Da série: Desvendando o Storytelling #Post 1
Veja o #Post 2: O QUE TENTA ENGANAR NO STORYTELLING
Veja o #Post 3: O QUE TODO MUNDO DIZ SER STORYTELLING
Veja o #Post 4: O QUE PODERIA SER Storytelling, MAS AINDA É storytelling
Veja o #Post 5: O QUE É STORYTELLING
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                                                A Mala Rosa

A mala rosa havia observado o interior daquele armário antigo todos os dias, durante os treze anos de sua existência. Já sabia mais ou menos a que horas aquela mulher alta e esguia abriria a porta para procurar uma roupa adequada: oito da manhã e sete da noite. Terninho com calça cumprida, saia, blusas de seda, de fato tinha um bom gosto. A mala rosa nunca se importara com a incidência da forte luz amarelada todas as vezes que a porta se abria. Tampouco se preocupava com a escuridão do armário durante a maior parte do dia.
Em uma dessas aberturas de porta, lá foi a mala rosa arrancada de seu local com força e rapidez. Todas as roupas, artigos de banho e sapatos que a mulher lhe jogou,  guardou, sem pestanejar. Foi arrastada até o carro, onde novamente a trancaram no escuro. Chegou ao aeroporto, rolou pelo chão sujo até pegar carona na esteira rolante e sentou no avião, ao lado outras malas, com diferentes cores e tamanhos. Por fim, foi jogada em outra esteira, onde depois de rodar por volta de meia hora, voltou às mãos da mulher esguia.
Ao chegar na nova casa, a mala rosa foi colocada em outro armário, dessa vez um pouco mais moderno, porém muito mais sujo e por lá permaneceu até o fim de sua vida.
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Um texto bem escrito, metafórico, que soa poético, pode até ser considerado bonito ou artístico. Ao se deparar com esse de construção, alguns podem ficar horas se perguntando qual o sentido escondido que o genial autor procurou colocar em sua arte. Porém, apesar desse tipo de narrativa ser apreciado por muitos, ela não é considerada Storytelling.  

Em nosso texto sobre a mala rosa, colocamos um personagem principal que não poderia sê-lo. A mala não tem nenhum sentimento e se mostra completamente indiferente a tudo o que acontece a sua volta. Sendo assim, ela não possui uma personalidade, e sem a verdade humana, não temos uma história. Caso eu quisesse contar a vida de sua dona através da mala, eu teria, então, que demonstrar as emoções, desejos e conflitos dessa personagem de forma que o público possa com ela se identificar e tenha curiosidade para entender a sua história.

Saiba agora o que mais NÃO é Storytelling.

Storytelling...

1) Não é expressão de fatos consecutivos sem conexão entre si.
Por mais articulado que seja o autor ao contar uma história sem sentido, para ser considerada Storytelling, a narrativa deve ter uma trama que se conecta e é revelada ao longo da história, fazendo sentido para o público.

2) Não é uma apresentação de dados que você normalmente vê.
Apresentações de dados podem ser transformadas em Storytelling. Porém, poucas empresas fazem isso. O que mais se usa em apresentações de dados ou de projetos, é um dos grandes DON’Ts do Storytelling. Chamamos de Answer First, o ato de dar respostas a audiência antes que ela tenha começado a formular qualquer pergunta. É o famoso “Viemos apresentar um projeto sobre...”. No Storytelling é preciso envolver a audiência e dar subsídios para que ela formule perguntas, que serão respondidas ao longo da narrativa.

3) Não é um vídeo no Youtube mostrando o dia-a-dia do seu gato
Discovery Channel também não é Storytelling. Uma história deve ser sobre pessoas, ou animais ou coisas que carreguem a verdade humana. Perceba que é possível sim chorar com o robozinho da Pixar, mas somente se ele for tão humano quanto nós.

4) Não é bolacha de bar com “historinha”
Algumas marcas, querendo inovar utilizando o Storytelling, podem cair no erro de colocar “historinhas” superficiais em sua comunicação. O universo pensado para criar uma história de um parágrafo, precisa ser rico e profundo.

5) Não é “os 50 anos da empresa no mercado”
Não é qualquer fato, ou a sucessão deles que podem ser transformados em história. O Storytelling é apenas recorte de uma grande história. E deve ser a respeito de um momento importante, excepcional na vida de alguém.

6) Não é comercial de margarina
No Storytelling, é preciso ter conflito, escolhas, problemas, erros e consequências. Se todos estão felizes e sorridentes, temos um belo comercial, porém uma péssima história.

7) Não é uma mentira bem contada
Storytelling não deve mascarar a verdade ou tentar manipular a audiência. Deve seguir os preceitos de ética e estabelecer uma relação de confiança com o consumidor ou com o leitor.

8) Não é duplicação
Storytelling deve ter originalidade. O autor deve conseguir fazer uma escolha distinta de tema com uma forma única de moldar a narração.

9) Não é sobre estereótipos
Segundo Robert McKee, guru de Hollywood, uma história estereotípica sofre de pobreza tanto na forma quanto no conteúdo e confina-se em uma experiência sócio cultural limitada e generalista. Já uma história sobre arquétipos desenterra a experiência humana universal, e  então se encasula em uma expressão sociocultural única.

10) Não é para ser  incompreendido
Se o público não entende o que o autor quis dizer, isso não é Storytelling. Possivelmente houve um erro de trama ou modo de contar a história. Um bom Storyteller sabe exatamente o que quer passar e o sentimento que quer evocar quando conta uma história.

11) Não é para ser entediante
Sabe quando alguém conta uma piada muito bem e todo mundo dá risada, mas quando outra pessoa conta, é totalmente sem graça? O mesmo se aplica para o Storytelling. A forma de contar a história deve aguçar a curiosidade da audiência e surpreendê-la. Para isso, é preciso saber bem como usar o “telling”.

12) Não é sem propósito
Tanto o(s) personagem(ns) principal(is) quanto o autor devem saber exatamente o que querem. Já na primeira estrutura do teatro grego, cada personagem tinha um desejo e uma finalidade na história. Um personagem ou um autor sem propósito desencadeiam uma trama sem rumo e sem sentido.

13) Não pode ser óbvio
A audiência pode até saber onde o autor vai chegar em uma comédia romântica, por exemplo, mas se interessa por descobrir o desenrolar da trama. Se a audiência sabe como vão acontecer os fatos, dificilmente ela perderá muito do seu tempo com aquela história.

14) Não contém escolhas fáceis
O famoso personagem sortudo que consegue tudo o que precisa, na hora em que precisa, não funciona para histórias. Se o personagem não tem dificuldades; se as escolhas que ele deve fazer são óbvias e não geram nenhum conflito, a história perde sua força e seu poder de gerar mudanças.

15) Não começa e termina da mesma forma
Escolhas difíceis, conflitos e eventos incitantes servem apenas para incentivar que o personagem sofra uma mudança. No Storytelling, o personagem deve sempre terminar a história completamente transformado em relação a maneira como a começou. Uma narrativa em que o personagem não muda, não aprende nada e não precisa fazer nenhum sacrifício, é uma narrativa sem propósito.

Não há uma única receita para se fazer Storytelling. Há porém fôrmas a serem utilizadas que podem dar origem a diferentes bolos. Na Storytellers, seguimos um princípio e não uma regra. Aprendemos, analisamos, testamos e ensinamos modos de se contar histórias que funcionaram para nós e diversas pessoas e empresas.

Ficou curioso para saber como utilizar bem todas as dicas colocadas? Quer entender o que são e como usar arquétipos? Quer construir um universo ficcional? Entender como usar o Storytelling para a sua marca empresarial? E a pessoal? (Sim, você também é uma marca!)

Fique atento às datas dos nossos curso!
O próximo será no Rio de Janeiro, com Fernando Palacios. 7 de Novembro de 2015. 
Para mais informações CLIQUE:











A gente já falou aqui na redação sobre a série How I Met Your Motrher, eu particularmente havia deixado passar essa série por um bom tempo, até que a equação "Feriado + Netflix" resultou em 2 temporadas completas...

Mas por que essa série nos prende tanto? Por quê? Ok confesso que alguns dos personagens são, digo: Legendários! Todavia existe um artifício de roteiro bastante utilizado ali e que sustentou todas as temporadas, o cliffhanger. - pendurar em um desfiladeiro, em tradução livre. 


Alfred Hitchcock explorava este elemento até a tensão ser insuportável, e HIMYM (como os fãs chamam a série) consegue misturar essa tensão, quem é a tão mãe, com um enredo repleto de humor e aventuras amorosas de Ted.  Se você quer conhecer mais sobre este recurso, fique ligado pois semana que vem no blog teremos um artigo especial sobre cliffhanger!




O simples ato de contar histórias faz parte das nossas vidas, todos os dias. Contamos histórias na mesa do café da manhã, no intervalo do trabalho, nas reuniões e acompanhando uma cerveja nos encontros com amigos. É algo que fazemos desde quando morávamos em cavernas e que evoluiu ao longo dos milênios.

Storytelling tem a ver com isso, em aprender a escolher melhor as histórias e a encantar mais a Paulo Fabrefundo as audiências. “Se storytelling é o simples ato de contar histórias, digo que Storytelling – escrito assim com letra maiúscula – é a habilidade de saber encontrar ou criar histórias fabulosas, com propósitos épicos e contá-las de forma fantástica”, explica Fernando Palacios, sócio-fundador da primeira empresa brasileira especializada em Storytelling.


É possível recorrer a uma metáfora e dizer que Storytelling é um mundo inteiro e, assim, dividir os assuntos em termos de continentes e países:


  • O primeiro continente diz respeito ao Storytelling na educação, afinal, professores também podem contar histórias para deixar suas aulas mais envolventes;
  • Um segundo continente desse mundo é o que tem relação com o ambiente dos negócios. Nele, o maior país vive em função de contar as histórias de empresas ou marcas. Na capital desse país estão dezenas de produtoras que buscam tornar a publicidade mais dinâmica e interessante;
  • O país vizinho tem a ver com as histórias ilustradas por slides e narradas durante apresentações corporativas. A capital desse país de apresentações trata de como usar narrativas para tornar palestras mais interessantes e memoráveis para audiências;
  • O continente mais desenvolvido fica no centro do Mapa Mundi e envolve Storytelling aplicado ao entretenimento. Ele é composto por diversos países: literatura, cinema, quadrinhos, games, dramaturgia e até artes plásticas;
  • Por último, outro grande continente tem relação com crenças e religiões, que contam suas histórias e mitos desde a fundação da civilização.


Storytelling nas empresas

A técnica pode ser aplicada para dentro ou para fora da empresa e costuma ter estratégias diferentes em cada um desses momentos. No interior da organização, o foco é o engajamento de colaboradores e o alinhamento de equipes. “Não é por acaso que os grandes líderes sempre são considerados ótimos contadores de histórias. As empresas estão começando a aprender a contar histórias de forma mais interessante e algumas já chegaram a trocar as apresentações de slides por espetáculos teatrais”, comenta Palacios.

Fora das empresas, o Storytelling ajuda a fazer com que as marcas deixem de ser abstratas e passem a ser representadas por alguém de carne e osso. “Pense na sua expectativa ao comprar um celular novo de última geração ou ao sentir o cheiro do carro novo. Essas emoções são muito mais reais e marcantes e o Storytelling permite essa humanização à marca. Quando Lego deixa de ser um brinquedo e se torna um filme, a marca atinge um novo patamar emocional”, explica.

Na publicidade, encontramos vários exemplos de Storytelling, como o comercial do “Primeiro Sutiã”, a saga do “Garoto Bombril”, o “Dove Real Beauty Sketches” e a propaganda internacional “Chipotle”. “Enquanto narrativa de marca a longo prazo e um ótimo case de Storytelling, fico encantando com a Coca-Cola após o posicionamento ‘The coke Side of Life’ e com a Nike desde o começo”, diz Palacios.


Case de sucesso

A campanha de divulgação dos Sucos Naturais Dona Elza, idealizada pela DLM Propaganda , de São José do Rio Preto (SP), para os recém-lançados produtos da Bebidas Poty, traduz de forma lúdica e leve os principais atributos do suco.




A agência lançou mão do recurso de animação com efeito de giz para reiterar a identidade dos sucos, que atende o crescente anseio dos consumidores por produtos não apenas de boa qualidade, mas que favorecem um estilo de vida mais saudável.

O vídeo acompanha a linguagem gráfica já desenvolvida para a embalagem que traz a figura estilizada da Dona Elza, a matriarca da família Poty e grande inspiradora da fabricação do produto. A história é contada nas embalagens. “A ideia em todas as peças que envolvem os sucos Dona Elza foi criar um Storytelling e passar uma mensagem de saudabilidade, aconchego e apego aos valores naturais”, explica o diretor da DLM, José Roberto De Lalibera.

Artigo originalmente publicado no Comuninter




Após toda discussão sobre como os meios digitais encurtam o caminho até o consumidor, as marcas estão se deparando com um cenário inédito e crescente: pessoas que pagam para não assistirem nenhum tipo de propaganda.  Isso, sem contar os famosos ad blocks que aparentemente estão tomando as beiradas dos pesadelos de muitas empresas de mídia

“No total, 28% das pessoas que navegam na internet nos EUA usam os bloqueadores de anúncio, de acordo com uma pesquisa feita com 1.621 pessoas no ano passado pela Adobe e PageFair, uma empresa que vende aos publishers a tecnologia para lutar com os bloqueadores.”


Sabe o que é engraçado? Vários CEOs e CIOs quebrando a cabeça para desenvolverem tecnologias que possam “dar a volta” por cima e fazerem os internautas entenderem que os anúncios sustentam a estrutura de publicação da empresa. Ora, sem o CPC parece que portais não estão sobrevivendo, mas e se houvesse uma alternativa que não compreendesse o canal de comunicação, mas a sua essência? 

Pois, vamos olhar para alguns nomes que parecem vilões desse cenário. Como o Netflix, que já fatura com os assinantes brasileiros mais do que algumas televisões convencionais (Band e RedeTV) ou o Spotify que tem sua base de assinantes crescendo frequentemente - este que também poderá ser um dos fatores responsáveis pela queda da pirataria no país.   




Ambos estão entregando puro conteúdo, diversificado e focado nos gostos dos seus assinantes. É isso que as pessoas procuram e o que uma plataforma tecnológica deve fazer é facilitar esse acesso, mas ela nunca vai suplantar a busca inerente por conteúdo das pessoas.  Quero dizer, elas não vão entender que a sua propaganda sustenta seu site, elas entenderão que o conteúdo é bacana o suficientemente para elas cadastrarem seus cartões de crédito e pagarem mensalmente por isso. 

E não há nada mais sofisticado do que investir em conteúdo, quando bem feito ele perdura por anos na mente do consumidor. Criando até uma base de fãs e tendo poder de os reunir em eventos próprios ou exposições.  De certo as marcas ainda não estão acertando o tom ou a mensagem, produzir conteúdo de marca exige um conhecimento amplo sobre entretenimento e marketing. 


Esta é a base do curso Inovação em Branded Content, na ESPM -SP que está chegando a quarta edição em 2015.  Ele abordará questões como a produção de conteúdos num mundo cada vez mais rápido e fragmentado, tendências de entretenimento, questões jurídicas e tudo isso com uma imersão em branding. 

Se inscrevam e descubram como a sua marca pode resolver os problemas dos ad blocks  - http://www2.espm.br/cursos/espm-sao-paulo/inovacao-em-branded-content





O review abaixo foi originalmente postado por Leon Malatesta em seu perfil do Facebook - se quiser ter algum artigo publicado pela nossa redação, entre em contato aqui.

Atendendo a pedidos de alguns amigos, vamos finalmente falar de Narcos, a serie do Netflix que deu muito o que falar, ou não… sob um ponto de vista um pouco mais amplo, já que ao viver na Colômbia ganho algumas percepções - talvez um pouco mais autênticas que a maioria dos expectadores.

Vale entender primeiramente que a serie aqui não tem o mesmo impacto que no resto do mundo, por algumas razões não tão obvias, mas importantes de serem descritas: 9 de cada 10 conteúdos produzidos na Colômbia, tem como temática direta ou indireta a cultura narco, o que transforma a serie aqui, em apenas mais uma entre centenas.





Isso não impediu o Netflix de fazer sua divulgação local e confesso que o impacto dos pontos de ônibus multimídia passando micro-trailers da serie, causaram em mim um impacto muito interessante, não somente pela qualidade, mas porque era demasiadamente louco ver um dos maiores algozes do país estampado e em movimento em telas de alta resolução por toda capital.

Seguramente, se ainda estivesse vivo, Pablo Escobar estaria sorrindo de ego inflado e ao mesmo tempo absolutamente puto com a escolha do ator que faz seu papel, o que seguramente colocaria Wagner Moura em sua lista negra, correndo risco de vida. (vou explicar melhor mais a frente…)
Pra falar da escolha do ator, primeiro temos que nos perguntar para que mercado a serie foi produzida, e claramente não foi para o mercado Colombiano.





Sendo bastante genérico, podemos dizer que Narcos é um produto para o mercado internacional, com maior foco para o americano, onde tirando os latinos, a ignorância impera e se o espanhol do Wagner é bom ou não, não importa em absolutamente nada, pois todos fizeram uso da legenda. Quanto ao Brasil, que sim, tem um numero expressivo de assinantes do canal, sejamos bastante sinceros…que bando de desocupados, fazendo critica vazia. 90% dos brasileiros que acredita falar espanhol, falam um portunhol mal e porcamente compreensivo, o que automaticamente desqualifica completamente seu ponto de vista, e os outros 10%, te asseguro não criticaram a qualidade do espanhol do ator, porque simplesmente não podem.

Wagner Moura, faz um excelente trabalho, cria um personagem absolutamente cheio de layers, complexo, contraditório e ao mesmo tempo poderoso e gerador de empatia, seu espanhol é perfeito, porém, não alcança dois aspectos muito importantes que quase nunca estiveram descritos nas criticas mal realizadas pelos desocupados de plantão. É perfeito demais, é a prova de uma entrega absoluta do ator em tentar reproduzir com destreza a língua, mas que peca, por um tempo demasiadamente preciso, uma pronuncia cheia de um redondo fonoaudiólogo - totalmente esperado para alguém que foi apresentado a língua a menos de um ano, mas que nem por isso, é merecedor de critica, ao contrario, o feito impressiona pelo tão pouco tempo e dentro de uma situação de stress e cobrança absolutos. Outro ponto se dá pelo regionalismo da fala. Aqui na Colombia isso é assunto muito serio, sua região de nascimento é tudo, é a sua identidade primordial, é o algo que determinará como você é e se comportará socialmente e assim como no Brasil, o sotaque é o primeiro apontador dessa sua herança.

Não preciso dizer que é impossível para um não Colombiano reproduzir as sutilezas de pronuncia que eu estou tentando descrever tecnicamente. Não dá pro Wagner, não da pra mim e muitas vezes nem pro colombiano que não é paisa, que não nasceu naquela região e acreditem, não é só de sotaque que eu estou falando, vai além e esse texto não acabaria nunca tentando explicar.


Claro que a partir daí, todos os colombianos que assistem a serie, caem de pau…até gostam, mas com razão criticam a escolha do ator…Quem aqui se lembra do Julio Iglesias tentando cantar em português com o Roberto Carlos? No fundo é a mesma coisa, ainda que o Wagner seja bem melhor…Por isso, não seja babaca e considere pra quem a serie foi feita antes de sair falando.



Sobre o conteúdo. Falar que existem imprecisões históricas é chover no molhado, incluso logo na abertura existe uma ressalva bem clara de que o objetivo não é fazer um documento histórico…lembra? Entretenimento! Mesmo assim a serie merece muitos elogios, porque resume muito bem um período bastante controverso da historia recente do país e para quem não tinha nenhum conhecimento real do assunto é um bom introdutório, coloca o expectador em uma perspectiva bem mais clara dos fatos…a grande maioria das pessoas só sabia dizer que Pablo Escobar foi o maior traficante de todos os tempos e depois da serie consegue ver que o buraco é um pouco mais em baixo, uns sete palmos pra ser preciso…Pablo, foi ainda pior do que a serie é capaz de expor na sua obrigação comercial, um assassino inescrupuloso, audaz e absolutamente malévolo, um Carlos Chacal da causa própria, um fenômeno permissivo e pernicioso, fruto de uma sociedade igualmente cheia de contradições, que historicamente carrega todos os atributos e ingredientes necessários para sua existência.

Não por menos e de forma genialmente provocativa a serie começa traçando um paralelo com o realismo magico e estabelece uma relação de causa e efeito patente no trabalho de Padilha, que faz isso com maestria num formato narrativo já consagrado e dinâmico, mostrando dois lados de uma moeda muito mais suja e pesada do que se imagina.


Ah! Pros esquerdistas chiitas de plantão, dizer que este diretor distorceu os fatos defendendo Pinochet eu digo…Puta como vocês são chatos.
Se você não assistiu, assista, vale a pena, a serie esta muito bem feita, não só pela direção geral, mas pela impressão dada por cada diretor de cena e de fotografia, pelo roteiro envolvente e muito rápido e uma produção impecável que consegue fugir de muitos dos estereótipos recorrentes do universo retratado.
Pra quem já assistiu, não perca a segunda temporada que com certeza será ainda melhor e mais dramática, com a entrada dos PEPES( Perseguidos por Pablo Escobar) no contexto, colocando ainda mais loucura e contradição, numa história que apesar de parecer novela, realmente aconteceu.




Recentemente a rede Globo começou a transmitir em um péssimo horário a série The Blacklist, que narra a saga do misterioso Raymond Reddington ou Red (James Spader), um dos fugitivos mais procurados do FBI, que decide se entregar e se oferece para ajudar a caçar os vários nomes de terroristas e criminosos tão eficazes que não constam em nenhuma lista do governo.



Quando vi o trailer da série na TV, corri para o Netflix e passei a assistir toda a primeira temporada em alguns dias. Raymond Reddington é um personagem fantástico e de cara você é agarrado pela pergunta que vai servir como um imã, te atraindo a cada episódio de volta para a série: Quais são as motivações que levaram Red a se entregar para o FBI? 




Com o tempo fica claro que ele é um daqueles criminosos líderes de algum cartel internacional, que mantem relações com o mundo todo e detém uma fortuna sem fim


Aliás, em alguns diálogos ele chega a declarar que poderia desaparecer a qualquer momento, afinal é o que ele vende para seus "clientes"... poderia,  não fosse Elizabeth "Liz" Keen (Megan Boone), uma agente que em seu primeiro dia de trabalho no FBI é convocada para uma força tarefa secreta, porque Red só aceita falar com o governo através dela.  - isso cria toda uma investigação da vida de Liz, tanto para os agentes quanto para a audiência que fica tentando estabelecer relações entre os dois, por um tempo.



Red não é o único mistério na vida de Liz, seu marido e seus colegas de trabalho vão desenvolver histórias bem interessantes. Um deles, agente Ressler me chamou bastante a atenção, começou a série como um policial sem graça e após uma morte sua personalidade ganha força. 


A série segue o estilo "caso do dia" aonde a cada episódio a Força Tarefa recebe informações de Red para estabelecer ligações entre crimes até algum nome, seja de algum grupo terrorista ou de um assassino de aluguel que usa métodos totalmente diferentes.  Esse é um ponto alto da série, os criminosos não podem aparecer no radar do FBI, então usam todo tipo de método para seus resultados, como o Alquimista, um especialista em manipulação de DNA na cena do crime que consegue trocar as identidades de pessoas em acidentes, forjando a morte de centenas de mafiosos.




Cada vez que surge um novo mistério ele está bem amarrado com um maior. Red passa a ser caçado, por um nome que ele desconhece e isso revela suas ligações com o governo através de um Senador.  Quando encontra o cara que está o caçando, descobre que ele foi ludibriado para acreditar que eram inimigos.  Mas não posso deixar de ressaltar a atuação fenomenal de James Spader, ele da vida para um anti-herói que sem dúvida tem potencial para sentar ao lado de Hannibal como um dos vilões queridos da cultura Pop.  Alguém com um senso de humor inigualável, que pode usar a ironia para fazer uma cena de tortura em algo tarantinesco.





Quem acompanha as notícias da TV aberta se deparou uma hora ou outra com o lançamento da série Miste Brau, com Lázaro Ramos e sua esposa, Taís Araújo interpretando a dançarina e empresária Michele.

O programa abordará as vicissitudes da ascensão social e o preconceito com os novos ricos. O enredo deixará claro que, algumas vezes, quem tem dinheiro faz o que quer e não está nem aí para o vizinho. O Brau vai dar festas barulhentas, incomodará os outros. Lima, um solteirão, não vai morar no lugar, mas estará sempre por perto do parceiro, usufruindo de toda a mordomia. Haverá até um jet-ski na piscina.  - Mauricio Chícharo Farias, que interpreta Lima na série. 


A produção extrapola o meio, sob a alcunha de Brau Lázaro Ramos gravou vários singles, que terão clipes no site do Gshow com a intenção de viralizar nas redes sociais. Além disso sites reportam entrevistas "reais" com o personagem... assim como o seu primeiro aparecimento público, no Domingão do Faustão.  Na ocasião, Fausto apresentou Brau e Michele - com certo desconforto, parece que ele não engoliu a ficção. 




No primeiro episódio o enredo me levou pra algum lugar que eu já havia visitado em filmes do Leandro Hassum e, claro, com esse plot sobre a ascensão de um cantor eu não pude tirar a série "Os Suburbanos" da cabeça. Nela Rodrigo Sant'Anna faz Jefferson, ou Jeffinho do Pagode após gravar o clipe de Xavasca Guerreira - que diga-se de passagem é ilário. - e virar celebridade.

Aliás, a forma que o programa foi lançado é parecida, com uma ativação do clipe na grade da emissora.  Entretanto "Os Suburbanos" não tenta ser realista, eles abraçam o humor sem se preocupar como ele interage no mundo real. Particularmente acho difícil trazer esse humor caricato para o outro lado da membrana lúdica.  





Se essa fórmula vai funcionar em Brau, e se o conteúdo será capaz de preencher todos os meios de forma a tornar a produção um case a ser seguido, só o tempo dirá. Façam suas apostas storytellers!





A concorrência estava forte, Mad Men, House of Cards e mais de 400 séries produzidas atualmente para a TV Americana.  Dentre ela uma merece reconhecimento e é Got, carinhosamente chamada por fãs.

Segundo o elpais, no domingo, levou quatro troféus (melhor série dramática, melhor direção, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante, Peter Dinklage), além de outros oito nas categorias mais técnicas, entregues na semana passada. Game of Thrones empata agora com The West Wing e Hill Street Blues como a série mais premiada na história do Emmy.


Isso só reforça o gás que a série tem, a academia teve que reconhecer que ela se infiltrou na cultura pop de uma maneira intensa. Cada início de temporada é um evento mundial e quem acompanha o twitter pode ver a febre que é. Em todas as redes pessoas fogem, brigam e se desentendem por conta de spoilers, mesmo artifício usado por alguns professores mais astutos... pois é, Game of thrones está entrando na categoria "mito moderno". Que venham as novas temporadas!




Ser crível ou não é mais do que uma questão de um personagem se parecer com o mundo real, é fazer ele parecer real nas condições dramáticas em que a fantasia criada no seu texto proporciona.  Isso pode conferir a ele o que Stan Lee chama de Identidade Humana.

O termo não poderia ser mais adequado para o autor, que ganhou a vida e os fãs construindo identidades superpoderosas. Basicamente essa identidade é conquistada quando o personagem está enraizado em vários conflitos sociais, relacionados a grupos como a família, a escola, o clube (de xadrez, de atletismo..), ou seja, quando o personagem tem uma vida ao seu redor que está tão impregnada a ele, que transborda de alguma forma para a audiência.


Quando Fernando Palacios diz "todas histórias são sobre humanos" é exatamente sobre isso que ele está falando. Você pode escrever uma história sobre duas caixas de leite, mas de certa forma vai precisar colocar assuntos relacionados a nossa humanidade. De repente o amor, e elas se apaixonam... pronto, está a dois passos de criar empatia com o público.

Vale muito a pena assistir este vídeo aonde o criador de vários heróis lendários explica um pouco sobre como ele pensaram nos problemas que estariam na vida de cada um deles, em especial o Daredevil (o Demolidor).


 



No último final de semana a Storytellers marcou presença no World RPG Fest, evento dedicado a quem curte Role Playing Game com convidado internacional palestrando sobre seus games.  Nossa palestra foi sobre RPG & Transmídia e fez muita gente ficar interessada sobre essa visão de mesclar entretenimento e negócios.

Durante o evento algumas editoras se destacaram pela produção e outras pela empolgação que tem com o seu público, mas é interessante perceber que quando estão no mesmo ambiente todas se comunicam da mesma maneira.  A produção indie de RPG se destacou por apresentar um movimento rumo ao narrativismo - quando a mecânica valoriza mais a contação de histórias.  Porém teve RPG de tudo quanto é tipo lá no evento... e eu não poderia sair do evento sem conhecer um novo escritor, vejam alguns tuítes.







Pelo menos essa é a história que contam sobre o dente do siso. O lado bom da coisa ruim foi aproveitar a barba de molho para listar o que o semestre reserva. Esse post é uma espécie de pedido de desculpas por não ter dado atenção por aqui

Ontem eu e a Martha Terenzzo tivemos o prazer de treinar o pessoal do Google sobre como transformar dados em narrativas. Aliás, esse é o mesmo assunto que vou tratar no IT Forum da América Latina em Miami. O maior desafio vai ser explicar em espanhol para CIOs das maiores empresas LATAM.

Hoje estive com a turma do Unicef. Essa foi diferente, por ser um curso online com pessoas de diversos estados. Uma continuação transmidiática do curso presencial em Brasília para falar justamente de transmídia. Diferente, mas funcionou.

Amanhã é a vez do curso para jornalistas na sede da Imprensa Editorial com parceria do Adnews. Uma tarde de escrita criativa, com a mão na massa.

Segunda que vem começa a quinta edição do curso Inovação em Branded Content na ESPM-SP. Seguimos a recomendação dos alunos nos feedbacks, fizemos uma turma mais reduzida, intimista e com ares de oficina. Um experimento para próximas edições.

Falando no tema, fui entrevistado pelo jornal Meio & Mensagem sobre um especial de Branded Content. A conversa durou mais de uma hora. A matéria deve sair ainda nesse mês. Postarei por aqui.

Ainda na semana que vem, teremos o lançamento de um livro para o qual escrevi um capítulo. O título é "Comunicação com Empregados". Falei de Storytelling, já propondo o termo Endotelling como sendo a vertente especializada de técnicas de Storytelling voltadas para dentro da empresa. São 24 autores e 3 organizadores. Todos convidados para o evento de lançamento, dia 17 às 19h na Casper Libero.

Falando em lançamentos editoriais, o momento mais esperado do semestre é a publicação do livro de Storytelling que escrevi com a Martha Terenzzo, resultado de dois anos de escrita e oito anos de estudos de centenas de livros e realização de dezenas de projetos com grandes empresas. Uma obra digna do tema.

Outra novidade do semestre é o lançamento de cursos online. Finalmente, depois de anos de demanda, consegui pensar em formatos interessantes que pudessem conversar com as atividades presenciais. Os primeiros cursos disponíveis serão "Transmídia que Transborda" e "Storytelling para Não-Criativos". Muito peculiar a experiência de passar horas ensinando para uma câmera...

Ah, e também prometi levar o curso de Branded Content para BH e também uma edição de Storytelling para Florianópolis. Sem falar em diversos cursos e palestras in-company...

Falando em planos futuros, já estou reunido com um pessoal bacana demais para montar um curso de Brandtelling e outro pessoal fantástico para desenvolver um método de Gametelling. Esses são para 2016, mas prometem!

Indo para o lado mais prático do Storytelling, dois projetos fabulosos estão em andamento. Um tem a ver com as histórias de uma cidade histórica. O outro tem a ver com transformar todos os eventos e as revistas de uma grupo de mídia em uma grande experiência narrativa e transmidiática no melhor estilo Tomorrowland.

Bom, agora some tudo isso com as questões burocráticas da vida e dá para entender por que estou sumido das redes sociais. Buenas, melhor corrido que parado.

Então, se estou devendo responder alguma mensagem para alguém, não é nada pessoal. Talvez seja falta de juízo. Afinal, agora estou sem um siso. O pior é que a foto mostra que estava com ele no táxi, mas ele caiu na hora que desembarquei. Se alguém encontrou um dente perdido por aí, é meu!



Eles nem sempre são grandes produções, mas tem as melhores coreografias de luta que o cinema mundial pode produzir. Os filmes de lutas orientais, tanto chineses como japoneses movimentam fãs pelo mundo todo, eu mesmo sou um deles e resolvi compartilhar alguns motivos para vocês gostarem também:

Eles são carregados de história sobre seus países 


Filmes como "O Grande mestre" contam histórias de personagens épicos que viveram e lutaram por uma boa causa.  Neste exemplo, é  Yip Man, mentor do astro Bruce Lee. - Isso já daria uma bela história por sí, mas o filme vai mais além e leva o espectador a uma trama entre desafios de lutas contra japoneses, conflitos militares e perseguição antes da segunda guerra mundial.




Orientais se orgulham das guerras heroicas de seu povo, você sempre vai encontrar coisas do tipo entre algumas cenas.  Outro filme que indico nesse quesito é "The Warlords", O filme é ambientado na China na década de 1860, durante a Rebelião Taiping. Ele é baseado no assassinato de Ma Xinyi em 1870 e tem Jet Li como protagonista. 


Eles Narram uma jornada da redenção




Isso não é muito comum no ocidente, aonde a religião cristã instaurou o pensamento de que nem todo o mal será redimido. Alguns filmes orientais tem seu plot baseados em supervilões que foram verdadeiros demônios, mas decidiram se redimir.  Os Live Action de Samurai-X (Rurouni kenshin) são bons exemplos de uma ótima história de redenção.  Ele era um dos melhores assassinos do governo que resolveu valorizar a vida e usa uma espada com lâmina invertida para não libertar sua face mortífera em batalha.  E, claro, há cenas fantásticas de lutas com espadas. 


Por falar em lutas, as cenas são de tirar o fôlego  


Só os melhores coreógrafos de luta do mundo poderiam produzir uma cena de luta em plano sequência como esta abaixo (do filme The Protector) :




Você vai conhecer um pouco das mitologias asiáticas (bônus, com Chan e Li) 




Além da história real, os filmes orientais valorizam a religião e lendas nativas.  Como "O Reino proibido"  filme baseado no romance Jornada ao Oeste de Wu Chengen, que é quase como um Lusiadas, narra uma das lendas do deus macaco, que inspirou um personagem de sucesso na cultura pop: Goku.  Ah sim, o filme ainda reuniu no mesmo set, Jackie Chan e Jet Li, quer mais? aha




Narcos estreou recentemente no Netflix e as críticas surgiram por todos os lados. A série é realmente explosiva e quem embarca na sua narrativa não consegue se desligar até o episódio final. Pela internet a fora é possível encontrar pessoas que assistiram tudo em poucos dias ou mesmo em um só, eu mesmo fiquei amarrado na trama de Sexta para Sábado e resolvi trazer para nossos leitores algumas características interessantes da narrativa.


Personagens fortes


Uma série que retrata a vida do maior narcotraficante do mundo não poderia ter menos. A começar pelo próprio Pablo Escobar, vivido de forma maravilhosa pelo Wagner Moura que se entregou completamente ao papel. - muita gente criticou o seu sotaque, dizendo que não era parecido com o nativo, ora... o próprio ator respondeu "claro que não é". Mas isso não atrapalha em nada a série, depois de um ou outro episódio você se acostuma com o que foi criado e entra no clima.

Há um ou outro personagem que não se destaca pela atuação, Steve Murphy por exemplo, que é o narrador de toda história, particularmente se mostrou fraco, mas evoluiu com os episódios. Em muitos momentos a atuação de Pedro Pascal, como seu parceiro, Javier Peña rouba a cena.  Vocês também irão se deparar com políticos corajosos e temerosos neste seriado.





Um pouco de tropa de elite


José Padilha fez algumas escolhas bem parecidas com Tropa de Elite em sua direção. A começar pela figura do narrador em primeira pessoas que surge em vários momentos explicando fatos, apresentando personagens e elementos chaves da cena. A violência policial também está presente, afinal é uma guerra.


História documentada


Por vezes os episódios tomam um ar de documentário, apresentando gravações e fotos originais dos fatos históricos que foram dramatizados na série.  É muita informação relevante, nada que interfere na narrativa de forma massante, pelo contrário, cria ligações importantes para a continuidade da narrativa.





Conflitos com bastante intensidade


Escobar sabia o que queria e sabia que poderia conseguir aquilo com Prata ou chumbo. Nos dois casos isso colocava os personagens em situações extremas. Você vai encontrar conflitos intensos aonde o presidente do país precisará tomar decisões que influenciam a paz do seu povo ou os agentes do DEA (Drug Enforcement Administration)  precisarão escolher entre as relações diplomáticas do seu país (EUA) e o crescimento do poder de Escobar na Colômbia, tendo que agir sem o apoio dos dois em muitas ocasiões.


Um grande gancho no final


Mas eu seria um estraga prazeres se contasse. Vejam abaixo o trailer e depois corram para o Netflix para assistirem a série.


O Facebook já está testando  num novo formato de post, o modo "história", onde o usuário poderá criar apresentações de Slides que serão semelhantes aquelas que a rede social cria no fim do ano para lembrar os melhores momentos dos usuários.

Porém, ao contrário das apresentações de fim de ano que são automáticas, o usuário escolheria as imagens e os textos a serem apresentados.

Ou seja, neste novo formato de postagem, o usuário poderá criar narrativas usando sequências de fotos e textos! Ano entanto, a novidade ainda não tem data para ser disponibilizada para os usuários.

E aí, Storyteller, já consegue imaginar as possibilidades narrativas para esta nova ferramenta oferecida pelo Facebook?


Sempre que se tem dúvida sobre um assunto, o mais natural é recorrer a exemplos. Não é por acaso que se estudam os cases de sucesso. Com Storytelling não é diferente. Existem vários cases nesse sentido, as pessoas adoram citar grandes marcas como Coca-Cola e Apple, mas prefiro recorrer a exemplos um pouco mais inusitados, que ajudam a compreender um aspecto mais amplo do assunto. Entra em cena, Woody Allen.

Se formos sair à rua para perguntar "Você sabe quem é Woody Allen?" a maior parte das pessoas vai responder "cineasta" ou "diretor". Algumas pessoas vão considerar o termo "autor". Poucos vão dizer   "roteirista". Provavelmente ninguém vai dizer "Storyteller". 

Por definição, Storyteller é a pessoa que sabe engendrar o funcionamento de uma história. Da mesma forma como o mecânico conserta motores, um Storyteller consegue colocar narrativas em movimento, de forma que prendam a atenção da audiência logo de cara. Da mesma forma que um arquiteto pode ser contratado para pensar em edifícios que atendam determinados padrões, um Storyteller pode ser contratado para pensar em histórias que atendam certas características. 

Woody Allen entendeu algo que passou despercebido pela maior parte dos cineastas. Enquanto todos pensam apenas em realizar o seu projeto e a sua visão, Woody Allen consegue fazer isso enquanto responde um projeto encomendado por uma marca. Pelo menos, foi exatamente isso que ele passou há fazer há exatos dez anos. 

Apesar de conseguir realizar ao menos um filme por ano, Woody sempre teve dificuldades em financiar suas produções. Até que, em 2005, ele recebeu um grande apoio da BBC. Mas tinha um complicador: o filme teria que se passar em Londres. Apesar de nunca ter ambientado um filme na Inglaterra, Woody arrumou as malas e reescreveu o roteiro que iria se passar. Foi assim que Match Point deixou de acontecer em Hamptons.


A marca patrocinadora vem no título

De uma década para cá, Woody Allen passou a financiado pelos governos de cidades ou países onde seus filmes ocorrem: Barcelona, Paris, Roma...


Viver viajando e fazendo filmes.... Você acha que é sorte?

Pode parecer simples, mas não é fácil. Escrever a partir de um briefing - mesmo que seja simples como "a história tem que se passar em Londres" - é uma tarefa das mais difíceis e só pode ser atingida por quem entende os mecanismos do Storytelling.


Viver viajando e fazendo filmes... é pra qualquer um... que entenda de Storytelling.



Muitas vezes nos deparamos com ideias e plots que parecem "mais do mesmo".  Quando estamos escrevendo sob encomenda isso é bem frequente, aliás.  Nessas horas surge o conflito de como se diferenciar em meio a tantos enredos similares.

Claro, o primeiro elemento para dar personalidade a um enredo são os seus personagens.  Assim como as pessoas que conhecemos, eles podem se parecer muito quando observamos a camada mais superficial, porém quando adentramos seu íntimo descobrimos um oceano de particularidades (ou pelo menos devemos encontrar isso, se o personagem for bem escrito).

BoJack Horseman é um ótimo exemplo desse tipo de personagem.  Ele é uma estrela de seriados da década de 90, que vive uma vida decadente e totalmente displicente.  Tem tudo para parecer com Charlie de Two and Half Man, inclusive pelo trauma com sua mãe que sempre o tratou de forma horrível.  As feridas abertas em sua personalidade assolam a vida de BoJack e atrapalham todo tipo de relacionamento que ele cria, seja como amizade ou mesmo um romance.


Ai entra outro ponto alto dessa produção da Netflix: o tom.  Tinha tudo para ser bobo, ou uma comédia que abusa da suspensão da realidade (já que o seu mundo é habitado por humanos e animais antropomorfos que se relacionam de todas as formas). Mas as cenas dramáticas chegam a ser extremamente afinadas e até criam uma comoção.  Imaginem, um homem cavalo embriagado discutindo a relação com sua ex-namorada humana que vive casada com um cachorro, o contagonista da história.  Sim e funciona de maneira elegante e divertida,  Bojack Horseman é um seriado que vale a pena se envolver.



Sinopse: O mais cômico e famoso cavalo da TV dos anos 90 está de volta... 20 anos mais tarde. BoJack Horseman, sucesso da popular sitcom "Horsin' Around," hoje é um artista em decadência que mora em Hollywood, reclama de tudo e gosta de suéteres coloridos. Estrelando Will Arnett, Amy Sedaris, Alison Brie e Aaron Paul.





Quem está começando no mundo da escrita uma hora ou outra terá seu romance finalizado. Quer dizer ou quase pronto pra publicação, se for este seu caso, antes de procurar uma publicação deixe sua obra um pouco de lado, deixe o tempo apurar seu senso de auto-crítica. Então faça uma boa revisão, antes de mandar para um editor.

Bem, está tudo certo agora? Vamos passar para o principal: a publicação. Existem várias formas de conseguir tirar sua história da cabeça para as prateleiras de sua estante.  Vou tentar enumerar os pontos fracos e altos de cada uma (e vocês podem completar com suas experiências nos comentários).

1 - Crowdfunding 

Fazer um crowdfunding é uma das possibilidades mais válidas.  Com ele você pode conseguir a quantia necessária para uma ótima publicação, inserir os custos de distribuição e finalização do livro como contratar um editor terceirizado, ilustradores ou capistas.  Pra quem isso funcione com efetividade o planejamento do seu "financiamento coletivo" e os objetivos dele devem estar bem esclarecidos, isso estará imediatamente ligado ao seu poder de atrair investidores. 

Sobre eles, os investidores, você precisará de uma comunidade engajada. Se for um blogueiro ou um professor de uma faculdade ou mesmo palestrante, será mais fácil. Mas se não for, se acalme, tem sites especializados que já tem sua própria comunidade em torno dos lançamentos, um deles é o Bookess - www.bookess.com


2 - Editoras tradicionais

Elas já tem toda sua estrutura de distribuição e comunicação & marketing. O que pode fazer seu livro ser lançado como bestseller ou receber destaques nas livrarias.  Mas não é tudo flores, editoras recebem kilos e mais kilos de emails com originais diariamente, então receber uma oportunidade de publicação por uma editora tradicional é raridade, a menos que o autor custeie tudo. Sim, você pode pagar pelos seus serviços e o valor pode variar de 4 a 28 mil reais dependendo do tamanho da editora -  quanto maior a editora, maiores as chances de seu livro alcançar o sucesso.  

Algumas editoras pequenas são, na verdade, gráficas. O que é bom pra quem não deseja ser um autor reconhecido e pretende apenas presentear seus parentes e amigos com uma obra. 


3 - Concursos literários 


Todo mês ouço falar de dezenas de concursos literários. São ótimas oportunidades para quem deseja começar uma carreira como escritor, sem contar o prestígio que vencer um concurso pode te conferir - vencendo alguns concursos certos, logo você atrai a atenção de editoras tradicionais. 
  
As chances de se destacar aumentam se você procura um concurso de gênero específico.  No Brasil concursos mais abertos (genéricos) tendem a não valorizarem Ficção e Fantasia em seu julgamento, nesses casos eu por exemplo só consegui um bom resultado em concurso temático.  Há concursos para poetas também, basta dar uma googlada que você encontra um neste mês. 


4 - kindle direct publishing


Algumas publicações podem ser feitas em ebook, nesse caso eu indico (altamente) o programa de auto publicação da Amazon, o KDP.  Nele os ganhos são relativamente interessantes.  Mas toda a estrutura de divulgação da sua obra fica por sua conta - apesar da Amazon oferecer participação em promoções, você deve investir por exemplo no Facebook Ads e montar uma fanpage para se promover.

Mesmo autores de editoras renomadas gostam de publicar seus contos e algumas outras obras na KDP que vem crescendo cada vez mais.  Pra quem não tem um designer de plantão o site oferece uma ferramenta de criação de capa, fica bem simples, mas funcional.  Acessem - kdp.amazon.com


5 - Coletâneas


É fácil encontrar pela web, editoras que vivem de coletâneas. Elas selecionam em um tipo de concurso o número de autores que desejam trabalhar para cada obra e eles compartilham os custos de edição da obra. Tem um pequeno contrato e você recebe um número X de livros impressos que pode vender com um pouco de lucro. 

Achando a editora e a coletânea certa você pode trilhar um ótimo caminho em sua jornada de escritor, algumas fazem lançamento em um coquetel com convidados.  Eu tenho boas experiências com a coletânea que estou participando e pretendo participar de outras. 


Mas e você? Já publicou por algum desses métodos que citei acima? Conta pra gente aqui nos comentários. 

Smiling at the World by chicho21net


Não gosto de falar de transmídia sem usar narrativas como sufixo, dentro dessa ótica a transmídia pode significar muita coisa - o que causa uma confusão imensa na cabeça de todo mundo. Mas a Transmidia Storytelling só pode significar uma "uma história distribuída em vários meios que funcionam como um quebra cabeça para ser montado pela audiência, ampliando a experiência que todos tem com aquele universo ficcional". 

Pra quem lê nossa redação, isso é redundante. Já falamos bastante de aspectos desse mundo ficcional aqui e aqui. Agora pretendo focar rapidamente em um aspecto deste mundo... a sua persistência. 

Claro, se você veio do mundo dos jogos estará familiarizado com este termo.  Ele foi cunhado por Richard Bartle : "um mundo que continua a existir e se desenvolver internamente, mesmo quando não há pessoas interagindo com ele"


Isso já deve te dar uma ideia das primeiras barreiras que muitas empresas se esbarram quando pensam em transmidia: Por que criar um mundo que "acontece" quando não tem ninguém dentro dele?  A resposta pode ser dada por empresas que desenvolvem MMOs, os jogos massivos online.  

Um mundo persistente é sintético, ele rompe a barreira da realidade porque ele (a seu modo) é tão real quanto.  Isso faz dele capaz de hospedar quaisquer questões humanas, tais como amor, solidariedade, intrigas e qualquer sentimento.  É esse ponto que a audiência deve alcançar para se tornar fã e produzir seus próprios conteúdos, dando continuidade para a história.  Isso conclui a pergunta do título, claro que precisamos de um mundo persistente para uma ação de transmidia storytelling. Porém existem graus de ficção e de persistência que devemos adequar a (entre muitas coisas) produção.