Assassinos famigerados, temidos tanto no plano físico quanto no astral, entrevistamos cinco dos mais famosos “monstros” da história. Embora nenhum deles seja inumano (à excessão de Chucky), todos fazem jus ao título, devido às atrocidades que cometeram. Storytellers foi até o Asilo Arkham (em Gotham City) para descobrir o que pensam – se é que pensam.


Em meio a corredores amplos e devidamente escoltados pelo Comissário Gordon e pelo psiquiatra Leonard Samson, adentramos as entranhas do Asilo Arkham, o manicômio judiciário mais capacitado a abrigar superseres de sanidade mental ímpar. Como três dos entrevistados não falam, tivemos a assistência de Charles Xavier para perscrutar suas mentes e servir como intérprete.

Storytellers- Como vocês se sentem tendo feito tudo o que fizeram?

Freddy Krueger- Você deveria se perguntar como EU me sinto por ter sido morto por meus PAIS.

Charles Lee Ray (Chucky)- Cara, eu já não sentia muito quando tinha forma humana. Imagina no corpo de um boneco, que nem coração tem. (Risos)


"Já não era fácil ser uma criança deformada e ainda ter sido deixado pra morrer afogado enquanto o casalzinho que tava lá pra tomar conta de mim tava se pegando. Por que tu acha que eu tenho predileção por casalzinho apaixonado?" - Jason

Jason (Psicografado por Charles Xavier)- Já não era fácil ser uma criança deformada. Menos fácil ainda ter sido deixado pra morrer afogado enquanto o casalzinho que supostamente tava lá pra tomar conta de mim e das outras crianças tava trepando. Por que tu acha que eu tenho predileção por casalzinho apaixonado?

Leatherface (Psicografado por Charles Xavier)- Geral da minha família faz barbaridade e eu fui educado assim. Fora que eu sempre fui um monstro numa família de monstros. Tu qué o quê, porra?!

Michael Myers (Psicografado por Charles Xavier)- Na minha primeira vez eu era criança. Era Dia das Bruxas e eu nunca curti muito doce... 

Storytellers- Então vocês justificam suas atrocidades pelo histórico de vida de cada um?

Chucky-
 No meu caso, não. Sempre fui ruim que nem beira de rio em final de enchente. Tava encurralado, cheio de tiro nos peito, e vi nesse boneco uma chance de viver pra sempre. Se é que se pode chamar isso de viver.

Freddy Krueger- Bom, não é todo mundo que foi morto por quem lhe deu a vida...

Jason- sofri bullying desde que se chamava "zoação". Ainda morri afogado e, quando dei por mim, já tava grande. Não tenho nem memórias de adolescência. Eu sou o caso de Master-Blaster mais escroto da história, já que não tenho Master nenhum. Fora que faz o maior frio em Crystal Lake.

Leatherface- Eu fiz alguma atrocidade?

Michael Myers- Acho engraçado que só é considerado atrocidade numa via de mão única. Ninguém aqui é santo, eu sei, mas todos sofreram atrocidades antes de se tornarem o que são. Menos eu e o boneco aí (referindo-se a Chucky). E eu falei na época que não gostava de doce, porra!

Storytellers- Com exceção de Leatherface, que deu um upgrade na "carreira" (com o último filme e com o próximo, que sairá em 2016, somente sobre sua vida), todos vocês parecem estar meio em baixa, né?

Chucky- Eu sempre estive em baixa, né? 

Freddy Krueger- Eu tava em baaaixo mesmo! Lá no quinto dos infernos dei uma ideia no idiota do Jason pra tocar o terror na molecada pra eles voltarem a ter pesadelo e me alavancar de sei lá qual círculo do inferno que eu tava. Mas é foda! A molecada hoje não se assusta com as mesmas coisas de antigamente.


"Tô pensando em dar um rolé no Brasil. Geral usa máscara no Carnaval. Imagina?! Cinco dias pra barbarizar! E ainda tem a quarta-feira de cinzas." - Michael Myers

Jason- Eu não sei porque fui dar ouvidos a esse filho da puta! No final só serviu pra gente ser humilhado, sair na porrada e vir parar aqui.

Leatherface- O que é upgrade? Tá me tirando?

Michael Myers- Tô pensando em dar um rolé no Brasil. Geral usa máscara no Carnaval. Mais fácil dichavar (Risos). Imagina?! Cinco dias pra barbarizar (Gargalhadas)! E ainda tem a quarta-feira de cinzas.

Storytellers- Então vocês acham que monstros como vocês não assustam mais como antigamente?

Michael Myers- A gente nunca assustou ninguém. Nem dava tempo de ninguém ficar assustado.

Leatherface- Te garanto que sem a máscara é pior. (Na imagem, a foto do momento em que Leatherface foi apanhado, registrado pelo aparelho celular de um policial).  


"Sempre me amarrei em máscara. 
Halloween eu sempre preferia as tricks do que as treats
Não tinha dinheiro pra comprar máscaras, 
daí eu 'doyourselfizei' a minha própria" - Leatherface
Jason- Sóóó...

Freddy Krueger- Cara, o problema nem é o medo. Os jovens de hoje dormem menos. Fora que esses remédios que impedem de sonhar são foda! Mal sabem eles que o Alzheimer os espera. (Risos)

Chucky- Olha esse mundo como tá, bróder! Cê acha que nêgo vai ter medo de monstro?

Storytellers- O Modus Operandi de vocês é bem diferente um do outro. Vocês poderiam falar um pouco sobre isso?

Freddy Krueger- Eu simplesmente esperava os otários dormirem e cortava o Cordão de Prata, separando a alma do corpo físico. A luva com as garras era só pra compor o visual. Sabe como é, né? Faz o inconsciente atuar a meu favor.

Jason- Nem sei o que é Modus Operandi. Só ia lá e descia a porrada!


"O Kardecismo é tão ridículo que só fez sucesso no Brasil. O país de vocês é assim mesmo. Até o Positivismo virou igreja no Brasil. Como eu sei disso tudo? Habito o mundo dos sonhos. A humanidade pra mim é uma biblioteca." - Freddy Krueger

Michael Myers- Eu ficava passando devagariiinho de carro, de rolé. De máscara, pra botar um terror. À noite, que geral fica com o cu na mão, eu atacava. Você se espantaria com a quantidade de gente que deixa a porta de casa aberta e vai dormir.

Chucky- Que mané Modus Operandi, rapá! Isso é coisa de baitôla!

Leatherface- Não sei que porra é essa, mas o meu dom é de família, né?

Storytellers- A respeito do Modus Operandi, faremos uma pergunta para cada um individualmente. Freddy, como você sabe o que é Cordão de Prata, se não é brasileiro?

Freddy Krueger- Cara, sinceramente, o Kardecismo é tão ridículo que só fez sucesso no Brasil. O país de vocês é assim mesmo. Até o Positivismo, que não rendeu o menor "ibope" na França, virou igreja no Brasil. Como eu sei disso tudo? Habito o mundo dos sonhos, cara. Absorvo o Inconsciente Coletivo de geral. A humanidade pra mim é uma biblioteca.

Storytellers- Jason, você tem intenção de diversificar o tipo de vítima, além de jovens enamorados?

Jason- Essa pergunta é engraçada porque a gente tá próximo do Dia dos Namorados  de vocês e eu nem matei ninguém. Valentine´s Day sempre foi minha data favorita.  Bicho não tem graça porque é instintivo e não entra em pânico igual gente. 

Storytellers- Você diversifica bastante o seu Modus não é, Chucky?

Chucky- Que mané Modess, rapá! Tá maluco?!

Storytellers- Me refiro à maneira como você trucidava suas vítimas.

Chucky- Tá dizendo que eu sou o mais versátil da cambada aqui? Bom, o Jason é um boçal e o Leatherface, um retardado. O Myers é meio caladão e o Freddy é o mais rebuscado mesmo...

Storytellers- Leatherface, a despeito do que disse o Chucky, essa máscara já demonstras uma bom nível de subjetividade da sua parte.

LeatherfaceO que eu sei é que a minha cara é feia pra caralho e eu sempre me amarrei em máscara. Halloween eu sempre preferia as tricks do que as treats. Não tinha dinheiro pra comprar máscara, daí eu "doyourselfizei" a minha própria.

Storytellers- Michael, se você ampliasse um pouquinho o seu senso de justiça, poderia se tornar um anti-herói como Rorschach (Assassino serial que integra a equipe Watchmen).

Michael Myers- Expressão inexpressiva é massa, né? A máscara dele é mais "da hora", mas sou mais a minha. Ele se baseia naquele psiquiatra suíço, né? Ninguém sabe quem foi esse tal de Rorschach...

Storytellers- Se quase todos vocês são superseres e alguns nem fazem parte do Plano Físico, como foram pegos?

Michael Myers - Aquele policial filha da puta me perseguiu a vida inteira pra meter bala no meu peito. Sorte que eu não morri. Depois eu que sou o maníaco. Por que ele não tá aqui também?!


Jason- Na hora do desespero, parceiro, até moleque dá porrada em nós.

Chucky- No meu caso, fica difícil até correr, né, bróder?


"Vou fazer o quê nesse corpo de boneco, parceiro? 
Trabalhar de boneco de ventríloquo?" - Chucky

Leatherface- Depois que deram cabo da minha família, eu perdi as esperanças e me tranquei no porão. Só saía pra rangar. De mais a mais, ninguém deu falta de mim na delega! Minha prima foi me visitar. No início me estranhou, depois se afeiçoou a mim. Queria ter a minha guarda como tutora, mas o juiz não aceitou a apelação e vim parar aqui.

Freddy- Ghostbuster é foda, né, cumpádi?! Bastou bater um fio pro Egon e cia. e aqui tô eu.

Storytellers- Segundo consta, há possibilidade de reabilitação. Vocês concordam em se adequar novamente à sociedade?

Freddy, Jason e Myers arrumados para a terapia em grupo. Segundo Doutor Samson, a indumentária visa adequar os detentos à reabilitação. 
As máscaras os auxiliam para que não seja muito abrupta. 
Leatherface- Nunca me adequei à sociedade. A única que eu cogitei foi a dos Poetas Mortos. Se fosse eu quem matasse.
Chucky- Vou fazer o quê nesse corpo de boneco, parceiro? Trabalhar de boneco de ventríloquo? Vou ficar no colinho de macho não!
Jason- E eu, vou fazer o quê? Trabalhar em açougue? Ou de Crash Test Dummie?
Michael Myers- Tem gente que acredita em reabilitação. E em ex-gay, você acredita?
Freddy- Cara, eu vivo de pesadelo. E aqui nesse lugar, tenho muita matéria-prima pra trabalhar. Sair daqui pra quê?

Colaboraram com a reportagem, o psiquiatra Leonard Samson e o telepata Charles Xavier.

Sobre as imagens:
As imagens aqui postadas são fan mades
Quando vi a primeira, fiquei muito a fim de fazer uma entrevista fictícia como ocorre na coluna Blogs do Além, de Vitor Knijnik, da revista Carta Capital

Monstros e Escravos do Pó são as primeiras experiências aqui postadas na categoria Coringa. Em breve, lançarei outras, como uma forma de Transmídia, pois isso já é feito na forma de desenhos e ensaios fotográficos. Por que não contar a história destas imagens?


The Writer Prisoner by Marvin1988


Sabem, basicamente existem dois tipos de escritores: os Pantsers, dotados de sensibilidade sobre seu enredo e os Ploters, arquitetos da narrativa.

Frequentemente conversamos sobre o lado obscuro de um pantser, naturalmente acessado por escritores iniciantes. É aquele lado em que se perde o controle da narrativa e até a alma de alguns personagens.  Dificilmente uma narrativa empresarial vai ser trabalhada neste modo, pois as marcas necessitam de mais precisão para conversar com seu público.

Todavia os arquitetos de narrativas (Ploters) também podem cometer o erro de se guiar cegamente pelo teu caminho e fazer com que sua estrutura de texto pareça mais com um presídio cheio de paredes e limites que você mesmo vai ter trafegar com dificuldades.


O personagem não consegue fugir do óbvio


Alguns escritores podem dizer que a melhor forma de surpreender um leitor é começar escrevendo o desfecho da história.  Isso é assunto pra outro post, mas se fizer isso e seu personagem estiver preso na estrutura, mesmo que tente ocultar, pode parecer óbvio demais para o leitor.

É como se as opções de ações estivessem se esgotando e seu leitor estivesse dizendo "se ele fizer qualquer coisa diferente disso, a história acabou para mim"



O autor não se emociona, porque estava tudo mecanicamente planejado


Hemingway dizia que o texto estava pronto quando o autor estava esvaziado emocionalmente.  Porém quando o processo é todo mecanizado, construído de forma milimétrica... o autor pode passar por ele sem esboçar nenhuma reação de medo, amor, fúria e qualquer outra emoção.  Ok, se você não for o primeiro a se emocionar com seu texto, dificilmente outras pessoas farão por ti. 


O segredo para evitar estes erros é a prática.  Escrever de forma frequente e se empenhar em aprender sobre a prática da escrita e sobre o gênero que se propôs a escrever. Estas duas coisas devem se tornar constantes em sua vida e naturalmente você passará pelas armadilhas construídas pela sua arquitetura de texto, e poderá dizer algo como "isso não funciona mais, vou destruir essa parede e construir um novo caminho a partir daqui."






Publicação adaptada do artigo publicado no Portal Administradores

Os Storytellers estão na Flip2015 e já participaram dos cafés literários promovidos pelo Sesc. O primeiro teve o sugestivo tema (Sobre)viver de Literatura. O debate foi acalorado, não só pelo calor da sala lotada de pessoas interessadas pelo assunto, como pela paixão da fala dos autores. Diz o bordão popular que "não tá fácil pra ninguém", mas para o escritor brasileiro parece que a situação é ainda mais difícil.

Uma coisa é certa, aos olhos da sociedade brasileira, escritor não é profissão. Faça o teste ao conhecer alguém: apresente-se como alguém que vive de escrever livros e verá que as próximas perguntas serão "você escreve sobre o quê?", "como é a vida de escritor?" e "como você faz para ganhar dinheiro?". O escritor Paulo Scott que lançou um livro intitulado O Ano Em Que Vivi De Literatura brincou "se você quiser saber como foi a minha vida de deixar um alto cargo de advocacia para viver de literatura, pergunte à minha mulher" e alguém da plateia comentou sem titubear "coitada".

Números do mercado comprovam um pouco dessa visão. Mesmo que as vendas de livros venham crescendo a um ritmo de 10% ao ano, a expectativa de um novo autor é ter de duzentas a trezentas cópias desovadas por leitores. Um livro no Brasil que venda mais de dez mil cópias é considerado um best seller. Já nos Estados Unidos, a expectativa de estreia de um novo autor está em torno de vinte a trinta mil cópias. O próprio Paulo Scott comentou que "ainda temos que comer muita grama para chegar mais perto deles".

Dois grandes motivos separam as realidades literárias do Brasil e dos Estados Unidos. O que separa o sobreviver do poder viver bem. A primeira é mercadológica, e como apontou Luiz Ruffato, "escrevemos em português, que é uma língua que ninguém fala". Fica mais difícil de levar a obra a outros mercados. Alguns acadêmicos rebateriam esse argumento com a literatura russa, que é uma língua menos abrangente que o português e mesmo assim se tornou a literatura mais influente do mundo. O que nos leva ao segundo motivo, que tem a ver com o preparo técnico.

A maioria dos autores brasileiros são autodidatas, perseguem seus sonhos e escrevem o que vem do estômago. Os autores nos Estados Unidos, depois da graduação, estudam mais dois anos o Master em Fine Arts, o equivalente ao MBA para um romancista ou roteirista. Não quer dizer que todo livro escrito por um estadunidense é ótimo. O ponto é que olhado do ponto de vista de produto cultural, sempre é uma obra mais completa. Existe um equilíbrio entre enredo, estilo e divulgação.

Um dos problemas de escrever pelo estômago é o ritmo, que tende a ser considerado lento demais para manter intrigado os jovens leitores crescidos ao ritmo dos filmes, dos vlogs e dos romances em que muita coisa acontece em pouco tempo. Essa questão de estilo, também chamada de poética, tem a ver com as técnicas narrativas, com o 'telling' do storytelling, e ajudam a manter a atenção de um leitor cada vez mais disputado.

O outro problema é o controle sobre o enredo. Ao não conhecer a estrutura tradicional dos contos e fábulas, além das convenções de gênero, o autor tem dificuldade em manejar os rumos da narrativa além de onde o estômago aponta. Uma evidência disso é a dificuldade que os autores brasileiros encontram ao ter que escrever uma história a partir de um briefing, por mais vago que seja. O exemplo da coleção Amores Expressos citada durante o debate ilustra esse ponto. Muitos anos depois que um grupo de escritores consagrados brasileiros foram convidados a viajar para se inspirar e na volta escrever uma história de amor, muitos sofreram com o processo e outros nem chegaram a concluir o desafio. O difícil é conseguir fazer uma obra funcionar, sendo que ela não veio do âmago.

Mais do que programas de incentivo à produção literária, a solução para o mercado brasileiro de livros apontada pelos debatedores foi a educação. Claro. Afinal, como podemos falar de um Brasil que lê, com grande parte da população sendo analfabeta funcional? Mas a educação também pode servir aos escritores.

Para ajudar a entender as engrenagens e dominar melhor o processo é fundamental que os autores invistam na formação técnica, seja por meio da imersão em livros técnicos, seja por meio dos cursos de escrita criativa como a do Assis Brasil e de storytelling e transmídia em instituições culturais como a galeria de arte b_arco.

Para terminar, a questão da divulgação é sempre polêmica. Paulo Scott comentou o problema que assola muitos jovens escritores que mais se preocupam com suas contas nas redes sociais do que com suas obras. Não adianta divulgar algo que não tem substância. Mas quando algo com substância não é devidamente divulgado, caímos no desperdício tão cruel quanto raspar a comida do chef na lata do lixo. A reclamação que mais tenho ouvido de editores é que o escritor brasileiro entrega o texto e, pronto, considera que seu trabalho está finalizado.

Muitos escritores sentem que fazer a autopromoção seria se vender ao sistema e macular a aura artística. Aqui vale evocar a fala 'bélica' do escritor Luiz Ruffato, "esse tipo de discussão é uma mediocridade da classe média, que quer alçar a letra e a literatura a um patamar imaculado. Ninguém levanta essa questão para cineastas ou artistas plásticos".

Saber divulgar o próprio trabalho é fundamental para formar novos leitores. Afinal, como alguém vai se interessar por algo de que nunca ouviu falar? Não adianta reclamar depois que o Brasil é um país de não-leitores e vociferar contra sucessos internacionais que souberam embalar suas obras para criar um público interessado. 




Acho que esse é um assunto não muito usual no mercado de comunicação.  Para muitas agências, narrativas são narrativas... ou seja, elas acabam não se preocupando em entender qual o tipo, função e impacto que a história tem quando é propagada pelas redes sociais.

Hoje venho trazer um tipo bem conhecido do toolkit de Storytelling Interativo, para tentarmos entender de onde ela veio e quais suas principais características: A narrativa emergente (NE)


Quando uma campanha ou ação de comunicação tem uma Narrativa Emergente?


Nada melhor do que começar com os exemplos práticos. Sabe quando a sua empresa convida os seus consumidores a "contarem suas histórias, juntos" ? Assim como fez marcas como Nextel, Petrobrás e etc, esse tipo de conteúdo gerado (UGC - user generated content) constrói uma narrativa emergente, exatamente porque ela vai emergir em algum momento dos seus consumidores. 

Apesar de ser uma prática que se popularizou nos últimos anos, ela existe há décadas atrás, na indústria de Games.   O que uma narrativa emergente precisa para acontecer é basicamente um ambiente sociável, um contexto forte e gatilhos narrativos.  


Alguns games conseguem criar emergência sem a socialização. Um exemplo clássico disso é o modo "carreira" de jogos de futebol.  Nele você pode viver a ascensão e a queda do estrelato como um jogador, começando por times desconhecidos e passando por grandes clubes. Tudo depende das suas escolhas, dos contratos e principalmente do seu desempenho em campo.  Abaixo, temos um gameplay que dá uma visão geral nisso para nós.





Contexto Vs Intenção


Em jogos como este de futebol, o contexto criado é básico e, na verdade ele não é criado pelo jogo em si. Ser um jogador de futebol de sucesso é uma intenção forte criada culturalmente na sociedade brasileira, aliada a ludicidade dos games gera outra intenção no player que é a de se divertir. 

Quando a sua narrativa não é pautada em uma intenção cultural, você vai precisar trabalhar mais no contexto.  Ou melhor, no Story.  Aqui podemos ver como exemplos os MMOs - Massively multiplayer online games.  Do qual ainda existe uma intenção secundária de socialização, mas a história central envolve as pessoas de uma forma intensa, gerando uma imersão narrativa. 





No video acima encontramos o novo investimento da Blizzard, Heroes of The Storm, um MMO/MOBA que carrega as décadas de histórias criadas em várias franquias.


Mas como essas mecânicas podem funcionar em campanhas publicitárias? 


Primeiro, umas questões que podemos levantar: se existem milhares de pessoas interessadas em se envolver e criar suas próprias histórias em jogos, por que as empresas precisam investir quantias exuberantes em mídia, apenas para atrair a atenção e fazer com que uma parcela do target se envolva?   

E, até quem ponto a narrativa gerada desse conteúdo se consolida na cultura da empresa e dos consumidores? 

Tudo depende da ficção aplicada. O envolvimento inicial é notório e esperado pela novidade originada da ação.  Talvez a campanha mais lembrada nesse quesito é a da Nextel. Percebemos que o contexto é criado com os videos iniciais, exibidos na TV.








No primeiro vídeo o ator Fábio Assunção convida os clientes a contarem suas histórias, podemos chamar isso de um gatilho narrativo (bem direto, aliás).  E pra contextualizar, vários outros atores contaram a sua... é uma forma de ensinar como eles gostariam de receber seus videos.

No site naofoiparaoar.com.br (hoje inativo) existiam vários outros gatilhos, em sua maioria, sociais. Para estimular o compartilhamento.  A desabilitação do site já é um indício e característica que se difere dos jogos e, volto a dizer, depende da ficção aplicada. 


Podem perceber que alguns jogos de narrativa emergente proliferam conteúdo, geram fãs.  Lembram da denominação de fãs criada poe H. jenkis?

"Fãs são pessoas inspiradas por histórias que circulam através da mídia de massa, que pegam elementos dessas histórias e os usam como material bruto para sua própria expressão criativa, e que se aproximam devido à sua devoção a esses materiais culturais ricos. Não chamo de "faça você mesmo" e sim de "façamos nós mesmos", por causa da natureza profundamente colaborativa dessas formas de produção cultural. "






Jenkis afirma com isso: quando uma história é boa, os fãs tomam conta dela e continuam a narra-la.  Gerando fanfics como no caso de Star Wars e H. Potter ou inspirando bandas musicais como The Lord of The Rings. Apesar de ainda hospedar um site (vc.nextel.com.br) a participação ainda é condicionada pelas regras iniciais, como se ainda estivesse no primeiro capítulo de um livro... enquanto um fanfic expande o mundo inicial.


Narrativas emergentes tem um ponto negativo que ainda não foi compreendido pelas marcas


A menos que seja a proposta da ação, uma narrativa emergente faz com que os envolvidos tenham tantas experiências distintas que fica difícil dizer que se eles receberam a mensagem central.  Assim como acontece nos jogos, os clientes podem simplesmente desconsiderar toda mensagem central e começarem a criar aleatoriamente, por isso esse tipo de jogo é considerado com menor imersão de Storytelling. 

Para funcionarem as produtoras trabalham uma série de outras formas de conteúdos envolvendo todos no seu storyworld. No caso das marcas é ideal que a sua consultoria domine todas as formas de contar histórias e saiba identificar quando uma delas pode se propagar na mente dos seus consumidores. Ou ela vai passar batido quando a verba pra mídia se for. 


Existem inúmeros gatilhos narrativos e muitas formas de construir uma ficção de marca, verdadeiramente envolvente.  Com base nos valores e das expectativas do público que pretende atingir.  Não tem problema dar poder para as pessoas contarem a história da sua empresa, elas também podem contar as histórias delas juntos com a sua marca, mas pra que essas histórias não morram e a narrativa emergente alcance o seu potencial, as empresas precisam de um suporte muito sério, de quem entende todo o processo. 





A imagem que ilustra este post é de uma ação que a Axe fez aqui no Brasil, belíssima ação, diga-se de passagem.

"Quatro artistas da nova geração do cinema, da arte e da música apresentam a sua visão de um dos maiores protagonistas da literatura mundial de todos os tempos.  Uma releitura contemporânea de Romeo, trazendo consigo os novos jeitos de amar e se relacionar, inseguranças e expectativas do novo homem brasileiro."


Gostei muito da versão criada por Rafael Grampá, que tem toda uma estética e um espírito de narrativas das HQs. Uma versão de  um homem que cansou da sua vida sem emoção e vai atrás da mulher que deseja, superando estigmas de família.  

Aliás, o contexto da história nos mostra o que o Fernando Palacios sempre fala em seus cursos "o segredo de uma história é o que você não conta!"  Entre diálogos de Romeo com o pai da garota, naquele tipo de clube de atiradores de facas, escapa ideia de que eles já tiveram um passado ali




Todavia, me chama a atenção o fato da marca lançar mão de quatro nomes de peso para construir sua narrativa. Claro que eles acabam endossando de alguma forma e isso conta para a apropriação.  Mas fica um pensamento que podemos utilizar em várias esferas da comunicação: Os Storytellers estão distantes das agências ou estão dentro delas? 

Isso é extremamente pertinente quando levamos em conta que para uma história ter seus efeitos notados no branding da marca, o storyteller precisa ter conhecimentos empresariais.  Uma boa história pode ser construída por um bom roteirista, mas e uma boa marca?  - talvez isso não venha ao caso da Axe que já tem uma marca interessante.

Reflita com a gente sobre esse assunto, deixando aqui nos comentários a sua opinião. Até lá, assista esta história fantástica. 




O processo criativo é individual e muitos autores defendem seu aspecto caótico.  Apesar disso ele pode ser direcionado... inspirado.  Boa parte da inspiração para as cenas que Quentin Tarantino cria em seus filmes , por exemplo, é proveniente das músicas que ouve.  E ele não ouve pouca música, o diretor dispõe de um quarto só para guardar as centenas de CDs e discos de vinil que ele coleciona desde a sua adolescência.

Mas nem todo mundo tem um quarto cheio de referências musicais clássicas de várias épocas.  É aí que um bom serviço de música digital pode ajudar na hora de criar sua história. Neste post vou dar algumas dicas que eu pratico usando o Spotify. 


A biblioteca do Spotify tem músicas para todos os gostos e isso é ótimo quando estamos embarcando em um mundo não habitual: E se quiser escrever cenas de um Pub Europeu que apresenta uma banda celta? Ou se você é autor de terror e quer sentir a "vibe" da cultura sertaneja para um curta metragem?  Pra isso vai a primeira dica:




Crie uma Playlist para cada projeto


Qual é o gênero da sua narrativa? Bem, comece por aí.  No Spotify é possível encontrar dezenas de trilhas sonoras de filmes e games.  Eu vou escutando cada uma, procurando nas músicas a porta para aquele sentimento que tento evocar no texto.  Nem todas cabem, as que dão certo entram para a playlist. 

Por vezes seu projeto vai gerar mais de uma playlist. Já aconteceu de usar determinadas músicas para inspirar minhas cenas de ação e outras para trazer emoção aos diálogos em momentos cruciais.  Abuse disso!  Por que não escolher uma trilha sonora para seu personagem? 


Se você não tiver ideia alguma de onde começar, o spotify tem uma ferramenta poderosa, que dispõe de playlist prontas e ranks de músicas mais ouvidas. 




Sério, a imersão em um mundo diferente, pode ser uma barreira enorme para escritores iniciantes. Você precisa saber aonde esta pisando e aliando imagens com músicas você poderá se transportar para dentro da ação. 

Em um dos meus  novos contos, (ainda não publicado) até a escaleta, tudo parecia estar perfeitamente definido.  Eu sabia que iria começar a cena narrando em terceira pessoa a situação do protagonista - uma forma que escolhi de apresentar seu novo conflito já que ele era conhecido da história passada.  Sentei na frente do notebook com todas minhas anotações, passei um tempo olhando as ilustrações que havia pesquisado sobre o storyworld, coloquei o fone de ouvido, fechei os olhos e fiquei uns minutos absorvendo tudo.  

Minha frequência cardíaca pareceu se acelerar e quando minha retina tocou a luz novamente, o que nasceu do encontro dos meus dedos com o teclado foi uma cena em primeira pessoa, explicando toda a emoção que o personagem sentia naquele momento. 


Quando a sua publicação estiver finalizada vai ser interessante compartilhar com seus leitores a trilha sonora que ajudou a construir sua história.   Mas isso é assunto pra um outro post  este que nosso amigo Tiago Cabral já disponibilizou aqui 


Tem alguma dica para compartilhar? Deixe aqui nos comentários. E para conhecer o spotify acesse spotify.com






A season finale da Quinta temporada de Game of Thrones só veio a confirmar o que imaginávamos: a série se tornou um fenômeno cultural, um mito moderno aonde acompanhamos a tragédia da família Stark esperando ansiosamente por um lampejo de justiça entre a batalha pelo trono de ferro.

"Crônicas de Gelo e Fogo"  elevou seu autor, G. R. R. Matin, ao patamar de um dos melhores storytellers modernos. Com um olhar mais técnico sobre a prática da escrita podemos perceber que ele é um grande plotter... um arquiteto da narrativa.  Tudo milimétricamente projetado para despertar ou inibir emoções sobre determinadas situações e personagens. 


Ter o controle da experiência de sua audiência é tudo o que as grandes marcas desejam. Todavia escrever para marcas exige um conhecimento além do romance e da ficção. Estamos falando de um conhecimento que envolve coisas como branding.

A partir do dia 22 de junho, os professores que trouxeram o Storytelling ao Brasil vão explicar por que esse termo tem sido tão usado por empresas e publicitários, para o bem e para o mal. Os alunos vão entender onde acertaram e erraram as marcas que prometerem sucos bondosos e sorvetes italianos. Ao longo da semana, o autor e professor Fernando Palacios fica encarregado de ensinar como as técnicas utilizadas por escritores, roteiristas, quadrinistas, dramaturgos e gamers podem ser aplicadas na hora de se contar uma história.



Enquanto isso, a empresária e professora Martha Terenzzo explica como essas técnicas podem ser apropriadas para melhorar a comunicação corporativa em diversas vertentes: branded content, product placement, mídias sociais que engajam, eventos temáticos, apresentações emotivas e inesquecíveis e até construção de marcas que ganhem vida e aplausos.

Este curso é por um lado direcionado para diretores de comunicação e marketing, gestores de marcas, profissionais responsáveis por recursos humanos e treinamentos, produtores culturais, publicitários, executivos, empresários, jornalistas e todos aqueles que queiram contar melhores histórias. Por outro, o curso também beneficia escritores, roteiristas, cineastas, bloggers, instagramers, youtubers e todos aqueles que já contam histórias e buscam formas de potencializar e até monetizar seus conteúdos.


No sábado o curso é encerrado com um workshop especial, em que os alunos serão monitorados pelos professores para experimentarem o processo autoral: partindo de um briefing para criar histórias fabulosas com potencial de narrativa transmídia.

As inscrições do curso estão abertas até o dia 21 de junho e devem ser realizadas no site -http://www.espm.br/storytelling

Não faz muito tempo que postei aqui minha história de aventureiro, sobre como fui de Roma a Jerusalem sem dinheiro, pedindo carona. Hoje, para aqueles que não acreditaram, tenho o vídeo dessa loucura que eu fiz.


Fiquem ligados para cenas dos próximos capítulos!



O texto foi publicado originalmente pelo portal Série Maníacos

Com o fim da quinta temporada do seriado de maior sucesso da atualidade, choveram lágrimas na internet e nos rostos de milhões de fãs por todo o mundo. Aliás, se você não chorou porque ainda não assistiu ao episódio, melhor não ler esse texto: ele! contém! spoilers!

Storytelling é a disciplina que estuda o funcionamento das histórias, que apesar de ser uma atividade milenar, possui mecanismos que são tão imutáveis quanto as leis da física. Todo aluno de um bom curso sobre o tema aprende algumas premissas fundamentais. Vou simplificar três das mais importantes, caso ainda não tenha tido a oportunidade de se aprofundar no assunto.

A ficção é uma obra composta por invenções e mentiras com objetivo de expressar a verdade. Para isso, os autores recorrem ao poder da verdade humana, aquela verdade inegável, que faz com que a gente se coloque no lugar de um personagem e pense "se eu estivesse no lugar dele... acho que faria a mesma coisa."

Os autores trabalham a verdade humana para gerar a empatia na audiência, que pensa: "eu sou diferente dele, não concordo com a sua atitude, mas acho que o que ele está fazendo a única coisa que ele pode fazer, na posição em que ele está."

Para aumentar a torcida, autores recorrem ao princípio do Destino. São promessas grandiosas ligadas ao futuro de seus personagens. A audiência fica imaginando como vai ser quando o personagem for coroado, punido, vitorioso ou vingado.

Para facilitar, muitos autores agrupam esses princípios de uma só vez. Nesses casos, o protagonista é 'o escolhido' para realizar um grande feito, é guiado por iniciativas nobres e aprende a lição ao longo da sua jornada, garantindo uma experiência mais segura para a audiência.

Não é o caso do autor George R. R. Martin. Para ele a audiência é exatamente isso: espectadora. Ele não escreve para agradar o seu leitor e a expectativa da audiência não influencia nos caminhos do seu enredo.

Mais do que pregar uma moral para a audiência, George R.R. Martin deixa que a própria história ensine a moral aos personagens. Tudo o que a audiência pode fazer é escolher com mais cautela
por quem torcer. Para facilitar a escolha e poupar lágrimas ao final das próximas temporadas, compilei algumas dicas

A primeira lição é: não importa se o personagem é 'do bem' ou 'do mal'; se ele é guiado por princípios nobres ou egoístas. A saga é pautada por muitos acontecimentos reais da época medieval, entre eles a Guerra das Rosas e o Casamento Negro. Diferente dos contos de fadas, no mundo real nem sempre vence o bem.

A segunda lição: pouco importa se você considera justo ou injusto um personagem ser recompensado. No universo de G.R.R.M. a meritocracia não tem a ver com motivação ou propósito, e sim com aprendizado e adaptação.

Se o personagem não aprende a sua lição, ele paga caro, muitas vezes com a própria vida. Vamos ver algumas lições que não foram compreendidas a tempo:
Ned Stark, "na guerra dos tronos, ou você vence ou você morre"
Tyrion Lannister, "quem fala o que quer, vive o que não quer"
Robb Stark, "faça guerra, não faça amor"
Joffrey Baratheon, "quem faz o que quer, vive o que não quer"
Jon Snow, "não adianta querer salvar o mundo, se você não consegue resolver os problemas dos seus próprios irmãos"

De todos os exemplos acima, o único que ganhou uma segunda chance foi o Tyrion, mas muito mais por sorte do que por merecimento. Se ele não aprender logo a sua lição, do próximo julgamento ele não escapa.

Por outro lado, quem aprende, acaba sendo premiado, como no caso de Sam. Ele prestou atenção aos indícios e previu qual seria o seu destino se não aprendesse a lição e tomasse uma atitude. Agora ele está a caminho de realizar seu destino de se tornar um grande maester e, quem sabe, até de se realizar o seu sonho de se tornar um mago.

A última lição: para que algumas promessas grandiosas sejam cumpridas, outras vão por água abaixo. Foi isso que Shireen aprendeu com Stannis, que por sua vez aprendeu com Brienne, que chegou para cumprir o seu destino.

Então, se você não quer sofrer nas mãos do George Martin, ao invés de torcer para o 'good guy', mais humano e merecedor de um final feliz, aposte suas  fichas emocionais naquele que estiver mais atento ao que se passa ao seu redor e que esteja se esforçando para antecipar os possíveis desfechos negativos. Se você tiver dificuldades em fazer essa análise, bom, aí só tem duas soluções: compre um estoque de lenços de papéis ou estude Storytelling antes de ler o próximo livro ou assistir à próxima temporada da saga. 



Contém Spoliers

A série da HBO desde seu início sempre seguiu o mesmo preceito: chocar e gerar polêmica. Com isso ganhou diversos fãs viciados na “adrenalina Game of Thrones”. O perigo de engajar o telespectador nesse vício é que, depois da primeira dose, a mesma quantidade de adrenalina nunca é suficiente para suprir a abstinência. Precisamos de cada vez mais. Mais surpresas, mais momentos revoltantes, mais reviravoltas, mais sentido para as ações, mais poder e “drive”  das personagens.

Essa compreensão acompanhou a série pelas primeiras quatro temporadas. Quando achávamos que sabíamos o que iria acontecer, Game of Thrones nos arrematava novamente, deixando-nos de boca aberta na frente da televisão, esperando os créditos de final de episódio passarem por quantos minutos fossem necessários até processarmos o que tinha acontecido.  Eram emoções atrás de emoções e não havia tempo para desviar os olhos da tela. Não queríamos nos apegar muito a um personagem, pois ele poderia morrer no próximo minuto e nos deixaria gritando sozinhos para a televisão, sentindo tudo aquilo como se fosse a vida real.

Game of Thrones, desde a primeira temporada nos fez um convite para entrarmos num mundo ficcional com matanças, estupros, torturas, jogos de poder, trapaças e traições dos níveis mais baixos. E nós aceitamos e nos envolvemos a fundo nesse universo. Mas quando chegamos na quinta temporada, a série nos deu uma dose muito menor do que a que estávamos acostumados.

Aconteceram coisas chocantes? Sim. Mas foram suficiente para o estilo Game of Thrones? Não. 

Além da diminuição do choque, ao assistir essa temporada não tive a sensação de “meu mundo caiu” que tive em todas as outras temporadas. Isso pode ser atribuído a uma falha de narrativa da temporada que não se preocupou em estabelecer as consequências e riscos. Pense nos momentos que você pensou “e agora?” durante a série e pense quais eram as consequências para essas cenas.

Relembrando os momentos mais marcantes que tivemos:

·      Eddard Stark é morto
 Consequência: Toda a sua família possivelmente seria morta também. O poder agora passa para as mãos dos Lannister, uma família sem escrúpulos que é capaz de torturar os Stark até a morte.

·      Robb Stark, sua esposa e filho Cathelyn são traídos e mortos.  
Consequência: A possibilidade de uma aliança contra os Lannister se foi. A chance de recuperação dos Stark agora é zero. Arya que está chegando na cidade para reencontrar com sua mãe chega tarde demais e tem que lidar com a morte de mais familiares. Sansa está a mercê dos Lannister. Pior ainda, de Joffrey.

·      A violenta e inesperada morte do Príncipe Oberyn.
Consequência: Tyrion será sentenciado a morte por um crime que não cometeu. Os Lannister que tanto odiamos conseguirão mais uma vez injustamente o que querem.

Até o assassinato de Joffrey, que nos causou alívio, gerou consequências eletrizantes, como a fuga de Sansa e a prisão de Tyrion, que acabou sendo traído por sua amada e matando seu pai.

Agora pensando na quinta temporada, mais especificamente os últimos episódios. Tivemos a morte da princesa Shireen. Claro, foi um absurdo queimarem uma criança viva, sem dúvida. Mas o que a morte dela acarretou? Qual foi sua importância para a história, o que aquela pele escamosa significava? A única consequência de sua morte, foi a que esperávamos: a derrota de Stannis. E o que a derrota de Stannis significa? Apenas mais uma pessoa que fracassou para conseguir o trono. E o pensamento que tivemos? Bem feito.

Brienne de Tarth: Depois de ficar dias e dias esperando Sansa lhe pedir ajuda, Brianne de Tarth simplesmente saiu de seu posto para realizar uma tarefa pra lá de inútil: Matar Stannis, que já ia sangrar até a morte de qualquer maneira, sem exercito, sem mulher, sem filha, sem Deus do fogo ou sacerdotisa, e sem nenhuma dignidade. A cena foi digna de deixar o telespectador entediado. A personagem de Brianne foi completamente diminuída nesse momento, afinal, sua utilidade foi executar um homem que estava a beira da morte.

A morte de John Snow. Consequência: Uma possível guerra entre os selvagens e a patrulha da noite, ou o extermínio de todos pelos White Walkers. Há uma consequência, mas ela não nos revolta ou nos faz pensar que algo muito ruim pode acontecer agora que John Snow foi morto. Nem os selvagens, nem a patrulha possuem personagens com os quais tivemos a oportunidade de identificar, já que Sam agora partiu para a Cidadela. Por esse motivo, a morte de John Snow não causou o efeito adrenalina desejado para o último episódio.

O mesmo se aplica a possível morte de Sansa quando ela está prestes a fugir de Ramsey. Consequência: A morte de Sansa não moveria a história, apenas causaria pesar aos telespectadores que gostam da personagem.

Envenenamento de Myrcella. Consequência: Pode causar guerra entre Lannisters e Dorne, mas novamente não há personagens com os quais tivemos a chance de nos apegar nos dois reinos.
  
Por essa falta de elevar os riscos dos acontecimentos, a temporada se mostrou fraca em comparação com as outras temporadas, além de apresentar maior lentidão no curso da história e menos reviravoltas eletrizantes. Obviamente, a temporada também teve bons momentos como o “Walk of Shame” de Cersei, que nos fez questionar onde estava essa “Fé dos Sete” nos tempos quando Joffrey era vivo.

Não podemos negar a qualidade de produção da série, que dificilmente sofrerá perda de prestígio ou fãs. Game of Thrones continua sendo genial e polêmica e é com certeza um exemplo a se espelhar. Podemos concluir que até mesmo casos de entretenimento de sucesso devem se atentar para os perigos de se lidar com expectativas.  Todo contador de histórias deve ter em mente que as personagens podem sofrer altos e baixos em suas curvas de jornada, mas os novos acontecimentos de uma narrativa, seja ela em qualquer formato, nunca devem engajar o telespectador menos do que os que ocorreram anteriormente.


Este artigo foi publicado inicialmente no Portal Administradores.

Uma questão que incita as conversas mais acaloradas entre aqueles que estudam e contam histórias é a tentativa de definir "afinal, o que é e o que não Storytelling". Alguns advogam que o termo só faz referência a histórias narradas oralmente e ao vivo, outros defendem que se trata de uma técnica publicitária para vender mais ou uma técnica corporativa para líderes engajarem suas equipes, também é possível encontrar quem diga que Storytelling é o coração de todas as artes e existem ainda quem discorde de tudo isso. 

Todos estão certos e errados ao mesmo tempo. Storytelling pode assumir qualquer uma das formas descritas amteriormente, mas não se define como uma ou outra coisa. Storytelling é o ato de saber encontrar ou criar histórias fabulosas, com propósitos épicos e contá-las de forma fantástica.
O simples ato de contar histórias participa de nossas vidas, todos os dias. Contamos histórias na mesa de café da manhã, no bebedouro durante o intervalo do trabalho, no café, nas reuniões, acompanhando uma cerveja nos encontros com amigos. É algo que fazemos desde quando morávamos em cavernas e que evoluiu ao longo dos milênios. 

 Quem estuda Storytelling é para aprender a escolher melhor suas histórias e a encantar mais a fundo suas audiências. Não é por acaso que se trate de um campo muito vasto. Digamos que Storytelling poderia ser um mundo inteiro. Aí poderíamos dividir os assuntos em termos de continentes e  países.

Um grande continente desse mundo do Storytelling é o que tem relação com o ambiente dos negócios. Nesse continente, um dos maiores países tem a ver as técnicas de como contar histórias de empresas ou marcas. Na capital desse país estão dezenas de produtoras que buscam tornar a publicidade mais dinâmica e interessante. O país vizinho tem a ver com as histórias ilustradas por slides e narradas durante apresentações corporativas, centenas de empresas se especializaram nesse segmento. A capital desse país de apresentações trata de como usar narrativas para tornar palestras mais interessantes e memoráveis para audiências. 

Entre esse primeiro continente e um segundo existe uma grande ilha, que faz lembrar a Groelândia. Esse território diz respeito ao Storytelling na educação, afinal, professores também podem contar histórias para deixar suas aulas mais envolventes. Storytelling nasceu justamente para transmitir conhecimentoa, há milhares de anos, ao redor de fogueiras.

O continente mais desenvolvido fica no centro do mapa mundi e envolve Storytelling aplicado ao entretenimento. Esse continente é composto por diversos países: Storytelling na literatura, no cinema, nos quadrinhos, nos games, na dramaturgia e até nas artes plásticas. Toda forma de expressão artística recorre às técnicas narrativas e está congregada aqui. Esse continente tem as técnicas mais evoluídas, até por viver justamente de cobrar para que as pessoas tenham acesso às suas histórias. Isso faz com que estudiosos peregrinem de todas os outros continentes para buscar o conhecimento. 

Um terceiro continente é o inverso: ao invés de técnicas de Storytelling aplicadas, são técnicas aplicadas ao Storytelling. Esse é um território de comerciantes que tratam os conteúdos como se fossem produtos de consumo. Os habitantes dessa região vivem se perguntando "como fazer para que as pessoas se interessem por uma história?" A busca deles é por encontrar formas de fazer pessoas saírem de suas casas, enfrentarem trânsito, irem aos cinemas e pagarem para ver um filme porque ficaram curiosas; ou de fazer navegantes da internet buscarem saber mais sobre um livro ou seriado.

Enfim, diante desse mundo de possibilidades, o que te atrai e te interessa? Se tudo interessou, então compre uma passagem para dar uma volta ao mundo, mas saiba de antemão: essa é uma jornada para a vida toda.

Se você quiser alguns atalhos para explorar esses continentes, conte com a gente!


Será mesmo que há espaço para a música em uma obra literária?

Em filmes e séries as músicas floreiram e ajudam a dar o clima de uma cena, mas quando falamos de trilha sonora não estamos falando daquelas orquestrações que estamos acostumados a ver em filmes, mas sim de canções pop com letras.

A música já carrega em si emoções intrínsecas, por isso os roteiristas e produtores as utilizam para acentuar ainda mais o tom de suas cenas, mas em obras audiovisuais a música pode ser tocada, nos livros ela apenas pode ser citada.

Na minha obra Illuminatus: A Nova Ordem Mundial, referencio e cito músicas todo o tempo. Algumas delas até dão o tom de certos capítulos, pois são usadas como inspiração para certos detalhes do plot. Também podem ser utilizadas para ajudar o leitor a imaginar a cena. Alguns leitores da obra relatam ouvir as músicas enquanto lêem os textos. Enquanto outros se satisfazem em apenas entender as referências contidas nas letras que, aliás, são citadas no corpo textual do livro, geralmente em itálico.

Para ajudar esses leitores, mantenho uma playlist no Spotify, tanto para aqueles que não conhecem a música quanto para os que acham que a experiência de leitura é melhorada ao ouvir a música enquanto lê a cena.

Porém na literatura o leitor é o diretor e produtor da obra e cabe a ele decidir como usar este recurso durante a leitura. Quem tiver curiosidade de saber que músicas eu uso no meu livro, é só conferir o playlist abaixo:


 
Para comemorar a décima quinta edição do curso mais tradicional sobre o tema no Brasil, a ESPM fará uma edição especial com workshop no sábado

Imagine que ao chegar no prédio, assim que o elevador se abriu, de dentro saíram zumbis esfomeados. Sabe o que você faria?

Pensar em termos de situações inusitadas como a citada acima é uma das técnicas mais clássicas dos grandes autores para criar histórias e milhões de fãs. Por que as empresas não fazem a mesma coisa? A resposta é simples: o mundo corporativo e mesmo o publicitário ainda não evoluiu sua forma de contar histórias.

A partir do dia 22 de junho, os professores que trouxeram o Storytelling ao Brasil vão explicar por que esse termo tem sido tão usado por empresas e publicitários, para o bem e para o mal. Os alunos vão entender onde acertaram e erraram as marcas que prometerem sucos bondosos e sorvetes italianos.

Ao longo da semana, o autor e professor Fernando Palacios fica encarregado de ensinar como as técnicas utilizadas por escritores, roteiristas, quadrinistas, dramaturgos e gamers podem ser aplicadas na hora de se contar uma história.

Enquanto isso, a empresária e professora Martha Terenzzo explica como essas técnicas podem ser apropriadas para melhorar a comunicação corporativa em diversas vertentes: branded content, product placement, mídias sociais que engajam, eventos temáticos, apresentações emotivas e inesquecíveis e até construção de marcas que ganhem vida e aplausos.

Este curso é por um lado direcionado para diretores de comunicação e marketing, gestores de marcas, profissionais responsáveis por recursos humanos e treinamentos, produtores culturais, publicitários, executivos, empresários, jornalistas e todos aqueles que queiram contar melhores histórias. Por outro, o curso também beneficia escritores, roteiristas, cineastas, bloggers, instagramers, youtubers e todos aqueles que já contam histórias e buscam formas de potencializar e até monetizar seus conteúdos.

No sábado o curso é encerrado com um workshop especial, em que os alunos serão monitorados pelos professores para experimentarem o processo autoral: partindo de um birefing para criar histórias fabulosas com potencial de narrativa transmídia.

As inscrições do curso estão abertas até o dia 21 de junho e devem ser realizadas no site do CIC ESPM (Centro de Inovação e Criatividade da ESPM) - http://www2.espm.br/cursos/espm-sao-paulo/inovacao-em-branded-content. O valor do investimento é de R$ 1.299 e pode ser parcelado em até 3 parcelas de R$ 433. Mais informações pelo telefone (11) 5085-4600.

E uma coisa é certa, se um dia você sobreviver de um ataque zumbi, pode ter certeza que vai ter uma ótima história para contar.

PROFESSORES

FERNANDO PALACIOS
Diretor da Storytellers Brand ’n’ Fiction. É um dos pioneiros do branded content no Brasil. Cofundador do primeiro escritório de storytelling do País. Inovou implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling na ESPM.
 É formado na USP, pela qual defendeu o primeiro estudo acadêmico sobre o tema Storytelling. 
Atualmente é professor e representa a ESPM em congressos para C-levels como IT Forum e IT Mídia. Já ministrou mais de uma centena de palestras em grandes empresas no Brasil e internacionalmente. Seu projeto pessoal narra a busca de um personagem pela próxima “Maravilha da Humanidade” e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook e foi contemplado com o prêmio Widbook Top Writers 2013.

MARTHA TERENZZO
Profissional multifacetada, com experiência de mais de 25 anos na área de marketing e inovação. Desenvolve projetos de inovação e ministra aulas em MBA e pós-graduação da ESPM, Insper e Sebrae. É mentoring, colabora com diversos blogs e revistas e também é diretora da Inova 360º (empresa de inovação e negócios).
Coordenou marcas e projetos de grande porte em empresas como: Cargill, Sadia, Parmalat, Bombril, União, Reckitt & Benckiser, Melhoramentos de Papéis, Seara e Ajinomoto. Estabeleceu processos e metodologias específicas de marketing com visão na gestão de negócios e inovação.
Implementou áreas de inovação e marketing de alta performance nas empresas, arquitetura e gestão de marcas, gerenciamento de portfólio, lançando cases de sucesso como Pizza Sadia, Hot Pocket, Miss Daisy e Vono, entre outros.

SERVIÇO
Curso “Inovação em Branded Content”
Local: CIC ESPM/SP – Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana, São Paulo
Data: de 22 a 27 de junho de 2015
Horário:  segunda a sexta das 19h30 às 22h30 e sábado das 9h às 13h
Mais informações pelo telefone (11) 5085-4600

Mais informações para a imprensa:
Story Press
Carolina Martins
11 98847-6363