Hoje eu não vou falar de narrativa, nem de storytelling para ser sincero, mas vou falar de dois assuntos que muito interessam todo storyteller: arte e publicidade.

Semana passada nós realizamos a primeira edição do meu curso Storytelling, a ciência além da narrativa lá na casa Mário de Andrade e em uma das aulas eu pergunto para os meus alunos, sem querer nenhuma resposta absoluta, se eles acham que publicidade é arte. Tal pergunta é bastante polêmica e algumas pessoas já transformaram essa relação em tese de conclusão de curso e mestrado. Estou longe de querer responder uma pergunta dessas de modo absoluto, mas acredito que a discussão e a reflexão sobre o assunto seja necessária para todos os publicitários e artistas. Afinal, foi na publicidade que eu realizei meu sonho de ser artista. 

Andy Warhol é um artista plástico em muitos sentidos, cineasta, pintor, e empresário, que tinha uma mania bastante curiosa, na dúvida sobre o que pintar ele costumava perguntar aos amigos o que eles achavam que ele deveria pintar. Diz a lenda que um dia um amigo respondeu que ele deveria pintar a coisa que lhe parecesse mais querida e importante, então Warhol pintou dinheiro. Não sei dizer se esse caso é verdadeiro, mas o próximo caso, tão inusitado quanto, é. 

Outra resposta de outro amigo fez com que o artista pintasse o que ele mesmo acreditaria ser a sua maior obra, conhecida em português como "32 latas de Sopa Campbell" e acreditem se quiser, o nome diz tudo. Quando Warhol indagou seu amigo sobre que deveria pintar a resposta veio natural e, imagino eu, inocentemente: "pinte algo com que todos possam se relacionar, tipos sopa campbell". Warhol comprou uma lata de sopa no mercado mais próximo e deu início a sua pintura. Não contente em pintar apenas uma lata, Andy decidiu fazer um quadro para cada sabor da sopa. 

O alvoroço causado pelas pinturas de Campbell no meio artístico só poderia ser comparado com o alvoroço causado pelas pinturas de Campbell no mercado publicitário. Como se a "propaganda" grátis de suas sopas não fosse o suficiente para a fabricante, seu diretor de Marketing de Produto William P. MacFarland acertou mais uma vez e enviou uma carta de "agradecimento" ao artista, acompanhada de algumas latas de Sopa Campbell de tomate, a preferida de Warhol. 


Como eu disse, não sei se publicidade é sempre arte ou não, mas que arte pode ser publicidade eu tenho certeza. 


Passa o tempo e só os mais críticos ainda conseguem ser firmes em dizer que não gostam de filmes nacionais. As opções se diversificam cada vez mais e o resultado de tudo isso é visto nas bilheterias. Em comparação ao primeiro semestre do ano passado, as bilheterias de produções nacionais saltaram 280% em 2013.

Ainda que a imensa maioria não varie o bastante além de comédias produzidas pela Globo Filmes, são cada vez mais frequentes gratas surpresas como “O Som ao Redor” de Kleber Mendonça Filho ou “Elena” de Petra Costa. Para somar, a recente lei que obriga a todos os canais que transmitem, seja em rede aberta ou fechada, ao Brasil terem uma cota de programação nacional também parece querer alavancar a produção brasileira.


Por outro lado, e aqui entra a opinião do aprendiz de storyteller que voz posta, nem tudo ainda são flores nas telonas nacionais. Parte dos 13 milhões de ingressos que representaram os 280% de crescimento nas bilheterias é composta por 2 filmes em tributo a obra de Renato Russo. Destes, parte menor ainda, 2 ingressos meia-entrada, representam a minha cota e insatisfação em relação ao promissor cinema nacional.

A título de comparação com o cinema argentino, já que adoramos nos por a postos com os “Hermanos” em tudo, produções que, mais do que vender bilhetes, tem um profundo significado a transmitir (como “O segredo de seus olhos” de Juan José Campanella ou “Medianeras” de Gustavo Taretto) ainda se reduzem a exceções no Brasil. Boa parte disso se deve ao roteiro. Há não muito tempo o, por vezes visionário, publicitário Nizan Guanaes publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo um texto afirmando que o roteirista seria uma das profissões do presente em nosso país. Como dissemos por aqui, mal ou bem sabia ele, o tema de sua redação naquele texto era não mais que o storytelling.

Verdade é que no Brasil, seja na publicidade, no cinema, ou na publicidade no cinema, ainda temos muito que evoluir. O storytelling, porque não, é o caminho para essa jornada. Por hora, o que temos de mais otimista a se vangloriar nesse meteórico primeiro semestre de bilheteria é a aceitação do público brasileiro, o que inclui até alguns não simpatizantes da produção nacional, a uma boa história.  



Essa semana, dia 01 de julho para ser mais exato, o já famoso canal do youtube "Porta dos Fundos" usou toda a habilidade de seus talentosos humoristas para fazer um vídeo chamado "Tiros da vingança. Cenas excluídas" onde uma marca tem um papel bastante fundamental, ou não.

Já sabemos que o Porta dos Fundos assinou contrato com marcas de cerveja, e que logo um dos primeiros vídeos a fazer sucesso na internet também teve relação com o Spolleto, então sabemos que eles não tem medo de marcas, mas foi o vídeo dessa semana que mostrou que usar marcas no seu enredo mesmo que pareça brincadeira, pode dar certo.

Para quem ainda não viu, segue o vídeo.


Mesmo que marca apareça com tom de brincadeira e que a sua inserção seja exagerada, o roteiro bem construído para justificar esse exagero e o ambiente de comédia já criado pelo canal possibilitam que a marca se tornem o centro da atenção sem causar estranhamento ao consumidor. Admiro a coragem da Danone (caso tenham realmente aprovado essa inserção) e gosto da mensagem de descontração que é transmitida. Um produto normalmente voltado para crianças, finalmente encontrou uma maneira divertida de se comunicar com o público adulto.


Nos tempos de colégio só não ouvia quem não prestava atenção na professora: toda redação deve ter um título. Ainda que não seja condição sine qua non, parece que, com o tempo, a regra foi muito bem assimilada pela redação publicitária. E já que falamos de tempo, há algum que o ilustre redator Ruy Lindenberg, na época na também ilustre W/Brasil, escreveu o importante anúncio “Tem gente achando que você é analfabeto e você nem desconfia.”. Nele, um legítimo All-type de cabo a rabo dos 21 por 29 centímetros de uma página simples de revista, Ruy escreveu sobre como era possível, em pleno ano de 2001, vender produtos com textos criativos.
Mas foram-se os anos e, com eles, as palavras. Ainda que também não seja condição sine qua non, parece que, com o tempo, a regra sobre os títulos da professora do colégio foi tão bem assimilada nas agências que só restaram os títulos para redação publicitária. Ainda assim, não se deve aos 12 anos que se passaram o sumiço dos textos. Fórmulas prontas, ou ready-made, como preferem os profissionais da propaganda, consagraram e condenaram a publicidade aos limites do bônus sobre volume, o convencional “BV”, que rendeu o mesmo adjetivo ao ofício das maiores agências.
As exceções não mais que confirmam a regra, quando não são invisíveis, tais quais fantasmas. Fora disso é título conciso e direto, que transmita a sacada do anúncio e/ou o conceito da comunicação. Até porque, no fim das contas (das contas da agência, mesmo) o consumidor não ouve, não vê, não lê.

E em Cannes, voltam todos com leões, a confirmar o circo em que a publicidade brasileira se encontra. Enquanto isso, no mesmo Cannes da propaganda floresce o Branded Content como quem quer, um dia, ter um pé no Cannes do cinema e, porque não, do storytelling.


Meses atrás falamos sobre algumas estratégias de storytelling que levaram livro World War Z a se tornar um sucesso de vendas nos EUA e a conquistar ninguém menos que Brad Pitt.

O Brad Pitt não só gosta de atuar, como também adora ler. World War Z foi uma dessas leituras arrebatadoras. O galã não se aguentou, adquiriu os direitos do livro e iniciou uma produtora chamada Plan B. O leitor mais apressado deve estar se perguntando "Ora, mas isso é relevante para esse post?" É sim, e eu já vou chegar lá.

Via de regra, quando um roteirista consagrado se lança como diretor ou um ator estelar se lança como produtor, é porque eles querem maior domínio do processo. Tenho a sensação de que o Sr. Pitt teve uma visão sobre essa história e quis fazer do seu jeito e em duas coisas ele acertou.

A primeira foi na inserção comercial. O filme tem poucas marcas e de realmente relevante, apenas uma. Existe um product placement óbvio da Pepsi, mas que não é tão óbvio assim. Logo depois do clímax do filme, no momento de recompensa dos justos, o herói comemora com um refrigerante. Mas ele não deixa o logo caprichosamente voltado para a tela. Pelo contrário, ele esconde. Mas em seguida, como um último ato do herói, ele usa mais refrigerantes para atrair a atenção dos zumbis e de relance é possível ver muitos logotipos da Pepsi. Assim, não ficou nem forçado e nem de graça. Ah, só nisso já valeu como faculdade para os novelistas brasileiros.

A grande sacada do astro de Hollywood foi a adaptação. Ele fez o que todo planejador de transmídia devia se forçar a entender. O filme não é uma adaptação do livro e nem teria como ser. O livro explora muito bem os recursos da literatura, tornando impossível o transporde para o cinema. Para que o filme pudesse ser um sucesso, seria preciso mostrar um outro aspecto ou recorte da história. Foi exatamente aí que Brad Pitt acertou com louvor. O livro e o filme não possuem quase nada em comum e isso acabou dando um ar transmidiático perfeito.

Claro que nem tudo são flores. Se colocar livro e filme lado a lado, vão haver dezenas de furos. Ainda assim, o livro permite uma certa elasticidade na história, já que é contato por múltiplos narradores, todos traumatizados. Muito possível conceber que eles tenham se esquecido, equivocado e até mentido.

A única falha vital de Brad Pitt, foi no nome do filme. Certamente tinha que ser diferente do livro. Talvez algo como World War A to Z. Mas, enfim, para quem estuda storytelling e transmídia, vale a sessão e a leitura.

Mais ou menos consonante à época em que o ser humano passou a dominar o fogo, não por acaso, ele passou também a dominar e contar histórias. A evolução nas formas de se contar uma boa história foram, gradativamente, só aumentando essa grande fogueira. Entretanto, desde que o Google tabula os registros de busca em sua página, a procura pelo termo “storytelling” fomenta o quanto o tema vem esquentando e gerando interesse por nós, homo fictus da era da internet.
(Clique na imagem para ampliá-la.)

Enquanto, numa rápida busca que você mesmo pode fazer no Google Trends, o termo registra altos índices de busca no mundo todo, a relevância de sua busca no Brasil só apresentou valores mais significativos em meados de 2008. Na prática, isso resulta, em vez ou outra, um “quase storytelling” em uma campanha de uma grande agência de publicidade aqui, ou em um uso pouco criterioso do termo ali. Enquanto na teoria, posso dizer por experiência própria, ainda temos poucos (ainda que bons) professores conscientes sobre o tema até nas melhores universidades do país.

Os dados expostos aqui não pretendem chegar a um caráter conclusivo, mas servem como um rico panorama de qual altura nos encontramos (ao menos no Google) nessa história, ou nessas histórias. Mais que isso, e em época de premiação em Cannes, tem importância reflexiva principalmente a nós comunicadores. Se por um lado o Brasil só começou a falar em peso sobre storytelling há 5 anos, por outro, fará 2 anos que o Festival de Cannes tem uma categoria especial dedicada a “branded content”.


Na última semana aconteceu o festival de publicidade Cannes Lions, na França. Além do mais importante para os profissionais de agências, ele ajuda a consolidar ou revelar tendências criativas, com novas formas de se comunicar.  Dessa vez os trabalhos que venceram a categoria Cyber (a mais digital do evento) tem total relação com um termo bem conhecido entre os leitores deste blog: O Storytelling.

Além de ser uma forte evidência de que a mensagem realmente sobrepõe o canal, o Grand Prix de Cyber em 2013 também torna visível que a barreira entre propaganda e entretenimento está cada vez menor, em alguns casos (como este) ela nem existe mais.
Estamos falando da Pereira O'Dell, agência do Grupo ABC comandada por Paulo Jorge Pereira, PJ. Que desenvolveu a campanha "A beleza interior", criada para a Intel e para a Toshiba.
A websérie de seis episódios de até 10 minutos, exibidos no YouTube e no Facebook, conta a história de Alex, um sujeito que sofre de uma síndrome na qual seu corpo acorda diariamente de um jeito diferente.

Como o Fernando Palácios costuma dizer, "histórias falam sobre realidades humanas" e esse é sem dúvida um dos pontos de destaque deste projeto, conforme podemos observar o trecho da entrevista do PJ no site da Proxxima: 
“Não criamos Alex para ser uma metáfora do ser humano incompreendido. Foi apenas uma história de alguém que tinha um rosto diferente a cada dia. Mas percebemos que essa característica casava com um sentimento mais profundo: o de amar quando ninguém te entende”
Além de faturar o prêmio máximo da propaganda a série venceu o prestigioso Emmy, o Oscar da TV americana, na categoria "novas abordagens, série ou programa original".  Esse case é um dos melhores exemplos atuais do branded content com storytelling e logo cada vez mais produções desse gênero irão concorrer com outras como Defiance - um dos cases atuais de transmídia storytelling que comentei aqui.

Vejam o vídeo:

Há cerca de 64 anos, em 1949, George Orwell lançava a primeira edição de sua obra de ficção chamada “1984”. Para o antigo Reino Unido dos anos 40, tratar a história repleta de vigilância e ficção científica como, de fato, ficcional é completamente compreensível. Entretanto, anos depois, mais exatamente uma semana atrás com a revelação do monitoramento do governo estado-unidense a registros de ligações dos cidadãos americanos, nada é mais real para 2013 do que “1984”.
São notícias como essa que, com todo o aparente ensejo real do jornalismo, mais uma vez não nos deixa mentir: dentro de toda grande ficção há sempre uma verdade maior ainda. Tecnologias mudam, dogmas são quebrados e consequentemente lá se vai o que antes nos parecia real. Mas há uma característica de toda boa história que permanece e transcende as décadas: a verdade humana.
Assim, a realidade é que existe em nós algo que nem os subordinados de Barack Obama conseguiram desvendar em suas espionagens, e que parece resistir e ciclicamente voltar à tona em fatos como esse. Algo que em 2013, 64 anos depois de 1984, apresenta um aumento de 6888% nas vendas do livro em um só dia, sem dúvida nos cativa atemporalmente. 

Hoje, antes de escrever esse texto, acordei, tomei um banho, comi alguma coisa e escovei meus dentes em seguida. De fato, como você deve estar pensando, isso não interessa a ninguém, quase nem até a mim mesmo. Isso é porque, como todos já sabemos, é condição sine quanon a uma história tratar de fatos extraordinários. 
Não é a primeira vez que você ouve, ou que eu escrevo isso. Simples relatos de fatos corriqueiros a qualquer um de nós não são dignos de uma boa história. Mas quando vamos em busca de alguns exemplos, percebemos que essa “regra” não é tão assim “via de regra” para a construção de uma bela trama. 
Porque, se por um lado acontecimentos fantásticos como uma garota que cai em uma toca de coelho e vai parar em um lugar mágico, ou um cientista milionário que cria uma super armadura que o mantém vivo são histórias muito boas, por outro, as dezenas de exemplos de filmes, livros ou séries que contam não mais que o cotidiano de forma singular, tocam quem as consome ainda mais.
Quer exemplo melhor do que os filmes de Woody Allen que tratam das mesmas questões desde o primeiro em 1965, ou as crônicas de Luis Fernando Veríssimo ou Antonio Prata que sempre retratam o que nos é mais cotidiano?
A questão é que quanto mais trivial um fato é, como é a nossa própria respiração para nós mesmos, maior é o desafio do autor em dar a ela um significado, um viés diferente que faça quem lê ou assiste parar pra pensar a cada inspiração. 

Escrever é a arte de brincar com significados a partir de seus significantes simbólicos. Para Peirce símbolos são representações com alta flutuação de significado, ou seja, com maior espaço para diferentes interpretações. A maior parte dos significados em nossas mentes são fruto de nossa experiência de vida o que quer dizer que quando eu escrevo a palavra "bola" cada um de vocês irá pensar em algo diferente, próximo, mas diferente. Alguns irão pensar em bola de futebol, daquelas clássicas com alguns gominhos pretos e outros brancos, outros irão imaginar bolas de tênis, vôlei, e por ai vai. O importante mesmo é entender que todas as palavras, enquanto formas para um conteúdo específico oferecem uma flutuação de sentido que permite várias interpretações.

A arte é a expressão humana, através de alguma linguagem, com o objetivo puro de observação e reflexão e para atingir esse objetivo é preciso que trabalhemos forma e conteúdo, que pode ser entendido superficialmente, como story e telling. Sendo que o primeiro, Story, é o conteúdo e o segundo, telling é a forma. O que eu quero dizer aqui é que há diversas maneiras de se contar uma história, desde a mais simples narrativa oral, até a mais complexa produção transmídia, a mesma história pode ser contada de diversas maneiras e cada uma dessas maneiras tem suas características específicas quanto ao tópico do parágrafo anterior. 

É simples, a descrição de um personagem em um livro permite mais variações de sua face do que o desenho desse mesmo personagem nos quadrinhos, por exemplo. O que significa que a interpretação desse mesmo personagem será diferente para quem leu o livro e para quem leu os quadrinhos. Podemos verificar esse problema semiótico quando assistimos um filme da Marvel, por exemplo, e saímos da sala do cinema com a impressão de que o personagem apresentado não condizia com o personagem que conhecíamos anteriormente pelos quadrinhos, afinal, além de termos uma interpretação diferente dos quadrinhos do que tinha o roteirista e o diretor do filme, a nossa interpretação do próprios filme é diferente da interpretação de seus criadores. 

Toda essa ciência que apresentei é na verdade um cenário no qual está inserido todo comunicador, desde o artística plástico que lida com a flutuação de sentido de suas obras até o redator publicitário que usa palavras para dar significado e sentido para o consumo de diversos produtos e serviços. Nós estamos, na verdade, no ramo de criar significados, trabalhar o que as marcas representam através das mensagens que elas apresentam. Ao contar uma história, a união de vários símbolos com várias possíveis interpretações, nós  somos os responsáveis por definir os vários níveis de interpretação que iremos permitir ao público. Tal desafio, de controlar a interpretação do atento, apenas é intensificado quando lhes oferecemos uma campanha transmídia em que através de várias plataformas iremos oferecer diferentes experiências sobre a mesma história, é preciso, então pensar cuidadosamente na relação entre a representação imagética e verbal da narrativa em que estamos trabalhando. 


No fim da década de 60, Abraham Maslow criou junto a sua teoria um esquema que é conhecido (e por vezes criticado) como “Pirâmide de Maslow”. Neste, ele estipulou uma divisão das necessidades humanas desde as mais básicas até a auto-realização. Rapidamente situando, na base da pirâmide estariam as necessidades fisiológicas, seguidas pelas necessidades de segurança, de relacionamentos sociais, de auto-estima, até chegar, ao topo, na realização pessoal.

Mas antes que você perca a paciência e “mude de canal”, vou depressa ao ponto: o que isso tem a ver com storytelling?
Semana passada fui ao cinema. Diferente do Gaspar, não assisti Homem de Ferro III e nem vi a curiosa vitrine da Kipling, mas em meio ao filme que assistia, passei por uma incômoda mas clássica situação que quem costuma ir ao cinema, uma hora ou outra, acaba passando: fiquei com vontade de ir ao banheiro no meio do filme.
É na analogia que proponho que entra o storytelling na pirâmide de Maslow. Segundo o psicólogo, que afirma que as necessidades mais básicas devem ser satisfeitas para que as do topo também possam ser, a minha reação natural seria sair no meio da sessão e correr ao banheiro mais próximo. Mas não foi isso que, não só eu - mas acredito que a maioria das pessoas fariam, fiz. Fiquei e vi o filme até os créditos.
Não quero aqui julgar a atualidade da tal pirâmide de Maslow – sempre muito utilizada quando tratamos de Marketing, mas sim propor com essa relação que, talvez, a necessidade de uma boa história possa ser tão importante, ou mais que isso, tão vital quanto as nossas necessidades mais básicas como se alimentar ou ir ao banheiro.
Como disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano e já citamos diversas vezes aqui, ou melhor, como “um passarinho” disse a ele: será que somos feitos de átomos ou de histórias?

Ainda não é possível oferecer ao mercado uma definição 100% confiável de que tipo de campanha é, ou não, storytelling. Na verdade, a tecnologia ainda está em discussão e desenvolvimento, bons trabalhos de storytelling já proporcionaram bons resultados, outros, talvez não tão bons, se tornaram um "tiro no pé" como costumamos dizer popularmente.

Hoje, finalmente tive a oportunidade de ir assistir ao filme o Homem de Ferro III, mas não, esse post não é sobre o filme, falo disso mais pra frente na semana. Enquanto esperava pelo horário do cinema eu e minha namorada fizemos o que todo casal paulistano faz antes de entrar no cinema: andamos pelo shopping olhando para as vitrines. Mas havia uma loja especial em que a minha namorada queria entrar, então lá fomos nós para a loja da Kipling no Pátio Paulista. 

Entramos e vimos o que tínhamos que ver, saímos e continuamos com nosso passeio, curiosamente a loja da Kipling ao lado da escada rolante que leva ao cinema, para a minha sorte no caminho de ida ao filme eu reparei em algo que não havia me chamado a atenção anteriormente. A vitrine, cheia de bolsas penduradas guardava um surpresa, que começava com "Era uma vez..." não resisti, subi a escada rolante de um lado e imediatamente desci do outro. Será que a Kipling estaria usando storytelling para um campanha de varejo, assim, tão low profile que nenhum link da internet havia me avisado disso antes? 

Tirei foto dos dois displays que apresentam uma modesta história, ou pelo menos o início de uma história.



Independente, de ser ou não Storytelling (eu já tenho minhas opiniões formadas, mas vou guardá-las para depois!) eu gostei da campanha, achei o jeito das mochilas servirem de "ilustração" para a história uma boa sacada e fiquei curioso para saber se essa ação é parte de alguma coisa maior e mais complexa, ou se é apenas uma ação isolada. Outra curiosidade que ficou foi a opinião dos leitores sobre essa ação, então é só clicar aqui para participar da discussão, o resultado será divulgado em um post no próximo domingo e a sua opinião será levada em consideração. 


Somos todos heróis de nossas próprias histórias, e como Campbell prova em seu estudo dos mitos clássico, há um momento, no meio do grande conflito, em que todo herói deve encontrar um sábio, ou seja, alguma espécie de mestre que lhe mostre o caminho a ser seguido para que o herói seja capaz de alcançar a transformação.

Eu sequestrei o post de hoje para falar um pouco da minha jornada e desejar feliz aniversário ao nosso mais experiente Storyteller, o homem que tornou possível a maior parte das minhas conquistas no último ano. Eu estava desempregado e um tento perdido, procurando por algum tipo de luz que me mostrasse como eu poderia me reinventar, os modelos antigos de vida que eu havia preparado não cabiam mais e era mais do que hora de iniciar uma nova jornada. Na sala de aula, encontrei três mestres, mas um deles me ofereceu sua mão e seu apoio, um deles abriu caminho para que eu pudesse, apesar dos desafios me transformar no que eu sempre quis ser.

Contar histórias é um oficio que nos ensina muito sobre nós mesmo, nos mostra do que somos capazes e ajuda a olharmos para nossas vidas de maneira mais prática, mas no fim das contas, nada disso seria possível se eu não fosse guiado por alguém, que em algum momento acreditou mais em mim do que eu mesmo. Alguém que me mostrou que o trabalho duro só vale a pena se for nos levar para a felicidade, e não apenas ao dinheiro, alguém que com a sua jornada me inspirou a investir meu tempo, meus estudos e meu trabalho em algo no qual eu realmente acreditava.

Hoje, um ano e pouco depois desse de conhecer esse mestre, amigo e parceiro, eu estou aqui preparando o meu primeiro curso de storytelling, trabalhando em uma campanha na qual eu realmente acredito e construindo um empresa que representa tudo o que eu quero mudar no mundo. Então, hoje, o post é sobre um personagem, um herói capaz de tornar a minha jornada possível.

Parabéns Fernando Palacios, não apenas pelo seu aniversário, mas também por passá-lo fazendo o que gosta, por ter conquistado o direito de viajar, de tornar o seu sonho realidade e com esse exemplo, ser uma inspiração, para pessoas que como eu, pelo simples fato de te conhecerem, saberem que nossos sonhos também são possíveis. Então, parabéns pelo exemplo, pela pessoa que é e obrigado pelo ensinamentos e oportunidades.



Defiance é um seriado de ficção científica produzido originalmente pelo canal SyFy que estreou recentemente causando uma enxurrada de notícias em sites de entretenimento e de comunicação. Isso porque os produtores ousaram em criar um dos primeiros produtos de transmidia nativa dos últimos anos.
Transmídia nativa é aquela aonde a expansão do storytelling, através de múltiplas plataformas de mídias é planejada  previamente. 
 Para a indústria do entretenimento, uma narrativa expandida é o melhor que eles podem conseguir. Falar com seu público por vários anos e de várias formas.  Então é muito natural que iniciativas como esta comecem a aparecer em larga escala... aliás a Comcast, que é a maior companhia de TV a cabo, pretende investir além de Defiance 1 Bilhão de Dólares em 6 seriados de com Transmidia Storytelling nativa.  Só Defiance levou 5 anos de planejamento  e 100 milhões de Dólares apenas na fase de desenvolvimento das estratégias. Isso será um prato cheio para que muitas pessoas comecem a olhar para esses assuntos com maior frequência.

O enredo do seriado se passa em torno de uma guerra que se originou com a chegada de várias raças alienígenas que são conhecidas (todas) pelo nome de Votans.  Mesmo com toda sua tecnologia de Terraformação capaz de transformar a biodiversidade da Terra e alterar completamente a geografia do planeta eles, ao buscarem refúgio, não conseguiram perceber que já existia uma raça habitando por aqui. -outh!


Neste cenário, surge um ex-militar humano, Nolan, que caça as naves destruídas que ainda caem do espaço com sua filha adotiva, a votan Irisa. Até que eles se deparam com uma cidade construída sobre a antiga St. Louis. Ela é um tipo de colônia aonde as raças aliens e humanos podem viver em relativa paz. Os conflitos, previsivelmente fazem com que Nolan se torne o guardião do lugar, atualmente é chamado Defiance.

O ponto alto deste projeto é, como anunciado em vários lugares, ter nascido com um MMO (Massive Multiplayer Online) - um jogo online com servidores que suportam milhares de players ao mesmo tempo. A ideia é, que as decisões massivas dentro do game influenciem no desenvolvimento da série.  E existe uma coisa bem interessante que integra o projeto: Algumas keys que liberam equipamentos especiais para os jogadores são espalhadas por emails, social media e (espero) contidas nos episódios transmitidos pelo SyFy.


Mas então se tudo isso está sendo desenvolvido e com tanto investimento em transmídia storytelling o que pode dar errado? 

Pois é, o que poderia? Mas uma busca rápida no Google vai ajudar a perceber uma coisa que em 5 anos os produtores deixaram de lado. Eu acompanhei desde o início as notícias sobre Defiance e desde sempre o motivo principal por ele ter tanto destaque foi a transmídia e não a história.  O esforço na forma foi extravagante, mas no conteúdo nem tanto. Quando assisti o piloto senti como se estivesse mastigando uma embalagem bonita, porém vazia.
Esse é um caminho perigoso para quem pretende produzir transmidia storytelling.  A história sempre deve ser o principal, se ela for realmente boa, naturalmente transbordará para outros meios. 
Até o sexto episódio muita gente tem reclamado que a trama está lenta, não desenvolve e não é suficientemente interessante para engajar. Eu sou fã de ficção e realmente já vi coisas muito melhores.




E o Game... vai? 

Olha, a indústria de MMOs vem sofrendo com um grande dilema, qual modelo de rentabilização adotar. Free to play ou Pay to Play? Alguns grandes projetos como Star Wars Old Republic sofreram terríveis baixas após o período de teste em que começaram a pagar. Por fim tiveram que alterar suas estratégias e começarem a trabalhar com DLC (pacotes para download) pagos, que ofereciam conteúdo exclusivo e assim ganhar grana no servidor gratuito.

Então quando entro no site para tentar acompanhar Defiance também pelo jogo, não existe nem uma versão de teste. Nada do tipo jogue a primeira fase de introdução ao mundo de Defiance. Está tudo pago, assim como Ebooks e HQs, os produtores da série não estão esperando o engajamento, estão investindo agressivamente na rentabilização.  Não estou dizendo que ninguém vai entrar acompanhar a transmídia por esses meios, mas convenhamos que irá reduzir bruscamente as possibilidades de novas pessoas entrando no seu universo.  Eu mesmo não pagarei por algo que não "senti firmeza" com o seriado.
O fato do game ser TPS ( Third-person shooter ou jogo de tiro em primeira pessoa) não ajuda muito na hora de convergir o roteiro da Série.  Mesmo no piloto, se você é um jogador mais experiente, pode ter a sensação de que a maioria das cenas de conflito são como introdução as fases de um jogo de tiro:  "O cara para na floresta apenas com uma arma e alguns monstros super velozes correndo por trás das árvores... Start!"



Eu até me arrisco em dizer que o problema da lentidão no ritmo da trama é porque a todo momento eles tentam usar a série para apresentar ou explicar algo importante da mecânica do jogo.  Porém a imersão que acontece em um jogo de tiro,  na maioria dos casos não é totalmente baseada na narrativa, o que força a série a deixar de lado alguns pontos que podem ser importantes para aprofundar o storytelling, para aprofundar em outra coisa derivada do game.  O que estou dizendo é que tentaram chegar em um meio termo nos roteiros Game/TV para fazer com que as duas coisas andassem juntas e isso pode ter limitado muito alguns pontos da narrativa.

Já no piloto mesmo uma das sete raças tenta invadir a cidade, que perdeu seu campo de força (e nunca pensou em ter um sistema de segurança em caso de emergência) e então todos os moradores, praticamente todos, se armam para enfrenta-los. Aquilo não foi crível, em um MMO você está se ferrando pros NPCs ao teu lado, não se importa com quem eles sejam, mas em uma série todos eles tem nomes, vidas e isso não explicaria a maestria em acertar todos os tiros.

A verdade é que agora os esforços em torno da série, correm na direção de justificar tudo o que foi feito. Talvez seja possível dar um jeito em tudo, já confirmaram uma segunda temporada na TV e vão querer fazer dinheiro e dizer, isso aconteceu, alcançamos um número nunca alcançado. Se vão chegar lá,  isso é outra história.


Quando nos referimos ao uso do storytelling como “a última esperança” para captar a atenção do consumidor, ainda que nossos exemplos sejam predominantemente mercadológicos, não podemos nos esquecer de que a falta de atenção não é característica do ser humano só enquanto consumidor, mas enquanto indivíduo inserido na pós-modernidade.
Por assim dizer, temos que o storytelling surge como caminho não só para a comunicação publicitária, mas para a comunicação em geral – o que inclui outro grupo de graduados em comunicação: os jornalistas. Para explicar aqui, brevemente, como o storytelling poderá (e deverá) ir parar nas capas dos jornais, proponho um paralelo com a história da propaganda.
Há muitos e muitos anos atrás, num lugar não muito distante, a publicidade se limitava a anúncios que transmitiam as qualidades de um produto. Eternizados pela voz imperativa do “Compre!” e “Experimente!”, os chamados anúncios “hard sell” dominavam a propaganda e a cabeça de seus criadores com uma fórmula pronta.
Entretanto, com o passar do tempo, o inchaço comunicacional, dentre outros motivos, começou a diminuir a eficácia com que estes anúncios funcionavam, obrigando assim os publicitários a repensar a forma com que anunciariam seus produtos. Nascia aí o que é conhecido como “soft sell”.
Para o jornalismo a história não é diferente nos dias de hoje. As múltiplas telas e as redes aumentam gradativamente a dispersão dos espectadores até na hora das principais manchetes do dia. Por um lado uns buscam cada vez mais o sensacionalismo, a “Bomba!” que, se não pode ser chamada de “sell”, não é mais que o imperativo “hard tell”. Por outro, um caminho, que por conveniência aqui podemos chamar de “soft tell”, é o storytelling como forma de comunicar cada dia mais efetivamente a notícia (story) através da narrativa (telling).

O “soft tell” para o jornalismo, ou seja, o storytelling aplicado às páginas de jornais não é de todo novidade. Que diga o “new journalism” nos anos 60. Mas só quando mais fórmulas forem quebradas é que teremos mais narrativas eternizadas e leitores atentos ao noticiário.


Quem hoje vê a Disney lançando um sucesso atrás do outro nas telonas, mal pode imaginar que um dia a empresa de Mickey Mouse já passou por maus bocados quando o assunto é a sétima arte.

Eis que, no final dos anos 80, os filmes lançados pela Disney não estavam dando os resultados esperados. Até que um então funcionário da empresa, Christopher Vogler, baseou-se na literatura do mestre Joseph Campbell e do monomito para criar uma estrutura referência para as próximas narrativas produzidas nos estúdios de Walt Disney. Batizado “Memorando de Vogler”, que posteriormente, em 1992, veio a originar o livro “A jornada do escritor”, o modelo sofreu algumas adaptações e ficou também conhecido como o “Paradigma Disney”.
A partir daí ocorreu a grande virada nas contas da Disney, e o sucesso da empresa voltou a ser como é conhecido por todos nós até hoje – ainda que com uma ou outra diferença – também nos filmes produzidos por ela em parceria com a Pixar. Se você ainda duvida, pode conferir em todos os mais recentes sucessos da Disney que você deverá encontrar os doze estágios da jornada, um herói, um mentor, um arauto e todos os outros personagens da forma com que Vogler assim nomeou.
Com “Aviões”, o mais novo filme anunciado pela Walt Disney Company, não deverá ser diferente. “Derivado” do sucesso de 2006 – “Carros”, o trailer pode ser conferido aqui enquanto aguardamos ele aparecer no cinema mais próximo de você.

"O excesso de informação gera a escassez de atenção". Essa premissa proposta por Herbert Simon pode nos ajudar a entender um pouco melhor os recentes movimentos, tanto de agências quanto de anunciantes, em busca do storytelling.

Em um mundo com celulares inteligentes, tablets, notebooks e até vídeo games capazes de nos conectar com a infinidade de informações da internet, conseguir a atenção do consumidor/leitor é o maior desafio do comunicador. A geração Y não costuma perder tempo com o que não lhes interessa e é o nosso trabalho criar conteúdo e propaganda que interessem. Afinal, antes de trocarmos produto por dinheiro, nós trocamos conteúdo por atenção e é por isso que o mercado acostumado a lutar por "share of market",  "mind" e "voice" deve se preparar cada dia mais para ganhar o share de olhos e ouvidos desse grupo de consumidores que não param suas atividades facilmente para ouvir o que temos a dizer.

Mas eu não vou me prolongar sobre o assunto e vou passar a palavra para o Fernando Palacios que explicou tudo isso de maneira bem fácil e prática na entrevista pro vlog do Ideia de Marketing  dessa semana. É só apertar o play e se preparar para aprender um pouco mais sobre storytelling, branding e narrativa.


Boa parte dos temas propostos nas publicações aqui no blog relacionam o storytelling, cedo ou tarde, ao consumo. As histórias entram na comunicação mercadológica também e tão bem para quebrar o caráter descritivo e imperativo da propaganda convencional, e assim é indelével que elas acabem por vagar entre o campo da ficção e da realidade. É daí que surge a pergunta de um milhão de dólares, que insiste em não querer calar-se em uma resposta definitiva: o que é real e o que é ficcional?


E não me venham dizer que real é aquilo que você vive ou sente. Não são poucos os estudos que, com um foco ou outro, acabam por comprovar que nosso cérebro nos faz enganar e se enganar diariamente. Assim, dizer tão só que real é aquilo que você vive ou sente é não mais que se enganar também.

Entretanto, não satisfeito com a tenuidade entre o real e o ficcional, trago ainda um terceiro conceito defendido pelo autor francês Jean Baudrillard: a hiper-realidade. Em suma ela pode ser definida como o contato com além do que pode ser chamado de real (se é que algo pode ser chamado, de fato, de real) em um acontecimento. Essa situação se evidencia ainda mais quando inserimos a tecnologia em nossa vida cotidiana. Ou seja, a hiper-realidade se expressa, por exemplo, no momento em que eu, você ou nós assistimos a um capítulo da novela, a uma notícia na televisão ou a um filme no cinema já tendo lido, jogado, consumido mais sobre o respectivo assunto (ou história) anteriormente.
Por fim, quando a alternativa é a do parêntese acima e tratamos sobre ter contato com diferentes vertentes de uma mesma história em diferentes mídias, qualquer semelhança de hiper-realidade com transmídia não é mera coincidência.


Antes de mais nada, quero deixar claro que o uso incorreto da palavra "storytelling" não faz com que uma campanha seja classificada automaticamente como "ruim", pelo contrário, campanhas bastante interessantes e com ótimos resultados não são storytelling, mas dizem ser.

Hoje eu vou falar de uma campanha que encontrei enquanto trilhava os caminhos diários da internet. Quando eu li "Storytelling Tecnisa" fiquei agitado, curioso e ansioso para saber o que estaria do outro lado do link que se escondia entre outros milhões de links do meu google reader. Enfim, cliquei e fui levado a uma página simpática com uma boa apresentação da campanha e uma ideia que me parecia cada vez mais genial: apresentar os bairros de suas construções através da histórias desses bairros. Uma ação muito inteligente para uma construtora famosa que busca se relacionar melhor com seu consumidor. Com a expectativa lá em cima continuei clicando.  

Tamanha não foi a minha decepção quando entrei no primeiro bairro da lista, Vila Prudente, ansioso por uma experiência emocionante e prazerosa eu me deparei com um texto, bem escrito, no estilo Wikipedia de ser que não me oferecia a experiência prometida pelo título. "O bairro nasceu no ano XX pela concentração de imigrantes Y e por isso virou um pólo cultural de Z" e assim continuava o texto que me deixou disperso e me permitiu voltar minha atenção para a televisão antes mesmo de terminar o primeiro parágrafo, só voltei para terminar algumas horas depois. Devo admitir, antes de continuar, que grande parte da minha decepção é culpa minha por causa dessa mania que eu tenho de criar grandes expectativas. A campanha, no fim das contas não é ruim, a ideia é boa e bastante intrigante, afinal eu fui até o fim para descobrir do que se tratava, não fui? 

O problema da "Storytelling Tecnisa" assim como de diversas outras marcas e campanhas que buscam o storytelling como tecnologia de comunicação é que há uma grande confusão sobre o que é storytelling. O que eu esperava era encontrar boas narrativas que me emocionassem e cativassem, mas ao invés disso encontrei um enorme histórico que, apesar de bem escrito, ainda era frio e pouco engajador. Fiquei triste, de verdade, por perceber a oportunidade que a marca perdeu de apaixonar o consumidor por um daqueles bairros e assim, quem sabe, até vender um de seus imóveis. Com uma ideia dessas eles mereciam um pouco mais de engajamento, mas faltaram alguns pontos importantes, na minha opinião, para que a companha fosse um completo sucesso do Storytelling.

O mais importante desses pontos é  que o storytelling deve trabalhar emoções e sensações, criando sorrisos, levando a reflexão e se possível transformando a publicidade em entretenimento. Trabalhar emoções e levar a reflexão não é função da publicidade e sim da arte, portanto para que uma campanha de storytelling seja completa e alcance todo o seu potencial é preciso se apropriar das técnicas artísticas, no nosso caso, usar o que conhecemos como narrativa.

A narrativa é uma técnica que envolve uma série de padrões e regras para se contar um história, entre essas regras a presença de um personagem com a função de emprestar a sua visão de mundo ao leitor é uma das mais importantes, esse personagem é o responsável por transmitir sensações e amoções que vão além do fato e criar identificação através da experiência, o que faz com que a história seja apreendida melhor pelo consumidor. Um narrador melhor definido como um personagem já faria uma diferença incrível na proposta do "Storytelling Tecnisa". Está tudo lá, a ideia é boa, histórias para contar tenho certeza que não faltam, o marketing e a agência são obviamente bons e antenados, só faltou mesmo um storyteller para transformar essa campanha em um grande case brasileiro de inovação e engajamento.



O novo filme do Superman está chegando e claro, muita gente já imagina que se ele fizer tanto sucesso quanto Batman isso pode significar uma nova série de filmes dos heróis DC como a famosa Liga da Justiça. Parece fácil imitar a fórmula dos Vingadores da Marvel, mas não é bem por aí e vou dizer porque. 

No projeto Vingadores, acompanhamos as histórias de Hulk, Homem de Ferro, Thor, Capitão América e depois todos juntos em uma sequência de filmes que renderam uma boa grana aos estúdios e ainda abriu espaço para muito mais. Isso porque eles conseguiram representar no cinema o Universo Marvel, o ambiente aonde infinitas histórias podem acontecer e os espectadores ainda vão se sentir familiarizados com seus elementos.

Ok, então basta colocar Batman ao lado de Flash e tudo fica resolvido... ou não!

Essa união de todas as histórias de seus personagens só é possível na Marvel porque um cara chamado Stan Lee revolucionou o mundo das HQs criando heróis que tinham conflitos bem parecidos com os humanos e a partir daí o sucesso foi tremendo que esse conceito foi dando vida a outros seres super poderosos. Não foi que a DC aconteceu.

Ela cresceu comprando histórias prontas, primeiro com o Batman, depois vieram outros como Lanterna Verde e Aquaman. Cada um com um grupo de vilões e principalmente uma visão do mundo ou melhor uma versão do mundo bem peculiar. 

Batman sempre enfrentou vilões malucos ou bem armados, dentro de sua lógica não existiam aliens ou monstros devoradores de planetas. Da mesma forma, Mulher Maravilha é simplesmente uma princesa das Amazonas e sua história tem referências da mitologia grega. 
O que acontecia quando algumas dessas histórias precisavam se cruzar era a criação de um novo universo, que a DC chamava de Terra 1, 2 e etc. Dessa maneira as grandes alterações não influenciavam no plot principal de um personagem. Como (na época) Hqs vendiam bastante, o fato de ter várias versões de um mesmo herói não era preocupante. Mas chegou um tempo que o Multiverso (como foi chamado essa junção) impactou o comportamento dos leitores pois era um trabalho penoso comprar e acompanhar seu herói preferido. 

Foi quando veio uma série chamada Crise nas Infinitas Terras, que juntou todas as "Terras" e versões dos heróis em um só enredo. 

Porém isso não significa que eles resolveram o problema que é justificar a necessidade da existência de alguns heróis em uma mesmo grupo. Como criar uma história aonde a astúcia do morcego possa ser útil frente a um inimigo como Apocalypse que foi capaz de matar o Superman uma vez. Ou um vilão como o Capitão Bumerangue que era combatido pelo Flash, ter que enfrentar Hal Jordan com seu anel que pode expulsar da Terra a entidade Parallax... uma tarefa difícil.


Bem, no cinema, Batman já conseguiu seu sucesso. Enquanto isso algumas produções como o seriado Arrow vem construindo uma base de fãs bacana. Aliás se depender desse seriado eu acredito que os roteiristas estejam no caminho para nos mostrar como o universo DC pode se encontrar no cinema. Isso porque vários personagens como a Caçadora e Slade já foram vistos em vários episódios e a recepção está sendo boa. Inclusive há indícios que este seriado possa sofrer influência após o novo filme do Superman e tem outro herói dependendo desse sucesso, o Gladiador Dourado que também vai ter sua estréia na TV em breve.  O que falta para os estúdios investirem pesado em um filme da Liga da Justiça? ... falta Clark Kent mostrar porque é o Superman.  

Seu último filme deixou bastante a desejar e todas as notícias sobre a pressão que o diretor tem sofrido podem abalar nossa fé nesse filme, o que apenas aumenta a curiosidade para saber se Superman salvará novamente seu universo


O mundo da comunicação está repleto de exemplos e casos que reafirmam o poder das histórias na construção de marcas. Sem muito esforço encontramos diversas menções a storytelling em campanhas de comunicação – muitas delas até incorretas – mas sempre se vangloriando pragmaticamente pelo sucesso gerado.
Quando vamos a uma esfera científica do estudo da comunicação, do consumo e das marcas vemos que também não é diferente. Se por um lado respeitadas marcas como Coca-Cola e Google discutem o storytelling, por outro autores-referência como Colin Campbell e Andrea Semprini embasam a discussão em seu viés mais profundo e defendem a relação de consumo como cada vez mais imaginária, imaterial e simbólica.
E já que tratamos o storytelling em sua vertente acadêmica, valem algumas citações pra deixar tudo mais claro:
"Em muitas destas, a fronteira entre a representação dos interesses de determinado fabricante e distribuidor (i.e., a propaganda) e as imagens produzidas primeiramente para entretenimento é claramente distinguível, sugerindo que as duas coisas preenchem a mesma função de facilitar o hedonismo imaginativo. Em outras palavras, as pessoas 'desfrutam' dessas imagens em grande parte da mesma forma que desfrutam de um romance ou filme."
Retirada do livro “A ética romântica e o espírito do consumismo moderno”, de Colin Campbell, editora Rocco.
“Lembremos apenas que a capacidade de construir mundos desenvolver territórios simbólicos e manipular a abstração são aspectos que definem a lógica de marca. O desenvolvimento, no seio do consumo, de dimensões imateriais e imaginárias, entra então em íntima ressonância com a própria essência da lógica de marca.”
Do livro “A marca pós-moderna”, de Andrea Semprini, da editora Estação das Letras.
E disso tudo, em suma, o que se tira é que nada mais imaginário e possível de construir um mundo para uma marca do que uma boa história.




Antes de sua função puramente artística a narrativa já estava entre os primeiros grupos sociais humanos como um modo de transmissão de ideologia e regras de comportamento. Antes das HQ's modernas e da indústria cinematográfica, o ser humano já contava histórias para ensinar suas sociedades as regras e determinar o que se esperava de cada um de seus cidadãos. Não é a toa que os mitos Gregos e Romanos estão recheados, quase transbordando, de personagens com grande respeito as regras, tanto de seus deuses, quanto de seus imperadores. Afinal, era isso que se esperava de todo cidadão Grego ou Romano, heroísmo e honra em nome de suas crenças.

Já foi discutido e eu diria até comprovado o fato de que tais narrativas faziam parte de um importante kit de processos usados por tais sociedades para manter seus soldados motivados a morrer pelas ordens do império, sua mulheres orgulhosas dos homens que se distanciavam cada vez mais de suas famílias para defender a honra de sua sociedade e os filhos desses homens, que ouviam essas mesmas histórias, se mantinham motivados e treinar e se tornar mais um soldado, cheio de honra.

Concorde ou não comigo, concorde ou não com o vídeo a baixo, o importante aqui é perceber que a narrativa tem uma função social. As histórias que contamos de certa maneira representam as histórias que vivemos, ou que queremos viver, no sentido em que tais histórias representam os valores do grupo que as conta, mesmo que nem todos do grupo concordem com isso. A partir da consciência de que as histórias que contamos influenciam nos valores que ensinamos para a nossa própria sociedade, fica difícil pensar no storytelling sem considerar a força da narrativa. O vídeo abaixo trata de assunto com um visão bastante interessante, focando principalmente nas histórias contadas pela indústria do entretenimento, mas a discussão é importante para qualquer tipo de contador de histórias, de professores a roteiristas, devemos todos considerar a importância social das narrativas. 




De acordo com Jonathan Gottschall, autor do livro "The Storytelling Animal" o ser humano é incapaz de permanecer alheio a uma boa história. Somos naturalmente atraídos pelas experiências dos personagens e pelo mundo em que vivem. Tal pensamento seria uma ótima explicação para o crescimento, apesar das crises, da indústria cinematográfica e literária que temos experimentado nos últimos anos. O problema é que ninguém sabe factualmente o motivo de uma narrativa ser tão irresistível aos ser humano.

O que sabemos é que adaptar o poder da narrativa e das boas histórias vale ouro para qualquer um que trabalha com comunicação. Seguindo o pensamento da Coca-Cola que diz que em 20 anos sua propaganda estará nos cinemas e serão cobrados ingressos para a assisti-la podemos perceber, mesmo que isso ainda seja um sonho, as possibilidades que o bom uso do storytelling pode trazer para a nossas marcas e empresas.

Muito se tem falado dos segredos storytellers, das técnicas usadas em tal tecnologia e das diversas maneiras de se contar uma história para uma marca, mas poucos tem se aventurado pelo caminho científico da coisa. A Casa Mário de Andrade e a Oficina da Palavra me possibilitaram criar um curso que fale desses aspectos da tecnologia do Storytelling, ou seja, pela primeira vez, pelo menos que eu saiba, um curso irá debater exclusivamente a união da técnica narrativa que, nos acompanha desde os primórdios, com as ciências relacionadas a comunicação.

O objetivo do curso é discutir e analisar a narrativa desde o seu surgimento, antes mesmo de se tornar arte, até os dias da economia da atenção, tentando entender como é que o Storytelling se tornou a menina dos olhos da publicidade e se demonstra cada vez mais o último reduto da atenção em nossa sociedade. Tudo feito através do estudo e do debate de cases de sucesso no cinema, na literatura e até na educação.

ATUALIZAÇÃO:
Esse curso já passou, mas ele pode voltar e sempre há novas possibilidades. Fique de olho na nossa programação:
https://www.storytellers.com.br/p/sobre-nossos-cursos.html


Pense rápido: qual é a relação entre a sua mão e contar histórias? Não vale dizer que é com ela que você escreve as histórias. Acredite, há algo muito maior do que isso.
Segundo Jonathan Gottschall em seu livro "The Storytelling Animal", a sua, a minha e a mão de qualquer ser humano é composta de cerca de 27 ossos, 27 juntas, 123 ligamentos 48 nervos e 34 músculos. Mais que isso, cada parte da sua ou da minha mão tem uma função específica determinada. As unhas servem para arranhar ou agarrar o que quer que seja (ou para serem ornamentadas com os esmaltes dos mais diferentes nomes), as digitais para garantir que cada ser seja único dentre todos.
Com histórias, não acontece diferente. Não é preciso um épico de 1102 versos decassílabos se a sua história não é contada como os Lusíadas, mas cada personagem, cada fato e artefato devem ser minuciosamente pensados na construção de uma boa história. As unhas de uma história é aquilo que faz com que o personagem agarre o seu objetivo e passe pelos mais escabrosos obstáculos para chegar até ele (e acredite, tão bem como os nomes dos esmaltes, o nome do personagem também ornamenta a história).

Tudo isso para que, como nossas mãos, a história tenha uma digital única e inconfundível. E isso se torna, permitam-me o trocadilho, ainda mais “positivo”, “jóia”, quando se trata de um acirrado mercado onde uma marca precisa fazer de tudo para ter sua digital, sua identidade, como um diferencial perante seus concorrentes.
Se hoje nós estamos aqui, eu postando e você lendo esse texto, é porque historicamente tiveram mãos para fazer e registrar histórias, e boas histórias para serem passadas de mão em mão durante os séculos.


O nosso herói está a poucas horas de voltar para a estrada, deixar mais uma vez sua terra natal para se aventurar em busca de inspiração, ou melhor, em busca de algo ainda maior que inspiração. A sua busca pela nova maravilha do mundo permeia o mundo fantástico que queríamos viver e o mundo real no qual vivemos tentando realizar nossos sonhos.

Nós, que vamos ficar em nossas telas de computador esperando por textos e fotos que estimulem nossos sentidos e sentimentos mais sensíveis, podemos sonhar com os aromas e sabores novos que ele irá descobrir. Nós, que torcemos e ficamos ansiosos para saber, afinal, qual será essa tal nova maravilha, estaremos aqui, como telespectadores atentos esperando por notícias do mochileiro escritor que busca em suas viagens as belezas do mundo, desde as mais simples até os grandes monumentos.

Para quem ainda não conhece o projeto é só entrar no facebook do A Próxima Maravilha  e aproveitar a retrospectiva de tudo o que aconteceu enquanto ele se prepara para nos levar consigo por terras cada vez mais distantes, curiosas e maravilhosas.

Como, eu disse da última vez: "ao mochileiro, bon voyage" e que seus caminhos o guie para histórias cada vez mais maravilhosas e que uma dessas maravilhas seja a sua aventura. Nos vemos na volta!

Para não perder a tradição o post de hoje é o meu desejo de boa viagem ao Fernando Palacios e ao W'nderer Writer que irão entrar em mais fase de sua jornada essa semana.


Muito se fala sobre relevância ao inserir uma marca em uma história. Se tivesse que escolher uma "masterpiece", ou um supra-sumo nesse quesito, sem dúvidas minha escolha seria o filme Náufrago, o que sobe ainda mais o sarrafo quando tratamos de storytelling no mundo das marcas. Mas em questão não só de inserir uma marca ou produto numa história, como também inserir uma história dentro de um produto a sempre espetacular Post-it lançou um comercial bastante interessante.

No vídeo como um todo, a marca é mais que um desfecho à história. É também um cenário visual onde se constrói a história que, do modo como é retratado, aproxima ainda mais os produtos de uma realidade possível com a qual lidamos. Ou seja, o produto é tão bom e verdadeiro na história que conta (e quem nunca usou post-its para organizar as ideias que atire a primeira pedra) que consegue se colocar duas vezes nela.
Confesso que tive dúvidas quanto a presença do storytelling de fato na campanha, e espero que você também as tenha. Mas ver e rever o vídeo e pensar "o que é que esse personagem vai fazer agora pra resolver sua jornada?" explica didaticamente o que me convenceu a acreditar que sim. 
Fora isso e quaisquer indagações sobre como a história poderia ter sido melhor, ainda é um bom exemplo de encaixe de uma marca numa história (e vice-versa) de modo sincero.