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A estreia do tão esperado Esquadrão Suicida trouxe à tona um tema que vem marcando o entretenimento moderno há muito tempo e já deve ter sido percebido por muita gente, seja quem é mais antenado nesse mundo ou só mais um ser humano em busca da próxima série que vai devorar em maratonas.

Quem nunca teve raiva do mocinho que toma sempre a atitude certa apesar das consequências ou aquele que se nega a dar o golpe final em seu inimigo, apenas para ser traído por ele mais para frente na história. Tornou-se muito mais comum flagrar-se torcendo para personagens mais ambíguas ou que apenas não estão nem ai para o mundo ou o que os outros pensam. Utilizando de técnicas narrativas e cinematográficas na construção de personagens e do enredo, os filmes, séries e quadrinhos de hoje nos fazem sentir empatia e amor por algumas das criaturas mais repugnantes e detestáveis da história da ficção. Porém, tais sentimentos não poderiam aflorar de tal forma no público apenas através de métodos aplicados durante o processo do contar das histórias. Eles são reflexo de um mundo muito menos maniqueísta e divido entre noções rasas de “bem e mal” ou “mocinho e vilão”, desde pontos chave da história moderna como a derrota americana na Guerra do Vietnã e a despolarização do mundo após o fim da Guerra Fria. 

Os meios de comunicação evoluíram de tal forma que é possível se criar personagens muito mais multifacetadas que deixam de ser alegorias planas para se tornarem pessoas quase reais, que quando apresentadas a oportunidade de reparar um erro o fazem, mesmo que através de outros ou de sacrifício moral.  Uma personagem que mente, que sofre, que ama, que se engana ou que se questiona é muito mais verossímil do que um defensor da honra e da moral a todo o custo, que sempre salva o dia apesar dos obstáculos. E hoje em dia, essa primeira personagem pode ser representada mais fielmente nas telonas e telinhas.

As características desse novo tipo de herói, mais falhado e mais humano do que o herói clássico de antigamente, refletem os traços e atributos que a população enxerga em si e que procura em seus meios de representação. 



A essa altura, todos sabem que exemplos não faltam na hora de demonstrar como os mocinhos das histórias de hoje em dia não condizem mais com as noções passadas do herói clássico. O irreverente e nada nobre pirata Jack Sparrow é a estrela da franquia Piratas do Caribe e não Will Turner, o bom rapaz da trama. Em Game of Thrones, personagens que costumam seguir sua moral e as regras não costumam sobreviver tanto tempo na série quanto personagens cruéis ou que se deixaram corromper pelo meio em um determinismo que chega a lembrar a estética realista do século passado. Desde o grande estouro da Família Soprano, séries como Breaking Bad, House of Cards e Dexter nos colocam na posição de torcermos pelo sucesso de assassinos e criminosos que, mesmo que tenham tido motivos nobres no início, se perderam em suas próprias falhas ou orgulho. E o que é mais humano do que isso, não é?

No filme Esquadrão Suicida, um grupo dos mais detestáveis e perigosos criminosos se une para “bancar uma de herói”. O filme tem uma apresentação de personagens atrapalhada e que segue em tropeços até as últimas cenas, culminando em um roteiro que acaba por não fugir muito da fórmula já conhecida por todos. Porém a grande hype criada em torno do filme vem justamente desse novo olhar do mercado e dos espectadores que começam a repudiar cada vez mais o herói incorruptível em armadura dourada, tão distante de nós. 



Os vilões e anti-heróis da atualidade vivem uma vida livre e questionadora muito mais próxima da que sonhamos (mesmo que só no mundo das ideias) e a cada ato odioso cometido nos tornam seus cúmplices e nos fazem sentir bem com nossas próprias mentiras e defeitos. Representar o bem e o mal que coexiste dentro de todos nós não é mais uma mensagem a ser aprendida no final da história, mas sim uma regra a ser seguida para poder conversar, de igual para igual, com um público que sabe que não possui apenas qualidades heróicas dentro de si e que procura se ver representado nos grandes veículos de comunicação. Mesmo que isso tenha que acontecer através de adoráveis, adoráveis monstros.



A concorrência estava forte, Mad Men, House of Cards e mais de 400 séries produzidas atualmente para a TV Americana.  Dentre ela uma merece reconhecimento e é Got, carinhosamente chamada por fãs.

Segundo o elpais, no domingo, levou quatro troféus (melhor série dramática, melhor direção, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante, Peter Dinklage), além de outros oito nas categorias mais técnicas, entregues na semana passada. Game of Thrones empata agora com The West Wing e Hill Street Blues como a série mais premiada na história do Emmy.


Isso só reforça o gás que a série tem, a academia teve que reconhecer que ela se infiltrou na cultura pop de uma maneira intensa. Cada início de temporada é um evento mundial e quem acompanha o twitter pode ver a febre que é. Em todas as redes pessoas fogem, brigam e se desentendem por conta de spoilers, mesmo artifício usado por alguns professores mais astutos... pois é, Game of thrones está entrando na categoria "mito moderno". Que venham as novas temporadas!




O texto foi publicado originalmente pelo portal Série Maníacos

Com o fim da quinta temporada do seriado de maior sucesso da atualidade, choveram lágrimas na internet e nos rostos de milhões de fãs por todo o mundo. Aliás, se você não chorou porque ainda não assistiu ao episódio, melhor não ler esse texto: ele! contém! spoilers!

Storytelling é a disciplina que estuda o funcionamento das histórias, que apesar de ser uma atividade milenar, possui mecanismos que são tão imutáveis quanto as leis da física. Todo aluno de um bom curso sobre o tema aprende algumas premissas fundamentais. Vou simplificar três das mais importantes, caso ainda não tenha tido a oportunidade de se aprofundar no assunto.

A ficção é uma obra composta por invenções e mentiras com objetivo de expressar a verdade. Para isso, os autores recorrem ao poder da verdade humana, aquela verdade inegável, que faz com que a gente se coloque no lugar de um personagem e pense "se eu estivesse no lugar dele... acho que faria a mesma coisa."

Os autores trabalham a verdade humana para gerar a empatia na audiência, que pensa: "eu sou diferente dele, não concordo com a sua atitude, mas acho que o que ele está fazendo a única coisa que ele pode fazer, na posição em que ele está."

Para aumentar a torcida, autores recorrem ao princípio do Destino. São promessas grandiosas ligadas ao futuro de seus personagens. A audiência fica imaginando como vai ser quando o personagem for coroado, punido, vitorioso ou vingado.

Para facilitar, muitos autores agrupam esses princípios de uma só vez. Nesses casos, o protagonista é 'o escolhido' para realizar um grande feito, é guiado por iniciativas nobres e aprende a lição ao longo da sua jornada, garantindo uma experiência mais segura para a audiência.

Não é o caso do autor George R. R. Martin. Para ele a audiência é exatamente isso: espectadora. Ele não escreve para agradar o seu leitor e a expectativa da audiência não influencia nos caminhos do seu enredo.

Mais do que pregar uma moral para a audiência, George R.R. Martin deixa que a própria história ensine a moral aos personagens. Tudo o que a audiência pode fazer é escolher com mais cautela
por quem torcer. Para facilitar a escolha e poupar lágrimas ao final das próximas temporadas, compilei algumas dicas

A primeira lição é: não importa se o personagem é 'do bem' ou 'do mal'; se ele é guiado por princípios nobres ou egoístas. A saga é pautada por muitos acontecimentos reais da época medieval, entre eles a Guerra das Rosas e o Casamento Negro. Diferente dos contos de fadas, no mundo real nem sempre vence o bem.

A segunda lição: pouco importa se você considera justo ou injusto um personagem ser recompensado. No universo de G.R.R.M. a meritocracia não tem a ver com motivação ou propósito, e sim com aprendizado e adaptação.

Se o personagem não aprende a sua lição, ele paga caro, muitas vezes com a própria vida. Vamos ver algumas lições que não foram compreendidas a tempo:
Ned Stark, "na guerra dos tronos, ou você vence ou você morre"
Tyrion Lannister, "quem fala o que quer, vive o que não quer"
Robb Stark, "faça guerra, não faça amor"
Joffrey Baratheon, "quem faz o que quer, vive o que não quer"
Jon Snow, "não adianta querer salvar o mundo, se você não consegue resolver os problemas dos seus próprios irmãos"

De todos os exemplos acima, o único que ganhou uma segunda chance foi o Tyrion, mas muito mais por sorte do que por merecimento. Se ele não aprender logo a sua lição, do próximo julgamento ele não escapa.

Por outro lado, quem aprende, acaba sendo premiado, como no caso de Sam. Ele prestou atenção aos indícios e previu qual seria o seu destino se não aprendesse a lição e tomasse uma atitude. Agora ele está a caminho de realizar seu destino de se tornar um grande maester e, quem sabe, até de se realizar o seu sonho de se tornar um mago.

A última lição: para que algumas promessas grandiosas sejam cumpridas, outras vão por água abaixo. Foi isso que Shireen aprendeu com Stannis, que por sua vez aprendeu com Brienne, que chegou para cumprir o seu destino.

Então, se você não quer sofrer nas mãos do George Martin, ao invés de torcer para o 'good guy', mais humano e merecedor de um final feliz, aposte suas  fichas emocionais naquele que estiver mais atento ao que se passa ao seu redor e que esteja se esforçando para antecipar os possíveis desfechos negativos. Se você tiver dificuldades em fazer essa análise, bom, aí só tem duas soluções: compre um estoque de lenços de papéis ou estude Storytelling antes de ler o próximo livro ou assistir à próxima temporada da saga. 


A estréia mundial do episódio S05E06 de Game of Thrones, no último domingo, embora tendo sido um sucesso mundial, teve uma recepção muito dividida dos fãs – enquanto alguns acharam o episódio brilhante como todos, muitos não ficaram felizes com o rumo do enredo tomado na série. No twitter, temos como prova milhares de posts sobre o descontentamento geral dos fãs. Claro que não é necessário apontar que a cena em questão é o final do casamento de Sansa e Ramsay, finalizado com uma cena de estupro que o consumou.


Mas por que toda essa frustração da parte dos fãs? Muitos discordam e dizem, inclusive, que é uma cena cabível dentro de tudo que já ocorreu na série até esse ponto. Pois bem. Contudo, existem motivos muito válidos pra essa frustração geral. Os porquês são alguns, e seriam os seguintes:


I.     Fidelidade

Sim, a série é só BASEADA nos livros, e não é uma recriação deles. Mas não torna a frustração menos digna: houve uma mudança drástica no rumo da personagem Sansa que, desde o início, preocupou os fãs que sabiam o que acontecia com a esposa de Ramsay no livros. E por mais que a cena tenha sido fiel ao livro quanto aos acontecimentos (embora o estupro envolva outra personagem), não era necessária na série – se foi possível mudar o rumo de Sansa por completo, qual seria o problema de poupá-la desse momento? Como ele adiciona algo à história? Qual seria a relevância?


II.     Relevância

Tudo que George R. R. Martin escreveu e fez acontecer na série teve um porquê. Toda morte, todo sofrimento, todos os acontecimentos eram pontuais e importantes pro desenrolar da história. Em screenwritting, quando se faz uma personagem de uma história passar por uma dificuldade, essa dificuldade geralmente é justificada, e é importante pro desenvolvimento de caráter do personagem, amadurecimento, etc. Caso contrário, a situação é vista como sofrimento gratuito, que torna a história apelativa, especialmente no caso de histórias contadas em séries ou filmes. Não se "castiga" um personagem gratuitamente, isso também empobrece o enredo.


Pra ilustrar melhor: A morte de Robert Baratheon, por exemplo, teve seu porquê, pois foi o gatilho necessário para a Guerra dos Cinco Reis e da busca da conquista do trono, que é o enredo principal da série. A morte de Ned Stark foi o ponto de partida das histórias de todos os Starks até agora, causando o enfraquecimento de Winterfell, e fazendo com que Bran Stark descobrisse seus “poderes” e fosse em sua busca, que é vital no futuro da série (sem spoilers, claro).

Mas vamos focar na morte de Robb Stark por um momento. Sua morte, pra história, significou não somente um maior enfraquecimento de Winterfell, mas também deu um motivo para os espectadores odiarem os Bolton por sua traição. E é aí que o estupro de Sansa se torna irrelevante – Ramsay já é detestado por sua personalidade, por suas atitudes, por seus feitos. Não havia necessidade da cena final para que odiássemos o mais novo Bolton, ele já era detestável. Os espectadores já o odeiam, e Sansa já o odeia.




III.     Desnecessário

Como dito anteriormente, a cena não adicionou muito pra história de Ramsay, e muito menos pro enredo que o envolve. Mas e pra Sansa? O acontecimento não teria sido importante pro seu desenvolvimento? Afinal, agora ela tem uma chance de amadurecer e (mais um) motivo pra odiar Ramsay, manipulá-lo, e se vingar!

Então... não necessariamente. Voltando um pouco na questão da relevância de acontecimentos numa história, temos que avaliar o seguinte: todo acontecimento em Game of Thrones é o começo de um arco na história ou o fim de um arco. Sempre. No caso do desenvolvimento de Sansa, o arco de seu crescimento e amadurecimento é muito claro. Ela começa como a menina ingênua, egoísta, e iludida sobre o mundo, sonhando com seu casamento com Joffrey (que acabou sendo um sadista e cruel com ela) e com sua vida como rainha. E depois de sofrer com a morte de praticamente toda sua família (ou como ela pelo menos pensa), vemos a personagem parar de se iludir com pessoas e entender que nem todos são confiáveis (lembra do sofrimento justificado?). Quanto mais o tempo passa, mais vemos Sansa se tornar a personagem do final da quarta temporada, que sabe manipular, sabe em quem confiar, sabe se impor, e sabe quando não agir e observar apenas.


Vemos isso continuar no início da quinta temporada, na sua desconfiança na primeira pessoa que aparece que diz querer resgatá-la, quando Brienne se aproxima dela. Inclusive, até no próprio episódio de seu casamento ela demonstra sua maturidade e esperteza ao expor Myranda, além de mostrar seu amadurecimento numa personagem independente quando ela mostra não se sentir ameaçada por Myranda em suas tentativas de deixá-la insegura.

Portanto, chances de amadurecer Sansa já teve, tomou essas oportunidades, e teve amadurecimento, seu arco já estava no fim. Não havia, de modo algum, a necessidade de “mais uma oportunidade” como essa. Ela já desconfiava de Ramsay, já o detestava, e com certeza já tramava em sua mente algo para enganá-lo, ou para ao menos não se prejudicar tanto. O estupro só a traumatizou mais, mesmo já amadurecida, ponto. Ramsay poderia tentar quebrá-la de várias formas que poderiam ser modos dela amadurecer mais ainda. Mas não, os escritores da série optaram pelo comum, e já anteriormente acontecido, estupro.


IV. Clichê

É, estupro não é incabível ou inesperado na história, pois não é novidade. E esse é outro problema com a escolha dos escritores. A necessidade de reduzir o amadurecimento ou poder de muitas personagens femininas da série à sexualidade delas é algo recorrente, and it’s getting old. Temos Daenerys que só se tornou dominante e decidida depois de “dominar” Khal Drogo sexualmente; Melisandre, que mostra sua superioridade em relação a muitos homens através do sexo, além de tê-lo como ferramenta para seus rituais religiosos (os quais são responsáveis por sua posição de poder – ligação entre poder e sexualidade); Cersei, que domina seu irmão fortemente através do sexo; Ygritte, que desde o início de sua relação com Jon Snow, utilizou de sua sexualidade melhor explorada pra tentar manipulá-lo... os exemplos são inúmeros, e não tem mulher protagonista que se livre da premissa. Mas isso é pano pra manga pra uma discussão futura.


E ainda assim, quais as personagens femininas principais (e fortes) que, até o episódio de ontem, não tiveram sua vida sexual ou amorosa como ponto chave para que se desenvolvessem? As mulheres Stark. Catelyn, Sansa, e Arya eram as únicas protagonistas femininas que não tiveram suas sexualidades ou interesses amorosos abordados como focos no enredo nem ponto de mudança pra história. Quando os escritores escolheram trazer isso para a história de Sansa, tiraram-na do padrão de sua família, fizeram dela a Stark "de fora." Pode parecer algo pequeno, mas fez Sansa parecer mais fraca do que ela é: se fosse Arya, por exemplo, já imaginaríamos uma reação, e o mesmo com Catelyn. Pode-se dizer que foi algo "out of character" pra uma Stark, até.


Meu ponto com essa análise não é dizer que quem não ficou incomodado está errado, claro que não. A questão é que acho que essas certas coisas não foram percebidas e não foram levadas em conta, e são importantes na hora de se contar uma história. E pior, esse determinado momento, tanto nos livros quanto na série, foi focado em apenas uma pessoa: Theon. O objetivo de Ramsay é humilhar e ridicularizar Theon mais uma vez com esse feito. Sansa foi estuprada, humilhada, e desrespeitada em seu próprio lar, e o foco foi em Theon. Além de tudo que há de errado com essa cena, temos a trama e a experiência de Sansa como secundárias nesse momento da história, uma vez que o foco muda pra reação de Theon. Sinto que isso pode ter ajudado a diminuir o "peso" da cena pra personagem, ajudando a maquiar tudo que citei nessa análise, e diminuir ainda mais a importância do que Sansa passa pra própria história dela.




Tendo tudo isso em mente, é válido reavaliarmos o quão justa a cena foi pra personagem que já havia sofrido o necessário pra uma vida toda. É esperado que Sansa vai conseguir se livrar dessa situação bem mais ardilosamente do que fez quando teve de lidar com Joffrey, provando que cresceu e aprendeu o que precisava aprender. No então, o estupro, por esses e outros diversos motivos, não era uma lição necessária.


Nossas séries ainda engatinham. Nossos filmes, vezes deslancham, vezes encalham. Nossos livros até andam, em círculos. 

Gostemos ou não, o formato de história que é a cara do Brasil ainda é a telenovela. Complexo de vira-lata à parte – temos muito o que aprender com as novelas brasileiras. Esse é o segundo de 4 episódios sobre as telenovelas brasileiras.


Quando a Globo anunciou que a próxima novela das 6 seria de Benedito Ruy Barbosa, muitos atores tiraram o corpo fora. Isso porque Benedito tem a fama de atrasar roteiros, entregar tudo em cima da hora da gravação. Mas a Globo evitou isso: fez com que o autor entregasse o roteiro completo, pronto, antes mesmo da estreia.


Essa decisão não só aliviou os atores, como deu força à trama. Entre o amor e o ódio à novela, o primeiro elogio a ser feito para “Meu Pedacinho de Chão” é à sua construção dramática.

1) PERSONAGENS
Se na semana passada os personagens foram alvos de crítica, hoje são de elogios. A começar pelos números. Na construção de uma história, assim como numa casa, os personagens são os tijolos que sustentarão a narrativa. Sem personagens não há história, sem paredes não há casa que pare em pé.

Meu Pedacinho de Chão provou que quantidade não é qualidade: com apenas 23 personagens na história (contra 68 e 56 das duas novelas anteriores do horário, e quase 100 de “Em Família”), a novela tem poucos, mas ótimos personagens. É possível ver a profundidade em cada um deles e até identificar seus arquétipos. Ninguém está na trama por acaso.

2) DETALHES
Há uma máxima que diz: “As boas histórias são contadas nos detalhes”. Basta assistir uma cena de Meu Pedacinho de Chão e enumerar quantos detalhes ela tem. Desde o cenário, construído totalmente do zero e muito mais do que um desgastado Leblon, passando pelos animais e pelos incríveis figurinos.

Tudo isso confere à novela um ar teatral. Cada elemento de Meu Pedacinho de Chão enriquece o universo da história – que mais parece uma fábula. Não por acaso os figurinos da novela ganharam uma exposição no Rio.

3) REFERÊNCIAS
Não é novidade que, ainda que a passos de elefante, a Globo tem procurado reinventar seu modelo de novela. Para isso ela não tem medo de buscar referências naquilo que está em alta mundo afora. O novo traje de Zelão, quando o inverno chega, remete a Jon Snow de Game of Thrones. Gina é a cara da Merida, de Valente. São referências que vão além da estética até as características dos personagens.


Pessoalmente, há tempos não assistia uma novela tão bem construída e divertida quanto Meu Pedacinho de Chão. Àqueles que assistiram uma vez e não gostaram, vale ligar a TV às seis horas e assistir com outros olhos. Horário das seis este, aliás, que tem sido um grande laboratório à inovação nas novelas da Globo.


Recentemente, o autor George R.R. Martin mandou os seus leitores para "aquele lugar" ao ser questionado se viveria tempo o suficiente para escrever o fim de sua saga "As Crônicas de Gelo e Fogo" também conhecida na forma do seriado de TV "Game of Thrones". Aliás, este também foi um dilema vivido pelo autor Stephen King com sua série A Torre Negra, porém o rei dos textos de terror encarou a coisa de uma forma muito mais poética e menos agressiva do que Martin.

Já falamos muito aqui das técnicas de STORYTELLING, e muita gente tenta separar ARTE de TÉCNICA, sendo que os dois são a mesma coisa. A arte é a maestria de uma técnica. Muitos escritores acreditam que precisam de "inspiração" para escrever e acham que ela vem do além, o que, se você já leu este artigo sabe que não é verdade. No entanto, muitos autores têm planejamento e técnica o que inegavelmente é o caso de Martin, porém a execução demanda disciplina e muito esforço.

Por isso, muitas vezes os storytellers não conseguem entregar seus projetos no prazo, porém se você é um autor já consagrado, seus leitores com certeza irão aguardar ansiosos. Outros até entenderão a demora se for para zelar pela qualidade do material. No entanto, se você quer se tornar um storyteller profissional, precisará ter disciplina e respeitar prazos!


O dia amanheceu com milhares de órfãos agora que acabou de acabar a quarta temporada do seriado Game of Thrones. Mesmo com o calor da Copa e apesar da final de temporada da NBA, o final conseguiu espaço para continuar a repercutir nas redes sociais. Para quem acompanhou a temporada, isso não causou espanto algum, afinal, alguns episódios conseguiram se manter como o principal assunto da semana em todo o mundo. Para se ter uma ideia, existem sites especializados em vender informações que estão nos livros e que ainda não foi para a TV. Sim, por incrível que possa parecer, muita gente paga por "spoilers" do seriado. Por essas e por outras, a saga é obrigatória para quem vive de contar histórias - basicamente qualquer pessoa que trabalha com comunicação.

Quem não gostaria de deixar sua audiência hipnotizada durante a transmissão de sua mensagem e, ao final, deixar aquele gostinho de "quero mais"? Qual marca não preferiria ao invés de ter que pagar para veicular suas mensagens, ter milhões de fãs pagando para ouvir o que ela tem a dizer?

A verdade é que não existe um "segredo guardado a sete chaves", algum saber oculto que só o autor conhece. Ir além de uma 'boa história' e realizar uma 'história épica' é simples e os livros que inspiram o seriado - As Crônicas de Gelo e Fogo - ilustram com muita clareza como fazer para tornar a sua história num grande fenômeno.

A grande chave é entender e aplicar a diferença entre Story e Telling. No caso de Game of Thrones, o autor George RR Martin criou 12.503 de Story. Se Storytelling fosse uma árvore, o Story seria a raiz,  aquilo que quase não aparece... mas que dá suporte e nutrientes ao tronco. A saga ainda não está completa, ainda faltam os últimos dois livros, mas a partir dos primeiros cinco é possível prever quantas páginas faltam até o final.

Considerando que cada último livro tenha entre 900 e 1000 páginas podemos afirmar que o autor reservou cerca de 6 mil páginas de Telling. Em breve o autor vai lançar o sexto livro - Winds of Winter - que entra no terceiro ano narrativo. Ou seja, de mais de doze mil e quinhentos anos de história, a saga narra 'apenas' os últimos três.

Seguindo essa lógica, toda vez que uma marca for criar um comercial, por exemplo, ela deve pensar que para cada trinta segundos de tela, ela deve pensar pelo menos três horas de história. Uma coisa é certa: material não vai faltar. Feito com atenção, pode até ser o início de um épico de décadas... por que não?




Nem só de plot twist se faz uma boa história, mas são eles que pontuam dramaticamente os pontos chave de uma história tornando-a inesquecível.

No último episódio de Game of Thrones, que foi o oitavo episódio da quarta temporada, presenciamos o fabuloso duelo entre a montanha e a víbora vermelha. Mas apesar do gore óbvio da sequência, muitas coisas estavam em jogo. Não adianta apenas virar a história de cabeça pra baixo, mudar o contexto subitamente ou fazer uma grande revelação.

Toda a construção da história deve ser arquitetada para que a virada seja relevante. Temos que lembrar que muitas coisas estavam em jogo naquele duelo, por exemplo, a liberdade de um dos personagens mais cativantes da história. E os duelistas também não foram apresentados somente para esta cena. Os personagens já tinham sido contextualizados ao longo da trama, adicionando carga emocional a sequência e fazendo com que o expectador se importasse com o resultado da luta.

Em fim, todo storyteller deve saber que não basta apenas mudar o rumo da história para se fazer um bom plot twist. É preciso anunciá-lo assim como um bom ilusionista faz com um truque de mágica.


George R.R. Martin tem atraído milhões de leitores às livrarias e um número igualmente incrível de assinantes para o HBO, canal por assinatura que tem adaptado sua série de livros Crônicas de Gelo e Fogo para a TV na forma da série "Game of Thrones". Mas qual seria o segredo deste sucesso?
Um deles é que Martin é um autor de carreira e está por aí solidificando seu nome obra atrás de obra desde a década de 80.

Além disso, o autor parece utilizar técnicas conhecidas pelos storytellers, pois diz que "autores podem ser como arquitetos ou jardineiros" deixando bem claro o equilíbrio que mantém entre o estilo pantzer, dos autores que escrevem guiados pelo espírito artístico e os plotters, storytellers meticulosos que planejam cada passo de sua história.

Ele também revela que a experiência pessoal é muito importante quando se quer cativar o público, por isso aconselha que os storytellers escrevam sobre aquilo que os emociona e ordena que eles vivam antes de escrever.

O autor, que tem seu sucesso atribuído as suas narrativas magneticamente cativantes e imprevisíveis, ressalta ainda que a revisão pragmática e a prática constante são fatores decisivos na carreira de um escritor.

Quer mais dicas de George R.R. Martin? Veja 20 delas no link abaixo (em inglês):


Ontem à noite terminei de ler o 5º volume da série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. A única coisa que consigo pensar hoje é na história da série e no que vai acontecer no próximo livro.


George Martin faz isso com seus leitores. Ele conquista suas mentes. Não é à toa o tamanho do seu sucesso: mais de 15 milhões de cópias vendidas pelo mundo e uma das séries de TV mais aclamadas dos últimos tempos.

O autor diz que o segredo de tanto sucesso é simples: ele faz com que seus leitores sintam medo ao virarem as páginas, nunca sabendo o que pode acontecer, exatamente como na vida real. Como assim?, você pode estar se perguntando. Bem, a trama que George Martin criou é extremamente complexa e não dá para se ter certeza do que vai acontecer em nenhum momento. Seus personagens possuem múltiplas facetas e os rumos da história são tão imprevisíveis que muitas figuras principais da trama morreram logo no primeiro livro.


É daí que podemos extrair uma grande e importante lição: a audiência quer mais emoção! Quer o imprevisível! O público está cansado de coisas óbvias. E isso não vale só para literatura e televisão. Vale para tudo!

Quer um exemplo? Então dê uma olhada no briefing de segurança da Air New Zeland. Não é porque o assunto é chato que a comunicação precisa ser chata também.



Quer outro exemplo? Que tal as apresentações em PPT, Prezi e Keynote da Monkey Business, uma empresa com vários cases de sucesso, especializada em apresentações profissionais. A Monkey oferece uma contraproposta às apresentações previsíveis costumeiras, adicionando elementos diferenciados dentro das apresentações de seus clientes. Nesse caso, não é porque o formato é tido como maçante que o conteúdo e a forma de passá-lo também precisam ser.


Então, se seu público pede por emoção, dê emoção a ele. Seja no formato, seja no conteúdo, seja na trama, tente fazer algo original e diferente. Não se apegue ao previsível. Se for para se apegar a alguma coisa, faça como George R. R. Martin: se apegue ao imprevisível.




Contar uma história, seja na cabeceira de uma cama, ao redor de uma fogueira, em uma sala de cinema ou em uma tela de computador, é sempre uma experiência de imersão. Toda história deve ter, de alguma forma, um convite ao atento para que ele esqueça do seu universo por alguns minutos e venha conhecer o universo do personagem.

Game of Thrones, na minha humilde opinião, tem feito os melhores trabalhos em relação a esse convite de imersão. Antes do lançamento da última temporada eu acompanhei ações como a imagem da sombra do dragão no New York Times e os caminhões culinários especializados em receitas do Universo de George R. R. Martin, receitas as quais você pode encontrar no livro oficial de Receitas do universo. Enfim, mesmo entre as temporadas da série e as longas esperas pelo lançamento dos próximos livros, o fã de Westeros e seus cativantes personagens não ficam "orfãos" e não precisam de maneira alguma deixar o complexo universo ficcional.


Em sua mais recente ação a equipe de Game of Thrones preparou uma surpresa para o povo Britânico de uma pequena cidade de litoral que acordou com uma cabeça de dragão do tamanho de um ônibus exposta em sua praia. Além de ser uma bela escultura, a cabeça do dragão, sem conter nenhum tipo de placa ou aviso publicitário se tornou uma das mais famosas ações de divulgação da nova tempora da série. A mídia espontânea gerada pela ação correu o mundo e deu uma nova vida as discussões sobre o futuro da narrativa. Mas GoT não é o primeiro a fazer e eu honestamente espero que não seja o último. Outro George, há alguns anos, já criou um universo que conquistou gerações e gerações através de seus contantes convites aos atentos para fazer parte do seu universo. A famosa franquia Star Wars recentemente vendida à Disney junto da Lucasfilm já havia se tornado desenhos animados, livros, revistas em quadrinhos e muito mais. J. K. Rowling demorou um pouco, mas acabou percebendo a importância de se abrir portas para deixar o público entrar no seu universo e finalmente criou o Potter More. 


Na verdade, se pararmos para pensar, todas as grandes histórias de ficção dos últimos anos souberam convidar seu fãs para se aventurarem ao lado de seus personagens favoritos de uma forma ou de outra. A intereção entre os elementos narrativos e os elementos publicitários se torna cada vez mais indispensável para o sucesso das narrativas nesse novo momento tecnológico em que vivemos.



Uma das maiores vantagens de usar storytelling na publicidade é que você dá a oportunidade do consumidor virar fã e depois, é só uma questão de tempo até o fã virar evangelizador. Para quem está conectado o conceito de fan fiction não é novo, mas eu vou explicar:

Fan Fiction é um termo em inglês que dá nome ao ato de criar arte com base em universos ficcionais famosos. Como exemplo disso podemos citar, entre muitos outros, a série animada The Clone Wars que conta novas histórias no universo do conhecidíssimo Star Wars. Outro exemplo recente e famoso de fan fiction é o livro 50 tons de cinza que originalmente surgiu em um fórum norte americano como fan fiction de crepúsculo. 

O poder de engajamento de uma história leva a inspiração e a inspiração leva a novas histórias. Não é uma lógica difícil. Mas o que é que marketing político tem com tudo isso? 

Nos estados unidos, durante o período eleitoral, é comum encontrar os "attack ads", ou seja, uma propaganda eleitoral que ao invés de dizer os motivos pelos quais devemos votar no Sr. Y ou X, ressalta de maneira sensacionalista, por assim dizer, os motivos pelos quais NÃO devemos votar no Sr. Z ou V. 

Durante a última eleição norte americana a revista Mother Jones, especializada em conteúdo político decidiu misturar fan fiction e attack ads como formo de protesto, ou não, aos ataques públicos entre os candidatos. Para isso eles criaram uma série de vídeos baseados no universo, de R. R. Martin, "A Guerra dos Tronos" e o resultado foi esse ai, olha só: 







Para ver os outros vídeos da série de Attack Ads criada pela Mother Jones entrem no site http://www.motherjones.com/politics/2012/06/game-of-thrones-attack-ads.