Umberto Eco, autor do clĂĄssico “O Nome da Rosa”, conta que começou a escrever romances ainda quando criança. O seu mĂ©todo era quase sempre o mesmo:
começava pelo tĂtulo, desenhava os personagens
e em seguida começava o primeiro capĂtulo. NĂŁo por acaso, ele assume que depois
de algumas pĂĄginas se cansava e desistia de sua obra. Ainda que, no caso de Eco,
ele fosse uma criança, quem nunca se sentiu – ou se sente – assim atĂ© hoje?
A verdade, por mais irĂŽnico que seja, Ă©
que para um “escritor”, a Ășltima coisa a se fazer em uma histĂłria Ă©, justamente,
“escrevĂȘ-la”. Quase como num espetĂĄculo da Broadway, a histĂłria Ă© sĂł o que
aparece em cena, mas sem um punhado de contra regras, técnicos, e muito ensaio
que compÔem um universo ficcional, a magia não acontece.
- Estudar: “Minha tese de doutorado foi sobre a estĂ©tica medieval, e dediquei estudos posteriores Ă Idade MĂ©dia. Ao longo dos anos, visitei muitas abadias romĂąnicas, catedrais gĂłticas, e assim por diante. Quando decidi escrever o romance (O Nome da Rosa), foi como se abrisse um grande armĂĄrio no qual, durante dĂ©cadas, vinha depositando meus arquivos medievais.”
- Construir um mundo: “Para narrar algo, vocĂȘ começa como uma espĂ©cie de demiurgo criador de um mundo – um mundo que precisa ser o mais fiel possĂvel, de modo que vocĂȘ possa locomover-se nele com total segurança.”
- Ideias Seminais: “Somente depois do meu terceiro romance Ă© que percebi com clareza que todos os meus livros nasceram de uma ideia seminal pouco maior que uma imagem.”
- RestriçÔes: “As restriçÔes sĂŁo fundamentais a todos os empreendimentos artĂsticos. Um pintor que decide usar tinta a Ăłleo em vez de tĂȘmpera, uma tela em vez da parede; um compositor que opta por determinado tom; um poeta que escolhe empregar dĂsticos rimados, ou hendecassĂlabos em vez de alexandrinos – todos estabelecem um sistema de restriçÔes.”
- Duplo-cĂłdigo: “O termo foi cunhado por Charles Jencks(...): A obra de arte ou o edifĂcio pĂłs-moderno se dirigem simultaneamente a uma minoria, uma elite que emprega cĂłdigos ‘elevados’, e um pĂșblico de massa que utiliza cĂłdigos populares.”
Umberto Eco nĂŁo foi o primeiro e nem
serĂĄ o Ășltimo a escrever sobre processos de escrita de criação de
histĂłrias.
Muitos outros autores jĂĄ deram suas fĂłrmulas que, apesar de nĂŁo ser
regra, sĂŁo bons caminhos a se basear.
Uma regra, entretanto, a todos grandes
romancistas como Eco (que tambĂ©m a cita em seu livro) Ă© a de que “genialidade Ă© composta de dez por cento de
inspiração e noventa por cento de transpiração.”
