A fórmula do storytelling é simples, mas não é fácil... o artigo foi escrito originalmente para o portal Nós da Comunicação.



Não tem mais ninguém com você no elevador social, então você aproveita o espelho para ajeitar alguns fios mais rebeldes. A velocidade diminui de modo que você faz uma última pose e logo em seguida fica de frente para a porta. A porta se abre e você quase cai para trás enquanto pisca os olhos para tentar desfazer a imagem que diante de si. Do lado de fora um zumbi aguardava por esse momento e agora ele acaba de erguer os braços e dar o primeiro passo em sua direção...

"As leis da escrita são tão imutáveis quanto às da matemática, da física e da aviação" certa vez escreveu Ernest Hemingway numa carta para o colega Maxwell Perkins. As leis da escrita às quais ele se refere, compõem metade de uma fórmula maior. A fórmula do storytelling.

O artigo começou com uma pequena situação envolvendo o mito dos mortos-vivos, um tema que está na moda com a febre em torno da franquia 'The Walking Dead' e, em breve, com o filme 'Guerra Mundial Z'. Retomando a narrativa, sim, pode ser que o mundo tenha sido atingido novamente por um apocalipse zumbi e você esteja descobrindo em primeira mão. Mas também pode não ser nada disso, pode ser apenas uma pessoa brincando com uma fantasia de carnaval. Ora, se fizer sentido, tudo é possível.

Tudo o que "pode ser que isso, ou pode ser que aquilo" está no campo daquilo que consideramos como story. Story é tudo aquilo que é imaginário. Já o telling é a busca por uma forma de expressar isso. O telling é o exercício de tirar da cabeça e transportar para o papel.

Foi então que eu defini uma regra para meus trabalhos. Para que o estiver no seu papel possa agora invadir outras cabeças e brincar com a imaginação e, quem sabe até, com o coração dos outros, existe uma máxima que pode ser inclusive apresentada numa equação matemática: Story > Telling.

A tradução dessa fórmula é simples. Ela significa que não importa se você estiver fazendo uma apresentação corporativa, um anúncio para uma multinacional ou um romance para vender nas livrarias; sua obra será ruim por definição se aquilo que estiver na sua cabeça estiver inteiramente expresso nos seus slides, nos seus 30 segundos ou na somatória das suas páginas.

Quando falamos do pensamento de storytelling, o segredo não está somente em como contar a história, mas principalmente no que deixar de contar. Afinal, como você quer que as pessoas pensem na sua história se você não deixou espaço pra que elas pudessem imaginar?

Ainda cabe um adendo para que essa fórmula funcione. Como ensinou Ernest Hemingway no livro 'Paris é uma Festa' "A história era sobre o retorno da guerra, mas em nenhum momento a guerra foi sequer mencionada (...)  Esta parte foi omitida de acordo com a minha nova teoria de que você pode omitir qualquer coisa se você sobre aquilo que você está omitindo e que a parte omitida iria fortalecer a história e que faria as pessoas sentirem algo maior do que elas poderiam compreender."

Não é por acaso que o gênio da literatura afirmou que sua contagem diária de palavras girava em torno de 400 a 600, num dia inspirado. Com mais de 300 ele ainda se sentia bem.  

Argumentou que alguém que critique essa quantidade não entende nada sobre escrever bem e nem sobre a felicidade que alguém tem ao despejar 422 palavras dispostas tão bem quanto você imaginava. Só mesmo o exagero no story e a diligência no telling para que seu texto ganhe vida.



Muitas vezes falamos de Storytelling como a mais nova descoberta da humanidade, outras como a coisa mais antiga que existe no mundo. A verdade é que contar histórias é algo tão complexo e poderoso e acaba tornando realidade esse paradoxo.

Para entender melhor isso tudo é preciso partir da ideia de que storytelling é uma tecnologia, ou seja, uma forma de um técnica (narrativa) que encontrou a ciência e se tornou um processo capaz de ser reproduzido. A técnica, que podemos chamar de "contar histórias" está realmente acompanhando a humanidade desde os nosso primórdios, mas não faz muito tempo que a ciência da comunicação virou seus olhos para essa técnica e finalmente passou a transformá-la em tecnologia, e isso sim é novo, a tecnologia da comunicação conhecida como storytelling é absolutamente nova no mundo da comunicação e estamos todos batalhando para tentar entender toda a sua complexidade.

Uma das notícias mais interessantes que eu vi nos últimos tempos sobre storytelling enquanto tecnologia chegou até mim pelo Fernando Palacios em um link para o The Guardian, um dos jornais britânicos de maior importância internacional. A manchete lê-se Penny Bailey sobre escrita científica: "Você precisa saber contar uma  boa história."

A matéria que se inicia com a afirmação de Penny Bailey de que "é fácil se enrolar com as especificações científicas e esquecer da história que trás tudo aquilo a vida" quando se está escrevendo sobre ciência, mostra que os cientistas também se apoiam em certas formas narrativas para potencializar a compreensão de seus artigos e explicações. Para Bailey existem alguns fatores importantes que devem estar presentes em uma boa história científica, entre esses fatores estão também alguns dos aspectos mais importantes do storytelling na comunicação, coisas como "aspecto humano" que torna todo o texto vivo de certa maneira, a novidade científica que gera curiosidade e os conflitos que tiveram que ser superados.

Durante sua entrevista Bailey dá X dicas importantes sobre escrita científica que podem servir de lição de casa para qualquer storyteller.

1. Saiba contar a sua história e conheça o conteúdo do qual está falando.

2. As metáforas podem ser usadas para dar explicações difíceis ou oferecer um ponto de vista diferente durante o texto.

3. Cuidado para não se perder nos detalhes do conteúdo, dê ao expectador o que realmente importa.

Para mais detalhes sobre a relação entre storytelling e a escrita científica vocês podem acessar a entrevista original em inglês aqui http://www.guardian.co.uk/science/2013/mar/27/penny-bailey-science-writing-wellcome






Esse post foi originalmente escrito para o grupo de Inovação em Storytelling e Transmídia no Facebook, onde sou um dos moderadores. Ele fez bastante sucesso por lá, então achei que também deve interessar por aqui.

FINALMENTE chegou o dia! Estava guardando esse Easter Egg (conceito aqui: www.storytellers.com.br/2013/03/storytelling-e-ovos-de-pascoa.html) para uma ocasião especial: o dia que alguém acertasse a pergunta da minha apresentação...

Depois de mais de mil alunos das mais diversas idades e profissões, em diversos estados e países, pela primeira vez alguém acertou do que trata a história do Aladdin da Disney.

Para celebrar esse acontecimento histórico, vou contar o Easter Egg reservado para esse momento: pois é, o mercador do começo da história é ninguém menos do que o próprio gênio que, ao final da história, depois de ter sido liberto, passou a viajar o mundo para perpetuar a história do seu libertador.

Coloquei uma imagem para ajudar na identificação. Vamos às evidências: o gênio é um shapeshifter, ou seja, ela pode assumir qualquer forma... se ele vira desde uma abelha até uma ovelha, por que não poderia virar um humano?

Além disso, o gênio e o mercador são os únicos personagens da história que possuem somente 4 dedos, a barbicha em forma de gancho e vestem o cinturão vermelho.

Se isso não for suficiente para provar o ponto, eles também são os únicos personagens "entertainers", dotados de um ar cômico, e somente eles falam diretamente com a audiência.

Se ainda precisar de mais evidências, então assista novamente o filme e repare que no final, depois de liberto, o gênio toma a lâmpada das mãos do Aladdin, continua com seus poderes, e finalmente se despede e vai embora.




De tempos em tempos surge uma notícia de um livro que vai virar filme, de um filme que vai virar livro, de uma série que vai virar filme ou até de um canal do Youtube, como o “Porta dos Fundos”, que recentemente anunciou que vai para as telonas. A verdade é que quando se trata de uma boa história ela permite ser contada das mais diversas maneiras.
A novidade da vez é o filme “Faroeste Caboclo”. Com direção de René Sampaio, como sugere o título, ele conta a história de João de Santo Cristo, escrita e eternizada na voz de Renato Russo nos anos 90 e reconhecida como o “épico brasileiro”.
A história dispensa apresentação. A partir de cerca de 9 minutos de música, o grande desafio do filme em termos de storytelling sem dúvida foi transformar estes minutos de “telling” da música em mais de uma hora de filme na história contada nos cinemas sem desafinar.
Aos olhos dos fãs da Legião Urbana que têm os 168 versos na ponta da língua, a produção é ao mesmo tempo uma ousadia e um desejo de longa data que só saberemos o resultado a partir do dia 30 de maio. Mas no que se refere a storytelling, eis um exemplo bastante didático e também diferente do que estamos acostumados da distinção entre o “story” (o universo de João de Santo Cristo) e o “telling” (a música de Renato e agora o filme de René).





Merlin lutou contra todo um oceano cheio de ameaças para encontrar seu filho. Nemo foi levado de sua casa para dentro de um aquário em um consultório de dentista. Nós já nos divertimos e nos emocionamos com a história de separação e reencontro desses dois peixinhos, mas enquanto assistíamos a essa jornada, nos sentindo tão perdidos e ameaçados, por tubarões e florestas de água-viva, quanto o nosso herói Merlin, alguma outra coisa aconteceu. Alguma coisa iluminou essa história e de alguma maneira preencheu o vazio azul do fundo do mar com um tom de diversão. Sim, meus amigos, eu estou falando na peixinha mais querida das telonas, Dory.


Essa semana a Pixar anunciou o filme Procurando Dory, uma animação inteiramente dedicada as aventuras e conflitos de um personagem que roubou a cena e a atenção por muitos momentos no já conhecido Procurando Nemo. A minha primeira pergunta ao ver essa notícia foi: porque a Dory? 

Bom, nós falamos algumas vezes aqui no blog sobre o processo de criar um personagem, eu acho até que já mencionei a importância de um protagonista para nos emprestar seus olhos e nos levar para o seu mundo como ele mesmo o vê, o que eu acho que ainda não comentei é que às vezes, um personagem pede para seguir o seu próprio caminho. 

Nós, então, não temos muita opção a não ser ceder o instinto storyteller e seguir em mais uma aventura, às vezes, só para ver no que vai dar. A Dory demorou para cair na boca do povo, aliás, se você pensar bem pode acabar se lembrando de que "P. Sherman, 42, Wallaby Way, Sydney" e "Just keep swimming" ficaram muito mais famosas do que qualquer frase professada por Merlin ou Nemo. A falta de memória também ajudou a humanizar o personagem, afinal, quem nunca saiu de casa sem as chaves, ou esqueceu a carteira na mesa do restaurante? A verdade é que todos sabemos a agonia do esquecimento, por melhor que sejam nossas memórias. 

Mas a Dory não é a primeira a ganhar o seu espaço no sol depois de aparecer como companheira na aventura de outros personagens, eu nem vou falar de Star Wars, afinal é difícil contar quantos personagens da saga conseguiram ganhar suas próprias narrativas. A Pixar e a Disney não desperdiçam bons personagens, de Aladin nós ganhamos os filmes do Jafar, os queridos Timão e Pumba já viraram série de desenho animado. Enfim, é bom sabermos que a história que não contamos em nossas narrativas podem se tornar boa oportunidades de expandir um universo e aumentar ainda mais a sua visibilidade. 





O “Primeiro de Abril” é, antes de tudo, um grande erro de tradução quando chamado de “dia da mentira”. Conhecido nos Estados Unidos como “April Fools”, lá e em diversos outros países de outras línguas este não é lembrado como um dia de mentir, mas sim de pregar peças, sacanear.
Segundo conta a história, o dia primeiro de Abril marcava o fim das festas de passagem de ano no calendário Juliano – junto à chegada da primavera na França. Foi aí que o rei Carlos IX determinou a mudança para o calendário Gregoriano, mudando o dia da passagem de ano para como conhecemos e comemoramos hoje. Em meio a essa mudança, se aproveitando dos mais desinformados, havia os que enviavam convites falsos a festas de passagem de ano no dia um de Abril. E assim surgiu a tradição do “Dia dos Tolos”.
Verdadeira ou mentirosa, ou ainda mais profundo que isso: real ou ficcional, essa versão da história nos parece passível de acreditar porque acima de tudo é convincente, relevante e principalmente condizente com os valores que a tradição do “Dia dos Tolos” quer transmitir. E assim também funciona com as histórias que as marcas querem contar.

Se a marca de roupas Hollister foi de fato fundada em 1922 por um aventureiro americano que se opunha a vida quadrada de seu pai ou se a primeira loja só passou a existir no ano 2000, 78 anos de ficção pouco importa se eles foram imaginados da mesma forma que o imaginário do consumidor funciona em relação aos produtos da marca.
Para os mais desconfiados que insistem em achar que histórias inventadas são mentiras bem como o “Primeiro de Abril” é o dia da mentira, a neurociência rebate e comprova que nosso cérebro é sim programado para inventar informações que não existem “realmente” conforme se faz necessário.

E que a tradução agora correta de “April Fools” para “Dia dos Tolos” nos sirva como metáfora pra entender que uma história ficcional de uma marca só é mentira quando é contada como se fosse dia primeiro de Abril, ou seja, fazendo o consumidor de tolo.



Se você já conhece o termo Storytelling ou se ainda quer entender como as marcas podem contar boas histórias, vai encontrar agora, um novo canal de discussão e informação sobre Transmidia e Storytelling. É o Storytellers On Air, um bate papo semanal com alguns convidados transmitidos ao vivo por Hangouts no Youtube.

Toda semana os participantes vão poder conversar sobre alguns conceitos que já foram apresentados neste blog, como os fundamentos ou como fazer storytelling.  Além de discutirem sobre obras do cinema, literatura e da TV.  No primeiro Hangout, no último dia 28, falamos sobre Game Of Thrones e rolou bastante spoilers,  análises de personagens e da sua narrativa. 



Os primeiros encontros por vídeo foram produzidos por Fernando Palácios, pioneiro do Storytelling no Brasil, que além de ser professor e ministrar diversos cursos e workshops voltados ao Storytelling, é fundador do primeiro escritório brasileiro dedicado aos Storytelling, a Storytellers Brand 'n' Fiction.
Como podem ver na vinheta acima, os hangouts acontecem toda Quinta a partir das 21h30 e vocês poderão participar de duas maneiras:
1 Assistindo por streaming direto do Youtube, por um link disponibilizado pelo twitter.com/storytell aonde você poderá interagir com perguntas e recados por bate papo. 
2 Participando do Hangout com uma câmera e microfone, mas para isso precisará curtir a página +Storytellers  no G Plus e estar online alguns minutos antes para a gravação.  
Vamos relembrar as informações:

Storytellers On Air

Data: Toda Quinta-Feira
Horário: 21h30
Local: Página da Storytellers no Google Plus e Youtube
G+ https://plus.google.com/b/112622540688821613645/112622540688821613645/posts
Site www.storytellers.com.br
Twitter twitter.com/storytell

Hoje é domingo de páscoa e como eu não posso oferecer chocolate para os leitores storytellers desse blog, decidi postar uma pequena seleção de easter eggs interessantes. Mas antes de qualquer coisa, o que é um "easter egg" mesmo?

Easter é aquele detalhe escondido em um narrativa, seja ela game, video, livro ou revista que o diretor ou o roteirista colocam lá só pros fãs enlouquecerem procurando essas pequenas coisas e depois se vangloriando aos amigos por terem sido os únicos a encontrá-las.

Vamos começar essa seleção com um recente easter egg de um experiente storyteller famoso por, de alguma maneira, conectar a maior parte das suas histórias através desses easter eggs.


O mestre Tarantino deixou muita gente curiosa com o seu segredinho em Django Livre, alguns fãs chegaram a acreditar que não tinha nenhum elemento ligando a história aos filmes anteriores, mas essa semana ele admitiu que o segredo estava lá, mas bem escondido em um personagem "pequeno" como ele mesmo diz. Captain Koon é um personagem interpretado por Chritopher Walken no filme Pulp Fiction e aparece modestamente em um dos papéis de procurados dos nossos queridos caçadores de recompensa em Django.

O próximo easter egg é famoso, mas curioso e também vem de alguém que nós estamos mais do que acostumados. A pixar revelou um easter egg no filme Up através da convocação judicial do adorável velhinho Carl. O número do documento é, na verdade, o código postal e San Carlos, California, a cidade da qual Bradford Lewis, produtor de Ratatouille e diretor de Carros 2, costumava ser prefeito.


E para finalizar vamos ao ovo de páscoa do senhor Dan Brown que guardou alguns de seus mistérios para os fãs antes mesmo de estourar na mídia com o Código da Vince. Na verdade em seu livro Ponto de Impacto, na contra capa era possível encontrar os números  "1-V-116-44-11-89-44-46-L-51-130-19-118-L-32-118-116-130-28-116-32-44-133-U-130." que quando substituídos (pelo menos é o que dizem) pela primeira letra dos capítulos correspondentes aos números a sequencia seria algo como "T V C I R H I O L F E N D L A D C E S C A I W U E" que ao ser organizado de uma maneira muito maluca forma a frase "The da Vince Code Will Surface" livremente traduzido "O Código Da Vince irá se revelar". 




Feliz Páscoa à todos!


O mundo mudou e as pessoas hoje em dia tem pouco tempo para o que não lhes acrescenta nada na vida. Vivemos na época da informação e por mais clichê que seja,não deixa de ser verdade e precisamos nos adaptar. A geração “Millenium” ou geração Y é ansiosa e empreendedora. Gasta horas do dia em busca de informação e novidades e é treinada para ter ideias que ajudem aos outros de alguma maneira. Busca oportunidades nas dificuldades, criando cada vez mais, produtos mais simples, estéticos e utilitários. É uma geração que discute o crowd e os movimentos sociais a partir de likes e shares, uma geração que vive on e off line, tudo ao mesmo tempo. Sempre cheia de sonhos cada vez mais ousados.



Com tantas telas em mãos não adianta mais tentarmos atacar o consumidor comprando espaços e forçando repetições nas mídias de massa, hoje, nossas estratégias devem ser mais cuidadosas e os investimentos devem ser feitos nas mídias certas para atingir as pessoas certas, afinal, quando entra o intervalo comercial eles não apenas mudam de canal, mas dão uma olhada no facebook no notebook enquanto respondem um whatsapp e quem sabe até twittam alguma coisa do tablet. A atenção se tornou o item mais desejado da comunicação e só há um jeito de se ganhar atenção: Seja interessante. 

No meu primeiro curso de storytelling eu fiquei encantado com a tecnologia de contar história para marcas pelo simples motivo de aquelas campanhas não se pareciam em nada com o intervalo comercial. Na verdade, se a coisa for bem feita, eu nem ligo pro fato de aquilo está me vendendo um produto, serviço ou ideia, eu assisto porque acho bonito, legal, interessante e quem sabe, se o produto for bom, fico até feliz por ter me divertido tanto com alguma coisa e ainda descobrir algo que vai mudar a minha vida de alguma maneira, mesmo que simples. Para mim é isso que o storytelling faz. Usamos histórias para criar conteúdo e informação que possa facilmente ser confundida com entretenimento, ou melhor, que seja, no final das contas, uma obra de entretenimento que também apresenta ao consumidor um produto e quem sabe, de bom humor e feliz, leve-o a comprar o que quer que seja que eu estou vendendo.


O storytelling me permite acreditar na possibilidade de criar campanhas publicitárias tão úteis ao consumidor quanto ao anunciante, transmitindo através da narrativa os valores e os princípios da marca, além das qualidades do produto, informando ao consumidor o que ele realmente quer saber sem que ele termine de ver a minha propaganda com a sensação de que gastou á toa aqueles minutos ou segundos da sua vida. O objetivo final é que o storytelling além de gerar vendas ao anunciante, seja parte de uma estratégia ainda maior de branding e fixação de marca e quem sabe se torne um produto cultural fazendo com que mesmo quem não se interesse imediatamente pelo produto anunciado sinta vontade de partilhar a experiência com os amigos, indicar o produto para alguém que vá se beneficiar mais do que ele mesmo com tal aquisição ou apenas reconhecer a marca como referência de mercado por ter lhe causado uma experiência maior do que uma lista de qualidades e frases motivacionais. 




O Simca Chambord possuía uma carroceria das mais luxuosas, com acessórios totalmente inúteis no Brasil. Suas linhas eram vistosas e os materiais usados no acabamento também.  Mas o carro tinha muitos defeitos; deles, o mais aborrecido era uma embreagem que patinava constantemente. Outros possuidores queixavam-se também de problemas na parte elétrica e, mais tarde, verificou-se que seus motores gastavam muito óleo. Assim, os primeiros Simcas foram apelidados de “Belo Antonio”, por causa de um filme exibido na época, cujo protagonista principal, Marcelo Mastroiani, era um homem bonito, requisitado por todas as mulheres, mas que na hora “agá “não funcionava”. Entre 1960 e 1961 a empresa ensaiou pedidos de falência. Só não aconteceu porque um herói entrou em cena...



Enquanto isso, na indústria do entretenimento uma revolução estava prestes a acontecer. No dia 3 de janeiro de 1962, foi ao ar o episódio piloto do primeiro seriado nacional. Era a história de um Vigilante Rodoviário e seu inseparável companheiro, o cachorro Lobo. Havia no ar um clima de apreensão, ninguém sabia se aquilo vingaria ou não. A audiência na época demorava dias para ser medida e só veio uma semana depois, anunciando: 33 pontos de audiência! No segundo episódio a audiência subiu para 55 pontos e não parou de subir, até que obteve 92% de audiência em São Paulo. Era oficial: o primeiro herói nacional era também o primeiro fenômeno nacional da TV brasileira.

No início do seriado, o Vigilante patrulhava as estradas com a moto Harley Davidson, sempre com o Lobo a tiracolo, sem problemas. Até o dia em que o cachorro queimou a pata no escapamento da moto e a partir de então ficou arisco. Não queria mais subir no veículo e teve que ser substituído por um boneco nas cenas... uma situação que não poderia durar muito. Aí que as histórias se cruzam.


O cão teria que sair da moto e entrar num carro. A produção não tinha dinheiro para isso, então negociou com a montadora que tinha mais automóveis em seu páteo. Mas ainda tinha um problema: com a fama do veículo, ninguém acreditaria que ele serviria para caçar bandidos. A solução foi no melhor estilo de Storyplacement: a estreia do Simca Chambord no seriado foi com o episódio O INVENTO, em que a trama começava com o fato de estar havendo muitos roubos de carros e, diante disso, o nosso Herói solicitou para que a Simca desenvolvesse um supermotor para a polícia. Eis que um engenheiro da Simca que era chantageado por bandidos que queriam os projetos do supermotor. No fim, o Vigilante Rodoviário salvou o dia. Duas vezes. Afinal, a Simca era só alegria: a série alavancou as vendas. A Simca teve que aumentar a produção para dar conta da demanda, as vendas cresceram e atingiram o ápice em 1964, o mesmo ano em que o seriado acabou. Com o fim do seriado as vendas diminuíram, mas deixaram a Simca numa boa posição para ser vendida.


Fontes: http://antigoshortolandia.jimdo.com/hist%C3%B3rias-antigomobilismo/
http://almanaque.folha.uol.com.br/quizes/vigilante.shtml


As melhores histórias contadas por marcas e empresas são as verdadeiras. E antes que entre na polêmica explico que ela não é sobre o que é verdade ou mentira, mas sobre o que soa verdadeiro ou falso na comunicação de uma marca para o mercado. 

Antes de qualquer coisa, porque tudo o que vai para o "papel" (e aqui entende-se tudo que passou pelo olhar e caligrafia do autor) se torna ficção. Sendo assim, ficcional,  uma boa história, principalmente no que tange a comunicação mercadológica e repleta de mídias, se percebe nos detalhes. 

A marca de sorvetes Diletto, conhecida como um caso de sucesso pela sua comunicação toda pautada em storytelling, teve 20% de sua empresa vendida para o multimilionário Jorge Paulo Lemann (dono de nada mais nada menos que Ambev, Lojas Americanas,  Burger King e Heinz) na semana passada.

A empresa conta a história do senhor Vittorio Scabin, que em 1922 fundou uma sorveteria na Itália, mas que com a guerra teve de largar o negócio e fugir para o Brasil. Anos e anos depois, seus netos decidem reabrir o negócio do avô seguindo sua receita original. 

Ainda que no cartório conste o registro de pouco mais de 5 anos atrás, a história contada pela empresa cativa e nos faz acreditar justamente por seus detalhes, como esse no número do telefone de seu delivery:





Há muitas maneiras de se olhar para o trabalho de um escritor, seja ele literário, publicitário ou apenas amador. Mas a escrita é uma arte complexa cheia de estruturas, segredos e técnicas e a única maneira de tentar, pelo menos, alcançar um nível de controle disso tudo é através do estudo e do conhecimento do processo criativo de quem admiramos, ou de quem os outros admiram.

J.J. Abrams é um dos caras mais respeitados (e mais malucos) que eu conheço no mundo de contar histórias. Fascinado por como as coisas são feitas e como elas funcionam o produtor e roteirista norte americano atribui a estrutura de suas narrativas ao conceito de uma caixa de mistérios. Pensando assim fica fácil entender de onde vem tantas perguntas e tantos mistérios para quem assiste Lost, por exemplo. 
Para entender melhor o processo criativo de J.J. Abrams é só dar o play no vídeo ai de baixo e se preparar pra 18 minutos de mágica, mistério e segredos das narrativas.




Logo de cara o filme “João e Maria: Caçadores de Bruxas” já nos da uma prévia do que não iremos ver: João e Maria. Se você esperava assistir ao filme para reviver a clássica história da sua infância, saiba que ela ficou no passado junto da inocência dos dois personagens principais da história.
 Os irmãos João e Maria são agora dois implacáveis caçadores de bruxas que, contratados pelo prefeito de um pequeno vilarejo, vão em busca das várias crianças desaparecidas na cidade. Valentes e imperdoáveis com as maléficas bruxas, eles pouco lembram e até decepcionam quem se recorda das crianças que eram na clássica história. É quase como ver Macaulay Culkin em “Esqueceram de mim” e nos dias de hoje.
Junto a “Oz: Mágico e Poderoso”, “João e Maria” se enquadra nas recentes produções que se basearam em clássicos literários infantis, adaptados para as telonas do cinema. Ainda que isso não signifique a escassez de boas histórias nos roteiros atuais, o filme do diretor Tommy Wirkola alerta para uma delicada realidade na ressignificação de histórias clássicas da literatura: a quebra do imaginário coletivo em detrimento da história original.
Quem consome a história dos irmãos na telona, com todos os artifícios e tecnologia que a sétima arte permite, vive menos tensões e dúvidas sobre o sucesso dos protagonistas do que quando ouvia a história da boca de sua mãe. E isso em nada tem a ver com a inocência e a fantasia da infância.





Entrei na sala de aula sem saber o que ia acontecer, curioso, ansioso e animado. Há algum tempo eu não participava de um curso novo e aquela seria, definitivamente, uma novidade. Com a participação do W'nderer Writer, do Macaco Magenta e do Slide Sidious, aquele seria o primeiro workshop, que eu conheço pelo menos, a ser 100% apresentado por personagens.

O mundo mudou e com ele mudou a nossa forma de comunicação, estamos cada vez mais soterrados por informação, com isso tivemos que aprender o que não é novidade para um geração que já cresceu com tantas telas, com isso tivemos que aprender a prestar atenção em muitas coisas ao mesmo tempo e dividir nossos pensamentos entre elas. Tal aprendizado nos tornou dispersos e muitas vezes desatentos. Professores, palestrantes, pesquisadores, vendedores, enfim, qualquer um que dependa da atenção para realizar o seu trabalho agora é obrigado a competir com o mundo virtual. A namorada que está no facebook, o filho que não para de mandar mensagens ou até mesmo o jogo de futebol que é narrado pelo twíter. Como podemos então, tornar nossas apresentações concorrentes dignas e vitoriosas de todas essas facilidades do século 21? 

Nós acreditamos no poder de se contar bem uma boa história e por isso o Macaco Magenta e W'nderer Writer se uniram para ajudar Slide Sidious em sua jornada. Como arma princípal nós usamos uma ferramento que não é novidade pra ninguém e que muitas, e muitas vezes já foi erroneamente culpada pela falta de criatividade de quem a usa. No fim das contas uma das primeiras lições que devemos aprender é que não adianta usar o Power Point, pois sozinho o programa não faz uma apresentação. 

"O fim do Slide sidious" foi o workshop do CIC-ESPM de ontem, dia 16, e juntou na sala um grupo eclético de professores, publicitários, rpgistas, pesquisadores e empreendedores, todos buscando uma nova forma de apresentar ao mundo suas ideias e produtos. Afinal, ninguém aguenta mais ficar sentado numa sala ouvindo bullet points, gráficos e argumentarios sendo jogados contra o público e engolidos a seco. Todos saímos de lá ontem com ideias novas de apresentações que serão ouvidas e entendidas sem nenhum suspiro ou bocejo pairando pela sala. Como empresário o curso foi bom pois me ensinou uma nova maneira de apresentar meus serviços. Como publicitário, mais uma vez, descobri um jeito legal de apresentar minha ideias e como professor eu gostei muito do curso pois agora confirmei minha teoria de que se a aula é boa não precisa mandar os alunos baixarem os celulares e tablets, afinal a atenção deles estará na aula. 

Obrigado à todos que participaram desse workshop, desde os professores que dividiram seu conhecimento até aos alunos que promoveram discussões construtivas e inspiradoras. Agora eu estou ansioso de novo para ver quais serão as causas, serviços e produtos que irão ganhar minha atenção e a consulturia da Monkey Business e da Storytellers. 


Enquanto físicos e astrônomos discutem a infinitude do universo em mais uma capa da Scientific American, no cinema pode-se dizer que um universo ficcional já conhecido tem passado por mais um “Big Bang”.  O nome da vez é “Oz – Mágico e Poderoso” do diretor Sam Raimi.
Não espere nada de Dorothy Gale, Homem de lata e Cia. O filme de 2013, que conta com o escopo de nada mais nada menos que a Walt Disney, é na verdade um prólogo do clássico “Mágico de Oz” eternizado nas telonas por Victor Flemming, em 1939. Desta forma o filme conta a história de como Oscar Diggs tornou-se o grande mágico da terra de Oz.
Mágico e poderoso como o próprio nome indica, o personagem encenado por James Franco foge do pacato estado do Kansas, onde seus fracassados espetáculos o limitavam ao arquétipo de “coringa” ou “trickster”, para ao fim da história conquistar a áurea de um “criador” bem como, em suas próprias palavras, “Harry Houdini e Thomas Edison em uma só pessoa”.
Fora dos rolos do filme, ainda que tenha deixado a desejar na relevância da história, a Disney formou uma parceria de causar assombro só de imaginar com o Google para lançar o fantástico e interativo “Find Your Way to Oz”. Além disso, repetiu a fórmula de sucesso com a Imangi Studios na animação “Valente” e lançou uma versão paga para “Oz” do sempre divertido “Temple Run”.
Por fim, se o filme “Oz – Mágico e Poderoso” não tem um “fim” muito claro, ele deixou ao menos uma pista do começo de um próximo filme que esteja por vir, quando Annie, affair de Oscar, avisa ao mágico que um sujeito chamado John Gale a pediu em casamento. Não é preciso ter bola de cristal pra perceber que daí deverá sair a protagonista da história e do próximo filme. 

Que tal um livro de zumbis sem nenhum zumbi? Se a ideia parece estranha, então ela tem ao menos uma promessa para ser boa.

Esse é o caso do World War Z, que vai chegar ao Brasil como filme e vai se chamar Guerra do Mundo Z.



Na semana passada o Gaspar escreveu um ótimo post sobre o mesmo assunto, afirmando para não se esquecer os zumbis. Pois é, pelo jeito os roteiristas do filme pensaram a mesma coisa e, assim, o filme não vai ter grande relação com o livro... até porque, ele já mostra zumbis.

Na versão literária o autor tem algumas sacadas. Pra ser mais técnico, posso afirmar que ele faz ótimo uso de alguns recursos de Storytelling.

Começa pelo Ponto de Vista. O título do livro pode ser traduzido como "Guerra Mundial Z: uma história oral da guerra contra os zumbis". Ao invés de mostrar o que acontece durante o ataque dos zumbis, ele conta tudo depois que a guerra foi vencida pelos humanos. É assim que num livro sobre zumbis, nenhum zumbi aparece. Pra ser honesto, zumbis até aparecem, aqui e ali nos relatos das memórias, só que nunca são o foco da narrativa. Os zumbis são uma espécie de metáfora para um outro assunto...


A versão do cinema ignora essa técnica e opta por posicionar a narrativa durante o acontecimento. Preferem substituir a curiosidade pela adrenalina. Talvez funcione. Mas ainda assim é como colocar um véu na Monalisa: parte da graça foi perdida.

Update em 28/03/2013 - com o lançamento do segundo trailer, algumas coisas foram explicadas... e, não, talvez o filme não estrague a ideia do livro. A narrativa na película vai mudar um pouco a história do livro, mas no intuito de adaptar pra linguagem audiovisual de Holywood... afinal, ao que tudo indica, no caso do filme o protagonista assume um papel muito mais primordial para a transformação dos fatos. Enquanto no livro a missão dele é como a de um jornalista - de investigar e relatar - no filme ele será como um detetive e terá que descobrir a tempo para evitar o pior. Bom, seja como for, promete!



Quando for criar ou contar uma história, procure por ângulos inexplorados. Mesmo os temas mais clichês - como vampiros e zumbis - podem surpreender.



Se não tinha ouvido antes, não se preocupe, é realmente uma novidade...
Pela primeira vez um curso será inteiramente apresentado como uma história, sendo que cada slide do PPT será um quadrinho. Essa é a proposta do FIM DO SLIDE SIDIOUS, em que cada professor irá atuar como um dos personagens em cena.

De quebra, cada aluno sai do workshop com seus próprios personagens e um pré-roteiro que aborde os principais pontos de uma proposta, projeto ou apresentação.

O conteúdo é dos professores Fernando Palacios, Martha Terenzzo e Marco Franzolim;
A criação e o roteiro são da Storytellers;
As ilustrações são do Studio Sunset.

Mais informações no site



Histórias podem ser sobre pessoas comuns e acontecimentos excepcionais. Todos, de um jeito ou de outro, experimentamos um ou outra parte da jornada do herói, vencendo e perdendo batalhas contra nossos próprios dragões. Passando ação à reação até chegarmos no "felizes para sempre" que estamos buscando.

Tom é um gato normal, que gosta de água fresca e de caçar, mas tudo muda quando aparece um ratinho muito do esperto que Tom não consegue pegar de jeito nenhum. John Connor também era um garoto comum até começar a ser caçado por máquinas do futuro, assim como Marty McFly parecia não passar de "um qualquer" até descobrir a viagem no tempo.

Criar um herói para um narrativa vai além de criar um salvador, ou vestí-lo em roupas coladas com as cuecas por cima das calças. Na verdade criar um herói é um processo complicado e trabalhoso, mas o vídeo abaixo, além de ser inspirador, nos ajuda a dar o primeiro passo desse processo, apresentado originalmente por Matthew Winkler no TED Ed, o vídeo é baseado na teoria da jornada do herói de Joseph Campbell:

Do que é feito um herói? 





Os perigos do apocalipse zumbi não se aplicam apenas aos personagens. Muitas vezes escrever é um processo "orgânico" e cronológico, uma brincadeira de personagens e uma sucessão de "e se"s que acabam se transformando em uma narrativa. Esse processo arriscado de construção narrativa já custou dois showrunners (responsáveis criativos da série) em 18 meses. Eu sei que estou simplificando muito o processo, mas foi basicamente assim que a AMC conseguiu quebrar todos os recordes de audiência de séries com The Walking Dead.

CUIDADO COM AS PROMESSAS

Uma das coisas mais importantes em uma narrativa, seja ela série ou livro, é o que chamamos por aqui na storytellers de Grã-conceito, ou seja, aquela promessa que fazemos ao espectador quando apresentamos a nossa história. Quando falamos de The Walking Dead o grã-conceito é bem simples "Um xerife norte americano que acorda de um coma no meio do apocalipse zumbi e começa uma jornada para proteger e salvar sua família, encontrando no caminho, além dos obstáculos apocalíticos, muitos outros sobreviventes" ou simplesmente "Uma história sobre sobre o apocalipse zumbi".

Com um grã-conceito assim, precisamos apenas de bons personagens e alguma imaginação. Conhecendo nossos personagens somos capazes de prever o que eles fariam em certas situações e é ai que entra o "e se..." na brincadeira. Dai pra frente é só continuar escrevendo e se perguntando, "e se eles fossem atacados por 100 zumbis ao mesmo tempo, o que fariam?", " e se eles forem atacados por um grupo de humanos?", "mas e se a mulher estivesse grávida?" e imaginar as respostas de cada personagem para cada uma dessas situações. Pronto, temos uma história... ou não... 


PENSE NAS PESSOAS

Um bom personagem é para o autor como um de seus melhores amigos já que é preciso ter a capacidade de descrever o que ele faria em determinada situação. Pense no seu melhor amigo e tente imaginá-lo no apocalipse zumbi, o que ele faria? Será que ele seria um sobrevivente? Como ele morreria? Qual seria a fraqueza dele que o levaria a morte? Ou qual seria qualidade que garantiria sua sobrevivência? 

Pense nas pessoas, o público tem que entender os personagens como você os entende, se relacionar com eles. Fazê-los acreditar que o personagem é real e humano, vai te ajudar a fazê-los acreditar que todo o resto também é real. 

NÃO SE ESQUEÇA DOS ZUMBIS 

Um dos perigos de seguir a regra de cima é que nós podemos nos esquecer das nossas promessas, então vamos lembrar que: se você prometeu uma história sobre o apocalipse zumbi entregue uma história, no mínimo, sobre zumbis. Pensar nas pessoas é importante, saber o que elas fariam também é, mas no fim das contas o que deve determinar suas ações na história, assim como na vida, deve ser a situação em que estão inseridas, portanto, os zumbis devem fazer parte do "e se..." e ao invés de reagirem eles devem forçar reações, invadir áreas desconhecidas do acampamento supostamente seguro de seus personagens, vez ou outra pegar a menininha loirinha que vocês estava começando a conhecer e se apaixonar e quem sabe até atacar o líder da turma só pra criar um conflito.


Um dos problemas desse tipo de processo é que podemos nos perder no meio do caminho e, ao invés de escrever sobre os zumbis, transformamos a história em um relato sobre um grupo de pessoas forçadas a viverem juntas, dramas pessoais entre eles tomam conta da narrativa enquanto o apocalipse se torna uma desculpa para a união dos personagens, com uma ou outra aparição de um zumbi.  






Que tal um curso que mostre como transformar uma ideia, uma apresentação ou uma proposta de negócio numa história. Literalmente. Tão literalmente que o próprio curso vai ser apresentado de forma narrativa.

Na verdade, mais do que um curso, é um workshop.

Quem participar, já sai com o roteiro pronto.


Se quiser aprender como fazer para contar uma boa história e ainda praticar em sua própria apresentação, inscreva-se agora no Workshop O Fim do Slidesidious.

Em apenas 8 horas você vai sair com um roteiro pronto, revisado e com a possibilidade de apresentar para os professores.

O melhor roteiro vai ser produzido profissionalmente!

Contemplado com uma consultoria StoryDoctr da Storytellers, equivalente a R$ 15 mil, e a produção em Power Point pela Monkey Business, equivalente a R$ 8 mil.

O curso na ESPM-SP é aberto para todos os interessados 


Recomendado para quem lida com transmissão de conhecimento, em especial para: quem tem uma ideia que precisa encantar o cliente, um projeto a ser aprovado com a alta gestão, uma start-up que precisa captar capital de investidores, e, finalmente, para quem leciona ou ministra cursos e palestas e busca vencer a guerra contra os smartphones... mais do que vencê-los, torná-los poderosos aliados.


Você pode conhecer a agenda dos cursos de storytelling aqui: https://www.storytellers.com.br/p/sobre-nossos-cursos.html




As grandes tempestades dão destaque a um velho companheiro que anda esquecido das manchetes: o rádio. Você até pode sacar o telefone celular do bolso para escapar de rios transbordando, queda de árvores e engarrafamento. Comentar no Facebook a respeito de raios e trovões. Nada, porém, tira do radinho aquela cobertura dinâmica sobre os estragos da chuva nos diversos pontos da cidade.

Alimentado pelas grandes tempestades, o rádio é um difusor de alertas à população, tragédias e feitos heroicos. Há desde a turista eletrocutada ao homem que sobreviveu aos alagamentos agarrado às grades do prédio.

Ouve-se a narrativa daquele que perdeu a casa inteira e do que chegou a tempo de salvar mulher e filhos. De gente que atravessou a rua em cima de uma prancha, com a água nos joelhos, o guarda-chuva quebrado, o laptop novo, o sanduíche de mortadela intacto, o cachorro de estimação da vizinha. Sem energia elétrica, do sujeito que ficou preso no elevador com a amante, o pior inimigo, um síndico tagarela, o tablet sem bateria.

O Rio de Janeiro sofreu ontem com uma forte tempestade, que poderia ter atingido qualquer município brasileiro. Qual a sua história desta ou de outras chuvas? Valem os fatos reais ou imaginários, claro.  Sintonize o seu rádio interior antes que a pilhe acabe e mande brasa – ou melhor, pingo.

Para inspirar, vale dar uma olhada na galeria de fotos do jornal O Globo: http://ow.ly/iroza    

Foto: Zero Hora


Certa vez ouvi dizer que a maior invenção do ser humano até hoje, ou até a data na qual ouvi dizer, foi o controle remoto. Incerto se concordo ou discordo dessa proposição, faço uso do mesmo controle remoto e pulo direto à cena em que me apresento ao blog: Olá, eu sou Pedro Kastelic e estou oficialmente me apresentando como colaborador do Stories We Like.


O botão “fast forward” nos trouxe até aqui, o momento em que você lê sem muito entender aonde eu quero chegar e eu torço para que você tenha paciência de lê-lo até o fim. Para isso vamos deixar o controle remoto de lado e começar onde tudo começou.
Meus pais eram um tanto bairristas e não quiseram que eu nascesse na pequena e pitoresca Maracaju, no Mato Grosso do Sul. Assim correram contra as luas da gestação rumo à São Paulo, onde eu deveria nascer. Por um triz - quase na divisa - fui nascer em Presidente Prudente. Essa é a história que ouvi por toda a minha infância e que, mal sabiam eles, faria todo sentido quando alguns anos depois, em resposta à clássica pergunta “O que você vai ser quando crescer?”, eu dizia: Presidente!
E da maternidade já saí trajado como um bom fanático que um dia viria ser: de Corinthians da cabeça aos pés. Pra tirar qualquer sombra da dúvida, assim que cheguei em casa já recebia uma bola de futebol, meu primeiro presente. Tiro e queda, anos mais tarde minha resposta à clássica pergunta passou a ser: Jogador de futebol!
Filho único, durante boa parte de minha infância meu maior medo era irônico: ficar sozinho. Desta forma ia “trabalhar” com os pais e minha distração era papel, caneta e tesoura. Não tardou e a resposta aos colegas de trabalho de meu pai ou de minha mãe já era outra: Quero ser artista!
A magia de minhas respostas parou por aí por muitos e muitos anos, até que há pouco tempo encontrei um fim onde toda esta trama se encaixa a formar a primeira parte de minha história. Onde eu posso ser presidente da república, jogador de futebol e artista com apenas algumas páginas escritas, ou tão só um clique em meu controle remoto. E que quando me perguntarem, responderei sem titubear: Quando crescer quero ser um storyteller!


Ninguém viu a principal técnica de Storytelling das Aventuras de Pi. Literalmente. Ela não pode ser vista nem pelos olhos de quem apreciou o filme na maior das telas de cinema. Nem os óculos do Google seriam capazes de revelar esse segredo bem oculto.

Pois é, apesar de todo aplauso para os elementos estéticos e visuais, desde os efeitos especiais alucinógenos até a fotografia hipnótica. Ainda que a direção atenciosa seja digna de Oscar. Mesmo com toda a estética capaz de traduzir imaginação, a principal técnica de Storytelling do filme é invisível aos olhos.

A técnica tigre de Pi está presente desde o livro, mas também não pode ser vista nas palavras. Aliás, é o contrário disso. Assim como um ninja ou uma mensagem escrita em entrelinhas, a técnica em questão não quer ser vista e vai fazer de tudo para se camuflar. É isso que confere seu poder.

Assim que a Storytellers vai revelar dentro de algumas linhas que técnica é essa. Mas não sem antes alertar que o post só deve continuar sendo lido por aqueles que viram o filme e/ou leram o livro, sob pena de estragar a experiência de uma grande história.

A técnica tigre de Aventuras de Pi é chamada de diegese. Ainda falando tecnicamente, é tudo aquilo que não extrapola os limites da quarta parede. São todas as coisas que nascem dentro do próprio universo da história.

Começando pelo próprio autor. Yann Martel. Ele existe no mundo real, mas ele também está presente na ficção. O motivo é simples: ele diz que é mais barato viver na Índia do que no Canadá enquanto ganha tempo para escrever um romance.

Depois vem a questão do barco com os animais, incluindo nosso amigo, o tigre Richard Parker. Um tigre com nome e sobrenome, que para alguns é uma metáfora, mas que faz sentido no universo da história... afinal, tanto o menino quanto o tigre compartilhavam o navio que naufragou pelo mesmo motivo: o Zoológico fechou.

Uma técnica fundamental para quem quer inserir marcas e produtos numa narrativa. Uma forma simples e eficiente para melhorar numa numa escala geométrica o chamado product placement, também conhecido como merchandising de novela. Se não fizer sentido para a história, então, qual o sentido?



"Ela tinha 8 anos de idade no nosso primeiro dia do terceiro ano fundamental, quando a chamaram de feia. Nós dois fomos colocados no fundo da sala para não sermos mais alvo de bolinhas de papel e cuspe. A escola virou zona de guerra e nós, sempre em menor número, ficávamos do lado de dentro no intervalo, pois o lado de fora era ainda pior e nós teríamos que ensaiar corridas de fuga ou aprender a ficar parado sem deixar pistas da nossa presença. Na quinta série eles colaram um papel, que dizia "Cuidado com o cão", na mesa dela. Até hoje, apesar no marido apaixonado, ela não acredita que é bonita por causa de uma marca de nascença que cobre menos da metade de seu rosto. As crianças costumavam dizer que ela era como uma resposta errada que tentaram apagar e não conseguiram. Eles não vão nunca entender que ela está criando duas crianças para as quais a definição de beleza começa com Mãe, só por que suas filhas enxergam seu coração antes de olhar para a sua pele." - Shane Koyczan 

O Texto acima foi retirado (e traduzido livremente por mim) do vídeo "to this day" criado pelo poeta, especializado em poesia oral, Shane Koyczan. "To this day" é um projeto do poeta para combater o bullying nas escolas americanas, e o vídeo conta três histórias de arrepiar, muito bem contadas e muito bem escritas. O texto bem trabalhado sabe usar os pronomes certos para te convidar para dentro da história ou te distanciar dela de acordo com a intenção do autor. Além disso as frases curtas e ritmadas usadas pelo poeta facilitam o entendimento e o uso constante de verbos mantém a narrativa em movimento. Além disso, o autor soube usar muito bem o conflito e a complexidade dos personagens para dar aquela sensação de "nossa, esse sou eu!" em muita gente. 

O vídeo está em inglês e até onde eu vi não tem legenda, mas é inspirador. 




Uma das maiores vantagens de usar storytelling na publicidade é que você dá a oportunidade do consumidor virar fã e depois, é só uma questão de tempo até o fã virar evangelizador. Para quem está conectado o conceito de fan fiction não é novo, mas eu vou explicar:

Fan Fiction é um termo em inglês que dá nome ao ato de criar arte com base em universos ficcionais famosos. Como exemplo disso podemos citar, entre muitos outros, a série animada The Clone Wars que conta novas histórias no universo do conhecidíssimo Star Wars. Outro exemplo recente e famoso de fan fiction é o livro 50 tons de cinza que originalmente surgiu em um fórum norte americano como fan fiction de crepúsculo. 

O poder de engajamento de uma história leva a inspiração e a inspiração leva a novas histórias. Não é uma lógica difícil. Mas o que é que marketing político tem com tudo isso? 

Nos estados unidos, durante o período eleitoral, é comum encontrar os "attack ads", ou seja, uma propaganda eleitoral que ao invés de dizer os motivos pelos quais devemos votar no Sr. Y ou X, ressalta de maneira sensacionalista, por assim dizer, os motivos pelos quais NÃO devemos votar no Sr. Z ou V. 

Durante a última eleição norte americana a revista Mother Jones, especializada em conteúdo político decidiu misturar fan fiction e attack ads como formo de protesto, ou não, aos ataques públicos entre os candidatos. Para isso eles criaram uma série de vídeos baseados no universo, de R. R. Martin, "A Guerra dos Tronos" e o resultado foi esse ai, olha só: 







Para ver os outros vídeos da série de Attack Ads criada pela Mother Jones entrem no site http://www.motherjones.com/politics/2012/06/game-of-thrones-attack-ads.


Então vieram as hordas de Orcs. Ninguém sabia de onde vinham tais criaturas e ninguém estava preparado para o terror que espalharam...

Vamos falar um pouco sobre jogos? Em especial os da série Warcraft e por um motivo interessante. Muita gente pode não reparar, mas sem dúvida ele “cultiva” um dos maiores universos de ficção da cultura pop/nerd, que eu julgo ser tão engajado com o público quanto Star Wars.