Da mistura de Storytelling com Place Branding surge o conceito de Storyrunner







Dizem que não é bom escrever um post conceitual. Afirmam que as pessoas só querem saber de aplicações práticas. Defendem que o certo é fazer listas das 10 Coisas Que Podem Mudar Radicalmente Seu Negócio. Pela quantidade de listicles por aí, talvez seja verdade. Mesmo assim, esse post não tem listas. Mas com certeza pode ajudar a ver o seu negócio de outra forma. Vem comigo.

Se fosse para fazer uma lista, teria sido algo na linha de 5 Conceitos Que Você Precisa Conhecer. Uma das principais ferramentas de quem trabalha de frente para o computador é saber onde começa e onde termina um conceito. Mas existe um problema nessa tentativa de delimitar e definir. Por definição, as definições são sempre reducionistas.

Basta ver o exemplo de Storytelling. Pela definição da Neurociência (outro conceito), Storytelling é a forma de comunicação que mais estimula o cérebro e por isso garante maior lembrança dos dados transmitidos. A Antropologia (uma disciplina, que não deixa de ser um conceito) reforça essa ideia ao dizer que Storytelling foi a forma principal de difusão de cultura e conhecimento em todo o decorrer da Humanidade. Se quisermos simplificar, podemos dizer que Storytelling é o simples ato de contar histórias. Mas é mais do que isso.

Se olharmos sob a ótica do Marketing, Storytelling é contar uma história para atingir um objetivo de vendas e persuasão. Acontece que ninguém paga ingresso de cinema pelos 5 minutos de propaganda antes do filme. Storytelling tem mais a ver com o filme de entretenimento do que com o filme publicitário. Se Storytelling tem um objetivo primordial é o de encantar, de formar fãs. O que também não quer dizer que todo e qualquer filme ou livro conte boas histórias.

Quantas vezes você não saiu do cinema com uma sensação de frustração? De achar que os dois minutos do trailer foram melhores do que os noventa do longa-metragem? Nesse sentido, Storytelling é saber agarrar a audiência logo na primeira frase e não soltar até o ponto final... e ainda deixar todos em estado de reflexão depois da sessão. Muito do poder de encantamento só acontece depois do agradecimento dos atores aos aplausos da plateia. Quem nunca ficou com vontade de ir à Paris depois de reviver mentalmente os cenários de um filme romântico?

Aí que entra o Place Branding, que anda de mãos dadas com Destination Marketing. Mais dois conceitos. O primeiro tem a ver com a consolidação da marca de uma cidade ou país, que vai desde o Design de Logomarca até o estabelecimento do "clima" que cidade deve causar nos potenciais turistas e importadores: a cidade é arrojada? Ou seria clássica? Ou seria histórica? Ou seria luxuosa? Ou talvez cercada pela natureza...?

O conceito de Destination Marketing está ligado às ações capazes de atrair turistas, desde o desenvolvimento de pontos de atração até a divulgação do destino em outras praças. Você está no Brasil e vive vendo anúncios de outros países como Cuba ou Colômbia... O problema é que nem sempre as duas coisas estão alinhadas. A cidade pode ter um clima romântico e o material de promoção ressalta a beleza natural da região. Isso gera confusão e frustração.

Volta à cena o Storytelling. Ao pensar o destino através de um enredo, fica mais fácil de desenvolver um material promocional que coloca um personagem para viver a experiência posicionada pelo Place Branding. Já escrevi sobre o exemplo do cineasta Woody Allen, que há mais de uma década vem colocando essa ideia em prática.

O Sebrae de Minas Gerais também entendeu essa ideia e me convidou a propor um projeto nesses moldes para a cidade de Ouro Preto e a Associação dos Hoteleiros ABIH foi a primeira a se dispor a ajudar. Foram meses de conversas e planos, até que a ideia ganhou forma e se tornou uma engrenagem: articular, conversar, pesquisar, criar, escrever...

Isso não é tarefa para uma só pesso, mas de uma grande equipe, que vai desde a pesquisa até a produção da obra. É preciso juntar esforços. A editora é outra parceira nesse projeto. No caso dos seriados, que tem equipes tanto de roteiro quanto de direção, entra em cena o papel do Showrunner (um conceito relativamente recente) que é a pessoa que guia a história. Nem sempre o Showrunner é o autor da ideia original. O Showrunner do seriado The Walking Dead não é quem criou a versão original da história em quadrinhos.

Acontece que o projeto em questão não é um filme nem um seriado e sim um livro. Obras literárias costumam ser feitas por uma só pessoa, o escritor, que leva meses e até anos para lançar a obra. No mundo das marcas - mesmo que seja a marca de uma cidade - esse prazo não existe. Ainda mais quando o livro em questão tende a se desdobrar em uma plataforma trasmidiática (juro que esse é o antepenúltimo conceito). Foi assim que surgiu a ideia do conceito central do post: o Storyrunner.

Antes de falar do Storyrunner, vamos tratar do último conceito do post, a Franquia Cultural, que deixei para o final por se tratar de algo importante, já que faz com que as histórias passem a ser vistas como tendo valor tangível, estimável e reproduzível.

O Storyrunner é o Showrunner de uma Franquia Cultural que nasce pensada dentro de uma plataforma transmidiática. Na prática, a história nasce maior do que uma única mídia. O livro, por exemplo, pode continuar seu enredo em um filme de cinema ou parte da história que só ficou pontuada no texto literário pode ser aprofundado nas páginas de um quadrinho. O Showrunner é quem deve pensar tudo isso. Pensar, planejar, coordenar e executar.

Se você trabalha em uma empresa e quer entender melhor como contar histórias ou se você trabalha com turismo e quer saber mais sobre essa metodologia, mande uma mensagem e vamos conversar.

Agora se só tiver curiosidade para saber o que vai sair da combinação de todos esses conceitos, acompanhe os próximos capítulos dessa jornada:

Diário de Bordo feito pelo personagem fictício W. Dáblio no Facebook.

Dicas secretas de Ouro Preto pelos ouropretanos no Dubbi.

A Fanpage criada para o projeto, com histórias contadas por pessoas na cidade.




Este artigo foi publicado inicialmente no LinkedIn

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