um curso eu gosto de perguntar “quem aqui pediria ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história?”. Raramente alguém levanta a mão. Das mais de duas mil pessoas que treinei, não passam de 30 as que pediriam tal poder. O curioso é que ao questionar aqueles que não levantaram a mão as respostas sempre giram em torno de dois motivos.
Grande parte das pessoas preferiria pedir a fortuna do Tio Patinhas. Tudo bem, é um desejo bastante justo. Mas, no entanto, e se no dia seguinte o governo confiscar esse dinheiro? Por outro lado, com o poder de contar uma boa história, a escritora J.K.Rowling conseguiu sagrar-se a mulher mais rica do Reino Unido e caso o governo confisque a fortuna, basta que ela conte a história dos pais ou dos filhos de Harry Potter que estará bilionária novamente.
O ato de contar história nos acompanha desde os tempos mais remotos. Antes de inventar a escrita, antes mesmo de criar as pinturas rupestres, nossos ancestrais já se sentavam ao redor de fogueiras para longas sessões narrativas. Graças a isso que, geração após geração, fomos capazes de acumular conhecimento e aperfeiçoar a nossa condição. Quem trabalha com comunicação sabe disso. Ainda assim, também essas pessoas não pediriam ao gênio esse poder ancestral. Só que nesse caso a justificativa é outra.
Quem trabalha com comunicação e, em especial publicidade, julga que já sabe contar histórias e afirma que pratica storytelling todos os dias no ofício. Engana-se quem acredita que a publicidade sempre fez storytelling, da mesma forma que se engana quem acha que quem escreve emails é um escritor. Storytelling vai muito além de redigir textos e roteiros. Digo isso de experiência própria.  Para afirmar que a publicidade sempre contou histórias é preciso recorrer a um anúncio de 1987. Fica a impressão de que já faz 25 anos que os publicitários estão perdendo a chance de contar boas histórias.
Já trabalhei como redator e sempre ‘soube’ que por ter feito dezenas de roteiros eu dominava a arte da narrativa. Só quando fui escrever a primeira peça teatral que entendi (por) que storytelling é outra coisa.
Não quero dizer que a publicidade brasileira não faz uso da narrativa. Ela o faz na mesma medida em que as pessoas pediriam ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história. É raro, mas acontece. E seria muito melhor se acontecesse mais.
As pessoas não querem mais ser tratadas como target de consumidores. As pessoas – eu que escrevo, você que lê – querem usar o tempo da melhor forma possível. Sempre que possível, evito anúncios. Mas se eu tiver que pagar, pago feliz pelo ingresso do cinema. Também não me importo em pagar para ter acesso a livros, games e revistas em quadrinhos. Esses são os lugares onde estão as boas histórias e é aí que devemos recorrer para aprender como manter acesa a chama milenar do poder de contar bem boas histórias. O segredo é que não é dom, tampouco inspiração. Para fazer um bom storytelling qualquer comunicador pode contar com técnicas narrativas para parar de depender do acaso.
Esse texto foi originalmente publicado no portal Ideia de Marketing.

Na última segunda feira, dia 09, o American Film Institute divulgou sua lista com seus 10 melhores melhores filmes e 10 melhores séries, neste post irei falar brevemente sobre 3 das 10 séries e os motivos pelos quais você deve assisti-las. 

Vamos começar pelas séries "originais" da Netflix que merecem seu espaço na lista não apenas pela inovação serem exclusivamente transmitidas pelo veículo online, mas por suas histórias bem escritas e personagens bem desenvolvidos. 


House of Cards é uma série sobre o cenário político norte americano baseado, porém, em uma série originalmente Britânica. O ambicioso Frank Underwood, interpretado por Kevin Spacey, é um político em busca de poder com pouquíssimas limitações éticas para conseguí-lo. 


Uma das coisas mais interessantes da série é a construção dos personagens e a brincadeira do protagonista com a quarta parede, que em diversos momentos conversa diretamente com o espectador, revelando "segredos" para quem assiste a série que os outros personagens não são capazes de ouvir, o que cria uma dinâmica interessante para todo o plot. 

Orange is the new Black é uma comédia dramática que trata da condenação de uma jovem por tráfico de drogas, crime que ela cometerá anos antes quando ainda era uma adolescente inconsequente e apaixonada. Ao ser presa, Piper Chapman (Taylor Schilling) vê a sua vida tomar uma direção inesperada e é obrigada a aprender novos truques e adaptar velhos conhecimentos para sobreviver na prisão.


Uma série baseada em personagens e backgrounds, Orange is the New Black, oferece ao mesmo tempo a emoção de acompanhar a história de uma personagem carismática e comovente e a visão cômica das situações extremas que a personagem é forçada a viver na prisão. A apresentação do passado das personagens e como esse passado as levou para a prisão é uma das coisas mais interessantes da série, provando mais uma vez que o passado dos seus personagens é tão importante quanto o presente. 



Por último vou falar de uma série que me surpreendeu em sua qualidade técnica e principalmente narrativa: Scandal é uma série norte Americana que narra a vida de Olivia Pope e as pessoas ao seu redor, incluindo sua equipe formada por um ex-agente da CIA, um advogado ex-presidiário, uma investigadora particular e uma ex-suspeita de terrorismo doméstico, além é claro do presidente dos Estados Unidos da América, seu chefe de equipe e a primeira Dama. 


O ritmo da série foi uma das coisas que mais me chamou a atenção até agora (ainda estou na segunda temporada e já aconteceu tanta coisa que eu nem saberia por onde começar). Os roteiristas de Scandal não deixam uma página passar em branco e parecem levar isso muito a sério, cada minuto da série é um possível momento de plot twist, o espectador mais desatento, como eu, estará em constante alerta para não perder nada.